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APLICAÇÃO DA MODELAGEM ECONÔMICA NA SUBSTITUIÇÃO DE AUTOMÓVEL POPULAR Bruno Cesar Linhares (UFRN ) [email protected] Mariama Saskya Araujo da Silva (UFRN ) [email protected] Gilberto Alves Maia Neto (UFRN ) [email protected] Raissa Targino Dantas Barbosa (UFRN ) [email protected] Sabrina Karla Rodrigues de Oliveira (UFRN ) [email protected] Este artigo tem como objetivo identificar o melhor momento de substituição de um automóvel popular, levando em consideração o menor custo uniforme anual durante o tempo de serviço do bem. O estudo foi realizado por meio da utilização de téccnicas da Engenharia Econômica para a análise de substituição, tendo como objeto o veículo de modelo Gol (versão G4 1.0 flex, 8V, 2 portas - básico) da fabricante Volkswagen, escolhido por sua popularidade, liderança em vendas e permanência no mercado por tempo prolongado. As informações foram obtidas através de entrevista com vendedor de concessionária, coleta de dados mercadológicos em sites, pesquisa documental e pesquisa bibliográfica a fim de respaldar as análises realizadas. A pesquisa, de natureza descritiva, utilizou como método de procedimento o estudo de caso. Os resultados assinalaram que o melhor tempo para a troca do veículo é de aproximadamente 5 anos de vida de serviço. Adicionalmente, foram aplicadas técnicas de análise de incerteza e risco as quais demonstraram que o perfil dos fluxos de caixa representativos do problema é volátil. Palavras-chaves: Engenharia Econômica. Substituição. Automóvel XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

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Este artigo tem como objetivo identificar o melhor momento de
substituição de um automóvel popular, levando em consideração o menor
custo uniforme anual durante o tempo de serviço do bem. O estudo foi
realizado por meio da utilização de téccnicas da Engenharia Econômica
para a análise de substituição, tendo como objeto o veículo de modelo Gol
(versão G4 1.0 flex, 8V, 2 portas - básico) da fabricante Volkswagen,
escolhido por sua popularidade, liderança em vendas e permanência no
mercado por tempo prolongado. As informações foram obtidas através de
entrevista com vendedor de concessionária, coleta de dados
mercadológicos em sites, pesquisa documental e pesquisa bibliográfica a
fim de respaldar as análises realizadas. A pesquisa, de natureza
descritiva, utilizou como método de procedimento o estudo de caso. Os
resultados assinalaram que o melhor tempo para a troca do veículo é de
aproximadamente 5 anos de vida de serviço. Adicionalmente, foram
aplicadas técnicas de análise de incerteza e risco as quais demonstraram
que o perfil dos fluxos de caixa representativos do problema é volátil.
Palavras-chaves: Engenharia Econômica. Substituição. Automóvel
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.
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1. Introdução
A indústria brasileira de automóveis tem se expandido nos últimos anos e a conjuntura econômica
favorável que o Brasil vivencia internamente tem ampliando a possibilidade de acesso a veículos
automotores para uma parcela maior da população e empresas que fazem uso de veículos em suas
atividades. Diante da maior facilidade de aquisição de carros, a troca de veículos usados por
novos em um intervalo de tempo menor comparado à sua depreciação passa a ser uma prática
mais comum no mercado.
Buscando responder à seguinte problemática: “Após quanto tempo de uso de um automóvel
popular é interessante realizar a sua troca de modo que tenha um retorno mais economicamente
viável?”, a pesquisa apresentada neste artigo tem como objetivo avaliar o melhor tempo em que
um automóvel popular deve ser substituído, levando em consideração o período em que os custos
ligados à sua manutenção ultrapassam o seu custo de propriedade.
A constatação do melhor período para a substituição de veículos com base nas questões
econômicas que envolvem tal decisão geralmente não é alvo da atenção da grande maioria dos
consumidores das indústrias de automóvel, os quais normalmente realizam a troca de seus
veículos em momentos de sua preferência, sem ter como referência o espaço temporal cuja troca
resultará no menor custo. Demonstra-se, nesse contexto, a relevância deste estudo, da
metodologia e das técnicas da Engenharia Econômica apresentadas no processo de tomada de
decisão, inclusive nas decisões cotidianas dos indivíduos.
