Arquitectura Geriátrica - ?· Arquitectura Geriátrica Departamento de Arquitectura da FCTUC - Agosto…

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  • Arquitectura Geritrica

    Departamento de Arquitectura da FCTUC - Agosto 2009

    Mrio Jos Melanda da SilvaOrientador Professor Doutor Pedro Maurcio Borges

  • 3

    Resumo 5

    Introduo 7

    Problemtica 7

    Conceitos 11

    Contexto e problemtica social 11

    Polticas de cuidados de sade para os idosos durante os ltimos anos 13

    Objectivos de um Lar - Programa Geral 15

    Processo de interpretao de espao objectivo e subjectivo 17

    Concepo de um lar - Programa 19

    Parmetros-chave do projecto 23

    Alguns aspectos da concepo arquitectnica contempornea 25

    ndice

  • 4

    Casos de Estudo 29

    Apresentao 29

    Residencial Home for elderly 31

    100 WoZoCos 41

    Elderly peoples home 51

    Residncias Assistidas da 3 Idade 61

    Conjunto Residencial de Apoio Terceira Idade 71

    Concluso 81

    Bibliografia Bsica 85

    Crditos de Imagens 91

  • 5

    Resumo

    Resumo

    Este trabalho tem como finalidade saber at

    que ponto existe uma Arquitectura Geritrica,

    ou seja, uma Arquitectura especfica para os

    lares de idosos. Esta investigao feita atravs

    da anlise crtica comparativa, com base

    nos exemplos recentes dos Lares de Idosos,

    recorrendo metodologia da confrontao

    dos programas, elementos arquitectnicos e

    linguagens, entre outros, evocando sempre

    o discurso do arquitecto responsvel pelo

    projecto, assim como as crticas de outros

    arquitectos, e uma critica pessoal, ainda que

    com uma componente meramente acadmica.

    A partir da anlise de algumas obras eruditas

    de alguns autores contemporneos, pretende-

    se demonstrar tambm que a Arquitectura

    (Geritrica) exige um conhecimento terico

    profundo, para responder no s aos desafios

    conceptuais do arquitecto perante a execuo

    de uma obra coerente, mas tambm s

    especificidades de um equipamento com

    caractersticas muito prprias.

    Foram seleccionados para estudo as seguintes

    obras/autores: Residential Home for Elderly

    em Chur Peter Zumthor; 100 Wozocos em

    Osdorp MVRDV; Elderly Peoples home em

    Yatsushiro Toyo Ito; Residncias Assistidas da

    Terceira Idade em Parede Frederico Valsassina;

    Conjunto Residencial de Apoio Terceira Idade

    em Lisboa Risco.

  • 6

    Mrio Melanda Arquitectura Geritrica

  • 7

    Introduo

    Introduo

    Problemtica

    No incio deste sculo, a longevidade do

    homem moderno e a falta de tempo da

    populao mais jovem para cuidar dos mais

    idosos obrigam a uma profunda anlise de

    novos contornos de um habitat adequado para

    a populao idosa. As novas tecnologias aliadas

    boa1 Arquitectura permitem que os mais idosos

    tenham melhores condies de vida. Contudo,

    trata-se de um problema social com lacunas

    nas comunidades ocidentais, onde se colocam

    questes principalmente econmicas.2

    1 Refiro-me boa arquitectura no sentido da Arquitectura que complementa as necessidades das pessoas atravs da criao de bem-estar, originando espaos e ambientes especficos e optimizando a relao entre a habitao e o utente (normalmente debilitado) a Humanizao da Arquitectura. Ver nota 32 Ver fig. 1

    Torna-se necessria a introduo da Arquitectura

    em edifcios hospitalares e de sade em geral,

    de modo a valorizar no s todo o projecto,

    como meio para criar bem-estar, reinventando

    novas solues e novos modos operativos. A

    Arquitectura tem, nesta rea, como objectivo

    fundamental a humanizao dos espaos da

    sade e a sua importncia profiltica.3

    3 Aalto, quando escreveu este texto sobre a humanizao da Arquitectura, defendeu uma via experimental das diversas tecnologias para dar um maior sentido ao bem-estar humano, apoiando-se nos seus estudos da cor, da luz natural e artificial, do rudo, da ventilao, do aquecimento, e outros, para, alm de outros aspectos, optimizar a relao entre o alojamento e o doente. Estudos e experimentaes desenvolvidos no seu notvel Hospital para Tuberculosos em Paimio-Finlndia 1927-1933.

