Agenda Cultural Lisboa | março'16

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A Escola de Música do Conservatório Nacional faz 180 anos e, num período especialmente crítico, fomos à procura de algumas joias patrimoniais que a instituição guarda. Março é o mês da poesia e António Carlos Cortez assina um texto exclusivo em resposta à célebre afirmação de Adorno sobre se é possível escrever poesia depois de Auschwitz. Nesta edição, destaque ainda para o cinema português, com quatro estreias em sala.

Text of Agenda Cultural Lisboa | março'16

  • AGENDACULTURALLISBOAMAR 2016

  • fundacaoedp.ptfacebook.com/museu.da.eletricidade

    Av. Braslia, Central Tejo, Lisboa

    Loeuf au milieu de la figure, Serge Bloch, 2010

    EXPOSIO

    Ao visitar a exposio est a contribuir para o programa humanitrio da Unicef Crianas da Sria.

    Ilustrarte 2016 VII Bienal Internacional de Ilustrao para a Infncia

    Tera a Domingo das 10h s 18hMarcaes / Visitas guiadas e ateliers 210 028 130 / museudaeletricidade@edp.pt

    At 17 abril no Museu da Eletricidade

    Agenda Cultural 15x23cm.indd 1 05/02/16 16:13

  • dia mundialda poesia

    ARTES24 CInCIAS36 CInEmA40 DAnA46 LITERATURA52 mSICA56 TEATRO66 VISITAS GUIADAS72 CRIAnAS78

    veja no site da agenda cultural 96AGEnDA

    fernando Galrito 20

    CONSERvATORIO fAz 180 ANOS 14

    cinema portugus em estreia 6

    cadernos especiais Festivais de Cinema 40 Festival CumpliCidades 44 maria & lus 62

    entrev

    istaANTNIO CARLOS

    CORTEz 2

  • Antnio Carlos Cortez (Lisboa, 1976)Poeta, ensasta, crtico literrio e professor de Literatura Portuguesa no Colgio Moderno. Estreou-se em 1999 com Ritos de Passagem. Foi Prmio SPA em 2011 com Depois de Dezembro e aps O Nome Negro (Relgio dgua, 2013), Animais Feridos (Dom Quixote) o seu oitavo livro.

    Franc

    isco

    Lev

    ita

  • 3Texto LUS ALmEIDA DEA Fotografia fRANCISCO LEvITA

    Assinalando o Dia mundial da Poesia que se celebra a 21 de maro, a Agenda Cultural de Lisboa lanou

    um desafio ao poeta Antnio Carlos Cortez: assumindo como mote a clebre afirmao de Adorno impossvel escrever um poema

    depois de Auschwitz -, pedimos-lhe que enunciasse os motivos pelos quais considera ser importante cultivar o gnero potico

    em pleno sculo XXI. Em resposta, enviou-nos o texto Poesia, Auschwitz & David Bowie. O seu mais recente

    livro, Animais feridos, tem lanamento previsto para o prximo dia 15 de maro.

    DIA mUNDIAL DA POESIA

    ANTNIO CARLOS CORTEz

  • 4 dia mundial da poesia

    poesia, auscHWitZ& daVid BoWie

    antnio carlos corteZ

    Gnter Grass, no seu livro Escrever Depois de Auschwitz (Dom Quixote), observou que ao poeta, ao escritor, s lhes restava escrever sobre o tempo que passa. Para mim, depois de Auschwitz, escrever poesia no apenas registar o tempo, reconstru-lo na linguagem.Depois de Auschwitz, outras fracturas exigiram a interveno da palavra potica: do vietname ao Iraque, da Jugoslvia Sria... Escrever poesia, sim, mas com imensas dvidas: que pode um poema contra as atrocidades perpetradas por tiranos? Quando o fosso entre ricos e pobres nos faz ver que 1% de seres humanos detm 99% das riquezas mundiais, que pode a

