Apostila - Sociologia Do Trabalho - Senai 2008 - Rafael Portinho

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Uma Introduo Contemporaneidade

Sociedade Tradicional X Sociedade Moderna As mudanas nas relaes sociais e trabalhistas

Sociologia do Trabalho Professor: Rafael Portinho SENAI/CIMATEC

Sociedades Primitivas (ou tradicionais): Reciprocidade generalizada (fenmeno oposto = reciprocidade negativa). Coeso social caracterizada pela solidariedade mecnica (mile Durkheim). Fenmeno social difuso: altrusmo. Marcel Mauss = O circuito da ddiva = a troca um circuito de dar-receberretribuir, onde o dom (objeto de troca), percebido simbolicamente (no utilitarista; alm do seu carter material). Envolve interesse e desinteresse (conscincia e no conscincia). Laos sociais: estabelecidos pela familiaridade, amizade = confiana interpessoal Trabalho: atividade que se confunde com as atividades domsticas. A casa como local de trabalho. O indivduo gerencia todo o processo do seu trabalho. Elemento estruturante: conscincia coletiva transmitida nas relaes de troca interpessoal, transmitindo valores e normas sociais imbutidos em bens simblicos. A organizao da sociedade atravs de prticas tradicionais.

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Sociedade Tradicional

Mudana Social

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Renascimento A Revoluo Industrial (Inglaterra, sec. XVIII/XIX). Transformou as relaes sociais de troca (o dar-receber-retribuir, para a coeso do todo social). Iluminismo (Enciclopedismo, sculo das luzes, Ilustrao): a busca pelo estado de natureza (Hobbes, Rousseau, Locke). Economia: Adam Smith. = o rompimento com as ideologias tradicionais. O cincia social como uma cincia natural (inspirao na fsica Isaac Newton) = consolidao d Estado-nao, a expanso de direitos civis, e a reduo da influncia de instituies hierrquicas como a nobreza e a Igreja. Revoluo Americana (1776) o direito liberdade, vida e busca da felicidade. Revoluo Francesa (1789) a trindade: liberdade, igualdade e fraternidade.

Sociedades Modernas

Novos aspectos scio-culturais: confiana sistmica, individualismo (fenmeno social tpico: egosmo), solidariedade orgnica. Pluralidade dos papeis sociais: ora pai, ora funcionrio, ora cliente, ora cidado. Novos aspectos poltico-econmicos: democracia e capitalismo Surgimento de sociedades secundrias: mercado, sistemas burocrticos (o Estado e seus rgos; instituies da sociedade civil: cooperativas, sindicatos; instituies de fins lucrativos: empresas, fbricas, firmas). A educao institucionalizada. Nas sociedades primitivas, essas relaes eram caracterizadas por uma reciprocidade generalizada (altrustas), onde as relaes de trocas envolviam interesse e desinteresse, inter-conhecimento e inter-reconhecimento. Assim compreende-se como uma sociedade pode se organizar sem a presena de uma supra-estrutura, como o Estado. Trabalho: impessoalidade nas relaes; novos espaos sociais de interao: a firma. A expropriao da auto-gerncia, o cargo de chefia (o gerente), a racionalizao do processo de trabalho. Surgimento da carga horria (controle do tempo) e do pagamento como indenizao pela perda de liberdade e autonomia.

Sociedade Secundria

As mudanas na relao capital-trabalho

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Domstico X fabril; manufatura X maquinofatura; interpessoalidade X impessoalidade; Vadiagem e cio X racionalidade e controle do processo de trabalho.

Aspectos positivos das mudanas sociais: - Dignidade Humana: a liberdade como direito (surgimento dos direitos do humanos) - pluralidade de escolhas, diversificao na vida e abertura de novas perspectivas. Novas oportunidades para o viver. A modernidade fornece elementos que reduzem a negatividade do excesso de altrusmo difuso nas sociedades tradicionais. - Fim da escravido e servido - Imparcialidade da justia (justia racional X justia religiosa) - Respeito s diferenas entre os indivduos e a busca da igualdade poltica entre os diversos grupos sociais (mulheres, negros, homossexuais, empobrecidos, etc.) Aspectos negativos da mudana social: - Egosmo e o individualismo - Utilitarismo nas relaes de troca social - Distanciamento entre os indivduos - Enfraquecimento do papel e laos sociais da famlia - A burocratizao da socilizao - A reificao do humano

Pink Floyd Another Brick in the Wall (Um outro tijolo no muro) Papai se foi atravs do oceano, Deixando apenas uma lembrana: Um instantneo no lbum de famlia. Papai, o que mais voc deixou para mim? Papai, o que voc deixa para trs, para mim? No total, foi apenas um tijolo no muro, No total, foi tudo apenas tijolos no muro...

Ns no precisamos de nenhuma educao, Ns no precisamos de nenhum controle de pensamento, Nenhum sarcasmo sombrio na sala de aula, Professores, deixem as crianas em paz. Ei! Professor! Deixe as crianas em paz! No total, apenas outro tijolo no muro, No total, voc apenas outro tijolo no muro...

