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A situação traduzida pelo termo “Pico de Hubbert” · 2017-09-27 · Activation Social Support System Demand Planning Fleet Management Improvement Sust. Infrastrutures Maintenance

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  • Pico de Hubbert - Análise Morfológica aplicada à Gestão do Risco

    (Abordagem Multidimensional de Problemas Complexos)

    Nuno Miguel Alves de Sousa

    Licenciado em Engenharia da Proteção Civil

    Serviço Municipal de Proteção Civil e Bombeiros de Setúbal,

    Setúbal, Portugal

    [email protected]

    Resumo

    A situação traduzida pelo termo “Pico de Hubbert” - Pico do Petróleo - é

    considerada como um risco colectivo com potencial sistémico de rápida

    propagação de impactes a sectores vitais da sociedade contemporânea. Tal

    deve-se à condição do petróleo como recurso geológico finito por

    contraposição à sua condição de fonte primária de energia e à procura da

    sociedade por este recurso e seus derivados. Será apresentada uma

    metodologia de análise, a Análise Morfológica Geral (Multidimensional),

    desenvolvida para áreas de estudo sobre acontecimentos futuros, análise de

    políticas e gestão estratégica, aplicável no sector da gestão de riscos

    coletivos na área da Proteção Civil.

    Foi conceptualizado um estudo de caso fictício, suportado em variáveis

    seleccionadas nos relatórios resposta elaborados por várias cidades mundiais

    ao problema da escassez de recursos petrolíferos, de forma a ilustrar as

    possibilidades oferecidas pela Análise Morfológica Geral (AMG). Em

    função do número de variáveis associadas a um problema complexo

    multidimensional, o cálculo combinatório resultante da sua conjugação pode

    gerar um número elevado de combinações de difícil gestão sem auxílio de

    uma ferramenta computacional. No âmbito do trabalho que dá suporte ao

    presente resumo, foi formalizado um pedido de apoio académico pro bono à 1Swedish Morphological Society (SMS), a qual colaborou na produção de

    resultados, através da utilização do software MA/CarmaTM (Computer-Aided Resource for Morphological Analysis), desenvolvido pela Swedish

    Morphological Society.

    1 http://www.swemorph.com/index.html

    mailto:[email protected]

  • 1 Introdução

    “The emergency management community faces a future with challenges

    likely to be far different from those we confront today” - Kaufman (2012). A

    afirmação consta no relatório FEMA, produto da iniciativa “Strategic

    Foresight Initiative” (SFI).

    No trabalho desenvolvido na licenciatura de Engenharia da Proteção Civil -

    Instituto Superior de Educação e Ciências, foi proposto efetuar uma

    Abordagem Multidimensional de Problemas Complexos com recurso à

    metodologia Análise Morfológica Geral, defendendo-se que incumbe

    (também) à Proteção Civil, para além da análise dos riscos coletivos

    tradicionais (naturais e tecnológicos) a análise de riscos coletivos de

    natureza complexa, propondo-se a utilização do software MA/CarmaTM (Computer-Aided Resource for Morphological Analysis) como ferramenta

    de construção de modelos, redução, classificação e análise de variáveis

    multidimensionais de origem complexa.

    Aquando da elaboração do trabalho “Pico de Hubbert - Análise Morfológica

    aplicada à Gestão do Risco” a Autoridade Nacional de Proteção Civil

    integrava a Comissão de Planeamento de Saúde de Emergência, resultando

    uma ação limitada no estudo e planeamento de problemas complexos. Com a

    publicação do Decreto-Lei n.º 126-B/2011 de 29 de Dezembro a Autoridade

    Nacional de Proteção Civil viu reforçadas as suas atribuições, definindo

    posteriormente o Decreto-Lei n.º 73/2012 de 26 de Março que “a ANPC tem

    por missão planear, coordenar e executar a política de proteção civil,

    designadamente na prevenção e reação a acidentes graves e catástrofes, de

    proteção e socorro de populações e de superintendência da atividade dos

    bombeiros, bem como assegurar o planeamento e coordenação das

    necessidades nacionais na área do planeamento civil de emergência com

    vista a fazer face a situações de crise ou de guerra.”

    No decurso do novo enquadramento da Autoridade Nacional de Proteção

    Civil e na ótica de que os desafios futuros apresentados à comunidade de

    Gestão da Emergência serão muito diferentes dos quais se confronta

    diariamente, apresentar-se-á a Análise Morfológica Geral envolta na

    problemática dos problemas complexos descrita por Rittel (1973) e as suas

    vantagens.

