Apostila Tribunal de Contas

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SUMRIO 1 - O CONTROLE DA ADMINISTRAO PBLICA1.1 - Aspectos de compreenso do controle

2 - TIPOS DE CONTROLE2.1 - Controle interno 2.2 - Controle externo

3 - O CONTROLE EXTERNO APLICADO AOS RGOS E ENTIDADES DA ADMINISTRAO3.1 - Controle Externo Sobre a Administrao Direta 3.2 - O Controle Externo sobre a Administrao Indireta 3.3 - Concessionrias e Permissionrias de Servio Pblico

4 - FUNES E ATIVIDADES DO CONTROLE EXTERNO4.1 - O Controle Externo Exercido Pelo Tribunal de Contas 4.2 - Tribunal de Contas 4.3 - Tribunais de Contas nos Estados e Municpios 4.4 - A Ampla Fiscalizao a Cargo do Tribunal de Contas 4.5 - Tribunais de Contas na Carta de 1988 4.6 - Principais Apontamentos Acerca dos Tribunais de Contas 4.7 - Composio e Organizao do Tribunal de Contas 4.7.1 Composio 4.7.2 - Organizao dos Tribunais de Contas 4.7.2.1 - Ministros e Conselheiros dos Tribunais de Contas 4.7.2.2 - Auditores 4.7.2.3 - Ministrio Pblico 4.7.2.4 - rgos Tcnicos e Auxiliares 4.8 Concluses

5 - AS FUNES DOS TRIBUNAIS DE CONTAS5.1 - Funo Consultiva, Informadora ou Opinativa 5.2 - Funo Contenciosa ou Jurisdicional 5.3 - Funo Fiscalizadora 5.3.1 - Tomada de Contas Especial 5.3.2 - As Inspees e Auditorias 5.4 - Funo Sancionadora ou Corretiva

6 - COMPETNCIAS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS DOS TRIBUNAIS DE CONTAS6.1 - Competncias de auxlio ao Poder Legislativo 6.1.1 - Apreciao das Contas Anuais do Chefe do Executivo 6.1.2 - Realizao de inspees e auditorias 6.1.3 - Prestao de informaes ao Poder Legislativo 6.2 - Competncias exclusivas dos Tribunais de Contas 6.2.1 - Julgamento das contas dos administradores e outros responsveis 6.2.2 - Apreciao das admisses de pessoal e das concesses de aposentadorias, reformas e penses 6.2.3 - Realizao de inspees e auditorias 6.2.4 - Fiscalizao das contas nacionais em empresas supra nacionais 6.2.5 - Fiscalizao da aplicao de recurso transferido 6.2.6 - Aplicao de sanes 6.2.7 - Fixao de prazo para saneamento de ilegalidade 6.2.8 - Sustao da execuo de ato impugnado 6.2.9 - Representao sobre irregularidade ou abuso 6.2.10 - Impugnao e sustao de contrato

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7 - DAS SANES APLICVEIS PELO TRIBUNAL DE CONTAS7.1 - Aplicao de multa 7.2 - Glosa de despesa e fixao de dbito 7.3 - Fixao de prazo para adoo de providncias e sustao de ato impugnado 7.4 - Sustao de contrato 7.5 - Providncias de natureza criminal 7.6 - Suspenso de direitos polticos

8 - O PROCESSO NO MBITO DOS TRIBUNAIS DE CONTAS8.1 - Processo administrativo de contas 8.1.1 - Devido processo legal 8.2 - Etapas 8.3 - Formas das decises 8.4 - Modalidades das decises 8.5 - Tipos de processos 8.5.1 - Processo de tomada e prestao de contas 8.5.1.1 Modelo de Defesa Prvia de Prestao de Contas Anuais 8.5.2 - Procedimentos de fiscalizao 8.5.2.1 - Apreciao da admisso de pessoal e da concesso de aposentadoria 8.5.2.2 - Processo de tomada de contas especial 8.5.3 - Procedimentos especiais 8.5.3.1 - Denncia 8.5.3.2 - Consulta 8.6 - Recursos 8.6.1 - Recurso Ordinrio 8.6.1.1. Modelo de Recurso Ordinrio 8.6.2 - Recurso de Reconsiderao 8.6.2.1 Modelo de Recurso de Reconsiderao 8.6.3 - Pedido de Reexame 8.6.3.1 Modelo de Pedido de Reexame 8.6.4 - Embargos de Declarao 8.6.4.1 Modelo de Embargos de Declarao 8.6.5 - Recurso de Reviso 8.6.5.1 Modelo de Recurso de Reviso 8.6.6 - Agravo

9 - O CONTROLE E A LEI DE RESPONSABILIDADE NA GESTO FISCAL9.1 - Consideraes acerca da Lei de Responsabilidade Fiscal 9.1.1 - Previso Legal 9.1.2 - Documentos a serem encaminhados ao TCESP 9.1.3 - Resumo das Restries da Lei de Responsabilidade Fiscal para Final de Mandato 9.1.4 - Trmite Processual

10 RESUMO GERAL ACERCA DOS TRIBUNAIS DE CONTAS10.1 - Tratamento 10. 2 - Jurisdio 10.3 - Autuao de Processos 10.4 - Prestao de Contas 10.5 - Defesa dos Direitos dos Interessados 10.6 - Decises do Tribunal Pleno ou das Cmaras do TCESP 10.7 - Decises do Conselheiro Julgador Singular 10.8 Deciso Tomada e Prestao de Contas 10.9 - Recursos 10.10 - Contagem dos Prazos 10.11 - Recursos Admissveis

