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UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU ANÁLISE BIOMECÂNICA DA RESPOSTA MUSCULAR INDUZIDA POR AÇÕES EXCÊNTRICAS Autor: PAULO RICARDO GERARDO GUERREIRO Orientador: DR. RUBENS CORREA ARAUJO SÃO PAULO 2009

ANÁLISE BIOMECÂNICA DA RESPOSTA … · i PAULO RICARDO GERARDO GUERREIRO ANÁLISE BIOMECÂNICA DA RESPOSTA MUSCULAR INDUZIDA POR AÇÕES EXCÊNTRICAS Dissertação de mestrado apresentada

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  • UNIVERSIDADE SO JUDAS TADEU

    ANLISE BIOMECNICA DA RESPOSTA MUSCULAR INDUZIDA POR AES EXCNTRICAS

    Autor: PAULO RICARDO GERARDO GUERREIRO

    Orientador: DR. RUBENS CORREA ARAUJO

    SO PAULO 2009

  • i

    PAULO RICARDO GERARDO GUERREIRO

    ANLISE BIOMECNICA DA RESPOSTA MUSCULAR INDUZIDA POR AES EXCNTRICAS

    Dissertao de mestrado apresentada ao Programa de

    Ps-Graduao Stricto Sensu da Universidade So

    Judas Tadeu, como requisito parcial para obteno do

    ttulo de Mestre em Educao Fsica.

    rea de Concentrao Biodinmica do

    Movimento Humano.

    Orientador: Dr. Rubens Correa Araujo

    SO PAULO

    2009

  • ii

  • iii

    AGRADECIMENTOS

    Em primeiro lugar, com enorme admirao, agradeo ao professor Rubens Correa

    Araujo pela dedicao, comprometimento e pacincia na orientao deste trabalho.

    Ao professor Ulysses Fernandes Ervilha, pelos valiosos ensinamentos sobre

    Programao em ambiente MatLab e estatstica.

    Ao professor Valmor Trcoli, pela cooperao, pela colaborao e parceria na

    realizao desta pesquisa, alm das imprescindveis consideraes na banca de qualificao.

    Ao professor Luis Mochizuki, pelo auxlio, pela amizade e contribuio pedaggica e

    na minha formao como pesquisador, alm das importantes consideraes na banca de

    qualificao.

    A todo os professores e companheiros de laboratrio (Aline, Daniel Rogrio, Flvia,

    Jernimo, Henry, Mrcia, Mrcio Tubaldino, Moiss, Patrcia, Renata,Thais e Valmar) pela

    amizade, carinho e respeito, sempre prontos a ajudar no que fosse preciso.

    Ao professor e parceiro de pesquisa Renato Barroso pela colaborao e parceria na

    realizao deste estudo.

    Aos funcionrios do Laboratrio do Movimento Humano e da Clnica de Fisioterapia

    da Universidade So Judas Tadeu pela inesgotvel pacincia e prontido, todos os dias

    inclusive nas frias.

    Aos professores e colegas da USJT, pelos ensinamentos e pela amizade durante estes

    dois anos.

  • iv

    A minha Me, Maria Augusta Gerardo Guerreiro, pela inesgotvel fora, brio e

    personalidade sempre presente e participativa.

    A minha irm Slvia Lcia, pelo apoio, carinho, compreenso e inmeras referncias

    enviadas.

    Em especial ao meu pai, Henrique Guerreiro, que tanto lutou e se dedicou a vida

    inteira pela minha educao. Que Deus o tenha ao seu lado!

  • v

    SUMRIO

    AGRADECIMENTOS ............................................................................................................... III

    LISTA DE ABREVIATURAS .................................................................................................... VII

    LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................. VIII

    RESUMO .................................................................................................................................. XI

    ABSTRACT .............................................................................................................................. XII

    1-INTRODUO ....................................................................................................................... 1

    2 - REVISO DE LITERATURA ................................................................................................ 5

    2.1- DANO MUSCULAR .................................................................................................................. 5

    2.2 - AS UNIDADES MOTORAS ..................................................................................................... 7

    2.3 A EMG E OS DIVERSOS TIPOS DE CONTRAO MUSCULAR ................................... 11

    3 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 15

    3.1 OBJETIVOS ESPECFICOS: ................................................................................................. 15

    4 - MATERIAS E MTODOS ................................................................................................... 17

    4.1- DESENHO ................................................................................................................................ 17

    4.2- AMOSTRA ................................................................................................................................ 17

    4.3 CONSELHO DE TICA ......................................................................................................... 18

    4.4 MATERIAL ............................................................................................................................. 18

    4.5 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL ................................................................................... 19

    4.5.1- SINCRONIZAO ENTRE DINAMMETRO E ELETROMIGRAFO ......................... 20

    4.5.2- AVALIAES ....................................................................................................................... 20

    4.6 - TRATAMENTO DOS DADOS ............................................................................................... 21

    4.6.1- PROCEDIMENTO ESTATSTICO ....................................................................................... 22

    5 RESULTADOS .................................................................................................................... 23

    5.1 ANLISE DA AO ISOMTRICA ..................................................................................... 24

    5.2 ANLISE DA AO EXCNTRICA ................................................................................... 27

    5.3 ANLISE DA AO CONCNTRICA ................................................................................. 30

    6 DISCUSSO ....................................................................................................................... 34

    6.1- SOBRE AS ALTERAES DO TORQUE ............................................................................. 34

    6.2- SOBRE A ATIVIDADE ELETROMIOGRFICA .................................................................. 36

    6.3 CONSIDERAES FINAIS...................................................................................................... 38

    6.4-LIMITAES DO ESTUDO .................................................................................................... 39

    7 - CONCLUSES ................................................................................................................... 40

    8 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 41

  • vi

    ANEXO I COMIT DE TICA EM PESQUISA ................................................................... 51

    ANEXO II TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO .............................. 52

    ANEXO III ROTINA MATLAB .............................................................................................. 54

  • vii

    LISTA DE ABREVIATURAS

    AC: Ao Concntrica.

    ADM: Amplitude De Movimento.

    AE: Ao Excntrica.

    AE1: Ao Excntrica realizada na semana 1.

    AE2: Ao Excntrica realizada 14 dias aps AE1.

    AE3: Ao Excntrica realizada 14 dias aps AE2.

    AEV1: Ao Excntrica realizada na velocidade 60/s.

    AEV2: Ao Excntrica na velocidade 180/s.

    CK: Enzima Creatina Quinase.

    CVM: Contrao Isomtrica Voluntria Mxima.

    ECR: Efeito da Carga Repetida.

    EMG: Eletromiografia.

    FFT: Fast Fourier Transform, Transformada Rpida de Fourier.

    H: Prton de Hidrognio.

    AI: Ao Isomtrica

    MDF: Frequncia Mediana.

    TR: Treinamento Resistido.

    UM: Unidade Motora.

    48h: Quarenta e oito horas.

    96h: Noventa e seis horas.

  • viii

    LISTA DE FIGURAS

    Figura 1- Os diferentes tipos de fibra muscular, magnitude do estmulo e sua participao no tempo de produo de fora. FF: rpida fatigvel, FG: rpida glicoltica, FGO: rpida glicoltica-oxidativa, SO: lenta oxidativa e FR: rpida resistente, S: lenta (Adaptado de ENOKA, 2000). .................................................................................................................................................... 17

    Figura 2- Exemplo de formas de anlise do sinal EMG (Adaptado de KONRAD, 2005).......................................................................................................................................................34

    Figura 3 Torque isomtrico mensurado antes (pr), imediatamente aps (ps), 48h aps (48h) e 96h aps (96h) as indues de Aes Excntricas (AE) realizadas a 60/s nas semanas 1, 2 e 3. * - valor significativamente diferente (VSD) das demais condies na mesma AE. - VSD da condio ps e 48 AE1, - VSD das condies pr AE1 e AE2- (p

  • ix

    Figura 8 Frequncia mediana do sinal EMG (MDF) durante contrao isomtrica mensurado antes (pr), imediatamente aps (ps), 48h aps (48h) e 96h aps (96h) as indues de Aes Excntricas (AE) realizadas a 180/s nas semanas 1, 2 e 3. No foram encontradas diferenas estatisticamente significativas............................................................................................................. 39

    Figura 9 Torque excntrico mensurado ao incio e fim das indues de Aes Excntricas (AE) realizadas a 60/s nas semanas 1, 2 e 3. * - valor significativamente diferente (VSD) da(s) condio(es) incio da(s) AE anterior(es), VSD da condio incio da mesma AE, SD (fator semana) da AE2 e AE3, VSD (fator semana) da AE3-(p

  • x

    FIGURA 15 Torque concntrico mensurado a 180/s antes (pr), imediatamente aps (ps), 48h aps (48h) e 96h aps (96h) as indues de Aes Excntricas (AE) realizadas a 60/s nas semanas 1, 2 e 3. * - valor significativamente menor que a condio pr AE1- (p

  • xi

    RESUMO

    Este estudo investigou, atravs da Eletromiografia (EMG) e do torque, a resposta muscular antes,

    durante e aps a execuo de aes excntricas (AE), j que essa resposta induz a adaptaes

    neuromusculares ainda pouco conhecidas. Alm das alteraes que podem ocorrer ao longo de trs

    sesses de 30 AE, pde-se avaliar tambm o reflexo dessas em outras formas de ao muscular

    (isomtrica, concntrica 60/s e concntrica 180/s). A amostra consta de 15 indivduos, no

    treinados, com idade entre 20 e 35 anos, todos do gnero masculino, divididos em 2 grupos, AEV1

    (n=7, massa= 86,71kg +/- 12,64, estatura= 179,14cm +/- 6,61), cuja AE foi realizada a 60/s, e

    AEV2 (n=8, massa =75,55kg +/- 8,88, estatura= 176,55cm +/- 6,93), cuja AE foi realizada a 180/s.

