Anatomia Humana Enfermagem

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    ANATOMIA

    HUMANA

    Enfermagem,

    Módulo II 

    Centro Técnico Lusíadas

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     _______ Anatomia Humana 

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    Sumário

    Capítulo I  – A Historia da Anatomia Humana .................................................................. 5 

    1. Conceito ................................................................................................................................................. 5

    2. Histórico da Anatomia Humana ............................................................................................................ 5

    3. Episódio Macabro no Ensino da Anatomia ............................................................................................ 8

    Capítulo II  – Estudo da Anatomia ................................................................................... 13 

    1. Conceito de Anatomia ......................................................................................................................... 13

    2. Normal e Variação Anatômica ............................................................................................................. 14

    3. Nomenclatura Anatômica.................................................................................................................... 15

    4. Posição Anatômica .............................................................................................................................. 16

    5. Divisão do Corpo Humano ................................................................................................................... 17

    6. Planos de Delimitação e Secção do Corpo Humano ............................................................................ 17

    7. Termos de Posição e Direção .............................................................................................................. 19

    8. Termos de Movimentos....................................................................................................................... 20

    9. Divisão do Estudo da Anatomia ........................................................................................................... 22

    Capítulo III  – Sistema Esquelético .................................................................................. 23 

    1. Considerações Gerais .......................................................................................................................... 232. Coluna Vertebral .................................................................................................................................. 23

    3. Classificação dos Ossos ........................................................................................................................ 25

    4. Configuração Interna do Osso ............................................................................................................. 26

    5. Características Ósseas ......................................................................................................................... 27

    Capítulo IV  – Sistema Articular ....................................................................................... 28 

    1. Definição .............................................................................................................................................. 28

    2. Classificação das Junturas.................................................................................................................... 28

    Capítulo V  – Sistema Muscular ....................................................................................... 34 

    1. Conceito ............................................................................................................................................... 34

    2. Funções dos Músculos ......................................................................................................................... 34

    3. Mecanismo da Contração Muscular .................................................................................................... 35

    Capítulo VI  – Sistema Nervoso ....................................................................................... 37 

    1. Considerações Gerais .......................................................................................................................... 37

    2. Funções do Sistema Nervoso ............................................................................................................... 38

    3. Subdivisões do Sistema Nervoso ......................................................................................................... 38

    3.1. Sistema Nervoso Periférico ............................................................................................................. 38

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    3.2. Sistema Nervoso Autônomo ............................................................................................................ 39

    4. Condução de Informações no Sistema Nervoso .................................................................................. 40

    5. Estruturas Gerais do Sistema Nervoso ................................................................................................ 40

    5.1. Meninges ......................................................................................................................................... 40

    5.2. Cérebro ............................................................................................................................................ 41

    5.3. Tronco Encefálico e Cerebelo .......................................................................................................... 42

    5.4. Medula Espinhal .............................................................................................................................. 43

    6. Tecido Nervoso .................................................................................................................................... 45

    7. Divisão Funcional do Sistema Nervoso ................................................................................................ 48

    Capítulo VII  – Sistema Esquelético ................................................................................ 52 1. Considerações Gerais .......................................................................................................................... 52

    2. Circulação Sanguínea ........................................................................................................................... 52

    3. Vasos Sanguíneos ................................................................................................................................ 54

    3.1. Artérias ............................................................................................................................................ 55

    3.2. Veias ................................................................................................................................................ 55

    3.3. Capilares Sanguíneos ....................................................................................................................... 57

    Capítulo VIII –

     Sistema Linfático .................................................................................... 58 

    1. Anatomia do Sistema Linfático ............................................................................................................ 58

    2. Fisiologia do Sistema Linfático ............................................................................................................. 62

    3. Mecanismo de Formação da Linfa ....................................................................................................... 64

    4. Câncer e Sistema Linfático ................................................................................................................... 66

    Capítulo IX  – Sistema Respiratório ................................................................................ 67 

    1. Condições Gerais ................................................................................................................................. 67

    2. Nariz ..................................................................................................................................................... 67

    3. Faringe ................................................................................................................................................. 68

    4. Laringe ................................................................................................................................................. 68

    5. Traqueia ............................................................................................................................................... 68

    6. Brônquios............................................................................................................................................. 68

    7. Fisiologia da Respiração ...................................................................................................................... 68

    Capítulo X  – Sistema Digestivo ...................................................................................... 70 

    1. Conceito ............................................................................................................................................... 70

    2. Boca ..................................................................................................................................................... 70

    3. Dentes .................................................................................................................................................. 70

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    4. Línguas ................................................................................................................................................. 70

    5. Palato ................................................................................................................................................... 71

    6. Faringe e Esôfago ................................................................................................................................. 71

    7. Estômago ............................................................................................................................................. 71

    8. Intestino Delgado ................................................................................................................................ 72

    9. Intestino Grosso .................................................................................................................................. 72

    10. Glândulas Anexas ............................................................................................................................. 73

    10.1. Glândulas Salivares ...................................................................................................................... 73

    10.2. Pâncreas ...................................................................................................................................... 73

    10.3. Fígado .......................................................................................................................................... 73

    Capítulo XI  – Sistema Excretor ....................................................................................... 75 

    1. Conceito ............................................................................................................................................... 75

    2. Néfron .................................................................................................................................................. 75

    3. Principais Catabólitos .......................................................................................................................... 76

    4. Eliminação da Urina ............................................................................................................................. 77

    4.1. Ureter .............................................................................................................................................. 77

    4.2. Bexiga Urinária ................................................................................................................................ 77

    4.3. Uretra .............................................................................................................................................. 78

    Capítulo XII  – Sistema Genital ........................................................................................ 79 

    1. Sistema Reprodutor Masculino ........................................................................................................... 79

    1.1. Pênis ................................................................................................................................................ 79

    1.2. Saco Escrotal, Bolsa Escrotal ou Escroto ......................................................................................... 80

    1.3. Corpo Cavernoso ............................................................................................................................. 81

    1.4. Corpo Esponjoso .............................................................................................................................. 81

    1.5. Túbulos Seminíferos ........................................................................................................................ 81

    1.6. Bexiga .............................................................................................................................................. 81

    2. Sistema Reprodutor Feminino ............................................................................................................. 81

    2.1. Órgãos Genitais Internos ................................................................................................................. 82

    Capítulo XIII  – Sistema Endócrino .................................................................................. 86 

    1. Considerações Gerais .......................................................................................................................... 86

    2. Principais Glândulas Endócrinas .......................................................................................................... 87

    Capítulo XIV  – Sistema Sensorial ................................................................................... 89 

    1. Introdução ........................................................................................................................................... 89

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    2. Tato ou Somestesia ............................................................................................................................. 90

    3. Audição ................................................................................................................................................ 90

    4. Gustação .............................................................................................................................................. 92

    5. Olfato ................................................................................................................................................... 93

    6. Visão .................................................................................................................................................... 93

    Capítulo XV  – Sistema Tegumentar................................................................................ 95 

    1. Introdução ........................................................................................................................................... 95

    2. Função da Pele..................................................................................................................................... 96

    3. Anexos da Pele..................................................................................................................................... 96

    Capítulo XVI  – Referencia Bibliográficas ....................................................................... 98 

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    Capítulo I  – A Historia da Anatomia Humana

    1. Conceito

     A Anatomia (anã = em partes + tomein = cortar) estuda macroscopicamente a

    constituição dos seres, identificando órgãos e sistemas. Por ser antiga, é considerada

    uma ciência-mãe, uma vez que dá suporte para as demais ciências biológicas, o que

    permite a identificação e o estabelecimento conceitual dos sistemas orgânicos.

    Vários anos foram necessários para que uma linguagem padrão fosse estabelecida

    pelos anatomistas. A nomenclatura anatômica, como foi chamada essa linguagem

    universal, tornou possível a padronização nominal das estruturas do corpo, diminuindo o

    vasto dicionário de termos anatômicos existentes, além de constituir um avanço no campo

    conciliatório entre os anatomistas do mundo inteiro.

    2. Histórico da Anatomia Humana

    O conhecimento anatômico do corpo humano data de quinhentos anos antes de

    Cristo no sul da Itália com Alcméon de Crotona, que realizou dissecações em animais.Pouco tempo depois, um texto clínico da escola hipocrática descobriu a anatomia do

    ombro conforme havia sido estudada com a dissecação. Aristóteles mencionou as

    ilustrações anatômicas quando se referiu aos paradigmata, que provavelmente eram

    figuras baseadas na dissecação animal.

    No século III A.C., o estudo da anatomia avançou consideravelmente na

     Alexandria. Muitas descobertas lá realizadas podem ser atribuídas a Herófilo e

    Erasístrato, os primeiros que realizaram dissecações humanas de modo sistemático.

