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CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROFESSOR MOZART FOSCHETE www.pontodosconcursos.com.br 1 AULA 0 – A ELASTICIDADE E SUAS APLICAÇÕES Bom dia, Muitos de vocês, pelo Brasil afora, que há pouco iniciaram sua preparação para concursos, certamente não conhecem Mozart Foschete. Por isso, vou lhes dar algumas informações úteis a meu respeito: Fiz mestrado em Economia na Inglaterra e, ao chegar de lá, no início dos anos 80, além de trabalhar como economista do IPEA-Brasília, fui professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília por 14 anos. Nos anos 90, larguei a UnB e passei a ministrar aulas de Economia em cursos preparatórios, em Brasília, preparando candidatos para o concurso de Analista do Banco Central e especialmente para os candidatos ao cargo de Auditor da Receita Federal, pois até o ano de 1994 o concurso era unificado e Economia era cobrada de todos os candidatos. Sem querer me gabar muito, eu era, nos anos 90, o professor de Economia mais conhecido e o mais procurado para lecionar esta matéria. Os convites para lecionar Economia partiam de todos os pontos: lecionei cursos intensivos de Economia no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, no Amazonas, na Paraíba, em Goiás e outros mais. Evidentemente, e por mais que me esforçasse, eu não conseguia atender toda esta demanda. Para ajudar meus alunos e os candidatos em geral a entender esta matéria aparentemente complicada, publiquei vários livros de Economia (Manual de Economia, Macroeconomia, Relações Econômicas Internacionais, e outros). No final dos anos 90, no entanto, com a Economia sendo retirada de muitos concursos públicos de nível superior, resolvi dar uma “parada” em minhas aulas de “cursinhos”. Além de me dedicar a outros projetos profissionais e pessoais, voltei a lecionar Economia em uma Faculdade de minha terra natal, em Minas. Agora, no entanto, como me parece certo que o próximo concurso de Auditor será novamente unificado, há grande expectativa de que a Economia seja disciplina obrigatória para

APOSTILA NOÇOES DE ECONOMIA

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AULA 0 A ELASTICIDADE E SUAS APLICAESBom dia,

Muitos de vocs, pelo Brasil afora, que h pouco iniciaram sua preparao para concursos, certamente no conhecem Mozart Foschete. Por isso, vou lhes dar algumas informaes teis a meu respeito: Fiz mestrado em Economia na Inglaterra e, ao chegar de l, no incio dos anos 80, alm de trabalhar como economista do IPEA-Braslia, fui professor do Departamento de Economia da Universidade de Braslia por 14 anos. Nos anos 90, larguei a UnB e passei a ministrar aulas de Economia em cursos preparatrios, em Braslia, preparando candidatos para o concurso de Analista do Banco Central e especialmente para os candidatos ao cargo de Auditor da Receita Federal, pois at o ano de 1994 o concurso era unificado e Economia era cobrada de todos os candidatos. Sem querer me gabar muito, eu era, nos anos 90, o professor de Economia mais conhecido e o mais procurado para lecionar esta matria. Os convites para lecionar Economia partiam de todos os pontos: lecionei cursos intensivos de Economia no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, no Esprito Santo, no Amazonas, na Paraba, em Gois e outros mais. Evidentemente, e por mais que me esforasse, eu no conseguia atender toda esta demanda. Para ajudar meus alunos e os candidatos em geral a entender esta matria aparentemente complicada, publiquei vrios livros de Economia (Manual de Economia, Macroeconomia, Relaes Econmicas Internacionais, e outros). No final dos anos 90, no entanto, com a Economia sendo retirada de muitos concursos pblicos de nvel superior, resolvi dar uma parada em minhas aulas de cursinhos. Alm de me dedicar a outros projetos profissionais e pessoais, voltei a lecionar Economia em uma Faculdade de minha terra natal, em Minas. Agora, no entanto, como me parece certo que o prximo concurso de Auditor ser novamente unificado, h grande expectativa de que a Economia seja disciplina obrigatria para

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todos os candidatos, e para todas as reas, com peso significativo, tal como era antes. E se isso se confirmar, como acredito, muitos candidatos tero que dedicar bom tempo de sua preparao a essa disciplina, principalmente aqueles que nunca a estudaram, pois os programas da Esaf sempre exigem tpicos complexos da teoria econmica, acreditem, em nvel de mestrado ou at mesmo de doutorado (quem j fez concurso do Banco Central sabe disso). Em meio a essa expectativa, surgiu o convite do Vicente, meu ex-aluno no ano de 1996, quando se preparava para o antigo AFTN, para a agente realizar esse projeto aqui no site. Achei tima a idia dele e desde ento me pus a trabalhar nesse projeto. Embora no tenhamos ainda em mos o programa que ser exigido pela Esaf para o concurso do AFRF, a gente que do ramo tem uma expectativa razovel do que pode vir a ser exigido de Economia naquele concurso, pois no h muito como fugir dos programas exigidos em outros concursos semelhantes. Assim, depois de muito pensar a respeito, decidimos oferecer dois cursos distintos: Economia I e Economia II. O Curso de ECONOMIA I ser oferecido nos prximos dias, antes da publicao do edital de Auditor da Receita Federal. Nele, tratarei desde tpicos introdutrios da disciplina (para habilitar aqueles no iniciados em Economia a entender o resto do curso) at tpicos intermedirios e mais avanados de macroeconomia que , ao que supomos, a matria em que o programa dever se assentar. Assim, por exemplo, alm daqueles tpicos introdutrios, estudaremos os conceitos bsicos da contabilidade nacional, o modelo terico clssico e o modelo keynesiano que, por sinal, sempre tem sido objeto de questes de provas o sistema financeiro nacional, o balano de pagamentos e o sistema cambial, o chamado sistema IS-LM e a atuao das polticas monetria e fiscal. Todos esses se constituem em tpicos indispensveis para a realizao de qualquer concurso que envolva a macroeconomia. Certamente o curso de ECONOMIA I nowww.pontodosconcursos.com.br

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cobrir todo o programa de Auditor da Receita, mas, qualquer que seja o contedo que venha a ser cobrado pela Esaf, os pontos estudados certamente estaro contemplados nesse programa. E, ademais, ainda que supostamente o edital no cubra todos os tpicos estudados, sero eles indispensveis para a compreenso dos tpicos mais avanados do edital. No se estuda o efeito combinado das polticas monetriafiscal-cambial sobre a economia de um pas um tpico dito mais avanado sem que se tenha, por exemplo, o conhecimento do que seja elasticidade conceito este que j objeto de nossa primeira aula, dita demonstrativa. Tambm no se pode entender tpicos como modelos de escolha intertemporal e restries oramentrias, sem ter conhecimento de contabilidade nacional e de modelos keynesianos de determinao da renda. O Curso de ECONOMIA II ser oferecido assim que tivermos conhecimento do programa do concurso ou assim que for publicado o edital da Esaf. O nosso Curso de Economia II, ento, ser um complemento de nosso curso de Economia I, cobrindo todos os pontos faltantes cobrados no edital de Auditor da Receita Federal. importante salientar que o curso de ECONOMIA I imprescindvel para qualquer concurso que cobre a disciplina Economia. J o curso de ECONOMIA II ser voltado especificamente para o concurso de Auditor da Receita Federal, onde, com dissemos, complementaremos os pontos faltantes do curso de ECONOMIA I. Sejam, ento, bem-vindos ao estudo da Economia! Procurarei tratar dos diferentes pontos da maneira mais didtica possvel, como eu sempre fiz em sala de aula, enriquecidos com exemplos do nosso dia-a-dia. Todo mundo vive a economia no seu cotidiano, seja na compra de um carro, na realizao de um investimento em moeda estrangeira, ou na compra do arroz-feijo-tomate para o almoo do dia. A sua empregada domstica pratica economia quando substitui a carne de vaca ou de porco pelo peixe, em virtude da alta

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abusiva do preo da carne. Ou o morango pelo caqui, no perodo da entressafra. isso que vamos estudar.Dito isso, passemos nossa primeira aula de Economia I. Neste nosso primeiro encontro vamos tratar de um dos temas mais importantes da teoria econmica e que se aplica a qualquer assunto econmico: a elasticidade. Embora seja um conceito comumente usado no estudo das variaes que ocorrem na demanda de um produto quando seu preo varia, ela aparece tambm no estudo os efeitos da taxa de cmbio sobre as exportaes e importaes de um pas, no efeito da taxa de juros sobre o nvel da poupana e do investimento, enfim em praticamente todos os temas econmicos. Mas, o que vem a ser elasticidade? Qual a sua aplicao e utilidade? 1. O conceito de elasticidade

Na teoria econmica, o termo elasticidade significa sensibilidade. Na realidade, a elasticidade mostra quo sensveis so os consumidores de um produto X (ou seus produtores), quando o seu preo sofre uma variao para mais ou para menos. Em outras palavras, a elasticidade serve para medir a reao grande ou pequena desses consumidores (ou de seus produtores) diante de uma variao do preo do produto X. Neste caso, teramos a chamada elasticidade-preo da demanda (ou, no caso dos produtores, a elasticidade-preo da oferta) por este produto. O mesmo raciocnio poderia ser aplicado em relao a uma variao na renda real dos consumidores. Neste caso, estaramos medindo o quanto a demanda pelo bem X sensvel a uma variao na renda dos consumidores e teramos, ento, a chamada elasticidade-renda. Mas, no vamos misturar as coisas: Vamos, primeiro, nos fixar no conceito de elasticidade-preo. Depois analisaremos a questo da elasticidaderenda. 2. A elasticidade-preo (Ep) da demanda

fcil constatar que as pessoas reagem com intensidade diferente diante de variaes dos preos dos diferentes produtos. Se o sal sobe de preo, as pessoas no vo deixar de compr-lo por causa disso e,

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provavelmente, nem vo reduzir a quantidade que costumam comprar desse produto j que o sal essencial para elas. Tambm e por razes diferentes, as pessoas no devem reagir muito a um aumento no preo de uma bala e, aqui, isso se explicaria pelo fato de que o preo da bala muito baixo e no afeta o bolso do consumidor. Sabe-se, tambm, que as pessoas no reagem muito a um aumento do preo da gasolina e, neste caso, isso se deve provavelmente ao fato de que a gasolina, sendo essencial para quem tem carro, no tem um substituto e o jeito arcar com este aumento. De outra parte, porm, se produtos como automveis, ou passagens areas e outros, subirem de preo, bastante provvel que sua demanda se reduza significativamente. Com esses exemplos, podemos ver que a reao das pessoas a uma variao do preo de um produto depende muito do tipo de produto. Em alguns casos, a reao pode ser muito grande, em outros pequena e em uns poucos casos nem reao h. E note-se que importante para os produtores/vendedores, principalmente saber se o consumidor do produto X reage muito ou pouco a um variao aumento ou reduo do seu preo, pois isso vai ajudar o produtor a estabelecer um preo timo para seu produto ou seja, um preo onde sua receita pode ser mxima. E para conhecer a elasticidade-preo da demanda pelo produto X preciso calcul-la. E o que vamos fazer a seguir. 3. Calculando a elasticidade-preo da demanda

Suponha-se o seguinte comportamento da demanda de dois bens X e Y: Demanda de X Px 1 instante 10 2 instante 12 Qdx 100 60 Demanda de Y Py 20 24 Qdy 80 76

Note-se que, entre o primeiro e o segundo instante, o preo de ambos os produtos subiu 20%. No entanto, fcil verificar que a reao do consumidor medida pelas quantidades adquiridas (Qd) - foi bastante diferente nos dois casos. Enquanto no caso do produto X, a demanda se reduziu 40% (caindo de 100 para 60), no caso do produto Y a quantidade demandada s se reduziu 5% (caindo apenas 4 unidades de um total de 80).

