Apostila Direito Penal Resumido

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Apostila resumida de Direito Penal - parte geral - para concursos públicos

Text of Apostila Direito Penal Resumido

  • (RESUMIDO) PENAL

    DIREITO

    PARA CONCURSOS

    Guilherme Jakymiu Furtado

  • DIREITO PENAL (RESUMIDO) 1

    Guilherme Jakymiu Furtado bacharel em Direito pela

    UNIVALI - Universidade do Vale do Itaja SC. Ps

    graduando em Direito e Processo Penal pelo Complexo

    Educacional Damsio de Jesus. Estudante.

    A presente apostila tem por objetivo tratar a cincia do

    Direito Penal - parte geral - de uma forma direta e

    resumida, voltada queles que se preparam para

    concursos pblicos, estudantes ou profissionais da rea.

    Foi organizada com base na doutrina, legislao e

    jurisprudncia disponveis at o ms de maio de 2013.

    Bons estudos!

  • DIREITO PENAL (RESUMIDO) 2

    NORMA E LEI

    Norma regra proibitiva, no escrita, que se extrai do senso de justia do povo. Ex. proibido matar (ordem normal de conduta) Lei regra descritiva, escrita, o meio pelo qual a norma aparece. Ex. matar algum recluso de 6 a 20 anos)

    Quem mata algum, age contra a norma e de acordo com a descrio feita pela lei Lei penal Incriminadora

    Descreve infrao penal e comina penas

    Preceito primrio: matar algum

    Preceito secundrio: recluso de 6 a 20 anos Lei penal no Incriminadora

    No descreve crimes, pode ser:

    No incriminadora permissiva: torna lcita determinadas condutas tipificadas em lei incriminadora (legtima defesa)

    No incriminadora complementares ou explicativas: esclarecem contedo de outras normas e delimitam o mbito de sua aplicao. Ex. Parte geral do CP, exceto excludentes

    Lei (norma) penal em branco

    Preceito primrio (conduta) da lei est incompleto, necessitando complementao

    Sentido lato ou homogneas: complemento provm da mesma fonte formal (lei) Sentido estrito ou heterogneas: complemente provm de fonte formal diversa (lei drogas e

    portaria da Anvisa)

    Lei (norma) penal incompleta ou imperfeita

    Preceito secundrio (pena) incompleto, necessita complementao. Ex. 304 CP (doc. falso)

    FONTES

    o lugar de onde provm o direito

    Material / de produo: a fonte de produo do direito, Unio

    De acordo com a CF, lei complementar pode autorizar os Estados a legislarem matria penal, desde que sobre questes locais ex. proteo da vitria-rgia na Amaznia

    Formal / de conhecimento: modo pelo qual o direito se exterioriza

  • DIREITO PENAL (RESUMIDO) 3

    Imediata: lei Mediata: costumes e princpios gerais do direito

    Obs. Costume no revoga lei. Lei s pode ser revogada por outra lei

    APLICAO DA LEI PENAL AUTO INTEGRAO DA LEI PENAL Na ausncia de norma para regular caso concreto, o juiz deve decidir por costumes, princpios gerais do direito e pela analogia Analogia somente em normas penais no incriminadoras e em bonam partem

    Analogia no fonte formal mediata, mtodo pelo qual se aplica a fonte formal

    imediata semelhante (outra lei)

    Analogia: utilizada quando no h norma reguladora para a hiptese Interpretao extensiva: quando o intrprete amplia o significado da norma interpretao analgica: no tipo existe uma formulao genrica que deve ser

    seguida. Ex. mediante paga, promessa de recompensa ou outro motivo torpe

    PRINCPIO DA LEGALIDADE Art. 1 do CP No h crime sem lei anterior que o defina. No h pena sem prvia cominao legal. Dois princpios formam a legalidade:

    Reserva legal: s h crime mediante lei (lei em sentido estrito, exclui-se lei delegada e medida provisria)

    Anterioridade: a lei que descreve crime deve ser anterior ao fato. Exceto se beneficiar o ru

    Obs. O princpio da legalidade tambm aplicvel s medidas de segurana

    LEI PENAL NO TEMPO Regra: A lei aplicvel a vigente a poca dos fatos. Durante a vacatio legis ela no vigora

    Atividade da lei: a lei aplicada aos casos durante sua vigncia. a regra no d. penal Extra atividade: quando a lei regula situaes fora de seu perodo de vigncia.

    Exceo, imposta somente para beneficiar o ru por meio da retroatividade ou ultratividade da lei

    CONFITO INTERTEMPORAL DE NORMAS Ocorre quando o crime cometido sob vigncia de uma lei e ela posteriormente revogada por outra. Aplica-se a lei mais benfica, seja ela vigente a poca do fato ou posterior

    Retroatividade: lei retroage a fatos anteriores a sua vigncia para beneficiar

  • DIREITO PENAL (RESUMIDO) 4

    Ultratividade: lei produz efeitos aps sua vigncia para beneficiar

    Hipteses de conflito intertemporal/ lei posterior:

    Abolitio criminis: lei deixa de considerar fato criminoso. Sempre retroage. Cessa efeitos penais principais e secundrios, mas nunca os cveis

    Novatio legis incriminadora: lei tipifica nova situao como crime. Nunca retroage

    Novatio legis in mellius: lei mantm fato como crime, mas de forma mais benfica

    Novatio legis in pejus: lei mantm fato como crime, mas de forma mais prejudicial ao ru. Nunca retroage

    Processo transitado em julgado: a competncia do juiz de execuo para aplicar norma mais benfica ao ru. No cabe reviso criminal Crime permanente e continuado: aplica-se a lei vigente poca dos fatos, independentemente de ser mais benfica ou prejudicial.

