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Afo Afrfb 2011.2 - Aula 08

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  • CURSO ON-LINE - RECEITA FEDERAL AFO - TEORIA E EXERCCIOS PROFESSOR: SRGIO MENDES

    Aula 8

    Ol amigos! Como bom estar aqui!

    "Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relgio marque meia noite. minha funo escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque est chovendo ou agradecer s guas por lavarem a poluio. Posso ficar triste por no ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanas, evitando o desperdcio. Posso reclamar sobre minha sade ou dar graas por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por no terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tdio com o trabalho domstico ou agradecer a Deus. Posso lamentar decepes com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas no saram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomear. O dia est na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende s de mim". (Charles Chaplin)

    "O homem no consegue descobrir novos oceanos se no tiver a coragem de perder de vista a costa." (Andr Gide)

    Na certeza de um belo dia e que outros ainda melhores viro, entusiasmados estudaremos nesta aula os principais tpicos da LRF ainda no abordados no nosso curso.

    Do incio dos anos 1980 at meados dos anos 1990, a excessiva instabilidade da atividade econmica, principalmente devido ao descontrole inflacionrio e s oscilaes das taxas de juros, marcou a histria econmica brasileira. Planos econmicos no surtiam os efeitos pretendidos e as finanas pblicas se apresentavam sempre desequilibradas.

    A fim de que as finanas pblicas seguissem regras claras e estruturadas que fossem capazes de evitar novos desequilbrios e induzissem melhores prticas de gesto em todos os entes, foi editada, dentre outras medidas, a Lei Complementar 101, de 4 de maio de 2000, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A responsabilidade fiscal visa evitar que os entes da Federao gastem mais do que aquilo que arrecadam; ou, se necessrio, que tais entes recorram ao endividamento apenas caso sigam regras rgidas e transparentes.

    A LRF tem como base alguns princpios, os quais nortearam sua concepo e so essenciais para sua aplicao at os dias de hoje. Esses pilares, dos quais

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    TOPICOS SELECIONADOS DA LRF

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    depende o alcance de seus objetivos, so o planejamento, a transparncia, o controle e a responsabilizao.

    O art. 1 da LRF traz seus objetivos: "Art. 1 Esta Lei Complementar estabelece normas de finanas pblicas voltadas para a responsabilidade na gesto fiscal, com amparo no Captulo II do Ttulo VI da Constituio. 1 A responsabilidade na gesto fiscal pressupe a ao planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilbrio das contas pblicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obedincia a limites e condies no que tange a renncia de receita, gerao de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dvidas consolidada e mobiliria, operaes de crdito, inclusive por antecipao de receita, concesso de garantia e inscrio em Restos a Pagar."

    J de acordo com Machado, os objetivos da LRF so impactar o modelo de gesto do setor pblico na direo de: fortalecer o controle centralizado das dotaes oramentrias, na medida em que exigem o estabelecimento de limites totais de gasto e definem limites especficos para algumas despesas; estreitar os vnculos entre PPA, LDO e LOA, criando mecanismos para que a fase da execuo no se desvie do planejamento inicial; fortalecer os instrumentos de avaliao e controle da ao governamental.

    As disposies da LRF obrigam a Unio, os estados, o Distrito Federal e os municpios. Nas referncias Unio, aos estados, ao Distrito Federal e aos municpios, esto compreendidos o Poder Executivo, o Poder Legislativo, neste abrangidos os Tribunais de Contas, o Poder Judicirio e o Ministrio Pblico; bem como as respectivas Administraes diretas, fundos, autarquias, fundaes e empresas estatais dependentes. Ainda, a estados entende-se considerado o Distrito Federal; e a Tribunais de Contas esto includos: Tribunal de Contas da Unio, Tribunal de Contas do Estado e, quando houver, Tribunal de Contas dos Municpios e Tribunal de Contas do Municpio.

    Observao: para evitar vrias repeties, alguns temas relacionados LRF no sero reproduzidos novamente neste aulas, pois foram/sero abordados ao longo do curso.

    1. GESTO FISCAL E TRANSPARNCIA

    1.1. Gesto Fiscal

    Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gesto fiscal a instituio, a previso e a efetiva arrecadao de todos os tributos da competncia constitucional do ente da Federao. No entanto, vedada a realizao de transferncias voluntrias para o ente que no observe tal determinao no que se refere aos impostos. Assim, apesar de os requisitos

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    essenciais da responsabilidade na gesto fiscal contemplarem os tributos, a vedao quanto s transferncias voluntrias se refere apenas aos impostos. Ressalto que tal vedao no alcana as transferncias voluntrias destinadas a aes de educao, sade e assistncia social.

