Adverso 199

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Universidade Sufocada

Text of Adverso 199

  • Universidade SufocadaA autonomia

    didtico-cientfica das instituies

    federais de ensino esbarra em leis,

    resolues e medidas administrativas do

    governo, que restringem o trabalho

    dos gestores e o desenvolvimento

    da comunidade acadmica

    Pginas 4 a 7

  • Sindicato dos Professores dasInstituies Federais de Ensino Superior POAUFRGS | UFCSPA | IFRS-Campus Porto Alegre e IFRS-Campus Restinga

    Presidente - Maria Luiza Ambros von Holleben 1 Vice-Presidente - Claudio Scherer2 Vice-Presidente - Lcio Olmpio de Carvalho Vieira1 Secretria - Maria da Graa Saraiva Marques2 Secretria - Marilda da Cruz Fernandes3 Secretrio - Ricardo Francalacci Savaris1 Tesoureiro - Daltro Jos Nunes2 Tesoureiro - Vanderlei Carraro3 Tesoureira - Gloria Isabel Sattamini Ferreira

    Rua Otvio Corra, 45 - Porto Alegre/RSCEP 90050-120 - Fone/Fax: (51) 3228.1188secretaria@adufrgs.org.brwww.adufrgs.org.br

    Publicao bimestralTiragem: 5.000 exemplaresImpresso: Ideograf

    Alfredo Storck Departamento de Filosofia/UfrgsGloria Ferreira Fabico/UfrgsLcio Vieira IFRS - Campus POAPaulo Machado Mors Instituto de Fsica/UfrgsRegina Helena van der Laan Fabico/UfrgsRicardo Schneiders da Silva Fabico/Ufrgs

    Conselho Consultivo

    Edio: Adriana LampertReportagens: Ana Esteves, Araldo Neto, Marco Aurlio Weissheimer, Michelle Rolante e Patrcia ComunelloProjeto Grfico: Eduardo Furast Diagramao: Andr Lacasi e Eduardo Furast

    Produo e Edio

    SUMRIO

    ESPECIAL

    08Professores prestigiam jantar de final de ano da Adufrgs

    por Adriana Lampert

    EM FOCO

    16Traduo inovadora descortina clssico Romeu e Julieta

    por Ana Esteves

    POLMICA

    19Comunidade do Campus do Vale da Ufrgs clama por segurana

    por Adriana Lampert

    EDUCAO

    26Instituies se ajustam a cotas e focam na permanncia de alunos

    por Patrcia Comunello

    VIDA NO CAMPUS

    32Projeto de pesquisa garante conhecimento para estudantes na rea do petrleo

    por Araldo Neto

    INTERNACIONALIZAO

    36Cincia Sem Fronteiras tem gerado abertura maior para intercmbios

    por Michelle Rolante

    04REPORTAGEMQue autonomia essa?por Patrcia Comunello

    11PING-PONG La FagundesA educao tem de entrar na cultura digitalpor Patrcia Comunello

    18ARTIGOO Presidente Joo Gourlat e o Carnaval por Llian Marlene Sudbrack Gama, professora aposenta-da de Histria e Sociologia da Ufrgs

    24PARCERIAFabico elabora projeto de pesquisacom instituio espanholapor Michelle Rolante

    29TECNOLOGIAObjetos digitais desafiam educao tradicionalpor Patrcia Comunello

    34JURDICOSTF reconhece direito aposentadoria especiala servidores portadores de deficinciapor Francis Campos Borbas

  • EDITORIAL

    Ampliar a democracia: condio para educao de qualidade

    O Brasil est vivendo o mais longo perodo de democracia de sua histria. Prximos de completar trs dcadas de regime democrtico ininterrupto, pode-mos comemorar o aprimoramento dos fundamentos de uma democracia moder-na e a ampliao da participao popular no cenrio nacional. No so poucos os espaos de discusso onde so chamados vrios setores da sociedade para se mani-festarem sobre os mais diferentes temas. No campo da educao, a universaliza-o do acesso ao Ensino Fundamental se tornou realidade, bem como ao Ensino Mdio. Mecanismos de incluso social passam a ser utilizados para garantir aos setores sociais mais vulnerveis o acesso aos diferentes recursos pblicos com des-taque Educao Superior. H liberdade de organizao sindical, partidria e de outras agremiaes, de acordo com os in-teresses de setores sociais.

    Sem dvida, h muito que comemo-rar. Mas necessrio um esforo perma-nente para que estes e novos mecanis-mos de participao sejam aprimorados e no se tornem meros instrumentos manipulveis por este ou aquele partido, por este ou aquele governo.

    Se por um lado o chamamento dos governos sociedade para participar de diferentes fruns de debate lou-vvel, por outro, no difcil perceber que muitas vezes estes so utilizados apenas para dar uma aparente ideia de aprovao de determinadas polticas. Espaos so manipulados por partidos ou governos que querem legitimar suas polticas, desconsiderando as posies diferentes e alijando aqueles que no comungam das suas posies.

    Na rea da educao, temos vivido momentos ricos em termos de iniciativas que visam possibilitar a participao da populao aos diferentes nveis de ensi-no. No entanto, h setores que tm expe-rimentado polticas de validade duvidosa,

    pouco discutidas e mal dimensionadas, com clara motivao poltico-partidria cujo custo social se torna elevado frente pouca eficcia e alto gasto. Por tudo isso, h que se aprimorar e ampliar a organi-zao independente da sociedade (sin-dicatos, ONGs, partidos, associaes, etc). H que se exigir cada vez mais a participao organizada.