Eu no preciso de braos ao meu redor E eu no preciso de drogas para me acalmar. Eu vi a escrita no muro, No acho que eu precise de qualquer coisa. No, no acho que eu precise de qualquer coisa. No total, foi tudo apenas tijolos no muro, No total, vocs foram todos apenas tijolos no muro...

Vamos imaginar!

Voc sabe com quem est falando? X Quem voc pensa que ?

Do capitalismo liberal busca pela justia social (1 Parte)

1 momento: breve explanao sobre o Marxismo (uma viso econmica oposta Adam Smith) a busca radial pela justia social. 2 momento: Taylorismo

Sociologia do Trabalho Professor: Rafael Portinho SENAI/CIMATEC

Reviso: -A primeira revoluo industrial sintetiza uma primeira fase do capitalismo a constituio da fbrica moderna, com a mecanizao , d um tom das relaes capital-trabalho e completa a subordinao real do trabalho pelo capital. A industrializao o processo que revoluciona as relaes sociais de produo durante todo o sculo XIX. A formao do Estado-nao e os elementos formais de cidadania representam a ruptura com as amarras do feudalismo. (DRUCK, p.30. Terceirizao: (des)fordizando a fbrica).

Para entender o que significa essa subordinao do trabalho pelo capital necessrio antes compreender alguns conceitos marxistas

Um preldio a alguns conceitos marxistas: Materialismo-histrico: a metodologia de Karl Marx usada para explicar o devir das sociedades. Entende-se que o processo histrico um movimento dialtico em espiral, ou seja, caracterizado pelo conflito entre a tese e a anttese cujo resultado uma sntese, que, por sua vez, tornar-se- uma tese de um novo sistema, dando origem a sua anttese, surgindo uma nova sntese que diferente de qualquer tese ou anttese anteriormente existente. dialtico porque um conflito de duas partes opostas (tese a anttese) e espiral porque o movimento nunca se repete, progressivo-mutvel. O que gera a mudana estrutural de uma sociedade a mudana das condies materiais de existncia, a alterao dos meios de produo que move o mundo para o novo. Feudalismo CapitalismoSocialismo (passagem para o comunismo)

Capitalismo

Comunismo

Marx inicia a primeira parte do seu livro O Manifesto do Partido Comunista com a frase: A histria de todas as sociedades que existiram at hoje a histria de lutas de classes (p.45).

Capitalismo: um estrutura social oriunda da luta dos servos com os senhores feudais. Nesse novo sistema, os burgueses so os detentores de capital (portanto dos meios de produo) e o trabalhadores tornam-se peas (parte do capital) no processo de obteno de mais-valia (a diferena entre o valor da mercadoria e o valor a fora de trabalho investida para gerar essa mercadoria = fonte do lucro do burgus). Alienao: a alienao se manifesta a partir do momento que o objeto fabricado se torna alheio ao sujeito criador, ou seja, ao criar algo fora de si, o funcionrio se nega no objeto criado. As indstrias utilizam de fora de trabalho, sendo que os funcionrios no necessitam ter o conhecimento do funcionamento da indstria inteira, a produo totalmente coletivizada, necessitando de vrios funcionrios na obteno de um produto, mas nenhum deles dominando todo o processo - individualizao. Capital: todo bem que possui valor de uso (utilidade especfica, qualitativa) e valor de troca (pode-se quantificar comparativamente). A fora de trabalho capital, pois podemos mensur-lo atravs do dinheiro (smbolo de valor de troca). Capital, portanto, tanto a mercadoria como os prprios meios de produo (as mquinas, a infra-estrutura, a fbrica, etc.) que produziram essa mesma mercadoria.

O que o Taylorismo? uma cultura do trabalho caracterstico nos primrdios da industrializao nos Estados Unidos que objetivava garantir resultados eficazes e eficientes (maior produo em menor perodo de tempo). Suas principais caractersticas so: - A represso; - A disciplinarizao; - A retirada da autonomia dos operrios (para evitar a vadiagem) tornando o trabalho mais eficiente; - A transferncia do conhecimento do operrio para a gerncia (fortalecendo a hierarquizao e subordinao) = o que Marx critica em seu conceito de alienao.

Quem foi Frederick Winslow Taylor? Foi o pai da administrao cientfica do trabalho nascido em 1856 e falecido em 1915. Breve histrico: Comeou sua vida profissional numa fbrica (Midvale Steel Company). Neste local, percebeu a maneira como os operrios trabalhavam. Taylor notou que cada trabalhador tinha sua maneira de realizar as atividades. Concluiu que a padronizao do trabalho em cada atividade poderia encurtar o tempo gasto para atingir o resultado. Com isso, Taylor chegou s seguintes concluses: -O trabalhador deve realizar uma atividade especfica e repetitiva; -Cada movimento do trabalhador deve ser pensado e padronizado; -O trabalhador deve :ser pago pela quantidade de produo e no pela hora de servio; -Desta forma, torna-se vivel calcular o tempo de trabalho gasto para a execuo de uma atividade e prever possveis erros = maior controle sobre o trabalhador e maior garantia de bom resultado.

A maquinofatura, de certa forma, retira dos traba

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