    2 Problemas Complexos

    A consideração do decisor político sobre quais medidas aplicar face à

    incerteza inerente à garantia das disponibilidades necessárias, quais

    processos implementar e que resultados atingir, concretiza-se quando um

    problema possui ambiguidades (ausência de informação) com corpos

  • irregulares (áreas do conhecimento) projetando tridimensionalmente

    entidades (processos de decisão), que iluminadas de diferentes ângulos

    (estratégias) absorvem, refletem ou refratam a luz (análise) em diferentes e

    múltiplos vetores (opções) que “obrigam” o decisor a tomar a “melhor”

    decisão “possível” face ao nível de incerteza e tolerabilidade social.

    Rittel (1973) propôs dez critérios para os problemas complexos, que devem

    ser do conhecimento do Gestor de Emergência:

    - Não existe uma fórmula definitiva para um problema complexo.

    - Problemas complexos não possuem regras delimitadoras.

    - As soluções para problemas complexos não são verdadeiras ou falsas, são

    aceitáveis ou não aceitáveis.

    - Não existe um teste último e imediato para a solução derivada de um

    problema complexo.

    - Toda a solução para um problema complexo é uma “operação de tiro

    único”. Devido à inexistência de oportunidade para aprendizagem por

    tentativa-erro, toda a tentativa conta significativamente.

    - Os problemas complexos não possuem um conjunto enumerável (ou uma

    descrição exaustiva) de soluções, nem existe um conjunto de operações

    permissíveis bem descriminadas que possam ser incorporadas no plano.

    - Todo o problema complexo é essencialmente único.

    - Todo o problema complexo pode ser considerado uma derivação de outro

    problema.

    - A verificação de uma discrepância na representação de um problema

    complexo pode ser explicada de variados modos. A escolha da

    justificação determina a natureza da resolução do problema

    - O planeador não tem direito a errar.

    3 Análise Morfológica Geral

    Ritchey (2010) define a Análise Morfológica Global como um método para

    estruturação e investigação do total de relações contidas num modelo

    multidimensional, não quantificável, dos problemas complexos. A AMG foi

    originalmente desenvolvida por Fritz Zwicky, um astrofísico e cientista

    aeroespacial suíço que desenvolveu a sua atividade no Instituto de

    Tecnologia da Califórnia.

    Ritchey (2010) identifica o trabalho de Zwicky (1966), “Discovery,

    Invention, Research through the Morphological Approach”, no qual o pai da

  • descoberta da Matéria Negra presente no universo, sumariza 5 passos

    iterativos do processo:

    Primeiro passo: O problema, para ser resolvido, tem que ser formulado de

    modo muito conciso.

    e.g. – Estudar dois cenários com probabilidade elevada de

    disseminação de impactes críticos a setores da sociedade devido à

    escassez de oferta/fornecimento de produtos petrolíferos.

    Segundo passo: Todos os parâmetros que possam ter importância para a

    solução de um determinado problemas devem ser localizados e analisados.

    e.g. – Situação; condições de insegurança; estratégias de redução do

    risco; medidas de prevenção; medidas de preparação; medidas de

    resposta e metodologia.

    Terceiro passo: A caixa morfológica ou a matriz morfológica, que contém

    as soluções potenciais do problema, é construída.

    e.g. – Modelo Morfológico

    Situation Insecurity Conditions

    Risk Reduction Strategies

    Prevention Measures

    Preparation Measures

    Response Measures

    Methodology

    Short Disruption Population Density Acknowledgement Urban Renovation Comunication Plan Political

