AP Estradas

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Apostila de Estradas

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    1 ORGANIZAO DO SETOR RODOVIRIO

    1.1 Preliminares Atravs da instalao da indstria automobilstica a partir de 1950, a infra-

    estrutura rodoviria do Brasil se reorganiza e sofre uma evoluo grande, sustentado financeiramente pela criao de um modelo tributrio para este fim e outros.

    Foram criados, ao mesmo tempo, estruturas institucionais a nvel federal e estadual, transferindo para departamentos e autarquias a responsabilidade pela execuo das polticas rodovirias federal e estadual.

    Foram criados planos nacionais de viao sucessivos, havendo um desenvolvimento fsico e tecnolgico da infra-estrutura rodoviria. Havia recursos certos para melhorar a qualidade do conhecimento tecnolgico dos profissionais e nas escolas, atingindo-se o mximo em meados da dcada de 1970.

    A partir da houve mudanas na distribuio de recursos tributrios, vindo a acabar com o modelo de financiamento do setor rodovirio. Assim, sem recursos garantidos para o setor rodovirio, houve um retrocesso no Brasil.

    Com a nova Carta Constitucional em 1988, deu-se o desmonte total das fontes de recursos, com a proibio da vinculao de receitas e impostos.

    A partir de ento buscou-se novas alternativas para financiar a infra-estrutura rodoviria, procurando reinstituir um fundo rodovirio s para recuperao.

    Comearam tambm as modalidades de concesso iniciativa privada de rodovias, cujos investimentos eram ressarcidos pela cobrana de pedgio aps concludas as obras. A empresa fica responsvel tambm pela conservao e manuteno.

    Tentou-se tambm criar um imposto sobre os combustveis e seus derivados, mas que s veio a se concretizar em 2001, atravs de Emenda Constitucional de 11/12/2001 e da lei na 10336 de 19/12/2001. Foi criada a Contribuio de Interveno no Domnio Econmico (CIDE), sobre a importao e comercializao de petrleo e seus derivados, de gs natural e seus derivados, e lcool etlico combustvel. Os recursos advindos de CIDE destinado, entre outros, ao financiamento de programas de infra-estrutura e transportes.

    1.2 Organizao do Setor Pblico O Fundo Rodovirio Nacional FRN, quando criado, destinava os recursos aos

    estados, territrios e Distrito Federal, sendo 40% para a Unio e 60% para os estados. Ao DNER cabia gerir os recursos do FRN destinados Unio, e gerenciar ainda

    a distribuio dos 60%, em forma de quotas da seguinte forma: 36% sobre o consumo de combustveis e lubrificantes; 12% para a rea territorial e 12% da populao.

    Contudo s tinham direito a receber as suas quotas o estado que estivesse organizado e que tivesse criado sua prpria autarquia (DER ou DAER).

    Estados e Distritos: Secretarias: Formulavam as polticas estaduais do transporte rodovirio. Aos DERs e DAERs: cabiam a execuo dessas polticas. Mais tarde, pela lei Joppert em 13/07/48 os municpios tambm entraram no

    rateio com 12%, ficando a Unio com 40% e os Estados com 48%. Os municpios igualmente tiveram que se organizar e criar os seus DMER. Foi feito um novo ajuste no rateio das quotas de forma proporcional s superfcies (2/10), s populaes (2/10) e aos consumos de lubrificantes e combustveis lquidos (6/10).

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    Desta forma a Organizao da Administrao Pblica do setor rodovirio pode ser assim representado: Tabela 1.1 Nvei s de Jurisdio Entidades Responsveis pela Poltica Rodoviria

    Formulao da Poltica Execuo da Poltica Federal Ministrio dos Transportes DNIT Estadual Secretarias de Estado DER, DAER e outras Municipal Secretarias Municipais DMER e outras Esta estrutura rodoviria foi feita e implantada em consonncia com o modelo

    tributrio, onde o estado fazia tudo. Aps veio o desmonte deste modelo de financiamento (estado), com descentralizao de aes, deixando o estado de ser o executor, ficando somente com a normalizao, fiscalizao, controle e regulamentao. Com isto as estruturas dos rgos do setor no mais se justificavam. Isto fez com que a mquina pblica diminusse, no havendo uma renovao de pessoal, em prejuzo do avano da tecnologia.

    Com a vinda de financiamentos privados, e a cobrana de pedgios dos usurios pelas concessionrias para a explorao da malha rodoviria para pagamento dos financiamentos, foi necessrio uma mudana no modelo de investimentos de recursos pblicos.

    Tudo isto foi fundamental para uma reestruturao dos transportes terrestre e aquavirio, que a nvel federal se deu atravs da lei n 10.233 de 05/06/2001. Esta lei regula e organiza a gerncia do Sistema Federal de Viao, e a prestao de servios de transporte. Ela cria os seguintes rgos vinculados ao Ministrio de Transportes:

    A Agncia Nacional de Transportes Terrestres ANTT, que possui regime autrquico e faz a regulamentao e superviso dos servios de transporte, explorao da infra-estrutura rodoviria e ferroviria, mediante outorga de autorizaes, concesses ou permisses.

