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Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo

PUC-SP

Adriano Moura de Oliveira

Crtica ao Discurso Geopoltico brasileiro:

Do Golpe de Estado de 1964 s iluses do

Milagre Econmico (1964-1974)

Mestrado em Histria

So Paulo 2009

Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo

PUC-SP

Adriano Moura de Oliveira

Crtica ao Discurso Geopoltico brasileiro:

Do Golpe de Estado de 1964 s iluses do

Milagre Econmico (1964-1974)

Mestrado em Histria Dissertao apresentada Banca Examinadora da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo, como exigncia parcial para obteno do ttulo de Mestre em Histria Social, sob a orientao do Prof. Doutor Antonio Rago Filho.

So Paulo 2009

Banca Examinadora

______________________________ ______________________________ ______________________________

AGRADECIMENTOS

Minha sincera e eterna gratido ao orientador deste trabalho, Prof. Dr. Antonio Rago Filho, pela pacincia e disponibilidade com que acompanhou minha trajetria de pesquisa at o presente momento. Agradeo aos professores da Banca Examinadora, Profa. Dra. Clia Castro Cardoso e Profa. Dra. Vera Lcia Vieira, que tambm me honraram com suas presenas no Exame de Qualificao e cujas contribuies foram fundamentais para a concluso desta dissertao. Aos professores do Programa de Histria pelas aulas instigantes que estimularam a busca de conhecimento. secretria dos Programas de Histria, Betinha, pela ateno. Aos amigos que compartilharam os momentos de alegria e de aflio, em especial Joo e Silvia, Rosana, Paulo e Fabola (Queridos). todos da minha adorada famlia. Aos primos Juliana e Reinaldo, agradeo o maior presente que poderiam me conceder, meu afilhado Davi. Aos meus primos Bruno e Mariana, agradeo por todos os momentos em que estiveram ao meu lado. Helena e Jos, obrigado pelo carinho. Agradeo especialmente ao meu irmo Neto e minha tia Maria Jos pela ateno e pelo amor que me dedicam. Aos meus pais, minha gratido pela dedicao, tolerncia, conselhos, cuidados enfim, por todas as vezes que deixaram de lado seus objetivos e abraaram os meus. Agradeo especialmente ao meu amor Roberta. Obrigado pelo companheirismo, pelos momentos alegres, por iluminar os meus dias com seu sorriso encantador, por tornar minha vida mais doce e agradvel.

RESUMO

A inteno de transformar o Brasil em nao hegemnica no foi

monoplio das Foras Armadas, mas, sem dvida foi no interior dos quartis e da

Doutrina de Segurana Nacional que ela solidificou-se como fora e chegou a se

transformar num projeto da ditadura militar. Foi no pensamento geopoltico da

ESG que essas idias evoluram com maior nfase e consistncia, onde esse

plano Brasil Potncia passou a fazer parte essencial daquilo que se discutia nos

manuais, nos boletins e nas palestras. A partir das anlises dessa documentao

pretendemos mostrar como essa ideologia se formou e norteou o pensamento

militar buscando, a partir da geopoltica, entender a viso militar sobre o Brasil na

poca.

ABSTRACT

The intention to transform Brazil into hegemonic nation was not monopoly

of the Armed Forces, but, without a doubt it was in the interior of the quartis and

the Doctrine of National Security that it made solid itself as force and arrived if to

transform into a project of the military dictatorship. It was in the geopolitical

thought of the ESG that these ideas had evolved with bigger emphasis and

consistency, where this plan Brazil Power started to be essential part of what it

was argued in manuals, bulletins and the lectures. From the analyses of this

documentation we intend to show as this ideology if it formed and it guided the

military thought searching, from geopolitics, to at the time understand the military

vision on Brazil.