    Mandatory Directives

    Sectorial Work Groups

    Long decay of supply General Distribution

    Systems Leadership Action Strategic Reserves

    Community Preparedness

    Activating Plan Global Task Force

    Land Use Engage Communities

    Local Food Sustainability

    Monitoring Rationing

    Fuel Supply Focus on accessibility

    Forest Management Development

    Cíclovia Construction

    Conditioning

    Fuel Demand Food security

    Green Public Transport Network

    Development

    City Neighborhood Permaculturization

    Crisis Groups

    Foreign Energy

    Dependence Strategic Local Business

    Environment Tecnological

    Inovation

    Adopt Green Energy Efficient

    Technologies TeleWork

    Food Security

    Prepare Municipal Services

    Home Reserves Training Strategic Reserves

    Activation

    Social Support

    System Demand Planning

    Fleet Management Improvement

    Sust. Infrastrutures Maintenance

    Programs Fiscalization

    Health Care

    Reduce Global External Dependance

    Renewable Energy Incentive

    Global Resources

    Access Bicicle Use Incentives

    Urban Waste Management

    Capacity

    Develop Telework Organization

    Infrastructures Maintenance

    Sust. Infrastrutures Maintenance

    Programs

    Absence of Knowledge

    New Constrution Codes

    Mobility

    Degrading capacity of the Security and

    Emergency Services

    Possible combinations

    449280

  • Quarto passo: Todas as soluções contidas numa caixa morfológica, são

    escrutinadas em detalhe, no que respeita aos propósitos que se pretendem

    atingir (ótimo; consistente não ótimo; indesejado/incompatível)

    e.g. – Ver Tabela 2 ( - ; k ; X)

    Quinto passo: As soluções ótimas adequadas são… selecionadas e aplicadas

    na prática, desde que existam os meios necessários disponíveis. Esta redução

    à prática requer, no geral, um novo estudo morfológico.

    3.1 Caixa de Zwicky

    Zwicky (Ritchey 2002) desenvolveu a “Caixa de Zwicky” para demonstrar as

    vantagens dos campos morfológicos sobre os campos topológicos. A figura

    representa uma “Caixa de Zwicky” e a respetiva representação de uma opção

    (caixa azul com esfera) num campo morfológico.

    Ilustração 1 - Caixa de Zwicky

    O valor da esfera (opção) encontra-se na coordenada (3,2,3) podendo

    representar uma opção combinatória que o investigador se propõe analisar.

    Esta opção assume, num campo morfológico a representação da tabela 1.

  • Campo Morfológico Tridimensional

    Parâmetro x Parâmetro y Parâmetro z X1 Y1 Z1

    X2 Y2 Z2

    X3 Y3 Z3

    X4 Y4 Z4

    Tabela 1 - Campo Morfológico

    No processo de análise morfológica o investigador permite-se avaliar um

    conjunto de valores (condições) mudando a esfera de posição num espaço

    multidimensional.

    A ilustração 2 identifica uma combinação ótima (1x1; 2x1; 3x3; 2x1; 4x2;

    3x3). Uma combinação possível não ótima poderia ser (1x1; 2x1; 2x1; 2x1;

    3x1; 4x1).

    Ilustração 2 – Combinação Ótima Possível

    O exemplo morfológico (modelo α) caraterizado pela ilustração 2 é o

    seguinte:

    Parâmetro 1 Parâmetro 2 Parâmetro 3 Parâmetro 4 P1C1 P2C1 P3C1 P4C1

    P1C2 P2C2 P3C2 P4C2

    P1C3 P3C3 P4C3

    P4C4

    P4C5

    P5C6

  • 3.2 Total Configurações Complexas

    O total de configurações complexas (Tcc) num campo morfológico de n

    parâmetros (Pn) e n condições (C1, C3, C3…Cn) para cada parâmetro é:

    Tcc = P1Cn * P2Cn * P3Cn (1)

    O exemplo da ilustração 2 possui um total de 144 configurações complexas:

    Tcc = P1C3 * P2C2 * P3C4 * P4C6 (2)

    Tcc = 3 * 2 * 4 * 6 = 144 (3)

    Se no estudo estratégico o investigador decidisse por incluir dois novos

    parâmetros com 5 e 7 condições respetivamente, o número de configurações

    passaria para:

    Tcc = 3 * 2 * 4 * 6 * 5 * 7 = 5040 combinações (4)

    A rápida conclusão que podemos retirar da adição de mais dois parâmetros

    (com mais doze condições) foi a de passarmos, de um campo morfológico de

    144 combinações para 5040. Se porventura fosse necessário adicionar mais

    um parâmetro com 4 condições, a equipa de estudo confrontar-se-ia com

    20160 combinações complexas.

    Parâmetro 1 Parâmetro 2 Parâmetro 3 Parâmetro 4 Parâmetro 5 Parâmetro 6

    P1C1 P2C1 P3C1 P4C1 P5C1 P6C1

    P1C2 P2C2 P3C2 P4C2 P5C2 P6C2

    P1C3 P3C3 P4C3 P5C3 P6C3

    P3C4 P4C4 P5C4 P6C4

    P4C5 PSC5 P6C5

    P5C6 P6C6

    P6C7

  • 3.3 Matriz Cruzada de Verificação de Consistência

    Ritchey (2010) apresenta a matriz cruzada de verificação de consistência,

    comparando cada par, de cada condição, em cada parâmetro com todos as

    condições de todos os parâmetros. Um bloco de parâmetros consiste em

    todas as condições par-a-par entre todos os blocos, verificados de forma

    cruzada como numa matriz topológica bidimensional.