     A partir do ano 150 a.C. a dissecação humana foi de novo proibida por razões

    éticas e religiosas. O conhecimento anatômico sobre o corpo humano continuou no

    mundo helenístico, porém só se conhecia através das dissecações em animais.

    Parece que o estudo da anatomia humana recomeçou mais por razões práticas

    que intelectuais. A guerra não era um assunto local e se fez necessário dispor de meios

    para repatriar os corpos dos mortos em combate. O embalsamento era suficiente para

    trajetos curtos, mas as distâncias maiores como as Cruzadas introduziram a prática de

    “cocção dos ossos”. 

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    O motivo mais importante para a dissecação humana, foi o desejo de saber a

    causa da morte por razões essencialmente médico-legais, de averiguar o que havia

    matado uma pessoa importante ou elucidar a natureza da peste ou outra enfermidade

    infecciosa. O verbo “dissecar” era usado também para descrever a operação cesariana

    cada vez mais frequente.

     A tradição manuscrita do período medieval não se baseou no mundo natural. As

    ilustrações anteriores eram aceitas e copiadas. Em geral, a capacidade dos escritores era

    limitada e ao examinar a realidade natural, introduziram pelo menos alguns erros tanto de

    conceito como de técnica. As coisas “eram vistas” tal quais os antigos e as ilustr ações

    realistas eram consideradas como um curto-circuito do próprio método de estudo. A anatomia não era uma disciplina independente, mas um auxiliar da cirurgia, que

    nessa época era relativamente grosseira e reunia sobre todo conhecer os pontos

    apropriados para a sangria. Durante todo o tempo que a anatomia ostentou essa

    qualidade oposta à prática, as figuras não realistas e esquemáticas foram suficientes.

    Uma das primeiras e mais acertada solução para uma reprodução perfeita das

    representações gráficas foi encontrada nas ilustrações publicadas nos tratados

    anatômicos de Andrés Vesálio (1514-1564), que culminou com seu De humanis corporifabrica em 1453, um dos livros mais importantes da história do homem.

    Vesálio nasceu em Bruxelas em 1514, no seio de uma família muito relacionada

    com a casa de Borgonha e a corte do Imperador da Alemanha. Sua primeira formação

    médica foi na Universidade de Paris (onde esteve com mestres como Jacques du Bois e

    Guinter de Andernach), e foi interrompida pela guerra entre França e o Sacro Império

    Romano.

    Vesálio completou seus estudos na renomada escola médica de Pádua, no norteda Itália. Após seu término começou a estudar cirurgia e anatomia. Após alguns trabalhos

    preliminares, em 1543, com a idade de 28 anos, publicou seu opus magnun, que

    revolucionou não só a anatomia como também o ensino científico em geral.

     As ilustrações da Fabrica destacam-se precisamente pela sua estreita relação com

    o texto, já que ajudam no entendimento do que este expressa com dificuldade. Supera a

    pauta expositiva usada por Mondino, e cada um dos sistemas principais (ossos,

    músculos, vasos sanguíneos, nervos e órgãos internos) é representado e estudado

    separadamente. As partes de cada sistema orgânico são expostas tanto em conjunto

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    como individualmente e mesmo assim são consideradas todas as relações entre essas

    estruturas. Vesálio comprovou também que não são iguais em todos os indivíduos.

    No século XVII foram efetuadas notáveis descobertas no campo da anatomia e da

    fisiologia humana. Francis Glisson (1597-1677) descreveu em detalhes o fígado, o

    estômago e o intestino. Apesar de seus pontos de vista sobre a biologia serem

    basicamente aristotélicos, teve também concepções modernas, como a que se refere aos

    impulsos nervosos responsáveis pelo esvaziamento da vesícula biliar.

    Thomas Wharton (1614-1673) deu um grande passo ao ultrapassar a velha e

    comum ideia de que o cérebro era uma glândula que secretava muco (sem dúvida,

    continuou acreditando que as lágrimas se originavam ali). Wharton descreveu ascaracterísticas diferenciais das glândulas digestivas, linfáticas e sexuais. O conduto de

    evacuação da glândula salivar submandibular conhece-se como conduto de Wharton.

    Uma importante contribuição foi distinguir entre glândulas de secreção interna (chamadas

    hoje endócrinas), cujo produto cai no sangue, e as glândulas de secreção externa

    (exócrinas), que descarregam nas cavidades. Niels Steenson em 1611 estabeleceu a

    diferença entre esse tipo de glândula e os nódulos linfáticos (que recebiam o nome de

    glândula apesar de não formar parte do sistema). Considerava que as lágrimas provinhamdo cérebro.

     A nova concepção dos sistemas de transporte do organismo que se obteve graças

    às contribuições de muitos investigadores ajudou a resolver os erros da fisiologia galênica

    referente à produção de sangue.

    Gasparo Aselli (1581-1626) descobriu que após a ingestão abundante de comida o

    peritônio e o intestino de um cachorro se cobriam de umas fibras brancas que, ao serem

    seccionadas, extravasavam um líquido esbranquiçado. Tratava-se dos capilaresquilíferos. Até a época de Harvey se pensava que a respiração estimulava o coração para

    produzir espíritos vitais no ventrículo direito. Harvey, porém, demonstrou que o sangue

    nos pulmões mudava de venoso para arterial, mas desconhecia as bases desta

    transformação.

     A explicação da função respiratória levou muitos anos, mas durante o século XVII

    foram dados passos importantes para seu esclarecimento. Robert Hook (1635-1703)

    demonstrou que um animal podia sobreviver também sem movimento pulmonar se

    inflássemos ar nos pulmões. Richard Lower (1631-1691) foi o primeiro a realizar

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    transfusão direta de sangue, demonstrando a diferença de cor entre o sangue arterial e o

    venoso, a qual se devia ao contato com o ar dos pulmões. John Mayow (1640-1679)

    afirmou que a vermelhidão do sangue venoso se devia à extração de alguma substância

    do ar. Chegou à conclusão de que o processo respiratório não era mais que um

    intercâmbio de gases do ar e do sangue; este cedia o espírito nitro aéreo e ganhava os

    vapores produzidos pelo sangue.

    Em 1664 Thomas Willis (1621-1675) publicou De Anatomi Cerebri (ilustrado por

    Christopher Wren e Richard Lower), sem dúvida o compêndio mais detalhado sobre o

    sistema nervoso. Seus estudos anatômicos ligaram seu nome ao círculo das artérias da

    base do cérebro, ao décimo primeiro par craniano e também a um determinado tipo desurdez. Contudo, sua obsessão em localizar no nível anatômico os processos mentais o

    fez chegar a conclusões equívocas; entre elas, que o cérebro controlava os movimentos

    do coração, pulmões, estômago e intestinos e que o corpo caloso era assunto da

    imaginação.

    3. Episódio Macabro no Ensino da Anatomia

    No século XVIII, Edinburgh, na Grã-Bretanha, era um grande centro de estudos

    anatômicos. Na Universidade, a cátedra de Anatomia foi ocupada pela dinastia dos Monro

    por três gerações. O primeiro deles, Alexander Monro primus lecionou de 1720 a 1758,

    tendo sido substituído por seu filho Alexander Monro secundus, que se destacou como

    autor de quatro importantes obras de Anatomia, numa das quais, publicada em 1797,

    descreveu o chamado "buraco de Monro".

    Sucedeu-lhe seu filho, Alexander Monro tertius, que não possuía as qualidades do

    pai, e o ensino de Anatomia na Universidade entrou em declínio.Na época, era permitido o ensino paralelo em escolas e cursos privados. Para o

    ensino de anatomia destacava-se o curso extracurricular dirigido por John Barclay,

    anatomista de grande renome e prestígio internacional. Barclay convidou para ser seu

    assistente ao Dr. Robert Knox, que se tornou um dos personagens do episódio que

    vamos narrar. Antes, precisamos saber quem era Robert Knox.

    Robert Knox (1791-1862) era natural de Edinburgh, onde foi educado. No colégio

    fora um aluno brilhante, tendo sido premiado por seu desempenho nos estudos e condutaexemplar. Graduou-se em medicina em 1814, ingressando no ano seguinte no Exército

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    como cirurgião- auxiliar. Uma de suas primeiras atuações foi a de atender feridos da

    batalha de Waterloo. Em 1815 foi promovido a cirurgião-assistente, indo servir na África

    do Sul, onde permaneceu durante três anos. Durante sua estada na África do Sul

    interessou-se por estudos de anatomia comparada, antropologia e características étnicas

    dos povos africanos.

    Retornando a Edinburgh em 1821 licenciou-se do Exército e foi estagiar em Paris

    com Cuvier, um dos grandes anatomistas da época. De volta a Edinburgh aceitou o

    convite de Barclay para ser seu assistente no curso de anatomia.