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Diante desse exemplo, pode-se concluir que a demanda do consumidor pelo produto X mais sensvel a uma variao do preo do que a do produto Y. Esta sensibilidade maior ou menor pode ser medida pelo chamado coeficiente de elasticidade-preo da demanda (Ep) - que mede a variao percentual na quantidade demandada de um produto em conseqncia de uma variao percentual em seu preo. Veja que se trata de variaes percentuais na quantidade e no preo e no variaes absolutas. Isso porque variaes absolutas no nos dizem nada. Um aumento de R$ 100,00 (isto , uma variao absoluta) no preo de um carro no significa quase nada, ao passo que uma variao de R$ 10,00 no preo do quilo de feijo poder at derrubar o Ministro da Agricultura. Matematicamente, a elasticidade-preo da demanda definida pela frmula: Ep = Variao percentual na quantidade demandada Variao percentual no preo O numerador desta frao ou seja, a variao percentual na quantidade demandada, dada por:

Q , ondeQ = Q2 Q1 Qe o denominador isto , a variao percentual no preo, dada por:

P , ondeP = P2 P 1 PAssim, temos:Q %Q Q = Ep = P % P P

No exemplo numrico acima, ns teramos no caso do bem X: Epx =

40% =2 20%

E, no caso do bem Y:www.pontodosconcursos.com.br

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Epy =

5% = 0,251 20%

Uma questo que se coloca a seguinte: para o clculo da elasticidade, deve-se tomar o preo (P) e a quantidade (Q) originais ou o novo preo e a nova quantidade? Tudo depende da conveno. Suponha um produto com uma curva de demanda como ilustrado na Figura 1. No ponto A, temos que, ao preo (P) de R$ 10,00 a unidade, a quantidade demandada (Q) de 100 unidades; no ponto B, ao preo de R$ 6,00, a Q de 180 unidades. Figura 1

Agora, suponha que o preo caia de R$ 10,00 (preo inicial) para R$ 6,00 (novo preo) e, em conseqncia, a Qd aumente de 100 unidades (inicial) para 180 (nova quantidade). Como calcular a elasticidade no arco AB? A soluo no caso tomarmos a quantidade mdia (ou, preo mdio (ou,10 + 6 ), e teramos: 2

100 + 180 ) e o 2

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Note-se que, na realidade, o valor encontrado seria um nmero negativo, j que as variaes da demanda (40% e 5%) so negativas. Mas, para efeito de interpretao da elasticidade-preo da demanda, o que importa o valor absoluto desta.

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Q 80 (2) Q( m d i o) 140 80 8 640 Ep = = = = = 114 , 4 P 140 4 560 8 P( m d i o )

Alternativamente, ao invs de tomarmos o P e o Q mdios, ns poderamos usar o P e Q originais (mas a estaramos medindo a elasticidade no ponto A), ou ento, poderamos usar o P e o Q novos (mas a estaramos medindo a elasticidade no ponto B). A elasticidade-preo da demanda no ponto A ser, ento:

Q 80 80 10 800 Q0 = 100 = = = 2,0 Ep = P 4 100 4 400 P0 10e a elasticidade-preo no ponto B ser:Q 80 Q1 180 80 6 480 Ep = = = x = = 0,67 4 180 4 720 P 6 P1

Por conveno, utiliza-se mais comumente a primeira frmula, isto , tomam-se a quantidade e o preo mdios, quando se tratar do clculo da elasticidade-preo no arco A-B (isto , no intervalo entre os pontos A e B). 4. Classificao da elasticidade e receita total Como dissemos no incio, o conceito de elasticidade tem muitas aplicaes teis. Conhecendo-se a elasticidade de um produto, podemos saber se a receita total (P x Q) ir ou no aumentar diante de uma queda ou de um aumento nos preos. Tudo vai depender da intensidade da reao dos consumidores diante de variaes nos preos. H trs situaes possveis: 1 - A variao percentual na quantidade maior que a variao percentual no preo, ou seja, na frmula da elasticidade, o numerador (1) Na realidade, normalmente, o valor da elasticidade-preo da demanda negativo porque um aumento do preo (efeito positivo) provoca uma queda na demanda (efeito negativo) e vice-versa. Mas ns esquecemos o sinal e consideramos o valor absoluto da elasticidade.

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em relao a seu preo.

maior que o denominador e, ento, em termos absolutos, isto , desprezando-se o sinal (que, no caso da demanda sempre negativo) a Ep > 1. Nesse caso, a demanda deste produto denomina-se elstica

apresenta elasticidade unitria em relao ao seu preo.

2 - A variao percentual na quantidade igual variao percentual no preo: ento, em termos absolutos, Ep = 1 e a demanda deste bem

3 - A variao percentual na quantidade menor que a variao percentual no preo: ento, Ep < 1 e a demanda denomina-se inelstica a preo.

Adicionalmente, h ainda dois casos, um tanto raros, verdade, a considerar: a) quando a curva de demanda inteiramente horizontal ao nvel de um determinado preo e, nesta hiptese, temos uma demanda infinitamente elstica a preo; b) quando a curva de demanda inteiramente vertical o que demonstra que a quantidade demandada insensvel a variaes no preo do produto e, nesta hiptese, temos uma demanda totalmente inelstica a preo. Elasticidade-preo X receita dos produtores E agora vem a pergunta: qual a importncia ou utilidade de se saber se a demanda de um produto elstica ou inelstica? A resposta simples: a magnitude da elasticidade-preo que vai orientar o produtor/vendedor se ele deve aumentar ou reduzir seu preo para aumentar sua receita. Se o valor numrico da elasticidade-preo alto isto , maior que 1, em valor absoluto, e, portanto, a demanda elstica -, significa que os consumidores reagem muito a variaes de preos do produto ou, em outras palavras, se o preo aumentar um pouco, os consumidores reduziro muito sua demanda daquele produto. O inverso tambm verdadeiro: se ele reduzir um pouco seu preo, suas vendas devero aumentar muito. O mesmo raciocnio vale para o caso em que o valor numrico da elasticidade-preo seja pequeno - isto , menor que 1 em valor absoluto, sendo, portanto, a demanda inelstica. Assim entendido, podemos tirar as seguintes concluses relativamente aos efeitos de variaes de preos sobre a receita total do vendedor:

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i) - Se o produto tem uma demanda elstica, um aumento de P provocar uma queda na receita total porque a reduo percentual da quantidade demandada ser maior que o aumento percentual de preos. Nesse caso, o produtor deve baixar o preo para aumentar a receita. Isso ocorre porque a quantidade demandada aumentar percentualmente mais que a perda percentual de preos. ii) - Se a elasticidade-preo da demanda unitria, a receita total no se alterar com aumentos ou redues de preos. Isso porque, se o produtor aumentar o preo em 10%, a quantidade demandada cair 10%; se ele reduzir o preo em 10%, a quantidade aumentar 10%, e assim por diante. iii) - Se o produto for inelstico, uma queda de preos provocar uma queda de receita total porque a reduo percentual de P no ser compensada pelo aumento percentual da quantidade demandada. Nesse caso, o produtor deve aumentar o preo para aumentar sua receita total, j que a quantidade demandada cair percentualmente menos que o aumento percentual nos preos. 6. Fatores que influenciam a magnitude da elasticidade-preo Mas, afinal de contas, o que leva um produto a ter uma demanda elstica ou inelstica? Ou como identificar, sem necessidade de fazer clculos, um produto de demanda elstica ou inelstica? Embora rigorosamente s se possa afirmar que a demanda do produto X elstica ou no em relao a variaes em seu preo a partir de uma pesquisa especfica, os produtos possuem certas caractersticas que nos permitem concluir a priori se eles so mais ou menos elsticos a variaes em seu preo3, a saber: i) Essencialidade do produto parece claro que quanto maior o grau de utilidade ou de essencialidade do produto para o consumidor, menos elstica (ou seja, mais inelstica) tende a ser sua demanda. De fato, se o produto essencial para o consumidor, aumentos em seu preo reduziro pouco ou quase nada suas compras. Da mesma forma, redues de preo desses produtos no devero provocar aumentos em sua compras, pois o consumidor tende a comprar um certa quantidade digamos, fixa dos mesmos. o que ocorre, geralmente, com os bens de primeira necessidade, como alimentos, servios de sade ou de educao que sabidamente tm demanda inelstica a preo. De outra

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Essas caractersticas foram apontadas pioneiramente pelo famoso economista ingls Alfred Marshall (18421924) em seus Principles of Economics.

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parte, produtos suprfluos, para o consumidor, como jias e perfumes, tendem a ter demanda elstica a preo. ii) Quantidade de substitutos tambm parece inquestionvel a afirmao de que, se o produto tiver muitos substitutos prximos, um aumento de seu preo deve estimular o consumidor a mudar de produto, reduzindo, portanto, a demanda daquele cujo preo se elevou (se o preo do Palio se elevar, o consumidor tender a substitui-lo por Gol 1000, ou por Fiesta, etc). Ou seja, quanto mais substitutos houver para um produto X, mais elstica a preo ser sua demanda. Obviamente, o contrrio ocorre na hiptese de o produto no ter substitutos prximos (como o caso do sal). Nesta hiptese, mesmo ocorrendo um aumento do preo do produto, o consumidor tender a continuar adquirindo a mesma quantidade de antes, por simples falta de opo o que torna sua demanda inelstica a preo. iii) Peso no oramento do consumidor quanto menor for o preo do produto, menos ele pesar no bolso do consumidor, como o caso da caixa de fsforos. Assim, aumentos no preo de um produto barato, tendem a no alterar a demanda daquele produto, como seria o caso se o preo da caixa de fsforos passasse de 20 centavos para 30 centavos (um aumento de 50%!). Nesta hiptese, a demanda desses produtos ditos baratos tende a ser inelstica a preo, ocorrendo o contrrio no caso dos produtos mais caros, como carros, passagens areas, etc.

iv) Nvel de preo este um aspecto pouco abordado pelos livrostextos de Economia, mas a verdade facilmente comprovvel que se o preo do produto estiver na parte superior da curva de demanda, mais elstica tende a ser sua demanda, ocorrendo o contrrio se o preo estiver na parte inferior da curva4. 7. Elasticidade da oferta O conceito da elasticidade tambm se aplica no caso da oferta, para medirmos a reao dos produtores s variaes de preo. Em sntese, podemos assim definir a elasticidade-preo da oferta:4

Isso certamente verdade no caso de uma curva de demanda retilnea, negativamente inclinada, e geralmente vlido para a demanda expressa por uma curva propriamente dita.