    P1 P2 P3

    PIC

    1

    P1C

    2

    P1C

    3

    P2C

    1

    P2C

    2

    P3C

    1

    P3C

    2

    P3C

    3

    P3C

    4

    P2 P2C1 - - - P2C2 - - -

    P3

    P3C1 - K - - K As células a cor encarnada indicam a

    combinação ótima apontada na

    ilustração 2

    P3C2 - K K - K

    P3C3 - - - - -

    P3C4 - K - - K

    P4

    P4C1 - - - - - - - - -

    P4C2 K - - K - K - - -

    P4C3 X K - X K X K - K

    P4C4 K - - K - K - - -

    P4C5 - - - - - - - - -

    P4C6 - - - - - - - - -

    Tabela 2 - Matriz Cruzada de Verificação de Consistência (modelo α)

    O número de blocos no interior de uma matriz cruzada de verificação de

    consistência é dado pela seguinte expressão, onde N = n.º de Parâmetros:

    (5)

    No caso modelo α N = 4, logo:

    (6)

    3.4 Número de Pares MCVC

    O número de pares para verificação da consistência é o número total de pares

    relacionados (TPr) num modelo, e é expresso pela seguinte fórmula:

    ∑ ∑ (7)

    No modelo α temos 4 parâmetros, logo:

    ∑ ∑ ∑ ∑

    (8)

  • TPr = [Vi1*(Vj2+Vj3+Vj4)]+[Vi2*(Vj3+Vj4)]+Vi3*(Vj4) ⇔ (9)

    TPr = [3*(2+4+6)]+[2*(4+6)]+(4*6) = 36 + 20 + 24 = 80

    Obteve-se, como quantitativo total para verificação cruzada de consistência

    (classificação), 80 pares, um número muito distante das 5040 combinações

    possíveis no modelo morfológico.

    Seguidamente a equipa de análise iria proceder à classificação de relações

    entre as condições segundo critérios de aceitabilidade ótima, aceitabilidade

    condicionada ou não aceitabilidade.

    4 Conetividade

    Num modelo morfológico, a conectividade reporta-se às diferenças

    endógenas das variáveis de origens, campos ou características distintas e à

    forma como estas se podem interligar. A pergunta base resultante é: Como é

    que cada parâmetro se relaciona com os outros parâmetros?

    Ritchey (2010) argumenta que existem duas possibilidades: Ou os dois

    parâmetros em estudo são ortogonais, ou seja, independentes um do outro,

    ou possuem constrangimentos mútuos.

    Desde que os valores sejam relacionados por consistência mútua, então

    podemos afirmar que num par ortogonal Px e Py, qualquer valor de Px é

    consistente com qualquer valor de Py.

    Os valores ortogonais podem assumir assim a seguinte classificação:

    “-“ significa que “é consistente com…” ou “pode coexistir com…”.

    Se um valor ortogonal Pk, for ortogonal para com todos os outros parâmetros

    do modelo morfológico, então tal significa que a sua variabilidade não tem

    efeito sobre o resto do modelo. Um parâmetro assim é exógeno ao sistema.

    Os pares de parâmetros são mutuamente constrangidos quando pelo menos

    um par de valores (condições) de um bloco de parâmetros é inconsistente,

    impossível ou inviável. “k” pode representar uma relação altamente

    improvável, e “X” uma contradição extrema entre valores (condições).

    Aplicando o esquema de símbolos e respetivo significado ao Modelo α

    (Tabela 2) pode concluir-se o seguinte:

    O valor P1C1, do parâmetro P1, é consistente com o valor P2C2, do parâmetro P2 (ótimo).

    O valor P1C2, do parâmetro P1, é altamente improvável com o valor P3C4, do parâmetro P3 (consistente não ótimo).

  • O valor P2C1, do parâmetro P1, é uma contradição extrema com o valor P4C3, do parâmetro P3 (indesejado/incompatível).

    Existem dois tipos de ligação entre parâmetros.

    Ligados – quando apresentam constrangimentos mútuos entre os valores dos parâmetros.

    Não ligados – Quando os parâmetros são ortogonais (independentes).

