ALIMENTOS E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

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  • ALIMENTOS E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

    Nelson Pereira BATISTA Filho

    Especialista em Direito e Processo do Trabalho (MBA) Professor Universitrio no Centro Universitrio de

    Araras Dr. Edmundo Ulson (UNAR).

    RESUMO

    Os alimentos, Pela amplitude da matria, focou-se nas situaes emergenciais das pessoas que

    necessitam de auxlio de outrem para subsistir com o mnimo de dignidade.

    A Constituio Federal busca atentamente salvaguardar diversos bens e direitos dos

    indivduos. Assim, a vida o bem com maior necessidade de amparo, haja vista que ao

    salvaguardar a vida, o constituinte originrio salvaguardou tambm a sade, o nascituro, entre

    outros institutos intimamente ligados a estes.

    O dever de amparo no se restringe na mantena do ser humano com os alimentos

    propriamente ditos. Afinal, h que ser mencionado o dever de amparo em sua ampla

    abrangncia, tais como alimentao, vesturio, educao (quando referir-se a dependentes

    menores), entre outros, como ser abordado no presente artigo.

    No mundo jurdico, os alimentos possuem vrios tipos de instrumentos a serem utilizados,

    como exemplo, citam-se os instrumentos acautelatrios, os de conhecimento, a tutela

    antecipada, os alimentos provisrios e provisionais e os alimentos gravdicos; alm de demais

    peculiaridades, como o auxilio recluso, a penso da previdncia social, entre outros.

    Todos os institutos mencionados acima sero abordados no momento oportuno na presente

    pesquisa.

    Portanto, a presente pesquisa busca-se demonstrar a necessidade dos alimentos para a

    mantena de alguns seres humanos, os quais ficariam merc de experimentar rdua

    misria, caso no estivessem ao seu alcance o instrumento jurdico que a viabilizasse a busca

    por uma vida com o mnimo de dignidade.

    PALAVRAS-CHAVE: Alimentos Dignidade - Subsistncia - Necessidade.

    Desenvolvimento

    A evoluo dos alimentos atravs de sua origem histrica demonstra de

    forma clara os momentos sociais em que estes comearam a fazer parte da sociedade.

    Os alimentos de maneira indireta retira parte do nus estatal de prover o

    bem estar de todos, incluindo uma subsistncia com dignidade, transmitindo referido encargo

    para os familiares mais prximos, como ser visto no momento oportuno.

  • Diante de tamanha importncia para toda a sociedade, os alimentos vm

    ganhando seu espao no mundo jurdico dia aps dia, alm de estar em constante mutao e

    atualizao com as necessidades bsicas e essncias do indivduo.

    A dignidade da pessoa humana o foco, bem como demonstrar de maneira

    ntida e coerente a urgncia daqueles que necessitam da ajuda de outrem para prover o seu

    sustento.

    H que se falar que h a necessidade de grande melhoria nos rgos

    judicirios para que haja uma efetiva prestao de servio clere. Contudo, perto do caos em

    que o rgo jurisdicional vem experimentando, visvel a diferenciao entre as aes

    alimentares e demais aes.

    Dos Alimentos

    Os alimentos propriamente ditos so essenciais para a mantena da vida,

    bem este indisponvel e amparado pelo ordenamento jurdico constitucional buscado por

    aqueles que tanto necessitam de amparo de outrem para que possam viver com o mnimo de

    dignidade.

    Segundo Guimares (2009, p. 39):

    Alimentos Integra este instituto, no sentido jurdico, tudo o que for necessrio ao

    sustento de uma pessoa, o alimentando (q.v.), no s a alimentao, mas tambm

    moradia, vesturio, instruo, educao, tratamentos mdico e odontolgico;

    conforme a Jurisprudncia, incluam-se ainda neste ttulo as diverses pblicas.

    No entanto, o Cdigo Civil brasileiro, no especificou o que seria alimentos

    e qual seria sua abrangncia, tendo que ser pacificado na doutrina e na jurisprudncia, apesar

    de haver meno a respeito do tema no dispositivo referente aos legados. Nesse sentido,

    Venosa (2011, p. 357):

    O Cdigo Civil, no captulo especfico (arts. 1.694 a 1.710), no se preocupou em

    definir o que se entende por alimentos. Porm, no art. 1.920 encontramos o

    contedo legal de alimentos quando a lei refere-se ao legado: legado de alimentos

    abrange o sustento, a cura, o vesturio e a casa, enquanto o legatrio viver, alm

    da educao, se ele for menor.

    H que se mencionar que ao propor uma ao de alimentos em face de um

    ascendente, descentes, cnjuge ou qualquer parente colateral at o terceiro grau, o

    alimentando perde toda expectativa de um vnculo familiar harmonioso, fazendo com que os

  • parentes consanguneos tornem-se uma lembrana e uma mensalidade que ser depositada por

    fora de lei.

