Apostila Curso Injetáveis

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I CURSO DE APLICAO DE INJETVEIS DA FACULDADE DE FARMCIA E BIOQUMICA DA UFJF ABRIL/2011 Mrcia RamosINTRODUO Os medicamentos, de uma forma geral, so administrados com o objetivo de levar um efeito benfico ao paciente. Geralmente isto acontece na tentativa de resoluo de algum problema orgnico. A droga administrada conforme indicao mdica e est ligada diretamente ao problema do paciente. Pode tambm ser usada na profilaxia de alguns problemas que poderiam vir a acontecer com o paciente. Seja qual for a inteno da administrao de medicamentos, a grande maioria das drogas apresenta algum efeito colateral. Podemos dizer, ento, que drogas ou medicamentos produzem efeitos benficos, o que o objetivo da sua administrao, mas tambm podem causar efeitos malficos, os chamados efeitos colaterais. Todos os medicamentos tm o que se chama, em um curioso eufemismo, de efeito secundrio e contra-indicao. H de se ter cautela na administrao dos medicamentos, observando seus efeitos benficos, efeitos secundrios e contra-indicaes. Assim, pode-se avaliar a eficcia do medicamento para determinado paciente (DUPUY & KARSENTY, 1979). importante o saber tcnico para se executar a implementao teraputica, bem como o saber terico, necessrio para reconhecer problemas relacionados teraputica medicamentosa. Em se tratando de Unidades de Terapia Intensiva, alguns fatos, como gravidade e instabilidade do quadro clnico apresentado pelo paciente, quantidade e diversidade de drogas prescritas, o prprio estresse do ambiente, falta de recursos humanos e, em alguns casos, o despreparo do funcionrio, interferem na administrao de medicamentos. Com isso, a assistncia perde qualidade e o paciente padece com os erros. Infelizmente, pode-se afirmar que este tipo de iatrogenia freqente em muitos hospitais, o que acarreta srias conseqncias para o paciente, o profissional e a instituio. Frente aos diversos problemas relacionados administrao de medicamentos, destacamse dois que se relacionam de forma direta ao volume de diluio e velocidade de administrao de cada medicamento: o surgimento de hipervolemia e flebites. Relacionado ao volume de diluio, pode surgir a hipervolemia. Este estado decorrente do excessivo ganho de lquidos pelo paciente, ou seja, a perda de lquidos muito inferior ao ganho. Como problemtica ao paciente, surgem a sobrecarga cardaca e o edema pulmonar, principalmente nos pacientes cardiopatas e nefropatas. O excesso do volume de lquidos pode estar relacionado simples sobrecarga hdrica ou diminuio da funo dos mecanismos homeostticos responsveis pela regulao do equilbrio hdrico (SMELTZER & BARE, 2002)

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I CURSO DE APLICAO DE INJETVEIS DA FACULDADE DE FARMCIA E BIOQUMICA DA UFJF ABRIL/2011 Mrcia RamosPROCEDIMENTOS CORRETOS PARA APLICAO DE INJEES O servio de aplicao de injees muito importante dentro do atendimento como um todo na farmcia. E realiz-lo com qualidade implica numa srie de conhecimentos bsicos que, se corretamente seguidos, vo conquistar a tranqilidade e segurana dos clientes com relao ao estabelecimento. Para trabalhar corretamente, devemos observar a aparncia pessoal, o ambiente (no caso, a sala de aplicaes) e as tcnicas para cada tipo de via de administrao (injeo intradrmica, subcutnea, intramuscular e intravenosa). 1- Qualidade na aparncia pessoal: imprescindvel para que o cliente sinta segurana, alm do comportamento educado e gentil, importante o cuidado com os cabelos, unhas, barba e uniforme.

Lembre-se que o aspecto humano conta muito na nossa atividade e nossa apresentao tambm significa respeito ao cliente. 2 - Ambiente: a sala de aplicao deve ser bem iluminada (luz natural ou branca), ventilada (veja: um local mal ventilado pode proporcionar a absoro de partculas dos medicamentos usados, ou facilitar a contaminao do aplicador, pois, se est junto de pessoas com diferentes enfermidades, inclusive as infecto-contagiosas). 3 - Limpeza: absolutamente limpa (deve ser feita a limpeza e posterior desinfeco com lcool 70, gua sanitria ou outro bom desinfetante), todos os dias; o balco onde feito o preparo da injeo deve ser desinfetado aps cada aplicao. A limpeza inclui o cho, balces e paredes da sala de aplicao - muito desagradvel perceber respingos de lquidos nas paredes (por sinal, essas perdas prejudicam a ao do medicamento, pois no aplicada a quantidade necessria, e revelam falta de cuidado e de tcnica). 4 - Mveis e utenslios: a sala deve possuir pia com torneira, balco com gavetas (separado da pia), cadeira e suporte de braos, lixeira com tampa (acionada por pedal), suporte para papel toalha, pois a toalha de pano torna-se um veculo de recontaminao das mos, alm de um antisptico (lcool 70, por ex.), um recipiente com tampa para o algodo, e caixas prprias para o descarte dos materiais perfuro-cortantes. Tenha na sala de aplicao, todo o material necessrio: seringas, agulhas, algodo, todos guardados de forma organizada, nas gavetas do balco. embaraoso quando, com um cliente na sala, precisamos abrir a porta para pegar algo que no estava ali. a mo, no momento.