    4.1 Coeficiente de Conetividade

    O Coeficiente de conectividade ( ): O rácio entre o número de blocos de parâmetros constrangidos (BPc) e o número total de ligações entre blocos de

    parâmetros.

    Do modelo α resulta:

    (10)

    4.2 Coeficiente de Consistência

    O Coeficiente de Consistência ( ): O rácio do número de pares constrangidos dos valores (condições) dos parâmetros da Matriz Cruzada de

    Verificação de Consistência (Cx) com o número total de pares de valores da

    Matriz (Ct).

    (11)

    4.3 Coeficiente do Espaço Solução

    O Coeficiente Solução ( : O rácio entre o número de configurações simples no espaço solução (Espsol) (topológico) com o número de

    configurações simples no espaço total de configurações (morfológico).

    Do modelo α resulta:

    ∏ (12)

    Onde,

    (13)

  • Aplicado ao modelo onde foram adicionados mais 2 parâmetros de 5 e 7

    condições, respetivamente, obter-se-ia o seguinte:

    (14)

    Da constatação dos dois espaços solução intui-se que quanto maior e mais

    complexo for o sistema maior é a redução do espaço solução.

    5 Pico de Hubbert (Oil Peak)

    O conceito associado ao Pico de Hubbert sustenta-se em três enunciados de

    senso-comum:

    A produção inicia-se do ponto 0;

    A produção aumenta até atingir um ponto que não pode ser ultrapassado (pico);

    Passado o pico, a produção entra em declínio até à depleção do recurso.

    A consciencialização da depleção dos recursos energéticos não renováveis,

    com especial enfoque na escassez dos produtos petrolíferos primários e seus

    derivados suscita uma questão: Existirá potencial para afetação de sectores

    críticos da sociedade em derivação da situação do pico de produção?

    O relatório da International Energy Agency “Oil & Gas Security –

    Emergency Response of IEA Countries – Portugal” (2011) revela que

    Portugal é 99,9% (2010) dependente da importação de petróleo.

    PORTUGAL

    Key Oil Data

    1985 1990 1995 2000 2005 2008 2009 2010

    Production (kb/d) - - - - - 0.8 0.8 0.3

    Demand (kb/d) 179.9 251.0 290.3 332.7 336.9 288.9 270.6 271.7

    Motor gasoline 19.8 31.7 43.8 49.0 41.9 34.4 34.2 32.5

    Gas/diesel oil 41.2 54.2 66.8 101.2 115.0 111.2 112.9 114.2

    Residual fuel oil 63.8 79.1 82.3 68.9 63.7 40.7 31.7 26.9

    Others 55.1 85.9 97.5 113.6 116.3 102.6 91.9 98.1

    Net imports (kb/d) 179.9 251.0 290.3 332.7 336.9 288.1 269.8 271.4

    Import dependency 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 99.7% 99.7% 99.9%

    Refining capacity (kb/d) 290 313 304 304 304 304 304 310

    Oil in TPES 75.7% 63.9% 65.6% 60.6% 58.6% 52.9% 49.5% -

    Source: International Energy Agency

  • Um exemplo é o setor dos transportes em Portugal que consome 50% dos

    produtos petrolíferos importados, permitindo a mobilidade de pessoas, a

    distribuição e logística de matérias-primas, produtos intermédios e produtos

    acabados, com potenciação do desenvolvimento económico, contudo este

    setor é extremamente vulnerável a variações de preço dos combustíveis,

    conforme ficou demonstrado na greve dos camionistas do ano de 2008.

    Com consciência dos desafios que se colocam após a publicação de vários

    relatórios de referência dedicados ao tema “Oil Peak”, diversas cidades

    mundiais, decidiram de modo unilateral, proceder à constituição de grupos

    de trabalho para análise da problemática da exaustão do petróleo

    convencional e quais os riscos coletivos associados, com potencial de

    transferência de impactes para a gestão dos territórios, sustentabilidade e

    segurança das populações, procedendo à identificação de setores

    considerados críticos. As cidades de Bristol (Reino Unido - 2009), San

    Francisco (Estados Unidos da América - 2009), Dunedin (Nova Zelândia -

    2010), Maribyrnong (Austrália - 2009), Portland (Estados Unidos da

    América - 2007), Brisbane (Austrália – 2007), Bloomington (Estados Unidos

    da América – 2009), Oakland (Estados Unidos da América - 2008),

    Warwickshire (Reino Unido - 2010), Bellingham and Whatcom (Estados

    Unidos da América – 2009) analisaram os seguintes sectores estratégicos

    (agregação dos sectores parcelares escolhidos por cada cidade):