O desenvolvimento do artigo segue com a apresentação da metodologia utilizada na pesquisa e
posterior referencial teórico que a fundamenta com a caracterização de alguns métodos utilizados
na Engenharia Econômica que foram incorporados à pesquisa para auxiliar à tomada de decisão:
Valor Presente Líquido (VPL) e Custo Presente Liquido (CPL), Valor uniforme Liquido (VUL) e
Custo Uniforme Líquido (CUL), e o conteúdos referente à temática da Análise de Substituição no
contexto da Engenharia Econômica. A discussão dos dados e o resultado do estudo são exibidos
ao final, seguindo as considerações finais referentes ao trabalho.
2. Metodologia
Tendo em vista o objetivo que foi apresentado na seção anterior, esta pesquisa está delineada
como do tipo descritiva. Segundo Gil (2009, p.42), essa tipologia tem como propósito básico “a
descrição de características de determinada população ou fenômeno [...]” e sua principal
particularidade é o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados.
Para isso, utilizou-se do estudo de caso como procedimento para coleta de dados por consistir “no
estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e
detalhado conhecimento” (GIL, 2009, p. 54). Assim, delimitou-se, como objeto de descrição, o
automóvel popular de modelo Gol (versão G4 1.0 flex, 8V, 2 portas - básico) da fabricante
Volkswagen, no âmbito do mercado da cidade de Natal, no estado do Rio Grande do Norte. A
escolha desse modelo de automóvel se deu em virtude de sua popularidade, liderança em vendas e
permanência no mercado por vários anos no Brasil, fator relevante para a coleta de informações
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no decorrer da pesquisa e melhor manipulação de dados a partir de históricos, tendo em vista a
determinação de dados futuros. A análise quanto ao melhor período para a realização da
substituição do referido veículo teve como referência a aplicação dos seguinte métodos de
Engenharia Econômica: Valor Presente Líquido, Custo Uniforme Líquido, Análise de
Substituição e Análise de Sensibilidade e risco através do software CrystalBall®.
Conforme Lakatos e Marconi (2004, p. 274), o estudo de caso “reúne o maior número de
informações detalhadas, valendo-se de diferentes técnicas de pesquisa, visando apreender uma
determinada situação e descrever a complexidade de um fato”. Sendo assim, para garantir a
qualidade dos resultados no desenvolvimento desta pesquisa, obteve-se de múltiplas fontes de
dados as informações necessárias à sua realização.
Para o estudo de caso, utilizou-se de entrevista com consultor de venda de automóveis, de coleta
de dados mercadológicos disponíveis em portais virtuais de organizações do setor, de pesquisa
documental em concessionária de automóveis e de pesquisa bibliográfica acerca dos métodos
econômicos de análise necessários ao alcance dos objetivos. De acordo com Gil (2009), trata-se
de uma forma de estudo exploratório e que proporciona familiaridade com a área proposta de
análise.
3. Métodos de Engenharia Econômica
A Engenharia Econômica consiste em um ramo de conhecimento voltado ao uso de técnicas
destinadas a escolhas de alternativas a fim de que se alcance aquela mais viável economicamente.
A consideração das mudanças dos valores monetários no decorrer do tempo por meio da
aplicação de uma taxa de juros adequada, de modo que se obtenham fluxos de dinheiro
justamente comparáveis para o estudo, mostra-se como aspecto de grande importância nas
diversas análises econômicas realizadas na área.
Dentre os vários métodos utilizados pela Engenharia Econômica para a tomada de decisões, tem-
se: Valor Presente Líquido (VPL) e Custo Presente Líquido (CPL), Valor Uniforme Liquido
(VUL) e Custo Uniforme Líquido (CUL), Análise de Substituição, Análise de Sensibilidade e de
Risco, os quais serão brevemente descritos a seguir.
3.1 Valor Presente Líquido (VPL) e Custo Presente Líquido (CPL)
Um dos principais métodos usados para a realização de uma análise econômico-financeira de um
investimento é o calculo do Valor Presente Liquido (VPL), também conhecido por Valor Atual
Liquido. O método consiste em converter os fluxos de caixa futuros no valor atual equivalente. A
taxa usada para realizar este desconto é chamada de taxa de desconto ou custo de oportunidade.
Hirschefeld (2000) afirma que o método do Valor Presente Liquido tem como finalidade
determinar um valor no instante considerado inicial, a partir de um fluxo de caixa formado de
uma série de receitas e dispêndios.