    Como j mencionado, os alimentos so imprescindveis para a

    sobrevivncia do ser humano, se assim considerados como fonte de alimentao,

    medicamentos, vesturio e educao. Assim, diante de tamanha importncia, a ao de

    alimentos, possui ritos diferenciados. (Lei 5.478/68)

    Insta mencionar uma peculiaridade dos alimentos, que diferentemente das

    demais aes existentes em todo o ordenamento jurdico civil brasileiro, h a possibilidade de

    priso civil para o devedor de alimentos, como meio coercitivo do Estado.

    Com normas rgidas no tocante ao processo que requer a prestao

    alimentcia, a coero estatal faz com que a inadimplncia diminua, mas no se extingue.

    Porm, os impactos no ncleo familiar tornam-se tormentosos, por no poder o devedor se

    esquivar de suas obrigaes sem receber uma sano, e este acaba retribuindo com desprezo e

    humilhao quele que necessita de seus alimentos.

    Assim, verifica-se de plano que a legislao brasileira referente aos

    alimentos est no caminho certo ao normatizar de forma mais rgida o dever de prestar

    alimentos. No entanto, h uma carncia para que a imposio legal fosse convertida em uma

    obrigao moral, fazendo com que os impactos morais e psquicos abrandassem, visando

    mantena do ncleo familiar harmonioso e o melhor interesse do alimentando.

    Espcies de alimentos

    Os alimentos possuem uma variao no tocante sua aplicabilidade, como

    forma de instrumento jurdico para viabilizar a busca pelas prestaes alimentcias aqueles

    que necessitam de auxilio para sobreviver.

    Segundo Cahali (1999, p. 18), a doutrina classifica os alimentos segundo

    vrios critrios; assim: I quanto natureza; II quanto causa jurdica; III quanto

    finalidade; IV quanto ao momento da prestao; V quanto modalidade da prestao.

    Esta distino feita para sopesar e quantificar a abrangncia que ser dada

    a prestao alimentcia.

    Assim, quanto natureza dos alimentos, nos dizeres de Diniz (2011, p. 633),

    so:

    a) naturais, o estritamente necessrio subsistncia do alimentando, ou seja,

    alimentao, remdios, vesturio, habitao; b) civis, se concernem a outras

  • necessidades, como as intelectuais e morais, ou seja, educao, instruo,

    assistncia, recreao.

    Diante de tal assertiva, de se concluir que os alimentos naturais, esto

    intimamente ligados no contido no 2, art. 1.694 do Cdigo Civil. Sendo devido somente o

    estritamente necessrio para a subsistncia, no abrangendo o essencial para viver com a

    dignidade da pessoa humana, quando quem os pede deu causa sua necessidade.

    Os alimentos faro parte do Direito de Famlia somente quando a obrigao

    da prestao alimentcia decorrer do parentesco consanguneo at o terceiro grau na linha

    colateral, no havendo limites em linha reta. Atualmente a doutrina classifica a causa jurdica

    como voluntria e indenizatria.

    A obrigao alimentcia ou resulta diretamente da lei, ou resulta de uma

    atividade do homem. Resultar de lei quando a obrigao derivar do parentesco e surgir

    como resultado de uma atividade do homem quando houver leso vida ou patrimnio do

    alimentando. Tendo a atividade humana como causa, a obrigao alimentcia ou resulta de

    atos voluntrios, ou de atos jurdicos (CAHALI, 1999, p. 22).

    No entendimento de Diniz (2011, p. 634), a causa jurdica pode ser:

    a) voluntrios, se resultantes de declarao de vontade, inter vivos ou causa

    mortis, caso em que se inserem no direito das obrigaes ou no direito das

    sucesses, b) ressarcitrios ou indenizatrios, se destinados a indenizar vtima de

    ato ilcito.

    Assim, conclui-se de plano que ou o dever de prestar alimentos tem seu

    surgimento com o dever moral e legal advindo do parentesco consanguneo ou civil. Ou ainda

    ter seu surgimento com algum ato ilcito que cause leso a terceiros.

    O momento da prestao ou reclamao pode ser atual ou futuro. Nesse

    mesmo sentido, Diniz (2011, p. 635), quanto ao momento da reclamao, estes podem ser a)

    atuais, se os alimentos pleiteados forem a partir do ajuizamento da ao e b) futuros, se

    devidos aps prolatada a deciso.

    Ou seja, quando se propem ao de alimentos para que o Estado/Juiz

    impute o dever de prestar alimentos, atravs de um processo de conhecimento, estes, sero os

    alimentos futuros, tendo em vista que no h uma obrigao liquida e certa para ser exigida.

    Enquanto que os alimentos atuais so aqueles em que o dever de prestar

    alimentos encontra-se amparado por uma sentena ou acordo, havendo, portanto, a

    necessidade apenas de pleite-los e no de comprovar a obrigao de alimentar.

  • A modalidade da prestao alimentcia refere-se quanto abrangncia e a

    fora do quantum a ser prestado pelo devedor. Isto , os alimentos no sentido literal da

    palavra, apenas a alimentao, essencial para a manuteno da vida do ser humano, mas

    tambm o necessrio para