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Acao social crista

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Text of Acao social crista

  • 1. Ao Social Crist Hlcio da Silva LessaMovimento Diretriz EvanglicaCaixa Postal 71 Zc 09 Guanabara

2. DEDICATRIA Aos piorieiros de Diretriz Evanglica - Heri admirveis de uma jornada gloriosa. A Minha esposa - bno preciosa que Deus me concedeu. 3. SUMRIOPonto de PartidaDefinindo os TrmosOs Fundamentos BblicosO Testemunho da HistriaCapacitando-nos para a AoUm Programa de AoBibliografiaAnexos:Manifesto da Ordem dos Ministros Batistas do BrasilDeclarao da Igreja Reformada FrancesaManifesto da Aliana Batista Mundial sobre Liberdade ReligiosaCredo Social da Igreja Metodista do BrasilRelatrio da Comisso de Vida Crist, da Conceno Batista doSul dos Estados Unidos. 4. PONTO DE PARTIDANo cuidais que vim destruir a lei ou os profetas: no vim abrogar, mas cumprirMateus 5.17.A misso da Igreja evangelizar. No se pretende nestahora um sucedneo para a evangelizao, nem um programadiferente para a Igreja. O que se pretende uma conceituaoadequada de evangelizao, sim. ****** Vamos evangelizar, porque para outra coisa no estamosneste mundo, mas cumpramos o que pretendeu o Mestre quandonos mandou faz-lo. O que estamos querendo no substituir oque temos feito. Vamos s praas; vamos repetir Joo 3.16 comtoda a vivncia. Continuemos a pregar dos plpitos o mesmoEvangelho que temos pregado. Prossigamos no nosso caminho,mas levemos esta responsabilidade de proclamar a mensagem deCristo e de estabelecer o Reino de Deus, s ltimasconsequncias. Nada mais, nada menos. No fujamos inteirezada responsabilidade que Cristo nos deixou. Trecho de uma interveno do Autor nos debates do I Encontro de Lderes da Juventude Batista Latino Amaricana, realizado em Porto Alegre em maio de 1964. 5. DEFININDO OS TERMOSSempre que no seio de determinada comunidade surgeuma ideia nova, ou quando uma situao social j cristalizada,estvel, sofre o impacto de um fato novo, inquietam-se osespritos que consideravam satisfatrias ou definitivas ascondies em que viviam. Tanto o apego ao status quo, como ano compreenso do fato novo, geram um clima de suspeio epreconceitos grandemente prejudicial paz, justia e percepo da verdade.Via de regra, entretanto, tal confuso resulta nopropriamente da idia em si, ou dos conceitos novos, mas daperplexidade causada pela terminologia utilizada paca traduzi-los,quer por ser indita, e por conseguinte vazia de sentido para osno iniciados, quer por se prestar a equvocas interpretaes, quea semelhana com termos conhecidos sugere. Dai a conveninciade primeiramenle proceder-se definio dos trnios, para que asidias possam ser apreciadas com objetividade e clareza.Quer nos parecer que assim aconteceu, entre ns, com aexpresso ao social crist. E porque consideramos o seucontedo um fator importante para a comprecnso maisadequada da nossa misso como cooperadores de Deus, comosal da terra e luz do mundo, impomo-nos a tarefa de defin-la,diferenciando-a de outras expresses que tm sentido correlato,mas de nenhuma forma idntico. *** Pelo menos, trs expresses so mideequivocadamente associadas preocupao e atitude que compropriedade podem ser atribudas aco social. So elasevangelho social, assistncia social e servio social.A primeira delas evangelho social refere-se a ummovimento que floresceu nos Estados Unidos no princpio destesculo, e que teve no batista Walter Rauschenbush um dos seusmaioiores apstolos e intrpretes, ainda que no tivesse sido ele oseu fundador. Surgiu segundo Rauschenbush como uma reacoao escapismo das igrejas evanglicas, que pelo exagero de sua 6. preocupao escatolgica e pelo cultivo exacerbado de umpietismo inconsequente, abstrairam-se do mundo em que viviam,negando qualquer implicao social mensagem crist,recusando-se, por isso mesmo, a assumir qualquerresponsabilidade em face dos problemas de sua poca. Comotoda reao, foi levado, pelo inevitvel movimento pendular, aextremos de secularizao, chegando a pregar a plena realizaodo ideal do Reino de Deus neste mundo, vindo, por conseguinte,a transformar-se numa mera filosofia social. A despeito dos seuserros e excessos, cumpriu uma importante misso despertou oevangelismo, mesmo os seus crculos mais conservadores, parauma viso mais ampla da responsabilidade dos cristos nasociedade. Presentemente o evangelho social apenas umaevocao histrica, no existindo mais como movimentoorganizado e atuante. Utilizar hoje a expresso adjetivamente,com sentido, via de regra, pejorativo, para recriminar os que sepreocupam com a aco social crist revelar totaldesconhecimento do fato histrico.Vejamos agora as outras duas assistncia socialeservio soical. Para evitar as definies tcnicas e ao mesmotempo para dar quelas expresses um sopro de vida, um sentidoexistencial, relacionando-as com a nossa experincia e o nossotestemunho como cristos, procuraremos iluslr-las com umasituao social concreta.Imaginemo-nos no Brasil, nos meados do sculo passado,ao tempo, portanto, em que ampla e livremente se praticava aescravatura. Hoje, essa nefanda instituio tem a repulsa de todoo mundo civilizado, sendo reconhecida como incompatvel comos princpios e o esprito do Evangelho de Jesus Cristo. Naquelesdias, no entanto, ela era justificada pela sociedade, amparada peloEstado (que lhe assegurava foros de legalidade), e no apenastolerada, mas at mesmo teologicamente justificada pela Igreja,que abenoava os navios negreiros para propiciar-lhes uma boacaada.Vrias atitudes poderiam ser tomadas, plos cristos, aotempo, para com as vtimas daquela hedionda instituio. A 7. primeira seria estimular os indivduos, e at mesmo organiz-losnuma sociedade de benemerncia, para levar gua e po aosnegros aoitados que pendiam no pelourinho, tratando-lhes asferidas deixadas pela chibata. Seria um gesto nobre, e meritrio,sem dvida; oportuno, mas no satisfatrio. Esta atitude tipifica oque poderamos chamar de assistncia social.Espritos mais sensveis e de viso mais ampla, sem deixarde fazer aquela caridade, poderiam cogitar de auxlio mais eficazaos infelizes. Organizar-se-iam, por, exemplo, para coletarrecursos entre os livres, a fim de comprar a liberdade dos servos,assegurando-lhes um emprego, iniciando-os na vida, para quenunca mais precisassem ter as suas feridas pensadas nopelourinho. Seria, para os poucos que viessem a ser objetodaquela graa, uma soluo total de seu problema pessoal; mas spara uns poucos. Isto equivaleria a um programa de serviosocial.Para levar aqueles sentimentos caridosos s suas ltimasconsequncias, para permitir ao amor a sua completa florescncia,bem como para revestir os seus esforos de maior inteligncia,deveriam, no entanto, ir mais longe. Mant-los no nvelassistencial seria impor-se a uma tarefa sem fim, pois todos osdias seriam encontrados novos escravos no pelourinho paracuidar. Seria ainda tal gesto um paliativo apenas. Reunir, comentusiasmo crescente, sacrificial mesmo, ofertas para comprar aliberdade de um nmero cada vez maior de servos, seria, irnica eparadoxalmente, estimular o mercado de escravos. Haveria quelanar-se ofensiva contra a prpria instituio da escravatura,para abol-la, de sorte a que no mais houvesse escravos paracurar ou comprar. No se estanca uma hemorragia absorvendo-secom um algodo o sangue que jorra, nem se pode manter umtorniquete indefinidamente. Impe-se fazer as suturas definitivas,ou eliminar as suas causas orgnicas. Este o esprito e o sentidoda ao social. Tal atitude, entretanto, no que tange escravido, pormais justa e razovel que hoje nos parea, teria sido naquelapoca, como realmente o foi, uma fonte de profundas amarguras 8. e provaes. Por ceder assim aos impulsos da conscincia e dacaridade crists, os que militaram contra a escravido foramconsiderados subversivos, pois a escravatura era legal,merecendo o pleno endsso moral e formal das foras vivas dasociedade de ento. Tornaram-se tambm herejes eheterodoxos, pois os cnones da religio organizada forneciamcobertura doutrinria s razes dos escravagistas. Os que seesforaram para fazer conformar a estrutura social com os clarosprincpios do Evangelho, para assegurar aos indivduos o direito liberdade e dignidade, foram identificados como agentes asoldo de potncias estrangeiras, preocupados apenas comadivulgao, no pas, de doutrinas polticas e filosofias sociaisconsideradas esdrxulas e anti-crists, quais foram os princpiosde igualdade, liberdade e fraternidade, da Revoluo Francesa,e da democracia representativa dos Estados Unidos da Amricado Norte, que comeavam a empolgar o mundo ocidentalcivilizado! ***No se modificaram at hoje, os trmos da questo.Subsiste como legtima e iniludvel responsabilidade dos cristos,a par dos seus esforos pela eterna salvao de cada alma, lutarpara que sejam erradicados da estrutura social do mundo em quevivemos, os vcios morais, polticos, econmicos, etc., quemilitam contra o bem estar do homem e aviltam a criatura deDeus impedindo-a de realizar plenamente a sua humanidade. E mais: vivemos numa poca de rpidas transformaessociais. O mundo de amanh vai hoje tomando forma. Seuslideres fazem, cada dia, opes de extraordinria significao parao destino dos povos. Muitos, de boa f, anseiam por soluessatisfatrias para os problemas humanos. E os arautos de todosos credos se apressam a apontar-lhes caminhos, a oferecer-lhessolues. Faltaro, porventura, ao Deus Altssimo, profetas quedigam como quer o Senhor de toda a terra que vivam os homensno mundo? 9. OS FUNDAMENTOS BBLICOSAntes de nos determos na meditao de qualquer dasinmeras circunstncias e preceitos escritursticos queentendemos justificar plenamente as nossas preocupaes, comocristos, com a realidade social, impe-se ressaltar um fato quedever ser aclarado para poupar-nos esforos inteis oufrustraes suprfluas. Ele envolve uma regra elementar deexegese ou hermenutica: no devemos esperar achar sempre nasEscrituras uma situao anloga s que enfrentamos, parainformarmo-nos do proceder aconselhvel a ns, hoje. Assimcomo a Bblia no um livro de cincia, ou de sociologia, ou dehistria, tambem no um manual de servio ou aco social. Isto,no s porque a complexidade do mundo moderno nos situa emmeio a problemas e realidades absolutamente inditos, nuncavividos, ou suspeitados siquer, pelos profetas ou pelos primitivoscristos, como tambm, e principalmente, porque ela antes umveculo de princpios que Deus nos revelou para que nossitussemos no mundo e orientssemos a nossa vida detestemunho e servio em todas as circunstncias e em todos ostempos.Se tivssemos de resumir em um texto as razesinspiradas da nossa preocupao social, citaramos Levtico 19.18 Amars ao teu prximo como a ti mesmo. A justificar aescolha est o fato de que sendo um preceito da Lei, foiendossado por Cristo, e por ele prprio e pelos seus discpulosafirmado elemento imprescindvel a uma verdadeira e completaexperincia crist (Mateus 19.19; Marcos 12.31; I Joo 4.20). Sobastante amplas as implicaes desse mandamento, que nosconstrange a procurarmos assegurar ao nosso semelhante todas ascircunstncias e elementos que consideremos necessrios oudesejveis para o nosso crescimento, para a nossa paz, para onosso aprimoramento, para a nossa felicidade terrena, para anossa segurana eterna; enfim, para a plena realizao da