Apostila juridica lfg

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  1. 1. APOSTILA JURDICA DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITO ADMINISTRATIVO DIREITO PENAL DIREITO PROCESSUAL PENAL DIREITO CIVIL DIREITO PROCESSUAL CIVIL DDIMO HELENO PVOA AIRES ORGANIZADOR
  2. 2. 2 O contedo desta apostila foi extrado do curso LFG LUIZ FLVIO GOMES, a partir das aulas ministradas pelos profes- sores Marcelo Novelino e Pedro Taques (Direito Constitucio- nal), Fernanda Marinella (Direito Administrativo), Rogrio Sanches e Luiz Flvio Gomes (Direito Penal e Direito Proces- sual Penal), Pablo Stolze (Direito Civil) e Fredie Didier Jr. (Di- reito Processual Civil), com anotaes de Ddimo Heleno P- voa Aires.
  3. 3. 3 APRESENTAO Durante os seis meses do curso LFG Luiz Flvio Gomes, na con- dio de aluno, anotei todo o contedo das aulas ali ministradas, material que compe esta modesta apostila. O nico objetivo o de facilitar o estudo do aspirante a concursos pblicos na rea jurdica, de forma sucinta e objetiva, uma vez que sabemos da vida atribulada das pessoas nos dias de hoje. A princpio, este material seria apenas para uso pessoal. Porm, di- ante dos vrios amigos que pretendem ingressar numa carreira pblica, re- solvi condens-lo e ofert-lo a esses incansveis estudiosos do Direito que, como eu, militam com prazer nessa interessante e profcua rea cientfica. Esta apostila uma oferta pessoal, um presente a todos os meus amigos e conterrneos. preciso dizer que aqui no se percebe o rigor cientfico que or- namenta os trabalhos de alto gabarito tcnico. So apenas informaes pre- ciosas (ao menos assim as considero) e que na medida em que saam da boca dos ilustres e reconhecidos professores, eram por mim anotadas em ritmo frentico, na avidez de quem anseia por conhecimento. A simplicidade do trabalho, contudo, no lhe retira a importncia, uma vez que o seu contedo, repito, foi extrado de aulas ministradas por professores renomados e premiados no mundo jurdico brasileiro. Esta apos- tila poder ser utilizada como complemento de estudos mais aprofundados, proporcionando ao estudante um contato direto, rpido e eficaz com as seis disciplinas bsicas do Direito, que so cobradas em qualquer prova de con- curso da rea jurdica: constitucional, administrativo, penal, processual penal, civil e processual civil. Muitas das informaes que o estudioso encontrar neste trabalho no sero encontradas em livros jurdicos, justamente porque foram repassa- das no momento da aula, no lampejo de uma idia, no meio de uma sinapse, no calor da emoo proporcionada pelo contato simultneo do professor com o aluno. Desejo a quem tiver a oportunidade de ler esta apostila a maior re- compensa que se pode oferecer ao estudioso: o conhecimento. Passar em con- curso conseqncia, e certamente no o mais importante. Bom estudo! Ddimo Heleno.
  4. 4. 4 NDICE DIREITO CONSTITUCIONAL ............................................................................. 05 DIREITO ADMINISTRATIVO ............................................................................. 68 DIREITO PENAL .................................................................................................. 125 DIREITO PROCESSUAL PENAL ...................................................................... 216 DIREITO CIVIL ..................................................................................................... 267 DIREITO PROCESSUAL CIVIL ......................................................................... 333
  5. 5. 5 DIREITO CONSTITUCIONAL TEORIA GERAL DA CONSTITUIO Constituio. Concepo de Constituio. Concepo sociolgica: (Ferdinand Lassale) Constituio escrita e Constituio real (a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nao. Folha de papel um termo utilizado por Ferdinand Lassale para dizer que a Constituio escrita no tinha valor) Concepo poltica: (Carl Schmitt) Constituio apenas aquilo que decorre de uma deciso poltica fundamental que a antecede (Ex. organizao do Estado; or- ganizao dos Poderes; direitos fundamentais). O que est dentro da Constituio, para Carl, seriam apenas leis constitucionais. Concepo jurdica: (Hans Kelsen/Konrad Hesse) conjunto de normas (dever-ser). A Constituio possui uma fora normativa capaz de conformar a realidade, bastan- do que exista vontade da Constituio. Concepo culturalista: Constituio total vista sobre os prismas sociolgicos, poltico e jurdico. A Constituio, ao tempo que condicionada pela realidade tambm condicionante desta. Classificao das Constituies. Critrios. Origem. Espcies: Constituies democrticas: (ou populares, votadas, promulgadas, dogmticas) feita por representantes do povo; eleitos para o fim especfico de elaborar a Constitu- io. Constituies outorgadas ou impostas: ao povo, contra sua vontade. Espcies: Cesaristas: submetidas a plebiscito ou referendo. Pactuadas ou pactuais: aquela fruto de um pacto entre o rei e a assemblia. Modo de elaborao. Espcies: Dogmticas: as que surgem de uma s vez e so escritas. Histricas: formam-se lentamente, atravs do tempo. Estabilidade ou plasticidade: analisa a estabilidade da Constituio.; feita atravs da comparao das leis do Estado. Subdiviso: Imutveis: no existem mais.