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A elasticidade-preo da oferta mede a variao percentual na quantidade ofertada de uma mercadoria em conseqncia de uma dada variao percentual em seu preo. A exemplo da elasticidade da demanda, podemos obter diferentes valores para a elasticidade da oferta conforme utilizemos o preo e a quantidade originais ou novos. Tambm aqui, por conveno, prefervel utilizarmos P e Q mdios, sendo a frmula de clculo dada por: Ep = Variao percentual na quantidade ofertada Variao percentual no preo ou,Q % Q Q( m d i o) Ep = = P % P P( m d i o)

Tomando por exemplo a curva de oferta da Figura 2, suponha que, ao preo inicial de R$ 10,00 por quilo, os produtores estaro dispostos a vender 200kg de arroz; se o preo se elevar para R$ 15,00, a oferta crescer para 280kg. Vamos calcular a elasticidade desta curva de oferta no arco AB.

Figura 2

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CURSOS ON-LINE ECONOMIA I PROFESSOR MOZART FOSCHETE% Q 80 Q( m d i o) 240 = 80 12,5 = 1000 = 0,83 Ep = = % P 5 240 5 1200 P( m d i o) 12,5

Dependendo do nmero que se obtm, aps este clculo, a elasticidadepreo da oferta tambm ser classificada como: i) ii) iii) elstica , se o coeficiente encontrado for maior que 1,0; unitria, se o coeficiente encontrado for igual a 1,0; inelstica, se o coeficiente encontrado for menor que 1,0,

valendo lembrar que, como os preos e quantidades ofertadas variam na mesma direo, o coeficiente da elasticidade-preo da oferta ter sempre um sinal positivo. 8. Elasticidade-preo-cruzada Diferentemente da elasticidade-preo anterior, esta elasticidade-preocruzada mede a sensibilidade da demanda do bem X a variaes nos preos do bem Y. Matematicamente, medida pela razo entre as variaes percentuais da quantidade demandada de um bem X e as variaes percentuais de preo do bem Y. Ou:E xy = %Q x % Py

Esta razo pode assumir valores negativos e positivos ou, ainda, ser igual a zero. Se o resultado for < 0, isto , negativo, os dois bens so complementares. Se o resultado for > 0, isto , positivo, os dois bens so substitutos ou sucedneos. Se o resultado for = 0, os dois bens no guardam qualquer relao de consumo entre si. Exemplo: Suponha que X seja manteiga e Y seja margarina (dois produtos tipicamente substitutos). Se o preo de Y subir (+), a quantidade demandada de manteiga deve aumentar ( + ). Logo, dividindo-se um valor positivo por outro positivo, o resultado ser um valor positivo e, portanto os bens so substitutos.

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Analise a hiptese de X = pneu e Y = carro. O que deve ocorrer, caso o preo do carro aumente (ceteris paribrus)? 9. Elasticidade-renda A elasticidade-renda (Er) mede a razo entre a variao percentual da quantidade demandada de um bem X e a variao percentual da renda real do consumidor. Ou:Er = %Qx %R

Dependendo do valor do coeficiente da elasticidade-renda obtido, o bem ser classificado em bem inferior, ou bem normal ou bem superior. Assim, por exemplo, suponha que a renda dos consumidores tenha se elevado, num certo perodo de R$ 1.000,00 para R$ 1.300,00, em conseqncia, a quantidade demandada dos bens A, B, C e D, se alteraram de Qd0 para Qd1, conforme a tabela a seguir:

Bens A B C D E 20 25 30 10 40

Qd0 18 30 78 15 40

Qd1

Utilizando a frmula acima, podemos calcular a elasticidade-renda para os cinco bens acima, assim: i) ii) iii) iv) Er (bem A) = Er (bem B) = Er (bem C) = Er (bem D) =

10% = - 0,33 30% 20% = 0,66 30% 30% = 1,0 30% 50% = 1,67 30%

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v)

Er (bem E) =

0% =0 30%

Observe-se que a quantidade demandada do bem A diminuiu quando a renda aumentou. Quando se verifica esta relao inversa entre variao na renda do consumidor e a conseqente variao no consumo de um bem, este bem denominado de bem inferior como o caso do bem A. Em conseqncia, o coeficiente da elasticidade-renda dos bens inferiores negativo, refletindo o fato de que, no caso desses bens, o seu consumo cai quando a renda cresce. No caso do bem B, verificamos que o seu consumo cresceu quando a renda cresceu, embora tenha crescido proporcionalmente menos que o crescimento da renda o que forneceu um coeficiente da elasticidaderenda positivo, porm menor que 1, ou seja, a demanda desse bem inelstica a renda. Estes bens so denominados bens normais que so aqueles cuja demanda tende a acompanhar a direo da variao renda. Se a renda cai, o seu consumo tambm cai; se a renda cresce, o seu consumo tambm cresce, ainda que no na mesma intensidade. No caso do bem C, o aumento do consumo se deu na mesma intensidade do aumento na renda (ambos cresceram 30%), e por isso, o coeficiente da elasticidade-renda foi positivo, igual a 1, ou seja, a elasticidade-renda unitria. Estes bens tambm so classificados como bens normais. No caso do bem D, o consumo cresceu proporcionalmente mais que o crescimento na renda, dando um coeficiente de elasticidade-renda positivo maior que 1 ou seja, a elasticidade-renda neste caso elstica. Estes bens so denominados bens superiores. Por fim, temos o caso do bem E, cujo consumo no se alterou em decorrncia do aumento da renda, fornecendo um coeficiente de elasticidade-renda igual a 0. Esses bens anelsticos a renda so tambm considerados bens normais, geralmente se aplicando ao caso dos bens de consumo saciado (alimentos bsicos, por exemplo). Em sntese, em relao elasticidade-renda, temos as seguintes concluses: Se o resultado desta razo for positivo maior que 1,0, o produto dito bem superior. Se o resultado situar-se entre 0 e 1,0 o bem normal. Se o resultado for menor que 0, isto , negativo, o produto chamado de bem inferior.

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10. Escassez, Tabelamento e Incidncia Tributria 10.1 Escassez e excedente tabelamento Muitas vezes, o governo se v obrigado a intervir no mercado atravs do controle de preos ou tabelamento, com o objetivo de proteger os consumidores. Isso ocorre sempre que um pas atravessa um perodo de acelerao inflacionria, ou quando o governo percebe a ao ou comportamento de grupos de empresas os oligoplios que tentam tirar proveito de seu poder de mercado reajustando abusivamente seus preos. Ao perceber que os preos que vigoraro no mercado sero muito elevados, o governo resolve intervir, fixando um preo mximo para a venda do produto e que ser, necessariamente, menor do que o preo que vigoraria no mercado. No Brasil, essa prtica foi muito comum nos anos 80 e 90 do sculo passado, como mostraram as experincias do Plano Cruzado, em 1986; do Plano Bresser, em 1987; do Plano Vero (Mailson), em 1989 e do Plano Collor II (ou Zlia), em 1991. Esses foram momentos bem marcantes de congelamentos de preos que, no fundo, se traduzem em verdadeiros tabelamentos. Afora esses momentos, existiam, ainda, os controles permanentes de preos pela SUNAB, CIP, Cmaras Setoriais, etc. No importa a forma, nem o rgo, nem o porqu do controle ou do tabelamento de preos. O que importa, do ponto de vista da anlise econmica, conhecer as conseqncias desse tabelamento. Para tanto, vamos partir da Figura 3: Figura 3

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O governo resolve tabelar o preo de x ao nvel de P1. Pelo mercado, o preo de equilbrio seria Pe. Ao nvel de P1 a QD maior que Qs surgindo um excedente da demanda sobre a oferta igual a QD - QS. Esse excedente foraria o preo a subir at Pe o que impedido pelo

congelamento. Com isso, surge uma demanda insatisfeita (igual a QD Qs), existindo diversas solues para o problema, a saber: (i) Aparecem as filas: Toda vez que, num mercado, houver excesso de demanda, surgiro filas, seja nas bilheterias dos teatros, seja porta dos aougues, seja nos balces das lojas, sendo que somente os que chegarem primeiro sero atendidos. (ii) Surgem as vendas preferenciais: Quando a demanda para um concerto musical maior que o nmero de bilhetes, muitas vendas so feitas por debaixo do pano. Os promotores do espetculo reservam uma parte dos ingressos para convidados ilustres, para polticos ou para fregueses mais regulares. (iii) Surge o mercado negro: Sabendo que vai faltar ingresso, para burlar o tabelamento, reduzem a quantidade contida no prprio produto, vendendo-o, porm, ao preo tabelado. Assim, por exemplo, o rolo de papel higinico, antes com 45 metros, passa a 40 metros, o quilo de carne passa a ter 900 gramas, o sabonete j no faz tanta espuma como anteriormente, etc. Como se v, o controle ou congelamento de preos, ainda que seja um instrumento til para estancar temporariamente um processo inflacionrio, provoca sempre outras distores no mercado. 10.2 Incidncia tributria Qual ser o efeito da imposio, pelo governo, de um imposto sobre a venda de uma mercadoria? Quem pagar este imposto? O leitor menos atento responder que o imposto ser pago pelo consumidor. No entanto, isso pode ou no ser verdade. Tudo depender das elasticidades da demanda e da oferta. Mas, antes de mais nada, preciso distinguir dois tipos de impostos: (i) o imposto especfico que um valor fixo que incide sobre o preo de venda, digamos, R$ 10,00; e (ii) o imposto ad valorem que um percentual que recai sobre o valor da venda, digamos, 15%.. Analisemos os dois casos: a) Imposto especficowww.pontodosconcursos.com.br

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O primeiro efeito do lanamento de um imposto especfico o deslocamento da curva da oferta, igual, verticalmente, ao montante do imposto. Isso se explica pelo fato de que a curva de oferta representa as quantidades que sero oferecidas pelo produtor em relao aos preos praticados no mercado. Para qualquer preo P de mercado, o produtor subtrai o imposto T, ficando com a diferena. Ou seja, o produtor receber o valor P2 que ser dado por: P2 = P1 - T O que ocorrer com o preo e a quantidade de equilbrio? A resposta est ilustrada na Figura 4. A decretao de um imposto especfico desloca, como j foi dito, a curva de oferta para a esquerda. O novo ponto de equilbrio se d onde a nova curva de oferta (S1) corta a curva quantidade de equilbrio. Agora, o equilbrio se d em P1 e Q1. Do preo de demanda. Antes, P0 e Q0 eram, respectivamente, o preo e a

P1 o vendedor receber apenas P2 (= P1 - T). Como P2 menor que P0, a oferta do produtor cai para Q1. Figura 4

Neste exemplo, sobre quem recai efetivamente o imposto? saber: (i) Pode-se dividir o montante do imposto (= P1 - P2) em duas parcelas, a P1 = P1 P0 que corresponde ao aumento do preo de equilbrio

e, por conseqncia, representa a parcela do imposto a ser paga pelo consumidor. (ii) P2 = P0 P2 que corresponde reduo no preo recebido pelo

produtor e que, por conseqncia, representa a parcela a ser paga pelo produtor.

