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ANÁLISE COMPARATIVA DOS SISTEMAS DE …poli-integra.poli.usp.br/library/pdfs/4b565778b76a7dcc9d5980c64df0... · MBA/USP Área de ... FGV – Fundação Getúlio Vargas GHG - Green

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  • CARMEN SILVIA MOURA DE SIQUEIRA

    ANLISE COMPARATIVA DOS SISTEMAS DE CERTIFICAES LEED E AQUA VISANDO O GERENCIAMENTO AMBIENTAL

    DE EDIFCIO EM USO

    SO PAULO 2009

  • 2

    CARMEN SILVIA MOURA DE SIQUEIRA

    ANLISE COMPARATIVA DOS SISTEMAS DE CERTIFICAES LEED E AQUA VISANDO O GERENCIAMENTO AMBIENTAL

    DE EDIFCIO EM USO

    Monografia apresentada Escola Politcnica da Universidade de So Paulo, com vista na obteno do

    ttulo de especialista em Gerenciamento de Facilidades MBA/USP

    rea de concentrao Gerenciamento de Facilidades

    Orientadora:

    Prof. Dra. Claudia Miranda de Andrade

    SO PAULO 2009

  • 3

    Siqueira, Carmen S. M. de Anlise Comparativa dos Sistemas de Certificaes LEED e AQUA Visando o Gerenciamento Ambiental de Edifcio em Uso / Siqueira CSM So Paulo - 2009 Monografia (MBA em Gerenciamento de Facilidades) - Escola Politcnica da Universidade de So Paulo, Programa de Educao Continuada em Engenharia 1. Gerenciamento de Facilidades 2. Sustentabilidade 3. Sistema de Certificao 4 Gerenciamento Ambiental 5 Operao de Edifcios

  • 4

    Aos colegas, um encontro de dedicao e companheirismo

  • 5

    AGRADECIMENTOS Agradeo aos amigos e companheiros de classe e a todos os professores que colaboraram no decorrer de todo o nosso curso, e em especial agradeo a minha famlia, pelo apoio e incentivo.

  • 6

    RESUMO

    A existncia de vrios sistemas para certificao de desempenho ambiental de edifcios e o

    lanamento de um sistema nacional de avaliao de desempenho de empreendimentos

    sustentveis, leva a necessidade de anlise comparativa para a verificao se os critrios de

    avaliao de desempenho em sustentabilidade da construo podem ser aplicveis na fase de

    operao, quando dos edifcios em uso. O sistema Alta Qualidade Ambiental (AQUA) o

    nico sistema de certificao de empreendimentos sustentveis brasileiro, sendo uma

    adaptao do referencial francs s particularidades do Pas, desenvolvido pela Fundao

    Vanzolini e por especialistas do Departamento de Construo Civil da Escola Politcnica da

    Universidade de So Paulo. O sistema LEED for Existent Buildings: Operations &

    Maintenance (LEED-EB: O&M) - sistema de classificao e certificao ambiental baseado

    no consenso para a certificao do desempenho do edifcio verde, na operao e manuteno -

    foi o outro sistema escolhido, uma vez que este vem sendo bastante utilizado no Pas para

    certificao de novas construes. Esta anlise comparativa parte da descrio do conceito de

    desenvolvimento sustentvel e apresentao de metodologias de avaliaes de desempenho,

    quando considerada a fase de operao no ciclo de vida dos edifcios, para estabelecer os

    pontos convergentes e potencialidades a serem usadas como referncia quando do

    gerenciamento da operao de edifcios em uso.

    Palavras Chave: Gerenciamento de Facilidades, Sustentabilidade, Operao de Edifcios

  • 7

    ABSTRACT

    The different certification systems of buildings environmental performance and a national

    system of enterprises sustainable performance evaluation needs analysis comparison to verify

    whether the criteria for sustainability performance assessment in the building can be

    applicable in phase of operation, when the buildings in use. The Alta Qualidade Ambiental

    (AQUA) system is the only Brazilian certification system for sustainable enterprises which is

    an adaptation of the French reference to the particularities of the country, developed by the

    Fundao Vanzolini and specialists from the department of Construo Civil of Escola

    Politcnica of Universidade de So Paulo. The other system chosed is LEED for Existing

    Buildings: Operations & Maintenance (LEED-EB: O & M) - environmental certification

    system and classification based on consensus for the certification of the green building

    performance, in the operation and maintenance - because it has been widely used in Brazil for

    new buildings certification. This comparative analysis start on the sustainable development

    concept description and benchmarking submission methodologies, when considered in the

    operation phase of the buildings life cycle assessment, to establish the convergent points and

    potential for use as a reference when the buildings operation management in use.

    Keywords: Facilities Management, Sustainability, Operation of Buildings

  • 8

    LISTA DE FIGURAS

    Figura 1 - APLICAO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL

    Figura 2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL

    Figura 3 DFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO

    Figura 4 AGENDA MARROM E AGENDA VERDE

    Figura 5 - METODOLOGIA DE ANLISE DO CICLO DE VIDA

    Figura 6 CICLO DE VIDA GENRICO DE UM EDIFCIO

    Figura 7 DUAS LINGUAGENS

    Figura 8 COMBINAO DA DEMANDA E OFERTA

    Figura 9 MODELO DE SISTEMA DE DESEMPENHO TOTAL

    Figura 10 - REGSITROS 2008 GBC BRASIL

    Figura 11 RELAO AQUA x LEED-EB: O&M: ECO CONSTRUO E SITES

    SUSTENTVEIS

    Figura 12 - RELAO AQUA x LEED-EB: O&M: GESTO E EFICINCIA DA GUA,

    ENERGIA E ATMOSFERA e MATRIAS E RECURSOS

    Figura 13 - RELAO AQUA x LEED-EB: O&M: CONFORTO E SADE E

    QUALIDADE AMBIENTAL INTERNA

    Figura 14: DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL LEED-EB: O&M

    Figura 15: DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL AQUA

    Figura 16 - RELAO CERTIFICAES x GERENCIAMENTO DE FACILIDADES

  • 9

    LISTA DE ABREVIATURAS

    ABNT Associao Brasileira de Normas Tcnicas

    ANSI - American National Standards Institute

    AQUA - Alta Qualidade Ambiental

    ASTM - American Society for Testing and Materials

    BIP Produto Interno Bruto

    BEAT - Building Environmental Assessment Tool

    BREEAM - Building Research Establishment Assessment Method

    BEPAC - Building Environmental Performance Assessment Criteria

    CASBEE - Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency

    CIB - International Council for Research and Innovation in Building and Constrution

    CSTB - Centro Cientfico e Tecnolgico de Btiment

    ED - Early Design

    EUA Estados Unidos da Amrica

    FGV Fundao Getlio Vargas

    GHG - Green House Gases

    GBC - Green Building Challenge

    HK-BEAM - Hong Kong Building Environmental Assessment Method

    HQE - Haute Qualit Environnementale

    IAI - International Alliance for Interoperability

    IPM - Gerenciamento Integrado de Praga

    ISO - International Standard Organization

    LCA Anlise do Ciclo de Vida

    LEED - Leardership in Energy and Environmental Design

    MSDG - Minnesota Sustainable Design Guide

  • 10

    NABERS - National Australian Building Environmental Rating Scheme

    ONU Organizao das Naes Unidas

    PAMPeR - Portfolio and Asset Management Performance

    PBB Performance Based Building

    PCB - Bifenil policlorado

    PROBE - Post-occupancy Review of Building Engineering

    SBI - Statens Byggeforskning Institut

    SETAC - Society for Environmental Toxicology and Chemistry

    SoR - Statement of Requirements

    SRI - ndice de refletncia solar

    UK Reino Unido

    USGBC - United States Green Building Council

    UNCED - United Nations Conference on Environment and Development

    UNEP - United Nations Environment Programm

    WCED - World Commission on Environment and Development

    ZEVs Veculos zero ou baixa emisso

  • 11

    SUMRIO

    1. INTRODUO 13

    1.1. JUSTIFICATICA 13

    1.2. OBJETIVO 15

    1.3. METODOLOGIA 15

    1.4. ESTRUTURA DA MONOGRAFIA 16

    2. SUSTENTABILIDADE 17

    2.1. SOBRE SUSTENTABILIDADE 17

    2.2. SUSTENTABILIDADE E A CONSTRUO CIVIL 19

    3. DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL 22

    3.1. DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL: CONCEITO 22

    3.2. DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL E A CONSTRUO CIVIL 24

    4. METODOLOGIAS DE DESEMPENHO 28

    4.1. ANLISE DO CICLO DE VIDA (LCA) 28

    4.1.1. LCA E A AVALIAO AMBIENTAL DOS EDIFCIOS 31

    4.2. DESEMPENHO BSICO DOS EDIFCIOS (PBB) 33

    4.2.1. MODELO DE SISTEMA DE DESEMPENHO TOTAL 36

    4.2.2. APLICAO DO PBB 39

    4.2.3. NVEIS DE DESEMPENHO REQUERIDOS 40

    4.2.4. AVALIAO E RESULTADOS 41

    4.3. DESEMPENHO E DECISES 42

    5. SISTEMAS DE AVALIAO AMBIENTAL DE EDIFCIOS 43

    6. GERENCIAMENTO DA OPERAO E USO DOS EDFCIOS 48

    6.1. SOBRE O GERENCIAMENTO DE FACILIDADES 49

    6.2. ESCOPO DO GERENCIAMENTO DE FACILIDADES 50

  • 12

    6.2.1. GERENCIAMENTO DE UTILIDADES 50

    6.2.2. ENGENHARIA DE INSTALAES E CONSTRUES 50

    6.2.3. ENGENHARIA DE MANUTENO E INFRA-ESTRUTURA 51

    6.2.4. ENGENHARIA AMBIENTAL 51

    6.3. METAS DO GERENCIAMENTO DE FACILIDADES 52

    6.4. GERENCIAMENTO AMBIENTAL DO EDIFCIO 53

    6.4.1. QUALIDADE DO AMBIENTE EXTERNO 53

    6.4.2. QUALIDADE DO AMBIENTE INTERNO 54

    7. CORRELAO AQUA E LEDD-EB: O&M 55

    7.1. MODELO POLTICO E REFERENCIAL DO SISTEMA DE GESTO DO

    EMPREENDIMENTO 56

    7.2. FAMLIAS E CATEGORIAS 58

    7.2.1. QUALIDADE AMBIENTAL DO EDIFCIO (QAE) 58

    7.2.2. SISTEMA DE PONTUAO E CHECKLIST LEED 58

    7.3. APLICAO DAS FAMLIAS, CATEGORIAS, PREREQUISITOS E

    CRDITOS. 59

    7.3.1. ECO CONSTRUO E SITES SUSTENTVEIS 59 7.3.2. GESTO, EFICINCIA DA GUA, ENERGIA & ATMOSFERA E

    MATERIAIS & RECURSOS 60

    7.3.3. CONFORTO E QUALIDADE AMBIENTAL INTERNA 63

    8. CONCLUSO 65

    REFERNCIAS 68

    ANEXO 1 - DESEMPENHO: GERENCIAMENTO DO PORTFOLIO E ATIVO - E O

    DESIGN INICIAL

    ANEXO II - LEADERSHIP IN ENERGY AND ENVIRONMENTAL DESIGN FOR

    EXISTING BUILDING (LEED) 75

    ANEXO III - ALTA QUALIDADE AMBIENTAL AQUA 129

  • 13

    INTRODUO

    1.1. JUSTIFICATIVA

    A Construo Civil uma atividade econmica de extrema importncia na gerao de

    riquezas em todos os pases do mundo. Os pases mais desenvolvidos investem muito na

    integrao das questes que relacionam a Construo Civil e o desenvolvimento sustentvel.