    Entre 1821 e 1823 Knox publicou vários trabalhos científicos no Edinburgh Medical

    Journal e em dezembro de 1823 foi eleito membro da Royal Society.Barclay possuía uma grande coleção de peças anatômicas, que ele doou ao Royal

    College of Surgeons de Edinburgh para instalação de um museu de anatomia e, em 1825,

    Knox foi indicado para Conservador do museu. Este museu foi enriquecido com outra

    grande coleção de anatomia e anatomia patológica adquirida pelo Colégio, em Londres,

    de Charles Bell. Knox encarregou-se de organizar o museu, catalogando todas as peças.

    Paralelamente a essas atividades, Knox firmou-se como professor de anatomia na escola

    de Barclay. Suas aulas eram muito apreciadas pelos alunos por seu conteúdo, exposiçãodidática e, sobretudo, pelas demonstrações práticas em dissecções de cadáveres. 

    Em agosto de 1826 Barclay faleceu e Knox assumiu a direção da escola, que

    contava, naquele ano, com 

    300 alunos matriculados. 

    Na ocasião, o ensino prático de anatomia era dificultado pela falta de cadáveres

    para dissecção. A dissecção só era legalmente permitida em corpos dos criminosos

    condenados ao patíbulo, pois fazia parte da pena de morte negar ao criminoso

    sepultamento digno em terreno santificado pela Igreja. 

    O número de criminosos  condenados à morte era insuficiente para prover as

    necessidades do ensino de anatomia. Em consequência, surgiu o mercado negro de

    cadáveres, os quais eram exumados por ladrões no cemitério, logo após o sepultamento,

    e vendidos às escolas médicas. Os cadáveres deviam ser recentes, pois não havia os

    métodos de conservação atuais. Os ladrões de cadáveres passaram a ser chamados de

    ressurreccionistas. 

     As famílias dos mortos para se defenderem dos ressurreccionistas, costumavam 

    proteger o túmulo com grades ou pagar vigias noturnos. Alguns cemitérios foram

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    cercados de muros ou dispunham de torres de observação e policiamento contínuo.

    Mesmo assim, os ladrões de cadáveres conseguiam ludibriar toda a vigilância. 

    Curiosamente, os ressurreccionistas, quando acusados, não eram condenados, por

    falta de amparo legal, pois não havia lei prevendo este tipo de crime e a violação da

    sepultura não se enquadrava como roubo, já que o cadáver não é 

    propriedade de

    ninguém. 

    Foi nesse ambiente que ocorreu o episódio macabro que abalou a opinião pública,

    não somente na Inglaterra, como em todo o mundo. Dois irlandeses, William Hare e

    William Burke, que residiam em Edinburgh, cometeram uma série de assassinatos com o

    fim de vender os corpos das vítimas para dissecção nas aulas de anatomia. 

    William Hare residia em uma pensão, cujo proprietário, Mr. Log veio a falecer. Hare

    casou-se com a viúva, Margaret, passando da condição de hóspede a dono da pensão.

    William Burke e sua amante, Helen Mc Douglas, foram residir na referida pensão como

    inquilinos. 

    Hare e Burke costumavam beber juntos e tornaram-se amigos. Em 29 de novembro 

    de 1827, um dos pensionistas, de nome Donald, aposentado que vivia só, morreu

    subitamente, deixando uma dívida para com a pensão. Hare teve a ideia de vender ocadáver para dissecção, com o fim de se ressarcir do prejuízo. Com a ajuda de Burke

    simulou o sepultamento, colocando no caixão um peso equivalente ao de uma pessoa. 

    Hare tencionava vender o corpo para Alexander Monro, na Universidade, porém foi

    informado por um estudante que a escola de anatomia do Dr. Knox pagaria um preço

    melhor. O corpo foi vendido para o Dr. Knox por 7.1 libras.

    Encorajados com o sucesso da operação, perceberam ambos que a venda de

    cadáveres era um negócio muito lucrativo. Em lugar de violar sepulturas no cemitério, oque era trabalhoso e arriscado idealizou um processo mais fácil de obter o cadáver, que

    puseram em prática. A estratégia consistia em atrair para a pensão pessoas

    desamparadas, pedintes de rua, cuja morte não seria notada pela comunidade, passando

    despercebida.

     A vítima era embriagada com whisky e, a seguir, morta por asfixia, comprimindo-se

    com um travesseiro ou almofada seu rosto, impedindo-a de respirar. Esse método não

    deixava vestígio da causa da morte. Burke se encarregava da execução e Hare de

    negociar a venda do corpo.

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    Os estudantes do curso de Anatomia do Dr. Knox passaram a desconfiar de que

    algo estranho estaria ocorrendo, dada a quantidade de corpos disponíveis para

    dissecção, todos em bom estado, ao contrário da escassez habitual.

    Dois corpos chegaram a ser identificados por alguns estudantes: o de uma

    prostituta, de nome Mary Paterson, e de um homem popular conhecido por Daft Jamie.

    Comunicaram o fato ao Dr. Knox, que não o levou em consideração, e os corpos

    foram imediatamente dissecados.

    Durante o ano de 1828 pelo menos 16 corpos foram vendidos à escola de

    anatomia do Dr. Knox. A última vítima foi de uma irlandesa de nome Mary Docherty, que

    desapareceu da pensão de um dia para outro, levantando suspeitas entre os demaishóspedes, especialmente do casal Gray, que encontrou o corpo debaixo de uma cama. A

    polícia foi avisada, porém quando chegou à pensão já o corpo não se encontrava no local.

     Alguns vizinhos, contudo, relataram ter visto dois homens carregando uma grande caixa

    de madeira. A polícia, já ciente da suspeita que pairava na escola de anatomia do Dr.

    Knox, para lá se dirigiu, onde encontrou e identificou o corpo da vítima.

    Em 24 de dezembro de 1828 foram presos Hare e sua mulher e Burke com sua

    amante. Na impossibilidade de obter uma prova concreta de que se tratava deassassinato, visto que não havia ferimentos ou sinais de violência no corpo da vítima, a

    polícia propôs a Hare que, se ele confessasse somente Burke seria julgado pelo

    assassinato de Mary Docherty.

    Hare contou toda a verdade e foi posto em liberdade juntamente com sua mulher.

    Burke foi julgado e condenado à forca. Sua amante, Helen Mc Donald, acusada de

    cumplicidade, foi absolvida por falta de provas.

     Antes de sua morte, Burke confirmou que havia matado, ao todo, 16 pessoas,porém negou que jamais houvesse violado uma sepultura para roubo de cadáver.

    Sua execução, na forca, ocorreu no dia 28 de janeiro de 1829 e foi assistida por

    uma multidão de milhares de pessoas, de todas as classes sociais, que se acotovelavam

    para ver de perto o criminoso. Fazia parte da sentença que o seu corpo fosse

    publicamente dissecado pelo Prof. Alexander Monro tertius, o que foi feito.

    Durante a dissecção, em presença de estudantes e de curiosos, houve um tumulto

    e a maior parte da pele do criminoso, que já havia sido retirada, desapareceu. Tempos

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    depois apareceram à venda, livros encadernados com a pele curtida de Burke. Um de tais

    livros pode ser visto no museu da Universidade, assim como o esqueleto de Burke.

    Dr. Knox foi apontado como receptador dos corpos das vítimas assassinadas

    levantou contra ele a suspeita de que teria conhecimento da procedência dos caiu em

    desgraça perante a opinião pública. O seu curso de anatomia, que chegou a ter 504

    alunos matriculados nos anos de 1827 e 1828, esvaziou-se progressivamente.

    Em 1831, sentindo-se constrangido e alvo de desconfiança e de ataques, Knox

    deixou o cargo de Conservador do museu e em 1842 mudou-se definitivamente para

    Londres, onde viveu os últimos anos de sua vida.

    Hare fugiu para Londres, onde terminou seus dias como indigente. Ignora-se odestino de Margaret Hare e Helen McDouglas.

    Os fatos ocorridos em Edinburgh repercutiram intensamente no Parlamento

    britânico, que promulgou, em 1832, o Anatomy Act, segundo o qual passou a ser

    permitido o uso de cadáveres não reclamados por familiares para o ensino de anatomia.

    Com isto extinguiu-se na Grã Bretanha o mercado negro de cadáveres e a prática de

    roubo de corpos nos cemitérios.

    Este macabro episódio ficou marcado na história da língua inglesa pela criação doneologismo burkism e do verbo to burk, com o sentido de sufocar, matar alguém para

    venda do cadáver, assassinar sem deixar vestígio.

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    Capítulo II  – Estudo da Anatomia

    1. Conceito de Anatomia

     Anatomia é a ciência que estuda macro e microscopicamente, a constituição e o

    desenvolvimento dos seres organizados. Um excelente e amplo conceito de anatomia foi

    proposto em 1981 pela american association of anatomists: anatomia é a análise da

    estrutura biológica, sua correlação com a função e com as modulações de estrutura em

    resposta a fatores temporais, genéticos e ambientais. Tem como metas principais a

    compreensão dos princípios arquitetônicos da construção dos organismos vivos, a

    descoberta da base estrutural do funcionamento das várias partes e a compreensão dos

    mecanismos formativos envolvidos no desenvolvimento destas.

