Apostila de Artes Plasticas Para Alunos

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APOSTILA DE ARTE ARTES VISUAIS Garcia Junior

Parte 7 Elementos bsicos da linguagem visual Ampliando os conhecimentos Estudamos anteriormente que a linguagem visual transmite idias e sensaes atravs de smbolos que causam um maior impacto e efeito no observador do que a linguagem conceitual (oral e escrita) em alguns momentos. Vamos aprender agora que a linguagem visual pode ser reduzida aos seus elementos bsicos, aqueles que formam a imagem e o modo como os percebemos. Ponto: primeira unidade da imagem, tendo como caracterstica a simplicidade e irredutibilidade (no pode ser reduzido), no possuindo formato nem dimenso. O ponto constri a imagem e funciona como referncia no espao visual por ter um grande poder de atrao para a viso humana. Os pontos podem agir agrupados obtendo um expressivo efeito visual com formas ordenadas ou aleatrias em que o olho rene os pontos em uma nica imagem.

68. Dependendo de como os pontos so organizados eles podem ser muito expressivos.

Para saber mais

69. Imagem formada por pontos. Garcia Junior. 2006.

Pontilhismo: Foi uma tcnica inovadora de pintura desenvolvida pelo artista francs Georges Seurat no final do sc. XIX que tinha como proposta formar a imagem atravs de minsculos pontos de cores pincelados na tela de maneira que, quando as pessoas observassem distncia correta, misturassem os milhares de pontos formando a imagem.

70. Domingo tarde na Ilha Grande Jatte. Georges Seurat. Frana. 1884-86.

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Linha: quando agrupamos os pontos muito prximos, em uma seqncia ordenada uns aps os outros e de mesmo tamanho, causam viso uma iluso de direcionamento e acabamos visualizando-os como uma linha. As linhas podem ser classificadas como: geomtricas: so abstratas e tem apenas uma dimenso, o comprimento; grficas: linhas desenhadas ou traadas numa superfcie qualquer; fsicas: pode ser observada, principalmente, nos contornos dos objetos, naturais ou construdos, criada de maneira abstrata na forma de uma percepo visual ilusria e imaginria como fios de l, fios de energia, rachaduras em pisos, horizonte etc.

71. Linhas grficas delineando um desenho.

72. Linhas fsicas imaginrias na natureza.

73. Linha geomtrica.

74. Linha grfica.

75. Linha fsica.

A linha grfica pode indicar a trajetria de um ou vrios pontos de maneira contnua variando quanto: espessura, (fina ou grossa); forma (reta, sinuosa, quebrada ou mista); ao traado (cheia, tracejada, pontilhada, trao e ponto, etc) e; posio (horizontal, vertical ou inclinada).

76. Variaes de tipos de linha grfica.

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Destas caractersticas destacamos a forma e a posio que, dependendo da inteno de quem a desenha, a linha pode estar carregada de movimento e energia, assumindo diversas apresentaes para expressar vrios significados. Para saber mais- Reta: linha ilimitada nos dois sentidos (sem comeo ou fim) e possui uma nica direo. - Semi-reta: linha que parte de um ponto de origem e ilimitada apenas num sentido de crescimento. - Retas paralelas: linhas retas que no se cruzam e todos os seus pontos possuem a mesma distncia. - Retas perpendiculares: linhas retas que se cruzam tem aberturas iguais formando um canto reto - ngulo: a abertura formada por duas linhas semi-retas que partem de um mesmo ponto. - Curva: linha que muda o seu sentido de direo podendo ser sinuosa, quebrada ou mista. 77. Tipos de linhas geomtricas.

Forma: a forma derivada da organizao imaginria que damos a um conjunto de linhas dando um sentido de orientao espacial e de reconhecimento da imagem representada. A mesma forma pode se apresentar diferente para nossa observao de acordo com a referncia visual da superfcie em ela est. Existem trs formas bsicas: o crculo, o quadrado e o tringulo eqiltero, cada qual com suas caractersticas e especificidades, exercendo no observador diferentes efeitos visuais e impresses quanto aos seus significados. As formas tambm podem se dividir em dois grandes grupos: Geomtricas: figuras ordenadas perfeitamente (formas bsicas, polgonos etc), no to facilmente reconhecidos na natureza no seu estado mais puro; Orgnicas: formas ordenadas ou aleatrias em estruturas no geomtricas, observadas principalmente na natureza, da o seu nome (asa de inseto, folha de rvore, curso e ramificaes de um rio etc).78. Formas bsicas.

79. As formas geomtricas que observamos no mundo real so construdas pelo ser humano. 80. As formas orgnicas so facilmente observadas na natureza.

