Arte de Ator

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    [e n'ai invente que dy croire.ETIENNE DECROUX

    INTRODUc;AO

    Teatro nao e arte. Do grego cLissico, theatron tern por raiz thea, gue significa over,o contemplar, e 0 sufixo tl'on, dos adjetivos, conota a lugar onde. Portanto, theatron e a "lugal'de onde se ve, ou se contempla".l

    No entanto, alern do nome que empresta ao ediffcio, esse termo e utilizado com fre-qiiencia para designar uma arte.,1Ha acontece neste espac;:ovazio, theatron, para ser obser-:vad.a.par alguern. Segundi Peter Brook, para que a a~a6 teatral possa ser esbocada, saofundamentais tres elementos: ~a~Q vazio, 0espectador (alguem que observa esse espa-\0) eo ator (alguern que cruza e, portanto, desenvolve uma acao nesse espaco) (Brook, 1977,p. 25).2Esses tres itens compBem, analogamente, a "celula" da ayre teatral, sua menor par-ticula viva ..-

    Os term os ~oes~:', ':poetical' e ~Eoeta" vem do grego po ie s is , po ie tik e , po ff te s , gue se~acionam com 0verbo de meSilla raiz: poieo, que significa fazer, erial'. Enquanto, na pers-pectiva das ciencias, a priori dade e 0objeto e a inteligencia sera verdadeira na medida emque se adaptar a ele, nas artes, ela precede a objeto. conhece-o criando. 0 conhecimentoirnplicito no fazer artistico e, portanto, um conhecimento criador, fazed or, produtor. Entreator e espectador, aquele que [az a arte e obviamente 0 ator, 0 que nos leva a conhecida t

    ~ conclusao de ser 0 teatro a arte do ator. _ VKjv\. ~ " ' ? A _ " v- I nA~o \ ' M ) I o J"i,et, JedA ."wk

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    LUIS OTAvIO BURNIER

    o fato de a thea tron (como espac;o) ser 0 ponto de encontro de diversas artes eartistas que buscam produzir uma arte "mais completa", sublime, espetacular, naoexclui que, em sua essencia, a teatro seja a arte do ator. A obra de arte teatral e, obvia-mente, a resultante da ar te do a tor "vestida" ou acornpanhada de diversas outras artesou nao. Se a arte teatr~l for abandonada pelo arquiteto, peIo artista plastico, pelomusico e ate mesmo pele escritor, mas mesmo assim res tar urn espaC;-Q,urn observadore urn ator, ela podera continuar a existir. Grotowski, Decroux e tantos outros ja trilharama caminho para demonstrar que tod os as "artistas colaboradores" do espetaculo, dasdiversas areas, podem tirar suas ferias que a arte teatral continuara existindo. Menosa ator! Ele e 0 linico artista do palco que nao e urn "colaborador" ou "convidado", mas 0proprio anfitriao.

    Para Etienne Decroux, "0 teatro e a arte de ator " (Decroux, 1963, p. 41). Ele esta-beleceu a sutil, mas fundamental, diferenca ao dizer l'a r! d 'a ct eu r e nao i 'urt de l 'acteur.Ele se refere a uma arte que emana do ator, algo que Ihe e ontologico, proprio de sua pessoa-_artista, do user ator", E nao a arte do ator, pais ela nao Ihe pertellce, ere nao e seu dono ,mas e quem a concebe e real i za.l - - - - _ _ _ . . . . ~ . ? - : : . . 6 . .arte naa reside propriamente em a qu e fazel', mas no como, 0 entanta, par'a 0

    'a\. J artista, a guestao do como e muitas vezes antecedida pelo com a que, Com quais instru-1 rr::entos: a mfmica, a danc;a, 0 canto, a dio;ao ... Todos pertencem a urn universo objetivo, - e resultam, digamos, de urn uso particular do co-;j?oe da vo~, Poderiarnos, po~concl~.:;) '