nossahumanidade. Mas essa mesma virtude do mandamento suauniversalidade nos obriga a cogitaes mais objetivas. Vejamos,pois, como sentiram e expressaram os profetas, o Senho Jesus, e 10. os primitivos cristos, segundo os .dados que o Esprito Santopreservou nas Sagradas Escrituras. A Mensagem dos ProfetasQuando afirmamos que aos cristos dos nossos dias cabea tarefa ingente, mas gloriosa, de intervir (ou pelo menosparticipar) ativa e conscientinente no processo histrico da nossanacionalidade, particularmente nesse momento de crise, a fim defazer conformar a realidade porvir com os padres do Reino deDeus, no estamos criando uma responsabilidade nova para opovo de Deus, nem o desviamos de seus caminhos prprios.Fazmo-lo impelidos pelo exemplo dos profetas de antanho, aquem devemos imitar hoje.Nos dias crticos da escravido no Egito, levantou Deus aMoiss, que reconhecido nas Escrituras no somente comolibertador, organizador e estadista, mas tambm como grandeprofeta e doador da lei que recebeu diretamente de Deus, etransmitiu ao seu povo. No perodo dos Juizes, quase todos oslibertadores de seu povo do poder dos inimigos receberam a suaorientao diretamente de Deus, ou por intermdio de outro queexercia a funo de mensageiro ou profeta de Deus.1Quando a idolatria de Jezabel ameaava suplantar areligio pura de Jeov, Elias, e depois Eliseu, se opuseram aosgovernantes, mostrando-lhes os caminhos de Deus. Outros, quese lhe seguiram, esforaram-se por orientar os reis de Judsegundo a revelao divina. Obadias, Joel, Jonas, Osias, Amos,Isaas, Miquias foram todos portadores de uma mensagem viva,atual, objetiva, pugnando pela religio tica e espiritual de Jeov,combatendo a injustia, a hipocrisia e a. incredulidade. Foi nessetempo que os profetas se apresentaram como estadistas queentenderam, melhor do que os prprios reis, o perigo de alianaspolticas e a confiana no poder militar dos aliados pagos para adefesa de Israel2. Este foi, por exemplo, o caso de Nat, que nofim do reinado de Davi, em 961 AC, teve importante participaco1 A. R. Crabtree, Os Profetas e a Promessa, Rio 1947, pg 82 A. R. Crabtree, Op Cit., pg 9 11. nas maquinaes que levaram Salomo ao trono (I Reis 1.11-31),e o de Aias, que insuflou a diviso do Reino (I Reis 11.29-32), oudos bandos de profetas que se empenharam em despertar ofervor patritico do povo e incit-lo a limcar-se numa guerrasanta contra os filisteus (I Samuel 10.5-13). Profetas quelutavam contra uma determinada ordem poltica, em nome deDeus. Na Babilnia, durante o cativeiro, foram ainda osabnegados homens de Deus que confortaram, instruram eprepararam o povo para a restauraco e o cumprimento de suamisso. Onde quer que sobreviesse a crise e a provao ao povo,suscitava Deus os seus arautos para apontar melhores rumos doque os trilhados at ento. Mas nem sempre a sua voz soouagradavelmente aos ouvidos do povo e dos dirigentes, comoquando Jeremias reconheceu em Nabucodonozor, rei inimigo deIsrael, um servo de Deus (27.6, 7), o instrumento de seupropsito na histria, e aconselhou aos lderes de seu prpriopovo: metei o vosso pescoo no jugo do rei de Babilnia, servi-o e vivereis (Jeremias 27.12).Os profetas, portanto, no s eram homens de seu povo,como de seu tempo; eram, antes de tudo intrpretes do presente,da histria contempornea que eles e seus ouvintes estovivendo, ainda que tenham falado, s vezes, de um futuro maisdistante, no causal ou imediatamente relacionado com suasituao contempornea, como observa o Rev. Joaquim Beato.3Talvez em nenhuma outra poca tenha sido to acentuadaessa preocupao dos profetas com os problemas sociais do seupovo, quanto no sculo oitavo. Ams, um dos mais eloqentesdesses arautos de Deus, verberou as guerras de conquistamovidas nelos povos vizinhos, que desrespeitaram tratados deamizade (1.9, 11, 13); denuncia a iniquidade dos que venderam ojusto por dinheiro e o necessitado por um par de sapatos (2.6), ea explorao econmica desumana dos que ao lado de todos osaltares deitam-se sobre roupas recebidas em penhor e na casa doseu Deus bebem o vinho dos que tm sido multados (2.8),3 Os profetas em pocas de transformaes polticas e sociais, in Cristoe o processo revolucionrio brasileiro, 2 vol., pg. 22 12. entesourando nos seus palcios a violncia e a rapina (3.10).Lana-se ainda contra os que converteram o juizo em absinto elanaram por terra a justia, afligindo o justo e aceitando suborno(5.7, 14). Ataca aqueles que pisam aos ps o pobre e delesrecebem pesadas taxas em trigo, edificando para si ricas manses(5.11), onde repousam em camas de marfim (6.4). No era, pois,de estranhar-se que dele viessem a dizer ao rei; Ams temconspirado contra ti no meio da casa de Israel; a terra no podesofrer todas as suas palavras (7.10). E foi Amazias, o sacerdotede Betel, quem assim o denunciou!Outro grande profeta daqueles dias foi Miquias. Suamensagem foi endereada aos que cobiam campos e apoderam-se deles; cobiam casas, e. arrebatam-nas; oprimem um homem esua herana (2.2); queles que mordem contra quem no lhesmete na boca alguma coisa (3.5); aos que do sentenas porpeitas, aos sacerdotes que ensinam por interesse e os profetasque adivinham por dinheiro (3.9); aos que usam medidasfraudulentas, balanas injustas e pesos enganosos (6.11). E suamensagem de juizo, advertncia e apelo retido; umamensagem de esperana nos dias em que Deus julgar entremuitos povos, e reprovar naes poderosas e longinqas; elesconvertero as suas espadas em arados, as suas lanas empodadeiras; uma nao no levantar a espada contra outra nao,nem aprendero mais a guerra (4.3). Habacuque. que inicia o seu livro com uma mensagemtranqila de esperana e consolao o justo viver pela sua f(2.4), no julgou que o anncio daquela verdade redentora oeximisse da responsabilidade de exprobrar o que adquire para asua casa lucros criminosos (2.9), e edifica uma cidade comderramamento de sangue, e funda uma cidade na iniquidade(2.12) !Os Ensinos de JesusSe o exemplo dos profetas do Velho Testamento nobastar (e vrias so as razes que poderia algum invocar parapretender justificar a sua insatisfao), lemos o ensino do Mestre. 13. Ao iniciar o seu ministrio terreno, o Mestre evidencioude forma inequvoca, essa percepo da problemtica humana(Lucas 1.17-21), ao definir a sua misso redentora em termosprofticos (Isaas 61), emprestando-lhe uma tal dimenso que serevelou, desde logo, como soluo cabal para as necessidadestodas da criatura. Isto o que nos mostra a anlise do texto emque Jesus se baseou.Atribuiu-se assim o Senhor (a) um ministrio derestaurao material, pois se afirma enviado a restaurar oscontritos de corao, v. 1; (b) um ministrio de libertao social,desde que anuncia liberdade aos cativos e abertura de priso aospresos, v. 1b; (c) um ministrio de redeno espiritual,porquanto veio apregoar o ano aceitvel do Senhor e o dia davingana do nosso Deus, v. 2a; (d) um ministrio de consolaomoral, uma vez que se prope consolar todos os tristes, v. 2b.4 Os frutos desse ministrio proftico tambm seencontram claramente referidos no texto inspirado para aferioda autenticidade e inteireza do nosso prprio testemunho: (a)alegria no corao, pois que aos tristes de Sio se lhes darornamento por cinza, leo de gzo por tristeza, vestido delouvor por esprito angustiado, e tero perptua alegria, v. 3,7b; (b) abundncia na terra edificaro, restaurao,renovaro as cidades asoladas, estranhos sero os vossoslavradores e vinheiros. e comereis a abundncia das naes, v.4-6 so as figuras da prosperidade prometida; (c) dignidadediante dos homens a sua posteridade ser conhecida entre asnaes, e os conhecero como sementes benditas do Senhor,v. f; (d) comunho com Deus, porque sereis chamadossacerdotes do Senhor, ministros de nosso Deiis, v. 6.No por nenhuma dessas bnos em particular, maspor todas elas que o mesmo profeta d graas quando exclama:regozijar-me-ei muito no Senhor, porque me vestiu devestidos de salvao, v. 9. E a difinico do Mestre nos sugere4E. Stanley Jones, Christs Alternative to Communism. Abingdon-CokesburyPress, New York, pg 39 ss. 14. fidelidade, esforo e coragem para cumprirmos na sua inteireza oministrio cristo, de sorte a podermos repetir a cada gerao hoje se cumpriu esta Escritura. *** A parbola que Cristo utilizou para descrever o juzo final(Mateus 25.31-16), encerra verdades basilares ilos seus ensinos.Uma delas a da sua presena entre os homens, da suapreocupao com a condio da criatura, da sua pereneidentificao amorosa com os mortais. Quando te vimos?,indagaram eles. E o Senhor respondeu: quando fizestes isso aum destes meus irmos mais pequeninos, a mim o fizestes (v.39, 40) .Outra implicao da parbola a importncia que assumea nossa atitude para com o prximo, na determinao de nossasrelaes com Cristo. E h ainda algo a aspeito da natureza dessaatitude: no se satisfaz o Mestre com uma preocupao abstrataou romntica com os nossos semelhantes. Ele entrega aos nossoscuidados os famintos, para lhes darmos de comer; os forasteiros,para os recebermos: os nus, para os vestirmos; os maus, para osvestirmos, os enfermos, para os vesitarmos; os presos, para osconsolarmos; os sedentos, para lhes darmos de beber. Isto , osnecessitados de toda sorte, para que supramos a necessidade decada um. Se buscamos a Cristo, saibamos que junto aos homens,principalmente dos que sofrem, o encontraremos. Se seguimos aCristo, no poderemos evitar o encontro com os angustiadosdesse mundo. E foi ele, e no ns ( bom recordarmos), quemfez da nossa atitude para com o prximo a pedra de toque, oteste, a evidncia que legitima a nossa f. *** Na grande Comisso, que se encontra registrada em Atos1.8 Ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalm como emtoda a Judia e Samaria, e at nos confins da terra, empresta oSenhor um sentido dinmico nossa condio de crentes,enquanto define no s a natureza, mas tambm o alcance da 15. nossa misso na terra. Ele coloca como objeto imediato de nossapreocupao, Jerusalm, o lugar onde encontraramos aqueles quesubiam a adorar, preocupados, portanto, com os seus pecados ouansiosos por uma experincia mais profunda com Deus. Comoetapa seguinte, o Mestre menciona a Judia, centro das atividadesmercantis por excelncia, para nos enderear depois a Samaria,onde habitava uma minoria racial desprezada. Por fim, aponta-nos os confins da terra. Era a afirmao da universidade realidadedo seu Evangelho resposta cabal, soluo satisfatria tanto paraas indagaes espirituais dos que subiam a Jerusalm, como paraas preocupaes materiais dos que habitavam na Judia; certezade eternidade, mas tambm esperana de liberdade e justia paraos samaritanos e inspirao segura para os que vivem nos confinsda terra, sejam quais forem as suas condies, problemas ouaspiraes. Porque Cristo tudo em todos (Col. 3.11).O Exemplo dos Primitivos CristosAbrem-se os evangelhos com um cntico o cntico deMaria (Lucas l.46-55), que traz para a experincia crist sugestivoelemento do antigo judasmo, emprestando assim f neo-testamentria, desde os seus primrdios, um sentimentointensamente proftico, associando a ela a preocupao com asinjustas desigualdades entre os homens, atentando para asangstias dos humildes e dos famintos, verberando ainjustia da riqueza e do poder excessivamente acumulados (v. 52,53).O autor da carta aos Hebreus, inspirado em Levtico16.27, encontra uma