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Agroecologia: princípios e desafios conceituais - · PDF fileEmpresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Associação Brasileira

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  • Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaMinistrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    Associao Brasileira de Agroecologia

    Agroecologia Princpios e reflexes conceituais

    Joo Carlos Costa GomesWilliam Santos de Assis

    Editores Tcnicos

    Embrapa Braslia, DF

    2013

  • Exemplares desta edio podem ser adquiridos na:

    Embrapa Informao TecnolgicaParque Estao Biolgica (PqEB), Av. W3 Norte (final)CEP 70770-901 Braslia, DFFone: (61) 3448-4236Fax: (61) 3448-2494www.embrapa.br/[email protected]

    Instituies responsveis pelo contedoEmpresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaAssociao Brasileira de Agroecologia

    Unidade responsvel pela edioEmbrapa Informao Tecnolgica

    Coordenao editorialSelma Lcia Lira BeltroLucilene Maria de AndradeNilda Maria da Cunha Sette

    Superviso editorialErika do Carmo Lima Ferreira

    Reviso de textoLetcia Ludwig Loder

    Normalizao bibliogrficaCelina Tomaz de CarvalhoMrcia Maria de Arajo Souza

    Projeto grfico e capaRalfe Braga

    Editorao eletrnicaLeandro Sousa Fazio

    1 edio1 impresso (2013) 1.000 exemplares

    Comit Editorial da Coleo Transio Agroecolgica

    PresidenteJoo Carlos Costa Gomes(Embrapa Clima Temperado)

    Vice-presidenteJos Antnio Costabeber (in memoriam)(ABA-Agroecologia/Universidade Federal de Santa Maria)

    MembrosCarlos Alberto Barbosa Medeiros (Embrapa Clima Temperado)

    Claudenir Fvero (ABA-Agroecologia/Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri)

    Erika do Carmo Lima Ferreira (Embrapa Informao Tecnolgica)

    Irene Maria Cardoso (ABA-Agroecologia/Universidade Federal de Viosa)

    Mario Artemio Urchei (Embrapa Meio Ambiente)

    Maria Emlia Lisboa Pacheco (ABA-Agroecologia/Federao de rgos para Assistncia Social e Educacional/Conselho Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional)

    Marcos Flvio Silva Borba (Embrapa Pecuria Sul)

    William Santos de Assis (ABA-Agroecologia/Universidade Federal do Par)

    Todos os direitos reservadosA reproduo no autorizada desta publicao, no todo ou em parte,

    constitui violao dos direitos autorais (Lei n 9.160).

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP).Embrapa Informao Tecnolgica

    Agroecologia : princpios e reflexes conceituais / editores tcnicos, Joo Carlos Costa Gomes, William Santos de Assis. Braslia, DF : Embrapa, 2013.245 p. : il. color. ; 16 cm x 22 cm. (Coleo Transio Agroecolgica ; 1).

    ISBN 978-85-7035-257-6

    1.Agricultura sustentvel. 2.Desenvolvimento sustentvel. 3.Meio ambiente. I.Gomes, Joo Carlos Costa. II.Assis, William Santos de. III.Associao Brasileira de Agroecologia. IV.Coleo.

    CDD 577.55

    Embrapa 2013

  • Ao longo dos 40 anos de sua existncia, a Embrapa acumulou mritos, reconhecidos mundialmente, por sua contnua contribuio agricultura e sociedade brasileira. Os ganhos de nossa agricultura, em termos de produtividade, alcanados graas contribuio de tec-nologias geradas por um ecltico quadro de especialistas que atuam nos centros de pesquisa da Empresa, tornaram o Pas referncia mun-dial na produo de alimentos, fibras e energia.

    Nesses 40 anos, muitos desafios foram enfrentados. Um deles foi a institucionalizao da pesquisa para a consolidao de sistemas de produo de base ecolgica. Esse processo, ainda que j existente na Empresa de forma dispersa,ganhou forma e contedo a partir de 2005, com a elaborao do Marco Referencial em Agroecologia, pro-duto de uma ao concertada com a parceria entre vrias instituies do Estado e a sociedade. Hoje, a pesquisa para a consolidao da base cientfica da Agroecologia est definitivamente incorporada em nossa pauta de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovao e de Transferncia de Tecnologia.

    Atualmente, a Embrapa est ajustando a programao de pesquisa ao formato de grandes portflios, que tratam dos temas relevantes para a agricultura e a sociedade brasileira. Um deles o Portflio de Pesquisa em Sistemas de Produo de Base Ecolgica, que tem como objetivo fomentar, organizar e articular as vrias iniciativas

    Apresentao

  • sobre esse tema no mbito interno da Embrapa, alm de fortalecer as parcerias com outras instituies pblicas, universidades e representa-es da sociedade. Tudo isso servir de suporte cientfico para o Plano Nacional de Agroecologia e Produo Orgnica (Planapo), recente-mente lanado pelo Governo Federal.

    O lanamento desse primeiro volume da Coleo Transio Agroecolgica, produto de parceria da Embrapa com a Associao Brasileira de Agroecologia (ABA), concretiza a abertura de um espao de valorizao e divulgao de trabalhos que consolidem a Agroecologia como enfoque cientfico, contribuindo, assim, com o embasamento cientfico para agriculturas mais sustentveis.