    A definio de sustentabilidade mais que as questes de reduo de consumo de energia e

    gua, ou do uso eficiente destes recursos, um conceito sistmico, relacionado com a

    continuidade dos aspectos econmicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana.

    Muito so os desafios da Construo Civil, por ter um papel social muito importante como

    responsvel pela produo da infra-estrutura coletiva do pas e pela gerao de uma

    porcentagem significativa dos empregos nacionais. A construo sustentvel impe inovao

    tecnolgica, formao de recursos humanos, mudanas de cultura e prticas gerenciais, alm

    de exigir alteraes na forma de relacionamento entre os diversos integrantes da cadeia da

    construo. Considera-se (USGBC, 2006) hoje que os edifcios contribuem com quase a 30%

    das emisses de gases estufa e que a existncia de muitos edifcios ineficientes do ponto de

    vista de consumo de energia, de gua, gerao de resduos e de baixa qualidade ambiental que

    possuem um ciclo de vida de 50 at 100 anos, so fatores que s agravam estes dados.

    Em sua maioria, as aes e investimentos no sentido de minimizar ou at mesmo eliminar

    esses impactos est em novas construes, no entanto, necessrio tambm estabelecer

    polticas precisas de reduo para os edifcios j construdos e em uso.

    Neste sentido o desafio aos profissionais da rea de gesto de facilidades, est no foco da

    apresentao de conceitos e solues prticas viveis que possam ser implementadas, partindo

    da avaliao de custos compatveis, prazos e a garantia de reduo dos impactos ambientais

    ao longo do uso, gerando melhoria da qualidade e promovendo maior eficincia na gesto.

    Os primeiros mtodos de avaliao de sustentabilidade de edifcios surgiram na dcada de 90,

    e avaliavam apenas o impacto ambiental de produtos industrializados.

    Lanado em 1990, o Building Research Establishment Assessment Method (BREEAM) no

    Reino Unido, o mtodo para avaliao de projeto, que apresenta uma lista de verificao em

  • 14

    categorias, com critrios especficos para obteno de crditos. Com a ponderao dos

    critrios o projeto ser enquadrado em uma das classes de desempenho.

    O Green Star foi desenvolvido para o mercado imobilirio da Austrlia e abrange uma srie

    de categorias que so divididas em crditos, cada um dos quais aborda uma iniciativa que

    melhora ou tem o potencial para melhorar o desempenho ambiental.

    No Japo o Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency

    (CASBEE) parte da divulgao do resultado da avaliao e a execuo de avaliaes

    ambientais centradas na sustentabilidade dos edifcios, como sendo indispensveis para

    promover incentivos construo de alta qualidade para os proprietrios, criadores e usurios.

    Para o setor da construo civil dos Estados Unidos foi desenvolvido pelo United State Green

    Building Council (USGBC), o Leadership in Energy and Environmental Design (LEED)

    com o propsito de disseminar os conceitos de construo sustentvel, baseado em

    especificaes de desempenho, com referncia em princpios de uso de energia consolidados

    em normas e recomendaes de organismos com credibilidade reconhecida. O mtodo

    apresenta uma lista de verificaes com um mnimo de critrios a serem cumpridos como pr-

    requisitos.

    Os procedimentos do Haute Qualit Envaironnementale (HQE) sistema de certificao

    francs, so apoiados: uma parte sobre um sistema de gerenciamento ambiental da operao,

    estvel e conduzida sob a responsabilidade do mestre de obra. Outra sobre as exigncias

    ambientais definidas na origem do projeto conforme seu contexto e suas prioridades do mestre

    de obra.

    O sistema Alta Qualidade Ambiental (AQUA) o nico sistema de certificao brasileiro de

    empreendimentos sustentveis, adaptado s particularidades do Pas, com base no referencial

    francs. Desenvolvido pela Fundao Vanzolini e especialistas do Departamento de

    Construo Civil da Escola Politcnica da Universidade de So Paulo (EP-USP) o sistema

    representante oficial do Brasil na Global Environmental Alliance Construction (GEA), a rede

    internacional de certificao de construes sustentveis.

    Considerada esta existncia de vrios sistemas para certificao de edifcios com foco em

    sustentabilidade e o lanamento do sistema nacional de avaliao de desempenho de

    empreendimentos sustentveis, surge a necessidade de uma anlise comparativa para a

    verificao se os critrios de avaliao do desempenho em sustentabilidade do ambiente

    construdo podem ser aplicveis na fase de operao, ou seja, quando dos edifcios em uso.

  • 15

    1.2. OBJETIVO

    A partir da descrio do conceito de desenvolvimento sustentvel, anlise de metodologias de

    avaliao de desempenho, gerenciamento da operao de edifcios e correlao das duas

    certificaes, hoje utilizadas no pas na avaliao de empreendimentos e de edifcios

    sustentveis: LEED e AQUA, comparar as duas certificaes de acordo com as suas

    categorias/ classificaes, identificando os requisitos tcnicos aplicveis no gerenciamento da

    operao do edifcio em uso, de modo a proporcionar aos gerentes de facilidades condies

    que possibilitem entre outros valores: a reduo de custos operacionais, ganhos de

    produtividade e diminuio do impacto ambiental por meio dos critrios e requisitos destas

    certificaes.

    1.3. METODOLOGIA

    Os diversos sistemas de avaliao disponveis esto voltados para o projeto e construo de

    um edifcio sustentvel, porm a garantia dessa sustentabilidade ao longo do uso depende

    fundamentalmente de um sistema de avaliao sistemtico do desempenho dos diversos

    sistemas ao longo da operao ciclo de vida do edifcio.

    Dos principais sistemas e metodologias de certificao de empreendimentos sustentveis:

    BREEAM1 - Inglaterra, Green Star - Austrlia, CASBEE (JSBC, 2002)2 - Japo, LEED -

    Estados Unidos da Amrica, HQE - Frana, e AQUA - Brasil; foram selecionados: o LEED-

    EB: OM e AQUA, para serem analisados, e a partir dos critrios e das metodologias

    aplicadas, verificar a aplicao de requisitos para a avaliao de desempenho em

    sustentabilidade do ambiente construdo em operao.

    Para tanto se realizou uma pesquisa de metodologias de avaliao de edifcios que atendem a

    fase de operao de edifcios e uma investigao dos principais sistemas de certificaes

    utilizados no pas.

    Alm disso, a participao em grupo de estudo de avaliao e ao para a adequao do

    Leardership in Energy and Environmental Design for New Construction (LEED-NC) para a 1 BRE Building Research Establishment Assessment Method (BREEAM) 2 Japan Sustainability Building Consortium. JSBC (ed). Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency CASBEE, 2002, 14pp.

  • 16

    realidade brasileira junto ao USGBC, fez parte da metodologia utilizada para o

    desenvolvimento deste trabalho, complementada com a pesquisa bibliogrfica sobre o tema.

    1.4. ESTRUTURA DA MONOGRAFIA

    O texto foi desenvolvido a partir da conceituao do tema: desenvolvimento sustentvel, por

    se tratar da operao do edifcio em uso e sendo esta caracterizada pela inovao e

    manuteno contnua dos processos de gesto do edifcio, que atribuda responsabilidade

    da rea de gerenciamento de facilidades.

    Assim, sero apresentadas, no captulo 4, duas metodologias para a avaliao de desempenho

    de edifcios que atendem a fase de operao e uso do edifcio, e no captulo 5, os principais

    sistemas de avaliao e certificaes ambientais dos edifcios, existentes na atualidade, que

    estaro complementados em conceito, no captulo 6, com a definio do gerenciamento da

    operao do edifcio em uso.

    Finalmente no captulo 7, ser estabelecida uma co-relao entre os sistemas que possibilite

    uma anlise comparativa e a verificao de sua pertinncia quanto ao conceito de

    sustentabilidade e a aplicabilidade na fase de operao do edifcio em uso.

    Encontra-se nos Anexos II e III os resumos dos sistemas LEED-EB: O&M e AQUA,

    respectivamente, com suas principais caractersticas.

  • 17

    2. SUSTENTABILIDADE

    2.1. SOBRE SUSTENTABILIDADE

    A palavra sustentabilidade tem sido utilizada em muitas situaes hoje, e sustentabilidade ecolgica um

    dos termos que confunde muito a todos. Voc escuta sobre desenvolvimento sustentvel, crescimento

    sustentvel, economia sustentvel, sociedade sustentvel, agricultura sustentvel, todas as coisas so

    sustentveis? (TEMPLE, 1992)

    A World Commission on Environment and Development3 (WCED) criou uma das mais

    difundidas definies de sustentabilidade como sendo: o desenvolvimento econmico e social

    que atende as necessidades das geraes atuais sem comprometer a habilidade das geraes

    futuras atenderem as suas prprias necessidades (BRUTLAND, 1987).

    Nos Estados Unidos, a Federal Trade Commission4 publicou uma norma que estabelece

    diretrizes para o uso dos termos relacionados com a questo ambiental apontando uma

    tendncia a caracterizao deste assunto como ainda indefinido e multidisciplinar, que permiti

    diferentes interpretaes de termos relacionados com o tema. Incluindo a International

    Standard Organization (ISO) que tambm possui uma norma especfica para o tema: a ISO 14

    021 - Environmental Labels and Declarations (1999)5

    Segundo Hasna, a sustentabilidade um processo de todos os aspectos da vida humana cujo

    desenvolvimento colocado como suportado fisicamente. Isso quer dizer: resolver o conflito

    entre as vrias metas concorrentes que implica no processo simultneo de prosperidade

    econmica, de qualidade ambiental e equidade social. Com isso apresentou a expresso

    conhecida como linha de base de trs dimenses da sustentabilidade (Triple Bottom Line of

    Sustainability) ; resultante de um vetor da tecnologia e de um envolvimento continuo no

    processo para se atingir a sustentabilidade. Este processo naturalmente de grande 3 A Comisso Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED), conhecida pelo nome de seu presidente Gro Harlem Brundtland, foi convocada pela Organizao das Naes Unidas em 1983 4 A Federal Trade Commission uma agncia independente do governo dos Estados Unidos, criada em 1914 pela Federal Trade Commission Act. A sua principal misso a promoo da "defesa do consumidor" e eliminao e preveno de prticas comerciais, tais como o monoplio coercivo. 5 A ISO 14021 uma norma internacional que fornece orientaes sobre como fazer crditos ambientais auto-declarados globais mantendo onvel de igualdade no mercado

  • 18

    importncia, mas apenas como um meio de chegar ao destino. No entanto, o "destino" de

    sustentabilidade no um lugar fixo no sentido de que normal entender destino. Em vez

    disso, um conjunto de caractersticas desejadas de um futuro sistema (HASNA, 2007).

