Agenda Cultural de Cascais n. 17 - Novembro e Dezembro 2005

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Edição n.º 17 da Agenda Cultural de Cascais, referente aos meses de Novembro e Dezembro de 2005.Tema de capa: 40.º aniversário do Teatro Experimental de Cascais.Outros temas em destaque:- Reabertura do Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades de Faria.- Pavilhão Dramático de Cascais

Text of Agenda Cultural de Cascais n. 17 - Novembro e Dezembro 2005

sumrio3 Primeira linha 4 Espao opinio Em foco 6 TEC - 40 anos 9 Museu da Msica Portuguesa 12 Dramtico de Cascais 14 Espao Naif Programao 18 Animao infantil e juvenil 30 Conferncias, Cursos e Colquios 38 Desporto 41 Edies 42 Exposies 48 Msica 54 Passeios e Visitas 56 Teatro 57 Poesia 58 Outros Eventos Conhea melhor a nossa terra 62 Ficha de colectividade 63 Colectividades e Cultura 64 Bibliotecas Municipais 66 Arquivo Histrico Municipal 68 Livraria Municipal 72 Museus Municipais 74 Ficha de Patrimnio 75 Curiosidades da Nossa Terra 78 O que est a dar 82 Desporto 83 A sugesto de... Carlos Avilez 86 Contactos

primeira linha...Um museu, uma exposio, um livro: falamos da reabertura ao pblico da Casa Verdades de Faria, Museu da Msica Portuguesa; da exposio Cascais em 1755: do Terramoto Reconstruo; e do livro Cascais h 5000 anos, que constituem as propostas que meritoriamente se destacam na rea da cultura para os prximos meses de Novembro e Dezembro, resultantes de iniciativas que tiveram lugar no final do ms de Outubro. Uma primeira palavra para a reabertura da Casa Verdades de Faria, acontecimento do qual nos orgulhamos por duas ordens de razes: em primeiro lugar, porque ocorre aps ter sido alvo de um profundo processo de obras de consolidao estrutural e de restauro do seu rico patrimnio azulejar e de artes decorativas, caractersticas que fazem deste imvel um dos mais bonitos exemplares da arquitectura dita de veraneio, com projecto da autoria do arquitecto Raul Lino, e que agora pode ser revisitado e justamente apreciado. No momento em que se assinalam os 250 anos do Terramoto de 1755, a maior catstrofe natural ocorrida em Portugal e simultaneamente a primeira catstrofe de dimenso europeia nos tempos modernos, a Cmara Municipal de Cascais, em parceria com o Servio Nacional de Bombeiros e Proteco Civil, apresenta no Centro Cultural de Cascais a exposio O Terramoto de Lisboa em 1755, complementada pela exposio Cascais e o Terramoto de 1755. Seguida da edio de um volume homnimo, estas duas aces resultam do excelente trabalho desenvolvido pelo Arquivo Histrico Municipal em torno da pesquisa, compilao e transcrio de todos os documentos histricos que, a nvel nacional, contm dados sobre o efeito da hecatombe em Cascais, actualizando-se, corrigindo-se e, sobretudo, ampliando-se o valioso legado de Ferreira de Andrade. De grande flego a obra Cascais h 5000 anos, volume editado na sequncia da exposio homnima patente durante 2004 no Museu Nacional de Arqueologia. As qualidades dos textos dos diversos investigadores participantes e a excelncia do trabalho do coordenador e acadmico Victor S. Gonalves, fazem desta obra um marco da historiografia cascalense e um contributo essencial para a estruturao do programa do futuro Museu Municipal de Arqueologia na rea da Pr-histria. Uma ltima palavra para realar uma novidade que j ter chamado a ateno do leitor: a nova imagem da nossa agenda. Mais do que uma alterao esttica, procurmos tornar a consulta da programao mais rpida e eficiente e a leitura dos textos mais agradvel. , pois, com renovada energia que damos as boas-vindas ao Inverno.

Antonio dOrey Capucho Presidente da Cmara Municipal

Ana Clara Justino Vereadora do Pelouro da Cultura

espao opinio Anncio museu da msica

A Agenda Cultural de Cascais disponibiliza este espao para que nos d as suas opinies e sugestes sobre a actividade cultural do concelho. Aceite o desafio e participe! e-mail agenda.cultural@cm-cascais.pt morada Agenda Cultural | Departamento de Cultura Praa 5 de Outubro | 2754-501 Cascais

Cmara Municipal de Cascais quero agradecer a informao acerca dos programas culturais de excelente qualidade, dos quais beneficiei. Como vou mudar de residncia no me possvel continuar a beneficiar. O meu muito obrigado e continuem, pois o vosso trabalho tem sido muito interessante. Matilde Rosa DelgadoLisboa, 7 de Setembro de 2005

NOTA: Cara leitora, mesmo residindo fora do concelho de Cascais poder receber a nossa Agenda Cultural em sua casa e continuar a usufruir dos numerosos eventos que temos para lhe oferecer. Basta enviar-nos a sua nova morada.

em foco

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em focoTEC 40 anos de Teatro

> La Nonna . Roberto Cossa . 1992 . Em baixo: Teresa Crte-Real, Joo Vasco, Srgio Silva. Em cima: Zita Duarte, Santos Manuel, Antnio Marques, Anna Paula.

