A REVISTA DOS PLANOS DE SAÚDE OUT/NOV/DEZ • ?· anos que a famigerada judicialização da saúde…

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  • JUDICIALIZAOComo o exCesso de aes na Justia Compromete a exeCuo de poltiCas pbliCas e ameaa o bom funCionamento da sade suplementar

    AVANO OU DESPERDCIO? por que a inCorporao de mediCamentos, exames e materiais no signifiCa neCessariamente a melhora do servio ofereCido populao

    TECNOLOGIA sistemas informatizados e plataformas digitais aproximam mdiCos de paCientes e melhoram a gesto de operadoras

    CONGRESSO ABRAMGE/SINOG gestores pbliCos, operadoras e espeCialistas so unnimes sobre a neCessidade de mudana na sade suplementar

    A R E V I S T A D O S P L A N O S D E S A D E O U T / N O V / D E Z 2 0 1 6

    ANO 1 NO 02ISSN 2448-0630

  • Sem ttulo-1 1 03/10/2016 09:58:36

  • J udicializao, uma palavra to infame que nem aparece nos dicionrios. Ainda assim, ela nunca esteve to na moda. Basta uma espiada no noticirio para constatar. judicializao da poltica, dos conflitos trabalhistas, da educao... A lista vai embora. Nenhum desses fenmenos, contudo, rendeu mais notcias nos ltimos quatro ou cinco

    anos que a famigerada judicializao da sade tema da reportagem de capa da revista que

    est em suas mos [1].

    Os nmeros impressionam. Brasil afora, so mais de 400 mil as aes judiciais em curso

    neste exato momento, envolvendo tanto o sistema pblico quanto a sade suplementar.

    Ningum discute, por bvio, o direito que todo cidado tem de recorrer Justia na

    defesa dos seus direitos. O problema que os tribunais vm sendo cada vez mais usados

    de maneira indevida, provocando rombos assustadores nos cofres pblicos e ameaando

    a sobrevivncia das operadoras de planos de sade. Por que isso acontece? Quais so os

    prejuzos para a sociedade? Como reverter a situao? As respostas para essas e outras

    perguntas esto entre as pginas 18 e 23.

    Outro assunto dos mais atuais e igualmente relevante para o setor o da

    incorporao de novas tecnologias e medicamentos, algo essencial para a evoluo da

    assistncia sade. O dilema, no entanto, est no alto custo dessa incorporao e na forma

    nem sempre criteriosa como ela feita. Vale lembrar que investimentos mal planejados

    em equipamentos de ponta ou remdios ultramodernos no necessariamente significam

    uma melhora no servio de sade oferecido populao. Essa apenas uma das questes

    abordadas em outra das reportagens desta edio, entre as pginas 24 e 27 [2].

    O tema da nossa terceira matria so os investimentos em tecnologia da informao.

    Ainda que tmidos entre as operadoras brasileiras, eles so considerados estratgicos,

    pois aproximam as empresas de seus clientes e proporcionam maior segurana gesto

    do negcio [3]. Para concluir esta breve apresentao, vale destacar, tambm, a tima

    entrevista concedida pelo economista Paulo Furquim, professor do Insper, que fala, entre

    outros assuntos, sobre as mudanas necessrias no sistema de sade brasileiro para torn-lo

    mais eficiente [4], e a cobertura do Congresso Abramge/Sinog, no qual gestores pblicos,

    operadoras e especialistas foram unnimes ao apontar para a urgncia de mudanas na

    sade suplementar brasileira.

    Boa leitura.

    A sade nos tribunais

    [3]

    [2]

    [1]

    [4]

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    EDITORIAL

  • PGINAS AZUISpaulo furquim, do insper, fala sobre as mudanas que podem tornar o sistema de sade brasileiro mais racional e eficiente

    capaJUDICIALIZAOComo o excesso de aes na Justia compromete a execuo de polticas pblicas e ameaa o funcionamento da sade suplementar

    AVANO OU DESPERDCIO?por que a incorporao de medicamentos, exames e materiais no significa necessariamente a melhora do servio oferecido populao

    TECNOLOGIAsistemas informatizados e plataformas digitais aproximam mdicos de pacientes e melhoram a gesto de operadoras

    CONGRESSO ABRAMGE/SINOGgestores pblicos, operadoras e especialistas so unnimes sobre a necessidade de mudana na sade suplementar

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    10 Imagem

    12 Notas

    16 Raio X

    FOTO DE CAPA: shutterstock

    SEES

    36 Acesso

    38 Diagnstico

    SUMRIO

    4 Viso saDe out/noV/Dez 2016

  • ABRAMGE associao brasileira de planos de sade

    SINAMGE sindicato nacional das empresas

    de medicina de grupo

    SINOG sindicato nacional das empresas

    de odontologia de grupo

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    COMIT EXECUTIVO SISTEMA ABRAMGE

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    PROJETO EDITORIAL E GRFICO

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    a opinio da Viso Sade ou do sistema abramge.