significao especial no fato de Jesus ter sidocrucificado fora de Jerusalm (Hebreus 13.11-14). Ele v aCristo l fora, no meio do mundo por cuja redeno do pecadodeu seu sangue. V ainda o sentido vetorial do testemunho e doservio cristos saiamos pois a ele fora do arraial (v. 16) quenos constrange busca e identificao com Cristo, impelindo-nos ao encontro do povo com o qual ele se acha, fora dosnossos arraiais (cf. Lucas 17.21; Joo 12.26; 1.26; 17.18). V aindaa natureza desse servio prestado ao Senhor, que caracterizacomo louvor dos lbios que confessam o seu nome, e 16. beneficncia (o repartir com outros os nossos bens, segundoa Verso Brasileira). E a no esquecermos esta ele nos exortaenfaticamente (v. 16). A verdadeira vocao crist, diz WilliamNeill, citado por Rodolfo Obermller, sair e tomar o seu lugarao lado do Cristo crucificado no meio de um mundo hostil, e atmorrei com ele, se necessrio, em vez de olhar para trs para ascomodidades do judaismo, sentir nostalgia de Jerusalm e de seutemplo, ou retirar-se temerosamente para a segurana dasinagoga.5 *** Os apstolos reconhecem a necessidade de seidentificarem solidariamente como os pecadores para levar-lhes amensagem de redeno, da revelao do Reino de Deus emCristo, e do estabelecimento do senhorio de Cristo sobre omundo, na criao, em sua morte e na ressurreio. O apstoloPaulo escreve Igreja em Corinto: tenham os membros igualcuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece,todos os membros padecem com ele; e, se um membro honrado, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vs soiso corpo de Cristo, e seus membros em particular (I Corintios12.25-27). Quem enfraquece, que eu tambm no enfraquea?Quem se escandaliza, que eu me no abrase? (II Corntios11.29). Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracosFiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvaralguns (I Corntios 9.22). O apstolo segue a mesma linha detestemunho do profeta Ezequiel: Vim aos do cativeiro, a Tel-Abibe, que moravam junto do rio Quebar; e eu morava onde elesmoravam, e fiquei ali sete dias, pasmado no meio deles (3.15). E isto mesmo que se recomenda na epstola aos Hebreus:Lembrai-vos dos presos, como se estivsseis presos com eles, edos maltratados, como sendo-o vs mesmos tambm no corpo(13.3).65 Bases bblicas de La preocupacin social del Cristiano, inResponsabilidad social del Cristiano (Guia de Estudios), ISAL, 1964.6 Idem Idem 17. Tiago insiste na expresso da nossa f atravs de atos deamor e de justia para com o nosso prximo, fazendo destes aevidncia indispensvel daquela (Tiago 2.1 1-26) . Sua tica, queconsidera uma decorrncia natural da f redentora, tantopessoal como social, manifestando-se sempre a par, comoquando nos exorta a visitar os rfos e as vivas nas suastribulaes, e guardar-se da corrupo do mundo (1.27).Preocupa-se tanlo com a pureza do corao (1.21), a sobriedadedo falar (1.26), a sabedoria no trato e as atitudes piedosas (5.13-15), como com a discriminao entre pessoas baseada nos bensque possuam (2.1-4), a injustia feita aos pobres pelos ricos epoderosos (2.6, 7), os nus e famintos desamparados (2.15, 16), eas causas das guerras e tenses entre os homens (4.1-3), aexplorao do trabalhador que teve os seus salrios diminuidos eseus pagamentos atrasados, para que seus ricos senhores aindamais entesourassem (5.1-4), e a ignominia daquele que mataram econdenaram o justo, que no lhes resistiu (5.6). Sentimos quesubsiste, ainda hoje o mesmo imperativo to eloqente eobjetivamente ilustrado por aquele servo de Deus o demostrarmos a nossa f pelas nossas obras (2.18-20), numaperfeita adequao da doutrina vida. ***Entendem alguns que tais pronunciamentos, queconsideram incidentais ou acessrios, no nos autorizam hoje aao social, uma vez que o prprio apstolo Paulo, por exemplo,a despeito de por eles informado, nunca denunciou as estruturassociais ou as instituies que ao tempo contrariavamfragrantemente os princpios da doutrina crist. O incidente deOnsimo a ilustrao preferida pelos que assim entendem oproblema. Consideremo-lo, pois.Para a compreenso da atitude de Paulo no tocante aOnsimo, precisamos acentuar (1) a despreocupao relativa dosprimitivos cristos com as estruturas sociais, desde que as suasconvices escatolgicas lhes sugeriam a vinda iminente doMessias, e o fim do mundo. (2) Tampouco, existiam ao tempo doapstolo, as condies indispensveis para a criao de um 18. movimento de natureza social por parte de uma minoriaheterognea e sem qualquer consistncia econmica, organizaopoltica ou filosofia prpria, como era o caso da primitiva Igrejacrist no contexto do ainda poderosssimo imprio romano. (3)Finalmente, nos primrdios do cristianismo no se poderiapretender uma percepo plena de todas as implicaes da fcrist, que se ampliava de um para outro dos escritos inspirados eque continuaria a definir-se na experincia da Igreja atravs dostempos.As sementes da justia, no entanto, estavam no bojo dospreceitos e atitudes daqueles que seriam os instrumentos, muitasvezes inconscientes da significao total dos seus gestos, darevelao de Deus. Foi assim quando Paulo escreveu a Filemon.Recebendo Onsimo como um escravo, devolve-o a Filemonno j como servo, antes, mais do que servo, como irmoamado (v. 16). A concesso do status de homem livre a umescravo um fato eminentemente social subentendido comoa resultante bvia do impacto do evangelho na vida daqueleshomens, como contedo legtimo da salvao que receberam deDeus.O fato serve ainda para definir a atitude tpica dosverdadeiros cristos em face dos problemas da mesma ordem, (a)Paulo assumiu a iniciativa pela modificao da sorte e dacondio de Onsimo, empenhando-se pessoal e diretamentenaquele mister, v. 1; (b) Associou toda a Igreja quela tarefa, queconsiderou ser tanto da grei, como sua prpria, v. 2; (c) Situa emprimeira instncia o problema no mbito da caridade (v. 9),embora reconhea o direito que tem, a possibilidade de utilizarrecursos mais enrgicos v. 8 = te mandar; (d) Identifica-seprofundamente com Onsimo, a quem chama de meu filho,rogando que fosse recebido como ele prprio, v. 10, 17; (e)Dispe-se a arcar com todo o nus resultante de sua iniciativa, v.18; (f) Exorta Filemon a que considere todas as implicaespossveis do sentimento cristo, pelo que acredita que no sobedecer s suas exigncias mnimas, mas ainda far muitomais, v. 21. E esse muito mais, de contedo no precisado 19. pelo apstolo, tornar-se-ia, no s para Filemon, mas para todosos cristos, um constrangimento perene ampliao e aoaprofundamento do sentido e do alcance do amor cristo; (g) Eno anncio de sua prxima visita a Filemon (v. 22), pareceinsinuar o apstolo a sua inteno zelosa de verificaipessoalmente o cumprimento dado s suas instrues.*** Em suma, as Escrituras nos oferecem todas as evidnciasnecessrias fundamentao dos imperativos que a teologiacontempornea encontra para a ao social crist, e quepoderamos enunciar nos seguintes termos: (a) Deus, em Cristo,identificou-se com toda a humanidade, afirmando-se o senhortanto da Igreja como do mundo; (b) Ns somos, pela graa deDeus, instrumentos para a realizao do seu propsito redentor,pelo que a Igreja no existe para si mesma, mas para redimir omundo; (c.) O amor de Deus pelas suas criaturas nos constrangea buscarmos justia e bem estar para todos os homens; (d) Acerteza da vitria final de Deus assegura-nos que. seja qual for asituao em que nos encontramos, os nossos esforos terosignificao para o cumprimento dos desgnios divinos para asociedade; (e) O homem uma unidade de corpo e esprito,sujeito influncia profunda das circunstncias, pelo que a Igrejae os cristos devem preocupar-se com todas as situaes(polticas, sociais ou econmicas) que possam ameaar o bemestar e a dignidade dos indivduos; (f) A verdade crist, revelada ans, pela Bblia, constitui-se num instrumenlo de libertao detoda tendncia absolutista de qualquer ideologia.7 7 The common Christian responsability toward reas of rapid social change(2nd statement), Departament on Church and Society WCC, Genve,1956. 20. OTESTEMUNHODAHISTORIAEste encontro de nossas preocupaes e responsabilidadescvicas com a nossa experincia e convices crists, no umfenmeno recente, nem de um grupo em particular. Apenas, porfora do momento histrico que vivemos, adquiriu hoje maiorintensidade e amplitude, logrando envolver a muitos mais,revestindo-se de maior consistncia bblica e teolgica. Vamos encontrar, nos primrdios do evangelismobrasileiro, as suas primeiras manifestaes positivas entre ns.Parecem merecer crdito afirmaes insistentes segundo as quaismissionrios evanglicos teriam sido ouvidos plos redatores danossa primeira Constituio republicana, que deles colheram nos a experincia americana, mas tambm a inspirao evanglica.Bastante mais expressivas foram as experincias vividas,nesse sentido, por volta de 1636, com o advento do Integralismo.A insistncia com que os adptos daquela agremiao polticacitavam as Escrituras e a doutrina crist, entusiasmou a muitosevanglicos. As caractersticas totalitrias, eivadas de absurdospreconceitos, daquele movimento, no entanto, evidenciaram logoa inautenticidade da experincia, desfazendo, inclusive, asesperanas e a disposio daqueles entusiasmados de utilizaremos princpios e preceitos escritursticos como elementosnormativos da vida pblica brasileira.Coube Igreja Metodista, entre os evanglicos brasileiros,a primazia nesse compo, com a criao de uma Junta Geral deAo Social em 1930. O VIII Conclio Geral, reunido em julhode 1960, aprova O Credo Social da Igreja Metodista do Brasil(Vide anexos). Alm de cultivar a preocupao dos fiis pelarealidade nacional, atravs de mensagens e documentos diversos,nos momentos de crise para o pas, sempre procuraram os seuselementos representativos sugerir nao, diretrizes queemanavam da Palavra de Deus.Surge depois, como produto da preocupao de algunscrentes, a Comisso de Igreja e Sociedade, logo transformada emSetor de Responsabilidade Social da Igreja, da Confederao 21. Evanglica do Brasil, que atravs de estudos, conferncias e deReunies de Consulta Regionais (das quais a mais expressiva foi achamada Conferncia do Nordeste, realizada em Recife, em julhode 1962, sob o lema Cristo e o processo revolucionriobrasileiro), contribuiu para a criao de uma conscinciaproftica no seio do evangelismo brasileiro.Essas cogitaes permearam a imprensa evanglica,aparecendo mais frequentemente nas pginas de Cruz de Malta,a apreciada revista da mocidade melodista. Divulgaram-se algunspronunciamentos da Diretoria da Confederao Evanglica doBrasil sobre a realidade brasileira. Criaram-se nos estados,Centros de Estudo para anlise dos problemas nacionais luz daPalavra de Deus. Editam-se os primeiros boletins que veiculamos frutos dessas cogitaes.Entre os batistas brasileiros, talvez tenha cabido aogrande servo de Deus que foi o Dr. Alberto Mazzoni de Andrade,a honra de erguer, pela primeira vez, essa bandeira. Certa feita,perante a 45 Assemblia da Conveno Batista do DistritoFederal (hoje, Guanabara), quando lhe coube proferir o discursode encerramento, escolhe como tema O ministrio social, eprofeticamente exorta e vaticina: o verdadeiro Cristianismo nodeixar de atentar para as suas rosponsabilidades sociais pelosimples receio de que o chamem sumariamente de evangelho(social gospel) ou