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DIREITO PROCESSUAL PENAL PROF. LUIZ FLÁVIO GOMES Princípios Gerais: 1. Não há pena sem processo No Brasil ninguém vai preso sem o devido processo legal. O devido processo penal é duplo: a) Devido processo legal clássico - contém todas as fases do processo; b) O novo devido processo legal - Lei 9.099/95 - dispõe outras formas de fases do processo. 2. Não há pena sem ação O juiz não pode agir de ofício. Fundamento - se deve ao processo tipo acusatório vigorante que distingue as funções de investigação, denúncia e julgamento. 3. Princípio do Juiz Natural Há duas regras básicas: a) Há um juiz competente para a causa; b) Está proibido pela Constituição Federal a criação de Tribunal de Exceção. 4. Princípio do Contraditório É a possibilidade de contrariar argumentos, provas. Existem provas que são colhidas sem o contraditório, são as chamadas Provas Cautelares. Exemplo de prova cautelar: perícias. As provas cautelares tem o contraditório diferido ou seja, adiado, o contraditório é postergado para o processo. 5. Princípio da Ampla Defesa Contém duas regras básicas: a) Possibilidade de produzir provas; b) Possibilidade de recursos. Obs.: não existe fase de defesa no Inquérito Policial, pois é peça administrativa. 6. Princípio da Presunção de Inocência Este princípio está conceituado na Convenção Americana sobre direitos humanos. Consiste em que todo acusado é presumido inocente até que se comprove a sua culpabilidade. Duas regras: a) Cabe a quem acusa o ônus de provar a culpabilidade; b) Regra de tratamento no sentido do acusado não poder ser tratado como condenado. O acusado pode ser preso durante o processo ? Seria esta prisão inconstitucional ? 1

Apostila direito processual penal -

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

874

DIREITO PROCESSUAL PENAL

PROF. LUIZ FLVIO GOMES

Princpios Gerais:

1. No h pena sem processo

No Brasil ningum vai preso sem o devido processo legal.

O devido processo penal duplo:

a) Devido processo legal clssico - contm todas as fases do processo;

b) O novo devido processo legal - Lei 9.099/95 - dispe outras formas de fases do processo.

2. No h pena sem ao

O juiz no pode agir de ofcio. Fundamento - se deve ao processo tipo acusatrio vigorante que distingue as funes de investigao, denncia e julgamento.

3. Princpio do Juiz Natural

H duas regras bsicas:

a) H um juiz competente para a causa;

b) Est proibido pela Constituio Federal a criao de Tribunal de Exceo.

4. Princpio do Contraditrio

a possibilidade de contrariar argumentos, provas.

Existem provas que so colhidas sem o contraditrio, so as chamadas Provas Cautelares. Exemplo de prova cautelar: percias.

As provas cautelares tem o contraditrio diferido ou seja, adiado, o contraditrio postergado para o processo.5. Princpio da Ampla Defesa

Contm duas regras bsicas:

a) Possibilidade de produzir provas;

b) Possibilidade de recursos.

Obs.: no existe fase de defesa no Inqurito Policial, pois pea administrativa.

6. Princpio da Presuno de Inocncia

Este princpio est conceituado na Conveno Americana sobre direitos humanos.

Consiste em que todo acusado presumido inocente at que se comprove a sua culpabilidade.

Duas regras:

a) Cabe a quem acusa o nus de provar a culpabilidade;

b) Regra de tratamento no sentido do acusado no poder ser tratado como condenado.

O acusado pode ser preso durante o processo ? Seria esta priso inconstitucional ?

Resp.: Sim, pode o acusado ser preso durante o processo, desde que o juiz fundamente a necessidade da sua priso cautelar. No fere nenhum princpio constitucional.

7. Princpio da Verdade Real

Conecta-se regra da liberdade de provas: todos os meios probatrios em princpio so vlidos para comprovar a verdade real.

Esta regra absoluta ?

Resp.: Esta regra no absoluta, existem excees:

a) Prova ilcita - so as provas adquiridas por meios ilcitos. Ex.: prova mediante tortura.

b) Prova Ilegtima - so as provas colhidas com violao de normas processuais. Ex.: busca domiciliar sem ordem do juiz.

c) Art. 475 do CPP - diz respeito s provas nos Julgamentos pelo Tribunal do Jri. Deve-se juntar as provas ao processo com trs dias de antecedncia ao Jri.

8. Princpio da Obrigatoriedade

O Ministrio Pblico na ao penal pblica obrigado a agir. Deve ele denunciar.

Exceo: encontra-se na ao penal privada, onde aqui vigora o Princpio da Oportunidade.

Outra exceo: Transao Penal - Art. 76 da Lei 9.099/95 - onde o Ministrio Pblico faz um acordo com o ru, ao invs de denunci-lo.

9. Princpio da Indisponibilidade do ProcessoArt. 42 do CPP - iniciado o processo o Ministrio Pblico no poder dispor dele, ou seja, abrir mo na acusao.

Exceo: Suspenso Condicional do Processo - Lei 9.099/95

10. Princpio da Oficialidade

Os rgos da persecuo penal so oficiais.

11. Princpio da Publicidade

O processo e os atos processuais so pblicos.

Este Princpio no absoluto, pois possvel restringir a publicidade do processo em casos especiais. Art. 792 do CPP, Pargrafo 1: Se da publicidade da audincia, da sesso ou do ato processual, puder resultar escndalo, incoveniente grave ou perigo de perturbao da ordem, o juiz, ou o tribunal, cmara, ou turma, poder, de ofcio ou a requerimento da parte ou do Ministrio Pblico, determinar que o ato seja realizado a portas fechadas, limitando o nmero de pessoas que possam estar presentes.

12. Princpio da Identidade Fsica do Juiz

O juiz que preside a instruo deve ser o mesmo que vai sentenciar.

Este princpio no vlido no Processo Penal

13. Princpio da Imparcialidade do Juiz

No h jurisdio sem imparcialidade. O juiz deve ser imparcial, neutro entre as partes.

14. Princpio do Duplo Grau de Jurisdio

Assegura o direito de apelar; que as provas sejam revistas em outra instncia.

Exceo: est nos processos de competncia originria dos Tribunais, pois neste caso, no h mais para quem se recorrer.

Outro Princpios

Art. 1 do CPP.

Princpio da Territorialidade - o Cdigo de Processo Penal vlido em todo territrio nacional, nico no pas. Os Estados-Membros no podem legislar sobre processos, somente sobre procedimentos.

Todo processo penal segue somente o CPP ?

Resp.: Nem todo processo segue estritamente o CPP. Ex.: Txicos, Crime Militar, Crime Eleitoral, Crimes de Imprensa, etc. Estes crimes tem seus procedimentos prprios.

Todo crime ocorrido no Brasil processado no Brasil ?

Resp.: Em regra sim, mas h exceo: est na imunidade diplomtica. Ex.: Embaixador norte-americano que cometer crime no Brasil ser julgado e processado em seu pas de origem, nos Estados Unidos da Amrica.

Art. 2 do CPP.

Lei Processual no Tempo

Lei processual sem reflexos penais, regida pelo Princpio da Aplicao Imediata. Ex.: Lei que muda competncia, o STJ diz que a lei processual se aplica imediatamente.

Lei processual com reflexos de lei penal - aplicam-se dois princpios:

a) Princpio da Retroatividade - se a lei for mais benigna ao ru;

b) Princpio da Irretroatividade - se a lei for mais severa ao ru.

Ex.: Lei que cuida de fiana uma lei processual, mas tem reflexos penais, portanto, se ela beneficiar o ru, ela retroage, seno, no retroage.

Art. 3 do CPP.

A lei processual admite:

a) Interpretao Extensiva:

Ex.: Art. 34 CPP - o menor entre 18 e 21 anos pode oferecer queixa, ento por interpretao extensiva entende-se que ele tambm poder oferecer a representao, pois quem pode o mais, pode o menos.

b) Aplicao Analgica:

Ex.: Qual o prazo que tem o querelante para oferecer queixa quando o ru estiver preso ?

Resp.: No existe esta resposta no CPP, mas por analogia ao artigo 46 do CPP, entende-se que o prazo igual ao do Ministrio Pblico, que so de 5 dias.

c) Aplicao dos Princpios Gerais do Direito

Ex.: Quando o juiz no encontra soluo para um litgio na lei e tambm no consegue decidi-lo por analogia, ento dever recorrer aos Princpios Gerais do Direito, pois dever ele dar uma soluo ao caso concreto.

PERSECUO PENAL

Compreende duas fases:

a) Fase de Investigao

b) Fase Judicial ou processual propriamente dita.

Investigao A quem compete ?

Resp.: Cabe a investigao Polcia Judiciria.

A polcia judiciria investiga o crime e visa reprimir a ocorrncia de novos crimes.

A polcia de segurana a polcia militar, ela ostensiva, de uniforme, visa previnir a ocorrncia de crimes.

A guarda civil metropolitana polcia judiciria ou de segurana ?

Resp.: polcia de segurana.

Quem exerce a funo de polcia judiciria no Brasil ?

Resp.: a Polcia Civil.

Esta uma atividade exclusiva da Polcia Civil ?

Resp.: No atividade exclusiva da polcia civil. As investigaes pode ser exercidas por outros rgos, por exemplo, no Inqurito Policial Militar, nas Investigaes Administrativas, na Comisso Parlamentar de Inqurito, etc.

A investigao particular vlida ?

Resp.: Esta investigao no est proibida no Brasil, o particular deve apresentar os documentos conseguidos ao Ministrio Pblico ou a Polcia Civil.

Qual a posio da Polcia Civil?

Resp.: um rgo auxiliar da justia criminal. Art. 13 do CPP.

A polcia civil exerce suas atividades no mbito de sua circunscrio. Art. 4 do CPP.

Cabe ao Ministrio Pblico exercer o controle externo da polcia civil na forma de lei complementar.

Este controle externo atualmente s existe no Estado de So Paulo.

DO INQURITO POLICIALConceito - um conjunto de diligncias que visa a apurao do crime e de sua autoria.

Finalidade - Apurar o crime e sua autoria.

Destinao - destinado a servir de base para uma futura ao penal. Art. 12 do CPP.

Quem preside o Inqurito Policial ?

Resp.: Somente uma autoridade policial.

Quem autoridade policial no Brasil ?

Resp.: Pode ser autoridade de carreira, que so os delegados de polcia, ou autoridade nomeada pelo Secretrio de Segurana.

A quem cabe presidir o auto de priso em flagrante ?

Resp.: Cabe a autoridade policial do local da priso.

Existe Juizado de Instruo no Brasil ?

Resp.: Juizado de instruo a possibilidade de um juiz presidir a investigao, e atualmente no existe esta figura no Brasil.

O juiz no Brasil, preside a investigao de um crime somente quando este tratar-se de crime falimentar.

Existem critrios de Diviso das atribuies da polcia:

a) Critrio de diviso territorial

b) Critrio de diviso em razo da matria - exemplo: DECON

c) Critrio de diviso em razo da pessoa - exemplo: Delegacia da Mulher.

Se algum destes critrios de diviso de atribuies forem violados acarreta alguma nulidade ao Inqurito Policial ?

Resp.: No acarreta nenhuma nulidade ao Inqurito Policial, pois ele uma pea administrativa.

CARACTERSTICAS DO INQURITO POLICIAL1. o Inqurito Policial uma pea informativa, logo ele uma pea administrativa.

Os vcios do Inqurito Policial afetam a Ao Penal Futura ?

Resp.: No afetam, pois so peas distintas.

2. O Inqurito Policial dispensvel - Art. 27 do CPP. Por exemplo, no h Inqurito Policial nos crimes de menor potencial ofensivo.

