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  • AO REVISIONAL DE ALIMENTOS

    Cont

    Srgio Gilberto Porto Doutor em Direito pela PUC-RS

    Professor Titular de Direito Processual Civil da PUEx Procurador-Gera

    Memb

    SUMRIO: 1. Consideraes preliminares. 2. As demandas e suas cargas de eficcia. 3. Propsito e conseqncias da perfeita compreenso das eficcias. 4. Ao de reviso da obrigao alimentar. 4.1 Ao modificativa. 4.2. Ao exonerativa. 5. Questes processualmente considerveis nas aes de reviso. 5.1. Contedo das sentenas revisiontempo

    1. Considerae

    No possvel enfrentar qualquer espcie de demanda, sem antes compreender,

    exatamente, seu propsito. Nesta linha, vale destacar que as no so definidas por eventual

    no o, mas sim se definem pelo contedo que contemplam

    ou, mais precisamente, so identificadas a partir de seu ncleo e conhecendo-se este,

    naturalmente, ser id

    com

    importa

    qu processualmente a

    edo e eficcia temporal das sentenas1

    C-RS l de Justia do RS

    ro do Instituto Brasileiro de Direito Processual Advogado.

    ais. 5.2. O instituto da Coisa julgada em matria alimentar. 5.3. Limites rais da coisa julgada.

    s preliminares

    aes

    mem iuris que venham receber no batism

    entificado seu propsito e potencialidade.

    Neste passo, cumpre esclarecer que o contedo das demandas definido a partir da

    posio das cargas de eficcias das sentenas potencialmente de procedncia, da sobremodo

    nte conhecer e dominar as possveis cargas de eficcias das sentenas de procedncia, eis

    e ferramenta indispensvel ao operador, pena de no ser factvel concretizar

    1 O presente ensaio assemelha-se quele por ns apresentado na obra Tendncias constitucionais no Direito de Famlia, Livraria do AdContudo, aqui, mais doente

    vogado, POA, 2003, intitulado Constituio e processo nas aes de reviso de alimentos. que l, acentua-se o debate da ampliao dos limites da coisa julgada que, segundo

    ndemos, vo para alm dos objetivos e subjetivos corriqueiramente apontados pela doutrina, haja vista

  • necessidade imposta pela realidade, mxime em sede alimentar quando se pretende revisar

    enc

    das

    Afora o imprescindvel domnio da composio das cargas de eficcia das

    sentenas, hodiernam

    limites eficacias das se

    do

    dem

    aut

    s continuativas

    dura e modo que a

    alterao substancial no suporte ftico da sentena importa na possvel alterao da eficcia

    jurdica do decisum.

    ob belecida numa equao entre a necessidade do alimentado e as

    possibilidades do alimentante, em determinado momento histrico. Enquanto estiver ntegra esta

    situao no h que se falar em modificao do quantum devido. Soluo diversa ser tomada,

    contudo, quando hou

    rev

    tem

    2. As demandas e s

    argo anteriormente fixado, vez que tal idia encontra-se jungida, justamente, aos contedos

    demandas modificativas ou exonerativas do encargo alimentar.

    ente a processualstica contempornea tambm tem se preocupado com os

    ntenas e, ainda, mais recentemente, com um novo limite. Assim, ao lado

    s clssicos limites subjetivos que dizem respeito a quem est sujeito aos efeitos do resultado da

    anda e dos limites objetivos que definem o qu, na deciso, adquire eficcia, h, segundo

    orizada doutrina, limites temporais na eficcia da sentena.

    Ocorre que a sentena faz coisa julgada nas relaes jurdica

    nte e enquanto persiste a mesma situao ftica do momento da deciso, d

    Esta realidade opera com muito clareza nas demandas de alimentos, vez que a

    rigao alimentar esta

    ver alterao em uma das variantes do binmio necessidade/possibilidade.

    Neste estudo pretender-se- apresentar algumas consideraes sobre as demandas

    isionais de alimentos, discorrendo sobre as suas espcies, contedo e adequando-as aos limites

    porais da eficcia da sentena.

    uas cargas de eficcia.

    identificarmos tambm mites temporais nas decises jurisdicionais e, mais especificamente, nas demandas revisionais.

    li

  • A doutrina brasileira sempre inclinou-se, tradicionalmente, por classificar as aes

    e, por decorrncia, a

    est

    WA

    Significa isto que, em ultima ratio, a doutrina clssica nacional identifica como

    nicos caminhos a serem seguidos, para a satisfao de pretenses deduzidas, a via declaratria, a

    constitutiva e a cond

    reendido que na demanda de natureza declaratria,

    ordinariamente, busca-se a declarao da existncia ou inexistncia de determinada relao

    jurdica ou, ainda, a

    4,

    inv

    de

    uma nova relao ju ica a partir da sentena, e negativo quando, atravs da sentena, extinta a

    relao jurdica pr-e

    desconstitutiva ou con

    ext

    dem

    sen eparar

    identificada a sano imposta.

    s sentenas, em declaratrias, constitutivas e condenatrias2. Tal orientao

    , indubitavelmente, vinculada construo germnica do XIX, especialmente em ADOLF

    CH3 que se destaca como um dos corifeus desta linha de pensamento.

    enatria.