    A LRF trata da fiscalizao da gesto fiscal no art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxlio dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle interno de cada Poder e do Ministrio Pblico, fiscalizaro o cumprimento das normas da LRF, com nfase no que se refere a:

    Atingimento das metas estabelecidas na LDO. Limites e condies para realizao de operaes de crdito e inscrio

    em Restos a Pagar; Medidas adotadas para o retorno da despesa total com pessoal. Providncias tomadas para reconduo dos montantes das dvidas

    consolidada e mobiliria aos respectivos limites. Destinao de recursos obtidos com a alienao de ativos. Cumprimento do limite de gastos totais dos legislativos municipais,

    quando houver.

    Compete privativamente ao Presidente da Repblica prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de 60 dias aps a abertura da sesso legislativa, as contas referentes ao exerccio anterior.

    1.2. Transparncia

    Segundo o art. 48 da LRF, so instrumentos de transparncia da gesto fiscal, aos quais ser dada ampla divulgao, inclusive em meios eletrnicos de acesso pblico: os planos, oramentos e leis de diretrizes oramentrias; as prestaes de contas e o respectivo parecer prvio; o Relatrio Resumido da Execuo Oramentria e o Relatrio de Gesto Fiscal; e as verses simplificadas desses documentos.

    A transparncia ser assegurada tambm mediante: Incentivo participao popular e realizao de audincias pblicas,

    durante os processos de elaborao e discusso dos planos, lei de diretrizes oramentrias e oramentos.

    Liberao ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informaes pormenorizadas sobre a execuo oramentria e financeira, em meios eletrnicos de acesso pblico. Os entes da Federao disponibilizaro a qualquer pessoa fsica ou jurdica o acesso a informaes, quanto despesa, referentes a todos os atos praticados pelas unidades gestoras no decorrer da execuo da despesa, no momento de sua realizao, com a disponibilizao mnima dos dados referentes ao nmero do correspondente processo, ao bem fornecido ou ao servio prestado, pessoa fsica ou jurdica beneficiria do pagamento e, quando for o caso, ao procedimento licitatrio realizado; e quanto receita, referente ao lanamento e ao recebimento de toda a

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    receita das unidades gestoras, inclusive referente a recursos extraordinrios.

    Adoo de sistema integrado de Administrao Financeira e controle, que atenda a padro mnimo de qualidade estabelecido pelo Poder Executivo da Unio.

    O maior objetivo das regras de transparncia na LRF viabilizar o controle social, ou seja, a participao da sociedade no acompanhamento e na verificao da execuo das polticas pblicas, avaliando os objetivos, os processos e os resultados, visando assegurar que os recursos pblicos sejam bem empregados em benefcio da coletividade.

    2. RELATRIOS

    2.1. Relatrio de Gesto Fiscal

    O Relatrio de Gesto Fiscal - RGF ser emitido, a cada quadrimestre, pelos titulares dos Poderes e rgos, assinado pelo Chefe do Poder Executivo; Presidente e demais membros da Mesa Diretora ou rgo decisrio equivalente, conforme regimentos internos dos rgos do Poder Legislativo; Presidente de Tribunal e demais membros de Conselho de Administrao ou rgo decisrio equivalente, conforme regimentos internos dos rgos do Poder Judicirio; Chefe do Ministrio Pblico, da Unio e dos Estados. O relatrio tambm ser assinado pelas autoridades responsveis pela Administrao Financeira e pelo controle interno, bem como por outras definidas por ato prprio de cada Poder ou rgo.

    facultado aos municpios com populao inferior a 50 mil habitantes optar por divulgar semestralmente o Relatrio de Gesto Fiscal.

    De acordo com o art. 55, o Relatrio de Gesto Fiscal conter comparativo com os limites de que trata a LRF, dos seguintes montantes:

    despesa total com pessoal, distinguindo a com inativos e pensionistas; dvidas consolidada e mobiliria; concesso de garantias; e operaes de

    crdito, inclusive por antecipao de receita (tais demonstrativos estaro apenas no RGF do Poder Executivo).

    Se ultrapassado qualquer dos limites, o RGF conter tambm a indicao das medidas corretivas adotadas ou a