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Alicerce para formao em exatasAlunos de todo o campus passam pelo ICMC para cursar as matrias bsicas de sua formao

Dinossauros interligampassado e futuro

Lies do professorLadeira

A paixo de um motorista pelos trens

julho, agosto e setembro de 2013 ano 14 nmero 102

icmcotidi@no - 102

Diretor do ICMC: Prof. Dr. Jos Carlos MaldonadoVice-diretor do ICMC: Prof. Dr. Alexandre Nolasco de CarvalhoJornalista responsvel/Editora: Denise Casatti Mtb 39810Redao: Fernanda Vilela, Denise Casatti, Neylor Fabiano e Renata BertoldiArte e diagramao: Lucas GuedesReviso: Glauciema Machado e Rosana VieiraConselho editorial: Anderson Alexandre, Denise Casatti, Giovano Cardozo, Gislene Fracolla, Glauciema Machado, Livia Rodrigues, Maria Fernanda Marreta, Neylor Fabiano, Renata Bertoldi, Rosana Vieira, Silvio PomimImpresso: Grfica MethaTiragem: 500 exemplares

O ICMCotidi@no uma publicao trimestral do Instituto de Cincias Matemticas e de Computao (ICMC) da USP. Todos os direitos reservados. Av. Trabalhador So-carlense, 400. So Carlos, SP. Tel: (16) 3373.9666 comunica@icmc.usp.br

Bem-vindo ao novo ICMCotidi@no

Os leitores podem at se assustar um pouco ao folhearem esta edio 102 do ICMCotidi@no. Fotos maiores, textos mais arejados, uma letra que facilita a leitura, pginas repletas de pequenas matrias e em outras caixas de textos (os famosos boxes) com informaes adicionais sobre os temas ali tratados.Os nomes das sees as editorias tambm mudaram: no lugar da entrevista, chegou Abre aspas; onde havia pesquisa agora temos Descobrindo; os eventos realizados podem ser vistos em Voc viu; as homenagens e premiaes transformaram-se em Reconhecimento e sees novas foram criadas tais como Talentos, Drops e Click.Tantas novidades foram estudadas com carinho pelo nosso conselho editorial em debates animados por pessoas que tentam tornar esta revista o que ela de fato : um canal de comunicao aberto participao e contribuio de toda a comunidade ICMC. Esperamos que voc aprecie este exemplar que chegou s suas mos e encontre aqui textos e imagens que o faam ter aquela sensao agradvel que toma conta da gente ao ler bons textos e apreciar belas imagens. Conte o que voc achou das novidades e mande suas sugestes por e-mail (comunica@icmc.usp.br).

Denise Casatti

Capa pginaAlunos de todo o campus passam pelo ICMC para cursar

uma ou mais das nossas 15 disciplinas de servio

Voc viu? pginaExposio Cabea Dinossauro

fica em cartaz at dia 30 de novembro

Mundo pginaNa misso Inglaterra, docentes

do ICMC visitam sete universidades britnicas

Talentos pginaO significado dos trens

na vida de um motorista

Ao Leitor

Contedo

icmcotidi@no - 102

Em busca do brilho nos olhosEle dedica-se a ensinar quem ensina. Mesmo quando se aposentou, em 2010, no abandonou a sala de aula e

continua at hoje ministrando uma disciplina no Mestrado Profissional em Matemtica em Rede Nacional (PROFMAT), destinado a professores do Ensino Mdio. Nesta entrevista, Luiz Augusto Ladeira revela a frmula mgica para manter vivo

esse entusiasmo pela arte de ensinar: Procuro o brilho nos olhos dos alunos, daqueles que tm vontade de aprender.

Por Denise Casatti

As lies desse professor do ICMC vo muito alm das frmulas matemticas. Sua trajetria mistura-se com a histria do Instituto, onde ingressou para cursar mestrado em 1973. A escolha pela carreira aconteceu quando ainda estava Ensino Mdio. Foi a que se encantou pela matemtica, ao encontrar professores que tinham um certo brilho nos olhos. Um brilho que, hoje, Ladeira procura encontrar nos olhos de seus alunos, tambm professores.

Para algum que sempre foi tmido como ele, enfrentar uma sala de aula repleta de alunos sem se amedrontar uma experincia repleta de significado. Lembra-se da primeira vez que sentiu essa emoo. Estava no terceiro andar do prdio da Escola de Engenharia de So Carlos (EESC) para ministrar a disciplina Clculo I a estudantes dos cursos de Engenharia Civil, Mecnica e Eltrica. Eu sa de l nas nuvens. Falei: eu consigo! Como diz o Obama: sim, ns podemos, brinca Ladeira.

Na entrevista a seguir, ele compartilha experincias como essa em meio a muitas outras lies de vida.

O que o levou a cursar Licenciatura em Matemtica na Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras de Rio Claro, que atualmente uma unidade da UNESP?

Ser professor de matemtica era um negcio que me atraa porque eu tinha uma admirao por alguns professores do Fundamental e do Ensino Mdio. Lembro-me de uma professora de matemtica do Fundamental, Dona Helena. Ela no era formada em matemtica, aprendeu por gosto e a prestou um exame, antigamente havia uma espcie de exame de suficincia que habilitava as pessoas a darem aulas. Alis, duas professoras que eu tive nessas condies se tornaram modelos para mim. A outra foi uma professora do Cientfico que dava aula de desenho geomtrico. Ela se formou como professora primria e pegou algumas apostilas de desenho. Ela dava aula com gosto matemtico, no era aquela aula burocrtica. E quando a gente v um professor com brilho nos olhos, a gente se encanta pela matria. Teve ainda a professora Amris, no Cientfico, que era formada em matemtica em Rio Claro.