    O desenvolvimento baseado na preservao do meio ambiente geralmente diferenciado do

    desenvolvimento sustentvel por focar na minimizao do impacto ambiental, e seus

    defensores consideram ser a sustentabilidade ambiental mais importante diante das

    consideraes econmica e cultural. A favor do desenvolvimento sustentvel argumenta-se

    que ele s fornece melhor contexto onde as propostas de desenvolvimento baseada na

    preservao do meio ambiente inatingvel. Por exemplo, a implantao da instalao de

    tratamento de altos custos de manuteno pode no ser sustentvel em regies no mundo com

    menos recursos financeiros.

    Algumas investigaes comeam a partir desta definio a argumentar que o ambiente uma

    combinao entre natureza e cultura. A rede de excelncia Sustainable Development in a

    Diverse World6, patrocinada pela Unio Europia integra a este tema capacidades

    multidisciplinares e interpreta a diversidade cultural, como um elemento chave de uma nova

    estratgia para o desenvolvimento sustentvel.

    A Unesco Universal Declaration on Cultural Diversity7 desenvolve o conceito, afirmando que

    "... a diversidade cultural to necessria para a humanidade como a biodiversidade para a

    natureza"; torna-se "...uma das razes de desenvolvimento entendida no apenas em termos do

    crescimento econmico, mas tambm como um meio para atingir uma existncia mais

    satisfatria: intelectual, emocional, moral e espiritual". Nesta viso, a diversidade cultural a

    quarta rea poltica do desenvolvimento sustentvel.

    Publicada em 1992, pela United Nations (ONU), a Agenda 21, foi um plano ambicioso de

    ao global para o sculo 21, que estabelecia uma viso de longo prazo para equilibrar

    necessidades econmicas e sociais com os recursos naturais do planeta tendo sido adotada, na

    ocasio da prpria UNCED8 por 178 pases.

    Para a Agenda 21 so identificados: informao, integrao e participao, como a principal

    chave para ajudar pases, que reconhecem estes pilares interdependentes, a alcanar o

    desenvolvimento. Isto demonstra que o desenvolvimento sustentvel um usurio e provedor

    6Rede temtica sobre "Crescimento Econmico e Inovao em ambientes multiculturais", que em 2001 foi pioneira na investigao multidisciplinar sobre a diversidade cultural. O projeto teve inicio em 2001 e terminou em 2004. 7 Declarao Universal sobre a Diversidade Cultural (UNESCO, 2001) 8 United Nations Conference on Environment and Development - Earth Submit ou ECO92

  • 19

    de informaes para todos. Ela tambm adverte que h necessidade de mudana dos velhos

    setores de caminhos centralizados, em fazer negcios com novas abordagens, que envolvam

    coordenao e integrao destes com as preocupaes ambientais e sociais em todos os

    processos de desenvolvimento. Alm disso, a Agenda 21 salienta que a ampla participao

    pblica na tomada de decises uma condio fundamental para alcanar um

    desenvolvimento sustentvel (ALLEN, 2007).

    2.2. SUSTENTABILIDADE E A CONSTRUO CIVIL

    No setor da Construo Civil, as interpretaes mais relevantes so a Agenda Habitat II,

    assinada na conferncia de 1996 da ONU, em Istambul, a CIB Agenda 21 for Sustainable

    Construction9 (1999), que apresenta medidas de reduo dos impactos ambientais atravs de

    alteraes das formas como os edifcios so projetados, construdos e gerenciados ao longo do

    tempo e a CIB/UNEP Agenda 21 for Sustainable Construction in Development Countries10

    (2002)

    A construo sustentvel significa que os princpios do desenvolvimento sustentvel so

    aplicados na compreenso do ciclo da construo: a matria prima extrada e beneficiada,

    demolio e gerenciamento dos resduos slidos resultantes, atravs do planejamento, projeto

    e construo da infra-estrutura e edifcios. Este um processo holstico que ganha na

    restaurao e manuteno harmnica entre o meio ambiente natural e construdo, ao criar

    assentamentos que afirmam a dignidade humana e encorajam o equilbrio econmico.

    Os pases em desenvolvimento possuem diferentes climas, culturas e condies econmicas,

    apesar de terem muitos problemas em comum. O foco da Agenda 21 est nos aspectos

    comuns enquanto reconhece a diversidade e o fato de que solues podem ser apropriadas

    somente se vierem do nvel local. Os pases em desenvolvimento tambm compartilham

    barreiras para a implementao da construo sustentvel pelos seus ambientes econmicos

    incertos, falta e desconhecimento da capacidade no campo da construo sustentvel, pobreza

    9 Destina-se a ser um intermedirio entre as Agendas existentes no Relatrio Brundtland e da Agenda Habitat, e as nacionais/ regionais agendas para o ambiente construdo do sector da construo. 10 Encomendada como parte do plano de ao para a implementao da Agenda 21 sobre Construo Sustentvel, publicado pelo Conselho Internacional para a Investigao e Inovao na Construo (CIB)

  • 20

    e subseqente baixo investimento urbano, falta de dados acurados, e falta de interesse dos

    intervenientes no desenvolvimento e uso das melhores prticas de sustentabilidade

    A comunidade internacional tem enriquecido alguns argumentos na descrio do

    desenvolvimento sustentvel que um caminho do desenvolvimento sustentvel est nos

    requisitos do nosso relacionamento com o meio ambiente fsico e sua reciprocidade, e nos

    modelos econmicos escolhidos para facilitar esta interao O desafio encontrar estes

    requisitos.

    Para isso uma serie de determinantes interdependentes e multidimensional so requeridas,

    seguindo abordagem sistmica, diferente da usual do setor. Desenvolver uma abordagem

    determinante de requisitos necessrios que opere simultaneamente to bem em vrias escalas,

    quanto nos diferentes horizontes de tempo.

    Em termos de escala, as determinantes precisam cobrir a faixa de necessidades do nvel

    urbano, abaixo do nvel dos componentes e materiais. Em termos de calendrios, estas

    certamente so as determinantes imediatas que devem ser desenvolvidas para prover uma base

    slida a trabalhar, enquanto as solues de mdio e longo termo so simultaneamente

    desenvolvidas.

    A determinante imediata relata para a criao de um meio ambiente vivel e uma

    coleo e compartilhamento de informaes para uma avaliao e benchmarking11

    A determinante de mdio termo relata para a mitigao do impacto e atual

    implementao de prticas de construo sustentvel

    A determinante de longo termo relata para a criao de totalmente novo e mais

    sustentvel paradigma construo do meio ambiente.

    O setor da construo ter que ser reinventado, no uso de matrias e como eles so

    produzidos, e neste sentido as mudanas sero mais fceis nos pases em desenvolvimento,

    por terem, pelos desafios da experincia de sobrevivncias, uso de inovaes, adaptao e

    execuo de mais com menos.

    Ainda outros pesquisadores acreditam que os desafios ambientais e sociais podem ser vistos

    como oportunidades de desenvolvimento e ao. Isto ser particularmente verdade no

    conceito de empresa sustentvel. Este quadro de necessidades globais de oportunidades para

    as empresas privadas fornecedor de solues inovadoras e empreendedoras. Esta opinio 11 Benchmarking uma metodologia de avaliao de desempenho baseada na pesquisa das melhores prticas e resultados entre as instituies e empresas afins.

  • 21

    atualmente ensinada em muitas escolas, incluindo o Center for Sustainable Global Enterprise

    da Universidade de Cornell e Erb Institute for Global Sustainable Enterprise da Universidade

    de Michigan, nos Estados Unidos da Amrica.

  • 22

    3. DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL

    3.1. DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL: CONCEITO

    A Diviso para o Desenvolvimento Sustentvel da ONU enumera as seguintes reas no

    mbito de aplicao do desenvolvimento sustentvel:

    Agricultura Atmosfera

    Biodiversidade Biotecnologia

    Edifcios capacitados Alteraes Climticas

    Consumo e os padres de produo Demografia

    Desertificao e Seca Gesto e Reduo de desastres

    Educao e conscientizao Energia

    Finanas Matas

    gua Pura Sade

    Centros Urbanos Indicadores

    Construo Civil Informaes para Deciso e Participao

    Decises integradas Direito Internacional

    Cooperao Internacional para o Meio Ambiente Mecanismos institucionais

    Gesto das terras Montanhas

    Estratgias nacionais de Desenvolvimento Sustentvel Oceanos e os mares

    Empobrecimento Saneamento

    Cincia SIDS12

    Ecoturismo Tecnologia

    Substncias qumicas txicas Comrcio e Meio Ambiente

    Transportes Resduos Perigosos

    Resduos Radioativos Resduos Slidos

    gua Grupos Majoritrios Fonte: United Nations Division for Sustainable Development. Documents: Sustainable Development Issues Retrieved: 2007 Figura 1 - APLICAO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL

    12 Sustainable Development in a Diverse World - Network of Excellence on Sustainable Development in a Diverse World - http://www.susdiv.org

  • 23

    O conceito de sustentabilidade bem como as necessidades da evoluo humana diz respeito,

    no sentido amplo e tri-polar, ao meio ambiente e as situaes sociais e econmicas. Podendo-

    se chegar ao desenvolvimento sustentvel como a confluncia das trs partes.

    Sustentabilidade significa durabilidade e deve ser vista como uma necessria frente, para a

    garantia da perpetuao humana sem sacrificar os recursos naturais, considerando o termo

    como aplicado no somente aos elementos reguladores de clima pelas matas e oceanos, mas

    tambm pelos recursos de ventilao com alta umidade, baixo ndice de contaminantes,

    permeabilidade do solo e disponibilidade de cu nas reas urbanas.

    Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki

    Figura 2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL

    DURVEL

    IMPARCIAL

    VIVEL

    SUPORTVEL

    DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL

    SOCIAL

    ECONMICO AMBIENTAL

  • 24

    3.2. DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL E A CONSTRUO CIVIL

    Deve-se destacar o papel determinante desempenhado pelo ambiente construdo na demanda

    global por recursos naturais, contemplados o impacto ambiental na indstria da construo

    civil e o estoque de edifcios construdos e utilizados.

    Para o atendimento de metas em desenvolvimento sustentvel, o setor da construo civil ter

    um papel significativo, por se tratar de uma das atividades humanas de maior impacto sobre o

    meio ambiente. Atividades da construo, uso, reparo, manuteno e demolio consomem

    recursos e geram resduos em propores que em muito superam a maioria das atividades

    econmicas

    O impacto ambiental13 negativo no planeta considerado em torno de 23% acima da

    capacidade de regenerao, segundo fonte da Global Footprint Network, 2006.

