APS depressao revisado - Inicial — UFRGS ?· O documento representa o posicionamento da S/SUBPAV/SAP…

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  • SMS - RJ / SUBPAV / SAP

    DepressoTratamento e acompanhamento de adultos com depresso (incluindo pessoas portadoras de doenas crnicas)

    APS_capa_depressao_graf.pdf 28/08/2013 16:13:45

  • Superintendncia de Ateno Primria

    Verso PROFISSIONAIS

    Guia de Referncia Rpida

    2013

    DepressoTratamento e acompanhamento de adultos com depresso

    (incluindo pessoas portadoras de doenas crnicas)

  • PrefeitoEduardo Paes

    Secretrio Municipal de SadeHans Fernando Rocha Dohmann

    Subsecretria de Gesto Estratgica e Integrao da Rede de SadeBetina Durovni

    Subsecretrio de Ateno Primria, Vigilncia e Promoo de Sade Daniel Soranz

    Superintendente de Ateno Primria em Sade Jos Carlos Prado Junior

    Coordenadora de Sade da FamliaAna Caroline Canedo Teixeira

    Coordenadora de Linha de Cuidado e Programas EspeciaisMaria de Ftima Gonalves Enes

    Coordenadora de Policlnicas e Ncleos de Apoio a Sade da FamliaEliane Moreno Waik

    Coordenao TcnicaAndr Luis Andrade JustinoArmando Henrique NormanNulvio Lermen Junior

    OrganizaoInaiara Bragante

    Traduo e adaptaoCarlo Roberto H da CunhaMichael Duncan

    Reviso TcnicaFabiane MinozzoFernanda Lucia Capitanio BaezaMichael Duncan

    ColaboraoAngela Marta da Silva LongoAngelmar Roman Cassia Kirsch LanesFernanda Lazzari FreitasMarcelo Rodrigues GonalvesMelanie Nol Maia

    Reviso Knia Santos

    DiagramaoMrcia Azen

    Sobre este GuiaEste um guia de referncia rpida que resume as recomendaes da Superintendncia de Ateno Primria (S/SUBPAV/SAP), construdo a partir do contedo produzido pelo Centro Colaborador Nacional para a Sade Mental, do Reino Unido, disponibilizado pelo NICE (National Institute for Health and Clinical Excellence, NHS Reino Unido), e adaptado para a realidade brasileira e carioca por profissionais que trabalham diretamente na Ateno Primria Sade (APS). O documento representa o posicionamento da S/SUBPAV/SAP e tem a funo de orientar a assistncia clnica nas unidades de APS na cidade do Rio de Janeiro. Em caso de condutas divergentes do que estiver presente neste guia, recomenda-se o devido registro em pronturio.

  • Depresso

    3

    Introduo 4Cuidados centrados na pessoa 4Consideraes adicionais para abordagem de pessoas com depresso associada a outras condies crnicas de sade 5

    Princpios do cuidado 6Aspectos gerais da abordagem 6Apoio a familiares e cuidadores/Prestao efetiva de cuidado/ 7Consideraes adicionais para pessoas com problemas crnicos de sade 7Modelo escalonado de cuidados 8

    Passo 1: Reconhecimento, avaliao e abordagem inicial 10Fluxograma de avaliao diagnstica da depresso 10Avaliao da abordagem inicial 12Avaliao de possveis estressores psicossociais/ Diagnstico diferencial com transtorno bipolar 13Diagnstico diferencial com outras doenas 13Avaliao e monitoramento dos riscos/Psicoeducao 14Particularidades na avaliao em pessoas com condies crnicas de sade 15

    Passo 2: Identificado o caso de depresso abordagem de sintomas depressivos subliminares e da depresso leve a moderada 16

    Medidas Gerais 16Abordagem psicossocial pela equipe de ateno primria 17Tratamento Farmacolgico 22Encaminhamento para psicoterapia por profissional especializado em sade mental 23

    Passo 3: Sintomas depressivos subliminares persistentes ou depresso leve a moderada com resposta inadequada s intervenes iniciais ou depresso moderada a grave 24

    Escolhendo tratamentos e abordagens 24Escolhendo um antidepressivo 25Interaes dos ISRS com outras medicaes 27Iniciando o tratamento antidepressivo 28Durao do tratamento antidepressivo 29 Como suspender ou reduzir os antidepressivos 30Opes de tratamentos depois de uma resposta inadequada 30Associar outros psicofrmacos aos antidepressivos 32

    Passo 4: Depresso grave e complexa 33Princpios dos cuidados 33

    ndice

  • 4

    Depresso

    Guia de Referncia Rpida

    Introduo

    O manejo teraputico deve levar em conta as necessidades e as preferncias das pessoas sob cuidado. Boa comu-nicao essencial, apoiada em informaes baseadas em evidncias, dando condies para as pessoas participa-rem informadas das decises sobre seus cuidados. Pacientes, familiares e cuidadores devem ter a oportunidade de envolver-se nas decises sobre os cuidados teraputicos.

    Cuidados centrados na pessoa

    Depresso um diagnstico amplo e heterogneo, caracterizado por humor deprimido e/ou perda de prazer na maioria das atividades rotineiras. Estudo multicntrico realizado no Brasil mostrou prevalncias de 5,8%, em um ano, e de 12,6%, ao longo da vida1. Outro estudo mostrou prevalncias variando entre menos de 3% (So Paulo e Braslia) e 10% (Porto Alegre)2. Entre os pacientes que consultam na Ateno Primria Sade (APS) a prevalncia pode ser maior.