    aeroporto, agricultura, água, alimentação, ambiente económico, apoio social, atividades locais e regionais, bombeiros, cadeia de

    distribuição, coesão social, comércio e negócios, comunicação e

    educação, construção, cuidados de saúde, cuidados materno-infantis,

    custo de deslocação do pessoal, distribuição de água, diversificação

    e conservação dos recursos naturais, economia, edifícios, edifícios

    municipais, emergências e eventos não esperados, energia, entrega

  • alimentar, estradas, floresta, frota, funções sociais, gestão de frotas,

    gestão de resíduos, habitação, indústria, infraestruturas investigação,

    liderança e parcerias, manutenção de edifícios, manutenção de

    estradas, operações de transportes, orçamento, planeamento,

    planeamento de emergência, planeamento estratégico, polícia,

    população, preparação e educação comunitária, preparação para a

    mudança, processo de decisão, proteção de populações vulneráveis,

    reciclagem, redes e serviços informáticos, resíduos, resíduos

    urbanos, saúde.

    A afetação dos setores prioritários da economia e a diminuição da

    capacidade de satisfação das necessidades fundamentais configura uma

    situação de crise.

    6 Crise

    O Decreto-Lei n.º 114/2001, de 7 de Abril, define que “a previsão de

    circunstâncias que possam provocar, com elevada probabilidade”,

    “dificuldades no aprovisionamento ou na distribuição de energia que tornem

    necessária a aplicação de medidas excecionais destinadas a garantir os

    abastecimentos energéticos essenciais à defesa, ao funcionamento do Estado

    e dos setores prioritários da economia e à satisfação das necessidades

    fundamentais da população”, “é equiparada a uma situação de crise”.

    A manutenção dos preços atuais entre $100 - $120 por barril (ICE BRENT),

    por um período superior a um ano, poderá indicar que se atingiu um patamar

    crítico, tornando necessária a adoção de medidas excecionais.

    17-02-2012; 119,6

    16-02-2011; 103,8

    0

    20

    40

    60

    80

    100

    120

    140

    07-0

    1-20

    11

    26-0

    2-20

    11

    17-0

    4-20

    11

    06-0

    6-20

    11

    26-0

    7-20

    11

    14-0

    9-20

    11

    03-1

    1-20

    11

    23-1

    2-20

    11

    11-0

    2-20

    12

    01-0

    4-20

    12

    Ice Brent

    http://www.livecharts.co.uk/futures_commodities/brent_oil_prices_historical.php

  • 7 Modelação da AMG (MA/CarmaTM)

    Modelo Morfológico

    Situation Insecurity Conditions Risk Reduction

    Strategies Prevention Measures

    Preparation Measures

    Response Measures

    Methodology

    Short Disruption Population Density Acknowledgement Urban Renovation Comunication Plan Political

    Mandatory Directives

    Sectorial Work Groups

    Long decay of supply General Distribution

    Systems Leadership Action Strategic Reserves

    Community Preparedness

    Activating Plan Global Task Force

    Land Use Engage Communities

    Local Food Sustainability

    Monitoring Rationing

    Fuel Supply Focus on accessibility

    Forest Management Development

    Cíclovia Construction

    Conditioning

    Fuel Demand Food security

    Green Public Transport Network

    Development

    City Neighborhood Permaculturization

    Crisis Groups

    Foreign Energy

    Dependence Strategic Local Business

    Environment Tecnological

    Inovation

    Adopt Green Energy Efficient

    Technologies TeleWork

    Food Security

    Prepare Municipal Services

    Home Reserves Training Strategic Reserves

    Activation

    Social Support

    System Demand Planning

    Fleet Management Improvement

    Sustainable Infrastrutures Maintenance

    Programs

    Fiscalization

    Health Care

    Reduce Global External Dependance

    Renewable Energy Incentive

    Global Resources

    Access Bicicle Use Incentives

    Urban Waste Management

    Capacity

    Develop Telework Organization

    Infrastructures Maintenance

    Sustainable Infrastrutures Maintenance

    Programs

    Absence of Knowledge

    New Constrution Codes

    Mobility

    Degrading capacity of the Security and

    Emergency Services

    Total de Configurações Complexas

    (Tcc) = 2*15*9*13*8*8*2= 449.280 combinações

    Total de Pares Relacionados

    (TPr) = [2*(15+9+13+8+8+2)] + [15*(9+13+8+8+2)] + [9*(13+8+8+2)] +

    [13*(8+8+2)] + [8*(8+2)] + (8*2) = 110 + 600 + 279 + 234 + 80 + 16 =

    1319 combinações.