  • PGINAS AZUIS

  • Paulo Furquim, economista e professor do insper, fala sobre as mudanas que podem tornar o sistema de sade brasileiro mais racional e eficiente

    fotos: renato pizzutto

    As regras do jogo

    O economista Paulo Furquim dedicou uma parte considervel de sua carreira rea de regulao e concorrncia. No meio acadmico e no ambiente empresarial, estudou a relao entre o Estado e o setor privado para entender o modo como as corporaes concorrem e o tipo de regras a que so submetidas. Nessa rea, desenvolveu trabalhos sobre o sis-tema de sade e outros setores essenciais para o desenvolvimento socioeconmico do pas. Durante quatro anos, como conselheiro do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econmica), ele imergiu nas questes da sade ao participar de diversos casos envolvendo as relaes entre cooperativas de mdicos, hospitais e outros atores do sistema. At que a vida acadmica o levou para a sala de aula. Hoje no Insper, Furquim d aula de regulao e defesa da concorrncia na graduao. No mestra-do, fala sobre estratgia competitiva, com foco maior no ambiente empresarial. E, no doutorado, ministra em ingls uma aula chamada Institutional Environment, na qual aborda as regras do jogo. Ele explica: De modo bem abrangente, a aula explora a seguinte questo: como as regras do jogo influenciam o desenvolvimento de um pas. Respostas? sobre isso que ele fala na entrevista a seguir.

    7out/noV/Dez 2016 Viso saDe

  • VISO SADE Cerca de 75% dos brasileiros dependem exclusivamente do SUS e os 48 milhes restantes tm acesso a algum plano de sade mdico-hospitalar. possvel que os sistemas pblico e privado coexistam de forma racional e eficiente?PAulO FuRQuIm A existncia dos dois sistemas pare-ce uma soluo adequada para a estrutura da sociedade brasileira, que bastante desigual e relativamente pobre em termos de renda mdia. Nesse sentido, foi um sucesso o SuS conseguir a universalidade da assistncia sade, o que muito raro para um pas com os nossos indica-dores e uma populao que demanda por servios de maior qualidade. Ao mesmo tempo, existe um grupo de prestadores de servios de sade no setor privado aptos a cumprir esse papel, por isso acho absolutamente razovel a convivncia entre os dois sistemas. mas fato tambm que h uma srie de elementos que podem ser aprofun-dados na relao entre os setores pblico e privado.

    Quais seriam esses elementos? Na sade suplementar, um eixo fundamental a mudana das relaes de contratao entre beneficirios, planos de sade e prestadores de servios. Hoje, o modelo de contra-tao induz ao desperdcio e, em algumas situaes extre-mas, premia o mau comportamento no meio mdico, um comportamento deplorvel de indivduos que tm lucrado com a ignorncia alheia, inclusive prejudicando a sade do beneficirio. Outro eixo importante o empoderamento do consumidor, ou seja, oferecer informao e capacidade de escolha para o beneficirio, mas tambm dar a ele uma pequena parte do nus por meio dos modelos de copartici-pao. Existe ainda um terceiro eixo que a relao com o judicirio, um ator que desempenha um papel muito importante no setor. Atualmente, o judicirio tem uma participao to intensa na sade que acaba determinan-do alocaes relevantes dos recursos, tanto no SuS quanto na sade suplementar. A judicializao explica parte da elevao de custos do sistema, que so, em ltima anlise, repassadas para os beneficirios e contribuintes.

    Quando o senhor fala em mudanas no modelo de remunerao dos servios de sade, quais so as alternativas mais adequadas para o contexto brasileiro? Esse um arranjo complexo, em que voc precisa com-binar diferentes formas de pagamento pelos servios.

    Na sade suplementar, um eixo funda