    Em uma das pontas do espectro, a depresso nada mais do que a inescapvel tristeza da vida, desencadeada por perdas, desapontamentos ou isolamento social; nessas circunstncias, talvez a tristeza seja uma experincia necessria, porque convida reflexo e ao autoexame, e, talvez, ao autoperdo e cura. Na outra ponta, a de-presso pode ser uma doena devastadora, associada a grande compromentimento funcional, da sade fsica e do bem-estar, podendo, inclusive, ser fatal3.

    A maioria dos casos de depresso deve ser manejada na APS, por meio de intervenes psicossociais e tratamento medicamentoso, quando indicado. Os profissionais do matriciamento podem ajudar a capacitar as equipes para esse fim e devem estar disponveis para discutir casos mais complexos e com maior dificuldade de abordagem.

    Muitas vezes as pessoas apresentam sintomas que se encontram abaixo do limiar para o diagnstico, mas que comprometem sua funcionalidade, e que geram dvidas em relao a melhor abordagem diagnstica e teraputica. Por esse motivo, este guia inclui tambm a descrio de sintomas depressivos subliminares.

    Intr

    odu

    oIntroduo

  • Depresso

    5

    Este guia tambm apresenta recomendaes para pessoas com depresso associada a problemas crnicos de sade, situao essa bastante frequente. O problema crnico de sade pode ser causa da depresso ou pode agrav-la; da mesma forma, pessoas deprimidas tm maior dificuldade para o autocuidado de sua condio cr-nica e tm piores desfechos em eventos, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto e mesmo no diabetes.4 Portanto, fundamental identificar e tratar adequadamente a depresso em pessoas com condies crnicas de sade.

    Na maioria das vezes, a abordagem da depresso associada a problemas crnicos no difere muito da abor-dagem da depresso em geral, porm h algumas particularidades: o foco na doena crnica pode dificultar o diagnstico da depresso; a depresso pode ser uma barreira para o autocuidado, o que pode justificar tra-tamento mesmo para sintomas depressivos mais leves; os sintomas depressivos podem ser efeito adverso de medicaes usadas para uma doena crnica (ex.: benzodiazepnicos, betabloqueadores, narcticos e esteroi-des), ou fazer parte do quadro clnico de algumas doenas (ex.: hipotireoidismo, doena de Parkinson, doenas cerebrovasculares e lpus eritematoso sistmico); e pode haver interao medicamentosa de antidepressivos com outras medicaes usadas pelo paciente. Essas particularidades devem ser levadas em conta ao elaborar o plano teraputico.

    Ao longo deste guia, as particularidades da abordagem da depresso em pessoas com condies crnicas esto salientadas em vermelho.

    Consideraes adicionais para a abordagem de pessoas com depresso associada a outras condies crnicas de sade

    IntroduoIntroduo

  • 6 Guia de Referncia Rpida

    DepressoPr

    inc

    pios

    do

    cuid

    ado

    Princpios do cuidado

    Princpios do cuidado

    Ao atender pessoas com depresso, bem como seus familiares e cuidadores, deve-se:

    - Oferecer uma escuta que leve em conta a pessoa e no somente a doena, auxiliando-a a resgatar sua posio de sujeito, agente e protagonista;

    - Construir uma relao de confiana e explorar as opes de tratamento com esperana e otimismo, explicando os diferentes cursos da depresso e que a recuperao possvel;

    - Estar ciente da possibilidade de estigma e discriminao que podem estar associados com o diagnstico de depresso;

    - Assegurar que a privacidade, confidencialidade e dignidade sero sempre respeitadas; - Fornecer informaes sobre a depresso e seu tratamento, bem como sobre autoajuda, grupos de apoio e

    outros recursos.

    Deve-se estar atento diversidade cultural presente na populao atendida pela equipe, com especial destaque para pessoas provenientes de outras partes do pas (ou do mundo) ou com forte orientao religiosa, e s pos-sveis variaes na apresentao dos quadros de depresso decorrentes desses fatores. Os profissionais que atendem pessoas com depresso devem ter as seguintes competncias:

    - Competncia cultural - avaliao sensvel a questes culturais; - Uso de diferentes modelos explicativos para a depresso; - Considerao das diferenas culturais ao desenvolver e implementar planos teraputicos.

    Aspectos gerais da abordagem

  • 7Guia de Referncia Rpida

    DepressoPrincpios do cuidado

    Princpios do cuidado

    Quando os familiares ou cuidadores esto envolvidos no apoio a uma pessoa com depresso grave ou crnica, considere: - Fornecer informaes verbais e escritas sobre a depresso e sobre como eles podem apoiar a pessoa; - Oferecer uma avaliao do cuidador, com destaque para a sobrecarga qual esse cuidador possa estar sendo submetido; - Esclarecer questes relacionadas confidencialidade e ao compartilhamento de informaes entre a pessoa com depres-

    so e seus familiares ou cuidadores.

    Todas as intervenes e cuidados destinados s pessoas com depresso devem ser realizados por profissionais competen-tes para tal. Portanto, fundamental que as equipes de sade da famlia es