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    r-.- 5 \ \ \ < li>_I~ Assimnao somente 0 objetoesteticoquemeeapresentado e composto por viventes, mas ~ ) ~J~ ainda ele.se esfor~a em me dar a imagem, a mais clara da vida: cada movimento do D ~ ~ I- t l:,.3 bailarino e comouma afirmacao vital, aexibicaodas potencias devida que sedesnudam :- ' > . t : - ~II segundo aduracao que lhes epr6pria. Masse a danc;adauma imagem davida, eporque I _ S l _~ ela nao e a vida; os viventes que ela usa estao a seu serviC;o,eles Ihe em restam suas f l.~'~ qualidades de viventes para representar a vida, e a vida tratada esteticamente nao e ~ 1 '>

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    ' ~ _ J .~ IJ AM" DEATO", DA "CNWA A """'5CNTA,ACJ!~ rl~O~ificadOS e estruturados .que, por sua vez, formadio uma gramatica que vai do exer9: ~.~ ~L ~ cio gim1.sticoas jlgura s d e ee tilo> Estavamos. sem querer, seguindo quase a risca urn dos'i ..),-,receitos da arte de ator colocados por Jerzy Grotowski: .; ~ J.i .- < \ ~ Segundo nosso ponto de vista, as coridicoes -essenciais da arte do ator sao as seguintes,e devem ser objetos de pesquisas met6dicas:~

    \ . . < . ( ; : :~ =- a) E-stimularum proeesso de [email protected],indo ate 0 fundo do subeonseiente, canali-zando em seguida esta estimulacao para obter a reacao desejada;f b) Saber articular esse processo, d~eiplina-lo e eonverte-lo em signos. [...];

    , ~ c) Eliminar do processo criador a resistencia e os obstaculos devidos ao pr6prio~ganismo, tanto fisieo quanto pSlquico (os dais formando urn todo) (Grotowski,lk" 1971, p. 96).~- Nesse contexto, ? sentido da palavra represen tar remete a interpretar , 'lue devolve a re -presen tar (d.Diciondrio Aurelio) ; portanto, usando dessas palavras, fazerrjos alusao, riarealidade, a mod as de pensar a arte de ator.

    Em seu sentido proprio, interpreter quer dizer traduzir , e represen tar significa ~no Jugar d e" (0 chefe de gabinete que represen ia a prefeito), mas tambem pode significar #o e~contro de urn equivalente . Assim, quando urn atar interpreta urn personagem, ele esta . .. ...realizando a tradufliio de uma linguagem literaria para a cenic~; quando e1e rep tesen ta ,est~ encontrando um equi!valen.l.! .:Etienne Decroux, ell).resposta a uma carta aberra deGaSton Baty, em 1942, esheveu:

    1 ~ ~egundo Decroux, 0 ator, para set urn artista, deve encontrar um equivalente ,~: : f , ou seja, dar a ideia cia coisa par pma ouJJa coisa. Nao e sua funC;ao dar uma le i tura, .12,t.:j'l-~vj traduz~ as rep resen~ '~E~ivalentef/ e "ter 0 mesma valor sendo, mesma assimt ' f _) / "", .( diferente" .(Barba, 1991, p.95). Nicola Savarese e Eugenio Barba, em A arie secre ta d o( ) r : c . a tor - D iciona rio d e an iropologia tea tra l, citam Picasso: IIArte e 0 eguivalente a Natu-~ J- .reza" (Barba, 1991, P: 95), ;luanda abDrdam um dos prindpios da arte de atDr: 0d;:_

    r I : , ; ) equinatencia. (;i?J _ - '. ~ v \ M . .v . U tr" ' C ) v.~ ~.> c i~ ( , :~------ (~/-.- - - ""l~ ~d 'L . ~ : ? ! , \\V\'\AAVtf'-j:'{0,lr--_J'.,t\ 1 o s - . \ r ' ; v . lY ' 1 4 1 L V 1 J V , . c v w \T ( . l \ A .: b , ' \ C - . . . (V\_ \ ; '' - '' '' /\ ' ,) . _ r f~(J' I~ . - ~1 } l{}.)JJv. l \,_j \ f l ) , ' \ . ,jy-.':'~AA'\