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Qual das duas parcelas a maior? Isto ir depender da elasticidade da demanda e da oferta. Observemos a Figura 5, onde so apresentadas duas curvas de demanda. Dx e Dy, sendo Dx mais elstica (mais deitada) que Dy. Ambas as curvas cruzam, inicialmente, a curva de oferta S0 no mesmo Com a decretao de um imposto especfico, T, a curva de oferta se desloca para S1. O novo preo de equilbrio se dar no ponto onde as duas curvas de demanda cruzam com nova curva de oferta (S1). No

ponto, definindo o preo e quantidade de equilbrio inicial em P0 e Q0.

ser Q1.

caso do produto de demanda Dy, o novo preo ser P2 e a quantidade transacionada ser Q2. J para o produto de demanda Dx (mais elstica), o preo ser P1 (menor que P2) e a quantidade transacional

Figura 5

Lembre-se que o aumento do preo ps-imposto representa a parcela do imposto repassada ao consumidor. No caso presente, o repasse maior ocorreu no produto Dy (menos elstico). Isto se explica pelo fato de que um produto de demanda inelstica implica que os consumidores no reagem muito s variaes de preos. Se isto fato, o produtor repassar o mximo do imposto ao preo, sabendo que os consumidores no reduziro muito suas compras do produto. b) Imposto ad valorem

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Trata-se de um imposto que incide sobre o valor da venda, representando, no caso, um percentual da receita do vendedor (ou produtor). Assim, por exemplo, se o imposto (t%) for 20%, o produtor receber efetivamente apenas 80% do preo de mercado, isto , receber P*, que ser dado por: P* = (1 t%)P Qual ser o efeito da decretao de um imposto ad valorem? Graficamente, a curva de oferta se tornar mais vertical, sendo o coeficiente angular da nova curva de oferta (S1) dado pela taxa do imposto, como mostra a Figura 6. Figura 6

Figura 7

Pela Figura 7, com o deslocamento da curva de oferta, tanto o preo como a quantidade de equilbrio se alteram de P0 e Q0 para P1 e Q1, respectivamente. Tal como no caso do imposto especfico, aqui, tambm, o montante do imposto ser dividido em duas parcelas:P1 = P1 P0 , que ser paga pelo consumidor e P2 = P0 P2 , que ser paga pelo produtor.

10.3 Poltica de preos mnimos Com o objetivo de proteger os agricultores das flutuaes climticas que, necessariamente, afetam sua colheita e, da, alteram os preos de mercado, o governo adota a chamada poltica de preos mnimos ou garantia de preos mnimos.

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Tal poltica se justifica pelo fato de que se houver uma boa safra, digamos, de milho, sua oferta ser grande e, em conseqncia, seus preos sero baixos, podendo, inclusive, ficar abaixo dos custos de produo. Sendo a demanda por produtos agrcolas geralmente inelstica, com uma baixa de preos, a receita dos produtores se reduzir. Com isso, os produtores no tero qualquer estmulo para plantar milho no prximo ano, quando, ento, haver escassez do produto e conseqente aumento de preos. Para evitar essas flutuaes e os prejuzos para os produtores e para os consumidores, o governo interfere no mercado fixando preos mnimos que garantam uma remunerao compensatria aos produtores. Este preo mnimo de garantia s ser usado pelo produtor se, por excesso de oferta, o preo de mercado se situar abaixo do preo de garantia. Para entender as conseqncias da adoo de uma poltica de preos de garantia, consideremos a Figura 8 que, hipoteticamente, reflete o mercado de milho, onde S a oferta, D a curva de demanda, Pe o

preo de equilbrio determinado pelas foras de mercado (oferta e demanda) e Pm o preo mnimo fixado pelo governo. Figura 8

Como o Pm maior que o preo de mercado (Pe), a receita garantida aos produtores ser OPm x OQs (ou igual rea OPmCQsO). Se no houvesse o preo de garantia, a receita dos produtores seria dada pelo preo de mercado multiplicado pela quantidade vendida, ou, OPe x OQs, que, obviamente, seria menor que a anterior, j que Pe < Pm. Para garantir aos produtores a receita definida pelo preo mnimo, o governo dispe de duas alternativas:www.pontodosconcursos.com.br

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i) fixa o preo em Pm e compra o excedente de milho, ou seja, BQs ao preo de Pm ; ou ii) deixa que o milho seja vendido ao preo de mercado, Pe, e concede a cada agricultor um subsdio, em dinheiro, igual a Pm - Pe para cada saca vendida. A questo, ento, : qual dos dois programas mais caro para o governo? Antes de responder, vale lembrar que, em qualquer alternativa, a receita dos produtores ser dada pelo retngulo OPmACO. Se o governo optar pelo primeiro programa, isto , comprar o excedente, a despesa dos consumidores (DC) ser dada por OPm x OB (= OPmABO) e, conseqentemente, a despesa do governo (DG) ser OPm x BQs (= BACQsB). Observando que quanto maior a parcela paga pelos consumidores, menor ser a despesa do governo, e considerando que a demanda por milho tem alta probabilidade de ser inelstica, a despesa dos consumidores ser maior no primeiro programa, compra do excedente pelo governo. Isto porque, quando a demanda inelstica, um aumento do preo do produto de Pe para Pm eleva a receita do vendedor (isto , aumenta a despesa dos consumidores). Se esta aumentada, significa que a do governo diminui. (Observe-se que no se consideram, aqui, os custos de armazenamento, nem as eventuais receitas que o governo ter, mais tarde, com a venda de seu estoque). 11. Algumas concluses-resumo desta nossa primeira aula Aprendemos, hoje, ento, o que a elasticidade nos seus diversos conceitos elasticidade-preo da demanda e da oferta, a elasticidaderenda e a elasticidade-preo-cruzada. Aprendemos, tambm, como calcul-la e como interpretar os resultados encontrados. Fomos mais alm, analisando casos especficos de sua aplicao, como no caso de polticas governamentais de tabelamento de preos, no caso da incidncia e do nus do imposto sobre os consumidores (e, eventualmente, sobre os produtores) e no caso das polticas de garantidas de abastecimento postas em prtica pelo Governo. Nas nossas prximas aulas, veremos outras aplicaes deste importante conceito econmico, principalmente quando abordarmos a questo dos

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investimentos, da poupana, do mercado monetrio e do comrcio exterior e do balano de pagamentos. Uma boa sorte para voc, um abrao e at nosso prximo encontro! ______________

Exerccios de fixao:I) Exerccios resolvidos:

1. A elasticidade-preo da demanda do produto A 0,1. Se o preo desse produto aumentar em 2%, quanto dever diminuir a quantidade demandada?Soluo: Utilizando a frmula de clculo da elasticidade-preo e fazendo as devidas substituies pelos nmeros dados pelo problema, tem-se:

Ep =

%Qd %Qd = = 0,1 % P 2%

Efetuando a conta acima, tem-se que a variao percentual da quantidade demandada (%Qd) igual a 2%. Ou seja, a quantidade demandada dever cair 2%. 2. A elasticidade-preo da demanda de um bem 1,8 e a quantidade demandada ao preo de mercado de 5.000 unidades. Caso o preo do bem sofra uma reduo de 5%, qual dever ser a nova quantidade demandada? Soluo: Novamente, vamos utilizar a frmula da elasticidade-preo, com as devidas substituies: Ep = %Qd %Qd = = 1,8 % P 5%

Ou seja, %Qd = -5% x -1,8 = 9%; assim, a quantidade demandada teria aumentado em 9%, ou em 450 unidades (9% de 5.000 unidades). Deste modo, a nova quantidade passar a ser: 5.450. 3. Sabe-se que a demanda de um bem X qualquer elstica a preo. Assim, se o preo desse bem aumentar, tudo o mais permanecendo constante, o gasto total do consumidor deste bem deve aumentar, cair ou permanecer constante? Soluo: Para que a demanda de um bem seja elstica a preo, necessrio que a %Qd > %P. Esta a condio para que o resultado seja maior que 1 (em valor absoluto). Ora, se um aumento, digamos, de 10% no preo do produto provocar, digamos, uma queda na quantidade demandada de 20% (logo %Qd > %P), a despesa ou gasto total do consumidor deve cair.

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4. Suponha-se a seguinte funo demanda linear: Qdx = 600 5Px Esta equao fornece uma curva de demanda representada por um linha reta tal como representado no seguinte grfico abaixo. Pede-se: calcule a elasticidade-preo nas seguintes hipteses: i) P = 90; ii) P = 60; 120 90 60 30 0 150 300 450 600 Soluo: O ponto mdio corresponde ao preo de 60 (igual mdia entre zero e 120) e quantidade de 300 (mdia entre zero e 600). i) Vamos calcular a Ep correspondente ao preo de 60, utilizando como referncia para o clculo o preo de 120 (que reduz a quantidade demandada para zero). Temos: Px 60 120 Qd 300 0 Ep = %Qd 100% = =1 % P 100% e, P = 30.

ii) Agora, vamos calcular a Ep para o preo de 30. A este preo, a quantidade demandada 450 (Qd= 600 - 5 . 30 = 450). Assim, vamos calcular a Ep caso o preo suba de 30 para 60: Px 30 60 Ep= 450 300 Qd

P Q 30 150 4500 . = . = = 0,33 Q P 450 30 13500

iii) Considerando, agora, uma queda do preo de 90 (onde a quantidade demandada 150) para 60, temos:

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Px 90 60

Qd 150 300 Ep = 90 150 . =3 150 30

Dos clculos acima, pode-se concluir que uma curva de demanda representada por uma linha reta tem elasticidade unitria no seu ponto mdio, sendo elstica aos preos acima do ponto mdio e inelstica aos preos abaixo do ponto mdio. 5. Numa indstria em concorrncia perfeita, a curva de oferta de um produto qualquer definida por Qs = 600P 1000, na ausncia de impostos, enquanto a curva de demanda definida por Qd = 4500 400P. Suponha, ento, que o Governo lance um imposto especfico T = 1,00 sobre este produto. Calcule a quantidade transacionada de equilbrio (Qe) e o preo de equilbrio (Pe) antes e depois do imposto. Soluo: Em equilbrio, a quantidade ofertada (Qs) igual quantidade demandada (Qd), ou Qs = Qd Substituindo nesta igualdade, os valores de Qs e de Qd, temos: 600P 1000 = 4500 400P 1000P = 5500 ou, e, P = 5,50 Para acharmos a quantidade transacionada de equilbrio, substitumos o valor encontrado para P nas duas equaes dadas pelo problema, assim: Qs = 600 x 5,50 1000 = 2.300 Qd = 4500 400 x 5,50 = 2.300 Logo, antes do imposto a quantidade transacionada de equilbrio 2.300 e o preo de equilbrio 5,50. Vamos agora calcular a quantidade e o preo de equilbrio depois do imposto (T = 1): Antes de fazermos as devidas substituies, bom lembrar que, agora, qualquer que seja o preo de venda do produto, para o produtor o preo ser um real a menos, j que ele tem de recolher para o governo este imposto. Assim, se ele vender o produto por 5,00, para ele 4,00; se ele vender por 7,00, para ele 6,00. Quanto ao consumidor, o preo que ele paga sempre o preo que estiver no mercado. Se o preo for 5,00, para ele mesmo 5,00; se o preo for 7,00, ele pagar este preo, independentemente de ter ou no um imposto embutido no preo. Assim, o imposto s vai afetar a equao da oferta. Para sabermos qual a quantidade ofertada, aps o imposto, temos de retirar do preo (P) o imposto, ficando assim a equao da oferta: Qs = 600(P-1) 1000www.pontodosconcursos.com.br

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A equao da demanda, como foi dito, no afetada, j que, para o consumidor, o preo P de fato o preo que ele paga. Assim, igualando as duas equaes, teremos: 600(P-1) 1000 = 4500 400P 600P 600 - 1000 = 4500 400P ou, 1000P = 6100 e, P = 6,10 Ou seja, o imposto de 1,00 elevou o preo de 5,50 para 6,10. A este novo preo a quantidade ofertada ser: Qs = 600 x (6,10 1) 1000 = 2.060 e a quantidade demandada ser: Qd = 4500 400 x 6,10 = 2.060. Assim, o efeito do imposto foi elevar o preo para o consumidor (de 5,50 para 6,10) o que fez a quantidade demandada cair e reduzir o preo recebido pelo produtor (6,10 1,00 = 5,10) o que fez, tambm, a quantidade ofertada cair.