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Ampliando os conhecimentos Textura: a qualidade impressa em uma superfcie, enriquecendo as impresses e sentidos que teremos de determinada forma. A textura pode ser classificada de duas maneiras: quanto sua natureza e quanto forma que ela se apresenta. Quanto natureza: Textura ttil - aquela que podemos tocar e sentir fisicamente a sua caracterstica peculiar pelo tato, como, por exemplo, o reboco granuloso de uma parede, a aspereza de uma lixa, a lisura de uma cermica polida; Textura tica - aquela existente apenas na iluso criada pelo olho humano, como, por exemplo, a capa de um livro que reproduza a imagem de uma parede rebocada ou as imagens impressas num tecido que criam um padro de textura reconhecido pela viso, mas no sentido pelo tato. Quanto forma que se apresenta: Geomtrica a organizao de formas geomtricas num padro dentro de uma rea ou superfcie acaba dando a esta a caracterstica de uma textura. Isto acontece por que agrupamos muito prximos visualmente os elementos semelhantes. Orgnica a superfcie possui uma aparncia de algo natural, iludindo o olho como se pudesse ser percebida pelo toque.

81. Exemplos de texturas geomtricas

82. Exemplos de texturas orgnicas

Para saber maisPiet Mondrian (1872-1944): artista holands que trabalhava com a arte abstrata geomtrica buscando romper com a representao figurativa na arte, ou seja, sendo contra a cpia mais ou menos fiel da realidade. Seguia o movimento chamado De Stijl (o Estilo) e reduzia a imagem aos seus elementos bsicos linhas, formas, cores e ritmo numa composio que abandona a arte do natural e passa a seguir formas rgidas e geomtricas.

83. Composio VII. Piet Mondrian. Holanda. 1913.

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Dimenso: trabalha em conjunto com a linha e com a forma para iludir o nosso olhar criando um efeito tridimensional na imagem, que est numa superfcie bidimensional, uma folha de papel, por exemplo. As trs dimenses so: altura, comprimento e profundidade. Junto com o elemento da dimenso relacionaremos o conceito de plano, que uma rea da imagem que possui duas dimenses (comprimento e largura) e que, atravs de sua sobreposio, podemos obter uma iluso da terceira dimenso (altura). A representao da dimenso de profundidade no espao bidimensional (altura e largura) vai depender da capacidade que o olho tem de se iludir quanto ao modo de perceber a imagem. A linha funciona como o contorno das formas obtidas que, por sua vez, so projetadas na superfcie plana bidimensional de modo que paream estar em diferentes planos. O principal artifcio usado para criar este efeito de profundidade a perspectiva, podendo ser intensificados pelos efeitos de claro-escuro nos diferentes tons da imagem. A representao do espao tridimensional numa superfcie bidimensional, ALTURA atravs da perspectiva, vai exigir uma srie de regras e mtodos estabelecidos PROFUNDIDADE matematicamente para iludir o olhar. OU LARGURA84. Figuras tridimensionais. COMPRIMENTO

A iluso de profundidade A superfcie do papel que voc est lendo possui apenas duas dimenses (altura e largura), portanto como podemos representar objetos com volume tendo trs dimenses e termos a iluso da terceira dimenso a profundidade? Usando os truques da Perspectiva para enganar a viso. O desenho em perspectiva reproduz o efeito que temos quando observamos o ambiente fsico as imagens se apresentam cada vez menores medida que aumenta a distncia de quem observa. A iluso de perspectiva pode ser causada de duas maneiras no desenho artstico: - Perspectiva Linear que tem como referncia a linha do horizonte e um ou mais pontos de fuga localizados nesta linha para causar o efeito de profundidade; - Perspectiva Tonal ou Atmosfrica usa diferentes tonalidades de cores, graduando conforme a distncia que se quer representar quanto mais prxima do observador a figura est (1 plano) os tons so mais fortes e quanto mais distante do observador os tons so mais fracos.

86. Perspectiva notada por diferentes planos na imagem. 87. Perspectiva tonal ou atmosfrica.

85. Perspectiva linear

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88. Projeo de perspectiva: linha do horizonte, linhas convergentes e dois pontos de fuga.

Escala: quando trabalhamos com os elementos visuais em uma rea especfica bidimensional, devemos prestar ateno na relao entre os tamanhos das imagens. Esta relao entre os tamanhos a escala, tambm conhecida como proporo. 89. Escala: relao de tamanhos entre as formas. Ao falarmos sobre escala As construes ou proporo vamos estar da Grcia Antiga comparando conceitos opostos: seguiam um ideal de grande e pequeno. A medida proporo. para se estabelecer uma Nesta obra a fachada do relao comparativa de escala Partenon o prprio ser humano, tendo corresponde a um retngulo sido desenvolvida pelos gregos ureo perfeito. antigos uma relao proporcional perfeita, a seo urea, obtida atravs do seccionamento de um quadrado, usando a diagonal de uma de suas metades como raio para ampliar as suas dimenses 90. Templo de Atena (Acropolis - Partenon). originais, convertendo-o num retngulo ureo. A Atenas, Grcia. C. 447-432 A.C. escala, como elemento da linguagem visua