    Assim, deve ser comp

    declarao em torno da autenticidade ou falsidade de certo documento (art.

    do CPC); busca-se, enfim, a certeza onde h incerteza. exemplo tpico a ao de

    estigao de paternidade, haja vista a eficcia de declarao da paternidade do investigando4.

    Na ao de natureza constitutiva, busca o autor a criao, extino ou modificao

    uma relao jurdica. Esta ao pode ter cunho positivo ou negativo. positivo quando cria

    rd

    xistente. Esta ltima tambm chamada, por parte da doutrina, de

    stitutiva-negativa. exemplo tpico a ao de divrcio, pois nela se

    inguir a relao jurdica matrimonial que nasceu com o casamento.

    Na ao de natureza condenatria pretende o autor impor uma sano ao

    andado. So exemplos clssicos as aes de indenizao em geral, nas quais, a partir da

    tena, est o ru obrigado a reparar eventual prejuzo causado, e nessa obrigao de r

    AL SANTOS. Primeiras linhas de Direito Processual Civil. Saraiva, 1977, 1 v. pgs. 147 e

    EDERICO MARQUES. Manual de Direito Processual Civil, Saraiva, 1975, 1 v., p. 164; MBERTO THEODORO JNIOR. Curso de Direito Processual Civil, Forense, 1986, pgs. 63/4; VICENTE

    CO FILHO. Direito Processual Civil Brasileiro, Saraiva, 1987, p. 85. andbuch des deutschen Zivilprozerrechts, 1885, apud Teoria da Aes em Pontes de Miranda, CLVIS DO

    TO E SILVA, in Ajuris 43/69. erecem especial meditao a ADIN e a ADC texto descrito.

    2 V.g. MOACIR AMARss.; JOS FRHUGRE3 HCOU4 M que, embora declaratrias, no se emolduram exatamente no con

  • A presente orientao gozou de trnsito fcil e, qui, exclusivo na doutrina

    brasileira durante al

    tal

    qua

    A teoria quinria sustenta, em sntese, que, alm das aes tradicionalmente

    reconhecidas, outras duas devem ser acrescidas classificao, quais sejam: as mandamentais e

    as executivas lato se

    inspirao no direito alemo6, demonstra a existncia de uma ao cujo objeto primordial uma

    ordem do juzo para

    o sentido

    fin

    aut

    des

    integ rocesso de conhecimento tragam em si embutidas capacidade executria. Quer

    isso di te um determinado tipo de demanda na qual o juzo, ao reconhecer a

    procedncia da postulao, determina, desde logo e independentemente de qualquer outra

    providncia por part

    a

    aut

    con

    de li

    (liq

    rec

    gum tempo, at que PONTES DE MIRANDA, questionando a limitao de

    classificao, lanou as bases da chamada teoria quinria em torno da classificao das aes

    nto s suas cargas de eficcia.

    nsu, portanto existiriam cinco espcie de aes e no apenas trs5.

    Quanto ao mandamental, mais uma vez, o festejado mestre, buscando

    que algum ou algum rgo faa ou deixe de fazer alguma coisa, pois esse

    da pretenso deduzida. Constitui exemplo de ao mandamental a demanda cuja

    alidade seja a de retificar um registro pblico, exatamente porque aquilo que mais pretende o

    or que o juzo ordene que o oficial de registro pblico proceda, no registro, a modificao

    ejada.

    A ao executiva lato sensu, de sua parte, representa a possibilidade de que aes

    rantes do p

    zer que exis

    e do autor, a entrega do bem da vida7 que objeto da lide. Note-se que nas

    es em geral, por regra, embora condenado o ru, o bem da vida somente ser outorgado ao

    or se este tomar novas iniciativas. Assim, por exemplo, na ao de indenizao, muito embora

    denado o ru a indenizar, nada acontecer no mundo ftico se o autor no tomar a iniciativa

    quidar a obrigao e, posteriormente, a executar. Somente aps as referidas iniciativas

    uidao e execuo) que receber o autor o bem pretendido (indenizao), vale dizer: o

    ebimento deste, por parte do autor, est condicionado a novas iniciativas suas, embora a

    in Tratado das Aes, RT, 1979.

    RG KUTTNER, in Die Urteilwirkugem ausserhalb des Zivilprozesses e JAMES GOLDSCHIMIDT in Der zess als rechstlage,Idem nota 20.

    consagradamente destacado por CHIOVENDA ao longo de sua obra.

    5 V.6 GEOPro7 Conceito

  • deciso anterior j lhe tenha reconhecido o direito que alega. Entretanto, h aes em que o juzo,

    com

    pre

    ini

    em

    exis

    portan

    no

    em

    VDIO BAPTISTA DA SILVA8, adepto inquestionvel da

    classificao quinr de PONTES DE MIRANDA, abre certo dissenso, relativamente a esta

    orientao, para excl