II Exerccios propostos (veja gabarito ao final)

Mltpla escolha: Assinale a alternativa que responde a proposio: 1. Se a receita total se eleva quando o preo se reduz, pode-se dizer, ento, que a demanda : a) inelstica; b) tem elasticidade unitria; c) vertical; d) elstica; e) horizontal. 2. A demanda por um produto mais elstica: a) quanto maior for o n de bens substitutos disponveis; b) quanto menor for a proporo da renda do consumidor despendida no produto; c) quanto menor for o perodo de tempo considerado; d) quanto mais essencial for o produto; e) depende de preferncia do mercado. 3. A elasticidade-cruzada da procura de um bem X em relao ao preo do bem Y 1,5. A partir desta informao pode-se concluir que o bem X : a) substituto do bem Y, com demanda elstica em relao ao preo de Y; b) complementar ao bem Y, com demanda elstica em relao ao preo de Y; c) substituto do bem Y, com demanda inelstica em relao ao preo de Y; d) complementar do Y, com demanda inelstica em relao ao preo de Y; e) os dois bens no esto relacionados no consumo.

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4. A proporo da renda gasta na aquisio de carne cresce medida que aumenta a renda do indivduo (mantidos constantes os preos). Logo, a elasticidade-renda da procura da carne , para ele: a) zero; b) negativa; c) menor que 1; d) maior que 1. 5. A elasticidade-preo da demanda do bem X 0,5. Da, pode-se concluir que: a) um aumento no preo de X deve provocar um aumento na sua demanda em proporo maior que a reduo do preo; b) uma reduo do preo de X deve aumentar a demanda em proporo maior que a reduo do preo; c) uma reduo do preo de X provoca um aumento da demanda em proporo menor que a reduo no preo; d) impossvel afirmar qualquer coisa sem conhecer o mercado do bem. 6. Num mercado em concorrncia perfeita, na ausncia de imposto, a curva de oferta de um determinado produto dada por Qs = 600P 900 e a curva de demanda dada por Qd = 3500 - 200P. O governo, ento, decide decretar um imposto especfico T = 2. Neste caso, os preos de equilbrio, antes e aps o imposto, so, respectivamente: a) 5,50 e 6,20; b) 6,75 e 5,50; c) 5,50 e 7,00; d) 5,50 e 6,75; e) 7,00 e 5,50. 7. O governo lana um imposto especfico (T) sobre determinado produto fabricado em regime de concorrncia perfeita. Pode-se garantir que, a curto prazo, o nus do imposto: a) incidir totalmente sobre o consumidor; b) recair inteiramente sobre o produtor; c) ser dividido entre produtores e consumidores, conforme o poder poltico de cada grupo; d) ser dividido entre dois grupos (produtores e consumidores), de acordo com as elasticidades-preo da oferta e da demanda; e) nada pode ser afirmado a priori, sem se conhecer o produto. 8. A carga paga pelos consumidores, por um imposto unitrio, arrecadado dos produtores ser: a) maior quanto mais elstica for a curva de demanda; b) maior quanto mais inelstica for a curva de demanda; c) maior quanto mais inelstica for a curva de oferta; d) maior quanto menor o controle do Governo sobre o mercado; e) sempre maior que a carga paga pelos produtores.

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9. A proporo da renda gasta na aquisio do bem X cresce medida que aumenta a renda real dos indivduos. A partir desta afirmativa, pode-se concluir que: a) a elasticidade-renda da procura deste bem menor que 1 e X um bem inferior; b) a elasticidade-renda da procura igual a 1 e o bem normal; c) a elasticidade-renda da procura maior que 1 e o bem normal; d) a elasticidade-renda da procura negativa e o bem inferior; e) a elasticidade-renda da procura maior que 1 e X um bem superior. 10. A elasticidade cruzada da demanda do bem X em relao ao preo do bem Y 0,5. A partir desta informao, pode-se concluir que o bem X : a) substituto bruto do item Y, com demanda elstica em relao ao preo de Y; b) complementar do bem Y, com demanda inelstica em relao ao preo de Y; c) substituto bruto do bem Y, com demanda inelstica em relao ao preo de Y; d) complementar bruto do bem Y, com demanda elstica em relao ao preo de Y; e) complementar do bem Y, com elasticidade unitria em relao ao preo de Y. 11. Se a elasticidade-arco da procura por carne for igual a 2 e se o preo do quilo passar de R$ 9,00 para R$ 11,00, a queda percentual na quantidade procurada ser de: a) 20%; b) 50%; c) 30%; d) 25%; e) 40%. 12. (Questo da prova do concurso para Auditor do Tesouro Municipal Recife-2003) Considerando uma curva de demanda representada por uma linha reta, correto afirmar: a) no ponto mdio da curva de demanda, a elasticidade-preo da demanda zero; b) o valor absoluto da elasticidade-preo da demanda igual a 1 e constante em todos os pontos da curva de demanda; c) o valor absoluto da elasticidade-preo da demanda maior que 1 para todos os pontos da curva de demanda; d) a elasticidade-preo da demanda varia ao longo da curva de demanda; e) quando P = 0, a elasticidade-preo da demanda igual a 1. 13. (Questo da prova de Analista de Planejamento e Oramento MPOG 2003) Considerando uma curva de demanda por um determinado bem, pode-se afirmar que: a) independente do formato da curva de demanda, a elasticidade-preo da demanda constante ao longo da curva de demanda, qualquer que sejam os preos e quantidades; b) na verso linear da curva de demanda, a elasticidade-preo da demanda 1 quando Q = zero; c) na verso linear da curva de demanda, a elasticidade-preo da demanda zero quando p = zero; d) independente do formato da curva de demanda, a elasticidade nunca pode ter o seu valor absoluto inferior unidade;www.pontodosconcursos.com.br

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e) no possvel calcular o valor da elasticidade-preo da demanda ao longo de uma curva de demanda linear. 14. (Questo da prova TCU Analista de Finanas e Controle Externo 2000) Sobre a incidncia de um imposto sobre a venda de uma mercadoria especfica correto afirmar que: a) em um mercado concorrencial aumentar os preos se a demanda for inelstica e a oferta elstica; b) haver aumento de preo de preo se a curva de demanda for totalmente elstica e o mercado for concorrencial; c) implicar um aumento de preos apenas em mercados oligopolizados; d) no provocar aumento nos preos em mercados concorrenciais, podendo provocalo em mercados oligopolizados, dependendo das elasticidades da oferta e da demanda; e) no provocar aumento de preos se a demanda for inelstica e o mercado concorrencial. ____________________ Gabarito dos exerccios propostos: 2. a 3. b 1. d 6. c 7. d 8. b 11. e 12. d 13. c _____________________ 4. d 9. e 14. d 5. c 10. b

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AULA 1: INTRODUZINDO A ECONOMIA

Nessa nossa primeira aula, ns vamos apresentar alguns conceitos bsicos e especficos da Economia, que sero muito importantes para o nosso aprendizado dos tpicos que veremos mais adiante, de nvel intermedirio e at mais avanados da teoria econmica. Para aqueles que j estudaram Economia ou que j so iniciados nesta disciplina, este tpico ser til como reviso daqueles conceitos.1

1.1. Mas, afinal, de que trata a Economia?Durante toda a nossa vida somos afetados pelas condies econmicas da comunidade em que vivemos. As roupas que vestimos, os alimentos que comemos, a escola que freqentamos, o salrio que recebemos, os problemas do desemprego e da inflao, so todos fatores ligados diretamente s condies econmicas. Voc certamente j se fez uma srie de perguntas relacionas condio econmica dos pases e das pessoas e para as quais nunca encontrou respostas satisfatrias. So perguntas do tipo: -Por que existem umas poucas economias ditas desenvolvidas enquanto em um elevado nmero de pases as condies de vida ainda so bastante precrias? Por que algumas pessoas so ricas, enquanto muitas ainda enfrentam o problema de no ter moradia nem alimentao adequada? Por que algumas pessoas recebem altos salrios, enquanto outras ganham apenas o suficiente para a sua sobrevivncia? Por que existe tanto desemprego? Por que h perodos em que os preos sobem persistentemente, enquanto, em outros, os1

As eventuais notas explicativas que apareceriam em notas de rodap foram jogadas para o final do texto.

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preos permanecem relativamente estveis? Por que o Brasil e outros pases tm uma dvida externa to elevada e, aparentemente, so incapazes de pag-la? O estudo da Economia objetiva a compreenso de todos esses problemas, fornecendo respostas a essas e a diversas outras questes. A cincia econmica pode nos proporcionar um melhor entendimento de como funciona o sistema scioeconmico que nos cerca, e o que pode ser feito para prevenir, corrigir ou pelo menos aliviar problemas como a pobreza, o desemprego e a inflao. Em geral, os estudantes, ao iniciarem seu estudo, querem uma definio de Economia. Existem diversas como, por exemplo: .A economia o estudo da maneira pela qual os homens utilizam recursos produtivos para produzir mercadorias e servios para satisfazer as necessidades dos membros da sociedade.