    A sustentabilidade principalmente uma resposta s presses ambientais mundiais de vulto14,

    sendo o espao construdo o foco da ateno dos agentes alinhados com os ideais de

    sustentabilidade por responder, aproximadamente, em 50% de toda a demanda por recursos

    (EDWARDS, 2003)15

    O Banco Mundial estima que seja gasta com infra-estrutura, aproximadamente, US$ 2 trilhes

    at 2018, sendo a metade de toda esta soma despendida nos pases em desenvolvimento, e que

    o impacto scio-econmico do espao construdo determinante para o desenvolvimento

    econmico mundial na considerao da explorao de matria prima, transporte de materiais

    de construo, consumo de energia, mercado de produtos imobilirios e etc.

    estimativa de crescimento de 98% para a populao global (UNEP, 2003), por volta de

    2025, e o grande aumento da demanda e impacto do espao construdo ser em pases em

    desenvolvimento, prevendo quase todo crescimento populacional do planeta em reas pobres.

    O potencial de gerao de resduos e o grande consumo de matria prima geram demanda

    ambiental no espao construdo, da ordem de 36% do total da energia utilizada, 65% do

    consumo de eletricidade, 30% das emisses de gases (GHGs)16, 30% de matria prima e 12%

    13 A ISO 14000 define como qualquer modificao do meio ambiente, adversa ou benfica, que resulte, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou servios de uma organizao (ABNT, 1996) 14 Objeto da Agenda 21 for Sustainable Constrution in Developing Countries 15Dr Suzy Edwards leciona na faculdade de educao da Monash University. Australia. 16 Green House Gases gases do efeito estufa

  • 25

    do consumo de gua potvel nos edifcios dos EUA, segundo o United States Green Building

    Council (USGBC, 2006)

    No Brasil, os resduos das atividades de construo e demolio correspondem a quase a

    metade dos resduos slidos municipais (PINTO, 1999)

    O dficit habitacional brasileiro em 2003, de 15% do total de domiclios criou um prognstico

    de potencial de crescimento da indstria da construo civil e do impacto do ambiente

    construdo em todo o pas.

    Os estados mais urbanizados como o Rio de Janeiro, Minas Gerais e So Paulo, concentram

    os maiores nmeros deste dficit 38% do total do pas sendo que o estado de So Paulo

    sozinho responde por 23% do total do pas, com crescimento relativo de 16,5% na ltima

    dcada (HERNANDES, 2007).

    Fonte: FGV, 2003

    Figura 3 DFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO

    O setor da construo civil considerado pilar da economia nacional sendo responsvel por

    6,5% do PIB do pas, podendo chegar a 14,5% se englobarmos as indstrias de materiais de

    construo e demais fornecedores de insumos.

    Em confirmao ao perfil internacional de aproximadamente 7% da gerao de emprego da

    fora de trabalho mundial, no Brasil em 2003, a indstria da construo civil empregou 3,77

    milhes de pessoas, o que representou 5,6% da populao economicamente ativa (FGV,

    2005).

    DEFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO

    RIO DE JANEIRO MINAS GERAIS

    15

    SO PAULO23

    OUTROS ESTADOS

    62

  • 26

    A escala da questo do impacto do espao construdo pode ser ilustrada por alguns fatos:

    A produo de cimento um dos principais agentes antropognicos a contribuir nas

    emisses de gases do efeito estufa (GHGs);

    Anualmente uma nova rea equivalente ao estado do Rio de janeiro ocupada por

    urbanizao no mundo;

    Trs quartos dos cento e onze milhes de empregos gerados pela indstria da

    construo civil esto nos pases em desenvolvimento;

    No Brasil, em alguns pases em desenvolvimento e em quase todos os pases

    desenvolvidos, a indstria da construo civil responde por aproximadamente 10% de

    todo o PIB (Agenda 21 - CIB,2002).

    A estrutura de prioridades para o desenvolvimento sustentvel em pases desenvolvidos e em

    desenvolvimento possui grandes diferenas e foram denominadas por Agenda Verde e

    Agenda Marrom, sendo a primeira concentrada em diminuir o impacto ambiental da produo

    urbana e a outra enfatizada na necessidade de reduo dos riscos ambientais sade e

    qualidade de vida (CIB, 2002).

    Agenda Verde Agenda Marrom

    Preocupao Chave Bem-estar humano Bem-estar do eco-sistema

    Prazo Imediato Longo

    Escala Local Local para global

    Prioridades Grupos Pobres Geraes Futuras

    Viso da Natureza Manipular e usar Proteger e trabalhar

    Recursos Ambientais Providenciar mais Usar menos

    Fonte: Agenda 21, CIB 2002.

    Figura 4 AGENDA VERDE E AGENDA MARROM

  • 27

    Os recursos financeiros precrios e a demanda por um volume excepcional de construo para

    combater a pobreza e garantir nveis mnimos de qualidade de vida a grandes propores da

    populao, nos pases em desenvolvimento, divergem da proposio de proteo ambiental

    como prioridade, levando a viabilidade econmica a assumir uma importncia vital. Portanto,

    a construo sustentvel implica na busca do equilbrio entre a viabilidade econmica que

    mantm as atividades, as limitaes do ambiente e as necessidades da sociedade, sem

    priorizar uma em detrimento de outras.

  • 28

    4. METODOLOGIAS DE DESEMPENHO

    4.1. ANLISE DO CICLO DE VIDA (LCA)

    Construo sustentvel significa benefcio, alto desempenho e viabilidade econmica, no

    longo prazo, com senso de responsabilidade social e solues concretas de sade, segurana,

    produtividade e relao custo-eficincia.

    Os projetos ambientalmente responsveis devem ser mais durveis, econmicos e eficientes

    para operar e oferecer ambientes mais saudveis e confortveis para os ocupantes e usurios.

    Conforme a Associao Brasileira de Normas Tcnicas (ABNT) NBR 1403717:

    A edificao construda no pode ser entendida, ela prpria, como a realizao do objetivo do processo, pois somente aps a concluso do projeto e da execuo da edificao que ela pode ser colocada a

    servio de seus usurios e, servindo-os adequadamente em relao ao previsto, realizar o motivo pelo qual

    a edificao foi produzida.

    O conceito de ciclo de vida de um edifcio definido pelas fases que conectam o incio ao

    final de um projeto, sendo o conceito de projeto, no restrito ao desenho arquitetnico ou de

    engenharia, mas o esforo temporrio empreendido para a criao de um produto ou servio18.

    Este esforo no se encerra na fase de concluso da obra, ele se estende por toda a vida til.

    Inclui fases de renovao e adequao parcial ou total de seus sistemas at sua disposio

    final.

    Colocada a vida til aproximada de um edifcio em torno de 40 anos, os edifcios construdos

    hoje representaro o padro do estoque construdo em 2030 ou 2040 e com isso sero estes os

    edifcios que estaro em uso na ocasio das grandes mudanas climticas e do aumento da

    crise energtica prevista

    Os conceitos de edifcio verde ou sustentvel devem apontar para a preocupao da melhoria

    no desempenho ambiental e econmico das edificaes. Com modelos de avaliao que visem

    17 NBR 14.037 Manual de operao, uso e manuteno das edificaes Contedo e recomendaes para elaborao e apresentao. Mar 1998 18 PMI Project Management Institute no documento Um Guia do Conjunto de Conhecimentos em Gerenciamento de Projetos (2004)

  • 29

    aspectos que vo desde a seleo do terreno para a minimizao do impacto ambiental

    decorrente da implantao do edifcio, passando por eficincia na utilizao dos recursos,

    qualidade ambiental e ampliao de seu ciclo de vida.

    Considerados os requisitos de sustentabilidade, pode-se perceber a relevncia do tema

    manutenabilidade, que um fator importante para a ampliao do ciclo de vida de um edifcio

    e tambm para a reduo de despesas. A avaliao ambiental dos edifcios tem sido derivada dos procedimentos e avaliao dos

    impactos ambientais de processos ou produtos industrializados. A metodologia, de anlise do

    Ciclo de Vida (LCA)19, considerada internacionalmente e definida pela SETAC20 como sendo

    o processo para avaliar:

    As implicaes ambientais dos processos ou atividade atravs da identificao e

    quantificao dos usos de energia e matrias e emisses ambientais;

    O impacto ambiental destes usos de energia e matria e das emisses;

    As oportunidades de melhorias ambientais.

    A avaliao inclui todo o ciclo de vida, abrangendo a extrao, processamento de matria

    prima, manufatura, transporte e distribuio, uso, reuso, manuteno, reciclagem e disposio

    final.

    Esta definio foi consolidada na srie de normas ISO 14.00021, como procedimento para

    anlise formal da complexa interao de um sistema com o ambiente ao longo de todo o seu

    ciclo de vida conhecido como enfoque do bero ao tmulo (cradle-to-grave).

    Especificamente na construo civil este conceito de anlise do ciclo de vida tem sido

    aplicado em:

    Avaliao de materiais de construo, para fins de melhoria de processo e produto;

    Rotulao ambiental de produto;

    Ferramentas computacionais de suporte a deciso e auxlio ao projeto, especializadas

    no uso de LCA para medir ou comparar o desempenho ambiental de materiais e

    componentes de construo civil;

    19 Life-cycle Assessement anlise do Ciclo de Vida 20 Society for Environmental Toxicology and Chemistry - 1991 21 ISO 14000 uma srie de normas desenvolvidas pela International Organization for Standardization (ISO) e que estabelecem diretrizes sobre a rea de gesto ambiental dentro de empresas.

  • 30

    Instrumentos de informao aos projetistas;

    Esquemas de avaliao/ certificao ambiental de edifcios.

    Conforme ISO 14.04022, a metodologia de anlise do ciclo de vida se divide em quatro etapas:

    Fonte: Silva, V. G.2003

    Figura 5 - METODOLOGIA DE ANLISE DO CICLO DE VIDA

    1 etapa Definio do Objetivo estabelece o objetivo do estudo sua abrangncia e

    profundidade;

    2 etapa- Construo do Inventrio estudo dos fluxos de energia e materiais para

    identificao e quantificao dos inputs e outputs, associados a um produto durante todo o seu

    ciclo de vida;

    3 etapa Avaliao do Impacto este fluxos de recursos e emisses so caracterizados

    segundo uma srie de indicadores de impacto ambiental;

    4 etapa Interpretao dos Dados confronta o impacto resultante com as metas propostas.

    22 ISO 14040 Princpios e Estrutura da anlise do ciclo de vida

    OBJETIVO

    INVENTRIO

    IMPACTO

    INTERPRETAO DOS DADOS

    METODOLGIA DE ANLISE DO CICLO DE VIDA

  • 31

    4.1.1. LCA E A AVALIAO AMBIENTAL DOS EDIFCIOS

    Considerado como um processo complexo e longo, a anlise do ciclo de vida tem recebido um

    crescente investimento em pesquisa na construo civil, por acrescentar uma dimenso

    cientfica discusso ambiental.

    Na crise energtica do petrleo dos anos 70, todos os estudos se concentraram nos aspectos do

    uso de energia, assim a avaliao ambiental de edifcios ao enfatizar aspectos como energia

    incorporada aos materiais e o volume de resduos gerados na construo civil, apresenta uma

    nova faceta que no deve ser negligenciada.

