Agenda Cultural do Recife - mar§o 2016

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Text of Agenda Cultural do Recife - mar§o 2016

  • MAR2016

    50 anos de Chico Sciense

    ANO 21 N 247

    Prefeitura do Recife Secretaria de Cultura Fundao de Cultura

  • pprefeitura do recifePrefeito do Recife Geraldo JlioVice-prefeito do Recife Luciano SiqueiraSecretria de Cultura Leda Alves

    Fundao de Cultura Cidade do RecifePresidente Diego Rocha

    Gerente Geral de Administrao e Finanas: Edelaine BrittoGerente Geral de Aes Culturais e Infraestrutura Slvio Srgio DantasGerente de Desenvolvimento e Descentralizao Cultural Iana Cludia Marques

    Agenda CulturalEditor Manoel ConstantinoReprteres Anax Botelho, Erika Fraga e Jaciana SobrinhoEquipe Gerencial Christina Simo e Jacqueline Moraes Verso online Jacqueline MoraesProjeto Grfico Estdio Vivo | Fernanda Lisboa e Matheus BarbosaDiagramao Lcia RodriguesCapa Adlia Collier sob Foto de Getty Images

    Tiragem 10.000 exemplares

    Cais do Apolo, 925, 15 andar, Bairro do Recife Recife-PE CEP 50030 230Telefone 81 3355 8065 Fax 81 3355 8810agendaculturaldorecife@gmail.comwww.recife.pe.gov.br/agendaculturalwww.agendaculturaldorecife.blogspot.comTwitter @agendaculturall

    Programao sujeita a alterao. Por favor, confirmar.Sugestes de pauta devem ser enviadas at o dia 15.

  • Recife e Chico Science abraados

    Recife incomum e dentro da cidade e nos seus arredores nascem artistas inconfundveis e um deles deixou um legado que ultrapassou fron-teiras miditicas e territoriais levando o seu jeito urbano, suas vivncias na efervescncia da perife-ria, um som de batidas negras, batizado de man-gue: Francisco Frana, o Chico Science do Mundo e de todos ns.

    Em 13 de maro de 1966 nascia Francisco e, neste ano de 2016, Chico Vulgo, como no princ-pio era conhecido, Science, faria 50 anos. Como diz o amigo Fredzeroquatro, o legado que seus versos certeiros, seu carisma irresistvel e seu senso de ritmo absolutamente incomum dei-xaram, incontestvel e pode ser facilmente comprovado por essas bandas: depois de todo o impacto provocado pela sofisticada simbologia manguebit, a autoimagem dos pernambucanos jamais ser a mesma.

    Recife aniversaria no dia 12 de maro. Re-cife, cidade amada, bero de revolues. Chico Science, vindo de Peixinhos, adentra no mangue olhando o rio que serpenteia o centro da cidade, do alto do edifco Capibaribe, onde residiu, na Rua da Aurora, o plantador de antenas dialogou com o seu tempo e com o corao da cidade.

    Seu Franscisco e Dona Rita nos deu Chico Sciense e hoje o seu som, suas invenes, voam mundo afora, fazendo bater de alegria, mesmo na ausncia, corao-mente de muita gente num ritmo que vem do hip hop, do repente, funk de periferia, dos tambores nunca silenciados dos que acreditam que, como ele dizia, um passo a frente e voc no est mais no mesmo lugar

    Manoel ConstantinoEditor

    Conexo

    Entrevista

    Sabores do Recife

    Por trs das Cortinas

    Artes Cnicas

    Canto Daqui

    Msica

    Circulando

    Perfil do Arteso

    Artes Visuais

    Cinema

    Moda

    Giro Literrio

    Clic

    Cursos e Concursos

    Ilustra

    Servios

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  • 4 MAR 2016

    CON

    EX

    O

    Por: Anax BotelhoFotos: Divulgao O Reino das artes

    o Movimento Armorial nas artes visuais

    O Movimento Armorial, idealizado a partir do dia 18 de outubro de 1970, no qual foi realizado um concerto e uma exposio de artes plsticas no Ptio de So Pedro, no Centro do Recife, surgiu como uma frente artstica disposta a criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina, formando assim uma arte genuna da regio do nordeste brasileiro. Criado sob inspirao e direo do escritor Ariano Suassuna, e outros artstas da regio, o movimento rapidamente ganhou respaldo acadmico e de instituies pblicas, como uma voz representativa da cultura regional.

  • 5CONEXO

    Para definir o conceito do Mo-vimento Armorial, vale usar as pa-lavras do prprio Ariano publicadas no Jornal da Semana, no dia 20 de maio de 1975: A Arte Armorial Bra-sileira aquela que tem como trao comum principal a ligao com o esprito mgico dos folhetos do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a M-sica de viola, rabeca ou pfano que acompanha seus cantares, e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o esprito e a forma das Artes e espetculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados, define o escritor. Com a mesma ideologia e esttica, o movimen-to se insere em diversas expresses artsticas, como msica, dana, literatura, artes plsticas, teatro, cine-ma, arquitetura, entre outras. Em cada esfera artstica, diversos nomes se destacaram, como o prprio Ariano Suassuna na literatura, o Quinteto Armorial e Antnio Nbrega na msica, o Bal Armorial do Nordeste, nas artes cnicas, entre outros que contriburam e contri-buem para o Movimento Armorial e valorizao da au-tntica cultura nordestina.