Agora um outro ponto importante a registrar: voc j percebeu o quanto as pessoas so insaciveis? De uma forma geral, quanto mais elas tm, mais elas querem, concorda? Se conseguem um primeiro emprego para ganharem R$ 500, ficam fora de si de contentes. Passados, porm, os primeiros dias ou meses, o encanto do primeiro emprego acaba e a pessoa passa a procurar ou a se preparar para um emprego melhor, que pague mais. E quando conseguem este emprego melhor, a coisa no pra a. A pessoa continua cada vez querendo mais e melhor. O mesmo ocorre quando a gente compra o primeiro carro que, na maioria dos casos, no l essas coisas! Passada a euforia inicial, a gente j est pensando em adquirir um outro mais novo e mais vistoso. E assim vai. Tudo isso leva-nos concluso de que as necessidades humanas so ilimitadas. De um modo geral, quando aswww.pontodosconcursos.com.br

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necessidades bsicas (alimentao, moradia, vesturio) so atendidas, o indivduo passa a sentir outras necessidades, como educao, lazer, melhoria de seu padro de vida melhor casa, melhores roupas, um automvel mais novo, e assim por diante. Uma vez atendidas plenamente as necessidades ditas materiais, o indivduo passa a ter outro tipo de necessidade: a estima dos amigos, o reconhecimento e aceitao de seu grupo social, necessidade de status e coisas do gnero. Para satisfazer a maior quantidade possvel dessas necessidades, a sociedade conta com recursos como terra, mo-de-obra, mquinas, equipamentos, conhecimentos tcnicos e muitos outros. Esses recursos, no entanto, so bastante limitados e, portanto, nem todas as necessidades podem ser simultaneamente satisfeitas. As escassez de recursos, ento, torna-se o problema fundamental de cada sociedade. Como resultado, a sociedade, atravs do instrumental analtico fornecido pela cincia econmica princpios, teorias, modelos -, procura usar os recursos escassos to eficientemente quanto possvel, a fim de produzir o mximo de bens e servios que deseja. O campo de atuao da Economia seria, assim, o estudo da escassez e a administrao eficiente dos recursos. Eficincia, aqui, significa reduzir o desperdcio ao mnimo. Em outras palavras, pode-se dizer que......uma economia estar produzindo da forma mais eficiente possvel quando no pode aumentar a produo de um bem sem reduzir a produo

Observe-se que, se no houvesse escassez, quer dizer, se todos os recursos fossem abundantemente disponveis, no haveria necessidade de se estudar economia. 1.2 Alguns conceitos econmicos bsicos

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Antes de entrarmos na teoria econmica propriamente dita, interessante que sejam conceituados alguns termos econmicos que sero bastante usados ao longo do texto e cujo conhecimento essencial para uma melhor compreenso do assunto. Assim, temos: Bens e servios so o resultado do processo produtivo. Bens so as coisas concretas, tangveis, como roupas, televisores, sapatos, canetas, etc; servios so coisas intangveis, como transporte, educao, sade, intermediao financeira, comunicaes, etc. Fatores de produo - este um termo tpico do economs. Fatores de produo so todos os recursos utilizados na produo dos bens e servios para a satisfao de necessidades ou desejos do homem. Englobam desde os recursos naturais no-renovveis, como terra e gua, at mquinas, equipamentos, recursos humanos, galpes, conhecimento tcnico, capacidade empresarial, e muitos outros. Convenientemente, todos esses recursos produtivos so classificados, de uma forma simplificada, em trs categorias: a) Terra compreendendo todos os recursos naturais no-renovveis, como terra, gua e ar. b) Trabalho correspondendo aos recursos fsicos, mentais e intelectuais do homem, aplicados na produo. c) Capital englobando todos os recursos produzidos para serem utilizados na produo de outros bens, incluindo a, principalmente, mquinas, equipamentos e prdios. Os bens, por sua vez, podem ser classificados de diversas formas, dependendo de sua natureza, da quantidade disponvel, de seu destino, de quem os consome, da fase em que se encontra no processo produtivo etc. Assim, temos: -Bens livres so aqueles que, apesar de serem limitados em quantidade, existem em relativa abundncia. O uso de parte desses bens, por algum, no afeta ou reduz seuwww.pontodosconcursos.com.br

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consumo por outra pessoa. So exemplos de bens livres o ar, a gua do mar, etc. Por existirem em abundncia, no tm preo, no caracterizando um problema econmico. -Bens econmicos so aqueles bens relativamente escassos, no sendo suficientes para atender a todos. Como tal, tm um valor (preo) de mercado. -Bens intermedirios so bens que ainda vo sofrer algum tipo de transformao, no estando, portanto, disponveis para o consumidor. Como exemplos, podem ser citados o couro (que ainda vai entrar na fabricao do sapato), a madeira (que vai virar mvel), o tecido (que vai ser usado na produo de roupas), etc. -Bens finais so os bens j disponveis para o consumidor, seja nas lojas, seja nas padarias ou nos supermercados. Um aspecto importante a registrar que o destino de um bem que o caracteriza como bem intermedirio ou bem final. Assim, por exemplo, a farinha de trigo tanto pode ser um como outro. A farinha que est na padaria para a fabricao de pes um bem intermedirio; j a farinha de trigo vendida no varejo, nas mercearias e supermercados, um bem final, pois est ali disponvel para o consumidor compr-la. E se voc adquirir um farol para seu carro numa loja de auto-peas, voc classificaria este farol como bem intermedirio ou como bem final?2 -Bens de consumo so os bens destinados satisfao de necessidades pessoais, como, por exemplo, arroz, roupas, automveis. Os bens de consumo se classificam em trs tipos: os bens de consumo no-durveis que so aqueles que se esgotam de imediato, no ato de sua utilizao pelo consumidor, como o caso de alimentos e bebidas; os bens de consumo durveis que so aqueles que tm uma vida til, no se2

Voc acertou se respondeu que o farol , nesse caso, um bem final, pois foi adquirido por um consumidor. Se tivesse sido adquirido por um fabricante de carros, seria considerado um bem intermedirio.

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esgotando de imediato com o seu uso, como, por exemplo, os automveis e os eletrodomsticos; e, por fim, existem aqueles bens que, a rigor, no se enquadram nem no primeiro grupo nem no segundo, e que so, por isso mesmo, chamados de bens semi-durveis como so exemplos o vidro, a roupa e calados. Voc seria capaz de citar pelo menos mais um exemplo de cada um desses tipos de bens de consumo? Mas, continuemos com nossa classificao de bens: -Bens de capital so os bens produzidos para serem utilizados na produo de outros bens, no se destinando ao consumo final dos indivduos, como o caso das mquinas e equipamentos, de prdios e galpes. -Bens complementares so bens consumidos conjuntamente, isto , o consumo do bem X leva ao consumo do bem Y, como, por exemplo, carro e pneu, po e manteiga. Quais mais? -Bens substitutos so bens consumidos de forma concorrente, isto , o consumo do bem X exclui o consumo do bem Y, sendo exemplo clssico a manteiga e a margarina, ou dois carros de um mesmo padro, porm de marcas diferentes. Esses bens so tambm chamados na teoria econmica de bens sucedneos ou bens concorrentes. A variao na renda real e o consumo de bens Existe ainda uma outra classificao de bens quando ns associamos o seu consumo a uma variao da renda real do consumidor3. Assim, por exemplo, h alguns bens cujo3

Veja que estamos falando de renda real e no simplesmente de renda. O conceito de renda real est relacionado com os preos dos produtos. Assim, por exemplo, se, num perodo qualquer, os preos sobem 15% e o seu salrio cresce, tambm, 15%, voc no est nem melhor, nem pior do que antes. Sua renda nominal cresceu 15%, mas sua renda real permaneceu do mesmo jeito. Agora, se os preos subiram 15% e seu salrio cresceu 25%, voc est melhor agora, pois pode comprar mais bens agora do que antes, j que sua renda nominal cresceu mais que a inflao. Ou seja, sua renda real, agora, est maior que antes. Pelo mesmo raciocnio, se os preos subiram 15% e seu salrio s foi corrigido em 8%, no perodo, houve, ento, uma queda em sua renda real e voc ficou mais pobre.

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consumo cai quando a renda real do consumidor aumenta e vice-versa. Estes bens so chamados de bens inferiores; h outros bens cujo consumo aumenta quando a renda real aumenta e vice-versa, ainda que no seja na mesma proporo. Estes bens so denominados bens normais. H, ainda, um terceiro tipo de bem cujo consumo cresce proporcionalmente mais que o crescimento da renda real do consumidor (e vice-versa). A estes geralmente se d o nome de bens superiores. E o que so bens pblicos e bens privados? Ah, j ia me esquecendo de falar desses dois tipos de bens muito importantes, principalmente para quem vai estudar finanas pblicas. Ento vamos l: Bens pblicos so aqueles bens cujo consumidor no individualmente identificado nem a quantidade consumida determinada. Mais ainda, o consumo deste bem por algum no exclui a possibilidade de outrem consumi-lo na mesma intensidade. O exemplo tpico a segurana nacional, o servio de polcia e de corpo de bombeiros. Uma vez oferecidos esses servios, todos, querendo ou no, se beneficiam deles. Como no se sabe quem consumiu o bem ou servio e nem quanto foi consumido por cada um, no h como cobrar do indivduo por seu consumo. Nesse caso, o setor privado no tem nenhum interesse em oferecer esse bem ou servio, cabendo ao Estado fornec-lo, cobrando, para tanto, um imposto de todos. J bens privados, ao contrrio, so aqueles cujo consumidor e a quantidade por ele consumida so conhecidos. Nesse caso, o benefcio e a satisfao do consumo se esgotam no prprio consumidor e, portanto, cabe a ele pagar pelo mesmo. Como, nesse caso, so conhecidos tanto o consumidor como a quantidade que ele adquiriu, fica fcil cobrar dele por este consumo. Assim sendo, o setor privado ter interesse em fornecer esse bem ou servio. o caso de automveis, roupas, calados e eletrodomsticos.www.pontodosconcursos.com.br

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H, ainda, um terceiro tipo de bem cujo consumidor identificado, mas o benefcio decorrente do seu consumo extrapola o consumidor individual, terminando por atingir, direta ou indiretamente, toda a sociedade. o caso da educao e da sade. Por esse motivo, esses bens podem ser oferecidos tanto pelo setor privado, como pelo Estado, atuando ambos de forma complementar. A esses bens costuma-se dar o nome de bens semipblicos ou meritrios. 1.3. Consumo X investimento Dois conceitos que, tambm, devem ser introduzidos desde j so o consumo e o investimento. Ambos so gastos, porm de natureza diferente. Consumo refere-se aos gastos ou despesas com bens e servios que satisfazem necessidades pessoais, como so os gastos com alimentao, automveis, sade, vesturio e lazer. J investimento referese s despesas voltadas para a ampliao da capacidade produtiva da economia. Exemplos tpicos de gastos de investimento seriam a construo de uma hidroeltrica, a construo ou ampliao de uma fbrica, a aquisio de novas mquinas e equipamentos por uma firma, etc. Relacionada ao investimento est a poupana que pode ser definida como a parte da renda dos indivduos ou das empresas que no gasta. importante frisar que sem poupana no h investimento. Algum na economia tem de poupar, isto , sacrificar consumo, para que haja recursos que financiem o investimento. De outra parte, cumpre destacar que, em termos econmicos, nem sempre o que se constitui ou se denomina de investimento para um indivduo o ser para a economia. Assim, por exemplo, se voc adquire um lote, isso pode se constituir num bom investimento para voc mas, preciso considerar que esta operao em nada alterou a economia, j que sua capacidade produtiva continua a mesma. Assim, economicamente falando, esta aquisio de um lote que, para voc, pode ter sido um bom negcio ou um bomwww.pontodosconcursos.com.br