    As avaliaes dinamomtricas e eletromiogrficas foram realizadas antes, imediatamente aps, 48h

    aps e 96h aps as sesses. Os resultados mostraram que ao final das AEs, ocorre uma queda no

    torque quando comparado ao incio das mesmas. Alm disso, h aumento do torque excntrico ao

    longo das semanas; imediatamente as AEs ocorre queda no torque isomtrico, que seguida por um

    aumento, mais evidente na terceira semana; e, ocorre aumento do torque concntrico entre as

    semanas, particularmente na mensurao realizada 96h aps a terceira AE. Por outro lado, a

    intensidade do sinal eletromiogrfico durante as AEs sofre uma queda na terceira semana para o

    grupo treinado a 60/s; no ocorrem alteraes no sinal eletromiogrfico nas mensuraes

    isomtricas; as alteraes no sinal eletromiogrfico registrado durante as aes concntricas ocorrem

    mais no grupo treinado a 180/s do que naquele a 60/s. Tais resultados evidenciam que as AEs

    induzem a alteraes tanto eltricas quanto mecnicas nas ACs, mas, em altas velocidades, ocorrem

    mais alteraes eltricas, o que compatvel com uma adaptao neural.

    Palavras Chave: Aes Excntricas. Torque. Eletromiografia.

  • xii

    ABSTRACT

    This study investigated, using electromyography (EMG) and torque, the muscle response before,

    during and after the implementation of eccentric actions (EA), since this response induces

    neuromuscular adaptations still little known. Besides the changes over three sessions of 30 AE, we

    tried to see the reflection of these on other forms of muscle action (isometric, concentric 60/s

    concentric 180/s). The sample consists of 15 individuals, untrained, aged between 20 and 35 years, all

    males, divided into 2 groups, AEV1 (n = 7, weight = 86.71 kg + / - 12.64, height = 179, 14cm + / -

    6.61), the AE was performed at 60/s, and AEV2 (n = 8, mass = 75.55 kg + / - 8.88, height = 176.55

    cm + / - 6.93), AE which was held at 180 /s. Torque and EMG evaluations were performed before,

    immediately, 48h after and after 96h of the AEs sessions. The results showed that the end of the AEs,

    there is a drop in torque when compared to the begining of them. Moreover, there is an increase in

    eccentric torque over the weeks, occurs a decrease in isometric torque immediately to AEs, which is

    followed by an increase, more evident in the third week, and there is an increase in concentric torque

    between weeks, specially in measurement performed 96h after the third AE. Moreover, the intensity of

    the EMG during the AEs suffer a drop in the third week for the group trained at 60/s, no changes

    occur in the EMG signal in isometric measurements, the changes in the EMG signal recorded during

    concentric actions occur more with the group trained at 180 /s than that at 60/s. The results showed

    an increase in concentric torque between weeks. Changes in the EMG signal recorded during AC

    occur more in AEV2 thanAEV1, with increasing intensity 96h after the third AE.

    Key Words: Eccentric Muscle Actions, Isokinetic Dynamometer, Electromyography.

  • 1

    1-INTRODUO

    Nos ltimos anos, algumas das principais organizaes normativas das relaes entre atividade

    fsica e sade vm propondo pareceres sobre treinamento resistido (TR) ou contra-resistncia,

    destinado a vrios grupos, como idosos, portadores de doena cardiovascular e adultos saudveis

    (FLETCHER et al.,2001 e POLLOCK et al.,2000 ). De forma geral, esse tipo de atividade

    considerado adequado e aconselhvel a indivduos aparentemente saudveis ou portadores de doenas

    crnicas, em virtude de sua contribuio aptido fsica e funcional. Alm disso, sua realizao parece

    revestir-se de nveis razoveis de segurana, mesmo na presena de doena cardiovascular

    (POLLOCK et al., 2000, OLIVER et al., 2001 e HASLAM et al., 2001).

    O TR pode ser realizado utilizando diversos modos de sobrecarga, como pesos, mquinas

    especficas, elsticos, massa corporal ou outras formas de equipamentos, que contribuam para o

    desenvolvimento da fora, potncia ou resistncia muscular (CONLEY & ROZENEK, 2001).

    Como em qualquer atividade fsica, ocorrem efeitos ou respostas fisiolgicas durante e aps a

    realizao de um TR. As respostas agudas so provenientes de uma sesso isolada de exerccio e as

    respostas crnicas so ocasionadas pelas repeties frequentes das sesses isoladas, produzindo

    adaptaes fisiolgicas de acordo com o tipo de treinamento (THOMPSON et al., 2001).

    Essas modificaes iniciais das condies funcionais do sistema msculo-esqueltico

    promovem alteraes bioqumicas, morfolgicas e fisiolgicas, envolvendo no apenas o tecido

    propriamente dito, como tambm alterando propriedades estruturais e biofsicas dos demais tecidos,

    principalmente conjuntivo e nervoso (LOUGHNA et al., 1986, VILARTA & VIDAL, 1989 e

    WEEKS, 1989).

    Um ponto extremamente interessante das bases biolgicas da atividade fsica encontra-se

    envolvido com os eventos adaptativos teciduais e suas manifestaes, ou seja, sobre qual limiar e

    natureza de estresse (mecnico e/ou metablico) ocorre o mecanismo responsvel pelo

  • 2

    desencadeamento de uma condio de degenerao da clula muscular ou de adaptao positiva frente

    s exigncias requisitadas pelo exerccio fsico.

    O efeito protetor, no msculo, causado pela carga de AE, contra uma carga subsequente

    reportado na literatura como efeito do esforo repetido1 (NOSAKA & CLARKSON, 1995), ou Efeito

    da Carga Repetida (ECR) (BARROSO et al., 2005), o qual revela que, quando a sesso de treino

    repetida, o grau de dano induzido pelo exerccio diminui. A existncia desse efeito indica a presena

    de alguma adaptao na estrutura do citoesqueleto que protege a fibra muscular, o que diminui a

    ocorrncia de danos provocados pela repetio da sesso de exerccios excntricos.

    Apesar de alguns estudos demonstrarem esse efeito (NOSAKA & NEWTON, 2002a; CHEN,

    2003;), ainda h pouco consenso sobre os mecanismos que o provocam, podendo ser entendido, com

    maior profundidade, lendo-se o trabalho de Mchugh, (2003). Ofato que apesar de haver uma

    diminuio no grau do dano muscular, ele ainda continua ocorrendo aps a segunda sesso de AE,

    como indica a anlise da concentrao de CK, da amplitude de movimento, da percepo da dor

    muscular tardia e da fora (NOSAKA & NEWTON, 2002a).

    Um melhor entendimento dos mecanismos protetores envolvidos nas adaptaes musculares

    agudas e crnicas AE torna-se necessrio para o aprimoramento de estudos de preveno e

    tratamento de leses, bem como controle de volume e intensidade nos treinamentos, levando-se em

    conta que o ECR uma das primeiras adaptaes ao exerccio excntrico.

    Buscando verificar se o ECR continua alm da primeira, e tambm da segunda sesso de AE,

    SILVA (2007), se preocupou com a observao do comportamento e da ocorrncia de marcadores de

    dano muscular, com a realizao de trs sesses, avaliando a percepo subjetiva de dor,

    circunferncia do brao e ADM da articulao envolvida no movimento, a concentrao plasmtica de

    CK e comportamento do torque, e concluiu que as adaptaes responsveis pelo efeito protetor so

    provocadas, principalmente, pela realizao da primeira sesso de AE.

    1 termo original ingls repeated bout effect

  • 3

    Alm de todas essas mudanas, as quais foram claramente evidenciadas e associadas s AE,

    danos estruturais s fibras musculares parecem provocar mudanas no comportamento eltrico

    muscular (FELICI et al., 1997); o que, supe-se, pode ser mensurado pela Eletromiografia de

    superfcie (EMG), que uma tcnica de registro e avaliao de propriedades fisiolgicas do msculo

    durante atividade e repouso (AHMADI et al., 2007).

    O sinal EMG pode ser analisado, quanto sua intensidade e\ou quanto ao seu espectro de

    frequncias (KONRAD, 2005). Uma forma que tem sido adotada como timo indicador do sinal EMG

    o valor RMS (do termo original ingls Root Mean Square), conforme Snyder-Mackler & Robinson

    (1989).Por outro lado, em estudos relacionados ao ECR, as anlises do sinal EMG tambm so feitas

    no domnio da frequncia, sendo utilizada a MDF (do termo original ingls Median Frequency) do

    seu espectro (FELICI et al., 1997). Neste procedimento, analisada a mudana na freqncia do sinal

    e consecutivamente a mudana no tipo de fibra ativa.

    Existem algumas controvrsias entre resultados de diferentes pesquisadores que se dedicam ao

    estudo do efeito da EMG na AE. H algum tempo, Komi & Viitasalo (1977) e Berry et al. (1990)

    observaram algum aumento na atividade EMG aps AE, enquanto Day et al. (1998) no detectaram

    mudanas significativas neste parmetro. Day et al. (1998) e Felice et al. (1997) observaram aumentos

    significativos no RMS e na MDF, enquanto Berry et al. (1990) no observaram aumentos significantes

    e consistentes na freqncia do sinal EMG aps AE.