     A amplitude da anatomia compreende, em termos temporais, desde o estudo das

    mudanças em longo prazo da estrutura, no curso de evolução, passando pelas das

    mudanças de duração intermediária em desenvolvimento, crescimento e envelhecimento;

    até as mudanças de curto prazo, associadas com fases diferentes de atividade

    funcional normal. Em termos do tamanho da estrutura estudada vai desde todo um

    sistema biológico, passando por organismos inteiros e/ou seus órgãos até as organelas

    celulares e macromoléculas. A palavra Anatomia é derivada do grego anatome (ana =

    através de; tome = corte). Dissecação deriva do latim (dis = separar; secare = cortar) e é

    equivalente etimologicamente a anatomia. Contudo, atualmente, Anatomia é a ciência,

    enquanto dissecar é um dos métodos desta ciência.

    Seu estudo tem uma longa e interessante história, desde os primórdios da

    civilização humana. Inicialmente limitada ao observável a olho nu e pela manipulação dos

    corpos, expandiu-se, ao longo do tempo, graças a aquisição de tecnologias inovadoras.

     Atualmente, a Anatomia pode ser subdividida em três grandes grupos:

      Anatomia macroscópica;

      Anatomia microscópica;

      Anatomia do desenvolvimento.

     A Anatomia Macroscópica é o estudo das estruturas observáveis a olho nu,

    utilizando ou não recursos tecnológicos os mais variáveis possíveis, enquanto a Anatomia

    Microscópica é aquela relacionada com as estruturas corporais invisíveis a olho nu e

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    requer o uso de instrumental para ampliação, como lupas, microscópios ópticos e

    eletrônicos. Este grupo é dividido em Citologia (estudo da célula) e Histologia (estudo dos

    tecidos e de como estes se organizam para a formação de órgãos).

     A Anatomia do desenvolvimento estuda o desenvolvimento do indivíduo a partir do

    ovo fertilizado até a forma adulta. Ela engloba a Embriologia que é o estudo do

    desenvolvimento até o nascimento.

    Embora não sejam estanques, a complexidade destes grupos torna necessária a

    existência de estudos específicos.

    2. Normal e Variação Anatômica

    Normal, para o anatomista, é o estatisticamente mais comum, ou seja, o que é

    encontrado na maioria dos casos. Variação anatômica é qualquer fuga do padrão sem

    prejuízo da função. Assim, a artéria braquial mais comumente divide-se na fossa cubital.

    Este é o padrão. Entretanto, em alguns indivíduos esta divisão ocorre ao nível da axila.

    Como não existe perda funcional esta é uma variação. Quando ocorre prejuízo funcional

    trata-se de uma anomalia e não de uma variação. Se a anomalia for tão acentuada que

    deforme profundamente a construção do corpo, sendo, em geral, incompatível com a vida,

    é uma monstruosidade.

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    3. Nomenclatura Anatômica

    Como toda ciência, a Anatomia tem sua linguagem própria. Ao conjunto de termosempregados para designar e descrever o organismo ou suas partes dá-se o nome de

    Nomenclatura Anatômica.

    Com o extraordinário acúmulo de conhecimentos no final do século passado,

    graças aos trabalhos de importantes “escolas anatômicas” (sobretudo na Itália, França,

    Inglaterra e Alemanha), as mesmas estruturas do corpo humano recebiam denominações

    diferentes nestes centros de estudos e pesquisas.

    Em razão desta falta de metodologia e de inevitáveis arbitrariedades, mais de 20000 termos anatômicos chegaram a ser consignados (hoje reduzidos a poucos mais de 5

    000). A primeira tentativa de uniformizar e criar uma nomenclatura anatômica

    internacional ocorreu em 1895.

    Em sucessivos congressos de Anatomia em 1933, 1936 e 1950 foram feitas

    revisões e finalmente em 1955, em Paris, foi aprovada oficialmente a Nomenclatura

     Anatômica, conhecida sob a sigla de P.N.A. (Paris Nomina Anatômica). Revisões

    subsequentes foram feitas em 1960, 1965 e 1970, visto que a nomenclatura anatômica

    tem caráter dinâmico, podendo ser sempre criticada e modificada, desde que haja razões

    suficientes para as modificações e que estas sejam aprovadas em Congressos

    Internacionais de Anatomia.

     A língua oficialmente adotada é o latim (por ser “língua morta”), porém cada país

    pode traduzi-la para seu próprio vernáculo. Ao designar uma estrutura do organismo, a

    nomenclatura procura utilizar termos que não sejam apenas sinais para a memória, mas

    traga também alguma informação ou descrição sobre a referida estrutura. Dentro deste

    princípio, foram abolidos os epônimos (nome de pessoas para designar coisas) e os

    termos indicam: a forma (músculo trapézio); a sua posição ou situação (nervo mediano); o

    seu trajeto (artéria circunflexa da escápula); as suas conexões ou inter-relações

    (ligamento sacroilíaco); a sua relação com o esqueleto (artéria radial); sua função (m.

    levantador da escápula); critério misto (m. flexor superficial dos dedos  –  função e

    situação). Entretanto, há nomes impróprios ou não muito lógicos que foram conservados,

    porque estão consagrados pelo uso.

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    4. Posição Anatômica

    Para evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômicas, considerando-

    se que a posição pode ser variável, optou-se por uma posição padrão, denominada

    posição de descrição anatômica (posição anatômica). Deste modo, os anatomistas,

    quando escrevem seus textos, referem-se ao objeto de descrição considerando o

    indivíduo como se estivesse sempre na posição padronizada.

    Nela o indivíduo está em posição ereta (em pé, posição ortostática ou bípede), com

    a face voltada para frente, o olhar dirigido para o horizonte, membros superiores

    estendidos, aplicados ao tronco e com as palmas voltadas para frente, membros inferiores

    unidos, com as pontas dos pés dirigidas para frente. 

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    5. Divisão do Corpo Humano

    O corpo humano divide-se em cabeça, pescoço, tronco e membros. A cabeçacorresponde à extremidade superior do corpo estando unido ao tronco por uma porção

    estreitada, o pescoço. O tronco compreende o tórax e o abdome com as respectivas

    cavidades torácica e abdominal; a cavidade abdominal prolonga-se inferiormente na

    cavidade pélvica. Dos membros, dois são superiores ou torácicos e dois inferiores ou

    pélvicos. Cada membro apresenta uma raiz, pela qual está ligada ao tronco, e uma parte

    livre.

    6. Planos de Delimitação e Secção do Corpo Humano

      Plano Sagital Mediano (ou, simplesmente, mediano): plano vertical que passa

    longitudinalmente através do corpo, dividindo-o em dois antímeros direito e

    esquerdo.

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      Nota 1: chama-se, genericamente, de planos sagitais aos planos verticais que

    passam através do corpo, paralelos ao plano mediano. Qualquer plano paralelo ao

    plano mediano é sagital, por definição.

      Nota 2: os planos tangentes ao corpo e paralelo aos sagitais são denominados

    laterais direito e esquerdo.

      Plano Frontal Médio: plano vertical, que passa através do corpo em ângulo reto

    com o plano mediano, dividindo-o em dois paquímeros ventral e dorsal.

      Nota 1: denomina-se planos frontais (ou coronais) à quaisquer planos paralelos ao

    frontal mediano e que dividem o corpo em partes anterior (frente) e posterior (de

    trás).

      Nota 2: os planos tangentes ao corpo e paralelos aos frontais são denominados

    ventral (ou anterior) e dorsal (ou posterior).

      Planos Transversais (transversos): são planos horizontais, perpendiculares aos

    planos sagitais e frontais, que dividem o corpo em metâmeros.

      Nota 1: Ao plano paralelo aos transversais que tangencia a cabeça denomina-se

    cranial ou superior; e ao que tangencia os pés é chamado de inferior ou podálico.

      Nota 2: O tronco isolado é limitado, inferiormente, pelo plano que passa pelo

    vértice do cóccix, o plano caudal.

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    7. Termos de Posição e Direção

     A situação e a posição das estruturas anatômicas são indicadas em função dosplanos de delimitação e secção.

     Assim, duas estruturas dispostas em um plano frontal serão chamados de medial e

    laterais conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou mais distante do plano

    mediano do corpo.

    Duas estruturas localizadas em um plano sagital serão chamadas de anterior (ou

    ventral) e posteriores (ou dorsal) conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou

    mais distante do plano anterior.Para estruturas dispostas longitudinalmente, os termos são superior (ou cranial)

    para a mais próxima ao plano cranial e inferior (ou caudal) para a mais distante deste

    plano.