  • 8

    Mrio Melanda Arquitectura Geritrica

  • 9

    Introduo

    Manuel da Silva Fernandes4 refere: A

    Arquitectura condiciona comportamentos e

    interfere na parte psicolgica dos seus principais

    utilizadores, os doentes. Um Hospital, um Centro

    de Sade recebe pessoas em estado psicolgico e

    fsico diminudo; por isso reclamo a urgncia da

    presena da Arquitectura nos edifcios de sade,

    no os entendendo como objectos arquitectnicos

    inevitavelmente perdidos pela sua carga

    funcional e tecnolgica, o que me parece hoje

    inadmissvel.5

    Manuel Brullet6 defende a transformao do

    espao hospitalar em locais de multiplicidade de

    usos como galerias comerciais, supermercados

    ou at restaurantes, contrariando deste modo

    a herana americana da tipologia hospitalar,

    inflexvel e desumanizada, que se assemelhava

    em tudo tipologia da Arquitectura Prisional.7

    4 Manuel Alexandre Oliveira Silva Fernandes, membro de rgos Cientfico-Pedaggicos e docente do Curso de Arquitectura da Universidade Lusada de Lisboa, autor do texto de enquadramento ao nmero temtico da revista Arquitectura Ibrica n 11 dedicada aos Equipamentos na rea da sade.5 Reflexes sobre a arquitectura da sade - Manuel Alexandre Silva Fernandes Arquitectura Ibrica n11 Equipamentos, pg 236 Manuel Brullet Tenas (Matar, 1941) Arquitecto Catalo. Estudou e actualmente Docente na Escola Tcnica Superior de Arquitectura de Barcelona. responsvel por projectos como o Hospital del Mar em Barcelona e do Centro de Assistncia Primria em Marat, entre outros.7 Reflexes sobre a arquitectura da sade Manuel Alexandre Silva Fernandes Arquitectura Ibrica n11 Equipamentos, pg 18

    Diz M. Brullet que, sendo um hospital um

    lugar onde se cura, se morre, se vive, se sofre, se

    visita, se trabalha, se tem iluses, deveria ento

    ser caracterizado pela intimidade, privacidade

    e conforto [do habitar] dando, por esta razo,

    uma importncia muito acentuada ao seu

    contexto urbano, sua localizao criteriosa,

    ao seu desenho interior e, naturalmente, ao seu

    mobilirio.8

    Enquanto arquitectos cabe-nos contrariar a

    tendncia e levar a boa Arquitectura para os

    edifcios hospitalares, e, neste caso particular,

    para os lares de idosos. necessrio criar um

    ambiente acolhedor e humanizado, que a

    Arquitectura permite potenciar, e desta forma

    fazer com que os utentes, doentes e funcionrios

    se sintam confortveis, como da sua casa se

    tratasse ou at mesmo como usufrussem do

    espao de um museu ou dum centro cultural.

    Na anlise destes trabalhos, podemos ver como

    cada arquitecto demonstra uma aproximao

    diferente ao projecto, de modo a estabelecer

    o equilbrio entre o respeito pela privacidade

    dos utentes, o incentivo actividade social

    e o encontro entre todos os utilizadores das

    Residncias.

    interessante realar como os autores do

    importncia ao desenho dos quartos com uma

    8 Reflexes sobre a arquitectura da sade Manuel Alexandre Silva Fernandes Arquitectura Ibrica n11 Equipamentos, pg 19

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    Mrio Melanda Arquitectura Geritrica

    Fig. 1 - Evoluo e previso da populao idosa na Europa (em%) - Fonte: Eurostat

  • 11

    Introduo

    maior quantidade possvel de entradas de luz

    natural, com cores que atenuam o ambiente e

    com pormenorizaes arquitectnicas como o

    desenho de camas com alturas calculadas para

    permitir aos doentes verem o exterior quando

    esto deitados. Em suma, que questes devemos

    levantar acerca da Arquitectura Geritrica?

    Conseguimos definir um modelo para os lares

    de terceira idade contemporneos? Haver uma

    tipologia especfica? E, por outro lado, seremos

    ns arquitectos capazes de corresponder

    s necessidades arquitectnicas com bons

    exemplos de Arquitectura?

    Conceitos

    Segundo o Despacho Normativo n 12/98 de

    25 de Fevereiro de 1998, DR 47/98 - SRIE

    I-B Emitido Por Ministrio do Trabalho e da

    Solidariedade, considera-se lar para idosos o

    estabelecimento em que sejam desenvolvidas

    actividades de apoio social a pessoas idosas

    atravs do alojamento colectivo, de utilizao

    temporria ou permanente, fornecimento de

    alimentao, cuidados de sade, higiene e

    conforto, fomentando o convvio e propiciando

    a animao social e a ocupao dos tempos

    livres dos utentes.

    Geriatria designa um ramo da medicina que

    trata das doenas e problemas da velhice assim

    como das pessoas que esto a envelhecer. Ou

    seja, o ramo da medicina que se ocupa da

    descrio, investigao e tratamento das doenas

    relacionadas com os idosos.9

    A definio segundo a Santa Casa da Misericrdia

    de Lisboa de Residncia (categoria de servios

    e equipamentos para idosos) a resposta social

    desenvolvida em equipamento constitudo por

    um conjunto de apartamentos com servios de

    utilizao comum, para idosos com autonomia

    total ou parcial.10

    Contexto e problemtica social

    A gerao que dominar o sculo XXI europeu

    o idoso, j que so os idosos e os adultos que

    constituem uma percentagem cada vez maior

    da populao. verdade que a populao

    mundial est a envelhecer, graas a uma melhor

    alimentao e estilo de vida com hbitos

    positivos evitar fumar, exerccio fsico, entre

    outros, a melhores servios mdicos, e