> Zita Duarte em Ivone, Princesa de Borgonha Witold Gombrowicz . 1971

> Joo Vasco e Anna Paula em O Leo no Inverno James Goldman . 1998

Quantos grupos do chamado teatro independente podero orgulhar-se de completar quarenta anos de existncia e actividade ininterrupta? No muitos, certamente; o Teatro Experimental de Cascais (TEC) figura nessa lista preciosa. Todas as homenagens ou comemoraes parecero por isso, diminutas para assinalar devidamente a importncia do papel desta companhia, no s no panorama cultural do concelho, mas tambm no espectro nacional. Comeava, ento, h quatro dcadas a aventura empreendida por dois jovens actores da Companhia do Teatro Nacional D. Maria II - Joo Vasco e Carlos Avilez que, sem esmorecerem perante todo o gnero de adversidades, conseguiram levar cena a 13 de Novembro de 1965 Esopaida ou a Vida de Esopo, de Antnio Jos da Silva O Judeu, no Teatro Gil Vicente, em Cascais. Inicialmente no havia qualquer inteno de criar uma companhia; a montagem de uma s pea j lhes parecia intento suficientemente audacioso para procurarem voos mais altos. No entanto, o sucesso da representao aliado inexistncia de um grupo de teatro profissional na regio e ao apoio entusistico de algumas instituies locais (Jornal Costa do Sol, Junta de Turismo da Costa do Sol), s quais se juntou, mais tarde, a Fundao Calouste Gulbenkian, foram factores decisivos para o surgimento do Teatro Experimental de Cascais. Experimental. O que se poderia esperar da fora desta palavra, numa poca ainda plenamente dominada pela ditadura instituda e pelos seus mecanismos de controlo poltico? Haveria verdadeiramente espao para a experimentao? Por vontade de muitas pessoas, provavelmente no; porm, tornava-se j impossvel impedir que as novas linguagens teatrais difundidas por toda a Europa chegassem a Portugal. O questionamento das regras do teatro clssico, o recurso caricatural ao gesto, mimesis, a prpria postura em palco deliberadamente errada, embora no constitussem propriamente uma novidade, agitaram os crculos e conseguiram chocar um pblico

pouco preparado para receber propostas to diferentes do habitual. E havia a censura, o lpis azul, que era necessrio saber contornar: pegar em textos clssicos, aparentemente inocentes do ponto de vista poltico, evidenciando-lhes o lado de crtica social; passar mensagens polticas em tontas comdias de costumes, modificando o tom da pea: aceitar cortar passagens de texto em peas proibidas para as poderem levar cena. Em nove anos de confronto com a Comisso de Censura, no lhes faltam peripcias para contar. O 25 de Abril de 1974 apanhou o TEC numa digresso em Moambique e, no regresso, esperava-os uma triste surpresa: a expulso do Teatro Gil Vicente, por parte da nova direco da Associao Humanitria dos Bombeiros Voluntrios de Cascais, proprietria da sala. Tempos conturbados, geradores de desconfianas infundadas e de caa aos conotados com o regime. Tempos que s quem por eles passou poder, de facto, compreender. Du-

rante alguns anos, o TEC (sobre)viveu sem casa prpria, actuando, tal como muitos outros grupos de teatro, em todos os espaos possveis e imaginrios: fbricas, cantinas, at palheiros! As artes aproximavam-se dos movimentos sociais e assistia-se a um verdadeiro teatro panfletrio. Em 1980, verificou-se uma aproximao entre a companhia e a Cmara Municipal de Cascais, o que resultou no estabelecimento do TEC no antigo picadeiro do Estoril, local utilizado, na altura, pela edilidade para armazenar diversos materiais. Mos obra e o espao ganhou condies para receber, ainda nesse ano, a pea A Me, de Witiewicz; contudo, s no ano seguinte, com mais uns melhoramentos empreendidos, foi possvel inaugurar oficialmente o Teatro Municipal Mirita Casimiro. Da colaborao frutuosa com a autarquia surgiu ainda a Escola de Teatro Profissional de Cascais que, desde ento, tem permitido companhia reforar o seu elenco com novos

em foco

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Museu da Msica Portuguesana Casa Verdades de FariaNo passado dia 27 de Outubro reabriu ao pblico um dos mais interessantes espaos municipais, aps a realizao de profundas obras de recuperao no edifcio e jardins envolventes. Falamos, naturalmente, da Casa Verdades de Faria, projectada por Raul Lino, que apresenta hoje as condies adequadas para acolher o Museu da Msica Portuguesa, detentor dos esplios de duas figuras de excepo no panorama cultural portugus: Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graa. A reprogramao de um espao de habitao> Antnio Marques e Madalena Bobone em O Dirio de Anne Frank. Albert Haquett e Frances Goodrich. 1994 > Paulo B., Anna Paula, Srgio Silva e Antnio Marques em O Pecado de Joo Agonia . Bernardo Santareno 1991

em espao pblico e, em particular, a instalao de um Museu, nem sempre tarefa fcil e exequvel. Raul Lino disse que a arquitectura tem sobre as outras artes mais livres, a grande vantagem de nunca poder ficar divorciada da lgica. Esta objectividade, que se v reflectida no seu projecto, orientou a organizao dos espaos de recepo, circulao e instalao do programa museolgico. A Capela de S. Patrcio, espao simblico dedicado ao santo padroeiro dos irlandeses, encerra em si uma histria local de referncia, ficando-lhe reservado o espao memria da casa. A Sala Lopes-Graa, com a funo de Centro de Documentao, localizada junto recepo, permitir o acesso directo do pblico investigador a todo o esplio documental e bibliogrfico. No primeiro andar, a disposio natural dos trs sales contguos sugerem um pequeno auditrio, a Sala de Msica para concertos de cmara, conferncias, programas de