    De 100 % de combinações possíveis (449.280), no campo morfológico

    multidimensional, a equipa classificará 0,29% (1319) de combinações

    topológicas bidimensionais, reduzindo 99,71% de combinações

    multidimensionais das 449.280 possíveis.

  • Após classificação (matriz cruzada de verificação de consistência) das 1319

    combinações possíveis o software MA/CarmaTM computou a matriz com 975

    resultados ótimos e 12526 resultados consistentes não óptimos.

    O software permite, após computação, efetuar um “play” no ecrãn “D”

    (display), fornecendo à equipa de análise estratégica e ao decisor uma

    ferramenta intuitiva onde este pode selecionar os inputs (encarnado) com

    obtenção dos outputs (combinações ótimas ou consistentes não ótimas).

    No exemplo supra, a equipa seleciona os inputs “decaimento gradual da

    oferta” com a metodologia de “trabalho por grupos setoriais”, analisando

    um output (combinação ótima) de 122 possíveis: condições de insegurança -

    uso do solo; estratégia de redução do risco - conhecimento; medidas de

    prevenção - renovação urbana; medidas de preparação - permaculturização

    periurbana; medida de resposta - fiscalização.

  • 8 Conclusão

    “The emergency management community faces a future with challenges

    likely to be far different from those we confront today” - Kaufman (2012).

    Com a publicação do Decreto-Lei n.º 73/2012 de 26 de Março, a ANPC

    confronta-se com o desafio de “assegurar o planeamento e coordenação das

    necessidades nacionais na área do planeamento civil de emergência com

    vista a fazer face a situações de crise ou de guerra”, prosseguindo atribuições

    para assegurar atividades de planeamento, definição de políticas, elaboração

    de diretrizes, estudos e planos, garantindo a articulação dos serviços públicos

    ou privados para garantia da continuidade da ação governativa, a proteção

    das populações e a salvaguarda do património nacional, no âmbito da

    previsão e gestão de risco e planeamento civil de emergência.

    O risco pode ser definido como 2“o efeito da incerteza sobre os objetivos”.

    Os efeitos podem ser benéficos ou prejudiciais, contudo estão associados à

    probabilidade da sua ocorrência e à magnitude dos seus impactos, ambos

    (probabilidade, magnitude e tipo de impacto) se podem caraterizar pela

    incerteza introduzida pela escassez de informação relacionada com a

    compreensão ou conhecimento do evento, suas consequências ou

    probabilidade. Reconhecendo-se no caso em estudo (Pico de Hubbert), a

    escassez de informação como variável determinante em relação à modelação

    do futuro (cenários), a Análise Morfológica Geral oferece um quadro

    conceptual estruturado e sequencial de modelação e análise de cenários

    complexos, sendo especialmente recomendada para desenvolvimento de

    cenários e mapeamento de alternativas futuras.

    O método (AMG) permite ao decisor (equipa) construir modelos

    morfológicos, com identificação dos parâmetros e condições internas

    relevantes, que são classificados em função da sua consistência interna na

    Matriz Cruzada de Verificação de Consistência, com redução significativa

    das combinações possíveis de análise, poupando recursos valiosos ao nível

    dos custos associados à constituição e manutenção do grupo e tempo de

    trabalho, permitindo, com a aplicação do software MA/CarmaTM

    , a

    construção de modelos associados a qualquer tema de estudo no âmbito da

    previsão e gestão do risco (incêndios florestais, alterações climáticas,

    sismologia, tsunamis, acidentes com matérias perigosas, infraestruturas

    críticas, reservas estratégicas, “war games”, etc.).

    À equipa de trabalho e análise multidisciplinar é permitido, após construção

    do modelo e consequente classificação de consistência, a computação dos

    resultados com indicação do número de combinações ótimas e consistentes

    2 ISO/FDIS 31000:2009(E). Risk management - Principles and guidelines (Final Draft).

  • não ótimas, facilitando através de um layout gráfico intuitivo, com “display”

    das combinações computadas para seleção de “inputs” e visualização de

    “outputs”, um jogo interativo de discussão e análise de resultados entre os

    membros do grupo de trabalho.

