Acessar publica§£o Ilusµes fotogrficas de Vik Muniz

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  • Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)

    (William Okubo, CRB-8/6331, SP, Brasil)

    INSTITUTO ARTE NA ESCOLA

    Iluses fotogrficas de Vik Muniz / Instituto Arte na Escola ; autoria de Tarcsio

    Tatit Sapienza ; coordenao de Mirian Celeste Martins e Gisa Picosque. So

    Paulo : Instituto Arte na Escola, 2006.

    (DVDteca Arte na Escola Material educativo para professor-propositor ; 48)

    Foco: SE-11/2006 Saberes Estticos e Culturais

    Contm: 1 DVD ; Glossrio ; Bibliografia

    ISBN 85-98009-55-5

    1. Artes - Estudo e ensino 2. Fotografia 3. Arte contempornea 4. Muniz,

    Vik I. Sapienza, Tarcsio Tatit II. Martins, Mirian Celeste III. Picosque, Gisa

    IV. Ttulo V. Srie

    CDD-700.7

    ILUSES FOTOGRFICAS DE VIK MUNIZ

    Copyright: Instituto Arte na Escola

    Autor deste material: Tarcsio Tatit Sapienza

    Reviso de textos: Soletra Assessoria em Lngua Portuguesa

    Diagramao e arte final: Jorge Monge

    Autorizao de imagens: Ludmilla Picosque Baltazar

    Fotolito, impresso e acabamento: Indusplan Express

    Tiragem: 200 exemplares

    CrditosMATERIAIS EDUCATIVOS DVDTECA ARTE NA ESCOLA

    Organizao: Instituto Arte na Escola

    Coordenao: Mirian Celeste Martins

    Gisa Picosque

    Projeto grfico e direo de arte: Oliva Teles Comunicao

    MAPA RIZOMTICO

    Copyright: Instituto Arte na Escola

    Concepo: Mirian Celeste Martins

    Gisa Picosque

    Concepo grfica: Bia Fioretti

  • DVDILUSES FOTOGRFICAS DE VIK MUNIZ

    Ficha tcnica

    Gnero: Documentrio.

    Palavras-chave: Arte contempornea; arte pblica; cdigos derepresentao; fotografia; educao do olhar; potica pessoal;procedimentos tcnicos inventivos.

    Foco: Saberes Estticos e Culturais.

    Tema: O trabalho de Vik Muniz.

    Artistas abordados: Vik Muniz, Srgio Camargo.

    Indicao: 7a e 8a sries do Ensino Fundamental e Ensino Mdio.

    Direo: Cac Vilcalvi.

    Realizao/Produo: Rede SescSenac de Televiso, So Paulo.

    Ano de produo: 2002.

    Durao: 23.

    Coleo/Srie: O mundo da arte.

    SinopseO artista contemporneo Vik Muniz, neste documentrio, falade sua carreira e de seu processo de trabalho. Brasileiro, nas-cido na cidade de So Paulo, no bairro de Pirituba, seu trabalhoadquire visibilidade aps passar a residir e expor nos EstadosUnidos. Ele se utiliza de diferentes linguagens artsticas em seutrabalho. A fotografia tem um papel fundamental, pois por meiodela registra as imagens de aparncia realista que cria dese-nhando/pintando com materiais inusitados como chocolate,acar, macarro, fios de arame, p, etc. Destacamos regis-tros da produo do artista e as etapas da criao de um gran-de painel em mosaico para o Centro Empresarial Ita/SP, apartir da fotografia de uma de suas obras.

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    Trama inventivaH saberes em arte que so como estrelas para aclarar o cami-nho de um territrio que se quer conhecer. Na cartografia, parapensar-sentir sobre uma obra ou artista, as ferramentas socomo lentes: lente microscpica, para chegar pertinho davisualidade, dos signos e cdigos da linguagem da arte, ou len-te telescpica para o olhar ampliado sobre as prticas cultu-rais, ou, ainda, lente com zoom que vai se abrindo na histriada arte, passando pela esttica e filosofia em associaes comoutros campos de saberes. Por assim dizer, neste documentrio,tudo parece se deixar ver pela luz intermitente de um vaga-lumea brilhar no territrio dos Saberes Estticos e Culturais.

    O passeio da cmera

    Um prato de macarro. Uma figura nasce pelo gesto criador deVik Muniz. Assim, vamos nos aproximando deste artista e desuas obras, tendo como cenrio a Barra da Tijuca/RJ, em 2002.

    O documentrio dividido em trs partes, com a duraoseqencial aproximada de 7, 8 e 8. Nele encontramos inter-calados: depoimentos do prprio artista, imagens de suas obrascomo as nuvens que criou nos cus de Nova York, registros deVik Muniz trabalhando, alm dos depoimentos do arquitetoJavier Judas y Manubens, que encomendou ao artista um pa-inel em mosaico e do arquiteto Rogrio Cordeiro, que coorde-nou a transposio da imagem criada pelo artista para ummosaico em pastilhas. Os registros da montagem do painel nafbrica de vidrotil e as imagens das pessoas passando pelopainel aps sua instalao permitem perceber os passos deproduo dessa grande obra.