quejando.Seu pensamento, sua cultura, sua coragem inspiraram aoutros. Surge, eiilo, em 1949, o jornal Diretriz Evanglica,trincheira herica onde militaram Lauro Bretones, David Malta,Mrio Barreto Franca, H. C. Lacerda. Jos dos Reis Pereira, LuizAntnio Curvacho, e mais uma excelente equipe decolaboradores eventuais. Adquiriu de pronto, a forca de ummovimento de idias, empolgando a muitos. No se publicou pormuito tempo, mas o seu esprito no desapareceu, nem o seuesforo se perdeu. Tampouco, se limitou a empresa edio deum peridico. Sob seus auspcios, Lauro Bretones (que mais tardepublicaria estudo mais especfico sobre Cristos e Comunistas),discute a responsabilidade social dos cristos no mundo moderno 22. em opsculo ousado, que intitula Idias para hoje e parasempre (1951). da mesma poca a divulgao do discurso deformatura de David Malta Nascimento no Seminrio TeolgicoBatista do Sul do Brasil sobre O Cristianismo e a nossa poca,quando verbera as doutrinas materialistas, entre as quais inclui ocomunismo e o capitalismo, para preceituar solues nitidamentecrists como alternativa de soluo para os problemas temporais.So contribuies que se vm juntar de H. C. Lacerda Nossapoca e as implicaes sociais do cristianismo, produzido em1948.Diretriz Evanglica foi uni marco colocado bem frente nessa caminhada para a compreenso plena da nossamisso como cristos no mundo. Inspiraria mais tarde umprograma radiofnico, que leva o seu nome, readquirindo vigor,agora como Movimento organizado, em 1961, ampliando a suaprogramao radiofnica, promovendo a I ConfernciaEvanglica de Ao Social (vide anexos), criando uma Editorae publicando o jornal Cristianismo Hoje.No mbito da Denominao Batista, no entanto, algunseventos muito significativos ainda ocorreriam nesse campo. Umdeles foi a criao, em regime provisrio, de uma Comisso deAo Social pela Conveno Batista Brasileira. Surgiu ela de umaproposio subscrita pelos pastores Helcio da Silva Lessa, A.Antunes de Oliveira, Alcides Telles de Almeida, Ernani de SouzaFreitas, ber Vasconcellos, Jos dos Reis Pereira, Merval Rosa,Jos Lins de Albuquerque e David Malta Nascimento, aprovadapela 45 Assemblia daquela Conveno, em Vitria, EspritoSanto, em 1968. Sem quaisquer recursos, cumpriu no seuprimeiro ano um modesto programa de conferncias sob o temageral de Cristianismo e Sociedade. Aps rdua batalha noplenrio da 46 Assemblia da CBB, em Recife, prossegue, pormais um ano ainda suas atividades. Promove um Ciclo deEstudos sobre O Cristianismo e a Realidade Brasileira,conferncias, um simpsio sobre Juventude Transviada, eelabora um Plano de Ao para justificar a sua existncia perantea -17 Assemblia convencional, que, no entanto, suspende as 23. suas atividades, deixando a matria sobre a mesa para posteriordeciso quanto convenincia de uma tal Comisso no seio daDenominao. Outro fato foi a publicao do Manifesto da Ordem dosMinistros Batistas do Brasil (vide anexos), como resultado de umamemorvel reunio de Pastores realizada na cidade de Vitria, em1963, ao ensejo da Assemblia Convencional, quando mais deduzentos ministros, inspirados nas referncias candentes queento foram feitas realidade brasileira, unanimemente,determinaram comunicar Denominao e ao povo brasileiro asua preocupao con os problemas nacionais.Vale ainda mencionar a apresentao, pelo pastor DavidMalta Nascimento, perante a Junta Executiva da ConvenoBatista Brasileira, de um trabalho sobre Os Batistas e suaResponsabilidade Social, que no s ali, mas tambm mais tarde,na primeira reunio plenria daquela Junta com as Misses deRichmond no Brasil, receberia entusistica acolhida e meditao.***Esta no , no entanto, como dissemos a principio, umacogitao recente, nem apenas nossa. Catlicos e protestantes atm expressado mais ou menos intensamente atravs dos tempos.A natureza do nosso trabalho no nos permitir considerar aqui aaprecivel contribuio que nesse campo tm dado aoCristianismo os Catlicos Romanos, particularmente aps oConcilio Ecumnico Vaticano II. Ater-nos-emos, portanto, evoluo do pensamento evanglico a esse respeito.Tm sido unnimes os historiadores, em notar a inegvelrelao existente entre a Bblia e s conquistas no campo dosdireitos humanos em nosso tempo. Foi um devotado estudiosodas Escrituras, William Wilberforce, quem empreendeu, a grandecruzada para libertar os escravos do Imprio Britnico. Foi umcontemporneo de Wilberforce, Anthony Asheley Cooper, quem,empolgado pela Bblia desde a sua juventude, defendeu com xitoa causa dos trabalhadores das fbricas na Inglaterra industrial,conseguindo a aprovao pelo Parlamento de leis que atenuaram 24. as desumanas condies dos operrios de ento. E por demaisconhecida o alcance da obra de Wesley, cujo movimentoespiritual modificou profundamente a realidade social daInglaterra, assegurando-lhe padres mais compatveis com osideais de justia que emanam dos evangelhos.Depois do movimento do evangelho social (socialgospel), onde se destacou o batista norte-americano WalterRauschenbush, houve, verdade, um hiato, para ressurgir ointeresse, pelo tema com as preocupaes novas que trouxeramuns problemas oriundos da II Guerra Mundial .No mbito internacional, inconteste o valor dacontribuio feita pelo Conselho Mundial de Igrejas atravs doseu Departamento de Igreja e Sociedade e do seu InstitutoEcumnico em Bossey, Sua. Pesquisas srias, literaturaabundante, conclaves internacionais, cursos, servios de socorro(principalmente a emigrantes e deslocados de guerra), etc., soalgumas das facetas de um labor consequente. Na Amrica Latina, digna de meno a atividade daJunta Latino-Americana de Igreja e Sociedade (ISAL), que com aedio de livros, a publicao da revista Cristianismo ySociedad, a promoo de Institutos para Lderes, tanto de zonasrurais como urbanas, etc., tem contribudo para relacionardiretamente a mensagem crist com os fatos especficos da vidaem nosso hemisfrio neste continente.No que concerne aos Batistas, a inspirao para aquelascogitaes nos vem da prpria Aliana Batista Mundial, cujosanais registram ousados pronunciamentos a propsito daliberdade de pensamento (Vide anexos), das condies detrabalho dos operrios, da oposio aos regimes ditatoriais, e dasresponsabilidades sociais do cristo, desde o seu primeiroCongresso, em 1905. O programa elaborado para a Aliana em1965, em Miami, revela a mesma atitude preocupada em face dosproblemas especficos do mundo, pois inclui um Manifestosobre Liberdade Religiosa e Direitos Humanos, e discuteLiberdade e Responsabilidade, Paz Corn Liberdade e Justia,e A verdade muna Sociedade Secular. E magnfica a obra por 25. ela realizada no campo do socorro aos refugiados de guerra naAlemanha, na Hungria, no Congo e em Angola.Enquanto a Unio Batista de Gr-Bretanha e Irlandapublica um opsculo sob o titulo O Evangelho e a VidaModerna, para discutir o relacionamento entre o evangelho e oindivduo, a igreja, a nao e o mundo, os nossos irmos daConveno Batista do Sul dos Estados Unidos mantm,oficialmente, para todo o pas, com o endosso e cooperao dasConvenes Estaduais, Comisses de Vida Crist (TheChristian Life Commission of the Southern Baptist Convention,161 Eight Avenue, N. Nashville 3, Tenn.), que editam edistribuem literatura (folhetos e opsculos) sobre Cidadania,Guerra e Paz, Sexo, Relaes Raciais um Ponto de VistaCristo, Alcoolismo, Problemas Econmicos estes soalguns dos seus ttulos, e ainda farta matria sobre a famlia e osproblemas do mundo moderno. Essa mesma Comisso produziu um documento degrande alcance e significao (vide anexos), que foi aprovado pelaAssemblia da Conveno Batista do Sul dos Estados Unidos emjulho de 1965, onde se l; Ns confessamos perante Deus e omundo que somos culpados do pecado de conformidade com omundo; que temos muitas vezes seguido as vs tradies doshomens, ao invs da mente de Cristo, e que o nosso silncio etemor tm tambm frequentemente feito de ns, pedras detropeco, ao invs do degraus de pedra no campo das relaesraciais. No esprito de verdadeiro arrependimento, em atitude deorao, nos reconsagramos ao ministrio cristo da reconciliaoentre negros e brancos (Time, 16-6-1965). Longe de se aterem apenas s generalidades dos temassociais, levam os batistas americanos as suas preocupaes aostemas especifico, quer ideolgicos, quer poltico-partidrios.Assim que a candidatura de John Kennedy Presidncia dosEstados Unidos, foi motivo n s de inmeros artigos naimprensa batista daquele pais, como tambm para os plpitos dasigrejas sulinas, em cujos Bolelins aparecia includo, naturalmente, 26. na ordem dos cultos. Discutia-se a convenincia de votar-se ouno num catlico para Presidncia A Baptist Training Union Magazine (Revista da Uniode Treinamento Batista) daquela mesma Conveno, em seunmero de junho de 1963 ( semelhana do que ocorreu antes edepois daquela data), assim como a Sunday School Builder um peridico destinado aos Obreiros da Escola Dominical damesma ocasio, anunciam, com vrias e impressionantesfotografias posadas, quatro filmes de longa metragem preparadospara serem utilizados nas igrejas: intitulava-se um A ameaa,comunista, e trs outros discutiam os conceitos comunistas deDeus, da Vida e do Homem luz da doutrina crist. Dentre as contribuies dos nossos irmos batistas oestudo e vulgarizao dos problemas sociais sob um prismacristo, entretanto, avulta, pela sua profunda seriedade, a obra deT. B. Maston, ex-missionrio na Amrica Latina e atualmenteprofessor de tica Crist no Seminrio Teolgico Batista doSudoeste, em Fort Worth, Texas. Homem de vasta cultura,escreveu vrias obras, inclusive sobre o cruciante problema racialem sua ptria (The Bible and Race). Sua obra bsica OCristianismo e os Problemas do Mundo, que est sendopublicada em portugus pelo Departamento de Treinamento daJunta de Escoals Dominicais e Mocidade, graas viso do seuDiretor, Pr Lus Schettini Filho, discute as relaes entre a Igrejae o Mundo, a tenso racial, o comunismo, a Igreja e o Estado, aGuerra e a conscincia crist, a crise do mundo moderno, etc. Finalmente, no poderanids omitir, a essa altura, o nomedo pastor batista Martin Luther King, prmio Nobel da Paz,campeo na luta pelos direitos humanos em seu pas, onde pugna,pacfica mas energicamente, pela aplicao dos princpios cristoss relaes raciais, assim como h algum tempo um outro cristoilustre, Toyuhiko Kgawa, o fizera em relao aos problemaseconmicos do Japo. *** 27. No se pretendeu aqui fazer uma referncia exaustiva aosesforos que vm sendo feito no sentido de emprestar nossa fuma dimenso maior. Servem-nos os exemplos para evidenciarconfortadosamente a existncia de uma preocupao profunda,da parte de muitos, por esse aspecto do nosso testemunho deservio cristo. Traduzem ainda a legitimidade daquelas mesmaspreocupaes, que se revelam aqui no serem mesmo nas suasformas mais ousadas e discutveis uma peculiaridade de umgrupo esdrxulo. Finalmente, tipificam essas referncias, aindaque de um modo muito geral e insatisfatrio, a natureza dascontribuies possveis, da nossa parte, para a cristianizao daordem social. 