NDICE

Introduo....................................................................................................8

Captulo I A gnese da Geopoltica: uma crtica Geografia Poltica Moderna.........................................................................................................26 1.1. Uma construo conceitual do espao: a questo do determinismo

geogrfico..............................................................................................40 1.2. O espao historicamente construdo......................................................53 1.3. O pensamento geopoltico clssico.......................................................63

Captulo II Geopoltica, Segurana e Desenvolvimento..........................81 2.1. Ideologia de Segurana Nacional: o pano de fundo..............................81 2.2. A doutrina francesa e a ideologia de segurana no Brasil.................92 2.3. O projeto Brasil Potncia no interior das Foras Armadas................... 99

Captulo III A vocao geopoltica do Brasil: a construo dos ideais de potncia no interior do determinismo geogrfico................................122 3.1. A projeo do Brasil: Geopoltica, determinismo e Estado Nacional....129 3.2. O destino manifesto................................................................................145

Captulo IV A Grande Potncia: o Brasil ditatorial na viso da Geopoltica...................................................................................................171 4.1. Potncia, poder e violncia.....................................................................174 4.2. O Perigo Vermelho e a importncia estratgica do Atlntico.............194 4.3. O modelo Geopoltico de desenvolvimento ..........................................201

Consideraes Finais.................................................................................. 214

Fontes......................................................................................................220

Referncias Bibliogrficas......................................................................227

Introduo

Acreditamos que para aqueles que pretendam entender melhor o

pensamento militar no Brasil e o comportamento das instituies do Estado

depois do golpe de 1964, deve-se indiscutivelmente partir da Escola Superior de

Guerra e de sua Doutrina de Segurana Nacional porque foram esses dois

elementos que ao mesmo tempo criaram uma coeso interna para os militares e

deram-lhes tambm os instrumentos para contemplar e influir na realidade

brasileira, ou pelo menos naquilo que eles entendiam dessa realidade.

Nosso primeiro contato com a Escola Superior de Guerra e sua doutrina se

deu atravs de um projeto de Iniciao Cientfica com o apoio do CNPq, em que

estudamos a figura do General Osvaldo Cordeiro de Farias, fundador da Escola

no Brasil e um dos artfices da conspirao pr-golpe. Foi a que tomamos contato

com a bibliografia sobre o perodo, os autores que a estudaram, os militares que

fizeram parte em sua constituio e principalmente a documentao produzida

dentro da escola.

Foram afirmaes como essas que nos instigaram a procurar dentro da

ideologia de segurana nacional quais de seus elementos constitutivos tiveram

efetivamente influncia, no s no estado brasileiro, como tambm na produo

terica dentro da prpria Escola. Seguindo tal linha de pensamento, o estudo da

Geopoltica nos apareceu como importante instrumento para nossas indagaes.

Isso porque partimos do ponto que a ESG e sua Doutrina tinham como objetivo -

a partir de sua criao - um projeto de hegemonia nacional, e que, na viso da

geopoltica, seria a elevao do pas categoria de potncia mundial. Nesse

sentido, os estudos geopolticos tomam corpo dentro da doutrina, exercendo

grande influncia nos grupos de civis e militares que faziam parte da Escola.

O Brasil, no final da dcada de 1960, passava pela pior e mais complexa

fase de sua Histria, na qual as contradies sociais se encontravam em seu

estgio mais profundo desde o golpe militar de 1964. A chamada revoluo, com

proferiam seus deflagradores, foi fruto de uma conspirao arquitetada entre

setores das elites civis e militares e representou a vitria da autocracia-burguesa

frente aos movimentos sociais, combinando com a separao total das classes

subalternas do poder poltico. A Conquista do Estado, na verso conservadora

militar, tinha a inteno, amparada na doutrina de segurana nacional, de arrumar

a casa frente baderna dos movimentos populares, j que em meio a uma

ameaa de guerra total os sindicatos e as reformas de base representavam, na

lgica conservadora, o comunismo.

A Doutrina de Segurana Nacional que serviu como substrato ideolgico

em todo o regime, expressava no s o anticomunismo como trazia no bojo de

suas formulaes que a segurana de uma nao dependia mais do potencial

geral da nao do que da expresso militar do seu poder, ou seja, era muito mais

importante potencializar e controlar o social, poltico e o econmico do que

propriamente aumentar o poder militar, pois o inimigo a combater era interno e

surgiria da desorganizao desses elementos. Era a representao de um novo

estilo de guerra no mais circunscrita frente de batalha e ao palco de lutas, mas

transformada em fato total, que afeta a sociedade por inteiro e toda a estrutura de

uma nao (Farias, 1981, p. 417).

Dentro dessa nova ordem instituda, os processos reformistas e os

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