    No primeiro bloco do documentrio, o artista nos conta do in-cio de sua carreira, de seu interesse pela percepo. Conhece-mos suas nuvens e as obras que escavou na terra. No segun-do, vemos rapidamente imagens de obras feitas em chocolate,acar, etc. O destaque o painel em mosaico para o Centro

  • material educativo para o professor-propositor

    ILUSES FOTOGRFICAS DE VIK MUNIZ

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    Empresarial Ita/SP, composto a partir da transposio da fo-tografia de uma de suas obras. No terceiro, continuamos aacompanhar a criao do painel at a sua finalizao. O artistaencerra o depoimento expondo sua concepo de arte, seu modosingular de trabalhar com as imagens metalingsticas.

    O documentrio traz pistas para iniciar proposies pedaggicasdiversas: em Linguagens Artsticas, a fotografia na arte contem-pornea e o interesse inicial do artista pelas artes cnicas; emConexes Transdisciplinares, a fotografia e seus usos; em Forma-Contedo, a perspectiva, iluses de profundidade, forma, super-fcie, temtica contempornea; em Formao de Educadores, aeducao do olhar; em Materialidade, a potica e procedimentosda arte contempornea; em Patrimnio Cultural, os espaos p-blicos e a memria coletiva; alm de em Processo de Criao, apotica pessoal, a pesquisa em arte e a leitura de mundo.

    Selecionamos como foco central desse material o territrio deSaberes Estticos e Culturais, focalizando a arte contempor-nea, a arte pblica, os cdigos de representao e as relaesentre o artista e a sociedade.

    Sobre Vik Muniz (Vicente Jos Muniz)(So Paulo/SP, 1961)

    ... este artista plstico, desenhista, pintor que se utiliza da linha,ou de tcnicas mistas, mas que opta pela fotografia, com tiragemlimitada para cada trabalho. Est, assim, dentro de seu tempo e,simultnea e contraditoriamente, fora dele, ao fazer do estritamenteartesanal, manual, seu processo de trabalho. Que por esta mesmarazo, surpreende-nos e intriga-nos pelo latente paradoxo entre oprocesso e o instigante resultado final.

    Aracy Amaral1

    Surpresa. Talvez este seja o modo como Vik Muniz convocanosso olhar nas iluses que cria. Nem sempre estamos atentospara ver como desenha um Rembrandt com pregos, ou flores-tas com linhas. Integra, em suas obras, linguagens artsticasdiversas como o desenho, a pintura, a escultura e a gravura,mas a fotografia que marca seu trabalho.

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    So as fotografias, geralmente apresentadas ao pblico

    como sries, que registram as imagens de aparncia realis-

    ta produzidas com materiais inusitados como macarro, fios

    de arame, p, chocolate, acar, etc. Costuma dar s sries

    um nome com referncia ao material utilizado: Imagens de

    Arame, de Terra, de Chocolate, Crianas de Acar, etc.

    Suas imagens so pacientemente compostas pelo desenho, pin-tura ou escultura com esses materiais perecveis sobre umasuperfcie. Aps serem fotografadas, so destrudas. As edieslimitadas dessas fotografias so expostas como produto final.

    Nascido na cidade de So Paulo, cursa Publicidade, mas seuinteresse inicial na rea das artes o dirige para o teatro. Em 1983,muda-se para Nova York. Em entrevista a Charles Stainbak2 , oartista comenta o momento em que percebeu o potencial que aimagem fotogrfica poderia ter em seu trabalho:

    Aps desistir da carreira em publicidade decidi parar de produzir ima-gens e me concentrar em fazer coisas reais. Tornei-me um escultorpara trabalhar com o aspecto mais material das coisas. Estes obje-tos conseguiram algum sucesso e uma galeria os exps em Nova York.A galeria tambm documentou o trabalho com slides e reproduespreto e branco. Logo que as vi, gostei tanto destas fotos que no meimportaria se os prprios objetos fossem atirados no fogo. A fotogra-fia carregava o cdigo da tridimensionalidade dos objetos sem a ba-gagem do peso e do volume. A foto tambm comunica informaosobre o material (uma foto de uma lixa, por exemplo, parece spera),mas est de algum modo mais firmemente vinculada com a forma doobjeto retratado. Por fim, as fotografias capturaram mais de como osobjetos eram quando apareceram pela primeira vez em minha cabe-a, como uma idia. Eu queria estar envolvido com o fazer at o pon-to em que ele se tornasse invisvel. Desta forma o processo criativocompleta o seu crculo: voc comea com uma idia e termina comalgo que se assemelha a uma.

    Encantado e encantando pela fotografia, seu trabalho conquistarespeito, sendo exposto em diversos museus, galerias e mos-tras internacionais. Neles, inserido na esttica contempornea,recria imagens do mundo das artes, dos meios de comunicaoe do cotidiano, investigando temas relativos memria, per-cepo e representao de imagens. Ele declara no incio dodocumentrio, as imagens esto dentro de imagens que es-to dentro de memrias. E explica:

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    Quero criar a pior iluso possvel que ainda possa enganar os olhos damdia das pessoas. Algo to rudimentar e simples que o observadorpense: No acredito no que estou vendo, no posso estar vendo isto,minha mente sofisticada demais para se deixar enganar por algo tosimples assim. Iluses to pobres quanto as minhas tornam as pesso-as conscientes das falcias das informaes visuais e dos prazeresderivados de tais falcias. Estas iluses so feitas para revelar a arqui-tetura da nossa concepo de verdade. Elas so meta-iluses. 3

    Iluses fotogrficas, como as Earth work, nas quais no se podedescobrir se a foto foi tirada de um helicptero ou a imagem de umaminiatura. Iluse