3. O Inqurito Policial uma pea escrita - Art. 9 do CPP.

4. O Inqurito Policial sigiloso - Art. 20 do CPP.

5. O Inqurito Policial inquisitivo - no h contraditrio e nem ampla defesa, pois uma pea administrativa. Algumas provas do Inqurito Policial tem validade em juzo, so as provas cautelares. Ex.: percias.

6. Todos os atos devem ser regulados por lei

Qual o valor probatrio do Inqurito Policial ?

Resp.: Nenhum, salvo quando repetido em juzo.

Exceo: as provas cautelares produzidas no Inqurito Policial tem valor judicial.

O que Processo Judicialiforme ?

Resp.: Era a possibilidade do delegado ou do juiz iniciar o processo. Com a promulgao do Constituio Federal de 1988, acabou esta possibilidade, ficando esta funo reservada ao Ministrio Pblico. (Art. 129, I, CF).

INCIO DO INQURITO POLICIAL1. Na Ao Penal Pblica Incondicionada

a) Por Portaria;

b) Por Auto de Priso em Flagrante;

c) Por requisio de Juiz ou do Ministrio Pblico

d) Por requerimento da vtima.

A Ao Penal Pblica Incondicionada regida pelo Princpio da Obrigatoriedade. O delegado est obrigado a agir.

2. Ao Penal Pblica Condicionada

Est subordinada a dois tipos de condies:

a) Representao do ofendido; ou

b) Requisio do Ministro da Justia.

A representao do ofendido chama-se delatio criminis postulatria.

3. Ao Penal Privada

Somente se inicia com o requerimento da vtima.

Rol de Diligncias do Art. 6 do CPP.

A busca domiciliar exige o mandado judicial, salvo se for o caso de Priso em Flagrante.

O incidente de insanidade mental s pode ser determinado pelo juiz (Art. 149 CPP).

A reconstituio do crime (Art. 7 CPP) pode ser feita, salvo se ofender a ordem pblica e a moralidade. O indiciado no est obrigado a participar da reconstituio do crime.

Indiciamento

Indiciar atribuir a autoria de uma infrao penal a uma determinada pessoa.

Conseqncias:

a) De suspeito passa a ser indiciado;

b) Interrogatrio - o indiciado obrigatoriamente deve ser interrogado; Se o indivduo menor (de 18 21 anos) obrigatrio a nomeao de um Curador, caso no o tenha. O curador fiscaliza o ato. A falta de curador torna o ato ilegal. Qualquer pessoa pode ser Curador, mas recomenda-se que seja um advogado. A falta de Curador em Priso em Flagrante torna a Priso Ilegal, onde o juiz deve relaxar a priso imediatamente. J se o menor se diz ser maior, no existe a ilegalidade, pois ningum pode se beneficiar de sua prpria torpeza.

O ndio se aculturado precisa de Curador, mas se for culturado no o precisa.

c) Identificao criminal - feita a sua identificao criminal. Consiste em: Identificao Dactiloscpica e Identificao Fotogrfica.

No obrigatria a identificao criminal para quem j civilmente identificado. A smula 568 do STF foi cancelada. Somente pode ser identificado criminalmente quando existe dvida quanto ao sujeito, onde lhe colhido as impresses digitais.

A recusa do indivduo ao indiciamento configura crime de desobedincia.

Cabe o Habeas-Corpus para evitar indiciamento arbitrrio, ilegal, e tambm para se trancar o Inqurito Policial.

Incomunicabilidade do Indiciado Preso

O Art. 21 do CPP, permite que o indiciado preso fique at 3 dias incomunicvel. Deve ser feita por ordem de juiz, e fundamentada. Somente o advogado quem tem livre acesso ao preso incomunicvel.

O Art. 21 do CPP ou no Inconstitucional ?

H duas correntes respeito:

A primeira diz que constitucional;

A segunda diz que inconstitucional, por causa do artigo 136, 3 da CF.

Relatrio Final (Art. 10 CPP)

a concluso do inqurito.

Nesse relatrio deve haver uma classificao jurdica do crime, a qual no est vinculado o juiz. O prazo para concluso do Inqurito Policial de 10 dias se o ru estiver preso e de 30 dias se estiver solto.

Entende-se que um prazo processual penal.

Dilao do Prazo

O delegado pode requerer a dilao do prazo quantas vezes precisar, devendo fundamentar seu pedido ao juiz, que o conceder ou no, depois de ouvido o rgo do Ministrio Pblico.

Se o indiciado estiver preso, no h que se dilatar o prazo, pois se est preso, entende-se que j se possui substratos fticos para a denncia.

Devoluo do Inqurito Policial para a Polcia (Art. 16 CPP)

O inqurito pode ser devolvido para a polcia, quando o Ministrio Pblico achar que falta uma diligncia imprescindvel para a denncia. Se o juiz discordar dessa devoluo e no devolve-lo, cabe Correio Parcial contra ele, pois est ele sendo arbitrrio.

Se o indiciado estiver preso, no h que se falar em devoluo do inqurito, salvo se este for solto antes.

Arquivamento do Inqurito PolicialA autoridade policial no pode arquivar e nem requerer o arquivamento do Inqurito Policial.

Somente o Ministrio Pblico quem tem legitimidade para pedir o seu arquivamento, mas somente o juiz quem manda arquivar.

Tecnicamente este ato do juiz uma deciso, e conforme o fundamento para o arquivamento, transita em julgado, fazendo coisa julgada. Ex.: Fato Atpico faz coisa julgada material.

Se o juiz discordar do Ministrio Pblico, ele enviar os autos ao Procurador Geral da Justia que no caso oferecer a denncia, designa um promotor para faze-lo ou insiste no arquivamento, o qual vincula o juiz a faze-lo.

Reabertura do Inqurito Policial (Art. 18 CPP)

Somente quando surgirem novas provas. Smula 524 STF - Arquivar o Inqurito Policial, por despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justia no pode o Inqurito Policial ser reaberto sem novas provas.

Pedido de Arquivamento de Inqurito Policial em 2 Instncia

Em caso de competncia originria o Procurador Geral pede o arquivamento, o qual vincula o juiz a atender. No cabe nenhum tipo de recurso.

Arquivamento de Inqurito Policial em Ao Penal Privada

No ocorre o arquivamento do Inqurito Policial na Ao Penal Privada, mas sim a renncia ao direito de queixa, onde o juiz julga extinta a punibilidade.

O Procurador Geral da Justia no pode avocar o Inqurito Policial, mas de acordo com a lei orgnica do Ministrio Pblico, ele pode designar um Promotor para acompanhar o Inqurito Policial.

Inqurito Policial contra Juiz de Direito

Quem preside este inqurito um desembargador sorteado no Tribunal de Justia.

Inqurito Policial contra Promotor

Quem preside este inqurito o Procurador Geral da Justia ou um Promotor por ele designado.

Inqurito Policial contra Autoridade Policial

Quem preside este inqurito uma autoridade policial de hierarquia superior.

Correio Parcial - cabvel durante o Inqurito Policial quando o juiz no acata o pedido de devoluo do Inqurito autoridade policial.

Habeas Corpus - possvel para 2 finalidades:

a) Para evitar o indiciamento quando for este arbitrrio; e

b) Para trancar o Inqurito Policial quando o fato atpico ou o crime j prescreveu.

Quem julga este habeas corpus o juiz de direito. Se denegar o Habeas Corpus cabe Recurso em Sentido Estrito ou um novo Habeas Corpus contra o Juiz.

Priso em Flagrante de Juiz

Se o crime cometido pelo juiz for inafianvel ele pode ser preso. A autoridade policial lavra o Auto de Priso em Flagrante e imediatamente o encaminha ao Tribunal de Justia, inclusive o preso.

Priso em Flagrante de Promotor

Se o crime cometido pelo Promotor for inafianvel ele pode ser preso. A autoridade policial lavra o Auto de Priso em Flagrante e imediatamente o encaminha ao Procurador Geral da Justia, inclusive o preso.

DA AO PENALNo h pena sem processo. No h processo sem ao.

Conceito: o direito de pedir a tutela judicial.

Fundamento Constitucional: Art. 5, XXXV, CF/88

Caractersticas:

1. um direito pblico - porque a ao penal visa a aplicao do Direito Penal que pblico.

2. Direito Subjetivo - pertence a algum, tem titular. Na ao pblica o titular o Ministrio Pblico e na Ao Privada o ofendido.

3. um Direito Autnomo ou Abstrato: um direito que independe da procedncia ou improcedncia do pedido.

4. um Direito Especfico ou Determinado - o direito de ao est sempre vinculado a um fato concreto.

Natureza: matria de Direito Processual, com a ao inicia-se o processo. O CP tambm disciplina esta matria, mas instituto de Direito Processual.

Exerccio do Direito de Ao

Deve ser exercido regularmente. O exerccio regular depende do preenchimento de algumas condies que so as condies da ao ou de procedibilidade.

Estas podem ser genricas ou especficas:

a) Genricas - so condies que sempre so exigidas. So trs:

1. Possibilidade Jurdica do Pedido - significa que o pedido deve versar sobre um fato tpico, ou seja, descrito em lei.

2. Legitimidade ad causam para causa - no Polo Ativo: Ministrio Pblico e Ofendido. No Polo Passivo: pessoa fsica, maior de 18 anos e que for autora do crime.

3. Interesse de Agir - o pedido idneo, quando existe fumus boni juris - quando h justa causa - quando esto presentes prova ou probabilidade da existncia do crime e prova ou probabilidade da autoria do crime.

b) Especficas - so condies que so exigidas eventualmente. Ex.: Representao da Vtima, Requisio do Ministro da Justia.

Se faltar alguma condio especfica o juiz rejeita a ao. Essa ao s poder ser reproposta desde que for suprida a falta da condio. Art. 43 CPP.

Condio de Procedibilidade diferente de Condio de Prosseguibilidade

Condio de Procedibilidade so condies para a propositura da ao.

Condies de Presseguibilidade so condies fundamentais para o prosseguimento da ao. A ao j est em andamento (Art. 107, VIII, CP extingue-se a punibilidade = casamento da vtima com terceiro ).

Condio de Procedibilidade diferente de Condio Objetiva de Punibilidade

Condio de Procedibilidade assunto de Direito Processual.

Condio Objetiva de Punibilidade assunto de Direito Penal. Ex.: Art. 7, CP - extraterritorialidade.

Condio de Procedibilidade diferente de Escusa Absolutria

Condio de Procedibilidade matria de Direito Processual.

Escusa Absolutria matria de Direito Penal. a renncia ao Direito de Punir por razes de poltica criminal. Ex.: Art. 181, CP isento de pena quem comete crimes previstos neste ttulo, em prejuzo: do cnjuge, na constncia da sociedade conjugal; de ascendente ou descendente.

Classificao da Ao

A ao pode ser:

Pblica - divide-se em Incondicionada e Condicionada

Privada - divide-se em Exclusivamente Privada, Personalssima e Subsidiria da Pblica.

No existe no Brasil, Ao Penal Popular, que consiste na possibilidade de qualquer pessoa do povo entrar com ao penal em qualquer crime. Existe na Espanha.

Habeas Corpus tem semelhana com a Ao Penal Popular, pois qualquer pessoa pode entrar com o Habeas Corpus.

Como saber se a Ao Pblica ou Privada ?

simples, quando a lei no dispor sobre a ao penal ela pblica incondicionada.

A ao privada ou pblica condicionada quando a lei expressamente as preverem.

Ao Penal Pblica Incondicionada

Esta ao exclusiva do Ministrio Pblico. Mas se o Ministrio Pblico no entrar com a ao no prazo, cabe Ao Penal Privada Subsidiria da Pblica.