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investimento, no se constitui em investimento para a economia. Da mesma forma, uma aplicao individual em caderneta de poupana ou em depsito bancrio a prazo, com ganho de juros, ainda que comumente seja chamada de investimento, no passa de uma poupana que, posteriormente, poder ou no dar origem a novos investimentos, isto , a gastos que ampliem a capacidade produtiva de uma empresa ou do pas. 1.4. Microeconomia versus Macroeconomia A Economia estudada em dois campos ou nveis distintos: de um lado, temos a microeconomia que estuda o comportamento econmico dos agentes econmicos como os consumidores, os proprietrios dos recursos produtivos e as empresas produtoras; tambm estuda a determinao e as variaes dos preos dos recursos produtivos como j visto, chamados de fatores de produo - e dos bens e servios tomados cada um de per si. microeconomia cabe, ainda, o estudo da produo da firma e dos diversos tipos de mercados - concorrncia perfeita e oligoplio, por exemplo onde atuam os ofertantes e demandantes de bens e servios. Assim, quando se falar na demanda e na oferta de sal, ou de carros, de roupas, de passagens areas, etc, estamos falando de microeconomia. De outra parte, temos a macroeconomia - que trata da atividade econmica em nvel agregado. macroeconomia cabe o estudo do nvel da produo total de um pas, da renda nacional, da produo industrial ou da produo agrcola como um todo. Ademais, a macroeconomia est preocupada com a determinao do nvel de emprego e do nvel geral de preos. Assim, o estudo da produo de uma firma por maior que ela seja - situa-se no campo da microeconomia, enquanto o estudo do setor industrial um tpico da macroeconomia. Da mesma forma, se voc estuda a atividade econmica de uma fazenda, voc est dentro da microeconomia; j owww.pontodosconcursos.com.br

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estudo da agricultura macroeconomia.

como

um

todo

pertence

A rigor, o interesse pelo estudo e desenvolvimento da moderna Macroeconomia ocorreu a partir da Grande Depresso do incio dos anos trinta, tendo recebido impulso especial com a publicao da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, de John Maynard Keynes, em 1936. Desde ento, os estudos macroeconmicos esto voltados para a compreenso das causas das grandes flutuaes no nvel do produto global e do emprego e na proposio de polticas de preveno contra aquelas flutuaes de forma que a atividade econmica opere sempre prxima do pleno emprego. Importante considerar que o estudo da macroeconomia pode ser enfocado no curto e no longo prazos. No curto prazo, a anlise est voltada para a determinao do nvel de produo efetiva, em um dado perodo, e na definio de medidas de poltica econmica que podem ser adotadas para elevar esta produo caso esteja abaixo do nvel do produto potencial da economia - definido este pelo pleno emprego dos fatores de produo. No longo prazo, o enfoque macroeconmico est centrado na Teoria do Crescimento, onde so analisados os fatores que determinam o nvel e a taxa de crescimento da economia. Trata-se, na verdade, de um tpico mais avanado da macroeconomia e que, como tal, s ser abordado por ns no curso de Economia II. 1.5. O sistema econmico: agentes e fluxos Uma descrio do sistema econmico como um todo deve considerar, de um lado, os tipos de agentes econmicos que nele atuam e, de outro, os fluxos por ele gerados. Se considerarmos, por simplificao, uma economia fechada, isto , sem relaes econmicas com outros pases (sem exportaes e importaes, por exemplo), podemos identificar os seguintes agentes que atuam no sistema econmico:www.pontodosconcursos.com.br

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. As unidades familiares . As empresas. . O governo. No sistema econmico, s unidades familiares cabe o papel de fornecer os recursos produtivos s empresas (recursos naturais, mo-de-obra, capital, capacidade empresarial, etc.), recebendo, em troca, uma remunerao isto , uma renda - que, num momento seguinte, ser voltada para adquirir das empresas bens e servios de que necessitam. As empresas, por seu turno, demandam das unidades familiares os recursos produtivos de que precisam, remunerando-as com uma renda (salrios, aluguis, juros e lucros), enquanto ofertam para as mesmas os bens e servios que produzem. Ao governo cabe o papel principal de regulador da atividade econmica e de provedor dos chamados bens pblicos- dos quais so exemplos, como j vimos, a segurana nacional, o servio de polcia, a administrao da justia - alm de garantir o fornecimento dos chamados bens meritrios, como educao e sade. Para o desempenho dessas atividades, o governo arrecada impostos dos agentes econmicos como, por exemplo, o imposto de renda (IR) e o imposto sobre produtos industrializados (IPI). Num modelo mais completo, teramos de incluir um quarto agente econmico, denominado comumente de resto do mundo, que responde pelas importaes e exportaes de bens e servios do pas. O funcionamento rotineiro do sistema econmico melhor retratado atravs do fluxo circular da atividade econmica, conforme ilustrado na Figura 1.1. A rigor, possvel identificar naquela figura quatro fluxos do sistema econmico, bastante distintos. Um primeiro fluxo pode ser visto na parte inferior da Figura 1.1., constitudo dos fatores de produo que fluem das famlias para as empresas; um segundo, sewww.pontodosconcursos.com.br

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constitui do fluxo de renda - correspondendo aos pagamentos pelas empresas aos proprietrios dos fatores de produo utilizados, e que so traduzidos nos salrios, aluguis, juros e lucros. Na parte superior da Figura 1.1., temos mais dois fluxos: um seria o dos bens e servios ofertados pelas empresas s unidades familiares, denominado de fluxo de produtos; o outro caracterizado pelos pagamentos das famlias s empresas pela compra daqueles bens e servios. Pela sua natureza, esses quatro fluxos costumam ser unificados em dois fluxos distintos: i) fluxos reais assim considerados o fluxo de fatores de produo e o fluxo de produtos; e, ii) fluxos monetrios correspondendo ao fluxo de renda e ao fluxo de pagamentos, pelas famlias, dos bens e servios fornecidos pelas empresas. Figura 1.1Pagamentos pelos bens e servios de consumo Bens e servios de consumo Famlias Fatores produtivos - trabalho, terra e capital Salrios, ordenados, aluguis, juros e lucros Empresas

importante ressaltar que, se excluirmos o governo, o preo dos produtos ofertados no mercado pelas empresas corresponde exatamente ao custo de produo (lembrando que, do ponto de vista econmico, os lucros, como qualquer outro tipo de renda, fazem parte dos custos). Em outras palavras, no havendo governo, o valor global dos produtos ofertados igual, por definio, soma de todos os salrios, juros, aluguis e lucros pagos ao longo de todo o processo

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produtivo, em todas as suas etapas4. Havendo governo, o valor dos produtos no mercado ser acrescido dos impostos indiretos (basicamente, o imposto sobre produtos industrializados IPI -, o imposto sobre a circulao de mercadorias e servios ICMS - e o imposto sobre servios ISS), deduzindo-se os subsdios governamentais. Note-se que, para que o sistema funcione em equilbrio5, necessrio que todos os bens e servios produzidos sejam vendidos. Como o valor da renda gerada no processo produtivo igual ao valor dos produtos ofertados, isso significa que, para que a economia funcione de forma equilibrada, necessrio que todos gastem a renda que receberam das empresas, ou se nem todos gastarem, necessrio que algum gaste no lugar deles. 1.6. Vazamentos e injees Ocorre, no entanto, que existem diversos obstculos que, a princpio, impedem que toda a renda auferida pelos indivduos retorne s empresas sob a forma de compra de bens e servios. Esses obstculos chamados de vazamentos so a poupana (S), os impostos (T) e as importaes (M). Esses trs obstculos reduzem seus gastos, concorrendo para sobrar produtos nas prateleiras das lojas. E por que isso acontece? fcil explicar: suponha que voc recebe um salrio de R$2000,00. Para que a economia funcione bem, isto , equilibradamente, voc deveria gastar todo este seu salrio (j que o valor da renda total igual, por definio, ao valor total dos produtos). Mas, a vem o governo e lhe tira, na fonte, R$200,00 a ttulo de imposto de renda (sem falar na contribuio previdenciria que tambm4

Deve ser lembrado que as matrias primas se constituem em custos para uma firma isolada. Porm, quando analisada a economia, no agregado, o valor das matrias-primas compradas por uma firma corresponde aos salrios, juros, aluguis e lucros pagos na etapa anterior e que, portanto, j foram computados como custos da firma que as produziu. Assim, no agregado, as matrias-primas desaparecem. Este ponto ficar claro mais adiante, no Captulo de contabilidade nacional. 5 Equilbrio, em economia, significa igualdade entre a oferta e a demanda, seja a nvel global, de toda a economia, seja a nvel de um produto especfico, como calados, caf, automveis, etc.

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no deixa de ser um imposto!). Assim, mesmo que voc queira gastar todo o seu salrio comprando produtos, voc s poder comprar R$1800,00 que o que lhe sobrou depois de retirado o IR. Mas, alm disso, voc ainda resolve fazer uma poupanazinha mensal de, digamos, R$150,00 para, mais frente - quem sabe? comprar um carrinho usado. Ao tomar esta deciso, voc estar deixando de gastar mais R$150,00 na compra de produtos. Nessas alturas, voc j reduziu suas compras em R$350,00. E depois de tudo isso, voc (ou outra pessoa) ainda decide importar um microcomputador dos Estados Unidos. Mas, com que dinheiro voc vai pagar esta importao? Certamente, com parte de seu salrio. Digamos que voc gaste R$100,00 por ms com esta importao. Ora, o dinheiro que voc gasta comprando bens do exterior faz reduzir o seu dinheiro disponvel para gastar aqui dentro. No final, somando estas trs parcelas, voc deixou de gastar, isto , de comprar bens e servios dentro do Pas, R$450,00! A esse seus no-gastos se d o nome de vazamentos. Assim, dos R$2000,00 de seu salrio, voc s ter comprado R$1550,00 em mercadorias e servios. Se nada for feito para compensar aqueles vazamentos, muitas empresas no tero como vender todos os bens e servios que produziram e, em conseqncia, certamente tendero a reduzir sua produo no prximo perodo o que poder se traduzir em crise econmica com desemprego. Para evitar que tal acontea, necessrio criar mecanismos ou gastos compensatrios para cada vazamento. Esses gastos - chamados de injees so constitudos dos investimentos (I) que compensam a poupana -, dos gastos do governo (G) que devem equivaler ao montante arrecadado sob a forma de impostos -, e as exportaes (X) que devem, na medida do possvel, ser iguais ao valor das importaes, para que o setor externo fique equilibrado. Ocorre, no entanto, que os agentes econmicos que poupam isto , as pessoas no guardam qualquer relao com os agentes econmicos que fazem investimentos isto , as empresas. Ademais, a motivao para poupar diferentewww.pontodosconcursos.com.br

