Adverso 199

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    28-Mar-2016

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Universidade Sufocada

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<ul><li><p>Universidade SufocadaA autonomia </p><p>didtico-cientfica das instituies </p><p>federais de ensino esbarra em leis, </p><p>resolues e medidas administrativas do </p><p>governo, que restringem o trabalho </p><p>dos gestores e o desenvolvimento </p><p>da comunidade acadmica</p><p>Pginas 4 a 7</p></li><li><p>Sindicato dos Professores dasInstituies Federais de Ensino Superior POAUFRGS | UFCSPA | IFRS-Campus Porto Alegre e IFRS-Campus Restinga</p><p>Presidente - Maria Luiza Ambros von Holleben 1 Vice-Presidente - Claudio Scherer2 Vice-Presidente - Lcio Olmpio de Carvalho Vieira1 Secretria - Maria da Graa Saraiva Marques2 Secretria - Marilda da Cruz Fernandes3 Secretrio - Ricardo Francalacci Savaris1 Tesoureiro - Daltro Jos Nunes2 Tesoureiro - Vanderlei Carraro3 Tesoureira - Gloria Isabel Sattamini Ferreira</p><p>Rua Otvio Corra, 45 - Porto Alegre/RSCEP 90050-120 - Fone/Fax: (51) 3228.1188secretaria@adufrgs.org.brwww.adufrgs.org.br</p><p>Publicao bimestralTiragem: 5.000 exemplaresImpresso: Ideograf</p><p>Alfredo Storck Departamento de Filosofia/UfrgsGloria Ferreira Fabico/UfrgsLcio Vieira IFRS - Campus POAPaulo Machado Mors Instituto de Fsica/UfrgsRegina Helena van der Laan Fabico/UfrgsRicardo Schneiders da Silva Fabico/Ufrgs</p><p>Conselho Consultivo</p><p>Edio: Adriana LampertReportagens: Ana Esteves, Araldo Neto, Marco Aurlio Weissheimer, Michelle Rolante e Patrcia ComunelloProjeto Grfico: Eduardo Furast Diagramao: Andr Lacasi e Eduardo Furast</p><p>Produo e Edio</p><p>SUMRIO</p><p>ESPECIAL</p><p>08Professores prestigiam jantar de final de ano da Adufrgs</p><p>por Adriana Lampert</p><p>EM FOCO</p><p>16Traduo inovadora descortina clssico Romeu e Julieta</p><p>por Ana Esteves</p><p>POLMICA</p><p>19Comunidade do Campus do Vale da Ufrgs clama por segurana</p><p>por Adriana Lampert </p><p>EDUCAO</p><p>26Instituies se ajustam a cotas e focam na permanncia de alunos</p><p>por Patrcia Comunello</p><p>VIDA NO CAMPUS</p><p>32Projeto de pesquisa garante conhecimento para estudantes na rea do petrleo</p><p>por Araldo Neto</p><p>INTERNACIONALIZAO</p><p>36Cincia Sem Fronteiras tem gerado abertura maior para intercmbios</p><p>por Michelle Rolante</p><p>04REPORTAGEMQue autonomia essa?por Patrcia Comunello</p><p>11PING-PONG La FagundesA educao tem de entrar na cultura digitalpor Patrcia Comunello</p><p>18ARTIGOO Presidente Joo Gourlat e o Carnaval por Llian Marlene Sudbrack Gama, professora aposenta-da de Histria e Sociologia da Ufrgs</p><p>24PARCERIAFabico elabora projeto de pesquisacom instituio espanholapor Michelle Rolante</p><p>29TECNOLOGIAObjetos digitais desafiam educao tradicionalpor Patrcia Comunello</p><p>34JURDICOSTF reconhece direito aposentadoria especiala servidores portadores de deficinciapor Francis Campos Borbas</p></li><li><p>EDITORIAL</p><p>Ampliar a democracia: condio para educao de qualidade</p><p>O Brasil est vivendo o mais longo perodo de democracia de sua histria. Prximos de completar trs dcadas de regime democrtico ininterrupto, pode-mos comemorar o aprimoramento dos fundamentos de uma democracia moder-na e a ampliao da participao popular no cenrio nacional. No so poucos os espaos de discusso onde so chamados vrios setores da sociedade para se mani-festarem sobre os mais diferentes temas. No campo da educao, a universaliza-o do acesso ao Ensino Fundamental se tornou realidade, bem como ao Ensino Mdio. Mecanismos de incluso social passam a ser utilizados para garantir aos setores sociais mais vulnerveis o acesso aos diferentes recursos pblicos com des-taque Educao Superior. H liberdade de organizao sindical, partidria e de outras agremiaes, de acordo com os in-teresses de setores sociais. </p><p>Sem dvida, h muito que comemo-rar. Mas necessrio