Apologética de Supermercado

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Síntese de livros apologéticos e mais um pouco...

Text of Apologética de Supermercado

  • Apologtica

    de Supermercado

    Guilherme Adriano - (romanos12.blogspot.com)

    Respondendo s objees do meu prprio ceticismo

  • 1

    -SUMRIO-

    INTRODUO ................................................................................................ 2

    COMO E POR QUE FAZER APOLOGIA ......................................................... 2

    CRISES E CRISES ........................................................................................ 4

    QUEM CONVENCE E O QUE RESOLVE ....................................................... 4

    PEPINOS VERDADEIRAMENTE INDESCASCVEIS.................................... 5

    SCRATES ESTAVA CERTO ........................................................................... 7

    NO META SUA TEOLOGIA ONDE NO FOI CHAMADO .......................... 9

    TELOGOS, FILSOFOS E OUTROS MALES ............................................. 14

    LTIMAS PALAVRAS ANTES DO DILOGO ............................................... 16

    DILOGO ........................................................................................................ 17

    Bblia, Antigo Testamento, Deus mau ............................................................ 18

    Maldade ......................................................................................................... 24

    Satans .......................................................................................................... 26

    Atrocidades em Nome de Deus ...................................................................... 27

    Onde Est o Problema ................................................................................... 28

    A Existncia de Deus ...................................................................................... 31

    O Inferno ....................................................................................................... 38

    Vida e Falta de Sentido .................................................................................. 43

    F ................................................................................................................... 45

    Jesus Cristo ................................................................................................... 50

    CONCLUSO................................................................................................. 56

    SUGESTES .................................................................................................. 58

  • 2

    Introduo

    s vezes penso que minha misso trazer f aos

    sem f, e dvida aos da f. Paul Tillich

    screvi esse dilogo pensando no em refutar as objees atestas ou qualquer outra

    crtica, mas em refutar-me. Descobri que no h ateu mais convincente que eu

    mesmo, pois no s entendo o que creio, conheo minhas fraquezas e, assim, sei

    refutar, objetar e zombar de minha prpria f como ningum mais poderia fazer. Descobri

    que sou muito convincente como ateu alis, sinto-me muito mais ateu que muitos ateus,

    pois entendo o que s vezes nego.

    Etimologicamente falando, o prefixo grego a- indica a negao de theos, Deus em

    grego, todavia um indivduo que diz negar o que no conhece para mim como a criana

    que diz ser ruim a comida que nunca comeu. Ento quando o ateu nega Deus, ser que sabe

    o que est negando? A mim mais me parece, pelo que leio do atesmo, que nega apenas o

    que cr ser Deus; suas prprias ideias de Deus, o que significa que nega um dolo, logo,

    concordamos com eles quando dizem que tal deus no existe. Mas o verdadeiro atesmo

    cabe aos cristos. Perceba que da mesma maneira que a palavra atheos depende da palavra

    theos para existir, o indivduo que nega Deus depende de Deus para neg-lo, no entanto

    sem saber direito o que est negando ao assim fazer, ao passo que o cristo quando rejeita

    Deus sabe o que rejeita e verdadeiramente ateu.

    Mas esse ensaio no sobre o atesmo popularmente definido, como uma filosofia ou

    f alternativa dos descrentes, mas lida com a minha descrena e, por consequncia, com a

    de muitos outros cristos afinal, no somos muitos diferentes em nossas lutas, creio. Este

    o registro de um dos embates que tive, em forma de dilogo. Escolhi Apologtica de

    Supermercado como ttulo por ele ter se passado em minha cabea enquanto tentava

    defender a f contra mim mesmo ao fazer compras foi uma longa tarde no supermercado!

    COMO E POR QUE FAZER APOLOGIA

    Est escrito que deveramos ter respostas queles que perguntassem o motivo da esperana

    que h em ns (1 Pedro 3:15), ora, e quando quem me pergunta sou eu mesmo? E quando

    eu mesmo deixo de crer por dificuldades que sejam intelectuais ou existenciais? No terei

    resposta, pois, para minha incredulidade? Se sou o ateu mais convincente que pude

    encontrar, no poderia tambm ser o apologista mais eficaz? Grandes apologistas do

    passado como Chesterton, Lewis e Paley certamente tiveram suas prprias dvidas como

    estopim de suas consagradas obras.

    Duvidar no pecado. Evitar a resposta o . Ser ignorante no problema. Gabar-se

    por ser ignorante o . Mas quem humildemente reconhece que nada sabe est no caminho

    do conhecimento verdadeiro, j quem se orgulha de no saber ou evita a resposta para

    continuar gozando em sua falsa humildade, esse um coitado.