  • 5dia mundial da poesia

    poesia? Portugal tem dois milhes de pobres... o fascismo continua de outra maneira: a inveja, a diluio cultural, a alienao, a boalidade... C nesta Babilnia, donde mana/ matria quanto mal o mundo cria, escreveu Cames. mas aqui estamos e David Bowie no deixou de profetizar em Lazarus, cano do seu ltimo lbum, Blackstar, uma futuridade, um apocalipse. Escrevo poesia para resistir aos burrocratas, lembrando Herberto.Sei que Peter Sloterdick pode ter razo: enfrentam-se, a nvel global, os trs ismos da ira: o neoliberalismo de matriz americana, o fanatismo islmico e o Ps-Comunismo e sei que a poesia pode ser ainda uma forma de apedrejar este tempo detergente que detesto, parafraseando Ruy Belo. No meu prximo livro, Animais feridos (Dom Quixote) a poesia ainda a minha maneira de estar sozinho. No uma ambio minha. Este texto no foi escrito ao abrigo do novo acordo ortogrfico.

  • 6POSTO AvANADO DO PROGRESSODE HUGO vIEIRA DA SILvAESTREIA A 17 DE mARO

  • 7CINEmA PORTUGUS Em ESTREIA

    O terceiro trabalho de Hugo Vieira da Silva, cineasta portugus que atualmente vive em Viena, uma adaptao da novela de Joseph Conrad, An Outpost of Progress, e reinventa a obra do escritor britnico no contexto do colonialismo portugus no sculo XIX. Filmado em frica, relata a histria de dois portugueses interpretados por Nuno Lopes e Ivo Alexandre - que vo coordenar um posto comercial numa zona remota do Rio Congo. A inteno civilizadora que os move vai-se desvanecendo medida que o tempo passa. A incapacidade de enriquecerem e uma srie de mal-entendidos com a populao local isolam-nos, deixando-os merc um do outro.

    Hugo vieira da Silva, vicente Alves do , Joo Nicolau e Gonalo Galvo Teles,

    em colaborao com seu pai, o veterano Lus Galvo Teles, so quatro jovens cineastas que estreiam os seus novos

    filmes, fazendo de maro um ms prdigo em cinema portugus.

  • 8GELODE LUS GALvO TELES E GONALO GALvO TELESESTREIA A 3 DE mARO

  • 9Gelo uma corealizao entre Lus e Gonalo Galvo Teles, pai e filho. O filme cruza duas histrias: a de Catarina uma jovem concebida atravs de um cadver congelado com mais de 20 000 anos, que cresce isolada sob a tutela de um investigador que a usa como cobaia num projeto sobre imortalidade, e a de Joana, uma estudante que se apaixona por um colega mais velho obcecado pelo gelo. A protagonista Ivana Baquero, atriz que protagonizou o filme O Labirinto do Fauno, de Guillerme del Toro. Afonso Pimentel e Albano Jernimo so dois dos nomes que fazem tambm parte do elenco.

  • 10

    O AmOR LINDOPORQUE SIm!DE vICENTE ALvES DO ESTREIA A 17 DE mARO

  • 11

    Vicente Alves do um realizador portugus que tem trabalhado em televiso e cinema com nomes como Antnio-Pedro Vasconcelos, Solveig Nordlund e Francisco Manso. O seu mais recente trabalho O Amor LindoPorque Sim!, uma comdia romntica que conta com a participao de Maria Rueff, Ana Brito e Cunha e Slvia Rizzo. O filme segue a histria de Amlia, uma rapariga lisboeta, que no dia do seu aniversrio perde o emprego e o namorado. A sua vida familiar tambm no fcil, mas com a oportunidade de um novo emprego Amlia recomea uma nova etapa onde ter de lidar com vrios pretendentes. Muitas emoes, peripcias e cantorias so os elementos certos para um final feliz.