Esse método pode ser considerado de fácil aplicação em função de que todas as análises podem
ser feitas com a visualização do valor do investimento na data atual, fornecendo ao investidor a
possibilidade de analisar o cenário futuro do investimento. Logo, se o valor encontrado for
positivo, o investimento apresenta viabilidade financeira. Caso o valor encontrado seja negativo,
o investimento é considerado economicamente inviável. Quando o valor encontrado para o VPL
for zero, o investimento é indiferente. Para casos em que o VPL é negativo, este número pode ser
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chamado de Custo Presente Liquido (CPL), uma vez que o sinal negativo indica que os custos do
investimento são maiores que as receitas.
Quando várias alternativas de investimentos forem comparadas, é necessário que todas possuam
ciclos de vidas iguais. Caso isto não ocorra, deve ser adotada uma duração final comum das
alternativas analisadas, podendo esta equivalência ser realizada através do uso do mínimo
múltiplo comum do tempo de análise para cada proposta de investimento. Dessa forma, a
alternativa que possuir o maior VPL será a mais economicamente viável.
3.2 Valor Uniforme Líquido (VUL) e Custo Uniforme Líquido (CUL)
A aplicação do método do Valor Uniforme Líquido consiste em somar todos os fluxos existentes
no horizonte de avaliação e distribuí-los em valores uniformes por fração do período de tempo
(ano, mês, semestre, bimestre...). Esse método também pode ser denominado de Valor Anual
Equivalente (VAE). Da mesma forma que ocorre com a nomenclatura do VPL, em casos que o
VUL é negativo, indicando predominância de custos no fluxo de caixa, este pode ser chamado de
Custo Uniforme Líquido (CUL).
Uma das vantagens obtidas com o uso do VUL, segundo Blank (2008), é o fato de o VUL
precisar ser calculado apenas para um ciclo de vida, dispensando o uso de um período de tempo
comum por meio do cálculo do mínimo múltiplo comum ao comparar projetos com ciclos de
vidas diferentes (como ocorre em análises pelo VPL), tornando a análise mais rápida.
É possível observar que, ao comparar dois projetos, os métodos VPL e VUL aconselharão a
escolha da mesma alternativa, desde que sejam executados de maneira correta.
3.3 Análise de Substituição
Uma das questões mais frequentes nas empresas está relacionada com a decisão de substituição
dos equipamentos em uso. Segundo Blank (2008) a pergunta que deve ser feita é O equipamento
deve ser substituído agora ou mais tarde? O que deve ser analisado é quando ocorrerá a
substituição do equipamento, visto que, se o equipamento é útil no presente da empresa, este será
necessário também no futuro, logo a empresa em algum momento deve realizar a troca deste.
Diversos são os fatores que podem desenvolver na empresa a necessidade de substituição do
equipamento. Dentre esses fatores, estão o desempenho reduzido, a obsolescência e alteração de
suas exigências.
A fim de realizar uma análise de substituição de equipamentos é necessária a construção do fluxo
de caixa para ambas as possibilidades. Esse fluxo de caixa deve conter todas as receitas e os
custos decorrentes para cada alternativa a partir do tempo zero (valor residual do equipamento
atual, valor de aquisição do equipamento novo, custos de manutenção, dentre outros elementos).
Com esses dados é possível realizar a comparação entre as possibilidades de decisão pelos
métodos mencionados anteriormente (VPL e VUL), escolhendo a opção que fornecer o maior
valor para o método usado.
4. Estudo de Caso - Construção do Modelo de Engenharia Econômica para a Análise de
Substituição do Automóvel
Nesta seção, inicia-se o estudo de caso definindo os aspectos necessários à modelagem do
comportamento econômico do automóvel Gol G4 1.0 Flex 8V de 2 portas, básico, da marca
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Volkswagen, a fim de atingir os objetivos deste estudo quanto à análise de sua substituição.
Assim, faz-se necessário considerar diversos gastos, tais como os custos de aquisição
(emplacamento, licenciamento, seguro obrigatório, entre outros que serão analisados e avaliados)
e os custos operacionais reais (como gastos com combustível e manutenção).
4.1 O Valor de Aquisição e a Taxa Mínima de Atratividade (TMA)
Como forma de aproximar esta análise à realidade mais comum de aquisição de automóveis na
atualidade, a maneira escolhida de compra do veículo foi a financiada. As condições de
financiamento, para uma modalidade sem entrada, são apresentadas na Tabela 1.