O Art. 26 e o Art. 531 do CPP esto revogados, pois antes da CF/88 eles autorizavam os Delegados e o Juiz a entrarem com a ao. Com o advento da CF/88 competncia exclusiva do Ministrio Pblico.

Princpios da Ao

Oficialidade - a ao penal proposta pelo Ministrio Pblico. O Ministrio Pblico rgo oficial.

Obrigatoriedade - ou Legalidade Processual - o Ministrio Pblico na ao pblica obrigado a denunciar, agir desde que exista justa causa. Art. 24 CPP

Exceo: a Transao Penal - Art. 76 da Lei 9.099/95 - O Ministrio Pblico no denuncia, ele prope um acordo.

Indisponibilidade - a ao penal uma vez proposta indisponvel. Art. 42 CPP. Vale para o Recurso do Ministrio Pblico. Art. 576 CPP.

Exceo: Suspenso Condicional do Processo - Lei 9.099/95.

Indivisibilidade - a ao penal deve ser proposta contra todos os co-autores conhecidos.

Intranscendncia - a ao penal no pode transcender a pessoa do delinqente.

Opinio Delicti

o convencimento do promotor de que existe justa causa (prova de crime e prova de autoria).

Se o promotor formar a Opinio Delicti ele apresenta a denncia (pea acusatria que inicia o processo pblico).

O processo penal se inicia com o recebimento da denncia (posio do STF).

Requisitos da Denncia - Art. 41 CPPa) Exposio do Fato criminoso - narrar o fato tpico na denncia.

Omisses no essenciais a Denncia - podem ser supridas at as alegaes finais.

b) Identificao do acusado - dizer quem o ru. No caso de co-autoria, o promotor deve individualizar a conduta de cada um, na medida do possvel (posio do STF).

c) Classificao do Crime - o Promotor deve apontar o Artigo da Lei. Essa classificao no vincula o Juiz, podendo este desclassificar o crime, mas no desde o incio, somente na sentena. Ex.: Num caso de Furto Qualificado, o juiz percebe que no houve nenhuma qualificadora, devendo rejeitar em parte a denncia, em sua parte excessiva. O promotor pode entrar com Recurso em Sentido Estrito se a denncia for rejeitada em parte.

d) Rol de Testemunhas - deve ser apresentado na denncia, sob pena de precluso do direito.

e) A Denncia deve ser escrita em vernculo - Lngua Portuguesa.

f) A Denncia deve vir subscrita pelo Promotor - Deve o promotor assinar a denncia ao final.

A Denncia que no tiver algum desses requisitos essenciais uma denncia inepta, ela rejeitada.

Prazo para Denunciar - se o ru estiver preso o prazo de 5 dias. Se o ru estiver solto de 15 dias. um prazo processual, no conta o dia do incio.

Denncia Fora do Prazo - uma mera irregularidade.

Inrcia do Ministrio PblicoConseqncias :

a) se o ru estiver preso, a priso pode ser relaxada;

b) cabe Ao Penal Privada Subsidiria da Pblica;

c) Art. 801 CPP - perda e vencimentos do Promotor, tantos dias de atraso, tantos dias de desconto.

d) Pode cometer Crime de Prevaricao - somente se for o caso.

Conexo entre Crime de Ao Pblica e Crime de Ao Privada - forma-se um litisconsrcio ativo, o Ministrio Pblico oferece denncia e o Ofendido apresenta queixa.

Denncia Alternativa - no pode, a jurisprudncia no admite, somente quanto as qualificadoras.

O promotor no pode denunciar alegando que se o ru no for condenado por Estupro deve ser condenado por Homicdio.

Existe Denncia sem Inqurito Policial ?

Sim, existe, basta que o Promotor tenha subsdios para oferecer a Denncia.

Aditamento - o Promotor pode aditar a denncia at as alegaes finais.

Assistente do Ministrio Pblico - no pode aditar a denncia.

Ao Penal Pblica Condicionada

Titular - somente o Ministrio Pblico.

Condicionada: o Ministrio Pblico para atuar depende da representao da vtima ou de Requisio do Ministro da Justia.

Representao da Vtima - a manifestao da vontade da vtima em processar.

Natureza Jurdica da Representao - condio de procedibilidade do processo.

No Art. 91 da Lei 9099/95 ela condio de prosseguibilidade.

de natureza processual penal.

oferecida perante (art. 39 CPP):

a) autoridade policial

b) Ministrio Pblico

c) Juiz

Nas Infraes de Menor Potencial Ofensivo a representao feita exclusivamente perante o juiz na audincia inicial.

Quem Pode Representar ?

a) Vtima Menor de 18 anos -

exclusivamente seu representante legal;

se no tiver representante legal, aquele que estiver em sua guarda;

se no tiver representante legal e no ter ningum responsvel pela sua guarda, ser-lhe- nomeado um Curado Especial;

se o menor for representar contra o pai, ser-lhe- nomeado Curador Especial;

Menor de 17 anos e casada, para representar aguarda-se que ela complete os 18 anos, no suspendendo o prazo da prescrio, mas suspendendo o prazo decadencial.

b) Vtima maior de 18 anos e menor de 21 anos -

Tanto pode representar a vtima quanto o seu representante legal;

o caso da dupla titularidade;

havendo divergncia entre os dois, prevalece a vontade de quem quer representar.

c) Vtima maior de 21 anos -

exclusivamente o ofendido;

no caso de vtima morta, o direito de representar passa ao Cnjuge, Ascendente, Descendente ou Irmo.

Aspectos Formais da Representao na representao no exigido nenhum rigor formal;

pode ela ser oral ou escrita;

pode ser feita pessoalmente ou atravs de procurador com poderes especiais;

no vincula o Ministrio Pblico a denunciar;

possvel a retratao da representao at o oferecimento da denncia (Art. 25 CPP);

Retratao da Retratao pode ser feita, desde que dentro do prazo decadencial;

Co-autoria - representao somente contra a e no contra b. O Ministrio Pblico pode denunciar os dois? No, falta uma condio de procedibilidade. O Ministrio Pblico o rgo controlador da indivisibilidade do processo, ento o Ministrio Pblico deve chamar a vtima e perguntar-lhe se ela quer representar contra b ou no. Querendo, o Ministrio Pblico denuncia os dois; no querendo, o Princpio da Indivisibilidade do Processo, permite ao promotor no denunciar nenhum dos dois, pois a renncia a um aproveita a todos.

Prazo da Representao: de 6 meses, decadencial (Art. 38 CPP).

um prazo penal, computa-se o dia do incio, a contar da data em que se sabe quem foi o autor do crime. O prazo no se suspende, interrompe e no se prorroga.

Dupla Titularidade - o prazo decadencial um prazo para cada um. (Smula 594 STF).

Requisio do Ministro da JustiaRequisio uma ordem. Mas no vincula o Ministrio Pblico, ele pode ou no denunciar.

Quando o Ministrio Pblico receber a requisio ele pode:

a) denunciar, se ter dados suficientes;

b) requerer abertura do Inqurito Policial se os dados so insuficientes; ou

c) Arquivar, se fato atpico.

um ato administrativo e poltico, pois refere-se a convenincia. O caso mais comum o crime contra a honra do Presidente da Repblica.

Prazo - o Ministro no tem prazo, mas existe um limite prescricional.

Retratao - possvel, por ser um ato poltico.

Dois rus, o Ministro requisita somente contra um, o Ministrio Pblico no pode denunciar os dois, mas pode fiscalizar o Princpio da Indivisibilidade, comunicando ao Ministro da Justia se quer ou no requisitar contra o outro, onde, querendo o Ministrio Pblico denunciar os dois, e se no querer, renunciando a um, a renncia vale para todos.

Da Ao Penal Privada

proposta pelo ofendido. Sempre existe a substituio processual (quando o sujeito defende em nome prprio interesse alheio).

A diferena da Ao Exclusivamente Privada da Ao Personalssima:

na Ao Exclusivamente Privada, morrendo a vtima o direito de queixa passa aos sucessores, ou seja, cnjuge, ascendente, descendente ou irmo.

na Ao Privada Personalssima, morrendo a vtima o direito de queixa no passa a ningum, extingue a punibilidade do ru.

Hipteses de Ao Personalssima

Art. 236 do CP - Induzimento a erro essencial e ocultao de impedimento

Art. 240 do CP - Adultrio.

Na Ao Privada Personalssima ocorre a Perempo ?

Depende, se a queixa j estava em andamento h perempo, se no havia queixa no h perempo, somente decadncia.

Ao Exclusivamente Privada

Inicia-se com a queixa ou queixa-crime.

Querelante - quem prope a queixa.

Querelado - o ru na queixa.

Requisitos da Queixa - Art. 41 do CP

de natureza processual penal.

oferecida perante (art. 39 CPP):

a) autoridade policial

b) Ministrio Pblico

c) Juiz

Princpios da Ao Privada

1. Princpio da Oportunidade ou Convenincia - a vtima entra com queixa se quiser. Se no quer ocorrer a decadncia ou a renncia.

2. Princpio da Disponibilidade - o ofendido pode dispor da ao j iniciada. Atravs do Perdo ou Perempo.

3. Princpio da Indivisibilidade - a ao tem que ser proposta contra todos os co-autores conhecidos (Art. 48 CPP). Renncia a um, implica renuncia a todos. (Art. 49 do CPP).

4. Princpio da Intranscendncia - a ao penal no passa da pessoa do delinqente.

Titular da Ao Privada

a) Vtima Menor de 18 anos -

exclusivamente seu representante legal;

se no tiver representante legal, aquele que estiver em sua guarda;

se no tiver representante legal e no ter ningum responsvel pela sua guarda, ser-lhe- nomeado um Curado Especial;

se o menor for representar contra o pai, ser-lhe- nomeado Curador Especial;

Menor de 17 anos e casada, para oferecer queixa aguarda-se que ela complete os 18 anos, no suspendendo o prazo da prescrio, mas suspendendo o prazo decadencial.

b) Vtima maior de 18 anos e menor de 21 anos -

Tanto pode representar a vtima quanto o seu representante legal;

o caso da dupla titularidade;

havendo divergncia entre os dois, prevalece a vontade de quem quer representar.

c) Vtima maior de 21 anos -

exclusivamente o ofendido;

no caso de vtima morta, o direito de oferecer queixa passa ao Cnjuge, Ascendente, Descendente ou Irmo.

Aspectos Formais da Queixa Pode ser oferecida pessoalmente ou atravs de procurador;

Exige habilitao tcnica, tem que ser advogado;

Pessoalmente, quer dizer que o ofendido um advogado;

Se a vtima pobre, o juiz nomear um defensor;

O procurador necessita de poderes especiais, tem que especificar e tem que ter um resumo dos fatos na procurao (Art. 44 CPP);

Prazo - 6 meses contados do dia em que se sabe quem o autor da infrao. prazo penal e decadencial (no se suspende, no se interrompe e no se prorroga);

Se o prazo vence no Domingo, tem que despachar a inicial no prprio Domingo, ou com o juiz, ou com o escrivo do cartrio;

Se a queixa foi protocolada no ltimo dia, mas s foi recebida pelo juiz 6 dias aps o trmino do prazo, no operou a decadncia;

Pedido de abertura de Inqurito Policial no suspende o prazo decadencial;

Custas judiciais, so previstas pelo CPP, mas no Estado de So Paulo de 1985 no existe mais;

Honorrios Advocatcios - incidem na ao penal Privada, conforme jurisprudncia do STJ e do STF;

O Ministrio Pblico funciona como custos legis; O Ministrio Pblico pode aditar a queixa somente para incluir dados no essenciais, mas nunca para incluir um novo co-autor, pois no tem legitimidade ativa;

Se no decurso do processo descobre-se um outro ru, ele funciona como fiscal do Princpio da Indivisibilidade.