    Enquanto alguns autores verificaram as alteraes do sinal EMG ao longo da ao muscular,

    na contrao excntrica (BECK et al. 2006, LINNAMO et. al., 2000 e WARREN et al., 2000), outros

    fizeram anlises comparando-se o sinal antes e aps a AE (AHMADI et al., 2007, FELICI et al., 1997

    e MCHUGH et al., 2001).

    Podemos supor que, se h um aumento no nmero de UM recrutadas para uma contrao,

    mais potenciais de ao de unidades motoras (MUAPs) surgem no traado EMG, e por conseqncia,

    maior o valor RMS da EMG.

  • 4

    Eventuais mudanas na MDF e no RMS, neste tipo de ao muscular, podem ser oriundas,

    primariamente, de possveis danos na funcionalidade das fibras de contrao rpida, resultante das

    aes musculares (excntricas) no habituais (AHMADI, 2007). Sendo assim, atravs das anlises da

    EMG, podem ser gerados estudos que tentem detectar quais mudanas no comportamento eltrico

    podem estar associadas aos efeitos das AE.

    Levando-se tudo isso em considerao, percebe-se que as AE geram questes de alta

    relevncia para estudos que visem aperfeioar a prescrio do treinamento fsico.

    O intuito deste trabalho foi identificar e avaliar possveis alteraes no comportamento do

    sinal eltrico muscular em variadas formas de ao muscular (AI, AC60 e AC180) antes, durante e

    aps 3 sesses de 30 repeties de AEs.

  • 5

    2 - REVISO DE LITERATURA

    2.1- Dano Muscular

    Atualmente, bem reportado na literatura o fato de exerccios fsicos extenuantes produzirem

    sinais de leses musculares (MCHUGH et al., 1999 e FELICI et al., 1997). A extenso e severidade

    dessa leso dependente do tipo de ao muscular, bem como do nvel prvio de treinamento do

    indivduo (NOSAKA et al., 1991).

    Esse tipo de leso do msculo esqueltico comum, pode assumir vrias formas e implicar

    vrios mecanismos (WHITINING & ZERNICKE, 2001). A gravidade da leso tecidual depende da

    magnitude da fora, da velocidade de aplicao da fora e da resistncia das estruturas

    musculotendinosas (WHITINING & ZERNICKE, 2001).

    Uma condio comum aos atletas conhecida como leso muscular induzida pelo exerccio, a

    qual resulta da ruptura do tecido conjuntivo e contrtil aps o exerccio, e caracteriza-se por

    hipersensibilidade local, rigidez e restrio da amplitude de movimento (ADM), edema; elevao da

    concentrao de creatina quinase (CK) no sangue e diminuio da fora muscular (NOSAKA &

    NEWTON, 2002a; WHITINING & ZERNICKE, 2001). Isso acontece tipicamente de 24 a 72 horas

    aps a participao de um exerccio vigoroso, especialmente aps aes excntricas (AE)

    (WHITINING & ZERNICKE, 2001). Essas leses podem ocorrer de maneira ainda mais severa em

    indivduos sedentrios (FELICI et al., 1997; WHITINING & ZERNICKE, 2001).

    As distenses leves apresentam ruptura estrutural mnima e retorno rpido funo normal.

    As distenses moderadas so acompanhadas por uma lacerao parcial do tecido muscular, dor e perda

    parcial de funo (WHITINING & ZERNICKE, 2001).

    Apesar do mecanismo da dor muscular tardia continuar obscuro, seus sintomas e eventos

    metablicos so semelhantes aos da inflamao aguda e sugerem uma relao entre os dois. So eles:

  • 6

    dor, presena de infiltrado celular, maior atividade lisossmica e maiores nveis de algumas protenas

    circulantes na fase aguda (WHITINING & ZERNICKE, 2001).

    O dano muscular se define com o rompimento das linhas Z e continua com o estiramento dos

    filamentos da linha Z por todo do sarcmero (FELICI et al., 1997). Quando o sarcmero alongado

    ativamente (durante a AE), a sobreposio dos miofilamentos diminui. Aps o trmino da AE e a

    ocorrncia deste evento, em alguns dos sarcmeros, os miofilamentos podem voltar a se sobrepor,

    enquanto em outros no (BARROSO et al., 2005).

    Na realizao de um treinamento excntrico, as AEs so repetidas diversas vezes. Assim, nos

    sarcmeros, onde a actina e miosina no voltam a se sobrepor, a tenso que deveria ser suportada por

    estes miofilamentos imposta somente sobre os elementos elsticos destes sarcmeros, o que pode

    provocar o seu rompimento (popping) (BARROSO et al., 2005). Esses eventos podem provocar

    alteraes nestas estruturas, visto que, bipsias musculares evidenciaram mudanas morfolgicas e

    histoqumicas na composio muscular induzidas pelas AEs (FELICI et al., 1997).

    Sabendo-se que a tenso no msculo, por si s, j um importante fator para o aumento de

    fora muscular (ARVIDSSON et al., 1998) durante sesses de treinamento, altas tenses so obtidas

    mais facilmente em AE, comparadas a outros tipos de aes musculares (concntrica (AC) ou

    isomtrica (AI)) (MACDOUGALL, 1986; ARVIDSSON et al., 1998).

    Durante AE, a maior tenso decorrente do menor nmero de fibras ativas junto a uma

    sobrecarga elevada (fora por unidade de rea), isso pode resultar no comprometimento de estruturas

    do sarcolema, do retculo sarcoplasmtico e das miofibrilas (ENOKA, 2000). Alm disso, todo o

    tecido conectivo alongado, gerando uma maior tenso passiva sobre o citoesqueleto muscular. Esse

    aumento da tenso passiva induz a uma maior ocorrncia de leso na estrutura muscular, dessa

    maneira, a distenso e no a sobrecarga que parece ser o principal fator mecnico de leso muscular

    (FRIDEN & LIEBER, 1998).

  • 7

    Um fato interessante que o dano causado pelas AE diminui com a continuidade do

    treinamento. Um exemplo disso que a repetio de uma sesso de exerccios excntricos realizada

    at nove meses aps a sesso inicial provoca quantidades menores de dano (NOSAKA et al., 2001).

    2.2 - AS UNIDADES MOTORAS

    Uma unidade motora (UM) consiste no conjunto formado pelo motoneurnio e pelas fibras

    musculares que este inerva (ENOKA, 2000). Segundo o mesmo autor, a UM representa a unidade

    neuromuscular funcional e, por meio dela, o sistema nervoso controla a fora muscular, de forma que,

    alterando-se a quantidade de unidades motoras ativadas altera-se a fora muscular. As diferentes

    capacidades de produo de fora de cada UM constituem uma das caractersticas diferenciadoras dos

    tipos de UM. A transformao do potencial de ao muscular em fora muscular chamada de

    acoplamento (excitao contrao), momento no qual os eventos eltricos que acompanham o

    potencial de ao promovem a capacitao para a contrao muscular; em outra tica, podemos dizer

    que o potencial de ao muscular um produto dos impulsos do sistema nervoso (ENOKA, 2000).

    Um dos mecanismos de regulao da fora produzida pelo msculo o recrutamento de UM.

    Estas UMs so recrutadas por ordem crescente da sua capacidade de produo de fora. Este padro de

    recrutamento conhecido como o princpio do tamanho. As UMs de dimenses menores, como pode

    ser visto na figura1, possuem limiares de excitabilidade mais baixos e so recrutadas em primeiro

    lugar.

  • 8

    Figura 1- Os diferentes tipos de fibra muscular, magnitude do estmulo e sua participao no tempo de produo de fora. FF: rpida fatigvel, FG: rpida glicoltica, FGO: rpida glicoltica-oxidativa, SO: lenta oxidativa e FR: rpida resistente, S: lenta (adaptado de ENOKA, 2000).

    Enquanto este limiar no for alcanado, o grupo de fibras musculares constituinte desta

    unidade motora permanece sem se contrair. A partir do momento em que este limiar alcanado, todas

    as fibras constituintes se contraem, a chamada lei do "Tudo ou Nada". Neste contexto, quando o

    neurnio envia um estmulo nervoso s fibras musculares pertencentes a uma determinada unidade

    motora, s pode ocorrer uma das seguintes duas respostas: as fibras permanecem relaxadas, se a

    intensidade do estmulo for inferior ao seu limiar de excitabilidade, ou contrarem-se com toda a

    intensidade, se o estimulo for igual ou superior ao limiar de excitabilidade. Concluindo, perante um

    estmulo acima do limiar de estimulao a contrao obtida sempre mxima (ENOKA, 2000).

  • 9

    No entanto, esta lei no se aplica ao msculo como um todo, j que este constitudo por

    vrias unidades motoras, o que leva a que cada msculo possa desenvolver foras de intensidades

    gradativas, podendo ir de uma contrao fraca a uma contrao forte.

    medida que as necessidades de produo de fora vo aumentando, as UM maiores vo

    sendo recrutadas progressivamente. Desta forma, h uma correlao positiva entre as capacidades de

    produo de fora das UMs e o seu limiar de recrutamento, ou seja, de excitabilidade.

    Isto se consegue mudando ou o nmero de UM, que so ativadas ou a freqncia de disparo

    das UMs individuais, desde que elas tenham sido ativadas. Essas duas opes so chamadas de

    recrutamento de unidades motoras - o processo de ativao de unidades motoras - e modulao da

    frequncia de disparos das mesmas (ENOKA, 2000).

    medida que a fora exercida por um msculo aumenta UMs adicionais so ativadas ou

    recrutadas, e uma vez que a unidade motora recrutada ela permanece ativa at a fora declinar. O

    aumento da fora conseguido, ao menos em parte, continuando a recrutar UMs (ENOKA, 2000).