Tabela 1 – Condições de financiamento
Á VISTA R$ 23.990,00
Fonte: Elaboração própria
A partir disso, deve-se entender que a Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é a mesma taxa de
juros do financiamento, ou seja, 39,45% a.a., tendo em vista que representa a taxa de custo de
capital para o cliente que está comprando o bem.
4.2 Depreciação
Ao longo do período de uso do veículo, há o valor de sua depreciação, que representa o custo
decorrente do desgaste ou da obsolescência, uma perda de valor que irá determinar o seu valor de
mercado (valor residual) nas análises que serão feitas.
Conforme dados de Preço Médio de Veículos, fornecidos pela Fundação Instituto de Pesquisa
Econômica (FIPE), foi possível a verificação de valor de mercado do automóvel objeto deste
estudo desde o seu lançamento em 2005, a fim de se projetar uma taxa média de depreciação nos
próximos anos e assim determinar valores residuais para o automóvel.
Como os preços divulgados pela FIPE (2011) estão inflacionados com os valores da época de
obtenção, para prosseguimento da previsão de depreciação foi necessário atualizar os dados
encontrados para o ano de lançamento (2005) segundo taxas de inflação acumulada, através do
Índice de Preços ao Consumidor Geral (IPC-Geral), fornecidas pela própria FIPE e que estão
representadas na Tabela 2.
Com esses dados, trabalhando a preços constantes, obteve-se a curva média representada no
Gráfico 1. O gráfico mostra que, no primeiro ano, o bem perde um alto valor e ao longo do tempo
essa perda é mais constante. Diante disso, foi possível a definição de uma taxa em torno de
21,0% de depreciação no primeiro ano e, no restante do período, o seu percentual ficou por volta
dos 7,0%, como mostrado na Tabela 3.
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Ano Inflação acumulada
Figura 1 – Depreciação média do automóvel lançado em 2005
Fonte: Elaboração própria.
Fonte: Elaboração própria.
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Na Tabela 4, observam-se os valores de mercado do veículo ao longo do tempo, os quais
serão utilizados nos métodos de análise para solucionar o problema de tempo de substituição do
automóvel.
Tabela 4 – Valores de mercado
ANUAL 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
VALOR DE
Fonte: Elaboração própria.
4.3 Custos Operacionais, Impostos e Manutenção
Dentro dos custos operacionais, deve-se incluir os gastos com manutenção, que está associada às
revisões que precisam ocorrer dentro do período de um semestre ou se o carro tiver percorrido em
torno de 10.000 quilômetros dentro da mesma época, conforme é recomendado pela
concessionária e no manual do veículo analisado. Como esta pesquisa tem a anuidade como
horizonte temporal, converteram-se os gastos semestrais de manutenção (fornecidos pela
concessionária da marca) para gastos anuais, através da TMA que está sendo utilizada (2,81% ao
mês). Transformando-se esta taxa para semestre, obtém-se a taxa equivalente de 18,09% a.s, que
será a taxa utilizada para se atualizar o valor equivalente de dois semestres para o de um ano,
permitindo assim um custo de manutenção adequado para a análise.
Para o modelo de análise ficar ainda mais completo, foi adicionado o consumo urbano de
combustível do automóvel analisado. Segundo dados da pesquisa de Eficiência Energética de
Veículos Leves do INMETRO (2011), o índice de consumo do Gol G4 1.0 Flex 8V de 2 portas é
de 10,5 quilômetros com 1 litro de gasolina. Desse modo, associando-se o valor da gasolina em
uma média de R$ 2,67 por litro, segundo dados do PROCON NATAL (2011), e considerando que
o veículo andará os 10.000 quilômetros por semestre da quilometragem recomendada para
manutenção do fabricante (ou seja, 20.000 quilômetros por ano), calcula-se uma média de
consumo em torno de R$ 5.085,71. Esses dados estão expostos na Tabela 7.
Ainda, ao efetuar-se a compra do carro, é importante considerar a necessidade de realização de
pagamentos de taxas e impostos ao Departamento de Trânsito - DETRAN. Neste artigo, serão
utilizados os dados do DETRAN do estado do Rio Grande do Norte. Existe o valor do
licenciamento e do seguro obrigatório do veículo, o DPVAT, pagos ao longo de todo o período
de utilização do carro, além de outros valores pagos somente na confirmação da compra, ou seja,
no período zero (taxa de registro do veículo e emplacamento). Estes dois últimos são adicionados
ao custo inicial, ou seja, de propriedade.