Da Ao Penal Privada Subsidiria da Pblica (art. 29 do CPP)S cabvel quando o Ministrio Pblico deixa de oferecer denncia no prazo legal. Cabe quando h inrcia do Ministrio Pblico. Se o Ministrio Pblico pediu o arquivamento do Inqurito Policial ele agiu.

Art. 129 CF - diz que quem promove a Ao Penal exclusivamente o Ministrio Pblico.

Art. 5, XLIX, CF - traz a Ao Penal Privada Subsidiria da Pblica.

uma ao facultativa, mas tem um prazo decadencial de 6 meses. um prazo imprprio, porque mesmo tendo se passado 6 meses, o Ministrio Pblico pode denunciar.

Poderes do Ministrio Pblico 1. Pode repudiar a queixa, sem mesmo fundamentar, mas tem nesse caso a obrigao de denunciar. a denncia substitutiva.2. Se o Ministrio Pblico no repudiar a queixa ele pode:

a) Adit-la;

b) Fornecer provas;

c) Interpor Recursos.

3. Se o querelante negligenciar, o Ministrio Pblico assume a ao.

Se a denncia substitutiva for inepta, cabe ao juiz rejeit-la (Art. 43 CPP).

Renncia Renncia a abdicao do direito de oferecer queixa;

Ela s cabvel na Ao Exclusivamente Privada e na Personalssima Privada;

causa extintiva de punibilidade;

um ato unilateral;

Momento - s cabe antes do oferecimento da queixa;

sempre um ato extraprocessual;

Pode ser expressa (declarao assinada da vtima) ou tcita (se d quando a vtima pratica ato incompatvel com o direito de queixa. Ex.: casamento da vtima com o agressor);

O Recebimento de Indenizao no significa renncia ao direito de queixa (Art. 104 CPP);

Exceo: composio civil que consta no Art. 74, Lei 9099/95;

Co-Autoria - a renncia em favor de um autor estende-se a todos os co-autores;

Dupla Titularidade - a renncia de um no afeta a renncia de outro;

A renncia tambm cabvel ao direito de representao.

Do Perdo do Ofendido S cabvel nas Aes Exclusivamente Privada e Personalssima Privada;

Efeitos do Perdo - Obsta o prosseguimento da ao;

Natureza Jurdica - causa extintiva de punibilidade;

Momento - s cabvel aps a ao;

Se concedido antes da ao renncia;

Limite - o perdo s pode ser dado at o dia do trnsito em julgado da sentena;

O perdo do ofendido pode ser:

Processual - concedido dentro do processo;

Extraprocessual - concedido fora do processo;

Expresso - dado por declarao assinada pelo ofendido;

Tcito - ocorre quando a vtima pratica ato incompatvel com o direito de queixa. Ex.: quando o querelante casa-se com o querelado.

O perdo concedido pelo querelante;

Dupla Titularidade - se o perdo for concedido por um e oposto pelo outro, esse perdo no gera efeito nenhum;

O perdo ato bilateral, ou seja, depende de aceitao do querelado;

Se o Querelado tem idade entre 18 e 21 anos, e aceita o perdo, mas o seu representante legal se ope, esse perdo no produz efeito algum;

Se o querelado no aceita o perdo o processo prossegue normalmente;

O querelante tem como matar a ao unilateralmente, atravs da perempo;

A aceitao pode ser:

Expressa - feito por declarao assinada do ofendido;

Tcita - se d quando o querelado intimado e no se manifesta no prazo de 3 dias;

Co-autoria - o perdo concedido a um querelado estende-se aos demais querelados;

Diferena entre Perdo e Renncia perdo ato bilateral e s pode ser dado aps a ao;

a renncia ato unilateral e s pode ser dada antes da ao.

Perdo Parcial - possvel, cabe nas hipteses de 2 ou mais crimes, onde o querelante perdoa sobre um crime.

Perempo Perempo a morte da ao;

causa extintiva da punibilidade;

uma sano imposta ao querelante inerte, negligente;

Hipteses de Perempo (Art. 60 do CPP):

a) Quando o querelante deixa de promover o andamento do processo por mais de 30 dias;

b) Quando o querelante morre e nenhum sucessor aparece no prazo de 60 dias;

c) Quando o querelante deixa de comparecer a ato em que devia estar presente pessoalmente. Ex.: quando o juiz designa oitiva do querelante;

d) Quando o querelante nas alegaes finais deixa de pedir a condenao do querelado;

e) Quando o querelante pessoa jurdica que se extingue sem sucessor.

Diferena entre Perempo e Perdo do Ofendido

A perempo ato unilateral.

O Perdo ato bilateral.

Diferena entre Perempo e RennciaA perempo ocorre aps o incio da ao.

A renncia s ocorre antes do incio da ao.

Diferena entre Perempo e PreclusoA perempo extingue a punibilidade.

A precluso impede a pratica de um ato processual.

Ocorrida a perempo, pode a ao ser reiniciada ?

Resp.: No, impossvel reiniciar a ao, pois a perempo extingue a punibilidade.

Da Ao Penal nos Crimes Complexos (Art. 101 do CPP)

Ocorre crime complexo quando se d a fuso de 2 ou mais crimes. Essa ao segue a regra geral da aes penais.

O art. 101 do CP um tpico artigo intil.

Ao Penal Contra Parlamentar

O parlamentar goza de invulnerabilidade;

preciso licena da Casa respectiva para processar um parlamentar;

Se a Casa denegar suspende-se a prescrio;

Se a Casa no deliberar, suspende-se a prescrio desde o dia em que se encaminhou o pedido a ela;

A licena de processar pedida pelo Ministro Relator do STF.

Ao Penal nos Crimes Contra os Costumes (Art. 225 CP)

Regra Geral - de Ao Penal Privada;

Excees:

a) Quando a vtima for pobre, miservel, preciso representao da vtima;

b) Crime cometido por pais, padastro, tutor, curador - a ao penal pblica incondicionada;

c) Quando resultar morte ou leso grave - a ao penal pblica incondicionada;

d) Estupro com Leso leve - era de ao pblica incondicionada por fora da Smula 608 do STF, mas hoje, depois da Lei 9.099/95, preciso representao da vtima.

Da Ao Penal nos Crimes Contra a Honra

Regra Geral - de Ao Penal Privada;

Excees:

a) Injria Real com Leso Corporal - de Ao Penal Pblica Incondicionada;

b) Crime contra a Honra do Presidente da Repblica - de Ao Penal Pblica Condicionada a Requisio do Ministro da Justia;

c) Crime contra a honra de funcionrio pblico em suas funes - o funcionrio pode ou representar ou apresentar queixa crime;

Rejeio da Denncia ou Queixa (Art. 43 do CPP)Hipteses de Rejeio:

a) quando a pea acusatria for inepta. Ocorre quando falta um requisito essencial. Ex.: no narrar o fato;

b) quando falta uma condio de procedibilidade;

c) quando est extinta a punibilidade. Ex.: prescrio;

d) quando ausentes os pressupostos processuais. Ex.: competncia de juzo.

Momento da Rejeio - s na fase do recebimento da denncia/queixa.

Se o juiz recebe a pea, no pode mais rejeitar, vai at o final.

O ru pode entrar com habeas corpus visando ao trancamento da ao.

Desclassificar a ao - o juiz no pode desclassificar a denncia ab initio (desde o incio), s o far na sentena.

O juiz pode rejeitar a denncia em parte. Caso o juiz o faa, o promotor pode se valer do Recurso em Sentido Estrito.

Obs.: na Lei de Imprensa contra a rejeio da denncia/queixa, seja total ou parcial, s cabe apelao.

Renovao da Ao - se a pea for rejeitada, dependendo do fundamento dessa rejeio, pode a ao ser intentada novamente. Ex.: extino da punibilidade no permite a renovao da ao. J a falta de representao quando sanada, pode-se intentar uma nova ao.

Depois da sentena no se pode atacar a inpcia da denncia/queixa, deve-se atacar diretamente a sentena.

AO CIVIL EX DELICTOQuem causa danos a outrem tem que indenizar.

uma ao que visa uma indenizao em razo de um delito.

Estando em curso o processo penal a vtima pode entrar com ao civil (Art. 67 CPP).

O juiz civilista pode suspender o processo civil at que se julgue o processo penal.

O risco o de conflito de julgados. No civil cabe ao rescisria para reparar essa injustia.

Se a vtima for pobre o Ministrio Pblico pode entrar com a ao em benefcio dela.

Cabe ao contra os herdeiros, apenas nos limites da herana recebida.

Se a punibilidade for extinta, no impede a ao civil.

Ru absolvido do crime impede a ao civil ?

Resp.: Em regra, essa absolvio no impede a Ao Civil, salvo:

a) quando o juiz criminal reconhecer a inexistncia do fato;

b) quando o juiz criminal reconhece que o acusado no participou dos fatos;

c) quando o juiz criminal reconhece uma causa de excluso da ilicitude ou antijuridicidade (legtima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento do dever legal ou exerccio regular do direito), salvo:

1. Art. 1519 e 1520 do Cdigo Civil - estado de necessidade agressivo, quando se lesa terceiro inocente. Tem que indeniz-lo, mas tem ao regressiva contra aquele que ocasionou o perigo;

2. legtima defesa real com aberractio ictus , onde por exemplo, A atira contra B e B se defende mas acerta C, matando-o, B est absolvido, mas tem que indenizar a famlia de C, mas tem ao regressiva contra A.

Execuo CivilA sentena penal condenatria um ttulo executivo, podendo ser executada. Art. 63 do CPP.

Problema: a sentena um ttulo certo, porm ilqido, pois o juiz penal no fixa o quantum que deve ser pago. Para executar preciso liquidar, e essa liquidao se d na esfera civil.

Aspectos Processuais Na liquidao o ru s pode discutir o quantum a ser pago;

Se a vtima for pobre o Ministrio Pblico entra com a execuo em favor dela;

Execuo contra herdeiros cabvel, porm somente at o limite da herana;

Sentena que fixa Medida de Segurana pode ser executada no Cvel ?

Resp.: Depende, pois se trata de um semi-imputvel a sentena condenatria, podendo ento ser executada no civil. Mas se trata de um inimputvel a sentena absolvitria, no podendo a vtima execut-la no civil. Para a vtima receber o prejuzo deve entrar com Ao Civil.

Sentena que concede Perdo Judicial pode ser executada no cvel ?

Resp.: Para o STF essa sentena condenatria, podendo ser executada no cvel. J para o STJ essa sentena declaratria de extino da punibilidade (Smula 18), no podendo ser executada no cvel.

Para o concurso adotada a posio do STJ, pois ele quem d a ltima palavra sobre matria infra-constitucional.

Se a vtima no pode executar a sentena, para receber a indenizao deve entrar com Ao Civil.

Jurisdio e Competncia

Jurisdio - a funo de dizer o direito.

Princpio da Unidade - a jurisdio nica em todo o pas. Cada juiz julga nos limites de sua competncia.

Competncia - o poder de cada juiz de conhecer e julgar determinados litgios.

Princpio da Indeclinabilidade - o juiz no pode recusar a jurisdio. Se o juiz no acha fundamento na lei, deve julgar por analogia, costumes, princpios gerais do direito, etc, mas no pode deixar de julgar.

Princpio da Indelegabilidade - o juiz pode delegar atos processuais, mas no pode delegar a funo de julgar, de dirimir litgios.

Princpio da Improrrogabilidade - o juiz competente no pode invadir o mbito jurisdicional alheio.

Princpio do Juiz Natural - quer dizer juiz competente, ou seja, que o juiz competente para o caso, proibindo a criao do juzo ou tribunal de exceo.