    A fora alcana um plat quando UMs adicionais param de ser recrutadas e aquelas que esto

    ativas no mudam a frequncia de disparo dos potenciais de ao. medida que a fora reduzida,

    UM so sequencialmente desativadas ou dispensadas na ordem inversa ao recrutamento; a ltima a ser

    recrutada a primeira a ser dispensada (ENOKA, 2000). Como o recrutamento geralmente obedece

    este padro, o aumento gradual nas demandas de fora de uma tarefa envolve o recrutamento

    progressivo de UM com maior capacidade de gerar fora, contudo, o tamanho da UM no aumenta

    exatamente na mesma ordem em todos os tipos de UM, ento ocorre certa sobreposio entre os tipos

    de fibras I e II e entre os tipos IIa e IIb, tanto com respeito ao tamanho quanto na ordem de

    recrutamento (ENOKA, 2000).

    A fora exercida pelo msculo devida, em parte, a combinaes variveis do nmero de

    UMs ativas e da frequncia em que essas unidades disparam potenciais de ao. Quando uma unidade

  • 10

    motora recrutada e a fora exercida pelo msculo continua a aumentar, a frequncia em que a

    unidade motora dispara potenciais de ao usualmente aumenta (ENOKA, 2000).

    No aparelho locomotor humano, mais abundante UM com menores dimenses (menos fora)

    do que as de grande calibre, sendo admitido que a sua distribuio em termos de capacidade de

    produo de fora quase exponencial.

    Como visto, o recrutamento das unidades motoras determinado pela caracterstica da tarefa.

    A intensidade e a velocidade na execuo so fatores determinantes na quantidade e no tipo de

    unidades motoras a seres recrutadas. O sistema nervoso central dispe de trs mecanismos

    fundamentais para regular a intensidade da contrao muscular: (1) o nmero de unidades motoras

    recrutadas, (2) a frequncia de ativao das unidades motoras, e (3) a sincronizao da ativao das

    unidades motoras (ENOKA, 2000).

    Em relao sincronizao das UM, comum ser mencionada como uma das primeiras

    adaptaes ao treinamento. A sincronizao consiste na inter-relao entre os tempos de ativao de

    diferentes UM. Quando o tempo de disparo do potencial de ao de duas ou mais UM no aleatrio,

    ou seja, apresentam um padro, dizemos que estas UM esto sincronizadas (ENOKA, 2002). Contudo,

    o aumento da sincronizao como resposta ao treinamento pode no contribuir para o aumento de

    fora gerada, sendo apenas uma estratgia do crtex motor para controlar o movimento (ENOKA,

    2002).

    A magnitude do sinal EMG determinada pela quantidade de UMs ativas e pela frequncia de

    disparo das mesmas (KOMI, 1986). Como estes so os mesmos fatores que determinam a fora,

    explica-se assim a proporcionalidade entre EMG e a produo de fora (MORITANI, 1993).

    Em 1975, Milner-Brown & Stein estudaram a influncia da frequncia de disparo e

    recrutamento das UM isoladamente, em relao atividade muscular total registrando tais potenciais,

    por eletrodos de agulha ou de superfcie. Atravs da integralizao desses potenciais, que so

    determinados pela amplitude e durao mdia dos sinais, sugeriram que, em baixas variaes de fora,

  • 11

    o fator predominante na execuo da contrao era o recrutamento das UM, enquanto que em altas

    variaes de fora, o fator predominante era o aumento na frequncia de disparos das UM. Fato

    tambm reportado no trabalho de Moritani em 1993.

    Esse comportamento neuromuscular apresenta um padro ou sinal eltrico, o qual

    mensurado atravs da EMG (AHMADI et al., 2007, ARAUJO, 1998 e WINTER, 1990). A EMG pode

    ser analisada quanto intensidade do sinal e quanto frequncia do mesmo, como veremos a seguir.

    2.3 A EMG E OS DIVERSOS TIPOS DE CONTRAO MUSCULAR

    Na literatura, encontramos diversas formas de anlise dos efeitos e/ou danos causados pelas

    AEs, sendo utilizados mtodos diretos (CLARKSON e HUBAL, 2002 e NOSAKA et al., 2000 e

    NEWHAM, 1988) e indiretos (CHEN, 2003, FELICI et al., 1997 e SEMMLER et al., 2007). Os

    mtodos diretos se valem de amostras de tecido muscular,coletadas atravs de bipsias ou de imagens

    obtidas por ressonncia magntica. Os mtodos indiretos so obtidos por meio de registro de valores

    de torque da Contrao Isomtrica Voluntria Mxima (CVM), da anlise das concentraes

    plasmticas de enzimas e protenas musculares, respostas subjetivas da dor feitas com escalas de

    percepo, reduo da ADM e registro eletromiogrfico. Uma perda prolongada de fora aps

    exerccios excntricos considerada a mais vlida e confivel medida indireta de danos musculares

    em humanos (WARREN et al., 1999 apud CLARKSON e HUBAL, 2002). Especificamente neste

    estudo, as anlises foram feitas nas variveis Torque e sinal EMG.

    Em estudos relacionados ao ECR, as anlises do sinal EMG so geralmente feitas no domnio

    da frequncia, sendo utilizada a MDF do seu espectro (FELICI et al., 1997 e SEMMLER et al., 2007),

    neste procedimento analisada a mudana na frequncia do sinal e consecutivamente a mudana no

    tipo de fibra ativa, mas tambm so realizados estudos em que se observa a intensidade do sinal, sendo

    a anlise feita no domnio do tempo (AHMADI et al., 2007 e BECK et al., 2006).

  • 12

    Existem algumas controvrsias entre resultados de diferentes pesquisadores que se dedicam ao

    estudo do efeito da AE na EMG. H algum tempo, Komi & Viitasalo (1977) e Berry et al. (1990)

    observaram algum aumento na intensidade do sinal EMG aps AE, enquanto Day et al. (1998) no

    detectaram mudanas significativas neste parmetro.

    Day et al. (1998) e Felice et al., (1997), observaram aumentos significativos na frequncia

    mdia e na MDF, enquanto Berry et al. (1990) no observaram aumentos significantes e consistentes

    na frequncia do sinal EMG aps AE.

    Para Linnamo et al. (2000), a MDF reduz durante ambas as contraes (AE e CON), mas a

    diminuio maior durante a CON. A reduo da MDF durante a fadiga atribuda diminuio da

    velocidade de conduo das fibras musculares ativas (ARENDT-NIELSEN & MILLS, 1985 e

    LINDSTM et al., 1970). Essa diminuio da velocidade de conduo da fibra muscular pode estar

    relacionada com o acmulo de prtons de H+, alm disso, a MDF pode diminuir mais se a

    concentrao de lactato sanguneo for elevada, entretanto, mudanas tambm tm sido observadas na

    ausncia de lactato (LINNAMO et al., 2000), isso gera possibilidades de se supor que a mudana na

    MDF ocorre devido a uma mudana nos padres neurais de ativao, fato sugerido pelo mesmo autor

    no seu trabalho de 2006.

    Em seu trabalho de 2006, Linnamo et al. concluiram que a diminuio do sinal EMG reflete

    uma queda na ativao muscular comprovada pela diminuio da fora voluntria mxima no final do

    movimento, sugerindo uma inibio neural durante AE voluntria mxima, sendo isto comprovado, a

    modulao da fora reflete diretamente a modulao do sinal EMG.

    Por outro lado, o estudo de Bilodeau et al. (1994) encontrou diminuio no torque e MDF

    somente durante CON e quando mensurado na condio isomtrica.Em contrapartida, Day et al.

    (1998) observaram uma diminuio no torque, mas, nenhuma mudana na MDF aps AE ou aps

    ambas CON e AE.

  • 13

    O trabalho de Weerakkody et al. (2003) encontrou um aumento proporcional da EMG do

    Bceps Braquial em nvel baixo de torque aps as AE, mas, no CON. Entretanto, o autor deixou claro

    que no se sabe se todos os msculos flexores do cotovelo respondem de forma similar aps AE.

    A concentrao elevada de lactato sanguneo e o aumento de prtons H+ acumulados podem

    ser parcialmente responsveis pela diminuio na MDF. Na ausncia de lactato, um enfraquecimento

    do acoplamento (excitao/contrao) tem sido sugerido como responsvel por mudanas na MDF.

    Outra questo que pode afetar a MDF o sincronismo das UM, que se tem detectado na ocorrncia de

    fadiga, causando uma mudana da MDF para frequncias menores (LINNAMO et. al., 2000).

    Nosaka e Clarkson (1996) demonstraram que alguns sujeitos apresentaram aumento na

    intensidade do sinal EMG do membro oposto ao que realizou o movimento, durante o tempo de

    repouso do Bceps Braquial, aps AE. Entretanto, outros sujeitos apresentaram aumento do sinal EMG

    em msculos sinergistas, sugerindo diferenas entre sujeitos na extenso do dano para diferentes

    msculos flexores do cotovelo.

    Para Semmler et al. 2007, esse dano diferenciado dos flexores do cotovelo pode provocar

    alguma alterao no padro de atividade dos msculos sinergistas, durante a realizao de outras

    tarefas, dependendo da localizao e extenso do dano muscular resultante das AE.Vale lembrar que a

    mudana no padro de atividade dos msculos sinergistas j foi relatada durante AI mximas para

    extenso do joelho, mas no para AI submximas dos msculos extensores do punho (PROSKE,

    2007).

    Outra questo levantada no estudo de Semmler et al.(2007) que ambas as formas ao (AE e

    COM), resultaram em declnio da EMG e retornaram ao normal aps 24hs, indicando que este efeito

    foi causado pela fadiga oriunda dos dois tipos de exerccio, e no parece ser associada com o dano

    muscular, diferente do ocorrido com AE que alm da fadiga pode apresentar dano muscular.