um esforo perma-nente para que estes e novos mecanis-mos de participao sejam aprimorados e no se tornem meros instrumentos manipulveis por este ou aquele partido, por este ou aquele governo. </p><p>Se por um lado o chamamento dos governos sociedade para participar de diferentes fruns de debate lou-vvel, por outro, no difcil perceber que muitas vezes estes so utilizados apenas para dar uma aparente ideia de aprovao de determinadas polticas. Espaos so manipulados por partidos ou governos que querem legitimar suas polticas, desconsiderando as posies diferentes e alijando aqueles que no comungam das suas posies. </p><p>Na rea da educao, temos vivido momentos ricos em termos de iniciativas que visam possibilitar a participao da populao aos diferentes nveis de ensi-no. No entanto, h setores que tm expe-rimentado polticas de validade duvidosa, </p><p>pouco discutidas e mal dimensionadas, com clara motivao poltico-partidria cujo custo social se torna elevado frente pouca eficcia e alto gasto. Por tudo isso, h que se aprimorar e ampliar a organi-zao independente da sociedade (sin-dicatos, ONGs, partidos, associaes, etc). H que se exigir cada vez mais a participao organizada. </p><p>Estamos nos preparando para o 2 Conae, a ser realizado em 2014, que precedido por encontros regionais que, por sua vez, ocorrero no ano em cur-so. Em primeiro lugar, fundamental analisar o que foi o 1 Conae, como se deu a participao da sociedade, quais seus resultados e qual a eficcia na defi-nio das polticas pblicas para, ento, evitando erros e aprimorando acertos, organizar o segundo evento. </p><p>Os desafios so gigantes para a uni-versalizao da qualidade. Os principais aspectos a serem discutidos sobre a edu-cao no Brasil no so novos, mais con-tinuam urgentes: a qualificao, o finan-ciamento, a valorizao dos profissionais que atuam na educao em especial os professores , equipamentos pblicos adequados, a atualizao curricular, a avaliao e acompanhamento das metas definidas coletivamente. </p><p>Encontros patrocinados por recur-sos pblicos, que renem apenas os amigos, no resolvem as principais questes que se colocam educao nacional. Para atingir este objetivo ser necessrio mobilizar os mais dis-tintos setores organizados, as mais di-ferentes posies polticas, os diversos partidos da base aliada do governo e da oposio. Enfim, criar um grande movimento nacional para que efetiva-mente todos se mobilizem pela educa-o. Portanto, a ordem do dia deve ser despartidarizar, para politizar o debate sobre a definio das polticas pblicas para a educao.</p><p>Diretoria da Adufrgs-Sindical</p></li><li><p>4 ADVERSO 199 | Janeiro/ Fevereiro 2013</p><p>REPORTAGEM</p><p>Que autonomia essa?por Patrcia Comunello</p><p>Cotas, Enade, disciplinas de libras e de temtica tnico--racial, catlogo de cursos, ncleos docentes estruturantes (NDEs), sistema nacional para registro de cursos e mudanas curriculares. Nunca, apontam crticos da comunidade acad-mica, desde que a autonomia didtico-cientfica das universi-dades pblicas virou preceito constitucional, as instituies foram alvo de tantas imposies. Primeiro, por mecanismos administrativos do Ministrio da Educao (MEC) e outros braos do setor, depois por fora de lei. Para o mundo acad-mico, a moda pegou e coloca em risco o estatuto da chamada autonomia e a capacidade dos estabelecimentos em gerar so-lues de acordo com seu DNA e onde est sua comunidade. </p><p>O artigo 207 da Constituio Federal de 1988 diz expressa-mente: As universidades gozam de autonomia didtico-cien-tfica, administrativa e de gesto financeira e patrimonial, e obedecero ao princpio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extenso. Para o coordenador das graduaes de Fsica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), </p><p>Paulo Mors, a histria no bem assim. Depois das batalhas dos anos de 1990 pela elevao das verbas para as Institui-es Federais de Ensino Superior (Ifes), sob a chancela do artigo 