28. CAPACITANDO-NOS PARA A AOTo amplas e significativas responsabilidades certamenteque no poderiam ser enfrentadas sem uma preparao adequada,que nos capacitasse para a ao. Esta capacitao exigir, de ns,uma compreenso clara da natureza da nossa misso, o exercciode um juzo proftico sobre a Igreja, e o estudo acurado da nossarealidade social.A Compreenso da Nossa Tarefa Embora encontremos a cada passo, nas Escrituras,enunciada a nossa responsabilidade social mais ou menosobjetivamente, em duas ocasies, no entanto, ela aparece definidade forma particularmente existencial quando Cristo nosassemelha ao sal da terra (Mateus 5.13), e quando nosidentifica, com o bom samaritano (Lucas 10.25-37). Quando o Senhor nos assemelhou ao sal da terra,estabeleceu ele algumas coordenadas bsicas da ao social crist.Uma delas o estarmos no mundo. Este no , na mente deCristo, um fato incidental, mas parte dos desgnios de Deus; uma posio que devemos assumir conscientemente, no mesmoesprito com que o prprio Cristo aceitou a encarnao. S oestarmos assim no mundo empresta significado nossa existnciae a relaciona com o propsito do Mestre (Joo 17.15). Outra dessas coordenadas a definio que a ilustraonos sugere para a nossa misso no mundo. Leva-nos o paralelo compreenso de que como sal da terra compete-nospreservar as realidades e os valores positivos do esprito humano,tais como o cultivo das virtudes morais, o zelo pelos padres dejustia, os gestos de caridade, as preocupaes espirituais, oesforo nobre pelo progresso em todos os. campos, que porserem consentneos com os ideais e os desgnios do Criador,devero ser preservados como ingredientes teis ao mundo novoque vamos construir segundo os padres do Salvador. A figura nos sugere, de igual modo, a responsabilidade detemperar a massa, de emprestar sabor novo ao contexto em quenos situamos. Assim como o Evangelho capaz de levar o 29. pecador a assemelhar-se ao Varo perfeito, tambm aproxima arealidade social dos padres do Reino de Deus. nossa missolevar s estruturas e instituies deste mundo o esprito doEvangelho, esforando-nos para que venham a ser cada dia maispor ele permeadas e informadas.O paradigma utilizado pelo Mestre tambm caracteriza aatuao do crente na sociedade. A nossa presena no mundoadquire aqui um sentido de identificao com os homens emtodas as situaes de sua existncia terrena (I Corntios 9.20),assim como o sal permeia a massa, tornando-se parte dela, paraemprestar-lhe sabor e preservar-lhe as qualidades essenciais.Resulta da o repdio do ascetismo e do esprito do gheto, desegregao, em favor da participao no processo histrico danossa comunidade; leva-nos aquela atitude a abolir a falsadistino entre o sagrado e o secular, para empreendermos comoverdadeiros vocacionados de Deus todas as tarefas, qualquer queseja a sua natureza; constrange-nos essa compreenso de nossapresena atuante no mundo a fugirmos da teorizao doutrinriainconseqente, para aplicarmos os ensinos escritursticos aosproblemas da vida, da qual participamos em sua plenitude.Outro elemento caracterstico da ao crist no mundo,que a afirmao de Jesus revela, a nossa condio de minoria.Para que se cumpram os seus desgnios no mundo, nopressupe o Mestre a necessidade de que todos se transformemem sal, embora isto fosse o desejvel. A massa a ser temperada sempre extraordinariamente maior do que a do sal. No quantitativo, mas qualitativo o padro de avaliao no Reino deDeus. O que realmente importa que o sal no se torne inspido,intil para os propsitos de Deus, para que no acontea queseja lanado fora e pisado pelo prprio mundo.A outra passagem, a que narra a histria do bomsamaritano, bem poderia ser referida como um manual de aosocial crist. Impe-se como um prottipo, pelo menos.Inicialmente, situa a parbola, a nossa responsabilidadepara com o prximo no seu contexto adequado como parteintegrante e indissocivel da nossa experincia crist, a par do 30. nosso amor a Deus, traduzindo assim a inviabilidade decultivarmos a comunho com Deus enquanto despreocupados dasorte do nosso semelhante, e a do exerccio da verdadeiracaridade sem uma relao de amor com o Criador. Doutrina,alis, contundentemente exposta por Tiago (2.11-26) e Joo (IJoo 2.9; 3.10, 17; 4.20). Constitui-se ainda o texto numa verberao dareligiosidade alienada e insensibilizada, representada na histriapelo sacerdote e pelo levita, preocupados apenas com os seusritos, seus privilgios, suas virtudes convencionais. Ela acrescenta a preocupao pela condio humanacomo um trao marcante do carter verdadeiramenteconformado pelo Esprito de Deus, virtude capaz de revestir demrito e dignidade at mesmo a um desprezvel samaritano,fazendo-o instrumento da obra redentora de Deus, no mundo. Revela-nos ainda o Mestre, na sua histria, ser o amor amotivao adequada para a ao crist no mundo. No o fez osamaritano apenas por dever moral, cvico ou religioso, mas poramor, que a fonte da prpria justia .A caracterizao prossegue com a referncia adeterminao de ajudar como qualidade indispensvel aohomem de Deus. No anotou a necessidade de servio parasugeri-la a outros, ou a qualquer instituio, mas entendeu-a eaceitou-a como tarefa sua; como se fora apenas sua. Esta mesmalio nos deu Jesus ao assumir a iniciativa de multiplicar os pes.Mas o incidente nos sugere ainda o mtodo da aosocial crist. Variam as circunstncias, mas as etapas, o processoda nossa atuao frente aos problemas do homem subsistem osmesmos. Analisemo-los: a) A primeira ilao que tiramos a de que o servioprestado no era profissional, nem excepcional, mas inseria-se norol das experincias do cotidiano daquele samaritano, queprosseguiu depois no trato dos seus prprios afazeres. 31. b) A referncia imediata diz que o samaritano chegou aop dele, isto , que observara o infeliz estendido sobre o p daestrada. Este deter-se na meditao da sorte dos homens oponto de partida de toda verdadeira e conseqente ao crist nomundo. c) Acrescenta o texto que ele se moveu de ntimacompaixo. No basta a anlise fria da problemtica humana; hnuances que s se revelam quando expostas luz do amor. Nobasta a conscincia de um dever a cumprir; a certas tarefassomente uma profunda compaixo capaz de mover-nos. d) Movido pelo amor, aproximou-se do homem:abatido. H neste verbo a idia de identificao. J no umexpectador interessado, mas distante; agora um homemtotalmente comprometido com a situao, em virtude de assimhaver-se aproximado da criatura no caminho.e) Atando-lhe as feridas, deitando-lhe azeite e vinho,prestou o samaritano a assistncia imediata que estava ao seualcance no momento o gesto simples, que sem ser uma soluocabal para o problema, assegurava, no entanto, o alivio imediato,impedia o agravamento do mal e oferecia o ensejo deprovidenciar-se o atendimento das necessidades totais do homemem provao.f) O que at agora se fez somente adquire sentido ealcance mais profundos quando o samaritano o leva a umaestalagem. a suplementao do esforo meramente individualpela obra institucionalizada, organizada, que assegura eficcia,oferece proteo, garante a recuperao completa da criatura. g) Tudo o que gastares, ento pagarei. Eis uma atitudede transcendental significao moral e prtica a disposio deassumir o nus de seu gesto de amor, mesmo quando este imprevisvel. O apstolo Paulo evidenciou, em sua missiva aFilemon, o haver assimilado esta lio de Jesus (v. 18).E concluiu o Mestre: Vai, e faze da mesma maneira.Mas que significar para ns, neste tempo, revivermos o exemplodo bom samaritano? Que situaes concretas enfrentaremos hoje 32. ao percorrermos a estrada de Jeric? A seu tempo o Mestremesmo nos revelar a resposta.Juzo Proftico da Igreja Tendo adquirido uma conscincia clara da nossa misso,segue-se, como medida imprescindvel, ainda que constrangedora,por vezes, uma anlise crtica da nossa experincia eclesistica. A Igreja deve ser um modelo para o mundo. No importao seu tamanho ou situao. Ela precisa refletir, perante oshomens, os padres divino para o homem e a sociedade. Da, anecessidade de submet-la continuamente a esse juzo proftico,para que no carea de autoridade e eloqncia o seu testemunho,nem de eficcia e significado o seu servio.Abstraindo-nos das peculiaridades doutrinrias, que adespeito de serem importantes, no so relevantes para o efeitodesse trabalho, mencionaremos trs ngulos sob os quaisdeveramos julgar continuamente a nossa realidade eclesistica: arelao entre o espiritual e o temporal, a acuidade de sua tica, e apropriedade de sua estrutura.O amor de Deus e o cuidado com o prximo foramreferidos pelo Mestre como aspectos essenciais e indissociveisda experincia crist (Lucas 10.27, 28). Freqentes vezes, noentanto, ns os encontramos divorciados, erigidos ora um, oraoutro como virtude absoluta e suficiente. Um juzo proftico teriauma exortao oportuna a fazer tanto aos pietistas, quanto aoshumanistas de nossas greis. E no somente isso. O textoestabelece tambm uma primazia que dever ser sempre mantida a do amor a Deus, sem o qual o cuidado com o prximo perdea sua perspectiva crist.No s dever a Igreja reconhecer e aceitar os padresticos que fluem das Sagradas Escrituras para inspirar os seus atoscomo instituio e nortear todas as relaes entre os seusmembros, como tambm dever zelar pela sua observncia eaplicao, para que no lhe falea a fora moral indispensvel aoseu ministrio no mundo. Uma Igreja (ou Denominao, oucrente) que afirma a necessidade do seguro social contra doena, 33. velhice e desemprego, deve providenciar tais garantias para seusprprios empregados. Uma Igreja que condena as igualdadeseconmicas deve procurar eliminar tais males dentre aquelescujos problemas econmicos esto, alguma maneira, sob seucontrole. Uma Igreja que prega o princpio da fraternidade paraos operrios da indstria, deve gerir as suas instituies pelosmesmos princpios, e deveria, at onde lhe fosse possvel,somente cooperar com aquelas instituies e organizaes que senorteiam por esses princpios. Uma Igreja que proclama umEvangelho que transcende todas as distines de raa, classe enao, deve tomar o mximo cuidado para no negar aqueleEvangelho em virtude de uma poltica ou atitude que denotearrogncia racial, cultural ou nacional.8Embora seja uma cogitao nova para ns nesteContinente, j uma verdade evidente, para muitos, o fato de quesempre que a Igreja se dispe a servir a uma situao socialconcreta, esta determina a sua estrutura.9 No Novo Testamentoencontram-se vrias concepes socilogas (estruturais) da Igreja.Todas elas so a conseqncia do encontro da Igreja(comunidade que atende ao chamado de Cristo) com e emdeterminadas formas sociais que, por sua vez, so o resultado decondicionamentos histricos geogrficos, raciais, polticos,culturais, econmicos, etc.10 Por isso, cada gerao, aoconfrontar-se com as suas responsabilidades peculiares comotestemunhas do Evangelho para o seu tempo, dever provar asestruturas eclesisticas, verificando a sua eficcia para a tarefa quelhe incumbe realizar, procedendo aos ajustes e adaptaesindispensveis, sem se deixar deter pelo receio das coisas novas,pelo zelo das tradies, ou pelo conservantismo aptico e sempropsito. O Rev. Roberto Rios nos d conta da acuidade de queo problema j se reveste em sua ptria, a Argentina, nessas8 International Missionary Council, Tambaram, 1938 (Section XIII).9Rubem Alves, El Ministrio Social de la Iglesia Local, in LaResponsabildad social del cristiano (Guia de Estudios), ISAL,1964, pg. 6510 Augusto Fernndez Arlt, Renovacion da estructuras en la historia de laIglesia, in Cuadernos Teolgicos, n 51, 1964, pg. 95. 