    A anlise do ciclo de vida procura, assim como todos os esquemas de avaliaes existentes,

    minimizar a subjetividade e retratar com objetividade um determinado produto em termos de

    fluxo de entrada consumo de recursos e sada emisso de resduos de um sistema.

    Fonte: Silva, V. G.2003

    Figura 6 CICLO DE VIDA GENRICO DE UM EDIFCIO

    REUTILIZAO

    USO-OPERAO

    MANUTENO

    RECICLAGEM

    EDIFCIO

    Planejamento / Projeto

    CONSTRUO

    Extrao /

    Manufatura

    DESCARTE

    CICLO DE VIDA GENRICO DE UM EDIFCIO

  • 32

    Estender o conceito de processo global de produo e utilizao, com o princpio de que todas

    as suas fases so geradoras de impacto ambiental, para avaliar o desempenho de um edifcio

    significa gerar informaes quanto aos fluxos definidos pela implantao, processo de

    construo, seleo de materiais, flexibilidade de projeto, planejamento da operao e

    gerenciamento de resduos de construo e demolio.

    Por se tratar de avaliao complexa, no cenrio do Brasil, a implantao do LCA para a

    avaliao de edifcios foi considerada impraticvel e insuficiente23. Impraticvel por no

    existir no Brasil, dados confiveis de LCA de matrias de construo nacionais, salvo dados

    de cimento. Insuficientes por apenas contemplar o desempenho ambiental atravs do fluxo de

    materiais, no atendendo a etapa de utilizao do edifcio quanto ao aspecto da qualidade do

    ambiente interno, por exemplo, cuja avaliao compreende efeitos sobre seus ocupantes e

    suas percepes.

    A avaliao de edifcios deve abranger no s os impactos ambientais mais tambm os

    impactos sociais e econmicos, principalmente em pases em desenvolvimento.

    A conscincia destas limitaes atuais, o emprego de dados confiveis e fundamentos do

    LCA, abrem uma perspectiva sistmica para anlise do processo de produo, utilizao e

    modificao do ambiente construdo.

    Com isso a maioria dos mtodos de avaliao de edifcios no emprega o LCA como

    ferramenta de apoio na distribuio de crditos ambientais relacionados ao uso de materiais.

    O mais comum extrair do LCA o conceito de ciclo de vida e utiliz-lo para aumentar a

    abrangncia da avaliao do edifcio. Ainda que utilizado o conceito bero ao stio, que

    considera apenas os impactos at a etapa de uso/ ocupao do edifcio, em vez de bero ao

    tmulo, considerado o conceito bsico da LCA, at o descarte total com a demolio.

    Originalmente desenvolvido na esfera de avaliao de produtos, o conceito de LCA forneceu

    a base para o desenvolvimento das metodologias para a avaliao ambiental de edifcios que

    surgiram na dcada de 90 no EUA e no Canad. Todas estas metodologias partilhavam o

    objetivo de encorajar a demanda do mercado por nveis superiores de desempenho ambiental,

    para o diagnstico de eventuais necessidades de interveno no estoque construdo, e para

    orientar projetistas ou sustentar a distribuio de selos ambientais para edifcios (SILVA,

    2003)

    23 Silva,V. G. Avaliao da Sustentabilidade de Edifcios de Escritrio Brasileiros: Diretrizes e Base Metodolgicas

  • 33

    4.2. DESEMPENHO BSICO DOS EDIFCIOS

    Desempenho (...) a prtica de pensar e de trabalhar em termos mais de fins do que de meios. Preocupa-

    se com a funo que uma construo ou um produto de construo ter de desempenhar e no em

    prescrever como ela dever ser realizada. CIB Report-64

    O projeto Performance Based Building (PBB) uma rede de trabalho temtica dedicada

    explorao do conceito baseado no desempenho e aplicado ao setor de construes e

    edificaes, que pretende proporcionar um tipo de ligao entre diferentes grupos de tarefas e

    assegurar que, ao final do projeto, exista uma compreenso comum de uma abordagem

    baseada no desempenho aplicada ao setor da construo.

    Assim, a diferena entre PBB e a prtica tradicional que ela no descreve como fazer as

    coisas. Na abordagem de desempenho, todas as decises, escolhas e negociaes comeam

    com: desempenho exigido no uso. O fornecedor responde com uma oferta que inclui o seu

    desempenho estimado. Este desempenho estabelecido, verificado e validado principalmente

    por meio de pesquisas.

    O foco do PBB est no desempenho alvo exigido para os processos comerciais e para as

    necessidades dos usurios. Definir as exigncias e as finalidades de cada construo, de cada

    item construdo, de cada produto ou servio, desde o incio.

    A abordagem do desempenho pode ser usada quando se est lidando com itens novos ou j

    existentes e aplicvel na obteno de qualidade e gerenciamento dos bens construdos, para

    qualquer fase do ciclo. Ao tornar explcitas as exigncias do cliente, esta abordagem atende ao

    sistema de gerncia de qualidade e segurana definido nos padres ISO 9000 e

    9001:2000.24.

    Podem-se destacar duas caractersticas fundamentais do Conceito de Desempenho:

    O uso de duas linguagens, uma para a demanda de desempenho e outra para a

    satisfao do desempenho

    24 ISO 9000 designa um grupo de normas tcnicas que estabelecem um modelo de gesto da qualidade para organizaes em geral, qualquer que seja o seu tipo ou dimenso e ISO 9001 Quality Management (Gerenciamento da Qualidade)

  • 34

    Fonte: PeBBu25 Final Report

    Figura 7 Duas Linguagens

    Um mtodo de validao, por medida, clculo ou teste, necessrio para avaliar o

    desempenho e para comparar as solues alternativas. A decomposio sistemtica cria um

    conjunto coerente de exigncias de desempenho e de solues tcnicas com mtodos de

    validao adequados.

    Para comparar a demanda e a oferta, uma das metodologias que pode ser usada a anlise

    baseada nas escalas calibradas, que medem tanto os nveis de exigncia quanto a capacidade

    do edifcio j construdo. Essa metodologia, anlise de gap26, padro ASTM27 e ANSI28 e

    considerada como padro ISO, e foi tambm traduzida para o francs, em colaborao com o

    CSTB29.

    Como parte desse processo, as necessidades e o uso pretendido se traduzem no desempenho

    exigido (SPEKKINK, 2005). Com base nessas informaes, a validao da soluo durante o

    comissionamento e o uso pode ser mais fcil e mais transparente.

    25 Performence Based Building Conceptual Framework 26 Expresso utilizada para designar diferenas e espaos vazios na linha de anlise de desempenho (vo, diferena, brecha, desnvel) 27 American Society for Testing and Materials International Standards Worldwide uma das maiores organizao de desenvolvimento de padronizao voluntria 28 American National Standards Institute - Claim Adjustment Reason Codes Cdigo de Regularizao (EUA) 29 Centre Scientifique et Technique du Btiment estabelecimento pblico de carter industrial e comercial para certificao de produtos- Paris

    DUAS LINGUAGENS

    POR QUE? Descreve a misso e a

    finalidade

    O QUE? Define os fins e os resultados esperados

    COMPARAR &

    COMBINAR

    COMO Pode uma ou mais soluo atender s exigncias?.

    FORNECEDOR Fornecedor participante compreende e responde adequadamente

    CLIENTES Usurios/Fregueses

  • 35

    A necessidade de validao e de verificao dos resultados, em comparao

    com os alvos de desempenho

    Cada vez mais os clientes querem e precisam ser capazes de avaliar o desempenho das

    construes e de outros bens construdos que utilizam.

    Incluir um mtodo de validao com indicadores de desempenho , portanto, uma

    caracterstica importante do conceito de desempenho. As solues podem ser avaliadas e

    validadas em face da demanda, utilizando-se muitas abordagens e ferramentas diferentes.

    Fonte: PeBBu Final Report

    Figura 8 Combinao da Demanda e Oferta

    O dilogo entre os dois lados e os processos de combinao demanda por oferta, identificao

    da soluo adequada, avaliao e validao aplicam-se a toda a cadeia de oferta quer seja

    feito de forma explcita e transparente ou de forma implcita e intuitiva

    Cada vez que h uma solicitao de propostas ou um contrato a cumprir, pode-se considerar a

    necessidade de declarar explicitamente as exigncias do cliente. Isto se aplica desde a escolha

    de fornecedores e se estende durante a escolha dos materiais ou ao fornecimento de qualquer

    outro recurso.

    NECESSIDADES FUNCIONAIS

    REQUISITOS DE DESEMPENHO

    VALIDAO MTODOS

    APLICAES TCNICA

    ESPECIFICAES DE DESEMPENHO

    DEMANDA

    OFERTA

  • 36

    O uso de uma abordagem baseada no desempenho no exclui o uso de especificaes

    prescritivas, quando o uso delas for mais eficiente, mais rpido ou mais barato, ou ainda,

    quando a experincia acumulada demonstrar que o desempenho da soluo est bem

    estabelecido e reconhecido como o mais adequado para aquela determinada situao.

    Os cdigos prescritivos, regulamentos e especificaes emanam da experincia do que

    funcionou no passado so a expresso do desempenho baseado na soluo escolhida e no

    conhecimento e experincia daqueles que os utilizaram, assim sendo o PBB parte de um

    continuum. No se trata de escolher entre desempenho ou prescrio. A combinao de ambos

    significa ter o melhor.

    4.2.1. MODELO DE SISTEMA DE DESEMPENHO TOTAL

    O diagrama Modelos de Sistema de Desempenho Total (MEACHAM, 2002) mapeia o

    fluxo de tomada de deciso quanto aos objetivos da sociedade, os negcios, e as solues de

    construo.

    A diferena entre as partes normativas e no-normativas do sistema que uma controlada

    por cdigos e regulamentos, que muitas vezes possuem fora de lei, ao passo que as outras

    exigncias funcionais so definidas por um cliente para um determinado projeto.

    Na Declarao de Requisitos (SoR)30, os clientes precisam declarar seus objetivos e metas

    em termos amplos. Eles podem ser divididos em grupos de tpicos (aspectos) e de sub-tpicos

    (elementos funcionais), expressos como Clusulas Funcionais que so cada vez mais precisas.

    Aplicam-se a uma hierarquia de demanda, desde as da sociedade at a dos materiais, sendo

    importante observar que os dois modelos, normativos e no-normativos, so congruentes.

    Observando a parte de baixo do diagrama (Figura 9) , os indicadores de desempenho

    mensurveis e quantificveis do projeto, instalao ou do edifcio construdo so mapeados.

    Os indicadores comeam com mtodos de teste, padres e ferramentas e movem-se atravs

    dos indicadores de durabilidade, condio e vida dos servios, que sero compreendidos,

    medidos e sobre os quais se poder agir. Outros aspectos ou atributos do projeto podem ser

    definidos e testados de maneira semelhante.