207, no comeo da segunda dcada dos anos 2000, o alerta foi acionado em relao ao avano das disposies do MEC. A comunidade muito dcil, pois aceita tudo isso. No existe autonomia universitria de fato, denuncia Mors, que adverte: Quando cobramos o que diz a Constituio, ouvi-mos a precauo autonomia no soberania. Decoraram esta frase para defender a interferncia de medocres onde ainda existe inteligncia, completa o professor da Fsica. </p><p>O pr-reitor de Graduao da Ufrgs, Srgio Kieling Franco, admite que preciso ter cuidado para que no haja ingerncia demais. Em alguns setores, com maior quantidade de novas disciplinas obrigatrias, no necessariamente vinculadas formao, Franco garante que j foram feitos alertas ao MEC. Quando aumenta o controle, eleva o risco de atentar con-tra a autonomia, mas isso no tem ocorrido. Quando existe a </p><p>Art</p><p>e so</p><p>bre </p><p>foto</p><p>: A</p><p>ndr</p><p> Lac</p><p>asi</p></li><li><p>5ADVERSO 199 | Janeiro / Fevereiro 2013</p><p>tentao no Ministrio, ns agimos, explica. Terreno instvel desde que foi lanado, o Enade viveu novo boicote dentro da Ufrgs na edio de 2012, que gerou rebaixamento de nota pela segunda vez para um dos cursos que costumava figurar entre os Top. A Educao Fsica ficou com 2, levou um carto ama-relo do MEC e agora est sob inspeo. Tudo porque alunos descontentes com o sistema no fizeram as provas. Nada a ver com a formao, ensino ou estrutura da Escola de Educao Fsica (Esef), situada na zona leste de Porto Alegre. </p><p>Estamos em plena mudana de currculo, inovando do ponto de vista pedaggico e recebemos esta avaliao, reage o coordenador da Comisso de Graduao (Comgrad) da Esef, Fabiano Bossle, que considera legtima a manifestao dos estudantes. Sei que o Enade faz parte da regra do jogo, mas a avaliao no capta vrias aes que estamos empreenden-do. No tenho clareza se a melhor forma de dar visibilidade formao dos alunos, pondera o coordenador. O pr-reitor de Graduao no gostou nada de ver a Instituio, que teve o maior ndice do Inep entre as Ifes no ano passado, pegar uma espcie de segunda poca no exame nacional. Franco espera que o esclarecimento dos motivos da pontuao rever-ta o conceito e a medida do MEC. Se ou no certa interfe-rncia no universo acadmico, o pr-reitor relativiza. Lembra que o Enade hoje lei, e argumenta que a forma como a sociedade pode controlar a qualidade dos cursos. </p><p>Vizinho de andar do colega da pasta da Graduao no mesmo prdio da Reitoria, no campus central da Ufrgs, o titular da Secretaria de Avaliao Institucional (SAI), Daltro Jos Nunes, reconhece a importncia destes mecanismos, e esclarece que as instituies de ensino no participam do planejamento dos testes nacionais, que devem ter indepen-dncia. Ele informa que no comparecer s provas bloqueia a emisso do diploma. Nunes ressalta que a universidade fede-ral nmero 1 do Pas adota desde a dcada de 1970 avaliaes internas. O processo atual passa por uma reviso, para en-xugar o nmero de questes aplicadas aos alunos, incluir os egressos e ampliar as possibilidades de conhecimento sobre a eficincia da formao acadmica. </p><p>O exame mais um no cardpio que passou a ser servido na rotina institucional. O titular da SAI lembra que as cotas, hoje garantidas por lei, mas que foram adotadas voluntariamente em 2007 pela Ufrgs, no so seguidas majoritariamente pelos estabelecimentos estaduais. No questiono o mrito, mas o fato de ser colocado de cima para baixo fere a autonomia, ad-verte Nunes, que refuta o argumento sempre acionado de que poltica de estado. No! poltica de governo. Na carona das aes afirmativas, foram inseridas novas modalidades de disciplinas, como libras e cultura afro-brasileira, que exigem solues caseiras, como escalar docentes no quadro existente. Poderamos fazer como as universidades americanas. L, o governo lana edital com recursos financeiros atrativos e cada instituio se habilita e se especializa em aplicar este tipo de </p><p>Foto</p><p>s: M</p><p>iche</p><p>lle R</p><p>olan</p><p>te</p><p>Coordenador da Comgrad, Bossle considera legtimoque estudantes no faam as provas do Enade</p></li><li><p>6 ADVERSO 199 | Janeiro/ Fevereiro 2013</p><p>REPORTAGEM</p><p>formao. Para o secretrio de avaliao, a demanda externa compromete a funo do setor. A universidade o maior la-boratrio de pesquisa experimental do mundo. medida que o governo comea a impor regras restritivas, este laboratrio comea a ficar engessado.