34. palavras: Herdamos certa estruturas que implicam na diviso dascongregaes em sociedade feminina, sociedade de homens,jovens, intermedirios, etc. Esta diviso j no corresponde snovas divises sociolgicas da comunidade, onde pesam muitomais as comunidades de interesse, como de estudo, trabalho,ele.11 Cuidemos, pois, que as exterioridades eclesisticasherdadas no nos impeam o cumprimento eficiente de nossamisso no mundo.***Para que adquiramos, entretanto, essa conscincia denossa misso e exeramos eficazmente esse juzo proftico sobrea nossa realidade eclesistica, desejvel que se- assegure umclima adequado a tais cogitaes. O estimulo de uma lideranaesclarecida. seria o bastante para levar o povo meditaro ousadae despreconcebida. Mas mesmo quando tais condies no severificam, restam aos crentes o direito e o dever de insistiremhumilde, honesta e corajosamente na anlise critica e criadora davida e da misso da Igreja, convidando a todos para o dilogo, e atodos oferecendo o produto de suas inquiries como subsdiopara uma compreenso mais perfeita da vontade de Deus para oseu povo. Essas mesmas observaes deveriam ser cuidadosamenteconsideradas pelos Conclios, Juntas, Ordens e demais rgosadministrativos eclesisticos, no s para aprofund-las, mastambm para incorpor-las sua experincia, do que resultariaum enriquecimento do seu, conceito de misso e oaprimoramento da sua contextura denominacional.Estudo da Realidade SocialA alienao tem caracterizado o comportamento dohomem moderno, muito mais identificado com o sacerdote e olevita da parbola, do que com o samaritano. De muitas maneirasDeus est procurando despertar-nos dessa letargia e interessar-11 Roberto E. Rios, Que estructuras de las congregaciones locales impidem laobra misionera?, in Cuadernos Teologicos, n 51, 1064, pg. 94. 35. nos na sorte do nosso prximo quer conduzindo-nos apresena do miservel, quer trazendo a misria a ns. Somoslivres para atender ao, seu convite ou aguardar o seu juzo. Cabereiterar aqui, entretanto, que no ser legtimo nos deixarmosmover a tanto pelo receio de situaes mais graves, ou pelo medode ver a desgraa do nosso irmo transformar-se em adubo paraas ervas daninhas dos totalitarismos de qualquer matiz. S umantima compaixo nos deve inspirar; mesmo porque, noentenderemos verdadeiramente a condio humana se no aauscultarmos com o corao.Vrias medidas deveriam convergir para a consecuodesse propsito o de dar ao nosso povo uma viso clara,objetiva, universal da problemtica do homem em nosso pas eno mundo. Aqui esto, guisa de exemplo, algumas delas: a) Nossos Seminrios e Institutos Teolgicos deveriamcriar Departamentos ou Cadeiras sobre Realidade Brasileira paratodos os nveis e de Sociologia para estudos mais avanados.Cursos intensivos, a cargo de professores experientes, mesmo dosquadros seculares, ofereceriam a especializao e a atualizao,tendo em vista os vrios tipos de ministrio e as diversas regiesem que os obreiros serviro ou servem.b) Poderia a liderana das Igrejas, seno promover, pelomenos estimular os crentes a participar de cursos, conferncias,exposies e outros certames culturais que possam contribuirpara a compreenso dos problemas humanos, enquanto o plpitose esforaria no sentido de interpretar a realidade social luz daRevelao de Deus, evidenciando os seus aspectos maisdramticos como temas para meditao e orao. c) Grupos de discusso, ou Centros de Estudos,12poderiam ser criados nas Igrejas, nos colgios ou em quaisquercomunidades, para o tratamento franco e informal dos problemasatuais, dos aspectos vrios da realidade nacional, buscando no sa sua compreenso exata, mas tambem as suas solues crists,12 Hlcio da Silva Lessa, Centro de Estudos, do Departamento de Treinamento da JEDEM, da Conveno Batista Brasileira, Rio, 1964. 36. alm de uma definio da nossa responsabilidade especfica,como cristos em tais circunstncias.d) Deveriam ser includos, mais amide, nos programasdos nossos conclaves (Congressos, Assemblias, Institutos,Retiros, etc.), para informao e discusso, trabalhoscaracterizando o nosso campo de servio e testemunho, tanto doponto de vista moral e espiritual, como tambm poltico, social,econmico e cultural, onde igualmente se manifesta embora sobformas nem sempre facilmente identificveis, o pecado que h nomundo e que avilta o homem.e) Seria de convenincia inserir-se no patrimnio dasbibliotecas das nossas Igrejas e colgios (alm de tambmrecomendar-se aos indivduos), livros e peridicos, nacionais eestrangeiros, que tratem dos problemas humanos luz daRevelao de Deus, suplementando-se a informao necessriacom obras de autores alheios, nossa comunidade, masmerecedores da nossa confiana. f) Visitas de observao e estudo s instituies, religiosasou seculares, empenhadas na soluo dos problemas e noatendimento das necessidades dos homens, serviriam para dar-nos uma viso mais real da nossa sociedade, alm de sugerir-nosformas possveis de participaco naqueles esforos.g) Excurses, devidamente organizadas, poderiam servirpara dar-nos uma idia mais precisa da sociedade em quevivemos, evidenciando, in loco, as diferenciaes entre regiesde um mesmo Estado ou bairro de uma mesma cidade; ascondies das populaes, as suas necessidades, as suaspossibilidades; sugerindo-nos as nossas possibilidades de auxilio.Aos participantes poder-se-ia solicitar trabalhos escritos ondeconstassem as anotaes das observaes feitas. Inquiries maissrias poderiam levar o grupo, como tal, a tentar determinar ascausas dos problemas observados, e as possibilidades, mesmoremotas, de uma eliminao.Alistamento para a Aco 37. O servio cristo em qualquer das suas formas deveria serentendido pelos crentes como uma autntica vocao divina,como uma preciosa contribuio para o cumprimento dosdesgnios de Deus no mundo. O leigo cristo no precisa entrarpara o ministrio a fim de obedecer ao chamado de Cristo para aao. O aspecto do testemunho cristo que poderia ser definidocomo ao social deveria inserir-se no contexto da experinciado crente, exercido com a mesma naturalidade com que se esperaque ele cumpra as suas demais responsabilidades no Reino deDeus. A ao social crist , pois, uma tarefa para todos. Esta, aconvico que se precisa comunicar grei, dos plpitos, nasclasses, pela literatura, insistentemente, se alguma coisasignificativa se pretende realizar. 38. UM PROGRAMA DE AODepois de havermos meditado sobre o ensino dasEscrituras e o exemplo histrico da Igreja a respeito da natureza edo alcance da nossa responsabilidade, como cristo, para com asociedade, no nos poderamos furtar caracterizao de umprograma de ao social, consentneo com aqueles testemunhos,para o tempo e as circunstncias em que vivemos. No se pretende, entretanto, que exponhamos aqui, noespirto e no estilo em que se elabora para a ao governamentalum plano trienal, as promoes especficas que a Igreja deverempreender para cumprir a sua responsabilidade social.Tampouco se poderia esperar que alinhssemos uns tantospreceitos ticos ( maneira dos manuais de escotismo), quenecessariamente devssemos observar para que nos tornssemosem cidados exemplares, segundo as expectativas de Deus. Pormais consequentes que desejemos ser ao tratarmos dasimplicaes prticas das nossas cogitaes sobre a ao socialcrist, no poderemos deixar de expressar-nos ainda em termosbastante gerais, servindo as referncias particulares que fizermosapenas como sugestes que ilustram a ao possvel. Nopoderamos faz-lo de outra maneira. A tanto nos obrigam anatureza do Evangelho e dos fatos sociais. Passemos, pois, sconsideraes que julgamos necessrias informao de todaatividade da grei nesse campo. *** Oportunidades de servio existem que s podero sersatisfatriamente aproveitadas mediante um esforo bastanteamplo, de carter internacional ou interdenominacional; outras jesto na esfera das possibilidades denominacionais, num pais ouregio; outras atividades sero accessveis e at mais prprias,para as congregaes locais, enquanto ao indivduo cabercooperar com todas elas, alm de se desincumbir dasresponsabilidades que s o testemunho pessoal poder promover.A chave do xito est em discernir as circunstncias prprias,para no intentar promover numa dada esfera aquilo que s vivel, eficientemente, num outro mbito. 39. Nem sempre a ao da Igreja se exercer atravs de seusprojetos e inicativas particulares, promovidos sob suaresponsabilidade exclusiva. Aquele mesmo sentimento de amorao prximo, aquela mesma disposio de servio, podero lev-laa emprestar a sua cooperao a outras instituies, particulares ouestatais que j se encontrem empenhadas nas causas quepreocupam a Igreja e que porventura tenham maiorespossibilidades de prestar aos homens auxlio mais efetivo, poisquando o servio prestado por amor, importa, sobretudo, omaior bem que se possa fazer.Desde que sabemos ser o homem, por natureza, um sergregrio, no poderemos pretender cuidar das suas necessidadespessoais abstraindo-nos das circunstncias em que ele vive.Todas as experincias significativas para o homem so de cartersocial inclusive a da sua relao com Deus, que estcondicionada ao seu comportamento para com o prximo (I Joo2.9; 3.10, 17; 4.20; Tiago 2.11-26). A comunidade , pois, umfator de extraordinria importncia na determinao docomportamento do indivduo. Assim sendo, se pretendemos alibertao do homem, no poderemos deixar de promover,concomitantemente, a dignificao das estruturas da sociedade.A pensarmos num programa de ao social para a Igreja,devemos ter em mente o fato elementar de que este no sepoder restringir a medidas meramente assistenciais, de alcanceimediato, ineficazes como soluo para a quase totalidade dosproblemas humanos, mas que deveremos ampliar as nossaspreocupaes e esforos at inclurem o combate s causasdaquelas angstias, mesmo que isso implique a verberao deregimes e estruturas vigentes, o que nos levaria atravs decaminhos mais longos, speros e delicados, mas necessrios realizao plena dos desgnios redentores de Deus no mundo.Mas, quais as implicaes prticas dessas consideraes,afinal? O que promover? Como faz-lo? A resposta a essasindagaes leva-nos ao fim do nosso trabalho e ao incio da nossaexperincia. Deus tem um programa especfico para cada um dens e de nossas organizaes. A seu tempo ele nos colocar no 40. caminho que teremos de trilhar, apontando-nos a nossa tarefapeculiar. As atividades que mencionaremos a seguir, serviro paratornar mais clara a viso que atrs procuramos definir,oferecendo-nos ainda um ponto de partida vlido. A meditaodas nossas circunstncias, com o concurso do Esprito Santo, nosdir precisamente por onde comear, quando do que aqui vaisugerido promover e o que mais lhe acrescentar. A Aco IndividualInegavelmente, a esfera mais restrita de servio etestemunho do cristo a individual, no mbito do sua influnciae responsabilidade pessoais, na medida dos seus dons e recursospeculiares. evidente, que as preocupaes de natureza social de quese ocupa este estudo, no se propem substituir as cogitaesatuais e usuais (particularmente as prticas piedosas, de estritosentido espiritual) das nossas Igrejas. Propomo-nos apenasacrescentar-lhes algo, ampliar-lhes as vises, enriquecer-lhes otestemunho. Dai a nossa presuposio de estarmos falandosempre a crentes cnscios de suas responsabilidade bvias comomembros da Igreja de Cristo, zelosos do cultivo de suas virtudesespirituais e ansiosos por desenvolver os seus dons, alargando oslimites do seu testemunho e servio at ao mximo de suas reaispossibilidades.a) A primeira solicitao que a tais crentes se faz que serevistam de uma disposio perene de valer a seusemelhante, no permitindo que o seu amor ao prximo no setraduza apenas na coleta para os pobres que na sua Igreja sefaz, no apoio relativo que empreste aos seus eventuais esforosassistenciais ou na esmola constrangida que distribui pelasesquinas. No nos compete, aqui, enumerar todas ascircunstncias em que aquela disposio poder expressar-se;basta certificarmo-nos de que ela existe. Os apelos dosnecessitados, o constrangimento da misria ao redor de ns, e osussurro do Esprito Santo, nos diro como, quando e a quemmanifestarmos o nosso cuidado caridoso. 