    A forma de anlise dos dados e o protocolo de treino e/ou teste usados diferem de autor para

    autor e este o ponto crucial para a discrepncia de resultados. Atentando para este detalhe, observa-

  • 14

    se que alguns autores verificaram as alteraes do sinal EMG ao longo da ao muscular na contrao

    excntrica (BECK et al. 2006, LINNAMO et. al., 2000 e WARREN et al., 2000), enquanto outros

    fizeram anlises comparando-se o sinal antes e aps uma determinada ao muscular (AHMADI et al.,

    2007, FELICI et al., 1997 e MCHUGH et al., 2001), o que pode gerar resultados diferentes e

    interpretaes equivocadas.

    Um fator importante no procedimento de anlise do sinal a forma de tratamento. O recorte

    ou janelamento utilizando a ferramenta Fast Fourier Transform (FFT) - Transformada Rpida de

    Fourier (algoritmo usado no janelamento do sinal) tem um efeito e pode alterar a anlise da MDF

    (LINNAMO et. al., 2000).

    importante ressaltar que a EMG, mesmo podendo registrar a atividade eltrica muscular, no

    pode ser utilizada para quantificar a fora produzida por ele. A EMG sofre grande interferncia de

    rudos externos (corrente eltrica do meio ambiente e posicionamento do eletrodo) e internos

    (atividade eltrica de msculos vizinhos, tecido gorduroso entre a pele e o msculo) que impedem o

    registro fidedigno do que est acontecendo no msculo analisado (AMADIO et. al., 1999).

    A distncia do msculo at a pele pode interferir significativamente, se o msculo estiver

    muito distante ter uma resistncia eltrica maior e o sinal ser captado com intensidade menor

    (ARAUJO, 1998 e BAARS et. al., 2006).

    A rea do eletrodo tambm pode influenciar a captao do sinal: se esta for pequena, capta

    um nmero menor de potenciais de ao das UMs, que tambm so dependentes da velocidade, isso

    porque quando o potencial de ao viaja mais rapidamente, detectam-se as ondas de despolarizao e,

    quando viaja mais lentamente, consegue-se tambm detectar ondas de repolarizao (ARAUJO, 1998).

    Mediante tanta controvrsia, percebe-se uma grande relevncia no entendimento e na

    aplicao das AEs. Observando-se os resultados e levando-se todos esses aspectos em considerao,

    podemos notar que a EMG complexa e sua anlise requer mtodos e critrios rigorosos. Sendo

  • 15

    assim, importantes aspectos metodolgicos devem ser considerados para a confiabilidade dos dados

    visando uma possvel reprodutibilidade do estudo.

    3 OBJETIVOS

    O objetivo geral do presente trabalho de avaliar de forma variada (isomtrica, concntrica a

    60/s e concntrica 180/s) a resposta muscular (eltrica e mecnica) do bceps braquial frente a uma

    carga de 30 repeties de AEs atravs da mensurao do torque e da EMG .

    3.1 OBJETIVOS ESPECFICOS:

    Avaliar o comportamento do sinal Eletromiogrfico (intensidade e espectro de frequncias) e

    torque flexor do cotovelo, em diferentes velocidades, em indivduos saudveis e no treinados em

    fora, durante quatro momentos: (pr, imediatamente, 48 e 96 horas aps um protocolo de aes

    excntricas) durante 3 sesses, intercaladas por 14 dias;

    Verificar se ocorre reduo de alguns dos parmetros eletromiogrficos e se ocorrerem

    aompanham as variaes do torque, durante as 3 semanas de sesses de aes excntricas;

    Detectar atravs da eletromiografia e do torque, possveis efeitos da velocidade da ao

    excntrica muscular (60/s e 180/s) nos testes com aes concntricas em diferentes velocidades

    (60/s e 180/s).

  • 16

  • 17

    4 - MATERIAS e MTODOS

    4.1- DESENHO

    Esta pesquisa foi um estudo do tipo transversal, experimental e teve uma amostra no

    probabilstica e intencional, de acordo com os critrios descritos por Laville & Dione (1999), e

    convenincias gerais para a realizao do mesmo.

    4.2- AMOSTRA

    A amostra composta por 15 sujeitos do sexo masculino, (idade, peso corporal e estatura

    demonstrados na tabela1) sem histrico de leses articulares do punho, cotovelo ou ombro e que no

    tenham realizado treinamento de fora por um perodo prvio de seis meses anterior ao estudo. Os

    sujeitos foram selecionados de forma intencional e foram divididos em 2 grupos distintos: um grupo

    com 7 sujeitos, o qual sofreu o dano muscular provocado pela AE a 60/s (AEV1) e um grupo com 8

    sujeitos, o qual sofreu o dano muscular provocado pela AE a 180/s (AEV2).

    TABELA 1- Caractersticas da Amostra (mdia e desvio padro)

    AEV1 (n=7) AEV2 (n=8)

    Idade (anos) 25 (+/- 3,65) 25 (+/- 3,34)

    Peso Corporal (kg) 86,7 (+/- 12,65) 75 (+/- 9,33)

    Estatura (cm) 179,1 (+/- 6,62) 176,9 (+/- 7,33)

  • 18

    4.3 CONSELHO DE TICA

    Este estudo foi aprovado pelo conselho de tica em pesquisa da Universidade de So Paulo-

    USP (ANEXO I). Todos os sujeitos foram informados sobre os objetivos da pesquisa e assinaram um

    termo de consentimento livre e esclarecido sobre os riscos e benefcios associados sua participao

    no estudo (ANEXO II).

    4.4 MATERIAL

    Para a realizao do experimento foram utilizados os seguintes instrumentos:

    Sistema de aquisio de Dados de Eletromiografia Myosystem1400 (NoraxonUSA).

    Software para armazenamento de dados Myoresearch (NoraxonUSA)

    Eletrodos de superfcie descartveis (marca 3M), sendo dois (2) eletrodos de captao e um (1)

    eletrodo de referncia.

    Fita adesiva para fixao dos eletrodos

    lcool para a assepsia do local de colocao dos eletrodos

    Caneta para marcao do local do eletrodo

    Dinammetro Isocintico Biodex System 3 (Biodex Medical Systems)

  • 19

    4.5 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

    O estudo foi realizado no Laboratrio de Biomecnica do Movimento Humano da

    Universidade So Judas Tadeu. Foram realizadas trs sesses de 30 AE, sendo que as sesses foram

    separadas por 14 dias para permitir a recuperao completa dos indivduos. Imediatamente e nos

    perodos de 48 e 96 horas aps o protocolo de AE foram reavaliados o torque mximo em AI e AC em

    duas velocidades 60/s (lenta) e 180/s (rpida). A diferena entre as velocidades visava observar se

    haveria diferenas no recrutamento muscular. Os sujeitos foram divididos aleatoriamente por sorteio,

    para as duas velocidades do movimento excntrico, sendo que o membro utilizado para a realizao do

    protocolo era o no dominante, para no interferir na realizao das atividades cotidianas dos

    indivduos.

    Os eletrodos EMG foram colocados entre o ponto motor e a insero distal do respectivo

    msculo, sendo que a distncia entre os eletrodos foi padronizada em 2 cm (ARAJO, 1998) e de

    acordo com Hermens et. al. (1999). Foi utilizado um eletrodo monopolar de referncia (terra) na

    coleta do sinal EMG, posicionado na segunda vrtebra cervical.

    Para captao dos sinais EMG foi utilizado o equipamento Noraxon, operando no sistema

    Myosystem 1400. O equipamento foi operado com um filtro passa-banda de 10 a 500 Hz, com um

    de ganho 1.000, alm das seguintes especificaes:

    Impedncia de entrada: >10m

    Taxa de Modo Comum de Rejeio (CMRR): > 85dB

    Taxa de rudo de: < 1V RMS

    Sada USB para PC a cada milisegundo

    Amplificao total: 1000 vezes

  • 20

    O torque foi mensurado no dinammetro isocintico com transmisso de dados via cabo para

    o equipamento Noraxon.

    4.5.1- Sincronizao entre Dinammetro e Eletromigrafo

    A sincronizao dos sinais foi fornecida atravs da utilizao conexo (via cabo) da porta

    serial do Biodex System3 com a entrada do tipo BCN do mdulo de aquisio de sinais Myosystem

    1400. Desta maneira, o software adquire tanto os sinais oriundos do dinammetro quanto do

    eletromigrafo. Ento, os sinais relacionados s variveis: torque, posio angular e velocidade, foram

    transmitidos em tempo real do dinammetro isocintico para os canais auxiliares do sistema de

    aquisio de dados.

    4.5.2- Avaliaes

    Avaliaes do Torque: O aquecimento especfico prvio consistiu de duas sries de seis aes

    concntricas a 120/s, com intervalo de 90s entre elas. Para esse aquecimento, os sujeitos assumiram a

    mesma posio do teste de fora mxima, descrita a seguir. Trs minutos aps o trmino do

    aquecimento foi realizado o teste de torque mximo. O teste foi realizado no dinammetro isocintico.

    Os sujeitos permaneceram sentados com o brao apoiado e tiveram a cintura e o trax estabilizados

    por cintas, evitando qualquer movimento que pudesse interferir e/ou contribuir na realizao da flexo

    do cotovelo. A posio do sujeito no dinammetro era anotada aps a primeira sesso de testes a fim

    de mant-la em todas as sesses de avaliao e da realizao do protocolo.