    O novo conceito estratégico da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico

    Norte) reconhece, no capítulo de caraterização do ambiente de segurança

    (pág. 12), que todos os países (OTAN) se encontram dependentes de vias de

    trânsito, comunicação e transportes sobre as quais o comércio internacional,

    a segurança energética e a prosperidade dependem, requerendo maiores

    esforços internacionais para garantir a sua resiliência em caso de ataque ou

    disrupção. Afirma ainda que alguns países ficarão mais dependentes de

    fornecedores internacionais de energia e, em alguns casos, de fornecedores e

    redes de distribuição para a satisfação das suas necessidades. A necessidade

    de satisfação da procura mundial obriga a uma maior partilha e transporte

    dos recursos através do globo, aumentando o nível de exposição à disrupção

    no fornecimento de energia.

    Como medida de defesa e dissuasão (pág. 17), entre outras, a OTAN, define

    como objetivo o “desenvolvimento da capacidade de contribuição para a

    segurança energética, incluído a proteção de infraestruturas críticas no setor

    da energia, em cooperação (…) na base de avaliações estratégicas e

    planeamento de contingência.”

    Este receio expresso no conceito estratégico da OTAN encontra eco no

    relatório do World Economic Forum, “Global Risks 2012 – Seventh Edition

    – An Iniciative of the Risk Response Network”; no qual são identificados

    cenários de evolução dos riscos em termos de probabilidade e impacto. Em

    5.º lugar verificamos o posicionamento da volatilidade extrema dos preços

    no setor da energia, concretizando uma vez mais o potencial para a disrupção

    no fornecimento de energia.

    A acontecer este cenário, a ANPC, no conjunto das suas novas atribuições

    deverá considerar que a escassez gradual ou repentina no fornecimento de

    energia traduzir-se-á em problemas reais, com imperatividade de estudos

    estratégicos atempados que permitam aos decisores políticos a nível

    Nacional, Regional e Local planearem e construírem um período de

    transição, em conjunto com a comunidade, que permita a adaptação da

    população a uma sociedade com menores recursos energéticos disponíveis,

    inibindo a sua mobilidade urbana e metropolitana, o acesso a bens de

    consumo e investimento, constrangimentos na gestão e logística dos

    transportes, nas distribuição de bens essenciais, redução da atividade

    económica e a sustentabilidade orçamental para investimento em

    infraestruturas de apoio social, de distribuição de água, de saneamento, de

    asfaltamento, de saúde, de segurança, justiça, defesa, etc… Em suma,

  • configurando-se uma situação de crise, que pode e deve ser objeto de

    planeamento estratégico atempado para aumento da resiliência das

    populações, apresentando-se como instrumento, a Análise Morfológica Geral

    com recurso ao software MA/CarmaTM

    , desenvolvido pela Swedish

    Morphological Society.

    9 Referências

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    (Final Report) - A Call for Action”, Maunsell Australia.

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    Study 1 - Peak Oil - Security Policy Implications of Scarce Resources”,

    Strausberg, Germany.

    Decreto-Lei n.º 73/2012 de 26 de Março [Orgânica da Autoridade Nacional

    de Proteção Civil (ANPC), fixando as suas atribuições em matéria de

    planeamento civil de emergência].

    Decreto-Lei n.º 126-B/2011, de 29 de Dezembro (Aprova a Lei Orgânica do

    Ministério da Administração Interna).

    Lei n.º 27/2006 de 3 de Julho (Aprova a Lei de Bases da Proteção Civil).

    Lei n.º 65/2007 de 12 de Novembro [Define o enquadramento institucional e

    operacional da proteção civil no âmbito municipal (…)].

    Decreto-Lei n.º 75/2007 de 29 de Março (Aprova a orgânica da Autoridade

    Nacional de Proteção Civil).

    Decreto-Lei n.º 114/2001, de 7 de Abril (Disposições relativas à definição de

    crise energética, à sua declaração e às medidas de carácter excecional a

    aplicar nessa situação).

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    Artigo publicado no livro da conferência “4.º Encontro Nacional de Riscos,

    Segurança e Fiabilidade (2012) – Secção Portuguesa da Associação Europeia

    de Segurança e Fiabilidade (ESRA)”

    Título:

    "Pico de Hubbert - Análise Morfológica Aplicada à Gestão do Risco -

    (Abordagem Multidimensional de Problemas Complexos). Riscos,

    Segurança e Sustentabilidade”, volume 2, C. Guedes Soares, A.P. Teixeira,

    C. Jacinto (Eds.), Edições Salamandra, Lisboa, 2012, pp 683-702.