41. b) No basta, entretanto, lanarmo-nos prticaindividual da caridade. Impe-se comunicarmos aos queconvivem conosco essa mesma preocupao, no sganhando-os para esse ministrio individual mas tambmlevando-os a se associarem (ou a emprestarem o seu concurso aassociaes j existentes) para a prestao de um servio maiseficaz. Muitos empreendimentos de valor esto somente esperada sua iniciativa ou cooperao para virem a existir ampliar oalcance do servio que j prestam.c) Como membros de uma Igreja, eventualmentedespreocupada de suas responsabilidade sociais, assiste-nos odever proftico de despertar a nossa grei para esse aspecto doseu testemunho. Serviro, para tanto, o nosso exemplo, aexortao constante e humilde aos irmos, o estudo dosfundamentos bblicos de tais preocupaes perante asorganizaes da Igreja, o apelo ao Pastor, a intercesso continuapara o despertamento da congregao pelo Espirito do Senhor.d) Qualquer esforo mais srio de prestarmos servio aoprximo, no entanto, carecer da perspectiva adequada se nocultivarmos uma tica crist para normalizar todas as nossasrelaes. Esta atitude uma segunda etapa da experincia cristiniciada com a converso. Ela resultar de uma adequao dospreceitos ticos das Escrituras, s relaes humanas; do juzo darealidade do mundo luz dos padres do Reino de Deus. Destasorte, j no seremos, por exemplo, advogados e cristos, masadvogados cristos; no mais seremos estudantes e cristos, masestudantes cristos, por conduzirmos a nossa vida profissional esecular segundo os princpios da tica crist. Aquela dicotomiaentre o homem eclesistico e o homem secular foi a grandemistificao da nossa era. E, logicamente, s deveramosconsentir em cooperar com indivduos e organizaes que sesubmetessem aos mesmos critrios do comportamento. e) A conscincia de que somos sal da terra nos deveriaconstranger a estarmos presentes onde as decises se fazem,onde os destinos do mundo so definidos para levar-lhes asugesto de caminhos e solues mais compatveis com os 42. desgnios de Deus e, conseqentemente, com os reais interessesdos homens. Para aqueles que so a luz do mundo, colocar-seno velador no implica apenas subir aos plpitos, mas tambmaos cargos diretivos nas agremiaes estudantis, participaonos sindicatos, nas associaes culturais, nos partidos polticos,na administrao pblica, na concorrncia aos cargos eletivos e,em um sem nmero de outros ensejos de atuar nas fontes dosproblemas sociais, para no somente remedi-los, mas corrigi-lose preveni-los.f) Ainda que no nos sejam accessiveis as oportunidadesde atuao referidas, resta-nos, pelo menos, o direito (que parao cristo uma questo de conscincia) de juntarmos a nossa vozs daqueles que atravs de todas as formas legtimas depresso (a palavra, a imprensa, as manifestaes de massa, osprotestos formais, as reivindicaes dos rgos de classe, asrepresentaes junto aos poderes constitudos, etc.), procuramassegurar a promulgao e a aplicao de leis justas, que atendams necessidades fundamentais do homem . Momentos h que emque o amor ao prximo s encontra afirmao satisfatria e cabal,atravs de atos de natureza poltica. Foi assim com a abolio daescravatura, os direitos da mulher e do menor, o direito depropriedade, a justa remunerao do trabalhador, a liberdade depensamento e de expresso, o juzo em tribunais populares e emtantas outras vitrias evidentes do esprito do Cristianismo sobreas tradies dos homens e as estruturas do mundo.A Ao da Igreja LocalA ao individual, no entanto, no esgota de maneiraalguma, as possibilidades e responsablidades de atuao doCristianismo na sociedade. H uma faixa dentro da qual o esforoindividual s tem sentido prtico quando integrado num projetoda Igreja local. Essas iniciativas, alm de prestarem relativoservio ao povo, ilustram eloqentemente a sua mensagem deamor. a) A primeira responsabilidade da Igreja local no quetange ao social, a de inculcar nos seus membros a idiade uma cidadania responsvel. faz-los entender que o ideal 43. do amor cristo os faz responsveis no somente pela sorteeterna de suas almas, mas tambm pela sua condio terrena. tarefa para o plpito, o magistrio da Escola Dominical, os lderesdas Organizaes de Treinamento, para os Centros de Estudos. tema e motivo para mensagens, conferncias, debates, institutos,retiros, etc. A simples comemorao de datas cvicas pela Igrejapoderia contribuir para a comunicao dessa verdade elementar,mas fundamental, de que somos cidados de dois reinos e,responsveis portanto, perante ambos. b) A par dessa preocupao com a nossa responsabilidadesocial, deveria a Igreja local estimular os crentes a relacionar amensagem crist com os problemas da comunidade, o quepressupe o seu estudo carinhoso e objetivo. Alm dosinstrumentos e circunstncias j mencionados, poder-se-iapromover visitas a bairros e regies onde certos problemas serevelam mais caracterizados, para observao in loco.Instituies que se dedicam ao estudo e soluo dessesproblemas deveriam ser objeto tambm de visitas orientadas.Tcnicos, observadores e estudiosos podero comunicar os seusconhecimentos da realidade humana em circunstncias vrias,capacitando assim os crentes a um testemunho e a um serviomais inteligentes e conseqentes.c) Essa disposio de servio poderia ser exemplificadapela Igreja, como tal, atravs de iniciativas de naturezaassistncial, tais como a criao de um ambulatrio; distribuiode gneros e roupas; organizao de creches e centros recreativos;clnicas pastorais de aconselhamento; apoio financeiro eventual(particularmente aos da prpria grei); servios de auxilio parainternamento hospitalar; assistncia jurdica, ctc.d) No mbito do servio social, transcendendo,portanto, a ao paliativa das promoes assistenciais econtribuindo para a integrao do homem em nveis sociaiscondgnos e estveis, poderia a Igreja realizar Cursos decapacitao para a vida, tais como alfabetizao de adultos; deorientao pr-matrimonial, vocacional, profissional, de artesdomsticas (corte e costura, culinria, trahalhos manuais), 44. secretariado, etc. A oportunidade de cada promoo serdeterminada pelas necessidades comunitrias, pelos recursos daIgreja, pela viso e pela disposio de servio da grei.e) Aquelas congregaes que operam em bairros pobres,pequenas localidades, proximidade das favelas, etc., poderiammanter uma assistente social, mesmo em regime de tempoparcial, para a visitao dos lares, levantamento de suasnecessidades maiores (para orientao da beneficncia da prpriaIgreja), ministraco de instruo elementar sobre alimentao,higiene, puericultura, cuidados mdicos, etc. Tal assistente,ofereceria s populaes uma imagem auspiciosa da Igreja e a estauma caracterizao preciosa do seu campo de testemunho almdo servio efetivo que prestaria comunidade.f) As Associaes de Bairro, as Associaes de Favelados,as Organizaes de Desenvolvimento de Comunidades, etc., quecoordenam os esforos das foras vivas da comunidade em prolda melhoria das condies de vida e da acelerao do progressoda regio, constituem-se para a Igreja local num excelente ensejode integrao na vida comunitria, manifestando, destarte, oseu interesse pelo bem geral e conquistando a ateno e orespeito da populao. Tal gesto, alm do seu sentido cvico, temuma profunda significao para a obra de evangelizao da grei.g) Poderia a Igreja participar de certames culturaisartsticos promovidos pela comunidade ou promov-los para acomunidade, ampliando assim a faixa onde o encontro com omundo seria possvel e til aos propsitos morais e espirituais daIgreja. A doao de obras de bons autores evanglicos sBibliotecas de Colgios, Faculdades e Instituies diversas, seconstituiria num gesto de cordialidade, alm de tornar possveluma presena atuante, um testemunho perene. h) As autoridades locais sejam AdministradoresRegionais, Prefeitos, Autoridades Policiais, Governadores.Representantes do Povo, etc. deveriam ser alvos da cortezia dasigrejas representadas pelos seus Oficiais que, quelas autoridades,levariam no s a Palavra de DEUS, mas a sua disposio de comelas cooperarem no servio do povo. Essa atitude, alm de sua 45. extraordinria significao moral e espiritual, poderia tornar-se noponto de partida de uma cooperao profcua para adignificao e melhoria da comunidade. No mbito de Ao CooperativaO Cristianismo organizado em nossos dias, caracteriza-sepela tendncia cada vez mais acentuada, para as formas de aocooperativa. Deve-se esse fato, em parte, necessidade de dar aosproblemas humanos que adquirem propores ciclpicas,respostas e atendimentos cabais que fugiam capacidade dotestemunho pessoal, e mesmo das congregaes locais.a) Como a maior parte do programa de ao social daIgreja recair sobre o testemunho e o servio dos crentes comoindivduos e das congregaes locais, de esperar-se que asDenominaes no descurem do despertamento, daprepararo e da orientao de seus fiis para o exerccio desseministrio. Literatura, palestras, conclaves, cursos, treinamentoseminarstico e tantos outros recursos, deveriam ser amplamenteutilizados no cumprimento de tal responsabilidade.b) Mas h iniciativas de carter prtico que os gruposeclesisticos, como tais, podero assumir. H, por exemplo,inmeros problemas crnicos em nossas comunidades quesubsistem como campos quase virgens de servio para os cristos.Exigem, quase todos, a congregao de esforos e recursos paraum atendimento eficaz. Esto entre eles: o estabelecimento deeducandrios de todos os nveis; a criao de hospitais; aorganizao de cooperativas de produo, consumo e crdito; acriao de casas de estudantes, pensionatos para moas,orfanatos, asilos para ancios, lares de mes solteiras; servios derecuperao de penitencirios, alcolatras e prostitutas,manutenco de albergues, etc. Em muitas localidades, estaspromoes seriam pioneiras, prestando por isso mesmo,relevantes servios comunidade e credenciando a Igreja peranteas populaes. As vtimas que tais problemas fazem so tantasque o seu nmero assume as propores das consequncias dosgrandes conflitos blicos. Mas parece que os nossos coraes sse enternecem por aqueles que tombam ceifados pela metralha 46. c) Com o apoio de organismos internacionais, por vezes,mas sempre como uma promoo de entidades nacionais, tmsido envidados esforos no sentido de levar a assistnciaespiritual, moral e material aos participantes dos movimentosmigratrios internos. Fenmenos caractersticos das naesgrandes e subdesenvolvidas, tm sido para o Brasil um motivo delrica preocupao; para os evanglicos um desafio ao serviocristo. Hospedarias, mesmo improvisadas para pernoite na rotados emigrantes; a sopa pobre que lhes permite prosseguirreconfortados, a jornada; a consolao