Critrios de Competncia1 Critrio - Art. 70 do CPP - a competncia a do local da consumao do crime.Com esse critrio fixa-se o Foro (comarca) e no o juzo (vara).

Apropriao Indbita - a competncia a do local onde se da a inverso do ttulo da posse;

Cheque sem Fundos - a competncia a do local onde se da a recusa do pagamento. Smula 521 do STF.

Falso Testemunho por Precatria - a competncia a do local do juzo deprecado.

Crimes Plurilocais - a competncia a do local da consumao.

Acidentes de Trnsito - a competncia a do local do acidente, uma criao jurisprudencial.

Lei dos Juizados Especiais Criminais - a competncia fixa-se pelo local do cometimento da infrao da conduta.

Tentativa - a competncia a do local do ltimo ato de execuo do crime.

Crime Iniciado no Brasil e consumado fora do Brasil - a competncia a do local do ltimo ato de execuo do crime no Brasil. Esse critrio relativo, sua inobservncia gera nulidade relativa.

Crime cometido na divisa entre duas Comarcas - a competncia se fixa pela preveno, onde competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do crime.

Crime Continuado envolvendo vrias comarcas - a competncia se fixa por preveno. O juzo prevento pode avocar os demais processos. Se o juiz no avocar, a unificao das penas ser feita nos juzos das execues.

Crime permanente envolvendo vrias comarcas - a competncia se fixa por preveno. Obrigatoriamente tem que avocar os outros processos, pois um crime nico, e ningum pode ser julgado pelo mesmo crime duas vezes.

2 Critrio - A competncia se fixa pelo Domiclio ou Residncia do Ru

Este critrio subsidirio ou supletivo, somente usado quando no se sabe qual o local da consumao.

Foro Optativo - est previsto no Art. 73 do CPP - s vale para ao penal exclusivamente privada ou personalssima, portanto, no valendo para a Subsidiria da Pblica.

O querelante pode optar entre o local da consumao e o domiclio do ru.

3 Critrio - Competncia em Razo da Matria - Natureza da Infrao

Esse critrio fixa o juzo, a vara.

Justia Militar Estadual - competente para julgar somente os crimes militares cometidos por militares. Jamais ser competente para julgar um civil.

Crime cometido com viatura militar - se a vtima civil, o julgamento da competncia da justia civil, j se a vtima militar, a competncia da justia militar.

Crime cometido por militar mas no descrito no CPM - a competncia da Justia Comum.

Crime Doloso contra a vida de um civil praticado por um militar - a competncia da Justia Comum. Lei 9299/96.

Justia Militar Federal - competente para julgar crimes militares cometidos contra as foras armadas. No importa se o criminoso civil ou militar.

Justia Eleitoral - competente para julgar os crimes eleitorais e os conexos.

Homicdio conexo com Crime eleitoral - a competncia da Justia Eleitoral. Segue o Princpio da Especialidade.

Justia Federal - competente para julgar crimes cometidos contra a Unio ou contra suas Autarquias.

Ex.: Crimes cometidos contra a Caixa Econmica Federal da competncia da Justia Federal. Crimes Polticos - definidos na Lei da Segurana Nacional. O recurso direito para o STF.

Crimes Cometidos a Bordo de Navio ou Avio - a competncia da Justia Federal. Se ocorrer um homicdio, a competncia do Tribunal do Jri Federal.

Trfico Internacional - a competncia da Justia Federal. Se na Comarca no tem Justia Federal, o juiz estadual assume seu lugar e o julga. O Recurso endereado ao TRF.

Tribunal do Jri - competente para julgar os crimes dolosos contra a vida e conexos.

Genocdio - da competncia do Tribunal do Jri.

Latrocnio - da competncia de Juiz Singular. Smula 603 STF.

4 Critrio - DistribuioFixa o juzo competente. A distribuio do Inqurito Policial previne o juzo. Art. 75 do CPP.

5 Critrio - Conexo ou ContinnciaOcorre quando h um vnculo entre vrios crimes ou entre vrios autores de crimes. A rigor, critrio de alterao de competncia e no de fixao.

Conexo - Art. 76 do CPP1. Intersubjetiva - se d quando vrias pessoas praticam vrios crimes no mesmo momento. Ex.: briga ocorrida em um estdio de futebol.

2. Objetiva ou Teleolgica - se d quando um crime cometido para facilitar ou assegurar a execuo de outro crime. Ex.: Matar o pai para estuprar a filha.

3. Instrumental ou Probatria - se d quando a prova de um crime relevante para outro crime. Ex.: Furto e Receptao.

Continncia - Art. 77 do CPP1. Por Cumulao Subjetiva - se d em todas as hipteses de Concurso de Pessoas.

2. Por Cumulao Objetiva - se d em todas as hipteses de Concurso Formal de Crimes.

Efeitos da Conexo ou Continncia

1. Processo nico e julgamento nico. A sentena nica.

2. Um foro ou um juzo tem fora atrativa sobre outro.

Qual o Juzo ou Foro que tem fora atraente ?

Deve-se respeitar as seguintes regras:

1. Entre Justia Comum e Tribunal do Jri - o Tribunal do Jri tem fora atrativa.

2. Entre Jurisdies da mesma categoria - observa-se as seguintes sub-regras:

a) Local da Infrao mais grave;

b) Maior Nmero de Infraes;

c) Preveno no caso de crimes iguais.

3. Entre Jurisdio Comum e Jurisdio Especial - a Jurisdio Especial tem fora atrativa.

Regras onde h Ciso (separao) de processos

1. Art. 79 - Justia Comum e Justia Militar - separam-se os processos, o que militar ser julgado na Justia Militar e o que civil ser julgado na Justia Comum.

2. Justia Comum e Juzo de Menores - em caso de co-autoria entre um maior e um menor, o maior ser julgado na Justia Comum e o menor ser julgado na Vara da Infncia e Juventude.3. Co-autoria - se no decorrer do processo um ru ficar louco, o processo para esse fica suspenso e para o outro continua.4. Tribunal do Jri - em caso de co-autoria - a intimao da pronncia feita pessoalmente, e em caso de um ru presente e outro foragido, prossegue o processo para um e pra para o outro.5. Plenrio do Jri - em caso de 2 rus com advogados distintos, o processo separado.6. De acordo com o Art. 80 do CPP, o juiz separa os processos quando julgar conveniente. Na pratica, em caso de co-autoria, um preso em flagrante e outro foragido, separa-se o processo.7. Art. 81 do CPP - perpetuao da jurisdio. Havendo crimes conexos o juzo que comeou o julgamento de um crime, deve julgar os demais.8. No Tribunal do Jri o crime desclassificado passa para o juiz presidente julgar. J o outro crime conexo, por exemplo um crime de estupro, continuar sendo julgado pelo Tribunal do Jri.9. Pargrafo nico do Art. 81 do CPP - se na fase de pronncia o juiz desclassifica o crime do Jri, remete tudo para o juiz singular.10. Art. 82 do CPP - o Juzo com fora atrativa pode avocar processos que correm por outras varas. No obrigado, a lei diz que pode.COMPETNCIA PELA PREVENO - ART. 83 DO CPP

Juzo Prevento no Civil - o juzo torna-se prevento com a citao vlida.

Juzo Prevento no Crime - d-se a preveno quando o juiz tomar conhecimento oficialmente da infrao.

A preveno fixa foro ou juzo ?

Depende, ora fixa for, ora fixa juzo.

Hipteses Concretas de Preveno de Juzo1. Pedido de Explicaes em Juzo (Art. 144, CP) - previne o juzo.

2. Busca e Apreenso - previne o Juzo

No previne o Juzo

1. Habeas Corpus em 1 grau (contra autoridade policial)

2. Art. 40 CPP - o envio de cpias ao Ministrio Pblico no previne o juzo.

Lei penal nova favorvel, quem a aplica ?

Resp.: Depende, se o processo est em 1 grau o juiz de 1 grau, se o processo est no Tribunal, o prprio Tribunal que aplica e se j tem coisa julgada, o juzo das execues (Smula 611 STF).

Quem que julga ndios ?

Regra.: a Justia Estadual (Smula 140 do STJ). Mas quando envolver direitos indgenas a Justia Federal.

Competncia por prerrogativa de funo ou em razo da pessoa ou ratione personae

1. no se trata de privilgio pessoal, trata-se de prerrogativa funcional, por isso irrenuncivel.

2. Julgamento em instncia nica, onde o ru no tem direito de apelar.

Obs.: se o ru for condenado injustamente, deve aguardar o trnsito em julgado, para depois entrar com pedido de reviso criminal.

Regras Especiais1. Crime cometido durante a funo - nesse caso mesmo depois de cessada a funo, continua a prerrogativa de competncia.

2. Crime cometido antes do incio da funo - quando o agente assume a funo, altera-se a competncia por razo da prerrogativa de funo, mas cessada essa funo, o processo volta para a sua origem.

3. Crime cometido depois da funo - no tem foro por prerrogativa de funo.

No importa o local da infrao, a competncia sempre originria.

Quanto ao procedimento - h duas leis que os regulam:

1. Lei 8.038/90

2. Lei 8.658/93

Principais Foros Por Prerrogativas De Funo

1. Presidente da Repblica:a) Crime Comum - STF

b) Crime de Responsabilidade: Senado Federal

2. Vice-Presidente da Repblica:

a) Crime Comum - STF

b) Crime de Responsabilidade: Senado Federal

3. Deputado Federal:

a) Crime Comum - STF

b) Crime de Responsabilidade: Casa respectiva a que pertence.

4. Senado Federal:

a) Crime Comum - STF

b) Crime de Responsabilidade: Casa respectiva a que pertence.

5. Ministro de Estado:

a) Crime Comum - STF

b) Crime de Responsabilidade: STF, salvo se for conexo com crime do Presidente da Repblica, onde ser julgado no Senado Federal.

6. Procurador Geral da Repblica:

a) Crime Comum - STF

b) Crime de Responsabilidade: Senado Federal

7. Ministro do STF:

a) Crime Comum - STF

b) Crime de Responsabilidade: Senado Federal.

8. Advogado Geral da Unio:

a) Crime Comum - STF

b) Crime de Responsabilidade: Senado Federal.

9. Membros dos Tribunais Superiores: STF.

10. Juiz Federal ou Membros do Ministrio Pblico Federal: T.R.F.

11. Desembargadores: S.T.J.

12. Conselheiro dos Tribunais de Conta do Estado: S.T.J.

13. Governador: a) Crime comum - S.T.J.

b) Crime de Responsabilidade: depende da Constituio de cada Estado. Por exemplo, no Estado de So Paulo julgado por um Tribunal Especial formado por 15 membros, sendo 7 deputados + 7 desembargadores + 1 Presidente do Tribunal de Justia.

14. Deputado Estadual, Secretrio de Estado, Juiz ou Promotor: sempre no Tribunal de Justia.

15. Prefeitos:

a) Crime de Responsabilidade: Cmara Municipal;

b) Crime Contra a Unio: T.R.F. (tendncia jurisprudencial);

c) Crime Eleitoral: T.R.E. (tendncia jurisprudencial).

16. Embaixador Brasileiro: S.T.F.

17. Vereador: no tem foro por prerrogativa de funo. Exceo: Estado do Piau.

Art. 85 CPP - A exceo da verdade julgada no foro especial (prerrogativa de funo).

Exemplo: um juiz entra com queixa crime contra um advogado. Esse advogado entra com exceo da verdade.

Nesse caso o Tribunal quem julga exclusivamente a exceo da verdade, devido prerrogativa da funo.

Toda instruo feita no juzo de 1 grau, ou seja, as provas so colhidas em 1 grau.