    A Coleo ajudar, com certeza, a superar novos desafios, entre os quais o de fortalecer a abordagem territorial em programas de pes-quisa, desenvolvimento e transferncia de tecnologia. Essa estratgia, j praticada em outros pases, ainda necessita ser fortalecida no Brasil, no mbito das polticas pblicas e nas prticas das organizaes da sociedade. Outro desafio, igualmente importante, levar os princ-pios da Agroecologia para alm dos espaos j consagrados, inclusive para outros estilos de agricultura. Assim, o debate que se estabelece com esta publicao vai nos ajudar a avaliar que conhecimentos da Agroecologia podem ser universalizados para tornar os sistemas de produo mais sustentveis.

    Mauricio Antnio Lopes Presidente da Embrapa

  • Prefcio

    Despertar antes que seja tarde. Com esse ttulo eloquente, o mais recente relatrio da Conferncia das Naes Unidas sobre Comrcio e Desenvolvimento (Unctad)1 no d margem a dvidas com relao necessidade de urgentes e radicais mudanas nas orientaes cientficas e polticas que moldam os modernos siste-mas agroalimentares. O relatrio reitera e aprofunda concluses de outros documentos de igual relevncia, divulgados pelas Naes Unidas depois da crise alimentar de 2008.

    Ao enfocar, por diferentes ngulos, os crticos desafios que se apresentam para a agricultura no sculo 21, esses documentos concordam que a matriz cientfica e tecnolgica da modernizao agrcola incapaz de oferecer respostas adequadas tendncia de acentuao das crises alimentar, energtica, ecolgica e climtica que se alastram como fenmenos de propores globais na histria ambiental contempornea.

    Como afirma o documento da Unctad, solues rpidas baseadas no slogan mais alimentos com menos custo para o meio ambiente no sero suficientes para o equacionamento dessa conjuno de crises. Para seus autores, as tragdias da fome e da desnutrio, que voltam a ocupar lugar de destaque na agenda

    1 UNITED NATIONS CONFERENCE ON TRADE AND DEVELOPMENT. Trade and Environment Review 2013: wake up before it is too late: make agriculture truly sustainable now for food security in a changing climate. Geneva, 2013. Disponvel em: . Acesso em: 12 nov. 2013.

  • poltica internacional, no podem ser atribudas deficincia de produo alimentar. De fato, segundo as Organizaes das Naes Unidas para Alimentao e Agricultura (FAO), a demanda por ali-mentos por parte da populao mundial poderia ser sobejamente atendida com os volumes de alimentos atualmente produzidos. Portanto, os argumentos que defendem que somente uma Segunda Revoluo Verde seria capaz de incrementar a produo agrcola para alimentar o planeta no conjuminam com o diagnstico que aponta para a persistncia da fome em um mundo com abundncia de alimentos.

    Uma situao paradoxal como essa exige transformaes profundas nos sistemas de produo, distribuio e consumo de alimentos. Alm de assegurar a manuteno de nveis produtivos adequados, preciso simultaneamente promover maior equidade na distribuio da riqueza social gerada no setor agroalimentar. sem dvida fundamental aumentar o poder de compra das parcelas mais empobrecidas das sociedades contemporneas, mas pre-ciso tambm elevar os nveis de autossuficincia em alimentos de significativa parte das populaes rurais, nas quais, tambm parado-xalmente, concentram-se 70% do universo de famintos e desnutridos no mundo.

    No presente contexto histrico, em que os nveis de segurana alimentar e nutricional oscilam de forma errtica de um ano para o outro e de regio para regio, a produo e o abastecimento de alimentos apresentam-se como os elos mais vulnerveis na articula-o entre a crise econmico-financeira e a crise ecolgico-climtica. Nesse sentido, a fome em meio abundncia revela a existncia de uma nica crise de carter sistmico, complexo e multidimensional, ao mesmo tempo em que explicita o fato de que a agricultura indus-trial est no centro desse cenrio de crise, no qual assume o duplo papel de algoz e de vtima.

    Para caracterizar o impasse criado por essas crises inter-rela-cionadas, que se alimentam reciprocamente em crculos viciosos, os

  • pesquisadores envolvidos na elaborao da Avaliao internacional sobre conhecimento, cincia e tecnologia agrcola para o desenvol-vimento (IAASTD)2 adotaram outra sugestiva imagem para intitular seu trabalho: A agricultura em uma encruzilhada.

    Segundo esse extenso estudo, o caminho mais seguro a ser trilhado diante dessa encruzilhada aquele que busca alavancar a multifuncionalidade da agricultura para guiar as trajetrias de desenvolvimento rural. Na prtica, isso implica superar a perspecti-va produtivista veiculada pelo paradigma da modernizao agrcola e passar a adotar uma abordagem multifocada que desenvolva e oriente as transformaes nos padres de organizao social, tc-nica e econmica dos agroecossistemas. Para os autores da IAASTD (2009), avanos nessa direo exigem, entre outras medidas polticas e institucionais, a reformulao dos sistemas de produo de conhe-cimentos, cincia e tecnologia para o desenvolvimento agrcola, de forma que a complexidade dos sistemas agropecurios em contextos socioambientais diversos seja contemplada. J no Su

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