    LEIS TEMPORRIAS E EXCEPCIONAIS Temporrias: com prazo determinado expresso Excepcionais: perde vigncia com o trmino do fato para qual foi criada (guerra)

    Ambas tem ultratividade, cessada sua vigncia se aplicam aos fatos ocorridos durante ela, mesmo que prejudiquem o agente

    TEMPO DO CRIME

    Teoria da atividade: no momento da ao ou omisso

    Teoria do resultado: no momento do resultado / consumao

    Teoria da ubiqidade ou mista: no momento da ao ou omisso ou do resultado

    Obs. CP adotou a teoria da atividade

    CONFLITO APARENTE DE NORMAS

    Quando duas ou mais normas parecem regular o mesmo fato. Elementos: .Existncia de uma nica infrao .Pluralidade de normas .Aparente aplicao de todas as normas infrao .Efetiva aplicao de s uma das normas

    Tal conflito ser resolvido pelos princpios:

    1. Especialidade: lei especial derroga a geral. Ex. Infanticdio possui elementos especializantes em relao ao homicdio, ou homicdio privilegiado em relao ao simples

  • DIREITO PENAL (RESUMIDO) 5

    2. Subsidiariedade: norma mais ampla absorve a menos ampla. Subsidiria a norma que pode funcionar como parte de delito maior. A norma que descreve o fato mais abrangente chamada de primria, a subsidiria chamada de secundria passando a funcionar como soldado de reserva.

    Primria X Secundria = primria. Ex. homicdio absorve o delito de disparo de arma de fogo

    3. Consuno: fato mais grave absorve o menos grave quando foi utilizado como meio

    necessrio ou foi mero exaurimento do crime: Crime Progressivo: o agente quer desde o incio um resultado mais grave, para

    alcan-lo, realiza diversas leses a um bem jurdico Progresso criminosa: inicialmente o agente quer resultado leve e aps, resolve

    praticar infrao mais grave. Ex.: pretende causar leso corporal e depois resolve matar a vtima

    Antefactum no punvel: crime que realizado como meio necessrio para a prtica de outro

    Postfactum no punvel: fato posterior ao crime irrelevante. Ex.: vender bem furtado

    4. Alternatividade: tipo penal admite vrias condutas que configuram crime nico,

    chamados de crimes de ao mltipla ou contedo variado. Ex. art. 33 trfico de entorpecentes

    LUGAR DO CRIME

    CP adotou a teoria da ubiqidade ou mista (conduta ou resultado)

    Competncia conforme CPP local da consumao (teoria do resultado), em caso de tentativa o local do ltimo ato de execuo *Mas se homicdio = local da conduta, para melhor colheita de provas

    EXTRATERRITORIALIDADE

    a aplicao da lei brasileira a crimes cometidos no exterior

    Intraterritorialidade: quando o crime cometido em territrio brasileiro, mas o agente responde por outra lei, que no a lei brasileira (ex. imunidade diplomtica). Tal constitui exceo a regra ao princpio da territorialidade, de modo que o princpio adotado pelo Brasil o da Territorialidade Temperada (a lei estrangeira pode ser aplicvel a delitos cometidos no Brasil excepcionalmente)

    EXTRATERRIOTORIALIDADE INCONDICIONADA aplicada ainda que o agente tenha sido absolvido ou condenado no exterior. 4 Crimes:

    A. Contra a vida e liberdade do Presidente B. Contra o patrimnio ou f pblica dos entes da Adm. direta e indireta + territrios C. Contra a administrao pblica por quem est a seu servio D. Genocdio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil

    EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA

  • DIREITO PENAL (RESUMIDO) 6

    A. Que por tratado ou conveno o Brasil se obrigou a reprimir B. Praticados por brasileiros C. Avio e barco brasileiros, mercantes ou particulares, em territrio estrangeiro e no

    for julgado

    Condies:

    Agente tem que entrar no Brasil Fato deve ser punvel naquele pas Deve ser crime que possa haver extradio No pode ter sido absolvido ou cumprido a pena j No pode estar perdoado ou extinta a punibilidade segundo a lei mais favorvel

    PRINCPIO DO NE BIS IN IDEM

    Ningum pode ser punido duas vezes pelo mesmo crime Art. 8 CP A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime quando diversas, ou nela computada quando idnticas

    BRASIL OUTRO PAS

    =

    Pena privativa de liberdade Privativa de liberdade Abate o j cumprido

    Privativa de liberdade Restritiva de direitos Vira atenuante

    EFICCIA DA SENTENA ESTRANGEIRA A sentena estrangeira, quando a aplicao da lei brasileira produz na espcie as mesmas consequncias, pode ser homologada no Brasil para:

    Obrigar o condenado reparao