Desse julgamento cabem duas hipteses:

1 Hiptese - se o Tribunal julga procedente a exceo da verdade. Conseqncias:

a) Extino da queixa;

b) Abre-se um processo contra o juiz por corrupo.

2 Hiptese - o Tribunal julga improcedente a exceo da verdade, baixa-se os autos ao juzo de 1 grau para que este julgue a queixa.

Aplica-se o Art. 85 no caso de Calnia.

cabvel a aplicao do Art. 85 do CPP no caso de Difamao ?

Resp.: uma questo controvertida. O entendimento predominante diz que cabvel.

Outras Hipteses:

1. Crime cometido fora do pas.

O processo corre na capital onde o ru morava. Se este nunca morou no Brasil, na capital da Repblica, ou seja, em Braslia.

2. Crime cometido a bordo de navio.

Foro competente - local onde o navio tocar aps o cometimento do delito.

Se o navio for para o estrangeiro o foro competente ser o do local onde por ltimo o navio tocou.

3. Crime cometido a bordo de uma avio.

Foro competente - local onde o avio aterrizar aps a infrao penal.

Se o avio for para o estrangeiro o foro competente ser o do local de onde o avio decolou vo.

QUESTES E PROCESSOS INCIDENTAIS

Art. 92 a 154 do CPP

1. Questes prejudiciais;

2. Excees;

3. Incidente de Falsidade;

4. Incidente de Insanidade Mental;

5. Conflito de Competncias;

6. Etc.

Questes Prejudiciais

Conceito - uma questo que surge no curso de um processo e deve ser julgada antes da questo principal.

Caractersticas:

1. Anterioridade - a questo prejudicial deve ser julgada antes da questo principal;

2. Interdependncia - a questo prejudicial influencia o reconhecimento da existncia ou inexistncia do crime;

3. Autonomia - pode ser discutida independentemente do processo penal.

Classificao:

a) Questes Homogneas e Questes Heterogneas

Questes homogneas - quando versam sobre o mesmo ramo jurdico da questo principal. Ex.: exceo da verdade.

Questes heterogneas - quando versa sobre outro ramo jurdico distinto da questo principal. Ex.: No crime de bigamia quando o ru invoca nulidade do primeiro casamento.

Quem julga a questo prejudicial ?

Resp.: Para responde esta pergunta devemos observar:

Questes no devolutivas - so obrigatoriamente julgadas pelo prprio juzo penal. Ex.: Exceo da Verdade.

Questes devolutivas - so divididas em absolutas ou relativas

a) Questes devolutivas absolutas - so questes que obrigatoriamente devem ser remetidas ao juzo civil (Art. 92 CPP). So as questes que versam sobre o estado civil das pessoas.

Se o juiz manda o processo para o civil, o processo penal fica suspenso, assim como a prescrio. Mas o juiz colhe todas as provas do processo penal para que no haja prejuzo.

b) Questes devolutivas relativas - nestas questes o juzo penal pode remeter a causa ao juzo civil (Art. 93 CPP). So questes civil diferentes do estado civil das pessoas. Ex.: Crime de furto em que o ru alega ser o proprietrio da coisa.

Se o juiz remeter a causa para o juzo civil, suspende o processo penal. O juiz fixa um prazo para a suspenso do processo. Nesse prazo no corre a prescrio e o juiz pode colher as provas.

DAS EXCEES

um meio de defesa eminentemente processual.

H duas modalidades de Excees:

a) Excees Dilatrias - so excees que visam prorrogar o processo. Divide-se em trs modalidades:

1. Suspeio;

2. Incompetncia;

3. Ilegitimidade de Parte.

b) Excees Peremptrias - so excees que visam o fim, o trmino do processo. So:

1. Litispendncia; e

2. Coisa Julgada.

I - EXCEO DE SUSPEIOFinalidade - visa afastar o juiz da causa, por suspeita de parcialidade. Tambm pode ser alegada contra:

a) Promotor;

b) Peritos;

c) Intrpretes;

d) Jurados e

e) Funcionrios da justia.

Pergunta - Cabe contra Delegado ?

Resp.: No existe exceo de suspeio contra Delegado (Art. 107 CPP).

Se um delegado suspeito presidir o Inqurito Policial, este inqurito ter um menor valor probatrio.

As hipteses de exceo de suspeio esto elencadas no Art. 254 do CPP, valendo para todas as pessoas j mencionadas.

Art. 256 - No cabe exceo de suspeio:

1. quando a parte injuriou o juiz;

2. quando a parte deu motivo para a suspeio propositadamente.

Procedimento

1. Reconhecimento de ofcio pelo juiz. O juiz nesse caso deve fundamentar e mandar os autos ao seu substituto.

2. Argio pelas partes em caso de no reconhecimento de ofcio pelo juiz. A via jurdica a exceo de suspeio. A defesa deve argi-la na defesa prvia. O Ministrio Pblico deve argi-la no oferecimento da denncia. O assistente do Ministrio Pblico no pode argir suspeio.

Durante o Inqurito Policial no pode-se argir a suspeio do juiz.

Excipiente - aquele que ope a suspeio;

Excepto - a pessoas contra quem foi oposto a suspeio.

Cabe ao juiz aceitar o negar a suspeio.

Se aceitar a suspeio, deve remeter os autos ao seu substituto.

Se negar provimento suspeio, o juiz deve:

a) autuar em apartado;

b) dar sua resposta em 3 dias;

c) remeter os autos ao tribunal. Em So Paulo normalmente enviado ao TJ, Cmara Especial.

No Tribunal:

a) Pode-se rejeitar liminarmente a Suspeio;

b) Se relevante, procede-se a exceo;

c) possvel ouvir testemunhas;

d) Julgamento:

1. Se o julgamento for por procedncia - todos os atos presididos pelo juiz so nulos.

2. Se o julgamento for por improcedncia - os autos voltam ao juiz e o processo segue normalmente.

Art. 103 CPP - possibilidade de suspeio nos tribunais.

Exceo contra promotor, quem julga ?

Resp.: o prprio juzo da causa.

Exceo contra Perito, Intrprete e funcionrio, quem julga ?

Resp.: A suspeio julgada pelo prprio juzo da causa.

Contra jurado a exceo oral e o juiz decide na hora (Art. 106 CPP).

EXCEO DE INCOMPETNCIA DO JUZO (ART. 109 CPP)

O juiz pode por ofcio dar-se como incompetente.

Se o juiz no se d como incompetente, cabe as partes argi-la.

Defesa - deve argir na hora da defesa prvia, desde que se trate de incompetncia relativa, sob pena de recluso.

Se for caso de incompetncia absoluta, pode ela ser alegada em qualquer fase do processo.

Cabe ao juiz:

1. autu-la em apartado;

2. ouve-se o Ministrio Pblico;

3. O juiz decide.

Se procedente, remete-se os autos ao juzo competente.

Se improcedente, prossegue-se o processo normalmente. Cabe a defesa entrar com Habeas Corpus contra o juiz, em caso de discordncia da improcedncia.

Julgado procedente a exceo, anula-se o processo ?

Resp.: De acordo com o Art. 567, somente so nulos os atos decisrios, sendo que os demais sero ratificados. a jurisprudncia do STF.

EXCEO DE LITISPENDNCIA

Fundamento - ningum pode ser processado duas vezes pelas mesma razo.

Causas Idnticas - quanto tm o mesmo pedido, mesmas partes e mesma causa de pedir.

Momento - a litispendncia nasce no instante em que existe a citao vlida no 2 processo.

Entra-se com a exceo no juzo da ao repetida.

Procedimento - o mesmo da incompetncia do Juzo. Obs.: no tem prazo, pode ser invocada em qualquer momento do processo.

EXCEO DE COISA JULGADA

Fundamento - ningum pode ser condenado duas vezes pelo mesmo delito.

Exceo: somente em caso de extraterritorialidade da lei penal brasileira, onde o sujeito pode ser condenado no exterior e no Brasil pelo mesmo delito.

S existe coisa julgada quando as aes so idnticas, ou seja, tem o mesmo pedido, mesmas partes e a mesma causa de pedir.

Se o ru for condenado duas vezes pelo mesmo fato a sentena vlida sempre a primeira, pois a segunda sentena nula.

Instrumento para se alegar Exceo de Coisa Julgada - somente atravs de Reviso Criminal ou Habeas Corpus.

Se no Tribunal do Jri o ru for absolvido como autor do crime, pode ele ser processado como partcipe ?

Resp.: Sim, pode, houve a coisa julgada, mas a causa de pedir nova distinta da causa de pedir anterior, pois antes autor sendo que agora partcipe.

Exceo de Ilegitimidade de Parte

Vale tanto para a ilegitimidade ad processum, por exemplo no caso de queixa oferecida por menor de 17 anos, quando para a ilegitimidade ad causam, por exemplo, quando o promotor oferece denncia no caso em que s cabvel a queixa.

Procedimento - o mesmo da incompetncia de juzo.

Se for julgada procedente, anula o processo ?

Resp.: Depende: no caso de Ilegitimidade ad causam anula-se o processo inteiro, j no caso de ilegitimidade ad processum possvel convalidar o defeito, desde que ratifique-se o ato por quem de direito.

CONFLITO DE JURISDIO - ART. 113 E S. CPP

Ocorre quando dois ou mais juizes ao mesmo tempo julgam-se competentes, acontecendo a o conflito positivo, ou quando se julgam incompetentes, ocasionando o conflito negativo.

Objetivo - reconhecer e preservar o juzo natural.

Conflito de Competncia diferente de Conflito de AtribuiesO conflito de competncia s acontece entre autoridades judicirias.

O conflito de atribuies acontece entre autoridades outras que no judicirias. Ex.: quando dois promotores entram em conflito, sendo que quem decide o Procurador Geral de Justia.

Aspectos procedimentais

1. Pode ser suscitado pela parte, pelo Ministrio Pblico ou pelo juiz de ofcio;

2. Deve ser por escrito e fundamentado;

3. Se o conflito for positivo autuado em apartado aos autos, e em caso de conflito negativo autua-se dentro do mesmo processo;

Quem julga o conflito de competncia ?

Resp.: Depende:

O STF - julga conflitos entre tribunais superiores e conflitos entre tribunais superiores e outros tribunais do pas.

Cabe conflito de competncia envolvendo o STF ?

Resp.: No, no cabe. No caso de dvida o que vale a palavra do STF.

O STJ - julga conflitos:

a) entre outros tribunais do pas;

b) entre Tribunais e Juizes do pas; e

c) entre juizes vinculados a tribunais diferentes.

O TRF - julga conflitos entre juizes federais.

O TJ - julga conflitos entre os Tribunais de alada ou entre os juizes de 1 grau.

Pode haver conflito entre o TJ e Tribunal de Alada ?

Resp.: No, no pode. Prevalece sempre a deciso do TJ.

INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL

ART. 149 E S. CPP

Instaurao - quando h dvida sobre a integridade mental do acusado.

Incio - pelo juiz ex ofcio ou por requerimento do Ministrio Pblico ou pelo cnjuge, ascendente, descendente ou irmo.

Uma vez determinado no cabe recurso.

A percia do juzo civil no tem validade no juzo penal, ou seja, deve sempre ser feito outro exame no juzo penal.

Procedimento

a. Autuao em apartado

b. Suspende o processo

c. Corre a prescrio normalmente

d. indispensvel a nomeao de curador

e. possvel o incidente durante o Inqurito Policial, onde o Delegado representa ao Juiz e este determina o exame

f. O exame realizado por dois peritos, normalmente por dois mdicos psiquiatras

g. Prazo = 45 dias, prorrogveis.

Durante o Inqurito Policial constata-se a inimputabilidade. Inicia-se ou no o processo ?