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    -ICil)b-lVl~'\_ -t> A , ( , . " 1 / " 9 I ' ' C : ~- ~ C , _ , J ~ fv u ; t "\ :J \' \ . : l' Tt."A )

    ." -.. r I{Jv"k'r~,tTc~ c 'UPorque ao can trario do que sucede em au tros lugares, 11.0550 ator-can tan te se especializou i{/f. b 1separando-se do ator-bailarino. epar suavez este ultimo do ator..; Como chama-lo? Aquele

    Luis OT AVIO BUR, !ER

    que fala? Ator de prosa? Interprete de textos?Par que este ator tern de limitar-se a cada espetaculo na pele de urn so persona gem ?Par que a ator s6 explore raramente a possibilidade de tornar-se, no contexto de umahistoria inteira, muitos personagens, com saltos nos niveis de a portanto, entre algo que e fic

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    r ->Mh '{~ \ [A . .V\ VV>..A)'\tQ~-L. hJr,J f~""I'L ..{ f ~ ( . . . ' ) 1 J v . t ; [ , , , ~ h . ~ , , - . ~ - " - - 1'1..,l/'1.1!'-""I_I,.< __I (, J I 'I! .-1 I-~-:- \l-ci' -I - L 1- 1 ' - : 1 - > I I ' J ~(/v\t::~7lL- \ I L G ! Z ? ?:J), :r" I. 'VL~ ~ .' -rj..'O l c,t,~, 1'~1j-.:J\,.,~ i~ A!\. , t~Vl l ::

    II . I .' . / J ' t . _ ARTE DE AJOR: DA TECNICA A REPRESEr-.:TA

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    Se 0 instrumento de trabalho do ator, como 0 1 visto, nao e simples mente seu cor-~orpo-e:n-vida, entao a tecnica para trabalha-lo devera ser uma tecnica-em-vida. De fato, para urn atar de nada serve trabalhar a corpo, se ele nao se constituir ernU rn meio pelo qual pode entrar em contato consigo mesmo e com 0 espectador. Da mes-rna forma que a arte conversa com a percepcao sensorial do espectadar, ela 0 faz com ado artista ao a co rd a r, d in a m iza r elementos adorrnecidos, latentes e potenciais do ser. Logo,a tecnica, ou seja, aquilo que deve operacionalizar esta relacao, tern de, inevitavelmente,trabalhar com esses mesmos elementos. Assim, uma tecnica para a ator, qualquer queseja, precisa ser sobretudo iecnica-em-oida.

    A palavra "tecnica" em nossos dias est. ligada principalmente it capacidadeoperativa do artista. E ela quem operacionaliza sua relac;:aocorn a energia criadora. 0 termo1peracionalizar pode ser compreendido de distintas maneiras. Por urn lado, significa 0 tor-. . s / nar [ato, ou maier iai izar 0 impulso criador, au seja. modelar a materia de maneira que a\i aproxime ao maximo do que se tern em mente (ou do que se tern ern si), A criac;ao s6 sera

    /:::- realizada quando ambos, impulso criador e a modelagem, acontecerem. Se imaginarmosf um quadro, mas nao 0 passarmos para a tela, nao teremos criado uma obra, mas simples-q ,Q '\ mente imaginado. Par outro lado, se produzimos de forma mecanica a reproducao em 5e-~~ie de uma determinada obra, por mais que 0 trabalho seja do tipo artesanal, nao se esta1~ -n criando, mas simples mente reproduzindo, operacionalizando algo.L J - t j ,,0 termn oP!.E.cianalizar tambem Fode estar ligado aOs caminhos que permi~$ tf contato entre d imen sC lo i n te r io r e d im en sC la fisic a e m ec an ic a. Para 0 ator, trata-se do co~t t ' G i0 C - 7 ~ ' " - . ~ sa r c(V~ ifIF'~~~ jr ; ; ; ; ; i :

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    A ARTE DE ATOR: DA TECNICAA REPRESENTA

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    revelacao", ou seja, do ator para consigo; e uma segundJ., com

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