    Para estruturas dispostas longitudinalmente nos membros empregam-se,

    comumente, os termos proximal e distal referindo-se às estruturas respectivamente mais

    próxima e mais distante da raiz do membro. Para o tubo digestivo empregam-se os

    termos oral e aboral, referindo-se às estruturas respectivamente mais próxima e mais

    distante da boca.

    Uma terceira estrutura situada entre uma lateral e outra medial é chamada de

    intermédia. Nos outros casos (terceira estrutura situada entre uma anterior e outra

    posterior, ou entre uma superior e outra inferior, ou entre uma proximal e outra distal ou

    ainda uma oral e outra aboral) é denominada de média.

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    Estruturas situadas ao longo do plano mediano são denominadas de medianas,

    sendo este um conceito absoluto, ou seja, uma estrutura mediana será sempre mediana,

    enquanto os outros termos de posição e direção são relativos, pois se baseiam na

    comparação do seu posicionamento.

    8. Termos de Movimentos

    Na análise de movimento realizado, a determinação do eixo de movimento

    realizado é feita obedecendo a regra, segundo a qual, a direção do eixo de movimento é

    sempre perpendicular ao plano no qual se realiza o movimento. Assim, todo movimento é

    realizado em um plano determinado e o seu eixo de movimento é perpendicular àquele

    plano.

      MOVIMENTOS ANGULARES

    Nestes movimentos há uma diminuição ou aumento do ângulo existente entre o

    segmento que se desloca e aquele que permanece fixo.

      Flexão e Extensão

      Flexão: É a diminuição do ângulo de uma articulação ou aproximação de duas

    estruturas ósseas.

      Extensão: É o aumento do ângulo de uma articulação ou afastar duas estruturas

    ósseas.

      Adução e Abdução

    São movimentos nos quais o segmento é deslocado, respectivamente, em direção

    ao plano mediano (adução) ou em direção oposta, isto é, afastando-se dele (abdução).

      Circundação

    Em alguns segmentos do corpo, especialmente nos membros, o movimento

    combinatório que inclui adução, extensão, abdução e flexão resultam na circundação.

    Neste tipo de movimento, a extremidade distal do segmento descreve um círculo e o

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    corpo do segmento, um cone, cujo vértice é representado pela articulação que se

    movimenta.

      Rotação

    É o movimento em que o segmento gira em torno de um eixo longitudinal (vertical).

     Assim, nos membros, pode-se reconhecer uma rotação medial, quando a face anterior do

    membro gira em direção ao plano mediano do corpo, e uma rotação lateral, no movimento

    oposto.

      Mão: Rotação medial do antebraço = pronação.  Rotação lateral do antebraço = supinação.

      Pé: Adução + Supinação (rotação medial) = inversão (do calcâneo).

      Abdução + Pronação (rotação lateral) = eversão (do calcâneo).

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    9. Divisão do Estudo da Anatomia

      Osteologia: parte da anatomia que estuda os ossos.  Miologia: parte da anatomia que estuda os músculos.

      Sindesmologia ou Artrologia: parte da anatomia que estuda as articulações.

      Angiologia: parte da anatomia que estuda o coração e os grandes vasos.

      Neuroanatomia: parte da anatomia que estuda o sistema nervoso central e o

    periférico.

      Estesiologia: parte da anatomia que estuda os órgãos que se destinam à captação

    das sensações.  Esplancnologia: parte da anatomia que estuda as vísceras que se agrupam para o

    desempenho de uma determinada função como: fonação, digestão, respiração,

    reprodução e urinária.

      Endocrinologia: parte da anatomia que estuda as glândulas sem ducto, que

    segregam hormônios, os quais são drenados diretamente na corrente sanguínea.

      Tegumento comum: parte da anatomia que estuda a pele e os seus anexos.

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    Capítulo III  – Sistema Esquelético

    1. Considerações Gerais

    Sistema esquelético (ou esqueleto) humano consiste em um conjunto de ossos,

    cartilagens e ligamentos que se interligam para formar o arcabouço do corpo e

    desempenhar várias funções, tais como: proteção (para órgãos como o coração, pulmões

    e sistema nervoso central); sustentação e conformação do corpo; local de

    armazenamento de cálcio e fósforo (durante a gravidez a calcificação fetal se faz, em

    grande parte, pela reabsorção destes elementos armazenados no organismo materno);

    sistema de alavancas que movimentadas pelos músculos permitem os deslocamentos

    do corpo, no todo ou em parte e, finalmente, local de produção de várias células do

    sangue.

    O sistema esquelético pode ser dividido porções:

      Uma mediana, formando o eixo do corpo, composta pelos ossos da cabeça,

    pescoço e tronco;

      O esqueleto axial formado pelo trono e cinturas;  O esqueleto apendicular. A união entre estas duas porções se faz por meio de

    cinturas: escapular (ou torácica), constituída pela escápula e clavícula e pélvica

    constituída pelos ossos do quadril.

    No adulto existem 206 ossos, distribuídos ao longo do corpo. Este número varia de

    acordo com a idade (do nascimento a senilidade há uma redução do número de ossos),

    fatores individuais e critérios de contagem.

    2. Coluna Vertebral

    No tronco destaca-se a coluna vertebral que é uma haste forte e flexível,

    didaticamente dividida em duas porções: anterior, constituída pelo ligamento longitudinal

    anterior, corpo vertebral, disco intervertebral e ligamento longitudinal posterior, e

    outra, posterior, constituída pelo canal vertebral, ligamento amarelo, articulações inter-

    apofisárias, ligamentos interespinhais e supra-espinhais, pedículos, lâminas, processostransversos e espinhosos.

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     A flexibilidade é sua principal característica, pois as vértebras apresentam

    mobilidade entre si. A estabilidade é fornecida por sua estrutura ligamentar e

    osteomuscular.

    Entre suas funções, temos: proteção da medula espinhal, movimentação e marcha,

    manutenção da posição ereta, suporte do peso corporal e ligação de todas as suas

    regiões desde a occipital até o sacro.

    Os 33 corpos vertebrais constituem os principais pilares da coluna, todos eles com

    características próprias, sendo:

      7 cervicais

      12 torácicos

      5 lombares

      5 sacrais

      4 coccígeos

     As vértebras são conectadas entre si pelas articulações posteriores entre os corpos

    vertebrais e os arcos neurais. Elas se articulam de modo a conferir estabilidade e

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    flexibilidade à coluna, atributos necessários para a mobilidade do tronco, postura,

    equilíbrio e suporte de peso, e em seu interior o canal vertebral, eixo central que contém a

    medula espinhal.

    3. Classificação dos Ossos

    Há várias maneiras de classificar os ossos. Uma delas é classificá-los por sua

    posição topográfica, reconhecendo-se ossos axiais (que pertencem ao esqueleto axial) e

    apendiculares (que fazem parte do esqueleto apendicular). Entretanto, a classificação

    mais difundida é aquela que leva em consideração a forma dos ossos, classificando-os

    segundo a relação entre suas dimensões lineares (comprimento, largura ou espessura),

    em ossos longos, curtos, laminares e irregulares.

      Osso longo: Seu comprimento é consideravelmente maior que a largura e a

    espessura. Consiste em um corpo ou diáfise e duas extremidades ou epífises. A

    diáfise apresenta, em seu interior, uma cavidade, o canal medular, que aloja a

    medula óssea. Exemplos típicos são os ossos do esqueleto apendicular: fêmur,

    úmero, rádio, ulna, tíbia, fíbula, falanges. 

      Osso laminar: Seu comprimento e sua largura são equivalentes, predominando

    sobre a espessura. Ossos do crânio, como o parietal, frontal, occipital e outros

    como a escápula e o osso do quadril, são exemplos bem demonstrativos. São

    também chamados (impropriamente) de ossos planos. 

      Osso curto: Apresenta equivalência das três dimensões. Os ossos do carpo e do

    tarso são excelentes exemplos. 

      Osso irregular:  Apresenta uma morfologia complexa não encontrando

    correspondência em formas geométricas conhecidas. As vértebras e osso temporal

    são exemplos marcantes. 

      Osso pneumático:  Apresenta uma ou mais cavidades, de volume variável,

    revestidas de mucosa e contendo ar. Estas cavidades recebem o nome de sinus ou

    seio. Os ossos pneumáticos estão situados no crânio: frontal, maxilar, temporal,

    etmoide e esfenoide. 

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      Osso sesamóide: Que se desenvolve na substância de certos tendões ou da

    cápsula fibrosa que envolve certas articulações. os primeiros são chamados

    intratendíneos e os segundos periarticulares. A patela é um exemplo típico de osso

    sesamóide intratendíneo. 