Resp.: Sim, imprescindvel o processo. preciso comprovar o delito em juzo para se aplicar a Medida de Segurana.

O laudo mdico no vincula o juiz, sendo que para rejeit-lo ele precisa fundamentar essa deciso.

Em caso de ficar comprovado que a inimputabilidade sobreveio depois do delito, o processo fica suspenso at que o ru se restabelea, correndo a prescrio normalmente.

DAS PROVASProvar demonstrar a verdade de uma afirmao ou de um fato.

Finalidade das Provas - formar a convico do juiz.

Objeto de Prova - so as afirmaes ou fatos que devem ser comprovados. Mesmo que o fato no seja contestado, ele precisa ser comprovado.

Precisam de prova:

a) Os costumes;

b) Regulamentos e Portarias; e

c) Direito Estrangeiro.

No necessitam de prova:a) Fatos notrios; e

b) Presunes absolutas.

Sujeito da Prova - so as pessoas responsveis pela produo da prova. Ex.: vtimas, testemunhas, peritos, etc.

Meios de Prova - tudo quanto possa comprovar o fato ou a afirmao.

Alm da provas do CPP, podemos produzir outras provas. Ex.: filmagens, interceptaes telefnicas, etc.

Elementos de Prova - so as afirmaes e os fatos comprovados.

Classificao das Provas

Prova Pessoal - so as provas que emanam das pessoas. Ex.: declaraes, percias, confisses, testemunhos, etc.

Prova Documental - toda afirmao feita por escrito. Ex.: laudos.

Prova Material - todo objeto que comprove o crime. Ex.: faca, revlver, etc.

Prova emprestada - s vlida se colhida perante o mesmo ru, pois no desrespeita o princpio do contraditrio e da ampla defesa na sua colheita.

Regra da Liberdade de ProvasEm princpio, toda e qualquer meio de prova admitido, por fora do Princpio da Verdade Real.

Restries:

a. Art. 207 do CPP - quem tem o dever de guardar segredo, no pode testemunhas. Ex.: advogado, padre confessional, etc.

b. Art. 475 do CPP - s se pode ler documento em plenrio, se juntado aos autos com no mnimo trs dias de antecedncia;

c. Prova ilcita (viola uma regra de direito material) e prova ilegtima (viola uma regra de direito processual).

A prova ilcita s pode ser utilizada se em favor do ru.

Princpio da Comunho da Prova - a prova produzida por uma parte, pode ser utilizada por qualquer parte.

nus da Prova - a responsabilidade de provar. O nus da prova cabe sempre a quem alega (Art. 156 do CPP). O juiz pode determinar a produo de provas ex officio. o Princpio da Inquisitividade.

Valorao das Provas

1. Sistema da Livre Convico ou Persuaso Racional. Consiste:

a. o juiz deve apreciar todas as provas;

b. no h hierarquia entre elas;

c. todas as provas so relativas; e

d. o juiz tem que motivar (fundamentar) sua convico. o sistema acolhido pelo CPP (Art. 157).

2. Sistema da ntima Convico

a. O juiz julga e no precisa motivar (fundamentar) sua convico.

Este sistema vale para os jurados, no Tribunal do Jri, que no precisam fundamentar suas decises, e caso o faam, nulo o Jri.

I - DAS PERCIASPercia - um exame feito por pessoas com conhecimentos especficos.

Objeto da Percia - escritos, cadveres, o corpo de delito, etc.

Como so feitas ?

1. Descrio minuciosa do que foi observado;

2. Respostas aos quesitos; e

3. Sempre que possvel, deve ser institudas com fotografias.

Laudo Pericial - o documento elaborado pelos peritos.

Quem determina a percia ?

A autoridade policial, se na fase de investigao, ou o juiz, se na fase de processo.

As partes podem requerer percias.

Quesitos - na fase policial formulado pela autoridade policial, no juzo formulado pelo juiz e pelas partes. (Art. 176)

Perito - s pode ser perito quem tem curso superior. O perito um auxiliar do juiz. H peritos oficiais, que so os perito concursados e peritos no oficiais, que so os peritos no concursados.

Os peritos no concursados prestam compromisso todas s vezes que nomeados. Mas a falta de compromisso uma mera irregularidade.

Nmero de peritos - sempre participaro da percia dois peritos.

Os peritos no oficiais so nomeados pela autoridade policial ou pelo juiz, dependendo da fase do processo.

Assistente tcnico - s existe no processo civil, no existe no processo penal.

Percia particular - perfeitamente possvel, trata-se de um parecer.

A percia feita no Inqurito Policial no se repete em juzo, pois o contraditrio diferido, ou seja, postergado para dentro do processo, porque um prova de natureza cautelar.

Exame do Corpo de Delito

Corpo de Delito - o conjunto de vestgios deixados pelo crime.

O Exame de corpo de delito a comprovao pericial do corpo de delito.

Regra sobre o Exame de corpo de delito:

1. quando o crime deixa vestgios ele imprescindvel, sob pena de nulidade.

2. pode ser direto ou indireto.

Direto - feito pelos peritos;

Indireto - quando desaparecem os vestgios, a prova testemunhal pode suprir o exame direto.

Boletim mdico - no vale como laudo, mas uma prova indireta.

Para iniciar o processo preciso o Exame de Corpo de Delito ?

Em regra no preciso. Mas h certos processos que o necessitam. Por exemplo: no caso de entorpecentes no possvel nem lavrar o auto de priso em flagrante sem o exame de corpo de delito, quanto mais a denncia.

O laudo pode ser feito em qualquer hora e qualquer dia, devendo sempre ser fundamentado.

Necropsia ou Autopsia - o exame feito no cadver. Finalidade. descobrir a causa mortis.Emite-se um laudo necroscpico.

Exumao - o desenterramento do cadver.

O laudo principal s vezes obscuro, omisso, onde o juiz pode determinar um laudo complementar para que os peritos declarem sobre a omisso e a obscuridade.

Nas leses corporais, s vezes, necessrio um laudo complementar para comprovar incapacidade por mais de 30 dias. A falta do laudo complementar leva a caracterizao de uma leso leve.

Havendo divergncia entre os dois peritos, o juiz nomear um terceiro perito.

O laudo no vincula o juiz (Art. 182 do CPP).

II - DO INTERROGATRIO DO ACUSADO

o ato pelo qual o juiz ouve o acusado sobre a imputao que lhe feita. meio de prova e meio de defesa. Se o ru mentir no comete o crime de falso testemunho.

Pressuposto: citao do acusado.

Momento: em regra, feito aps o recebimento da denncia. Exceo: Lei 9.099/95, procedimento sumarssimo.

um ato indispensvel em duas hipteses:

a. quando o ru est preso;

b. quando o ru se apresenta em juzo.

Foras estas duas hipteses, um ato dispensvel.

O juiz pode mandar conduzir o acusado coercitivamente a juzo.

possvel o reinterrogatrio do acusado (Art. 196, CPP).

Caractersticas do Interrogatrio

1. ato personalssimo;

2. ato judicial (s o juiz que interroga);

3. ato pblico (mas as partes no interferem (Art. 187));

4. Em regra, um ato oral. Exceo: Mudo.

5. um ato individual, ou seja, nenhum co-ru pode ser interrogado na presena do outro;

Direito ao Silncio ou de Ficar Calado - um direito do ru, o qual vem consagrado na prpria Constituio Federal . O silncio do ru no significa confisso, no podendo por isso ser interpretado em prejuzo dele. Est derrogado a ltima parte do Art. 186.

Se o ru no falar a lngua nacional, ser nomeado um intrprete.

O ru tem direito a entrevista com o seu defensor, antes do interrogatrio.

possvel o interrogatrio por carta precatria.

No caso de ru menor, ser-lhe- nomeado um Curador Especial.

O defensor do ru pode ser o seu curador. (Smula 352 do STF).

A falta de nomeao de curador gera apenas uma nulidade relativa, ou seja, deve-se provar prejuzo.

Se o menor mentir sobre a sua idade, dizendo ser mais velho, no h nulidade.

No caso de ndio, se este for aculturado no necessitar de curador, j se for no aculturado, obrigatrio a nomeao de curador.

III - DA CONFISSO

a admisso do fato imputado.

O juiz tem que perguntar qual o motivo da confisso.

um circunstncia atenuante.

A confisso pode ser:

1. Judicial: aquela feita em juzo. Tem valor relativo, assim como todas as provas.

2. Extrajudicial: aquela feita fora do juzo. No tem valor nenhum, salvo se ratificada em juzo.

3. Explcita: nesta confisso o ru admite o crime explicitamente.

4. Implcita: uma confisso presumida, por exemplo, quando o ru repara os danos.

5. Simples: ocorre quando o ru confessa o crime, mas no indica nada em seu benefcio.

6. Qualificada: ocorre quando o ru confessa o crime, mas indica algo em sua defesa. Ex.: Confessa, mas alega legtima defesa, estado de necessidade, etc.

Caractersticas

1. Ato personalssimo;

2. Ato livre e espontneo;

3. retratvel;

4. divisvel, ou seja, pode-se confessar um fato e negar outro.

Confisso ficta ou presumida: aquela confisso que se d quando o ru no contesta os fatos narrados. No vlida no processo penal, sendo aplicada somente no processo civil.

Confisso Delatria: ocorre quando o ru confessa, mas incrimina outras pessoas. tambm chamada de Chamamento de Cmplice.Declaraes do Ofendido - vtima no testemunha, no presta depoimento, presta declaraes. Se a vtima mente no responde por falso testemunho. O ofendido no presta compromisso. Se a vtima for co-ru, ela interrogada.

Conduo Coercitiva da Vtima: (Art. 201) - possvel.

Valor Probatrio: relativo.

Contraditrio: respeita-se o contraditrio, ou seja, o advogado tem direito a reperguntas.

IV - TESTEMUNHAS

uma terceira pessoa que depe sobre um fato.

Valor probatrio: relativo.

A prova testemunhal pode ser:

1. Direta: ocorre quando a testemunha depe sobre fatos que viu, presenciou;

2. Indireta: ocorre quando a testemunha depe sobre fato que ouvir dizer;

A testemunha pode ser:

1. Prpria: ocorre quando a testemunha depe sobre fatos;

2. Imprpria ou Instrumentria: ocorre quando a testemunha depe sobre a regularidade de um fato.

3. Numerria: a testemunha que presta compromisso. Entra no nmero legal possvel.

4. Informante: a testemunha que no presta compromisso.

5. Referida: a testemunha que foi mencionada por outra testemunha. So ouvidas como testemunhas do juzo.

Caractersticas:

1. Judicialidade: quem ouve a testemunha o juiz;

2. As partes tem direito a reperguntas;

3. Objetividade: a testemunha no pode fazer valorao pessoal;

4. Oralidade: em regra, o depoimento testemunhal oral. Excees: Mudo, Presidente da Repblica pode depor por escrito, etc.

5. Retrospectividade: a testemunha s depe sobre fatos passados;

6. Individualidade: cada testemunha ouvida separadamente das demais.

Podem ser testemunhas: qualquer pessoa, inclusive o menor, silvcolas, policiais, juizes, promotores, etc.

Advogado que presenciou o crime testemunha, no podendo ser contratado como advogado no processo.

Curador do menor pode ser testemunha.

Deveres da Testemunha

1. Dever de depor. Excees:a. Art. 207: quem tem o dever de guardar segredo no pode depor. Ex.: Advogado, padre, etc.

b. Art. 206: parentes do ru, salvo se no houverem outras testemunhas.

c. Parlamentares: no so obrigados a depor sobre fatos que tomam conhecimento no exerccio da profisso.