    30 SoR - Statement of Requirements Declarao de Requisitos

  • 37

    O lado direito do diagrama mostra as exigncias emanadas dos Cdigos e Regulamentos. Elas

    so expressas em termos de Exigncias Funcionais e incluem, por exemplo, todos os tpicos

    de construo e de projeto que tm alguma relao com sade e segurana.

    No lado esquerdo as exigncias no se baseiam em nenhuma lei ou regulamento. A metade

    superior do diagrama esquerda mostra as expectativas do cliente; a metade inferior apresenta

    as ferramentas, tcnicas de medidas e indicadores, que podem ser usados para testar como as

    expectativas dos clientes foram atendidas.

    No topo do diagrama, as expectativas dos clientes so expressas no nvel mais alto primeiro,

    depois traduzidas em clusulas de exigncias, depois divididas em prioridades e depois

    consideradas de acordo com as prioridades de vrios grupos de interesse.

  • 38

    Fonte: PeBBu Final Report

    Figura 9 MODELO DE SISTEMA DE DESEMPENHO TOTAL

    Modelo No Normativo Modelo Normativo

    METAS METAS

    Declarao de Requisitos (SoR) Aspectos/ Tpico/ Elementos Funcionais

    Importncia Relativa

    Nveis mnimos de limite e tolerncia ao risco

    Prioridade Operadores e Gerentes

    das Instalaes

    Prioridade Gerentes de

    propriedade e empreendimento das Instalaes

    Prioridade Condio e Vida dos Servio

    Auditoria, Verificao e Avaliao Mtodos e ferramentas de Classificao/mtodos de teste/ mtodos

    padro/ mtodos-ferramentas analticas/Guias de Projeto

    Indicadores Servibilidade e Capacidade

    Indicadores Condio e Vida

    dos Servio

    PROJETO / INSTALAES

    Prioridade Usurios e

    Proprietrios

    Desempenho Requerido & Solues Aceitveis

    Segurana Sade Incndio Estrutura Sustentabilidade

    Nveis de Desempenho Relativo/ Risco

    Exigncias Funcionais

    Critrio

    Verificao e Avaliao Mtodos de teste/ mtodos

    padro/ mtodos-ferramentas analticas/Guias de Projeto

    Solues prescritivas Solues aceitveis Solues alternativas

    Anlise detalhada Linha por linha

    Provises prescritivas

    Objetivos

    OBJETIVOS OBJETIVOS

    Solues de desempenho

    QU

    AN

    TID

    AD

    E Q

    UA

    LID

    AD

    E

    Para

    cim

    a Pa

    ra b

    aixo

    MODELO DE SISTEMA DE DESEMPENHO TOTAL: Quadro Descritivo da Totalidade do Desempenho dos Edifcios

  • 39

    4.2.2. APLICAO DO PBB

    As necessidades funcionais do usurio, implcitas ou explcitas, so prescritas nos documentos

    (SoR) preparados pelos clientes, ou nas exigncias verbais, que so comunicadas aos

    prestadores de servio, inclusive, informaes sobre o que essencial para o cliente.

    Tais documentos funcionam como metas de desempenho. Eles fornecem a ncora para a

    gerncia do ciclo de vida das instalaes. Estes documentos assumem formas diferentes,

    dependendo de quem o cliente e qual o uso do empreendimento, o que est sendo oferecido,

    em que fase do ciclo de vida um documento est sendo usado.

    Os documentos SoR so, ou deveriam ser dinmicos, no estticos, e deveriam incluir cada

    vez mais detalhes, ao longo dos projetos. Eles so parte de um processo contnuo de

    comunicao entre a demanda e a equipe de projeto. Esse processo conhecido como briefing

    no Reino Unido e em outros pases que usam o ingls britnico e como programming, em

    ingls americano.

    Os SoR podem ser acrescentados durante as diferentes fases da vida de uma instalao. Eles

    so atualizados e geridos com o uso de ferramentas eletrnicas e podem conter todas as

    exigncias de toda a vida da instalao, como parte da base de informaes para gerncia do

    portflio e do bem.

    Nos ltimos anos, o CIB e sua Working Commission (W060) organizaram uma srie de

    conferncias e de publicaes, que documentaram como o PBB pode ser implementado na

    prtica.

    Importantes grupos de proprietrios-ocupantes e seus grupos de gerncia de propriedade

    implementaram uma abordagem PPB para programas de construo especficos (ANG, 2001;

    SZIGETI, 2004; HAMMOND, 2005).

    Como parte do movimento mundial para implementar uma abordagem PBB e desenvolver

    ferramentas que facilitem a mudana para PBB, a International Alliance for Interoperability

    (IAI) criou projetos para mapear processos que so parte da Gerncia de Ciclo de Vida das

    Instalaes.

    O Anexo I demonstra como o escopo de dois projetos da IAI: Portflio and Asset

    Management Performance (PAMPeR) - Desempenho: Gerenciamento do Portfolio e Ativo -

    e o Early Design (ED) - Design Inicial, se relacionam entre si e todo o ciclo de vida

    instalaes.

  • 40

    4.2.3. NVEIS DE DESEMPENHO REQUERIDOS

    No h limite para o nmero de exigncias de desempenho que podem ser definidos. Na

    prtica, grupos de clientes preferem considerar apenas um pequeno conjunto de exigncias e

    de critrios. Se no houver uma fonte de critrios bem definida para uma determinada

    soluo, ento ser til definir as exigncias para um nmero limitado de tpicos.

    Os nveis exigidos de desempenho so geralmente colocados como parte da preparao dos

    SoR, como parte dos programas de um projeto (ou briefs), ou ainda como parte das

    solicitaes de propostas e contratos de prestao de servios.

    Quando, ao invs de descrever a soluo e como ela dever ser implementada (abordagem

    prescritiva), uma equipe de clientes prepara um documento que inclui: objetivos, metas,

    exigncias de desempenho e critrios, importante incluir indicadores de desempenho de

    modo que os resultados possam ser mensurados e no apenas confrontados com medidas

    mtricas, quer quantitativas ou qualitativas.

    Estes indicadores de desempenho precisam ser mtodos e ferramentas adequados para validar

    os indicadores e verificar se o desempenho-em-uso exigido foi alcanado. A escolha da

    soluo, incluindo os detalhes de implementao, deve ser trabalhada pela equipe de projeto

    para atender ao pedido do cliente.

    As exigncias de desempenho e as exigncias do usurio precisam estar expostas de forma

    que possam ser medidas e comparadas. Donna Duerk explica como um requerimento de

    desempenho deveria ser escrito (DUERK 1993):

    Ter foco no resultado de um objetivo

    Ser preciso e no ambguo

    Ser mensurvel

    Ser operacional

    Ser positivo e no negativo

    Poder ser usado como referncia

  • 41

    4.2.4. AVALIAO E RESULTADOS

    A avaliao pode ser feita por meio de muitos testes diferentes, dependendo das exigncias

    que esto sendo consideradas. Assim, no PBB so importantes que a finalidade da obra e os

    critrios de avaliao fiquem bem claros e explcitos.

    As avaliaes podem ser feitas a qualquer poca do ciclo de vida completo das instalaes.

    (PREISER e VISCHER, 2005).

    Se forem realizadas com um mtodo rpido, fcil e barato, podem ser feitas durante cada ciclo

    do oramento, para ajustar a alocao de recursos, que precisem de reforma, reparos ou

    alterao.

    As avaliaes de desempenho no so o mesmo que as Pesquisas de Satisfao do Usurio.

    As avaliaes de desempenho avaliam o bem fsico de acordo com um conjunto de critrios

    existentes e de indicadores de capacidade, e ento, confrontam-se os resultados com os nveis

    de desempenho exigidos

    A habilidade de combinar e de comparar oferta e demanda essencial para a abordagem PBB.

    No importa que mtodos ou que ferramentas sejam usadas, eles devem permitir algum tipo

    de medida da capacidade de desempenho das construes.

    O estudo recente de Lutzkendorf, discute os critrios gerais e os sistemas que podem ser

    usado para estruturar o desempenho da construo, de modo que as exigncias de

    desempenho, os critrios e os resultados possam vir a ser, mais facilmente, agregados e

    desagregados.

    O estudo rev os mtodos selecionados, as ferramentas e os instrumentos utilizados para

    definir as exigncias e para testar a capacidade das instalaes em satisfazer estas exigncias,

    incluindo cdigos, regulamentos e padres. Algumas das ferramentas selecionadas so

    analisadas em comparao com uma lista abrangente de critrios considerados em cada

    categoria. (LUTZKENDORF, 2005).

  • 42

    4.3. DESEMPENHO E DECISES

    Ferramentas inovadoras de apoio a decises esto comeando a surgir. Algumas delas so

    explicitamente baseadas nos conceitos de oferta e demanda. Tais ferramentas aplicam

    medidas de desempenho padronizadas que ligam as condies da instalao s exigncias

    funcionais das organizaes, seus clientes e outras exigncias de desempenho, tais como

    aspectos crticos da misso da organizao.

    Os projetos podem ser planejados, priorizados e orados com a adoo de uma abordagem

    com critrios mltiplos de oferta e demanda que seja transparente, abrangente e auditveis e

    que seja mais rpido, mais fcil e menos dispendioso do que foi no passado.

    Um resumo, capaz de prover o encontro entre requisitos e cliente, essencial para que o

    cliente realmente saiba e compreenda porque exigir, o que est prestes a ser adquirido e o que

    pode ser afirmado dos requisitos: clara, explicita e compreensivamente.

  • 43

    5. SISTEMAS DE AVALIAO AMBIENTAL DE EDIFCIOS

    O contexto da criao dos sistemas de avaliao ambiental de desempenho de edifcios,

    existentes atualmente em todos os pases da Europa, Brasil, Canad, Austrlia, Japo, Hong

    Kong e EUA, variam em suas aplicaes pretendidas, e vo desde ferramentas de apoio ao

    projeto at ferramentas de avaliao ps-ocupao.

    Poucos sistemas distinguem claramente entre o desempenho ambiental com base em

    propriedades inerentes ao edifcio (desempenho potencial) e o desempenho real do edifcio

    em operao (ZIMMERMANN, 2002), considerado desempenho potencial a avaliao de

    edifcios novos e projetos.

    Apesar de informal, pode-se considerar a existncia de uma classificao dos sistemas de

    avaliao ambiental disponvel, separada em duas categorias: os que promovem a construo

    sustentvel atravs de mecanismos de mercado, tendo como pioneiro o BREEAM que lanou

    a base de todos os sistemas de avaliao orientados para o mercado como: Hong Kong

    Building Environmental Assessment Method HK-BEAM (CET , 1999)31, LEED (USGBC,

    1999), o CSTB ESCALE32 e o CASBEE. Estes sistemas foram desenvolvidos com a inteno

    de divulgar o reconhecimento do mercado pelos esforos dispensados para melhorar a

    qualidade ambiental de projetos, execuo e gesto operacional, sendo todos vinculados a

    algum tipo de certificao de desempenho.