    Estamos nos preparando para o 2 Conae, a ser realizado em 2014, que precedido por encontros regionais que, por sua vez, ocorrero no ano em cur-so. Em primeiro lugar, fundamental analisar o que foi o 1 Conae, como se deu a participao da sociedade, quais seus resultados e qual a eficcia na defi-nio das polticas pblicas para, ento, evitando erros e aprimorando acertos, organizar o segundo evento.

    Os desafios so gigantes para a uni-versalizao da qualidade. Os principais aspectos a serem discutidos sobre a edu-cao no Brasil no so novos, mais con-tinuam urgentes: a qualificao, o finan-ciamento, a valorizao dos profissionais que atuam na educao em especial os professores , equipamentos pblicos adequados, a atualizao curricular, a avaliao e acompanhamento das metas definidas coletivamente.

    Encontros patrocinados por recur-sos pblicos, que renem apenas os amigos, no resolvem as principais questes que se colocam educao nacional. Para atingir este objetivo ser necessrio mobilizar os mais dis-tintos setores organizados, as mais di-ferentes posies polticas, os diversos partidos da base aliada do governo e da oposio. Enfim, criar um grande movimento nacional para que efetiva-mente todos se mobilizem pela educa-o. Portanto, a ordem do dia deve ser despartidarizar, para politizar o debate sobre a definio das polticas pblicas para a educao.

    Diretoria da Adufrgs-Sindical

  • 4 ADVERSO 199 | Janeiro/ Fevereiro 2013

    REPORTAGEM

    Que autonomia essa?por Patrcia Comunello

    Cotas, Enade, disciplinas de libras e de temtica tnico--racial, catlogo de cursos, ncleos docentes estruturantes (NDEs), sistema nacional para registro de cursos e mudanas curriculares. Nunca, apontam crticos da comunidade acad-mica, desde que a autonomia didtico-cientfica das universi-dades pblicas virou preceito constitucional, as instituies foram alvo de tantas imposies. Primeiro, por mecanismos administrativos do Ministrio da Educao (MEC) e outros braos do setor, depois por fora de lei. Para o mundo acad-mico, a moda pegou e coloca em risco o estatuto da chamada autonomia e a capacidade dos estabelecimentos em gerar so-lues de acordo com seu DNA e onde est sua comunidade.

    O artigo 207 da Constituio Federal de 1988 diz expressa-mente: As universidades gozam de autonomia didtico-cien-tfica, administrativa e de gesto financeira e patrimonial, e obedecero ao princpio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extenso. Para o coordenador das graduaes de Fsica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs),

    Paulo Mors, a histria no bem assim. Depois das batalhas dos anos de 1990 pela elevao das verbas para as Institui-es Federais de Ensino Superior (Ifes), sob a chancela do artigo 207, no comeo da segunda dcada dos anos 2000, o alerta foi acionado em relao ao avano das disposies do MEC. A comunidade muito dcil, pois aceita tudo isso. No existe autonomia universitria de fato, denuncia Mors, que adverte: Quando cobramos o que diz a Constituio, ouvi-mos a precauo autonomia no soberania. Decoraram esta frase para defender a interferncia de medocres onde ainda existe inteligncia, completa o professor da Fsica.

    O pr-reitor de Graduao da Ufrgs, Srgio Kieling Franco, admite que preciso ter cuidado para que no haja ingerncia demais. Em alguns setores, com maior quantidade de novas disciplinas obrigatrias, no necessariamente vinculadas formao, Franco garante que j foram feitos alertas ao MEC. Quando aumenta o controle, eleva o risco de atentar con-tra a autonomia, mas isso no tem ocorrido. Quando existe a

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  • 5ADVERSO 199 | Janeiro / Fevereiro 2013

    tentao no Ministrio, ns agimos, explica. Terreno instvel desde que foi lanado, o Enade viveu novo boicote dentro da Ufrgs na edio de 2012, que gerou rebaixamento de nota pela segunda vez para um dos cursos que costumava figurar entre os Top. A Educao Fsica ficou com 2, levou um carto ama-relo do MEC e agora est sob inspeo. Tudo porque alunos descontentes com o sistema no fizeram as provas. Nada a ver com a formao, ensino ou estrutura da Escola de Educao Fsica (Esef), situada na zona leste de Porto Alegre.

    Estamos em plena mudana de currculo, inovando do ponto de vista pedaggico e recebemos esta avaliao, reage o coordenador da Comisso de Graduao (Comgrad) da Esef, Fabiano Bossle, que considera legtima a manifestao dos estudantes. Sei que o Enade faz parte da regra do jogo, mas a avaliao no capta vrias aes que estamos empreenden-do. No tenho clareza se a melhor forma de dar visibilidade formao dos alunos, pondera o coordenador. O pr-reitor de Graduao no gostou nada de ver a Instituio, que teve o maior ndice do Inep entre as Ifes no ano passado, pegar uma espcie de segunda poca no exame nacional. Franco espera que o esclarecimento dos motivos da pontuao rever-ta o conceito e a medida do MEC. Se ou no certa interfe-rncia no universo acadmico, o pr-reitor relativiza. Lembra que o Enade hoje lei,