    O Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte DNIT, submetido ao regime de autarquia, com o objetivo de implementar a poltica formulada pelo Ministrio dos Transportes para a administrao da infra-estrutura do Sistema Federal de Viao, e que compreende a sua operao, manuteno, reestruturao ou reposio, adequao de capacidade e construo de novas vias e terminais. Ao Sistema Federal de Viao esto subordinados as vias navegveis, as ferrovias e rodovias federais, as instalaes e vias de transbordo e de interesse intermodal, e as instalaes porturias. O DNER foi extinto por Decreto n 4.128 em 13/02/2002, e substitudo pelo DNIT criado pelo Decreto n 4.129 de 13/02/2002.

    1.3 Plano Nacional de Viao At 1930 houve somente planos setoriais de transportes sem carter oficial. Em 1934 foi feito o Plano Geral de Viao Nacional I PNV. Mas foi consolidado

    realmente s em 1964 com a instituio do II PNV (2 plano nacional de viao). Estabeleceu os princpios gerais e as diretrizes de concepo e de orientao para a implementao de um sistema nacional de transportes unificado. Possibilitou que houvesse uma coordenao racional entre os sistemas federal, estaduais e municipais, bem como entre as diferentes modalidades de transportes.

    Em 1973 surgiu 3 verso do Plano Nacional de Viao III PNV, que era tida como a Carta Magna para o setor de transporte, definindo o Sistema Nacional de Viao como sendo constitudo pelo conjunto dos sistemas ferrovirio, rodovirio,

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    porturio, hidrovirio e aerovirio, compreendendo as infra-estruturas virias e suas estruturais operacionais necessrias para o bom uso.

    O III PNV, por lei, definiu que os sistemas federal, estaduais e municipais constituam parte integrante do Sistema Rodovirio Nacional, relacionando ainda as rodovias sob jurisdio do DNER, as quais ao longo do tempo sofreram modificaes. O Plano estabeleceu que os Distritos, estados e municpios criassem departamentos e revissem seus planos virios, para terem direito as quotas-partes do Imposto nico sobre Lubrificantes e Combustveis Lquidos e Gasosos.

    Os respectivos planos rodovirios teriam que obedecer a mesma sistemtica do Plano Nacional de Viao.

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    2 A RODOVIA

    2.1 Nomenclatura das Rodovias As rodovias federais so precedidas pelo prefixo BR - XXX e trs algarismos. Os

    trs nmeros que seguem o prefixo BR indicam a posio da rodovia em relao posio geogrfica.

    Desta forma temos: Rodovias Radiais: que ligam a capital do pas a um ponto importante qualquer,

    sendo o 1 n o O (zero), variando 10 a 90, a uma razo de 10 em 10. Rodovias Longitudinais: se desenvolvem de norte a sul, sendo o 1 algarismo o

    1, e podem variar de 01 a 99, com ordem crescente de norte para o sul. Braslia a referncia com o n intermedirio 50.

    Rodovias Transversais: se desenvolvem no sentido geral leste-oeste, sendo o 1 algarismo o n 2, e podem variar de 01 a 99, crescendo de leste para oeste. Braslia a referncia para o n intermedirio 50.

    Rodovias Diagonais: se desenvolvem em geral na direo noroeste-sudoeste, chamadas de rodovias pares; e na direo nordeste-sudeste so as mpares. O 1 algarismo o n 3. Para as rodovias diagonais pares, o n par e pode variar de 02 a 98, e crescem de noroeste para sudoeste. Para as rodovias diagonais mpares o n sempre mpar, e pode variar de 01 a 99, crescendo de noroeste para sudeste. Ambas tem Braslia como referncia, sendo para o n par o n intermedirio 50, e para rodovia mpar o no intermedirio 51.

    Rodovia de Ligao: so as que no se enquadram em nenhuma das anteriores. O 1 algarismo o n 4 e pode variar der 01 a 99. Para as rodovias situadas acima do paralelo que passa por Braslia a numerao inferior a 50, enquanto que as que se situam abaixo, a numerao superior a 50. A numerao crescente de norte para o sul.

    Figura 2.1 Mapas

    2.2 Classificao Funcional das Rodovias

    Esta classificao leva em considerao o tipo de servio que a rodovia oferece

    a partir da funo bsica de mobilidade e de acessibilidade que a rodovia oferece. Assim baseado nestas caractersticas das rodovias, podemos agrupa-las pela importncia de cada uma e pelo tipo de servio que cada uma oferece, em:

    Sistema Arterial, cuja funo principal da rodovia propiciar a mobilidade. Sistema Coletor, cuja funo principal da rodovia propiciar um misto de funes

    de mobilidade e de acesso. Sistema Local, a rodovia cuja funo principal a de oferecer facilidades de

    acesso.

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    A tabela abaixo nos fornece as funes bsicas e alguns parmetros que nortearam a classificao funcional das rodovias no Brasil. Tabela 2.1 Parmetros para a Classificao Funcional de Rodovias

    Sistemas Funcionais

    Funes Bsicas Parmetros de Referncia

    Art

    eria

    l

    Prin

    cipa

    l

    Viagens internacionais e inter-regionais. Elevados nveis de mobilidade. Formar sistema contnuo na regio. Articulao com rodovias similares em regies vizinhas. Conectar ca