    4. Configuração Interna do Osso

     A análise do osso por microscopia revela duas regiões que divergem entre si pelo

    número de espaços livres entre as trabéculas ósseas, denominadas substância ósseacompacta e substância esponjosa. Embora os elementos constituintes sejam os mesmo

    nos dois tipos de substâncias ósseas, eles dispõem-se diferentemente conforme o tipo

    considerado, e, seu aspecto macroscópico também se difere.

    Na substância óssea compacta as lamínulas de tecido ósseo encontram-se

    fortemente unidas umas às outras pelas suas faces, sem que haja espaço livre interposto.

    Por esta razão, esse tipo é mais denso e rígido.

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    Na substância óssea esponjosa as lamínulas ósseas, mais irregulares em forma e

    tamanho, se arranjam de forma a deixar entre si espaços ou lacunas que se comunicam

    umas com as outras.

    5. Características Ósseas

    No vivente e no cadáver o osso se encontra sempre revestido por delicada

    membrana conjuntiva, com exceção das superfícies articulares. Esta membrana é

    denominada periósteo e apresenta dois folhetos: um superficial e outro profundo, este em

    contato direto com a superfície óssea.

     A camada profunda é chamada osteogênica pelo fato de suas células se

    transformarem em células ósseas, que são incorporadas à superfície do osso,

    promovendo assim o seu espessamento.

    Os ossos são altamente vascularizados. As artérias do periósteo penetram no

    osso, irrigando-o e distribuindo-se na medula óssea. Por esta razão, desprovido do seu

    periósteo o osso deixa de ser nutrido e morre.

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    Capítulo IV  – Sistema Articular

    1. Definição

    Os ossos unem-se uns aos outros para constituir o esqueleto. Esta união não tem a

    finalidade exclusiva de colocar os ossos em contato, mas também de permitir mobilidade

    e elasticidade ao esqueleto. Esta união não se faz da mesma maneira entre todos os

    ossos, assim, uma maior ou uma menos possibilidade de movimento varia de acordo com

    o tipo de união.

    2. Classificação das Junturas

     As junturas são classificadas em três grandes grupos: fibrosas, cartilaginosas e

    sinoviais, cuja definição é feita de acordo com o elemento estrutural encontrado em cada

    tipo de juntura.

      ARTICULAÇÕES FIBROSAS: São formadas por tecido conjuntivo fibroso e

    conferem mais elasticidade do que mobilidade; são encontradas principalmente no

    crânio. É evidente que a mobilidade nestas junturas é extremamente reduzida,

    embora o tecido conjuntivo interposto confira certa elasticidade ao crânio. Dentro

    das articulações fibrosas, dois subtipos podem ser listados, a saber: suturas e

    sindesmoses. 

      Articulações fibrosas suturas: apresentam forma variável e, por isso, podemos

    classificá-las em: planas (união linear, retilínea ou aproximadamente retilínea),

    escamosas (união em forma de bisel) e serreadas (união em “linha dentada”). 

      Sutura Plana

      Sutura Escamosa

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      Sutura Serreada

    E interessante comentar que, na vida pré e pós-natal, o tamanho das articulações

    que separam os ossos do crânio é maior em alguns pontos pela presença de maior

    quantidade de tecido conjuntivo fibroso.

    Essas regiões são chamadas de fontanelas (popularmente conhecidas como

    moleiras) e desaparecem após a ossificação completa do crânio.

      Articulações fibrosas sindesmoses: apresentam também como tecido interposto o

    conjuntivo fibroso, mas não ocorrem entre os ossos do crânio. Na verdade, só hádois registros desse tipo de juntura: sindesmose tíbio-fibular, isto é, a que se faz

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    entre as extremidades distais da tíbia e da fíbula e rádio ulnar entre as

    extremidades do rádio e da ulna.

      ARTICULAÇÕES CARTILAGINOSAS:  Apresentam também pouca mobilidade,

    são constituídas por cartilagem que pode ser hialina (cartilagem articular querepresenta a porção do osso que não foi invadida pela ossificação) ou fibrosa. Se

    na articulação o elemento encontrado for cartilagem hialina, ela será classificada

    como articulação cartilaginosa sincondrose; se cartilagem fibrosa, articulação

    cartilaginosa sínfise. 

    Sinc ondros e extern a Cartil agino sa Sínfis e

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      ARTICULAÇÕES SINOVIAIS: Apresentam como elemento estrutural a sinóvia, um

    líquido viscoso que permite a mobilidade da junção óssea com o mínimo de atrito

    entre as extremidades do osso.

    Essas extremidades ósseas são formadas por cartilagem hialina, desprovidas de

    suprimento sanguíneo e nervoso, o que torna lento e difícil a regeneração do tecido, em

    caso de lesões.

     Além disso, encontramos nesse tipo de articulação uma cápsula articular, que

    envolve a articulação, e uma cavidade articular onde se encontra o liquido sinovial.

    Dessa forma, a cápsula articular, a cavidade articular e o líquido sinovial são

    características das articulações sinoviais.

    Em várias junturas sinoviais, interpostas às superfícies articulares, encontram-se

    formações fibrocartilagíneas, os discos e meniscos intra-articulares, de função discutida:

    serviriam à melhor adaptação das superfícies que se articulam ou seriam destinadas a

    receber violentas pressões, agindo como amortecedores.

    Meniscos, com sua forma de meia lua são encontrados na articulação do joelho e

    disco intra-articular nas articulações esterno clavicular e têmporo mandibular.

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    Os critérios utilizados para classificar as articulações sinoviais são: a forma das

    superfícies ósseas que entram em contato e o movimento realizado por elas, de forma

    que as articulações sinoviais podem ser classificadas em: plana, gínglimo, trocóide,

    condilar, em sela e esferoide.

      Plana: As superfícies articulares são planas ou ligeiramente curvas, permitindo

    deslizamento de uma superfície sobre a outra em qualquer direção. Exemplo:

    articulação sacro-ilíaca.

      Gínglimo: Denominado também de dobradiça refere-se muito mais ao movimento

    do que à forma das superfícies articulares: realizam flexão e extensão. Exemplo:articulação do cotovelo.

      Trocóide: Permite rotação. Exemplo: articulação rádio-ulnar proximal responsável

    pelos movimentos de pronação e supinação do antebraço. Na pronação ocorre

    uma rotação medial do rádio e na supinação, rotação lateral.

      Condilar: As superfícies articulares são elípticas. Permitem flexão, extensão,

    abdução e adução, mas não permitem a rotação. Exemplo: articulação rádio-

    cárpica (ou do punho), articulação têmporo mandibular.

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      Em sela: A superfície articular de uma peça esquelética tem a forma de sela,

    apresentando concavidade num sentido e convexidade em outro, e se encaixa

    numa segunda peça onde convexidade e concavidades apresentam-se no sentido

    inverso da primeira. Permite flexão, extensão, abdução, adução e rotação

    (consequentemente circundação). Exemplo: articulação carpo-metacárpico do

    polegar.

      Esferoide: As superfícies articulares são segmentos de esferas e se encaixam em

    receptáculos ocos. Permitem movimentos de flexão, extensão, adução, abdução,

    rotação e circundação. Exemplo: articulação do ombro (entre úmero e escápula) e

    do quadril (entre o osso do quadril e o fêmur).

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    Capítulo V  – Sistema Muscular

    1. Conceito

    O músculo é a unidade contrátil do ser vivo, que obedece aos comandos do

    sistema nervoso central.

    São estruturas que movem os segmentos do corpo por encurtamento da distância

    que existe entre suas extremidades fixadas, ou seja, por contração, estes últimos são

    os elementos ativos do movimento. Além de tornar possível o movimento, a musculatura

    também mantém unida.

     A literatura relata que os músculos podem ser classificados em:

      Músculo estriado esquelético: músculos do esqueleto humano.

      Músculo estriado cardíaco: presente no coração.

      Músculo liso: presentes em órgãos viscerais.

    O ser vivo é disposto de uma variedade de músculos que estão fixados em regiões

    posterior, anterior, lateral e medial no corpo humano.

    2. Funções dos Músculos

    Entre ao vários tipos de músculos existentes ao longo de nosso corpo, tanto os

    músculos esqueléticos, quanto cardíaco e lisos realizam atividades específicas, tais como:

      Contração muscular;  Locomoção;

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      Sustentação;

      Proteção;

      Regulação de temperatura;

      Respiração;

      Elasticidade;

      Flexibilidade.

    3. Mecanismo da Contração Muscular

     A contração do ventre muscular vai produzir um trabalho mecânico, em geral

    representado pelo deslocamento de um segmento do corpo. Ao contrair- se o ventre

    muscular há um encurtamento do comprimento do músculo e consequente deslocamento

    da peça esquelética.

    O trabalho realizado por um músculo depende da potência do músculo e da

    amplitude de contração do mesmo. A amplitude de contração depende do comprimento

    das fibras musculares. Assim, um músculo longo tem o mais alto grau de encurtamento.