    Foram realizadas trs AI mximas de flexo do cotovelo, o qual foi posicionado em 90,

    ajustado individualmente atravs de um gonimetro. Esta AI teve a durao de cinco segundos e

  • 21

    serviu de normalizao para a anlise dos outros testes, em seguida, aps um intervalo de trs minutos

    foram realizadas trs AIs mximas de extenso do cotovelo tambm posicionado em um ngulo de 90

    de flexo, com a mesma durao de cinco segundos e mesmo intervalo de trs minutos.

    Cinco minutos aps o teste com AI, foram realizadas cinco ACs mximas na velocidade de

    60/s e cinco na velocidade de 180/s. O intervalo entre as velocidades foi de trs minutos. Essas

    avaliaes foram realizadas antes, imediatamente, 48 e 96 horas aps o trmino do protocolo de AE.

    Protocolos de AE: Protocolo de AEV1 - (60/s) - o protocolo de AE1 foi realizado trs

    minutos aps os testes iniciais de fora mxima. Foram executadas 30 AE mximas a velocidade de

    60/s. O intervalo entre cada repetio foi o tempo do dinammetro retornar posio inicial. O

    retorno do brao posio inicial foi realizado passivamente. Protocolo de AEV2 - (180/s) - Idntico

    ao protocolo AEV1, porm a velocidade utilizada era de 180/s. O intervalo entre as repeties foi o

    mesmo da velocidade de 60/s.

    4.6 - TRATAMENTO DOS DADOS

    Os dados foram trabalhados em ambiente MatLab com rotina descrita no anexoIII.

    Isomtrico: foi selecionada a tentativa isomtrica com o maior valor de mdia de torque

    durante 1 segundo. Este trecho foi selecionado e foram analisados os respectivos valores da MDF e

    RMS do sinal EMG do msculo Bceps Braquial, sendo que os valores coletados no teste com AI pr-

    AE foram usados para a normalizao dos dados das coletas na respectiva semana.

    Excntrico: foi selecionado o pico de torque em cada contrao, descartando-se a primeira e a

    ltima, do pico foram selecionados 50 milisegundos, antes e 50 aps. Os dados desta janela foram

    normalizados pelo pico da tentativa isomtrica mensurada pr-AE da mesma semana, e assim,

    calculados os valores RMS atravs da rea sob a curva do sinal EMG do msculo Bceps Braquial.

  • 22

    Figura 2- Exemplo de formas de anlise do sinal EMG (adaptado de KONRAD, 2005).

    Concntrico: foram selecionadas e recortadas as trs melhores tentativas de ACs em duas

    velocidades (60/s e 180/s) em cada teste. Os dados das tentativas foram normalizados pelo pico da

    tentativa isomtrica mensurada pr-AE da mesma semana, e assim, calculados os valores RMS do

    sinal EMG do msculo Bceps Braquial para cada teste. Para efeitos estatsticos, utilizou-se a mdia

    das trs tentativas como valor final.

    4.6.1- Procedimento Estatstico

    Nas anlises foram utilizados os softwares Statistica e Origin 6.0, sendo que os dados foram

    analisados de acordo com estatstica descritiva, optando-se pelo procedimento de Anlise Multivariada

    de Varincia (MANOVA). Para a anlise da AI utilizou-se uma MANOVA (4x3), sendo quatro

    condies (pr, ps, 48h aps e 96h aps) e 3 semanas (AE1, AE2 e AE3). Na anlise da AE utilizou-

    se uma MANOVA (2x3), sendo duas condies (incio e fim) e 3 semanas (AE1, AE2 e AE3). Para a

    anlise da AC utilizou-se uma MANOVA (4x2x3), sendo quatro condies (pr, ps, 48h aps e 96h

    aps), duas velocidades (60/s e 180/s) e 3 semanas (AE1, AE2 e AE3). Os grficos foram plotados

  • 23

    com mdia e erro padro dos resultados obtidos para cada grupo. Quando um valor significativo de f

    foi encontrado, post hoc Tukey foi utilizado para analisar as diferenas. O nvel de significncia

    adotado foi < 0,05.

    5 RESULTADOS

  • 24

    Os resultados esto apresentados quanto s alteraes do torque provocadas pelas sesses de

    dano induzido pela AE, bem como quanto s alteraes do sinal EMG em suas respectivas condies,

    e foram divididos pelo tipo de ao a ser analisada, a saber AI, AE e AC.

    Para a anlise da AC utilizou-se uma MANOVA (4x3), sendo quatro condies (pr, ps, 48h

    aps e 96h aps) e 3 semanas (AE1, AE2 e AE3).

    Na anlise da AE utilizou-se uma MANOVA (2x3), sendo duas condies (incio e fim) e 3

    semanas (AE1, AE2 e AE3).

    Contudo, para anlise da AC utilizou-se uma MANOVA (4x2x3), sendo quatro condies

    (pr, ps, 48h aps e 96h aps), duas velocidades (60/s e 180/s) e 3 semanas (AE1, AE2 e AE3). Os

    grficos foram plotados com mdia e erro padro dos resultados analisados para cada grupo. Quando

    um valor significativo de f foi encontrado, post hoc Tukey foi utilizado para analisar as diferenas. O

    nvel de significncia adotado foi < 0,05.

    5.1 Anlise da Ao Isomtrica

    A anlise estatstica do torque isomtrico do grupo AEV1, apresentados na figura 3,

    utilizando-se a MANOVA, apresentou interaes entre condies: {(prps, pr48h, ps48h,

    ps96h e 48h96h, p

  • 25

    A1 A2 A30

    10

    20

    30

    40

    50

    60

    70

    *

    Tor

    que

    (Nm

    )

    Aes Excntricas

    PRE POS 48h 96h

    *

    Figura 3 Torque isomtrico mensurado antes (pr), imediatamente aps (ps), 48h aps (48h) e 96h aps (96h) as indues de aes excntricas (ae) realizadas a 60/s nas semanas 1, 2 e 3. * - valor significativamente diferente das demais condies na mesma ae. - valor significativamente diferente da condio ps e 48 ae1, - valor significativamente diferente das condies pr ae1 e ae2- (p

  • 26

    AE1 AE2 AE30

    10

    20

    30

    40

    50

    60

    70

    80

    90

    100

    110

    120

    130

    140

    RM

    S -

    EM

    G (

    u.a.

    )

    Aes Excntricas

    PRE POS 48h 96h

    Figura 5 Intensidade do sinal EMG (RMS) durante contrao isomtrica mensurado antes (pr), imediatamente aps (ps), 48h aps (48h) e 96h aps (96h) as indues de Aes Excntricas (AE) realizadas a 60/s nas semanas 1, 2 e 3. No foram encontradas diferenas estatisticamente significativas.

    A E 1 A E 2 A E 30

    1 0

    2 0

    3 0

    4 0

    5 0

    6 0

    7 0

    8 0

    9 0

    RM

    S-E

    MG

    (u.

    a.)

    A e s E x c n tr ic a s

    P R E P O S 4 8 h 9 6 h

    Figura 6 Intensidade do sinal EMG (RMS) durante contrao isomtrica mensurado antes (pr), imediatamente aps (ps), 48h aps (48h) e 96h aps (96h) as indues de Aes Excntricas (AE) realizadas a 180/s nas semanas 1, 2 e 3. No foram encontradas diferenas estatisticamente significativas.

    As anlises estatsticas da Frequncia Mediana do sinal EMG (MDF) de ambos os grupos no

    apresentaram diferenas estatisticamente significativas, como demonstrado nas figuras 7 e 8.

  • 27

    AE1 AE2 AE30

    20

    40

    60

    80

    100

    MD

    F -

    EM

    G (

    Hz)

    Aes Excntricas

    PRE POS 48h 96h

    Figura 7 Frequncia mediana do sinal EMG (MDF) durante contrao isomtrica mensurado antes (pr), imediatamente aps (ps), 48h aps (48h) e 96h aps (96h) as indues de Aes Excntricas (AE) realizadas a 60/s nas semanas 1, 2 e 3. No foram encontradas diferenas estatisticamente significativas.

    AE1 AE2 AE30

    20

    40

    60

    80

    100

    MD

    F-E

    MG

    (H

    z)

    Aes Excntricas

    PRE POS 48h 96h

    Figura 8 Frequncia mediana do sinal EMG (MDF) durante contrao isomtrica mensurado antes (pr), imediatamente aps (ps), 48h aps (48h) e 96h aps (96h) as indues de Aes Excntricas (AE) realizadas a 180/s nas semanas 1, 2 e 3. No foram encontradas diferenas estatisticamente significativas.

    5.2 Anlise da Ao Excntrica

    A anlise estatstica do torque excntrico do grupo AEV1, utilizando-se a MANOVA,

    apresentou interaes entre: condies {(inciofim, p

  • 28

    p

  • 29

    A anlise estatstica da EMG (RMS) excntrico do grupo AEV1, apresentou diferenas entre

    as semanas: {(AE1AE3, AE2AE3, p

  • 30

    diferente (fator semana) da AE1 e AE3 (p

  • 31

    realizadas a 180/s nas semanas 1, 2 e 3. * valor significativamente diferente (VSD) da condio ps na mesma AE. - VSD da 48h AE2. VSD das condies ps AE3 e 96h AE1 - (p

  • 32

    semanas (f=4,04 e p

  • 33

    AE1 AE2 AE30,0

    0,5

    1,0

    1,5

    2,0

    2,5

    3,0

    3,5

    4,0

    4,5

    RM

    S-E

    MG

    (u.

    a.)

    Aes Excntricas

    PRE POS 48h 96h

    Figura 19 Avaliao da intensidade do sinal EMG (RMS) durante contraes concntricas mensuradas a 180/s antes (pr), imediatamente aps (ps), 48h aps (48h) e 96h aps (96h) as indues de Aes Excntricas (AE) realizadas a 60/s nas semanas 1, 2 e 3.

