Click here to load reader

Aindústria de máquinas agrícolas no Brasil- oriien~e evõIuçao · PDF file4.A indústria de tratores agricolas ... de crescimento da de-manda de maquinaria ... •inovações tecnológicas

  • View
    214

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of Aindústria de máquinas agrícolas no Brasil- oriien~e evõIuçao...

  • artigo1. Introduo;

    2. Orizens e evoluo do setor;3. Aspectos da difuso do progresso tecnolgico na

    agricultura brasileira;4. A indstria de tratores agricolas - progresso

    tcnico e estrutura de mercado;5. Consideraes finais.

    A indstria de mquinasagrcolas no Brasil- oriien~e

    evIuao

    Joo A mato NetoProfessor na Escota de Engenha1il, de &ToCarlos, Departamento

    de Engenhartl de Produo, da USP

    1. INTRODUO

    Este ensaio constitui-se em uma tentativa de caracte-rizao do comportamento da indstria de mquinas agr-colas em geral, setor este Que, por suas caractersticaspeculiares, ganha notvel destaque dentro do chamadocomplexo agroindustrial, alm de se apresentar como umdos componentes vitais do processo de modernizaoagrcola (com a crescente penetrao do capital no cam-po), cujo desenvolvimento vem ocorrendo com maior in-tensidade a partir da dcada de 60, em nosso pas.

    Antes, porm, de um maior detalhamento e explica-o do objeto de estudo, cabe ressaltar que a questo damodernizao da agricultura no Brasil, ocorrida commaior intensidade no perodo citado, apresenta um signi-ficado muito mais amplo do que aquele relacionado comas modificaes realizadas apenas na chamada base tc-nica da produo, refletidas, por exemplo, na substitui-o das tcnicas agrcolas mais tradicionais e rudimen-tares por mtodos e equipamentos modernos (o arado detrao animal pelo trator e demais implementos; o estru-me pelo adubo qumico etc.), O processo de moderniza-o capitalista implica, necessariamente, mudanas nasformas de organizao da produo no que diz respeitos relaes sociais (e no apenas tcnicas). No entanto,Questes no menos importantes como a composio e

    Rev. Adro. Empr.

    a utilizao do trabalho no campo, a transformaco daspropriedades rurais, no que tange ao seu tamanho e sua forma de organizar a produo, alm de outras, nose constituiro no eixo central das anlises que se pre-tende realizar, sendo, todavia, aspectos relevantes que,direta ou indiretamente, esto relacionados com o setorindustrial escolhido para o estudo.

    Dentre os vrios aspectos que podem justificar umaateno especial voltada para a anlise desta indstria,que compreende desde a produo de tratores, colheita-deiras, cultivadores motorizados, at uma gama diversifi-cada de implementos e ferramentas agrcolas (ver anexo1), podemos salientar, a propsito, alguns pontos conti-dos no 111Plano Bsico de Desenvolvimento Cientficoe Tecnolgico (111PBDCT), no captulo referente in-dstria de. bens de capital, especialmente no subitemMquinas agrcolas. So os seguintes os aspectos que jus-tificariam considerar tal subsetor da indstria nacionalcomo prioritrio para as aes de apoio 'ao desenvolvi-mento tecnolgico:

    1. prioridades governamentais dadas agricultura (ali-mentos para consumo interno), energia (fonte de bio-massa), ao balano de pagamentos (exportao de ali-mentos e substituio, via biomassa, de insumos energ-ticos importados) e aos aspectos sociais;

    2. perspectivas, segundo a FAO, de crescimento da de-manda de maquinaria agrcola, taxa de 10% ao ano,por parte dos pases em desenvolvimento (at o ano2000), significam a abertura de grande potencial expor-tador para o subsetor industrial, que dever estar capa-citado tecnologicamente para aproveit-lo;

    3. necessidade de aumento da produo (ampliao dafronteira agrcola) e da produtividade agrcola, que setraduz pela exigncia de se elevarem os ndices de meca-nizao, hoje ainda extremamente baixos. Apenas 10 a15% da rea agricultvel brasileira - que totaliza cercade 400 a 500 milhes de hectares - utilizada, dispondoo pas de uma frota da ordem de 430 mil tratores (cercade 25% tm mais de 10 anos de uso e cerca de 70% tmidade superior a cinco anos). O ndice de mecanizaomdio, no Brasil, de um trator para aproximadamente112 hectares, muito inferior ao de outros pases: na In-glaterra, a relao de 1:19; na Frana, de 1:13 e na No-va Zelndia, de um trator para cada 7 hectares;

    4. baixa qualidade mdia do equipamento nacional, mui-tas vezes fabricado de modo artesanal e com concepesinadequadas aos sistemas de produo agrcola brasileiros:

    5. importncia que as pequenas e mdias empresas assu-mem no setor industrial, especialmente no que se refere produo de implementos, equipamentos agrcolasem geral, componentes e peas para tratores e colheita-deiras combinadas auto motrizes;

    16. importncia da mecanizao como agente indutor deinovaes tecnolgicas nos sistemas de produo agrco-la e respectivas conseqncias econmicas e sociais. Sodiversos os exemplos de inovaes na tecnologia impl-cita na maquinaria que .se traduzem em alteraes pro-

    Rio de Janeiro, 25 (3): 57-69 jul./set. 1985

  • fundas na prpria tecnologia agrcola adotada nos siste-mas de produo, elevando a eficincia destes ltimos.'