</p><p>Franco cita a inteno, analisada em 2010 pelo MEC e pe-las Ifes, de criar um catlogo nacional de nomenclaturas de graduaes, gerando uma espcie de formato sob medida a ser reproduzido. Houve reao forte e foi abandonado. Ou-tra resistncia, que relacionada pelo pr-reitor muito mais a uma barreira cultural, devido necessidade de usar siste-mas digitais de registro e tramitao, so os procedimentos para alterao curricular e criao de cursos. O pr-reitor lembra que a Universidade sempre teve tudo muito organi-zado, mas hoje uma plataforma nacional do MEC exige que todos os documentos sejam lanados. O sistema ter upgrade em maro, e ele j espera por reclamaes. Na prtica, o en-quadramento no sistema restringe muitas vezes o cadastro de cursos que no seguem a classificao da TI, com isso a tra-mitao nem sempre gil, e implica em autorizaes e mais comprovaes. Quando h alguma inovao, o programa no aceita, e a adequao d mais trabalho, rende-se Franco, citando o caso do bacharelado em Desenvolvimento Rural, que nasceu como um curso tecnolgico. A vida acadmica est sendo atingida por burocratas que desconhecem como o mundo da universidade. Esses sistemas com seus formul-rios implicam em desgastes cada vez maiores, lamenta Mors. </p><p>Ncleos Docentes ampliam tarefas resoluo, mas a segunda gesto do reitor Alexandre </p><p>Netto quer que os Ncleos Docentes Estruturantes (NDEs) tenham efetividade. Os NDEs so uma espcie de Comisso de Graduao (Comgrad) dedicada qualificar e embasar re-formulaes curriculares e modelos de graduaes. Segundo o pr-reitor de Graduao, a inteno formar um grupo que possa se dedicar ao exame de contedos, propor altera-es e avaliar avanos, uma funo antes acumulada pelas Comgrads. As comisses de graduao se ocupam de muitas atribuies administrativas, matrculas e itens operacionais e no davam conta da reviso de projetos pedaggicos e perfil de egressos, alega Franco. Problema que as pessoas continuam a ser as mesmas, e agora precisam se dividir em mais estruturas da burocracia da instituio, protesta Paulo Mors. Daltro Jos Nunes, que se envolve com a implemen-tao dos ncleos, admite que h muitas queixas sobre a efetividade e suposta sobreposio de funes ou escassez de pessoas para dar conta do novo trabalho. No caso do co-ordenador das seis formaes em Fsica, implica em ter seis NDEs. No tem gente disposta a participar de cada uma. Ns fazemos as atas dos ncleos para cumprir obrigao, esclarece o coordenador dos ncleos e comisso de gradu-ao da Fsica. </p><p> assim, cumpra-seA reitora da Universidade Federal de Cincias da Sade </p><p>de Porto Alegre (Ufscpa), Miriam da Costa Oliveira, d a dimenso de quo distante est a autonomia. Existe uma montanha, porque ela no existe. terica, define Miriam, que poderia falar por horas a fio a respeito da infinidade de exemplos que comprovam a percepo. Com cinco anos de vida, a Ufcspa enfrenta as interferncias como se fosse uma experiente instituio de ensino superior. Das cotas necessidade de cumprir exigncias para conseguir abrir novos cursos, a direo do estabelecimento no v muita sada, a no ser se adequar. </p><p>No existe autonomia ampla e nem didtica, con-vence-se a gestora, que preocupa-se com o novo perfil de alunos oriundos das cotas e com falta de previso do MEC para eventual demanda em nivelamento. De repente vem uma lei, que evidentemente ser cumprida rigorosamente, e atropela a deciso interna, resume Miriam. No caso das polticas afirmativas,...</p></li></ul>