    AE1 AE2 AE30,0

    0,5

    1,0

    1,5

    2,0

    2,5

    3,0

    3,5

    4,0

    4,5

    5,0

    RM

    S-E

    MG

    (u.

    a.)

    Aes Excntricas

    PRE POS 48h 96h

    *

    Figura 20 Avaliao da intensidade do sinal EMG (RMS) durante contraes concntricas mensuradas a 180/s antes (pr), imediatamente aps (ps), 48h aps (48h) e 96h aps (96h) as indues de Aes Excntricas (AE) realizadas a 180/s nas semanas 1, 2 e 3. * - valor significativamente diferente (VSD) da condio 96h AE1. - VSD das condies pr AE3, pr AE1 e 96 AE1- (p

  • 34

    6 DISCUSSO

    6.1- Sobre as alteraes do torque

    De forma geral, podemos observar mudanas nas variveis analisadas durante o estudo.

    Analisando a primeira amostragem de dados e a ltima (pr da primeira semana e 96h da ltima

    semana) consegue-se perceber nitidamente essas alteraes. Porm, h que se observar que os valores

    mais elevados das variveis analisadas foram obtidos aps a 3 sesso de AE.

    A fadiga muscular foi evidente em todas as semanas de AE, pois os sujeitos apresentaram uma

    sensvel queda nos valores de torque nas aquisies que ocorreram aps as AEs e a 48h aps, ou seja,

    eles apresentaram menor capacidade de gerar torque, o que revela a induo do dano muscular,

    contudo s possvel de ser comprovada com medidas diretas, resultados que corroboram os resultados

    reportados por Chen et al. (2007), Day et al., (1998) Lavender & Nosaka (2007), Zainuddin et al.

    (2006) e Chapmam et al. (2008).

    Analisando os resultados do torque da AI do grupo AEV2, podemos observar que na segunda

    semana no houve queda na gerao do torque aps a AE. Observando-se a figura 15 nota-se que a

    diferena entre o torque excntrico inicial e final no foi estatisticamente significativa, fato este (pouca

    intensidade de torque durante a AE) que pode ter influenciado a gerao do torque da AI, pois, na

    avaliao desta varivel, o resultado na condio ps foi maior que na condio pr. Este fato pode ter

    ocorrido em virtude da amostra no ter executado a tarefa corretamente, ou seja, com sua capacidade

    mxima de gerar torque at a ltima repetio como eram orientados. Este fato tambm pode ser

    decorrente do medo inconsciente, do sujeito, em sentir a mesma dor e desconforto da semana anterior,

    ou ainda, pela inexperincia na execuo e manuteno de fora em limiares mximos.

    Por outro lado, observando-se os resultados apresentados nas figuras 8, 9, 18, 19, 20 e 21 que

    na anlise realizada 96h aps o dano, houve uma ntida recuperao dos valores do torque, sendo que

    estes valores, em todas as 3 velocidades (AC 60/s, AC 180/s e AI), no apresentaram valores

  • 35

    estatisticamente diferentes da condio pr nas 3 semanas. Esse resultado est de acordo com os

    achados de Chen et al. (2007), Howatson et al. (2007), Semmler et al.(2007) e Sbriccoli et al. (2001).

    Esta queda nos valores do torque, foi reportada no trabalho de Warren et al. (2001) que

    averiguou o fato da perda de fora ser maior por at 3 dias aps AE (75%) e relacionou falha no

    acoplamento de excitao- contrao. J Lavander & Nosaka (2006) contestam isso afirmando que

    muitas flutuaes na fora ocorrem aps AE, sendo estas flutuaes decorrentes de hipersensibilidade

    local, rigidez e restrio da amplitude de movimento (ADM), edema; elevao da concentrao de

    creatina quinase (CK) no sangue e ressaltam ainda que apenas as mensuraes imediatas e at 1 hora

    aps a AE so confiveis.

    Um resultado muito interessante, quanto anlise do torque, como se pode constatar nas

    figuras 3, 4, 13, 14, 15 e 16, o fato de ocorrer uma adaptao positiva do torque em todas as

    comparaes entre a condio pr da primeira semana e a condio ps da terceira semana, ou seja,

    mesmo aps realizar as AEs da terceira semana os valores na gerao de torque foram superiores aos

    valores iniciais do estudo (pr da semana 1). Devemos considerar uma possvel adaptao neuro-

    funcional no aprendizado da tarefa. Em relao a treinamento e adaptao (compensao e super-

    compensao), a semana de intervalo entre as AE dilui este componente (THOMPSON et al., 2001).

    Esta adaptao pode ser observada em ambos os grupos e em todas as velocidades (AC 60/s, AC

    180/s e AI). Alm disso, pode-se perceber claramente o efeito do ECR no torque, j que a queda do

    mesmo, observada nas anlises ps (imediato) e aps 48h do dano, foram progressivamente menores.

    As diferenas entre as velocidades no foram acentuadas, contudo o que se pde observar foi

    o fato de que quanto maior foi a gerao de torque na AE, maior foi a queda dos parmetros

    mensurados aps a mesma e consecutivamente menor foi a diferena na AE subseqente. Estes

    resultados vo de encontro com os achados de Chen et al. (2007).

    Na velocidade excntrica menor (60/s) ocorreram mais alteraes mecnicas que eltricas,

    entretanto na velocidade maior (180/s) ocorreram mais alteraes eltricas que mecnicas. Estes

    resultados se alinham ao estudo de Frienden & Lieber, (1998), visto que a velocidade menor o sujeito

  • 36

    submetido um tempo maior de gerao de fora, portanto maior tempo de contrao e, sendo assim

    sua musculatura est submetida a tenso por mais tempo.

    Esse maior tempo de tenso passiva pode ter induzido a uma maior agresso na estrutura

    muscular, dessa maneira, a tenso e no a sobrecarga que parece ser o principal fator mecnico de

    leso muscular (FRIDEN & LIEBER, 1998).

    Alm desse resultado, que demonstrou indiretamente o ECR, pode-se constatar tambm que

    ele foi mais incisivo no grupo cujas AE foram realizadas na velocidade isocintica de 60/s, isso

    permite sugerir que o treinamento excntrico em velocidades mais baixas pode ser capaz de promover

    maior estresse e consecutivamente maior adaptao muscular.

    6.2- Sobre a atividade Eletromiogrfica

    A anlise EMG foi realizada de duas formas, a anlise da intensidade em valor RMS do sinal,

    realizada no domnio do tempo, e a anlise da frequncia mediana do espectro de freqncia do

    mesmo.

    Em relao anlise do sinal EMG, observa-se um ligeiro aumento no RMS em ambos os

    grupos durante a primeira carga de AE (figuras 11 e 12), com alguns reflexos positivos e negativos

    (valores maiores e menores) nas anlises ps AI e AC.

    Por outro lado, nas semanas subsequentes, observa-se uma diminuio do RMS durante a

    carga de AE e uma leve tendncia de aumento de semana a semana (figuras 11 e 12). Fato que tambm

    pode ser observado nas anlises do RMS da AI das figuras 10 e 11 e da AC das figuras 18 e 20, mas

    no na AC das figuras 17 e 19, quando comparados os valores de semana a semana. Isto nos leva a

    supor que a intensidade do sinal RMS, mesmo tendo um comportamento similar durante a AE nas

    duas velocidades, variou de forma diferente para os dois grupos nas analises da AI e da AC e a

    estatstica comprovou que foi diferente entre as duas velocidades na analise da AC.

  • 37

    Possivelmente, a musculatura envolvida no movimento do protocolo do grupo AEV1 sofreu

    mais alteraes metablicas e estruturais que a do grupo AE2, o que provocou diferenas entre os

    valores RMS dos dois grupos.

    Isto demonstra que a ferramenta RMS muito sensvel a variaes metablicas dirias

    apresentadas durante a recuperao bem como s respostas musculares frente ao processo inflamatrio

    e reaes fisiolgicas e bioqumicas gerados pelas AE, o que pode tornar o RMS muito varivel, como

    reportado por Ahmadi et al. (2007), Felici et al. (1997), Linnamo et al. (2000), Sayers et al. (2000) e

    Sbriccoli et al. (2001).

    Esperava-se que, concomitante s variaes do torque e RMS, fosse encontrada uma reduo

    significativa dos valores da MDF como apresentado nos trabalhos de Day et al. (1998), Howatson et

    al.(2007), Linnamo et al. (2000), Sbriccoli et al. (2001) e Warren et al. (2000). Reduo esta que seria

    evidenciada nas avaliaes realizadas aps a AE, devido induo de fadiga. No entanto, nenhuma

    diferena significativa da MDF do sinal EMG foi encontrada. Por outro lado, estes resultados so

    semelhantes aos achados de Beck et al. (2006), McHugh et al. (2001) e Sayers et al. (2000), onde no

    foram encontradas mudanas significativas no contedo do espectro de frequncia. Vale lembrar que

    nos trabalhos de Chen et al. (2007), Day et al. (1998) e Howatson et al. (2007), a MDF do sinal foi

    analisada atravs de janelas mveis (512 pontos, 1024 pontos, 2048 e 4094 pontos) durante o

    movimento, descaracterizando o sinal como estacionrio.

    Entretanto, os trabalhos de Howatson et al. (2007), Linnamo et al. (2000), e Sbriccoli et al.

    (2001), apresentaram diminuio da MDF sem alteraes significativas nos valores RMS, sugerindo

    que a fadiga muscular, neste caso, possa ser de origem perifrica (LINNAMO et. al., 2000), resultado

    no encontrado no presente trabalho.