     A potência (ou força) é função do número de fibras que se contraem e número de

    fibras contido em uma secção transversal do músculo, o que é medido em ângulo reto

    com o eixo maior dos fascículos musculares e não com o eixo maior do músculo como um

    todo.

    Desta forma, o que um músculo penado perde em amplitude de contração, ganha

    em força.

    Como foi anteriormente dito, o trabalho do músculo se manifesta pelo

    deslocamento de um (ou mais) osso(s). Os músculos agem sobre os ossos como

    potências sobre braços de alavancas. No caso da musculatura cardíaca e dos músculoslisos, geralmente situadas nas paredes de vísceras ocas ou tubulares, também se produz

    um trabalho: a contração da musculatura destes órgãos reduz seu volume ou seu

    diâmetro e desta forma vai expelir ou impulsionar seu conteúdo.

     A célula muscular obedece a chamada lei do tudo ou nada, ou seja, ou está

    completamente contraída ou está totalmente relaxada. Assim, a quantidade de fibras

    musculares que vai estar envolvida com o trabalho de um músculo, ao mesmo tempo, vai

    depender de quantas unidades motoras ele possua. Denomina-se unidade motora aoconjunto de fibras de um músculo supridas pelo mesmo neurônio. Desta forma um

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    músculo com poucas unidades motoras é um músculo de movimentos mais grosseiros,

    enquanto aquele que possui muitas unidades motoras é capaz de movimentos de alta

    precisão e delicadeza.

    Outra forma de classificar os músculos é observando o trabalho que eles realizam,

    ou seja, sua função. Assim, quando o músculo executa um movimento, ele é denominado

    agonista; quando se opõe ao movimento do agonista, ele é denominado antagonista;

    ainda, quando potencializa a ação do agonista, ele é denominado sinergista.

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    Capítulo VI  – Sistema Nervoso

    1. Considerações Gerais

    O sistema nervoso é dividido em duas partes principais:

      Sistema nervoso central, composto de cérebro e medula espinhal.

      Sistema nervoso periférico, composto de nervos cranianos e espinhais e seus

    gânglios associados.

    O sistema nervoso central é composto de grande número de células nervosas e

    suas ramificações, mantidas por tecido especializado denominado neuroglia. Neurônio é o

    nome dado à célula nervosa e todas as suas ramificações. As ramificações longas de

    uma célula nervosa são denominadas axônios, ou fibras nervosas.

    O interior do sistema nervoso central é organizado em substância branca e

    cinzenta.

      A substância cinzenta consiste em células nervosas e das porções proximais; de

    suas ramificações, encerradas em neuroglia.

      A substância branca consiste em fibras nervosas encerradas em neuroglia.

    Na dissecção do sistema nervoso periférico, observa-se que os nervos cranianos e

    espinhais são cordões de coloração branco-acinzentada. São constituídos de feixes de

    fibras nervosas mantidos por fino tecido areolar.

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    Existem 12 pares de nervos cranianos que partem do cérebro e passam através de

    foramens do crânio. Existem 31 pares de nervos espinhais que partem da medula

    espinhal e passam através de foramens intervertebrais na coluna vertebral.

    2. Funções do Sistema Nervoso

    O sistema nervoso é um dos principais órgãos do organismo vivo que desempenha

    as seguintes funções:

      Controlar

      Comandar  Executar

      Produzir

      Conduzir

      Direcionar

      Ordenar

      Liberar

    Todos os tipos de comandos para que o seu vivo possa realizar as tarefas com

    todas as suas integridades.

    3. Subdivisões do Sistema Nervoso

    3.1. Sistema Nervoso Periférico

    O sistema nervoso periférico é composto por terminações nervosas, gânglios e

    nervos. Estes são cordões esbranquiçados formados por fibras nervosas unidas portecido conjuntivo e que têm por função levar (ou trazer) impulsos ao (do) SNC. As fibras

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    que levam impulsos ao SNC são chamadas de aferentes ou sensitivas, enquanto que as

    que trazem impulsos do SNC são as aferentes ou motoras. Os nervos são divididos em

    dois grupos: nervos cranianos e nervos espinhais.

    3.2. Sistema Nervoso Autônomo

    Tanto o SN somático quanto o SN visceral possuem uma parte aferente e outra

    eferente. Denomina-se sistema nervoso autônomo (SNA) a parte eferente do SN visceral.

    O SNA por sua vez é dividido em duas partes: o sistema simpático e o sistema

    parassimpático.

    O simpático estimula as atividades que ocorrem em situações de emergência ou

    tensão, enquanto o parassimpático é mais ativo nas condições comuns da vida,

    estimulando atividades que restauram e conservam a energia corporal.

    O simpático tem origens nas regiões torácica e lombar da medula espinhal,

    enquanto o parassimpático as tem porções no tronco encefálico e nos segmentos sacrais

    da medula espinhal. Ambos possuem fibras pré-ganglionares que fazem conexões com

    gânglios (acúmulo de neurônios fora do SNC) e dos quais partem fibras pós-ganglionares

    que vão até os órgãos efetuadores; contudo as fibras pré- ganglionares simpáticas são

    curtas e as pós-ganglionares são longas, enquanto no parassimpático ocorre o contrário.

    Existem várias outras diferenças, como no tipo dos mediadores químicos, que fogem ao

    objetivo deste tópico.

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    4. Condução de Informações no Sistema Nervoso

     As informações que são transmitidas pelo sistema nervoso, são chamadas deimpulsos elétricos ou potenciais de ação que trafegam por estruturas chamadas de nervos

    ou fibras, que na verdade é um conjunto de axônios unidos para realizar esta função.

    Podendo então classificar este nervos em:

      Fibras aferentes: levam todas as informações sensitivas ao sistema nervoso

    central.

      Fibras efetoras: trazem as informações do sistema nervoso central para a

    realização dos movimentos.

    5. Estruturas Gerais do Sistema Nervoso

    5.1. Meninges

     A proteção ao SNC dada pelo crânio e pela coluna é acentuada reforçada pela

    presença de lâminas de tecido conjuntivo, as meninges, que são de fora para dentro:

    dura-máter, aracnoide e pia-máter.

     A dura-máter é a mais espessa delas. No crânio está associada ao periósteo da

    face interna dos ossos, enquanto entre ela e a coluna vertebral existe um espaço, o

    espaço extradural (ou epidural). A pia-máter é a mais fina e está intimamente aplicada ao

    encéfalo e à medula espinhal. Entre a dura e a pia-máter está a aracnoide, da qual partem

    fibras delicadas que vão à pia-máter, formando uma rede semelhante a uma teia de

    aranha. A aracnoide é separada da dura-máter por um espaço virtual, o espaço subdural

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    e da pia-máter pelo espaço subaracnoideo, real, onde circula o líquido cérebro-espinhal

    ou líquor, o qual funciona como absorvente de choques.

    O líquido cérebro-espinhal, incolor, é constantemente produzido nos ventrículos do

    encéfalo e constantemente deixa o espaço subaracnoideo para entrar no sistema venoso.

     Atua na nutrição do SNC e como amortecedor, protegendo o SNC de movimentos súbitos.

    O SNC é heterogêneo quanto à distribuição dos corpos dos neurônios e de seus

    prolongamentos. As regiões onde predominam os corpos neuronais são chamadas de

    substância cinzenta. Outras regiões contêm, predominantemente, prolongamentos

    neuronais (em especial seus axônios). Estes prolongamentos são, muitas vezes,

    revestidos por mielina, o que lhes dá coloração mais pálida, daí a denominação desubstância branca.

    No cérebro e no cerebelo a estrutura geral é a mesma: uma massa de substância

    branca, revestida externamente por uma fina camada de substância cinzenta e tendo no

    centro massas de substância cinzenta constituindo os núcleos (acúmulos de corpos

    neuronais dentro do SNC). Na medula, a substância cinzenta forma um eixo central

    contínuo envolvido por substância branca, enquanto no tronco encefálico a substância

    cinzenta central não é contínua, apresentando-se fragmentada, formando núcleos.

    5.2. Cérebro

    O cérebro responde pelas funções nervosas mais elevadas, contendo centros para

    interpretação de estímulos bem como centros que iniciam movimentos musculares. Ele

    armazena informações e é responsável também por processos psíquicos altamente

    elaborados, determinando a inteligência e a personalidade.

    Ele é constituído pelos hemisférios cerebrais e pelo diencéfalo. Os hemisférioscerebrais são duas massas unidas por uma ponte de fibras nervosas, o corpo caloso e

    separado por uma lâmina de dura-máter, a foice do cérebro. Cada hemisfério é dividido

    em cinco lobos, quatro dos quais vistos na superfície do cérebro e correspondendo cada

    um aos ossos do crânio com que guardam relações, os lobos frontal, parietal, temporal e

    occipital. O quinto lobo, a insula, fica coberto por partes dos lobos temporal, frontal e

    parietal.