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I CURSO DE APLICAO DE INJETVEIS DA FACULDADE DE FARMCIA E BIOQUMICA DA UFJF ABRIL/2011 Mrcia Ramos5 - Lavagem das mos: um procedimento to importante que deve merecer ateno especial. A lavagem correta vai diminuir a quantidade de microorganismos existentes nas mos, reduzindo consideravelmente o risco de contaminao do nosso cliente. As mos devem ser lavadas vista do cliente, ensaboando bem as mesmas, entre os dedos e os pulsos (antes de comear a esfreglas, lave primeiro o sabonete). Aps a lavagem, deve-se enxug-las, iniciando-se pelas pontas dos dedos e, por ltimo, os pulsos. Aps a aplicao da injeo, devemos lavar novamente as mos. Cuidado com as escovinhas para unhas, na pia! Elas ficam logo sujas, apresentando pontos pretos de bolor. melhor nem mant-las na sala. Alm do mais, as unhas devem estar bem cortadas, o que dispensa o uso de escovinhas.

6 - Preparo do medicamento: antes de tudo, devemos estar bem seguros com relao prescrio mdica, tendo plena certeza do tamanho da seringa e agulha utilizadas, da quantidade e dosagem a ser aplicada e da via de administrao (se uma injeo IM, IV, etc.).

Vamos: a - abrir a embalagem da seringa e movimentar o mbolo, para lubrificar o interior da mesma, tornando mais fcil a aspirao do medicamento;

b - recolocando a seringa sobre sua embalagem fazer a desinfeco da ampola com algodo embebido em soluo anti-sptica, abrindo-a em seguida com os dedos polegar e indicador da mo direita (tenha o cuidado de envolv-la com algodo ou gaze, para no se cortar). Retirar o protetor da agulha, deixando-o sobre a embalagem da seringa;

c - aspirar o contedo da ampola, segurando-a com os dedos indicador e mdio da mo esquerda; com os dedos polegar, anular e/ou mnimo da mesma mo, segurar a seringa, introduzindo-a na ampola e ir, aos poucos, inclinando ampola e seringa at que todo o lquido tenha sido aspirado.

d - Lembre-se: em nenhum momento seus dedos devem tocar a agulha ou partes da seringa que tenham contato com o medicamento ou a pele do cliente:

e - retirar o excesso de ar da seringa, e, se houver bolhas, bater levemente sobre elas com a ponta do dedo, para desloc-las;

f- se formos retirar o contedo de um frasco ampola, devemos retirar o lacre mdico e desinfetar a tampa de borracha. Homogeneizar o medicamento (p + liquido), girando o frasco suavemente 3

I CURSO DE APLICAO DE INJETVEIS DA FACULDADE DE FARMCIA E BIOQUMICA DA UFJF ABRIL/2011 Mrcia Ramosentre as mos, e, introduzir a agulha na rolha do frasco, fazendo a aspirao do mesmo como foi explicado no item c).

g- Usar duas agulhas, uma para aspirar o lquido e outra para a aplicao (esse cuidado visa evitar o entupimento da agulha, ou desconforto para o cliente, pois a agulha, depois de introduzida na rolha de borracha, fica "rombuda", e machuca o local da aplicao). Para facilitar a aspirao do lquido, podemos primeiro aspirar um pouco de ar na seringa e introduzi-lo no frasco, retirando, em seguida, o contedo do frasco. Durante o preparo do medicamento, no se deve falar, pois isso pode contribuir para a contaminao do lquido estril.

SALA DE VACINA

Descrio do Processo: de responsabilidade do profissional de enfermagem da sala de vacina: 1. Fazer leitura de termmetros de mxima e mnima e momento do refrigerador (geladeira e refrimed) pelo menos trs vezes ao dia, no incio de cada jornada de trabalho (manh e tarde) e a terceira antes do fechamento da unidade, e anotando em impresso prprio (mapa de controle dirio). Comunicar qualquer alterao de temperatura ao Enfermeiro. 2. Organizar a sala; 3. Realizar limpeza concorrente (com gua e sabo nas superfcies e aps realizar desinfeco com lcool a 70%) no incio do planto; 4. Solicitar a realizao diria de limpeza concorrente e quinzenalmente limpeza terminal; 5. Transferir as vacinas de uso dirio da geladeira de estoque para refrimed ou caixa de isopor com termmetro de cabo extensor; 6. No incio de cada planto repor a sala com os materiais necessrios para o atendimento; 7. Executar imunizao, conforme normas de procedimentos tcnicos registrando o procedimento em instrumento prprio; 8. Realizar solicitao de vacina conforme calendrio, com avaliao do Enfermeiro; 9. Realizar consolidado mensal de doses aplicadas de vacina e encaminhar a Vigilncia Epidemiolgica; 10. Realizar convocao de faltosos mantendo arquivo organizado; 11. No final do dia devolver as vacinas da refrimed para a geladeira; 12. Realizar limpeza de geladeira mensalmente antes da chegada do recebimento dos imunobiolgicos ou quando a espessura de gelo no congelador estiver a 2 cm 4

I CURSO DE APLICAO DE INJETVEIS DA FACULDADE DE FARMCIA E BIOQUMICA DA UFJF ABRIL/2011 Mrcia RamosREGRAS GERAIS 1. A princpio, todo medicamento deve ser prescrito pelo mdico; 2. Nunca administrar medicamentos sem rtulo e de origem duvidosa; 3. Verificar a data de validad