2. Dever de prestar compromisso e dizer a verdade. Se a testemunha mentir estar cometendo o crime de falso testemunho. Em regra, a testemunha sempre presta compromisso. Excees:a) art. 206 - parentes do ru;b) art. 208 - menor de 14 anos, dbio mental, etc.3. Dever de comparecimento

Excees:

a) Art. 220 - pessoa enferma, ou muito idosa, etc - o juiz vai ouvi-la onde ela estiver.

b) Art. 221 - Presidente da Repblica, Vice-Presidente da Repblica, Governador de Estado, etc. - estas autoridades marcam a hora, local e dia para serem ouvidas.

c) Art. 222 - testemunha que mora fora da comarca. ouvida atravs de Carta Precatria. Caso esteja no estrangeiro, ouvida atravs de Carta Rogatria. Quando o Tribunal designar a oitiva de testemunha, atravs de uma Carta de Ordem.

Quando se expede uma Carta Precatria imprescindvel a intimao das partes. Intima-se da expedio. O juiz fixa o prazo de cumprimento da precatria. A expedio de precatria no suspende o andamento do processo, mesmo que passado o prazo para o cumprimento dela.

O juiz pode sentenciar mesmo sem a precatria.

A falta de intimao uma nulidade relativa, devendo a parte provar o prejuzo.

Quando uma testemunha regularmente intimada no comparece o juiz pode:

a) conduzir coercitivamente;

b) aplicar multa;

c) cominar o pagamento das diligncias a ela;

d) processo por crime de desobedincia.

4. Comunicar ao juiz eventual mudana de endereo (Art. 224)

V - DO DEPOIMENTO

Momentos relevantes:

1. Identificao da testemunha;

2. Advertncia;

3. Perguntas sobre fatos do processo.

Se a testemunha se recusar a depor, estar havendo flagrante do crime de desobedincia.

Ordem dos Depoimentos:

1. Primeiro a oitiva das testemunhas da acusao;

2. Segundo a oitiva das testemunhas da defesa.

No pode haver inverso da ordem, caso contrrio haver nulidade relativa. O juiz passvel de correio parcial, pois estar tumultuando o processo.

Nmero de Testemunhas

1. Crime punido com recluso: 8 testemunhas;

2. Crime punido com deteno: 5 testemunhas;

3. Procedimento sumarssimo: 3 testemunhas.

E caso de vrios fatos, a acusao poder arrolar at 8 testemunhas, assim como a defesa.

Em se tratando de vrio rus, podem ser arroladas at 8 testemunhas por cada ru.

Momento da Arrolao

Acusao: devem as testemunhas ser arroladas na pea de acusao;

Defesa: devem ser arroladas na defesa prvia, sob pena de precluso.

O juiz pode ouvir testemunhas no arroladas, as quais so chamadas de testemunhas do juzo.

Reinquirio - possvel.

Incidentes Possveis

1. Contradita (Art. 214);

2. Argio de Parcialidade (Art. 214);

3. Retirada do ru da sala (Art. 217).

Contraditar - impugnar; pretende-se excluir a testemunha impedida de depor. Procedimento:

1. Contradita-se a testemunha;

2. Oitiva da testemunha;

3. O juiz decide se exclui ou no exclui a testemunha.

Argio de Parcialidade - se d quando se alega circunstncia que torna a testemunha suspeita de parcialidade. Procedimento:

1. Argio de parcialidade;

2. Oitiva da testemunha;

3. O juiz sempre ouvir essa testemunha e dar o valor do seu testemunho.

Retirada do ru da sala - Art. 217 - se d quando o ru por sua atitude possa influenciar o nimo da testemunha.

VI - DO RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS

Reconhecer identificar uma pessoa ou coisa. O reconhecimento pode ser policial ou judicial.

Reconhecimento policial - Art. 226 e ss. - vlido se ratificado em juzo.

Reconhecimento judicial - tem valor relativo.

Reconhecimento por fotografia - tem valor relativo.

Retrato falado - meio de investigao e no de reconhecimento.

Reconhecimento da voz - possvel. Tem valor relativo. Na gria da polcia chamado de Clich Fnico. Se d com freqncia nos crimes contra os costumes, por exemplo no estupro.

VII - DA ACAREAO

Acarear confrontar, colocar duas pessoas frente a frente, cara a cara, para que esclaream divergncias relevantes.

sempre entre duas pessoas. Qualquer pessoa pode ser acareada, desde que esteja includa no processo. A acareao em regra, se d entre presentes, mas o Art. 230 permite a acareao entre ausentes.

VIII - DOS DOCUMENTOS

So escritos, imagens ou sons que possam comprovar um fato. Podem ser escritos (laudo pericial) ou no-escritos (filmagens, fotografias, gravaes, etc).

Qual a diferena entre instrumento e documento em sentido estrito ?

Resp.: O instrumento um documento que nasce com a finalidade de comprovar um fato. Ex.: escritura pblica, que nasce para comprovar um direito de propriedade. Documento em sentido estrito o documento que nasce sem a finalidade de comprovar qualquer fato, mas pode por ocasio servir de prova em um processo. Ex.: uma carta particular.

Os documentos podem ser originais ou cpias, sendo que se forem cpias devero obrigatoriamente estarem autenticados.

Momento de Apresentao dos Documentos - em princpio os documentos podem ser apresentados em qualquer momento. Excees:

a) Art. 406, 2 CPP -

b) Art. 475, CPP -

Em princpio todo e qualquer documento pode ser juntado ao processo. Excees:

a) Carta interceptada criminosamente;

b) Provas ilcitas;

c) Provas ilegtimas;

d) Etc.

Requisio Judicial - o juiz pode requisitar documentos de ofcio.

Documento em lngua estrangeira precisa ser traduzido, se necessrio.

Havendo dvida sobre letra ou assinatura tratando-se de documento particular, realizar-se- o exame grafotcnico. Tratando-se de documento pblico, estes gozam de presuno de veracidade, at que se prove o contrrio.

Se os documentos j foram juntados aos autos podem ser desentranhados desde que no sejam imprescindveis ao processo, mas sempre ficar uma cpia no processo.

IX - DOS INCDIOS (ou Prova Indiciria, Indireta Ou Circunstancial)

Indcios - so circunstncias provadas que autorizam concluir outras circunstncias (Art. 239 CPP).

perfeitamente possvel a condenao com base em indcios, desde que sejam veementes.

X - DA BUSCA E DA APREENSO

Buscar procurar. Apreender pegar.

A busca e a apreenso possvel tanto no Inqurito Policial quanto no Processo.

Quem determina ?

Tanto a autoridade policial quanto a autoridade judicial.

A busca pode ser domiciliar ou pessoal.

Busca Domiciliar

feita numa casa. O conceito de casa est no art. 150 do CP. Carro no casa. Estabelecimento comercial aberto ao pblico no considerado casa.

Finalidade - possvel para prender pessoas ou apreender objetos de interesse criminal (Art. 240 CPP).

Em regra, documento em poder do advogado do ru no pode ser apreendido, salvo:

a) quando o documento o corpo de delito do crime. Ex.: escritura falsa.

b) quando o advogado participante do crime, deixando, portanto, de ser advogado.A busca domiciliar necessita de mandado, ordem judicial. No preciso ordem judicial em dois casos especficos:

a) priso em flagrante; e

b) quando o prprio juiz que faz a busca.Delegado de polcia no pode dar essa ordem.

Horrio da Busca Domiciliar

1. Durante o dia (das 06:00 s 18:00 horas); e

2. Durante noite, desde que haja ordem judicial e desde que haja o consentimento do morador.Busca Pessoal

a busca feita em uma pessoa.

Possibilidade - somente quando h fundada suspeita de posse de armas ou objeto de interesse criminal.

Em regra, quando possvel, a busca em mulher dever ser efetuada por outra mulher.

Em regra, necessrio mandado judicial ou ordem policial. Excees:

a) quando a prpria autoridade que faz a busca;

b) se a pessoa vem a ser presa;c) durante a busca domiciliar;d) quando h fundada suspeita de posse de arma.DOS SUJEITOS PROCESSUAISSo as pessoas que participam do processo. Dividem-se em:

a) Sujeitos principais: so o juiz e as partes (acusador e acusado)

b) Sujeitos secundrios: so os peritos, assistente do Ministrio Pblico, etc.DAS PARTES

ACUSADORPodem acusar no Brasil:

a) Ministrio Pblico;

b) Ofendido;c) Qualquer um do povo quando se tratar de crime de responsabilidade das altas autoridades do Brasil. Ex: Presidente da Repblica, Presidente do Congresso Nacional, etc.Principais Funes do Ministrio Pblico

1. parte acusadora;

2. Custos Legis - fiscal da lei;3. Substituto Processual. Ex.: quando entra com ao de reparao em favor de vtima pobre.DO ACUSADO OU RU

Acusado - usado este termo desde o oferecimento da denncia.

Indiciado - usado este termo antes do oferecimento da denncia.

DO DEFENSOR

Todo acusado tem direito a um defensor (Art. 261).

O defensor responsvel pela defesa tcnica do ru. O ru faz a autodefesa, mas nada o impede que faa a autodefesa tcnica, desde que seja advogado.

O defensor pode ser constitudo ou dativo. Se for defensor constitudo, em regra, necessita de procurao nos autos, salvo quando o ru indic-lo no interrogatrio.

O defensor nomeado tem direito a honorrios. Em regra, quem paga os honorrios o ru, mas em caso deste ser pobre, quem para o errio pblico.

DO ASSISTENTE DO MINISTRIO PBLICO

parte adjunta ou contingente do processo.

Em regra, s a vtima pode ser assistente. Em caso da vtima falecer, pode ser assistente: o cnjuge, ascendente, descendente ou irmo.

Nos crimes de responsabilidade de Prefeitos o Pode Pblico pode ser assistente do Ministrio Pblico.

A OAB no pode ser assistente do Ministrio Pblico (posio do STF).

Fundamento da Admisso do Assistente - a obteno da reparao dos danos.

Habilitao - A vtima para participar do processo precisa habilitar-se. A habilitao cabvel at o trnsito em julgado. A vtima recebe o processo na fase em que se encontra. A habilitao possvel desde o incio do processo. Portanto, no cabvel a assistncia durante o Inqurito Policial.

No caso da habilitao ser irregular ela no anula o processo, um mero incidente.

Indeferimento do Pedido de Habilitao - a vtima pode entrar com Mandado de Segurana se houver alguma ilegalidade.

Direito do Habilitado - o habilitado tem o direito de ser intimado de todos os atos processuais.

Atividades que podem ser exercidas pelo Habilitado:

1. Propor meios de prova;

2. Requerer que o juiz oua determinadas pessoas como testemunha do juzo;3. Direito de participar das audincias, inclusive do plenrio do jri. Tem direito a reperguntar;4. Pode aditar o libelo. O assistente no pode aditar a denncia. No lhe foi conferido este poder;5. Pode aditar as alegaes finais do Ministrio Pblico;6. Pode arrazoar recursos;7. O assistente pode interpor recursos. cabvel apenas dois recursos:a) Recurso em Sentido Estrito:

1. quando o juiz julga extinta a punibilidade;

2. no caso de impronncia.b) Apelao:

1. quando se trata de sentena absolutria.

Em todas as hipteses, o recurso do assistente supletivo, s cabendo quando o Ministrio Pblico no interpe recurso.

Prazo para o assistente recorrer: 5 dias, contados do fim do prazo recursal do Ministrio Pblico (em caso de assistente j intimado).

E se a vtima no estiver habilitada pode recorrer ?

Resp.: Sim, pode recorrer, mas dever faz-lo dentro do prazo de 15 dias, justamente porque no intimada de nada que aconteceu no processo. O prazo contado do fim do prazo recursal do Ministrio Pblico.Jurisprudncia - assistente