    Alm dos aspectos abordados anteriormente, umoutro conjunto de razes vem ratificar a importnciadesse setor industrial vis--vis os demais ramos de atvida-]des do sistema econmico. Dentre eles podemos desta-car: a sua notvel contribuio em termos de gerao derenda (o faturamento do setor no ano de 1983, segundoo Sindicato da Indstria de Mquinas Agrcolas do RioGrande do Sul, foi da ordem de Cr$ 100 bilhes em todoo pas) e o nmero de empresas que compilem esse sub-setor da ordem de 350.1

    Pretende-se, de incio, caracterizar em que condi-es, no s do ponto de vista estritamente econmico,mas tambm institucional, foi implantada a indstria demquinas agrcolas no pas, e quais os principais condi-cionantes que influenciaram a sua evoluo at os diasatuais. Optou-se, a propsito, pela anlise retrospectivada evoluo dessa indstria, enfocando, primeiramente,a indstria de tratores agrcolas (a mais significativa den-tre todas), posteriormente a de colheitadeiras automotri-zes e por fim a de implementos agrcolas.

    Em seguida a anlise se concentrar em uma breveincurso sobre os condicionantes e os obstculos que seimpem ao processo de difuso das modernas tecnolo-gias na agricultura brasileira nos ltimos anos, buscandoevidncias sobre em que medida estas questes afetam,de modo especial, a indstria de mquinas e implemen-tos agrcolas, visto que seus prprios mercados so in-fluenciados pelo carter e pelo alcance desse processo dedifuso.

    Finalmente, o estudo se voltar para a anlise de ca-rter exploratrio da estrutura bsica e da dinmica defuncionamento do segmento mais importante desse setorindustrial, a saber: a indstria de tratores agrcolas. Paratanto, sero ressaltados os aspectos do progresso tecnol-gico, a nvel de transformaes no processo produtivodas empresas e, tambm, de melhoras no prprio projetodo produto; por outro lado, ainda, sero evidenciados al-guns traos mais significativos da estratgia mercadolgi-ca dessas empresas (diversificao na linha de produtos,esforo de vendas atravs da utilizao da publicidade ede canais de distribuio dos seus produtos etc.).

    2. ORIGENS E EVOLUO DO SETOR

    No perodo que vai desde a 11Guerra Mundial at o in-cio de 1965 ocorreram muitas e profundas mudanas nocenrio econmico, e o Brasil passou a caminhar decisi-vamente para etapas mais avanadas da industrializaomoderna. Grandes empreendimentos, liderados principal-mente pela figura do Estado (que tambm surge nos anos30 como o novo e dinmico agente econmico), foramsurgindo; um aps outro: Companhia Vale do Rio Doce,Companhia Nacional de lcalis, Companhia SiderrgicaNacional etc. Segundo Jos Serra, um conjunto de con-dies constituiu-se no fator decisivo para este surto dedesenvolvimento:

    "a) a base relativamente ampla do mercado domstico,aumentada significativamente nos anos 30;

    58

    b) as polticas fortemente protecionistas em relao indstria domstica e de apoio substituio de impor-taes;

    c) os investimentos estatais, seja na infra-estrutura deenergia e trasnportes ou diretamente na produo de in-sumos bsicos;

    d) a entrada massiva de capital estrangeiro na produode bens manufaturados destinados ao mercado interno(sobretudo a partir de meados dos anos 50);

    e) os fortes incentivos e subsdios fiscais, creditcios ecambiais ao investimento privado na indstria;

    f) o crescimento da oferta agrcola, a uma taxa mdia su-perior a4% ao ano sem que o setor demandasse um volu-me significativo de investimentos e recursos financeiros". 2

    Este vertiginoso crescimento industrial ganhou ummaior impulso no governo JK dos anos 50, com o seu"Plano de Metas". O propsito de compensar o atrasoem relao aos pases j industrializados levou a econo-mia brasileira a sofrer transformaes estruturais decisi-vas para o seu futuro. Medidas oficiais como a criao daPetrobrs (1953), surgindo O monoplio estatal do pe-trleo, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ-mico, que tinha a funo primordial de "apoiar a amplia-o da infra-estrutura de transportes e energia", a Instru-o n? 113 (1955) da Sumoc, que possibilitou s empre-sas estrangeiras aqui sediadas importarem mquinas eequipamentos sem cobertura cambial, constituram-se,alm de outras, nos principais fatores do desenvolvimen-to capitalista no Brasil. Estavam, desta forma, lanadasas bases para o crescimento acelerado de nossa econo-mia, tendo como suporte financeiro o trip formado pe-lo capital estrangeiro, pelo Estado e pelo capital privadonacional, sendo os dois primeiros predominantes.

    Faz-se oportuno salientar que neste contexto de au-ge econmico, a facilidade com que os fluxos do comr-cio internacional foram dinamizados provocou um boomde Importao de mquinas e equipamentos de toda es-pcie. Desta forma, as inovaes e os avanos tecnolgi-cos embutidos em tais produtos foram tambm sendotransferidos para o Brasil e, na medida do possvel, fo-ram sendo assimilados internamente, o que possibilitouum enorme salto qualitativo e uma expanso consider-vel nas indstrias bsicas como a siderrgica, qumicapesada, a de metais no-ferrosos, e tambm na indstriade mquinas operatrzes em geral.

    A implantao da indstria automobilstica signifi-cou um ma