  • 38

    6.3 Consideraes finais

    Assim, por estes resultados, pode-se inferir que todas as alteraes provocadas pelo dano

    excntrico ocorreram no msculo, sem adaptaes nervosas, o que refuta a teoria de adaptao neural.

    Conclui-se ento, que AE podem induzir dano muscular, visto que o mesmo foi evidente em

    todas as semanas de AE em virtude da sensvel queda nos valores de torque, sendo que o ECR foi

    observado na recuperao principalmente nos resultados da condio 96h aps.

    As velocidades de dano apresentaram resultados semelhantes nas anlises durante a AE,

    contudo as respostas biomecnicas da analise ISO e CON foram diferentes. Na velocidade excntrica

    menor (60/s), ocorreram mais alteraes mecnicas que eltricas, entretanto na velocidade maior

    (180/s) ocorreram mais alteraes eltricas que mecnicas. Levando isso em considerao, devemos

    repensar a prescrio de exerccios envolvendo AE, pois, respostas diferentes sero geradas, uma vez

    que dificilmente se consegue controlar a velocidade excntrica fora do laboratrio.

    A ferramenta RMS do sinal EMG, apesar de muito til na identificao de ativao muscular,

    deve ser repensado nos estudos envolvendo AE, pois esta ferramenta revelou-se muito sensvel a

    variaes metablicas dirias apresentadas durante a recuperao, bem como s respostas musculares

    frente ao processo inflamatrio e reaes fisiolgicas e bioqumicas gerados pelas AE.

    A ferramenta MDF do sinal EMG, analisada na ISO, onde se respeita o princpio da analise de

    um sinal estacionrio, no surtiu os resultados esperados. Contudo, outras formas de anlise podem vir

    a trazer novos resultados, como por exemplo, durante a AE.

    A EMG se mostrou insuficiente para se fazer uma anlise isolada do comportamento muscular

    devido variabilidade apresentada pelos resultados da amostra, que tambm podem ter sido reflexo da

    inexperincia da mesma em gerar torque em limiares mximos.

  • 39

    Estudos envolvendo sujeitos treinados e grupos-controle podem vir a elucidar e facilitar a

    compreenso do ECR.

    6.4-Limitaes do estudo

    Este estudo analisou o sinal EMG apenas do msculo bceps braquial como flexor do

    cotovelo, todavia, sabe-se que o msculo braquiorradial seu sinergista e o auxilia nos movimentos da

    mesma articulao. Este protocolo de estudo pode vir a gerar outros resultados quando analisados os

    dois msculos simultaneamente. Alm disso, obter respostas diretas do sinergismo destes dois

    msculos poderia auxiliar numa melhor interpretao do ECR.

    Alm das consideraes acima, podemos sugerir que em trabalhos futuros sejam analisados

    sujeitos treinados, melhorando e diminuindo a variabilidade dos resultados, alm do acrscimo de um

    grupo controle ou o uso do membro oposto para controle.

  • 40

    7 - CONCLUSES

    De uma forma geral, ocorrem alteraes no torque provocadas pelas aes excntricas, sendo

    que essas podem ser identificadas tanto nas prprias mensuraes excntricas quanto nas isomtricas e

    concntricas.

    Essas alteraes no torque podem ser sintetizadas da seguinte forma:

    o Ao final das AEs, ocorre uma queda no torque quando comparado ao incio das mesmas;

    o Ocorre aumento do torque excntrico ao longo das semanas;

    o Imediatamente a AE ocorre uma queda no torque isomtrico, que seguida por um aumento, mais evidente na terceira semana; e,

    o Ocorre aumento do torque concntrico entre as semanas, particularmente na mensurao realizada 96h aps a terceira AE.

    Sobre as alteraes eletromiogrficas provocadas pelas AE, pode-se sintetizar:

    o A intensidade do sinal eletromiogrfico durante as aes excntricas sofre uma queda na terceira semana para o grupo treinado a 60/s

    o No ocorrem alteraes no sinal eletromiogrfico nas mensuraes isomtricas;

    o As alteraes no sinal eletromiogrfico registrado durante as ACs ocorrem mais no grupo treinado a 180/s do que no grupo treinado a 60/s, com aumento da intensidade na

    avaliao de 96h aps a terceira AE;

  • 41

    8 BIBLIOGRAFIA

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  • 50

  • ANEXO I Comit de tica em Pesquisa

    omit de tica em Pesquisa

    51

  • 52

    ANEXO II Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

    rea de Concentrao: Biodinmica do Movimento Humano

    Ttulo da Pesquisa: ANLISE BIOMECNICA DA RESPOSTA MUSCULAR

    INDUZIDA POR AES EXCNTRICAS

    Eu,___________________________________________ , ____anos, RG

    _________________,residente

    ____________________________________________________________________,

    Fone _______________ , Email _______________________________________________ ,

    abaixo assinado (ou meu Responsvel Legal)

    ________________________________________, dou meu consentimento livre e esclarecido

    para participar como voluntrio do Projeto de Pesquisa supra citado, sob a responsabilidade

    do Programa de Mestrado em Educao Fsica da Universidade So Judas Tadeu.

    Assinando este Termo de Consentimento, estou ciente de que:

    1) O Objetivo da Pesquisa: Analisar o efeito da adaptao ao equipamento (Dinammetro

    Isocintico), na resposta ao treinamento excntrico.

    2) Durante o estudo sero realizados testes que sero posteriormente transcritos com total

    fidelidade. Esse estudo ser composto de 09 sesses de testes.

    3) A realizao dos testes apresenta risco mnimo para os sujeitos;

    4) Caso seja de meu interesse, terei a minha disposio os dados por mim alcanados;

    5) Obtive todas as informaes necessrias para poder decidir conscientemente sobre a minha

    participao na referida pesquisa;

    6) Estou livre para interromper a qualquer momento minha participao na pesquisa;

    7) Meus dados pessoais sero mantidos em sigilo e os resultados gerais obtidos atravs da

    pesquisa sero utilizados apenas para alcanar os objetivos do trabalho, expostos acima,

    includa sua ampla publicao na literatura cientifica especializada;

  • 53

    8) Poderei contatar o Comit de tica em Pesquisa da Universidade So Judas Tadeu para

    apresentar recursos e reclamaes em relao pesquisa atravs do telefone (11) 6099-1665;

    9) Poderei entrar em contato com os responsveis pelo estudo; Prof Paulo Ricardo G.

    Guerreiro e Prof. Dr. Rubens Correa Arajo, pelo telefone (11) 9847-7340 e .

    10) Este Termo de Consentimento feito em duas vias, sendo que uma permanecer em meu

    poder e a outra com o Pesquisador responsvel.

    So Paulo , _____ de ___________________ de ________

    _______________________________________

    _______________________________________ Nome e Assinatura do Voluntrio ou Responsvel Legal

    _______________________________________

    _______________________________________ Nome e Assinatura do Pesquisador Responsvel

    _______________________________________

    _______________________________________ Nome e Assinatura do orientador Responsvel

    Sujeito - N Pesquisa realizada em / /

  • 54

    ANEXO III Rotina MatLab

    ROTINA 1: ANLISE DA AO ISOMTRICA.

    function analiseEMGtorqueISO

    tic

    close all

    path=('D:\Mestrado_Dados\dados para anlise\isometrico\');

    for c=9:12 %(coleta isoc 60 + isoc 180)|condio antes do dano isom(c9);(coleta isocinetica=dano)|pos dano(c10);48(c11) e 96h(c12) pos dano

    for b=1:3 %semana 1 2 e 3;

    for s=1:16 %16 sujeitos

    % condio de 9:12 = biceps; de 15:17 = triceps

    for t=1:3; %tentativa isomtrica 1, 2 e 3

    nome=['s' num2str(s) 'c' num2str(c) 'b' num2str(b) 't' num2str(t) '.txt'];

    name=[path nome];

    [a1 a2 a3 a4 a5 a6 a7 a8]= textread(name,'%f %f %f %f %f %f %f %f','headerlines',6);

    data=[a1 a2 a3 a4 a5 a6 a7];

    %torque=data(:,4);%torque

    %angulo=data(:,5);%angulo

    %posicao=data(:,6);%posicao

    %vel=data(:,7);%velocidade

    %filtrar o torque

    [bb,aa]=butter(2,3/(1000/2));

    datam{t}=[data(:,1)*1000 data(:,2:3) filtfilt(bb,aa,data(:,4:7))];

    % tira off set do torque

    os = mean(data(1:500,4));

    datam{t}=[datam{t}(:,1) datam{t}(:,2:3) abs(datam{t}(:,4)-os) datam{t}(:,5:7)];

    % determina o intervalo a ser considerado. Os 1000ms com maior torque

  • 55

    int=[0];

    for i=1:length(datam{t}(:,4))-1001

    int(i) = mean(datam{t}(i:i+999,4));

    end

    [x,y] = max(int); %x quem, y onde

    iint(t) = y; %inicio do intervalo selecionado (maior media em 1 segundo)

    mint(t) = x; %maior mdia

    end

    [x1,y1] = max(mint); %x1 torque mximo, y1 em qual tentativa ocorreu o torque maximo

    torquemax(s) = x1;

    dataEMG = [datam{y1}(iint(y1)-500:iint(y1)+500,2:3)]; % intervalo selecionado pelo torque

    datatorque = [datam{y1}(iint(y1)-500:iint(y1)+500,4)];

    % seleciona o pico EMG para normalizar as tentativas

    % excentricas e concentricas na C9, b1,2 e 3

    if c==9

    dataEMGmax = [datam{y1}