O valor do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é a taxa que é paga ao
longo de 10 anos do tempo de vida útil do veículo, custando 2,5% do valor de mercado do carro.
Desse modo, como a base de cálculo já foi dimensionada na determinação da depreciação, é
possível projetar os valores de IPVA.
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Por fim, as Tabelas 5 e 6 resumem todos os elementos aqui apresentados e adaptados para a
análise anual que a seguir será descrita.
Tabela 5 – Resumo dos custos para a análise de substituição
Fonte: Elaboração própria.
Fonte: Elaboração própria.
4.4 Análise de Substituição
A partir da referência teórica sob a qual esta pesquisa se alicerça e dos dados coletados e já
padronizados na sessão anterior para o modelo de análise econômica que se pretende desenvolver,
expõem-se a seguir a aplicação dos métodos para determinação do momento ideal de substituição,
sob o ponto de vista econômico, do automóvel que está sendo avaliado.
Para encontrar esse momento ideal de substituição, faz-se necessário encontrar o menor CUL da
vida útil do automóvel avaliado, o momento em que o custo total de possuir o automóvel é
mínimo. Ou seja, esse momento é caracterizado pela soma do custo de operação do automóvel
com o custo de propriedade do automóvel ser a menor em sua vida útil.
Assim, construiu-se uma tabela de custos uniformes considerando diferentes políticas de trocas do
automóvel. O menor CUL foi encontrado para a política de troca com 5 anos de vida de serviço,
quando a diferença entre o valor residual e o custo de aquisição, ambos uniformizados
ANUAL 0 1 2 3 4 5 6
LICENCIAMENTO -60.00 -60.00 -60.00 -60.00 -60.00 -60.00 -60.00
TAXA DE
REGISTRO -115.00
PLACA - 112.00
COMBUSTÍVEL -
MANUTENÇÃO
INVESTIMENTO - 23.990.00
ANUAL 0 1 2 3 4 5
VALOR DE
MERCADO 23,990.00 18,952.10 17,625.45 16,391.67 15,244.25 14,177.16
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anualmente, atingem o ponto máximo. A partir desse momento, o custo de propriedade, que antes
diminuía, começa a crescer e aquela diferença já decresce.
Essa análise e o resultado são apresentados na Tabela 7 e na Figura 2.
Tabelas 7 – Estimativas de Custo Uniforme Líquido Total
Fonte: Elaboração própria.
Fonte: Elaboração própria.
4.5 Análise de Risco e Sensibilidade
Em virtude de tratar-se de um estudo ex-ante, alguns dos dados coletados e utilizados na
formulação do modelo de análise econômica proposto dependem de contextos de mercado e de
uso, os quais não se podem prever sob um ponto de vista determinístico.
a) Gastos com combustível dependem da quilometragem percorrida e do rendimento do
carro ao longo do tempo;
b) Custos de manutenção dependem do tempo de uso do veículo;
CUL 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Custo
(1) Valor de
(2) Valor
TOTAL 21,985.73 8,903.51 5,509.73 4,445.21 4,308.89 4,548.99 4,981.60 5,514.76 6,097.02 6,668.64
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c) Valores residuais dependem da depreciação de mercado.
Logo, existe certo nível de incerteza sobre o resultado obtido e que será classificado e mensurado
para que se tenha noção dos impactos e do nível dessas incertezas sob o que se quer analisar,
tendo, assim, maiores subsídios para aquele que tomará a decisão.
Através do uso de um software de simulações financeiras, o Crystal Ball®, e considerando a
distribuição normal das probabilidades de ocorrência das variáveis, obtiveram-se as tabelas e
gráficos abaixo. Esses representam uma análise de sensibilidade classificando as variáveis de
incerteza quanto ao impacto sobre os resultados. Assim, procurou-se responder a seguinte
pergunta: “Quais parâmetros provocam maiores variações no Custo Uniforme Líquido Mínimo
(CUL) inicialmente encontrado?” As figuras já demonstram essa classificação em ordem
decrescente de impacto.
A Figura 3 mostra o impacto de diferentes mudanças percentuais de cada parâmetro definido. Na
figura, quanto mais horizontal for a curva de um parâmetro, menos impacto tem sobre o CUL
mínimo encontrado. Já a figura 4, apesar de fazer a mesma análise de impacto, mostra o quanto se
variou cada parâmetro, relacionando com o quanto essa variação modificou o resultado.