  • 12

    JOHN fROmDE JOO NICOLAUESTREIA A 3 DE mARO

  • 13

    Jonh From, a segunda longa-metragem do realizador Joo Nicolau, chega este ms s salas de cinema. Depois da curta Gambozinos, premiada em Cannes, na Quinzena dos Realizadores, em 2013, o cineasta debrua-se sobre a paixo juvenil, evocando que este um filme assumidamente ldico e pdico. A histria centra-se em Rita, uma jovem de 15 anos que passa o Vero na cidade, apanhando banhos de sol e convivendo com a sua melhor amiga. O seu mundo transforma-se quando v a exposio de um novo vizinho no centro comunitrio. Protagonizado pelas jovens atrizes Jlia Palha e Clara Riedenstein, conta ainda no elenco com Filipe Vargas, Leonor Silveira e Adriano Luz. Ana figueiredo

  • 14

    CONSERvATRIO fAz

    180 ANOSDesde o sculo XVII, a palavra conservatrio ganhou, na maior parte da Europa, o significado de escola de msica. Porm, os primeiros conservatrios eram locais religiosos de acolhimento e ensino de rfos, com uma forte componente de ensino de msica sacra. Em Portugal, foi graas ao de Joo Domingos Bontempo (1771-1842) que em 1835 nasce o Conservatrio de Msica, junto da Casa Pia em Belm. No ano seguinte, Almeida Garrett cria o Conservatrio Geral de Arte Dramtica, onde includa a Escola de Msica e a nova Escola de Dana, artes fundamentais para a representao de pera, fortemente em voga poca. Hoje, a Escola de Msica do Conservatrio Nacional (EMCN) continua a ser uma das principais instituies pblicas de ensino musical, mantendo algumas joias patrimoniais que revelamos nas pginas seguintes. Entre os dias 17 e 19 deste ms, a EMCN apresenta o programa Os Dias do Conservatrio, uma programao intensiva de concertos, recitais, conferncias, filmes, feira do livro e do disco e mercado musical, tambm destinada a angariar fundos para a to necessria conservao do edifcio.

    Reportagem TOmS COLLARES PEREIRA Fotografia HUmBERTO mOUCO

  • 15ttulo

    rgo portativo napolitano

    Reza a histria que este um dos seis rgos portteis encomendados por D. Joo V a um fabricante de Npoles, para a inaugurao da Baslica do Palcio de Mafra,

    dado que os rgos monumentais daquele convento no ficaram prontos a tempo da cerimnia. Um exemplar idntico encontra-se na Igreja do Socorro.

  • 16 ttulo

    Retrato de Marcos Portugal

    De autor desconhecido, provavelmente pintado no sculo XVIII, um raro retrato de juventude de um dos maiores e mais prolficos compositores portugueses. Deixou escritas mais de 40 peras e uma grande

    diversidade de outras peas entre as quais se conta o Hymno Patritico (1809), considerado o primeiro hino oficial de Portugal.

  • 17ttulo

    Piano Bechstein

    Este magnfico exemplar data de finais do sculo XIX e foi durante dcadas o principal instrumento de concerto da EMCN, onde tocaram ilustres msicos como Poulenc ou Vianna da Motta.

    No interior distinguem-se as assinaturas de concertistas que o usaram. Precisa de uma grande restaurao, neste momento incomportvel para a EMCN.

  • 18

    Violoncelo do rei D. Lus I

    Instrumento do sculo XIX, de autor desconhecido. A caixa apresenta uma etiqueta onde se pode ler: Suite de S. M. Le Roi de Portugal, junto com alguns selos alfandegrios.

    Permanece em uso, condio essencial para a sua conservao.

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    dia 17Cinema ParadisoTeatrinho do Conservatrio NacionalArgumento e realizao: Giuseppe TornatoreMsica: Ennio Morricone10h

    Os nossos diasSalo Nobre do Conservatrio NacionalRecital por alunos da Escola de Msica do Conservatrio Nacional11h

    Affetti BarocchiSalo Nobre do Conservatrio NacionalConcerto com Ensemble Pictrico e Camerata DropDIBasso14h30

    Modernismo e o reportrio pianstico: Busoni e o m