11 RESUMO DOS RECURSOS E PRAZOS PERANTE OS TRIBUNAIS DE CONTAS 2

1 - O CONTROLE DA ADMINISTRAO PBLICAO Estado constitudo pelo territrio, pelo povo e pelo governo, desenvolvendo funes para o atendimento do bem pblico, consoante uma intensa atividade financeira exercitada por intermdio de seus organismos rgos pblicos -, os quais so geridos por agentes pblicos, que devem pautar a sua ao mediante princpios constitucionais dirigidos Administrao Pblica. Contudo, este exerccio do poder, no raro, induz a abusos, impondo-se, por esse motivo, a criao e a utilizao de controles para o uso do poder. A funo de controle do poder foi estruturada no Estado moderno, quando se consolidou como uma das principais caractersticas do Estado de Direito. No Estado de Direito, a Administrao est vinculada ao cumprimento da lei a ao atendimento do interesse pblico atendimento ao princpio da legalidade e supremacia do interesse pblico por isso, para eficcia dessa exigncia, torna-se imperativo o estabelecimento de condies que verifiquem, constatem e imponham o cumprimento da lei para o atendimento do interesse pblico, com a finalidade de ser evitado o abuso de poder. A isso chama-se controle da Administrao Pblica.

1.1 - Aspectos de compreenso do controleConsiderando-se que o controle elemento essencial ao Estado de Direito, sendo sua finalidade assegurar que a Administrao atue de acordo com os princpios que lhe so impostos pelo ordenamento jurdico, pode-se afirmar que o controle constitui poder-dever dos rgos a que a lei atribui essa funo, precisamente pela sua finalidade corretiva; ele no pode ser renunciado nem retardado, sob pena de responsabilidade de quem omitiu. Nesse aspecto relativo aos objetivos da atividade controladora, vemos os elementos constituidores da ao do controle: a) a atividade de controle tem como parmetro os programas, as ordens (normas) e os princpios; b) o controle elemento da Administrao que concilia todos os elementos precedentes planejamento, organizao, comando e coordenao; c) objetiva detectar os erros e falhas, evitando outras futuras ocorrncias; d) dependendo da complexidade da atividade controladora, necessrio valer-se de controladores e inspetores especializados; e) o controle deve ser realizado em tempo hbil e, detectadas as falhas, os responsveis devem sofrer as conseqncias; f) os responsveis pelo controle devem possuir conhecimentos tcnicos e iseno, no momento de realizar a sua atividade.

2 - TIPOS DE CONTROLEO controle pode ser interno ou externo, conforme sua execuo seja efetuada por rgo integrante ou no da prpria estrutura em que se inclui o rgo controlado.Todavia, a abordagem aqui efetuada no abranger os sistemas de controles interno e externo previstos para a fiscalizao contbil, financeira, oramentria, operacional e patrimonial, uma vez que sero analisados em tpico especfico. 2.1 - Controle interno O controle interno, quando a prpria Administrao procede ao controle sobre os seus atos, decorrendo do poder hierrquico que a organiza. a forma que a Administrao possui para verificar a regularidade e a legalidade de seus prprios atos, no sentido de se ater aos princpios da legalidade e da supremacia do interesse pblico, em que se inclui, inclusive, avaliao envolvendo a convenincia administrativa do ato praticado. Quando algum assume a condio de agente pblico poltico ou administrativo no momento do ato em que toma posse no seu cargo pblico, para poder exercer atividades em nome do Estado, tambm lhe transferida parcela do Poder Pblico. Juntamente com essa parcela de poder, o agente pbico assume, tambm, direitos e obrigaes. Uma das principais obrigaes do agente pblico o dever de controle. O servidor alm de exercer bem as suas funes agir com eficincia, zelo e dedicao -, tem o dever de proceder ao controle sobre os servios em que atua, bem como sobre os materiais, bens e equipamentos postos a sua disposio para o exerccio das atividades pblicas. Sobre este servidor h o controle da chefia imediata, a qual tem o controle do supervisor e este do diretor. Este o controle que decorre do poder hierrquico. Outro exemplo que bem caracteriza o controle interno so os rgos denominados de Corregedorias, comumente utilizados no mbito dos Ministrios Pblicos e dos

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Tribunais Judiciais e de Contas, no sentido de acompanhar a avaliar a correo dos atos praticados pelos seus membros. justamente pelo exerccio do controle interno o controle por si s prpria que o Supremo Tribunal Federal reconheceu Administrao Pblica o poder de anular os seus prprios atos, quando ilegais e revog-los por questo de convenincia administrativa. Como se v, o controle interno serve para dar suporte ao controle externo e exercem, ambos, uma tarefa de enorme importncia para a sociedade. Reconhecendo isto, a Constituio exige que cada Poder, na esfera federal, estadual e municipal, tenha seu sistema prprio de controle interno, independentemente do controle externo, que exercido pelo Tribunal de Contas. Todo administrador pblico responsvel procura facilitar o trabalho da auditoria, nunca se colocando contrrio sua atividade. Ele sabe o quanto importante a verificao da regularidade dos atos praticados pelos inmeros gestores que lhes so subordinados, e, inclusive, daqueles atos que diretamente praticou. Procura atender, por outro lado, s recomendaes que lhes venham a ser feitas para a melhoria dos controles, quando detectadas falhas. sabido, no entanto, que por maior independncia que tenha o controle interno, sempre haver vinculao hierrquica ao administrador principal e isto fator que, por vezes, tolhe um trabalho de maior extenso, inibindo, em determinadas circunstncias, o apontamento e/ou a correo a contento de falhas existentes. A fiscalizao realizada pelo controle externo tem sua independncia e procura sempre aproveitar os trabalhos desenvolvidos pela auditoria interna, podendo tomar-lhes por base, em algumas situaes, para