    Nas artes plsticas o Movimento Armorial tem uma grande produo e singularidade esttica. fcil iden-tificar os diversos smbolos idealiza-dos pelo prprio Ariano para suas histrias e, posteriormentes, ban-deiras do Movimento Armorial. Por essa e outras, no de se espantar que recentemente foi encontrado na Galeria Ranulpho, no bairro do Recife, 22 desenhos originais criados por Ariano Suassuna para o clebre livro o Romance dA Pedra do Reino e o Prncipe do Sangue do Vai e Vol-

    Ariano Suassuna, mentor do

    movimento armorial

    A Pedra do Reino inspirou Ariano

    Romance d'A Pedra do Reino e o Prncipe do Sangue

    do Vai-e-Volta, de Ariano Suassuna

  • 6 MAR 2016

    ta. Todos os desenhos so assinados pelo escritor e datados de 1970. Vale lembrar que esses desenhos com-pem o total de 25 do romance e nin-gum, nem a prpria famlia, sabiam onde estavam at a revelao do galerista Carlos Ranulpho em agosto do ano passado. Esta revelao tem um impcto bastante relevante para a histria do Movimento Armorial e histria do nordeste, alm da prpria catalogao das obras do escritor para posterioridade.

    As recentes descobertas dos de-senhos de Ariano, tambm servem para voltar o olhar para os artistas, de fato especialistas nas artes pls-

    ticas, que dedicaram sua produo a cultura nordesti-na, sendo assim, tambm ao Movimento Armorial. Um exemplo disso, o cordelista e xilogravurista J. Borges. Considerado pelo prprio Ariano como o maior mes-tre na arte da gravura. Natural de Bezerros, J. Borges

    conhecido pelos os cordis, lite-ratura popular nordestina que leve gravuras nas capas e, principalmen-te, pela sua produo nas xilogra-vuras. Sua histria na xilogravura comeou por acaso. Sem recursos para pagar um gravurista para seus cordis, decidiu aprender a arte de talhar madeira. A partir disso, J. Bor-ges tornou-se referncia ao produ-zir xilogravuras para seus prprios

    folhetos e, posteriormente, do Movimento Armorial e da arte da xilogravura em geral. J. Borges tem no

    Desenho de Ariano Suassuna para A Pedra do Reino

    Matriz e xilo A briga da ona com a serpente, de J. Borges

  • 7CONEXO

    seu universo criaturas fantsticas como monstros, drages, grandes serpentes, porm o foco retratar o cotidiano do pobre, do cangao, os castigos do cu, os mistrios, os fol-guedos populares, entre outras re-presentaes que esto sempre liga-das vivncia do povo nordestino.

    Nome respeitado nas artes vi-suais e mestre na xilogravura, rea-lizando trabalhos super detalhistas e um universo fantstico singular, Gilvan Samico ou-tro artista forte no movimento armorial. Uma marca caracterstica de Samico se d pelo universo imagin-rio criado por ele um mundo mgico, mitolgico e fantstico. Universo de figuras de animais domsticos como cachorro, cavalos, paves, galos; selvagens, como lees, lagartos, cobras; e outros, como peixes, borbo-letas e pssaros, afirmam Claudilaine Lima e Sandra Guedes no artigo O reino mgico da xilo(gravura). Sa-mico tambm participou do movimento artstico no Recife, a Sociedade de Arte Moderna do Recife (SAMR) fundado por Abelardo da Hora. Nessa perodo, Samico se dedicava principalmente ao desenho e a pin-tura, mas j demonstrava interesse pela gravura. Aps viagem ao Rio de Janeiro e So Paulo, locais onde es-tudou e conviveu com outros artis-tas, se inseriu na xilogravura, mas a partir de conselhos de Ariano, que ele mergulhar na cultura popular. Formando assim, suas expresses artsticas, desde o mstico, da religiosidade, entre ou-tros temas j comuns na literatura de cordel.

    J. Borges

    Alexandrino e o pssaro de fogo, de Samico, tambm

    ilustrou a capa do primeiro lbum do Quinteto Armorial.

  • 8 MAR 2016

    A presena do Movimento Ar-morial foi determinante no perodo historico para resgatar a produo e originalidade da arte nordesti-na. Com o passar dos anos, novos movimentos artsticos surgiram na regio, nas artes plsticas, na msi-ca, no cinema, entre outros, mas possvel afirmar que nenhum con-seguiu reunir a gama de artisticas e ideias comprometidas com o mes-mo universo e esttica to bem de-finidos como no movimento armo-rial. A arte armorial j transcedeu os criadores e hoje suas ideias fazem parte da cultura e arte de todo o Brasil. A arte armorial est presente em centros urbanos, est sendo fei-ta por pessoas distantes do local de origem e vivo a cada descoberta, re-leituras e novos artsticas inspirados em mestres como J. Borges, Samico, Ariano Suassuna, entre outros.

    Criao - o sol, a lua, as estrelas, de Samico

    Samico em produo

  • A xilogravuraA xilogravura a maior expres-

    so visual do Movimento Armorial. A presena da tcnica est nos cor-dis, nos quadros prprios, nos tra-os de Ariano Sassuna e, principal-mente, no cotidiano dos artistas e populao nordestina.

    A produo com a utilizao madeira como matriz para pos