    Os hemisférios são formados por uma camada externa de substância cinzenta, ocórtex cerebral - convoluto, formando giros e sulcos - e por uma massa interna de

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    substância branca, na qual estão enterrados diversos grupos de núcleos, os núcleos da

    base, que fazem parte do sistema motor, participando do controle dos movimentos,

    facilitando e sustentando os movimentos em curso e inibindo movimentos indesejados. A

    cavidade dos hemisférios cerebrais forma os ventrículos laterais e a parte rostral do

    terceiro ventrículo.

    O diencéfalo fica quase totalmente circundado pelos hemisférios cerebrais; sua

    cavidade forma a maior parte do terceiro ventrículo. Constituído pelo tálamo, pelo

    hipotálamo e pelo epitálamo.

    O tálamo é centro de retransmissão de todos os impulsos sensitivos (exceto olfato)

    para o córtex cerebral. O hipotálamo é local de regulação de atividades viscerais(cardiovascular, temperatura corporal, do equilíbrio hidroeletrolítico, da atividade

    gastrintestinal e fome e das funções endócrinas), do sono e da vigília, da resposta sexual

    e das emoções. O epitálamo é formado principalmente pela glândula pineal, implicada no

    controle dos ritmos circadianos e na regulação do início da puberdade. É produtora do

    hormônio melatonina.

    5.3. Tronco Encefálico e Cerebelo

    O tronco encefálico apresenta é formado por substância branca contendo núcleos no

    seu interior. Divide-se em mesencéfalo, ponte e bulbo.

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    O mesencéfalo é responsável pelos reflexos visuais e auditivos (colículos superior e

    inferior); seus núcleos e os pedúnculos cerebrais participam do controle da postura e dos

    movimentos.

     A ponte é centro de retransmissão de impulsos; contém núcleos de vários nervos

    cranianos (III  –  VII); e controla o ritmo e força da respiração.

    O bulbo é centro de retransmissão de impulsos; contém núcleos de vários nervos

    cranianos (VIII-XII); e é centro autônomo visceral (respiração, ritmo cardíaco,

    vasoconstrição).

    O cerebelo tem estrutura geral parecida com a do cérebro (substância cinzenta

    externa e substância branca interna) e atua na coordenação motora e no equilíbrio.

    5.4. Medula Espinhal

    Situada no interior do canal vertebral, se continua rostralmente com o bulbo. Ela

    recebe informações do pescoço, do tronco e dos membros e os controla, por meio dos

    trinta e um nervos espinhais. A medula consiste em uma parte central de substância

    cinzenta e outra parte periférica, de substância branca.

     A substância cinzenta tem a forma aproximada da letra H. As projeções posteriores

    são os cornos dorsais, os quais tanto contêm neurônios aferentes, condutores de

    impulsos sensoriais periféricos, quanto dão origem às vias ascendentes, condutoras de

    impulsos sensoriais para o encéfalo. As projeções anteriores são os cornos ventrais, que

    contêm os neurônios motores da medula espinhal. Nas partes torácica e lombar existem

    projeções laterais, as colunas laterais, que contêm os neurônios pré-ganglionares

    simpáticos.

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     A substância branca contém fibras nervosas de trajeto longitudinal (tratos

    ascendentes e tratos descendentes). Os principais tratos ascendentes são:

      Colunas dorsais (fascículos grácil e cuneiforme): tato discriminativo e

    propriocepção.  Trato espinotalâmico: dor, temperatura, pressão e tato grosseiro.

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      Trato espinocerebelar: informação dos receptores musculares e articulares.

    Os principais tratos descendentes são:

      Trato corticoespinhal anterior: contêm as fibras nervosas dos neurônios motores

    corticais que não cruzaram de lado nas pirâmides do bulbo; termina na medula

    torácica. Suas fibras cruzam para o lado oposto pouco antes de fazerem sinapse

    com os neurônios motores medulares.

      Tratos corticoespinhal lateral: contêm as fibras nervosas dos neurônios motores

    corticais que cruzaram de lado (decussaram) nas pirâmides do bulbo. Mais

    importante por ter mais fibras está presente ao longo de toda medula.

      Tratos rubro-espinhal, vestíbulo-espinhal e retículo-espinhal: origem no tronco

    encefálico; participam do controle motor.

    6. Tecido Nervoso

    O tecido nervoso compreende basicamente dois tipos de celulares: os neurônios e

    as células glias.

      Neurônio: é a unidade estrutural e funcional do sistema nervoso que é

    especializada para a comunicação rápida. Tem a função básica de receber,

    processar e enviar informações. São células altamente excitáveis que se

    comunicam entre si ou com outras células efetuadoras, usando basicamente uma

    linguagem elétrica. A maioria dos neurônios possui três regiões responsáveis por

    funções especializadas: corpo celular, dendritos e axônios.

      Corpo celular: é o centro metabólico do neurônio, responsável pela síntese detodas as proteínas neuronais. A forma e o tamanho do corpo celular são

    extremamente variáveis, conforme o tipo de neurônio. O corpo celular é também,

     junto com os dendritos, local de recepção de estímulos, através de contatos

    sinápticos.

      Dendritos: geralmente são curtos e ramificam-se profusamente, a maneira de

    galhos de árvore, em ângulos agudos, originando dendritos de menor diâmetro.

    São os processos ou projeções que transmitem impulsos para os corpos celularesdos neurônios ou para os axônios. Em geral os dendritos são não mielinizados. Um

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    neurônio pode apresentar milhares de dendritos. Portanto, os dendritos são

    especializados em receber estímulos.

      Axônios: a grande maioria dos neurônios possui um axônio, prolongamento longo e

    fino que se origina do corpo celular ou de um dendrito principal. O axônio

    apresenta comprimento muito variável, podendo ser de alguns milímetros como

    mais de um metro. São os processos que transmitem impulsos que deixam os

    corpos celulares dos neurônios, ou dos dendritos. A porção terminal do axônio

    sofre várias ramificações para formar de centenas a milhares de terminais

    axônicos, no interior dos quais são armazenados os neurotransmissores químicos.

    Portanto, o axônio é especializado em gerar e conduzir o potencial de ação.

      Tipos de Neurônios

    São três os tipos de neurônios: sensitivo, motor e interneurônio. Um neurônio

    sensitivo conduz a informação da periferia em direção ao SNC, sendo também chamado

    neurônio aferente. Um neurônio motor conduz informação do SNC em direção à periferia,

    sendo conhecido como neurônio eferente. Os neurônios sensitivos e motores são

    encontrados tanto no SNC quanto no SNP.

    Portanto, o sistema nervoso apresenta três funções básicas:

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      Função Sensitiva: os nervos sensitivos captam informações do meio interno e

    externo do corpo e as conduzem ao SNC;

      Função Integradora: a informação sensitiva trazida ao SNC é processada ou

    interpretada;

      Função Motora: os nervos motores conduzem a informação do SNC em direção

    aos músculos e às glândulas do corpo, levando as informações do SNC.

      Sinapses

    Os neurônios, principalmente através de suas terminações axônicas, entram em

    contato com outros neurônios, passando-lhes informações. Os locais de tais contatos são

    denominados sinapses. Ou seja, os neurônios comunicam-se uns aos outros nas

    sinapses  –  pontos de contato entre neurônios, no qual encontramos as vesículas

    sinápticas, onde estão armazenados os neurotransmissores. A comunicação ocorre por

    meio de neurotransmissores  –  agentes químicos liberados ou secretados por um

    neurônio. Os neurotransmissores mais comuns são a acetilcolina e a norepinefrina.

    Outros neurotransmissores do SNC incluem a epinefrina, a serotonina, o GABA e as

    endorfinas.

      Fibras nervosas

    Uma fibra nervosa compreende um axônio e, quando presente, seu envoltório de

    origem glial.

    O principal envoltório das fibras nervosas é a bainha de mielina (camadas de

    substâncias de lipídeos e proteína), que funciona como isolamento elétrico. Quando

    envolvidos por bainha de mielina, os axônios são denominados fibras nervosas mielínicas.

    Na ausência de mielina as fibras são denominadas de fibras nervosas amielínicas.

     Ambos os tipos ocorrem no sistema nervoso central e no sistema nervoso periférico,

    sendo a bainha de mielina formada por células de Schwann, no periférico e no central por

    oligodendrócitos.

     A bainha de mielina permite uma condução mais rápida do impulso nervoso e, ao

    longo dos axônios, a condução é do tipo saltatória, ou seja, o potencial de ação só ocorre

    em estruturas chamadas de nódulos de Ranvier.

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      Células Glias: compreende as células que ocupam os espaços entre os neurônios

    e tem como função sustentação, revesti