    O segundo grupo, orientado para pesquisa e centrados no desenvolvimento metodolgico e

    fundamentao cientfica, como o Building Environmental Performance Assessment Criteria

    (BEPAC) (COLE 1993) e seu sucessor o Green Building Challenge (GBC) (COLE e

    LARSSON, 2000).

    A seguir os principais sistemas de avaliao ambiental de edifcios.

    31 Centre of Environmental Technology LTD. HK-BEAM (New Offices): an environmental assessment for existing office buildings. Verso 2/96r. Hong Kong, CET 1999. 43 pp. 32 NIBEL S. e outros. Assessment method of buildings environmental performance. No Sustainable Building, 2000. International Conference. Procedimentos Maastricht Outubro 2002

  • 44

    REINO UNIDO (UK)

    BREEAM (BRE Environmental Assessment Method)

    Sistema baseado em critrios e benchmarks, para vrias tipologias de edifcios. Utilizao de

    critrios ponderados para gerar um ndice desempenho ambiental do edifcio, sendo um tero

    dos itens avaliados serem parte de um bloco opcional de avaliao de gesto e operao para

    o edifcio em uso. O sistema atualizado regularmente a cada 3-5 anos (BALDWIN et al.,

    1998).

    PROBE (Post-occupancy Review of Building Engineering)

    Projeto de pesquisa para melhoria da retro alimentao de edifcios, atravs de avaliao ps-

    ocupao e de mtodo publicado de avaliao e relato de energia (COHEN et al., 2001).

    ESTADOS UNIDOS DA AMRICA (EUA)

    LEED (Leardership in Energy and Environmental Design)

    Inspirado no BREEAM, o sistema tambm baseado em critrios e benchmarks. Atualizado

    regularmente a cada 3-5 anos, com verses para diferentes tipologias. Na verso para edifcios

    existentes, a linguagem ou as normas de referncia so modificadas para refletir a etapa de

    operao do edifcio (USGBC, 2001).

    MSDG (Minnesota Sustainable Design Guide)

    Sistema com base em critrios (emprego de estratgias de projeto ambientalmente

    responsvel). Ferramenta de auxlio de projeto (CARMODY, 2000).

    CANADA

    BEPAC (Building Environmental Performance Assessment Criteria)

    Inspirado no BREEAM e dedicado a edifcios novos ou existentes. O sistema distingue

    critrios de projeto e de gesto separados para o edifcio-base e para as formas de ocupao

    que ele abriga (COLE; ROUSSEAU; THEAKER, 1993).

    BREEAM Canad

    Adaptao do BREEAM (SKOPEK, 2002).

  • 45

    FRANA

    CSTB - ESCALE

    Sistema baseado em critrios e benchmarks, com resultados de perfil de desempenho global,

    detalhado por sub-perfis (CHATAGNON et al., 1998).

    HQE (Haute Qualit Environnementale)

    Focos do projeto a serem perseguidos, quando em busca da construo com alta qualidade

    ambiental.

    AUSTRLIA

    NABERS (National Australian Building Environmental Rating Scheme)

    Sistema baseado em critrios e benchmarks, para edifcios novos e existentes. Atribui

    classificao nica a partir de critrios diferentes para proprietrios e usurios. (VALE 2001).

    HONG KONG

    HK-BEAM (Hong Kong Building Environmental Assessment Method)

    Adaptao do BREEAM 93 para Hong Kong, em verses para edifcios de escritrios novos

    ou em uso e residenciais.

    ALEMANHA

    EPIQR (Energy Performance and Indoor Environmental Quality Retrofit)

    Avaliao de edifcios existentes para fins de melhorias e reparos (LTZKENDORF, 2002).

    SUCIA

    EcoEffect

    Mtodo de LCA para calcular e avaliar cargas ambientais causadas por um edifcio ao longo

    de uma vida til assumida. A avaliao do uso de energia e de materiais so feitas com base

    em LCA enquanto a avaliao de ambiente externo e interno feitos com base em critrios

    (GLAUMANN, 1999)

  • 46

    Environmental Status of Buildings

    Sistema com base em critrios e benchmarks, modificado conforme a necessidade dos

    membros (GLAUMANN, 2002).

    DINAMARCA

    BEAT 2002 (Building Environmental Assessment Tool)

    Mtodo de LCA desenvolvido pelo SBI33, que trata os efeitos ambientais da perspectiva de

    uso de energia e materiais (GLAUMANN e VON PLATEN, 2002).

    NORUEGA

    EcoProfile

    Sistema baseado em critrios e benchmarks hierrquicos, influenciado pelo BREEAM, em

    duas verses para edifcios residenciais e comerciais (GLAUMANN e VOM PLATEN, 2002)

    FINLNDIA

    PromisE (Environmental Classification System Buildings)

    Sistema baseado em critrios e benchmarks com ponderao fixa, para quatro categorias:

    sade humana, recursos naturais, conseqncias ecolgicas e gesto de risco (AHO, 2002)

    Pimwao

    Mtodo desenvolvido para definir nvel de sustentabilidade de edifcios residenciais e projetos

    sob 5 perspectivas: poluio, recursos naturais, sade, biodiversidade natural e produo de

    alimentos (STUMPH, 2007)

    USTRIA

    Comprehensive Renovation

    Sistema baseado em critrios e benchmarks, para residncias com o objetivo de estimular

    renovaes abrangentes (GEISSLER, 2002)

    33 SBI Statens Byggeforskninginstitut, http://www.sbi.dk (BYogBIG), ou Danish Building and Urban Research

  • 47

    JAPO

    CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency)

    Sistema baseado em critrios e benchmarks, composto por vrias ferramentas para diferentes

    estgios do ciclo de vida e aplica ponderao em todos os nveis (JSBC, 2002)

    BEAT (Building Environmental Assessment Tool)

    Ferramenta LCA, publicada pelo Building Research Institute BRI.

    INTERNACIONAL

    GBC (Green Building Challenge)

    Sistema com base em critrios e benchmarks hierrquicos . Ponderao ajustvel ao contexto

    de avaliao (COLE e LARSSON, 2000)

    BRASIL

    AQUA (Alta Qualidade Ambiental)

    Referentiel Technique de Certification Btiments Tertiares Dmarche HQE, original

    francs do referencial tcnico de certificao adequado para a realidade brasileira ( FCAV,

    outubro 2007).

    Em anexo (Anexos 2 e 3) esto apresentados de forma resumida, os dois principais critrios

    de certificao utilizados no Brasil: O LEED-EB: O&M34 e o AQUA, que sero objeto de

    comparao e anlise quanto sustentabilidade na operao e uso de edifcio, fase de

    responsabilidade do Gerenciamento de Facilidades.

    34 LEED for Existent Building: Operations & Maintenance

  • 48

    6. GERENCIAMENTO DA OPERAO DE EDFCIOS EM USO

    A partir da anlise do extenso nmero de guias de referncias, publicao de sistemas,

    critrios de avaliao, certificaes e outras ferramentas para medir o desempenho em

    sustentabilidade dos edifcios; pode-se salientar a importncia da aplicao do conceito de

    sustentabilidade no desenvolvimento da construo civil. Porm, verifica-se tambm que, as

    consideraes do LCA sobre o ciclo de vida do edifcio e a aplicao dos programas de

    certificaes, principalmente no Brasil, no priorizam a fase de operao, uso e manuteno

    dos empreendimentos, estas metodologias tm sido, em sua maioria, utilizadas somente para

    as fases de planejamento, projeto e execuo da obra.

    Este dado pode ser confirmado pelo grfico apresentado pelo GBC Brasil, onde o nmero

    registros para certificao de edifcios na operao, LEED-EB: O&M est muito abaixo dos

    solicitados pelas empresas para LEED-NC35

    Fonte Apresentao do GBC Brasil a comisso de adaptao do LEED-NC (Jan 2009)

    Figura 10 - REGISTROS 2008 GBC BRASIL

    35 LEED-NC (New Conruction) sistema de classificao e certificao ambiental para novas construes, com foco na fase de projeto, planejamento e execuo.

    REGISTRO DE CERTIFICAES LEED

    BRASIL - 2008

    LEED-EB:O&M5

    LEED-CI e LEED Core & Shell

    7

    LEED-NC90

  • 49

    6.1. SOBRE O GERENCIAMENTO DE FACILIDADES

    Gerenciamento de facilidades a integrao de pessoas, espaos e tecnologia por meio do

    gerenciamento dos processos de inter-relacionamento destes sistemas, visando satisfao dos

    objetivos corporativos da organizao que os contm (ANTONIOLLI, 2003)

    Segundo Claudia Andrade, os resultados da avaliao do perfil de ocupao fsica das

    empresas demonstram que nos ltimos dez anos elas passaram a ocupar edifcios com mais

    recursos de infra-estrutura e de sistemas prediais. Estas empresas substituram o mobilirio

    por estaes de trabalho integradas ao biombo, e apresentaram uma preocupao maior com a

    qualidade dos produtos empregados como o uso de divisrias com propriedades acsticas,

    pisos elevados, carpetes em placas em nylon (fio mais resistente) e de alto trfego, forros com

    propriedades termo acsticas, entre outros (ANDRADE, 2005).

    O gerenciamento do ambiente construdo, considerando o cenrio atual de avano tecnolgico

    e escopo do trabalho do gerenciamento de facilidades, apresenta desafios de integrao destes

    elementos contidos nestes edifcios em benefcio das organizaes e usurios (ANTONIOLLI,

    2003).

    O desenvolvimento das tarefas do gerenciamento de facilidades est na prestao de servios

    e fornecimento de insumos com vista ao atendimento s necessidades dos usurios, para que

    estes possam desenvolver as atividades essenciais no alcance dos objetivos da organizao.

    Isto envolve todos os elementos do ambiente interno e de impacto no entorno, abrangendo no

    s a operao do edifcio e de seus sistemas prediais mais tambm as obras civis necessrias

    que permitam o apoio e suporte as alteraes e ampliaes.

    A gesto do edifcio baseada em desempenho dos seus sistemas, deve verificar a utilizao de

    ferramentas inovadoras de apoio a decises que aplicam medidas de desempenho

    padronizadas que ligam as condies da instalao s exigncias funcionais das organizaes,

    seus clientes e outras exigncias de desempenho.

  • 50

    6.2. ESCOPO DO GERENCIAMENTO DE FACILIDADES

    Considerado o edifcio e o atendimento s necessidades dos usurios estas podem ser

    apresentadas e classificadas (ANTONIOLLI, 2003):

    Segurana: estrutural e contra incndio

    Habitabilidade: estanqueidade, conforto acstico, conforto visual, conforto ttil,

    funcionalidade, adaptabilidade, sade, higiene e qualidade do ar

    Sustentabilidade: durabilidade, mantenabilidade e gerenciamento ambiental

    J se considerados os sistemas prediais, o desenvolvimento do trabalho de gerenciamento de

    facilidades pode dividir suas funes da seguinte maneira (QUINELLO e NICOLETTI,

    2006):

    6.2.1. GERENCIAMENTO DE UTILIDADES

    Controle do uso das utilidades (gua, energia, gs, circuitos hidrulicos, vapor e ar

    comprimido);

    Liderana dos grupos de conservao de energia.