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da motivao para investir. Assim, perfeitamente plausvel que, em determinado ano ou perodo, o valor das poupanas seja diferente do valor dos investimentos, podendo um ser maior que o outro. Da mesma forma, o governo tanto pode manter seu oramento equilibrado, como pode gastar mais do que arrecada sob a forma de impostos (ou at gastar menos!!!). Tambm bastante possvel que o valor das exportaes ora seja maior, ora seja menor que o valor das importaes. Resumindo: o valor total das injees tanto pode ser maior, como pode ser menor, como pode at ser igual ao valor das injees. Obviamente, cada uma dessas situaes traz conseqncias diferentes para a economia do pas, como veremos a seguir. 1.7. Situaes de equilbrio e de desequilbrio macroeconmico Antes de analisarmos essas trs hipteses, importante introduzir o conceito de equilbrio em Economia. Equilbrio refere-se a uma situao de mercado que, uma vez atingido, tende a persistir. O equilbrio de mercado ocorre quando a quantidade demandada de um produto igual quantidade ofertada desse produto. O equilbrio pode se dar tanto a nvel de um produto ou servio tomado isoladamente, como a nvel da economia como um todo. Assim, tanto se pode dizer que o mercado de automveis est em equilbrio, como se pode dizer que a economia brasileira est em equilbrio. Da mesma forma, pode-se tambm dizer que o mercado tal e tal est em desequilbrio o que ocorre quando a demanda maior ou menor que a oferta naquele mercado. Com esse conceito de equilbrio em mente, vejamos as trs situaes que uma economia pode enfrentar quando se compara o valor das injees com o valor dos vazamentos:

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Suponha, em primeiro lugar, que as injees sejam menores que os vazamentos. Isso quer dizer que ou os empresrios no esto confiantes no desempenho da economia nos prximos anos e, como tal, no esto dispostos a fazer muitos investimentos (ampliarem suas fbricas, ou criar novas indstrias) e, portanto, est sobrando poupana nos bancos, ou o pas est exportando menos do que importando ou, apenas para raciocinar, o governo est gastando menos do que est arrecadando (ser isso possvel?!!!). No importa qual seja a razo, mas se os vazamentos so maiores que as injees, isso significa que est havendo menos compras do que deveria haver. Em termos econmicos, isto quer dizer que a demanda agregada est fraca, menor do que a oferta agregada de bens e servios. Se assim , qual deve ser a conseqncia disso para a economia como um todo? Voc certamente j deduziu o que dever acontecer a partir da: os empresrios, percebendo que seus produtos no esto sendo todos vendidos, e que est havendo uma formao indesejada de estoques nas empresas, comeam a reduzir a produo. E reduzir produo significa reduzir o nvel de emprego e, numa cadeia de conseqncias, a reduo do emprego implicar queda da renda das pessoas, que implicar um menor consumo, etc. A economia entra, assim, num crculo vicioso de recesso, com baixo nvel de emprego-renda-consumo. Esta a conseqncia mais direta de uma situao onde as injees isto , os gastos agregados so menores que os vazamentos (que so os no-gastos), a nvel macroeconmico. Vejamos, agora, a situao em que as injees so maiores do que os vazamentos. Isso quer dizer que est havendo um volume de compras muito grande na economia. Os empresrios esto otimistas com o futuro da economia e esto fazendo muitos gastos de investimentos; o governo deve, tambm, estar gastando mais do que arrecada em impostos e, tambm, pode ser que as exportaes estowww.pontodosconcursos.com.br

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acima das importaes. Nesta situao, os lojistas, vendo que seus estoques esto acabando, fazem mais e mais pedidos s fbricas, obrigando estas a aumentarem a produo. O resultado disso certamente mais crescimento econmico com mais gerao de emprego. Dependendo da resposta mais ou menos rpida do setor produtivo, a presso das compras em excesso pode (e deve) pressionar os preos para cima, dando incio a um processo inflacionrio. Num primeiro momento, haver crescimento econmico com inflao. Mas, com o passar do tempo, os agentes econmicos comeam a perceber que a inflao est lhes causando perdas e mais perdas reais e, em conseqncia, passam a exigir correes compensatrias de salrios, surgem mecanismos automticos de correes de aluguis e dos valores de contratos de fornecedores, as taxas de juros se elevam para cobrir as taxas de inflao. Entra-se, ento, no chamado crculo vicioso da inflao assim descrito: a inflao gera correes de salrios e de outras rendas que geram mais inflao e que gera mais correes, e assim por diante. O final deste processo a conhecida espiral inflacionria de difcil controle e que acaba por paralisar a atividade produtiva, entrando o pas, novamente, na estagnao econmica. Ou, como se diz no jargo econmico, na estagflao, caracterizada pelo pior dos dois mundos: estagnao com inflao! Temos, por fim, a terceira situao, que aquela em que o valor total das injees se iguala com o valor total dos vazamentos, ou, em termos econmicos, trata-se de uma situao em que a chamada oferta agregada de bens e servios igual chamada demanda agregada por esses produtos. Nesta situao, tudo o que se deixou de comprar por causa da poupana, dos impostos arrecadados pelo governo e das importaes foi exatamente compensado pelos gastos de investimentos, do governo e de exportaes. No sobra nem falta produto. Nesta hiptese, pode-se, ento, afirmar que o sistema econmico estar em uma situao de equilbrio estvel uma situao em que a economia cresce a taxas moderadas digamos, entre 3% e 5%, - sem presseswww.pontodosconcursos.com.br

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inflacionrias. Seria esta a situao ideal da economia que o que geralmente acontece com as economias desenvolvidas, como a Alemanha, a Frana, os Estados Unidos, o Canad e outros. 1.8. Outros conceitos econmicos relevantes Existem, ainda, alguns outros conceitos econmicos bastante relevantes e que certamente ajudaro voc a entender melhor os tpicos macroeconmicos que estaremos desenvolvendo em aulas mais frente. Seno, vejamos: i) Variveis fluxo e variveis-estoque Existem dois tipos de variveis econmicas: as variveisfluxo e as variveis-estoque. As variveis-fluxos so aquelas que so medidas em um determinado perodo, tais como ano, trimestre, ms, semana, etc., podendo ser citados os seguintes exemplos: .salrios pagos num determinado ms; .exportaes e importaes no trimestre; .lucro das empresas no quadrimestre; .consumo de bens e servios no ano; .o nmero de nascimentos e bitos na semana; .a variao dos preos no semestre. J as variveis-estoque so aquelas medidas em uma determinada data, sendo exemplos: .O estoque de mercadorias numa loja; .o capital investido numa fbrica; .a dvida externa do pas; .o estoque de capital do pas; .a dvida interna do governo; .a populao de um pas;www.pontodosconcursos.com.br

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.a quantidade de moeda em circulao no pas; Deve ficar claro que existe uma inter-relao entre as variveis-fluxo e as variveis estoque, como pode ser visto no exemplo de uma torneira que esteja despejando gua (varivel-fluxo) num reservatrio. O volume de gua que existe em determinado momento no reservatrio uma varivel-estoque, mas este volume afetado a cada momento pela vazo de gua da torneira. Em outros termos, a varivelestoque (nvel da gua no reservatrio) influenciada pelo valor da varivel-fluxo (que a vazo da gua da torneira). A mesma coisa se passa em Economia. A dvida externa de um determinado pas que, em qualquer momento, uma varivel-estoque influenciado entre um momento e outro pelos fluxos de emprstimos e de amortizaes feitas no perodo. Da mesma forma, existe, hoje ou agora, um estoque de automveis no pas ou numa cidade, mas com contnua produo de carros (fluxo), aquele estoque vai se alterando com o passar dos dias, dos meses ou do ano. ii) Mercados Todos temos na cabea um quase perfeito conhecimento do que seja mercado. Mas, se voc pergunta a um seu colega o que ele entende por mercado, quase certo que ele vai gaguejar, dissimular, tentar explicar, mas no fundo no vai saber definir o que seja esta palavra. Ento, vamos l, tentar clarear a cabea de seu amigo: Mercado lugar no qual compradores e vendedores se encontram para comprar ou vender bens, servios e recursos. Existe um mercado para cada bem ou servio, como tambm existe o mercado para um pas como um todo. Voc tanto houve falar no mercado de automveis ou no mercado de feijo, como no mercado brasileiro de caf, de trabalho, etc. E, dependendo do nmero de agentes que atuam em determinado mercado quantos compradores e ofertadores existem do produto este mercado receber umawww.pontodosconcursos.com.br

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denominao diferente (como monoplio, oligoplio, etc), mas isso ser visto com mais detalhes na prxima aula. iii) Funo Por fim, um outro termo que aparece muito nos textos de economia funo. Uma funo nada mais que uma relao matemtica entre os valores de duas ou mais variveis. A funo mostra como o valor de uma determinada varivel chamada varivel dependente depende do ou varia com o valor de uma ou mais variveis - chamadas independentes. Assim, por exemplo, a funo-demanda de um produto no mercado mostra a relao entre a quantidade demandada de um produto num perodo e o preo deste produto (mantendo o valor das demais variveis constante!). medida que variamos os preos de determinado produto, vo variando tambm as quantidades demandadas desse produto. Voc seria capaz de lembrar de alguma outra funo, em Economia? Se no se lembra, d uma olhada nos exemplos que aparecem na nota de rodap abaixo6. 1.9. Resumindo esta nossa primeira aula Em resumo, esta nossa primeira aula serviu para introduzir aqueles no iniciados em Economia ao mundo maravilhoso desta Cincia. Para aqueles que j tm uma certa base na disciplina, esta aula deve ter sido til para relembrar conceitos bsicos que nos sero bastante teis quando comearmos a estudar a Macroeconomia, j a partir da terceira aula. Hoje, ns vimos os diversos conceitos de bens, o conceito e a diferena de consumo e investimento, revisamos6

So inmeros os exemplos de funo na teoria econmica, como a funo consumo (C = bYd), a funo poupana (S = sYd), a funo oferta (Qs = fP); a funo investimento (I = i r), e tantos outros.

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o funcionamento do sistema econmico seus fluxos e agentes e, por fim, analisamos o conceito de equilbrio econmico, enfocando as situaes de equilbrio e desequilbrio macroeconmico e suas conseqncias para o nvel de emprego, de renda e de produto. Na nossa prxima aula a 2 de uma srie de 12 aulas ns continuaremos introduzindo alguns conceitos econmicos bsicos, quando vamos estudar os tipos de mercado existentes e a lei da oferta e da procura. At nossa prxima aula, mas, antes, d uma olhada nos exerccios de reviso do que foi visto at aqui. Uma boa sorte para voc, um abrao e at nosso prximo encontro! _________________________

Exerccios de reviso:1. Complete: I - S a limitao fsica no produz escassez; o ar e a gua do mar so limitados em quantidade, mas no caracterizam um problema econmico, porque, em circunstncias normais, no so _________________, porque___________________ II - Economia e escassez esto to interligados que um bem escasso chamado de ___________________________, e um bem que no escasso denominado de _____________________. III -Os recursos que entram no processo produtivo so chamados de ____________________. J o resultado do processo de produo chamado de __________________________. IV - Classifique os itens abaixo (terra, trabalho ou capital): 1. Terra usada para uma barragem ____________________ 2. Terra usada numa horta _____________________ 3. Um triturador de milho _________________________

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CURSOS ON-LINE ECONOMIA I PROF. MOZART FOSCHETE 22 4. Uma batedeira de bolo _______________________ 5. Os servios de uma empregada domstica _____________ 6. A gua usada por engarrafador de cerveja ______________ V - Na terminologia econmica, os meios (ou fatores de produo) produzidos so chamados de _________________________. VI - Recordando, faa a distino entre: - Bens e servios; - Bens de consumo e bens de capital; - Poupana e investimento. 2. Com relao ao fluxo circular da