moral e a orientaoespiritual; a mo amiga no lugar de destino, quando no sabempara onde ir; as oportunidades de trabalho; sua integrao numacomunidade eclesistica que ser, talvez, para ele a nicasensao de segurana e de valor pessoal naquela fase da vida;tudo isso, significa oportunidade de servio. Ningum poderaproveit-las todas, mas algo poder ser feito onde voc e suaIgreja esto. Talvez, para tanto, seja necessrio reunir os esforosde vrias congregaes, arregimentar homens de boa vontade.Talvez, tudo dependa apenas de que voc tome a iniciativa dedespertar-lhes a conscincia ou comunicar-lhes a viso.d) Ainda no se desvaneceram as gratas impresses domagnfico trabalho de socorro realizado no aps-guerra pelosorganismos cristos mundiais. guisa de ilustrao nos referimos obra realizada pelo Conselho Mundial de Igrejas, protestante, epor organizaes denominacionais como a Aliana BatistaMundial que, nos ltimos meses da guerra, durante a revolta dnpovo polons contra a ocupao russa, em vrios conflitos nasia e na frica, receberam, cuidaram e providenciaram novo larpara milhes de refugiados. Nestes dias, quando as reas deconflito s ampliam e se multiplicam, provocando a emigraoem massa nessas regies, subsiste a necessidade daquelasprovidncias que continuam ser tarefa de organizaes comoaquelas, apoiadas por todos ns.e) Campees natos da justia e da liberdade, tm oscristos responsabilidades iniludveis na sua promoo epreservao entre os povos. Essa misso proftica, que nos 47. tempos modernos foi vivida por homens como Knox aquele quemudou o destino da Esccia, Wesley o libertador dosdeserdados ingleses, Niemeller o profeta da Alemanha,Bergrav o inspirador da resistncia norueguesa, Bonhoeffer - oousado opositor de Hitler, e tantos outros, tm encontrado, emnossos dias, fiis continuadores. rik Rudn o Secretrio Geral daFederao Batista Europia, falando em nome da Aliana BatistaMundial, foi o instrumento de Deus para a liberalizao dapoltica religiosa do Governo de Franco, na Espanha. Em nomedo mesmo organismo, Josef Nordenhaung, obteve do Governocomunista de Varsvia, autorizao para que se erguesse nocentro daquela capital, majestoso templo batista, enquanto umveemente memorial enviado s autoridades espanholas, em nomedos evanglicos do pais, lograva suspender as restries legais aoscasamentos protestantes e ao sepultamento de evanglicos emcemitrios pblicos. Essa voz proftica no poder calarenquanto houver tais lides para enfrentar!f) Mas no s para protestos especficos dever o povo deDeus, como tal, erguer a sua voz tambm, para proclamar aoshomens, os juzos e desgnios do Senhor no que tange vidana terra, particularmente nos instantes de crise para ahumanidade. So exemplos disso os Manifestos sobre LiberdadeReligiosa e Direitos do Homem que, em cada assemblia, divulgaa Aliana Batista Mundial; os documentos sociais de diversosorganismos protestantes, o Manifesto dos Pastores Batistas doBrasil sobre a realidade nacional e tantos outros notveispronunciamentos (vide anexos). Os cristos se constituem,portanto, com propriedade, em conscincia do mundo. So umaluz nas trevas. Uma luz que no se deve apagar. ConclusoO que aqui ficou dito no um roteiro obrigatrio nemexaustivo, insistimos. So pontos de partida. S o Senhorconhece a vereda que traou para cada um de ns. E Ele quemnos conduzir. Mas, convm que eu faa as obras daquele que meenviou, enquanto dia; a noite vem, quando ningum pode 48. trabalhar (Joo 9.1). Nossa tarefa urgente e imensa. Temos denos esforar at que tudo esteja levedado (Mateus 13.33).Enquanto um desgraado trouxer a marca do cativo no pulso,toda a raa estar no cativeiro; sempre que um indivduopermanecer na podrido do vcio, a humanidade se arrastar nalama; todo o tempo que uma criatura de Deus carecer de po, ognero humano se achar faminto; enquanto um homem forobjeto de explorao econmica pelo homem, o mundo no terum homem livre Enquanto no levantarmos o ltimo queestiver cado todos ns estaremos no cho (H. C. Lacerda).Este um servio que devemos ao Senhor, desde que Eleprprio nos afirma: Em verdade vos digo que, quando o fizestesa um destes meus pequeninos irmos, a mim o fizestes (Mateus25.40). Cumpre-nos dar o testemunho que salva a alma e praticara ao que alimenta o corpo e dignifica o esprito se queremos aplena realizao do homem imagem e semelhana de Deuscriado.Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sereis se asfizerdes (Joo 13.17). 49. BIBLIOGRAFIARESPONSABELIDAD SOCIAL DEL CRISTIANO (Guia de Estdios). Diversos Autores, Junta Latino-Americana da Igreja e Sociedade (ISAL), Montevideo 1964.CHRISTS ALTERNATIVE TO COMMUNISM, E. Stanley Jones, Abingdon-Cokesbury Press, New York/Nashville, 1935.O CRISTIANISMO E A NOSSA POCA, David MaltaNascimento, in Diretriz Evanglica, n 12 Abril 1951,Rio de Janeiro.IDIAS PARA HOJE E PARA SEMPRE, Lauro Bretones, Diretriz Evanglica Editora, Rio da Janeiro, 1951NOSSA POCA E AS IMPLICAES SOCIAIS DO CRISTIANISMO, H.C. Lacerda, Rio, 1948CRISTIANISMO Y SOCIEDAD, Revista publicada pela ISAL,Montevideo, Uruguay.CRISTOS E COMUNISTAS, Lauro Bretones, Casa Publicadora Batista, Rio, 1956CRISTO EO PROCESSOREVOLUCIONRIO BRASILEIRO (Conferncia do Nordeste), Confederao Evanglica do Brasil, Rio, 1962.THE COMMON CHRISTIAN RESPONSIBILITY TOWARD REAS OF RAPID SOCIAL CHANCE (and statement), World Council of Churchea, 1956OS PROFETAS E A PROMESSA, A. R. Crabtree, Rio, 1947LAS IGLESIAS Y LOS RPIDOS CMBIOS SOCIALES, PaulAbrecht, ISAL, Casa Unida de Publicaciones, Mxico,1S63ALTERNATIVA AO DESESPERO, M. Richard Shaull, Confederao Evanglica do Brasil, 1962. 50. ANEXOS 51. MANIFESTO DOS MINISTROS BATISTAS DO BRASILA Ordem dos Ministros Batistas do Brasil, entidade quecongrega os pastores que servem s Igrejas da Conveno BatistaBrasileira, em sua ltima Assemblia Geral, realizada na cidade deVitria, Estado do Esprito Santo, resolveu apresentar NaoBrasileira e Denominao Batista em particular, o seguinte MANIFESTOReconhecemos ser um privilgio dos Batistas Brasileiros ainiludvel responsabilidade de contribuir no somente para asoluo dos problemas que no momento assoberbam o nossopovo, como tambm para a determinao do seu destinohistrico. No o afirmamos apenas porque sejamos uma parcelaaprecivel desse mesmo povo, mas porque entendemos ser essaparticipao inerente misso de sal da terra e luz do mundo,que o Senhor mesmo nos outorgou. Nossas preocupaes esto em consonncia no s comas dos Profetas bblicos, que se constituram nos intrpretes davontade de Deus para os seus povos nos momentos de maiorgravidade de sua histria, como tambm do prprio Cristo, quealm de partilhar, quando da encarnao, na sua inteireza acondio humana, afirmou ser o seu Evangelho uma respostasatisfatria a todos os anseios da criatura, e uma soluo cabalpara todos os problemas da humanidade (Lucas 4.16-21).Entenderam-no assim tambm Guilherme Carey, o paidas misses modernas, e corajoso batalhador contra o sistema dascastas na ndia, Roger Williams, o pioneiro da liberdade religiosaem nosso continente, Walter Rauschenbush, o arauto dasimplicaes sociais do Evangelho, Martin Luther King Jr., ocampeo da luta pelos direitos da minoria negra oprimida, etantos outros batistas atravs dos tempos. Resulta da no s a legitimidade, mas tambm anecessidade de os membros das nossas Igrejas assumirem as suasresponsabilidades como cidados, participando efetivaraente navida poltica do pas e integrando-se nas organizaes de classe, a 52. fim de influrem nas decises de que resulta a configurao donosso destino como nao. Os Direitos da Pessoa HumanaAinda que reconheamos a importncia e a significaodas instituies, acreditamos ser o homem o fulcro das nossaspreocupaes, porquanto criado imagem e semelhana deDeus. Porisso, entendemos estar a legitimidade de qualquerregime, sistema ou instituio condicionada medida em quepossibilite criatura a plena realizao da sua humanidade.Esta convico nos fez, desde sempre, intransigentesdefensores da liberdade em todas as suas formas de expresso liberdade de conscincia, de religio, de imprensa, de associao,de locomoo, etc., bem como de auto-determinao dos povoslivremente manifesta como condio imprescindvel vidahumana.Por corresponderem nossa concepo dos direitos edeveres da pessoa humana, insistindo em que os princpios a esserespeito consagrados na Constituio Federal de 1946, na Cartadas Naes Unidas e da Declarao dos Direitos dos Homens,sejam universalmente aplicados, de sorte a serem banidos da faceda terra a explorao do homem pelo homem ou pelo Estado, emqualquer das suas formas, e os totalitarismos de toda espcie,assegurando-se a prtica da verdadeira democracia.Igreja e EstadoInspirados no preceito bblico Dai a Csar o que deCsar, e a Deus o que de Deus (Mateus 22.21), temospropugnado pela existncia de Igrejas livres num Estado livre,preconizando a delimitao inteligente e respeitosa das esferas deresponsabilidade e ao da Igreja e do Estado, sem interfernciasabusivas ou relaes aviltantes de dependncia, emborapermitindo a cooperao construtiva entre ambos. Por isso,temos repugnado a concesso de privilgios ou de favoresfinanceiros destinados ao sustento e promoo do culto dequaisquer grupos religiosos. 53. Assim que, entendendo ser o ensino religioso umaatribuio especfica dos lares e da Igreja, consideramos imperiosaa reforma do dispositivo constitucional que estabelece o ensinoreligioso nas escolas mantidas pelo governo, que deverocontinuar leigas, assim como leigo o Estado que as mantm,para que no se propicie a criao de um clima de intolerncia ede preconceito religioso em nossas instituies de ensino pblico.Justia Social Embora nos regozijemos pelas conquistas sociais do povobrasileiro, reconhecemos a inadequao da presente estruturasocial, poltica e econmica para a realizao plena da justiasocial, pelo que insistimos na necessidade de um reexamecorajoso, objetivo e despreconcebido da presente realidadebrasileira, com vistas sua estruturao em moldes quepossibilitem o atendimento das justas aspiraes e necessidadesdo povo. Essa necessidade ressalta da constatao da ineficinciados institutos assistenciais do Estado, que transformam numfavor concedido a custo, direitos lquidos dos trabalhadores; dairracional aplicao dos recursos pblicos, que deveriam antes dese destinar, mais liberalmente, aos ministrios da Sade,Educao e Agricultura, para a soluo de problemas sociaisangustiantes; da sobrevivncia de regimes feudais de propriedadee explorao da terra; da generalizada pobreza das populaescarentes mesmo do alimento indispensvel sobrevivncia; dainjustia na distribuio das riquezas, e da utilizao destas para ocerceamento das liberdades essenciais; da inadequada exploraodas nossas riquezas naturais, cujo aproveitamento no sdeveramos intensificar, como fazer revestir-se de significaosocial; do crescente empobrecimento do patrimnio nacional pelaremessa para o exterior dos lucros, extraordinrios auferidas emnosso pas; da corruo que tem campeado nos pleitos eleitorais,na prtica policial (quer preventiva, quer corretiva), naprevidncia social, no preenchimento de cargos pblicos, naaplicao dos recursos sindicais, etc. 54. So ainda evidncias daquela afirmao o tratamentomeramente policial dado aos movimentos populares da cidade edo campo, que mereciam ser antes objetiva e carinhosamenteestuda