    6.2.2. ENGENHARIA DE INSTALAES E CONSTRUES

    Novos projetos;

    Reformas;

    Gerenciamento de espaos;

    Mobilirios;

    Negociao de imveis e terrenos;

    Layout das reas operacionais;

    Vias de acesso;

    Novas instalaes.

  • 51

    6.2.3. ENGENHARIA DE MANUTENO E INFRA-ESTRUTURA

    Manuteno, conservao e reparo dos equipamentos e mquinas;

    Responsvel pelos indicadores de qualidade, confiabilidade e disponibilidade das

    utilidades;

    Gerncia contratos como limpeza, manuteno predial, manuteno preditiva,

    inspees legais, controle de pragas, limpeza de redes em geral e programas

    relacionados sade e higiene dos empregados.

    6.2.4. ENGENHARIA AMBIENTAL

    Atividades relacionadas ao meio-ambiente (estao de tratamento de efluentes,

    certificaes e monitoramentos ambientais, atendimento a normas e leis

    governamentais, gerenciamento de resduos, programas de conscientizao, etc).

    Ainda segundo Quinello e Nicoletti, as reas que no esto sob responsabilidade do

    gerenciamento de facilidades (2006):

    Tecnologia da Informao;

    Segurana patrimonial;

    Segurana do trabalho;

    Servios de alimentao e transporte.

    A forma como o gerenciamento de facilidades executado depende das variveis que seu

    desenvolvimento moldado em relao s estratgias da organizao, sendo influenciado pelo

    tamanho e localizao do edifcio (ANTONIOLLI, 2003):

    Escritrios conduzida geralmente por algum que acumula funes, atividade

    predominantemente reativa;

    Local nico organizao grande permite a existncia de um departamento e

    mantendo as atividades em um nico local;

  • 52

    Vrios Locais controle centralizado que abrange poltica, viso, planejamento e

    suporte tcnico;

    Mltiplos locais similar a anterior, com aumento da complexidade por separao

    geogrfica, controladas a nvel regional;

    Internacional caractersticas iguais aos Mltiplos Locais, agravadas por aspectos

    relativos a legislao e cultura.

    6.3. METAS DO GERENCIAMENTO DE FACILIDADES

    O gerenciamento de facilidades deve permitir o encontro do suporte adequado ao ambiente

    construdo no atendimento aos processos desenvolvidos em seu interior que contemple as

    solicitaes de igualdade, justia e uso sustentvel dos recursos naturais (ANTONIOLLI,

    2003).

    Superar a abordagem voltada para as questes relacionadas apenas a durabilidade, baixo

    consumo de energia e flexibilidade, considerada inapropriada para o atendimento das

    necessidades atuais e dotar o edifcio das seguintes qualidades:

    Re-utilizvel oferecer flexibilidade na utilizao dos espaos, permitindo alteraes

    com o mnimo de emprego de recursos;

    Inteligente Inteligentemente planejado, voltado para as necessidades dos usurios,

    evitando custos de adaptao;

    Verde minimizar e controlar os impactos ambientais com o uso sustentvel dos

    recursos naturais;

    Alta Tecnologia uso integral dos recursos disponveis com aumento do suporte

    oferecido, A tecnologia aplicada no edifcio deve promover a satisfao e conforto do

    usurio.

    Para o gerenciamento de facilidades, em todos os processos de tomada de deciso deve-se

    adicionar valor s atividades desenvolvidas no ambiente construdo, portanto as pessoas

    envolvidas devem estar familiarizadas com as habilidades e ferramentas especficas de

    gerenciamento de valor, sendo o arranjo adequado de recursos que agrega valor aos negcios

    desenvolvidos sob o suporte do edifcio e seus sistemas.

  • 53

    Valores de servios e produtos so conceitualmente uma funo da funcionalidade,

    desempenho e qualidade de um bem ou servios relacionados ao custo

    Com isso deve ser verificado:

    A obteno de valor mximo para os recursos empregados em qualquer atividade de

    manuteno ou reabilitao do edifcio ou de suas partes;

    A economia de tempo na execuo para continuidade operacional dos sistemas;

    A garantia da alta qualidade dos trabalhos desenvolvidos;

    A determinao da imagem interna e externa como aumento na confiana na

    organizao;

    A apurao dos benefcios financeiros pelas possveis reestruturaes dos espaos e

    sistemas prediais.

    6.4. GERENCIAMENTO AMBIENTAL DO EDIFCIO

    O gerenciamento ambiental do edifcio envolve a qualidade ambiental tanto externo quanto

    interno do edifcio.

    6.4.1. QUALIDADE DO AMBIENTE EXTERNO

    Basicamente o desafio da qualidade do ambiente externo est relacionado ao consumo de

    energia, uso racional da gua e controle de resduos, tanto para a etapa de construo como de

    operao do edifcio.

    Consumo de energia, no edifcio, ocorre por trs tipos de utilizao: iluminao,

    equipamentos e sistemas de conforto ambiental;

    Uso racional da gua, diminuio do consumo em proporo inversa ao aumento da

    populao;

    Controle da produo de resduos, pela utilizao de matrias durveis e re-utilizveis

    e destinao adequada de modo a minimizar os potenciais impactos ambientais.

  • 54

    6.4.2. QUALIDADE DO AMBIENTE INTERNO

    Fortemente relacionada a sade e conforto dos usurios, com reflexos diretamente associados

    as atividades desenvolvidas pela produtividade ou absentesmo.

    Quatro elementos do edifcio afetam a qualidade ambiental interna: a envoltria, o sistema

    predial de refrigerao e ventilao, ar do ambiente externo e o usurio com suas atividades.

    Como exemplificado por Antoniolli, no caso do edifcio Commerzbank, em Frankfurt,

    Alemanha, o uso de ventilao natural, associada a elementos passivos de conforto ambiental

    e a tecnologia, pode resultar em um edifcio de elevado desempenho energtico ao mesmo

    tempo em que ofereceu excelentes condies internas (ANTONIOLLI, 2003).

    A concepo arquitetnica privilegiou o aumento do contato com a natureza e o menor

    consumo de energia possvel, por meio de jardins internos de altura superior a quatro

    pavimentos, disposto alternadamente, criando uma espiral de vegetao ao longo do trio.

    O controle de conforto ambiental feito pelo prprio usurio, com a abertura parcial das

    janelas, provendo a entrada de ar novo pela parte de baixo, e por conveco, a sada pela parte

    superior do caixilho.

  • 55

    7. CORRELAO AQUA E LEED-EB: O&M

    A Alta Qualidade Ambiental (AQUA) um processo de gesto definido, que visa obter a

    qualidade ambiental de um empreendimento novo ou de um empreendimento que envolva

    uma reabilitao.

    escopo de aplicao da certificao AQUA, avaliar empreendimento de edifcios, tendo

    como fases cobertas pela certificao: elaborao de programa de necessidades para a

    concepo arquitetnica e tcnica do empreendimento, elaborao da concepo arquitetnica

    e tcnica de um empreendimento, com base nas informaes do programa; e execuo da

    construo que tem como resultado final o empreendimento.

    O Referencial AQUA apresenta elementos e prev a elaborao de documentos, que facilitam

    a efetiva obteno dos desempenhos ambientais de uma construo aps a sua entrega, porm

    no contempla a fase de uso e operao o edifcio, que no faz parte do escopo de aplicao

    da certificao.

    No momento da entrega da obra, o empreendedor deve passar ao futuro usurio do

    empreendimento as informaes pertinentes para que este o utilize e o mantenha de forma a

    conservar a sua qualidade ambiental, porm esta determinao no garantia de uma

    operao do edifcio ambientalmente sustentvel.

    O Sistema de qualificao LEED-EB: O&M cria um meio, para gerentes de propriedade,

    proprietrios de portflios e prestadores de servios, que desejam dirigir operando baixos

    custos, enquanto aumentam a produtividade dos ocupantes, de maneira ambientalmente

    responsvel.

    Como um delimitador o sistema baseado no consenso para a certificao do desempenho do

    edifcio verde, na operao e manuteno, considerando que o edifcio sustentvel maximiza a

    operao eficiente enquanto minimiza o impacto ambiental.

    Partindo de um programa mnimo de requisitos e da definio do perodo de desempenho

    especfico - intervalo de tempo definido e especfico pelo qual o desempenho da operao

    sustentvel est sendo medido - O LEED-EB: O&M tem como foco principal a contnua

    operao de edifcio sustentvel, mas tambm envolve alteraes e novas ampliaes

    sustentveis para os edifcios existentes.

  • 56

    7.1. QUANTO AO MODELO POLTICO E REFERENCIAL DO SISTEMA DE GESTO DO EMPREENDIMENTO

    Apresentado no AQUA, o Referencial do Sistema de Gesto do Empreendimento (SGE), foi

    criado para avaliar o sistema de gesto ambiental a ser implementado pelo empreendedor,

    com o objetivo de definir a qualidade ambiental visada para o edifcio, organizar o

    empreendimento para atingi-la e, ao mesmo tempo, possa permitir o controle dos processos

    operacionais.

    No momento da entrega da obra, o empreendedor deve passar ao futuro usurio do

    empreendimento as informaes pertinentes para que este o utilize e o mantenha de forma a

    conservar esta qualidade ambiental.

    Faz parte do SGE o manual que rene todas as informaes, de modo a facilitar a preveno

    dos riscos ocupacionais quando de intervenes posteriores no empreendimento36.

    Este documento deve ser redigido progressivamente desde a fase de concepo, e deve

    mencionar:

    Documentos, projetos e notas tcnicas de natureza a facilitar as intervenes

    posteriores no empreendimento;

    Documento de manuteno especfico em se tratando de locais de trabalho;

    Medidas tomadas para: a limpeza de superfcies envidraadas verticais e em

    coberturas, o acesso cobertura, a conservao das fachadas, os servios internos;

    Indicaes relativas aos locais tcnicos e de vivncia disponibilizados para o pessoal

    responsvel pelos servios de conservao, quando estes locais existem;

    Manual de conservao e de manuteno contendo uma agenda de conservao

    destinada ao responsvel pelo gerenciamento do uso e operao da construo, de

    forma a permitir que ele mantenha o empreendimento em boas condies e detecte

    desgastes e deterioraes previsveis;

    Manual de uso e operao do edifcio.

    36 Exigncia legal francesa - artigos L.235615 e R.238-37 a R.238-39 do Cdigo do Trabalho francs, que aqui adotada devido ausncia de regulamentao brasileira equivalente.

  • 57

    Destinado aos usurios finais, de modo a explicar o funcionamento do edifcio e suas

    caractersticas ambientais. Ele compreende: o funcionamento dos equipamentos

    economizadores de gua, as precaues no caso de redes duplas, o funcionamento dos

    equipamentos de condicionamento de ar e as recomendaes para que se economize energia,

    etc.

    Pode-se relacionar este referencial ao Modelo Poltico do LEED-EB: O&M, que admite

    qualquer poltica requerida para o Si