  6. 6. 6 Rgidas: maior estabilidade; possui um processo mais solene de alterao (pode, ou no, ter clusulas ptreas, que o ncleo essencial da Constituio, que lhe confere identidade material, razo pela qual no poder ser restringido ou abolido pelo po- der reformador ver arts. 47 e 60, da CF). Obs.: existem dois quoruns: o de votao (nmero mnimo de parlamentares presen- tes no Plenrio) e o de aprovao (o quantum estabelecido na CF, ou seja, maioria simples dos presentes). Flexveis: aquelas em que a alterao se d da mesma forma utilizada para as leis. Na flexvel no existe poder reformador, no h supremacia formal; portanto, no h controle de constitucionalidade. Semi-rgida ou semi-flexvel: h normas com processos mais ou menos dificultosos. Quanto ao contedo. Espcies: Constituio em sentido material: direitos fundamentais; estrutura do Estado; or- ganizao dos poderes (a Constituio material a que tem como contedo apenas estes assuntos). Constituio em sentido formal: feita por processo diferenciado em relao s leis. Quanto funo ou estrutura traa as diretrizes do Estado. Espcies: Constituio garantia ou quadro: assegura as liberdades impedimentos ou negati- vos, alm dos princpios materiais estruturantes (art. 1, da CF). Constituio dirigente ou programtica: a que dirige os rumos do Estado. Obs. A Constituio de 1988 escrita, codificada, popular, dogmtica, rgida, formal, analtica, dirigente, ecltica. Supremacia da Constituio. Material: relativo ao contedo, sendo este superior s demais leis; caracterstica de todas as Constituies. Formal: a Constituio formal quando rgida; decorre da sua rigidez. Uma norma superior quando se constitui como fundamento de validade de outra inferior. Exemplo da pirmide de Kelsen aplicada ao nosso sistema. Topo: CF/88 ato normativo originrio (emendas constitucionais, tratados de direi- tos humanos). Meio: atos normativos primrios (leis ordinrias, complementares, delegada, MP, tratados). Base: atos normativos secundrios (decretos/regulamentos). Obs. No existe hierarquia entre normas da Constituio (originrias ou derivadas, direitos fundamentais, ou no, clusulas ptreas, ou no, princpios e regras) vide art. 59, da CF.
  7. 7. 7 Obs.: entre lei complementar e lei ordinria h hierarquia? H (Pontes de Miranda); no h (Celso Bastos, Michel Temer). Diferenas entre lei complementar e lei ordinria: LC quorum absoluto. LO quorum simples. LC matria reservada. LO matria residual. Obs.: a lei complementar pode tratar de uma matria de lei ordinria sem ser invali- dada, por uma questo de economia legislativa. A lei complementar pode ser revo- gada pela lei ordinria, caso a CF trate a matria como residual, portanto de compe- tncia da lei ordinria. Obs.: no Direito Tributrio existe hierarquia entre LC e LO, segundo o STJ. Para o STF no existe hierarquia entre tais leis, mesmo no Direito Tributrio. Obs.: existe hierarquia entre leis federais, estaduais e municipais? Existem campos de atuao distintos, mas no hierarquia. Se uma invadir o campo da outra, ser tida como inconstitucional. Existem competncias concorrentes, no havendo inconstitu- cionalidade nesses casos: uma lei dita a regra geral e a outra atua em mbito restrito. Hierarquia no mbito estadual Pirmide: Topo: Constituio estadual. Meio: Lei estadual/lei municipal. Base: Decreto estadual/decreto municipal. Obs.: o TJ s exerce controle concentrado em face da constituio estadual. Hierarquia no mbito municipal Pirmide: Topo: Lei orgnica municipal. Meio: Lei municipal (complementar e ordinria) Base: Decretos. Obs.: no mbito municipal no se fala em controle de constitucionalidade, mas de legalidade. Hierarquia no mbito do Distrito Federal Pirmide: Topo: Lei orgnica do DF. Meio: Leis distritais (complementares e ordinrias). Base: Decretos. Obs.: h, no DF, controle concentrado das leis distritais em face da lei orgnica (art. 30, da Lei 9868). Obs.: h entendimento, no sentido de que , entre a CE e a lei orgnica no existe hie- rarquia, pois se trata de entes autnomos. Contudo, o art. 29, da CF, mostra que a segunda deve respeitar a primeira. PODER CONSTITUINTE
  8. 8. 8 Legitimidade: o Poder Constituinte encontra-se acima da pirmide, visto que foi ele quem deu incio a todas as normas. legtimo quando exercido por representantes do povo, eleitos para esse fim especfico. Titularidade resposta automtica: a titularidade estaria concentrada sempre em uma minoria. Resposta automtica: o titular do Poder Constituinte a maioria do povo ou da nao, para o Abade de Sieys. Exerccio: consiste na elaborao da Constituio, exercido pelo povo, atravs de representantes eleitos. Natureza: significa essncia; qual o seu significado para o Direito; o lugar que o instituto ocupa dentro do ordenamento jurdico. Segundo os positivistas, o Poder Constituinte um poder de fato ou poltico. Obs.: o Direito Natural eter