Figura 3 – Mudança percentual de cada variável
Fonte: Elaboração própria.
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Fonte: Elaboração própria.
Por fim, após verificar e classificar quais parâmetros sensibilizaram mais o resultado encontrado,
foi realizada a análise global do risco, ou seja, mensurou-se o quanto é incerto o valor do menor
CUL encontrado. Através do referido software, obteve-se que existe uma probabilidade de
aproximadamente 35,71% de o resultado ser menor ao encontrado. Ou seja, trata-se de um
resultado de risco, já que existe uma alta probabilidade do valor encontrado ser maior, ou seja, de
ele deixar de ser o mínimo CUL, o momento ideal de substituição do automóvel. A Figura 5
ilustra isso, sendo a parte representada em azul a probabilidade de o valor encontrado ser menor e
em vermelho de ser maior.
Figura 5 – Análise de Risco
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Fonte: Elaboração própria.
5 Considerações finais
Diante da variedade de aplicações da Engenharia Econômica, este artigo mostra como pode ser
tratado um problema econômico relacionado à tomada de decisões de substituição,
particularmente de automóveis populares, tendo em vista os melhores resultados financeiros
adequados às necessidades apresentadas.
Apesar de o estudo não ter sido realizado especificamente em uma determinada empresa, seu
desenvolvimento permitiu a aplicação das análises em tomadas de decisões nas mais diversas
organizações cuja atuação envolva o uso ou a comercialização de automóveis populares. A
aplicabilidade do trabalho é ampliada para o cotidiano dos indivíduos com a notável utilização
crescente desses automóveis, demonstrando a possibilidade de uso de análises de substituição,
teoricamente fundamentadas, em escolhas de troca de carro presentes no dia-a-dia das pessoas.
A utilização da análise de risco, por permitir conhecer as probabilidades de mudanças no
resultado encontrado em uma análise de investimentos, mostrou-se de extrema importância no
presente estudo. Isso porque o melhor momento de substituição do automóvel revelou-se muito
condicionado às mudanças que podem incorrer nas variáveis do modelo e, consequentemente,
trata-se de uma decisão de risco. No entanto, não é uma deliberação acerca do momento de
substituição do automóvel, cuja competência ainda é do investidor diante de seu perfil e suas
necessidades. Ainda, é válido esclarecer que o nível de risco alcançado é referente a esta
modelagem econômica e pode mudar a depender das rotinas de uso do automóvel, modelo e
condições de mercado.
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A constatação de que o resultado obtido na análise (o qual indica que o melhor período de
substituição do automóvel é de aproximadamente 5 anos de tempo de serviço) se distingue da
média de substituição desses carros verificada no mercado (de aproximadamente 3 anos) aponta
para a necessidade de estudos acerca dos fatores que influenciam essa troca de carro em um
intervalo temporal menor do que o verificado na teoria, ou até mesmo de pesquisas mais
aprofundadas referente às questões probabilísticas que podem estar alterando o resultado.
Torna-se importante ressaltar também que o artigo ilustra uma forma de avaliação de substituição
de automóveis populares, não descartando a possibilidade de melhorias no referido estudo nem a
existência de outras formas de análise.
Referências
BLANK, L., TARQUIN. Engenharia Econômica. São Paulo: McGraw-Hill, 6ª Edição, 2008.
FIPE. IPC -Índice Mensal - Acumulado. Disponível em: http://www.fipe.org.br/web/index.asp .
Acesso em 6 de junho de 2011.
FIPE. Preço Médio de Veículos. Disponível em: http://www.fipe.org.br/web/index.asp. Acesso
em 6 de junho de 2011.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. 12. reimpr. São Paulo: Atlas,
2009.
HIRSCHEFELD, H. Engenharia Econômica e Análise de Custos. 7ª Edição, São Paulo: Editora
Atlas, 2000.
http://www.inmetro.gov.br/consumidor/pbe/veiculos_leves_2011.pdf. Acesso em 6 de junho de
2011.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Científica. 4. ed. São
Paulo: Atlas, 2004.
PROCON NATAL. Preços de Combustíveis em Natal – 16/05/2011. Disponível em:
http://www.natal.rn.gov.br/procon/modulos/pesquisa_preco/arq4dd3f4b00201f.xls. Acesso em 6