Sou fantico por estar aqui, muito agradvel. Vamos aproveitar para subir no prdio da biblioteca e ver aquele Ip amarelo antes que as flores caam...

Den

ise

Cas

atti

icmcotidi@no - 102

Quando comea sua trajetria no ICMC?

Entrei no ICMC em 1973 para o Mestrado em Matemtica. Em 1974, comecei a trabalhar como Auxiliar de Ensino, uma posio que no existe mais na USP: naquele ano foram contratados tambm o Dide (Oziride Manzoli Neto), a Neide (Bertoldi), j aposentada, o Joo Saho e a Maria Alice Bozola, que se transferiu para a Unicamp.

Naquela poca, era difcil trazer doutores para c: quem tinha o doutorado geralmente preferia ficar perto das cidades do Rio de Janeiro e So Paulo, que eram centros j consolidados em matemtica. Em uma conversa, o professor Odelar Leite Linhares, que foi diretor aqui de 1982 a 1986, comentou que era difcil atrair professores estrangeiros: tambm preferiam o Rio.

Por isso, a poltica do departamento foi contratar auxiliares de ensino. Na medida do possvel, esse pessoal depois era enviado para o exterior para obter o doutorado: o Oziride foi o primeiro a seguir essa linha.

Como essa histria comeou a mudar e o ICMC se tornou o que hoje?

A prpria criao da EESC aconteceu por causa da carncia de escolas no interior do Estado. So Carlos , digamos, uma regio estratgica, quase no centro de So Paulo. Ento, passamos a atrair muitos alunos e a comeou essa expanso com a criao de novos cursos de engenharia e, dois anos antes de eu chegar aqui, j havia um clima para criar o ICMC. Nesse tempo, a ps-graduao tambm era pouco desenvolvida no Pas e como o ICMC passou a oferecer mestrado e doutorado, todo esse pessoal do norte do Estado e do sul de Minas veio para c. Passamos a atender muita gente e houve uma poca em que cerca de 50% dos professores de matemtica das universidades passavam aqui pelo mestrado ou pelo doutorado. Com isso veio a criao de mais cursos, o que motivou uma expanso muito grande.

Houve algum desafio marcante no comeo da sua carreira?

No ano em que comecei a dar aula, alm da disciplina Clculo I, o meu orientador do mestrado Antonio Fernandes Iz - tinha viajado para os EUA e me deixou uma matria terrvel para ministrar: Matemtica Aplicada I. Eu no sabia direito nem matemtica, nem aplicada e fui dar aula para Engenharia Eltrica, que naquele tempo no era uma turma fcil. Por ser um dos cursos mais procurados daqui, havia alunos excelentes. Um deles foi o professor Jos Carlos Maldonado (atualmente, diretor do ICMC); posteriormente, o Alexandre Nolasco de Carvalho (atualmente, vice diretor do ICMC), o Francisco Jos Monaco, o Alexandre Delbem. Tambm cursavam essa disciplina os alunos do curso de Matemtica, entre eles a professora aposentada Sandra Maria Semensato de Godoy.

Como os alunos o recebiam? Era boa essa sensao de dar aulas na USP?

Eu estava dando aula em uma das melhores escolas do pas, o que me enchia de orgulho. Eu fazia tudo o que era possvel para melhorar. claro que eu passei uns tempos a criando m impresso em alguns alunos porque eu sempre fui bravo em sala de aula com quem no se comportava. Mas teve um dia em que eu fiquei feliz da vida: estava conversando com uma aluna e ela me contou que havia encontrado um ex-aluno meu que foi tambm professor dela. Ele perguntou quem dava aula de Clculo. A aluna respondeu que era o Ladeira e meu ex-aluno disse: ele um paizo! Eu pensei: nossa, no sou to mau assim! Mas eu no consigo me livrar disso: eu acho que quem est em sala de aula tem que aproveitar ao mximo o fato de estar l.

Qual a relevncia das experincias que voc teve no exterior?

De 1989 a 1991, fiz ps-doutorado em Atlanta, nos Estados Unidos, no Instituto de Tecnologia da Gergia. Depois, retornei aos Estados Unidos em 1996 e passei um perodo em Claremont, um pequeno paraso na Califrnia. Essa experincia no exterior muito importante para a gente ganhar independncia, ver um ambiente novo, enxergar uma nova maneira de dirigir uma universidade no que se refere pesquisa e entrar em contato com outras lideranas. muito saudvel. Eu sempre estimulo as pessoas a fazerem isso. Agora temos algo melhor ainda, nossos alunos de graduao podem ir ao exterior. Eu fico muito feliz porque uma oportunidade de ter um contato cultural com outras maneiras de ver o mundo.

Em relao pesquisa, eu trabalhei l com Jack Hale, uma das pessoas mais importantes na minha rea (Anlise). E tive contato com muitos outros pesquisadores. Foi depois disso que orientei a Sueli Mieko Tanaka