    E

  • 3

    Jesus no tinha problema com perguntas difceis, apenas com perguntas desonestas,

    que, na verdade, eram mscaras de preconceito e dio, e essas desmascarava com perguntas

    simples: lcito fazer o bem no Sbado mesmo que isso seja considerado trabalho?, Por

    acaso algum aqui nunca pecou?, De quem esse rosto na moeda?, O que mais fcil,

    perdoar pecados ou curar uma doena?, Voc diz isso por si mesmo ou foram outros que

    lhe disseram isso a meu respeito?, Por que me perguntas pelo que bom? Tentei aplicar

    a tcnica de Jesus e questionei minhas questes para ver se eram verdadeiras ou apenas

    fruto de algum cinismo ou desonestidade.

    Para tal, tambm dei ouvidos a Paulo quando recomendou que cada um examinasse

    e julgasse a si mesmo digno ou indigno (1 Corntios 11:28). Mas acho importante ressaltar

    que esse autoexame foi a partir da luz de Cristo, pois que proveito tem o homem que se

    examina sua prpria luz? No acaba encontrando aquilo que j sabia estar l e no

    continua cego quilo que antes no via? Por acaso no se absolveria aquele que se faz juiz e

    advogado sobre si e julga seu caso de acordo com seus prprios estatutos? Para saber o que

    uma linha torta, disse Lewis, temos que saber o que uma linha reta. Sugiro que pouco

    vale refletir sobre sua vida, crenas e pecados a partir de si mesmo ou de meros homens,

    que j esto tortos, deve-se olhar para o que reto e com o reto se acertar. Para ns,

    cristos, Jesus a linha reta e a Ele que nos comparamos. Nossa autoanlise sempre a

    partir da retido de Jesus o que se encaixa com Seus ensinos e conduta entra, o que no,

    fora! Alguns filsofos gregos pregavam que o homem era a medida de todas as coisas, isto ,

    que o homem era a referncia de toda moralidade e no um supremo bem que o

    transcendia. Chesterton, comentando a afirmao dos gregos, disse que acertaram ao

    colocar o homem como medida de tudo, apenas se esqueceram de eleger qual seria esse

    homem. Ns cristos dizemos que esse homem Jesus de Nazar, o homem perfeito. Ele a

    rgua. Ento enquanto muitos tentaram e ainda tentam imaginar o que seria o homem

    perfeito, outros O conheceram cara a cara h mais ou menos 2000 anos, e muitos outros O

    conhecem ainda hoje pelo Esprito e testemunho das Escrituras. Em Cristo, o ideal se

    tornou real; o bem supremo tomou forma de servo e revelou Deus ao mundo, e foi

    maneira dEle que tentei expor a minha desonestidade e descrena: questionando as

    pressuposies das perguntas e, s vezes, desmascarando pretextos ao revelar as intenes

    do corao do questionador.

    Nesse ensaio, posso e decidi falar apenas de meu ponto de vista. No tenho muita

    experincia de vida crist, mas a que tenho considero intensa, e apesar de haver muitas e

    muitas obras excelentes a respeito de crises de f, quis escrever a minha, e bem por saber

    que no ser a ltima que quero t-la registrada para futuras anlises psicolgicas; tentei

    de certo modo fazer como o cantor Joo Alexandre diz em uma de suas msicas, poetizar

    minhas lgrimas, no meu caso, prosear minha crise.

    Os argumentos principais no dilogo vm acompanhados de muitas citaes em

    notas de rodap e so indicados por nmeros, e outras sugestes de leituras para

    aprofundar assuntos em especfico indicados por letras acrescentei nas notas do final do

    livro.

  • 4

    CRISES E CRISES

    Vale lembrar que embates intelectuais no so crises. Todos tm dificuldades em entender

    as coisas de Deus, mas s os cristos tm crises com Ele. A todos os homens possvel a

    crtica, mas s aos filhos possvel a crise. A crtica vem do abuso e a dvida vem da falta de

    conhecimento, mas a crise vem da paixo. Quem no conhece Deus no pode se apaixonar

    nem ter crises com Ele. S em relacionamentos h crise. Quem discursa sobre Deus se

    incomoda e se gaba. Quem busca Deus sofre e se apaixona. Uma vez disse a um colega

    durante uma longa conversa que uma questo teolgica ou um problema filosfico que diz

    respeito a Deus geralmente o problema da maldade! no um problema para quem no

    cr, apenas uma curiosidade, alis, uma v curiosidade que se disfara sob o nome