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  • Memrias do Desenvolvimento uma publicao do Centro Internacional Celso Furtado dePolticas para o Desenvolvimento

    Luiz Gonzaga Belluzzo Presidente institucionalRosa Freire dAguiar Furtado Presidente culturalCarlos Pinkusfeld Bastos Diretor de pesquisaCarlos Tibrcio Diretor de comunicao

    Coordenador executivo Pedro de SouzaAssistentes executivos Alexandre Frana e Glauber Cardoso

    Memrias do Desenvolvimento

    Conselho Editorial Luiz Gonzaga Belluzzo, Rosa Freire dAguiar Furtado, Carlos Tibrcio,Carlos Pinkusfeld BastosEditoras Hildete Pereira de Melo, Glria MoraesAssistentes de pesquisa Ana Cludia Caputo, Victor Leonardo ArajoReviso Ana Cludia Caputo, Beth PenaDigitalizao Estopim Comunicao e Eventos, Ana Cludia CaputoProjeto grfico A 4 Mos Comunicao e DesignEditorao eletrnica A 4 Mos Comunicao e Design

    Todos os direitos desta edio reservados ao Centro Internacional Celso Furtado de Polticas parao DesenvolvimentoAv. Repblica do Chile, 100 subsolo 1, salas 15-1720031-917 Rio de Janeiro, RJ, Brasiltel: (5521) 2172-6312 / 6313site: www.centrocelsofurtado.org.bremail: centro@centrocelsofurtado.org.br

    M533 Memrias do Desenvolvimento. Ano 1, n. 1, jun. (2007). Rio de Janeiro: CentroInternacional Celso Furtado de Polticas para o Desenvolvimento, 2007.V.

    ISSN 1981-7789

    1.Furtado, Celso, 1920-2004. 2. Desenvolvimento econmico - Peridicos. 3.reas subdesenvolvidas - Peridicos. 4. Histria econmica - Peridicos. I. CentroInternacional Celso Furtado de Polticas para o Desenvolvimento.

    CDU 330.34

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  • SUMRIO

    n Editorial 5

    n Apresentao 7

    n Legislao 13

    Lei n. 1.474 de 26.11.1951 15

    Lei n. 1.518 de 24.12.1951 23

    Lei n. 1.628 de 20.06.1952 25

    Lei n. 2.973 de 26.11.1956 35

    Lei n. 4.506 de 30.11.1964 45

    n Fontes documentais do BNDE 85

    Parte IV da Exposio sobre o Programade Reaparelhamento Econmico de 1962 87

    Apndice A da Exposio sobre o Programade Reaparelhamento Econmico de 1965 99

    Apndice E da Exposio sobre o Programade Reaparelhamento Econmico de 1965 173

    n Anexo Estatstico do ProjetoO papel do BNDE na industrializao do Brasil -Os anos dourados do desenvolvimentismo - 1952-1980 237

    n Relatrio da Comisso Mista Brasil-Estados Unidos 277

    As solues indicadas pela ComissoMista Brasil-Estados Unidos 279

    Balano de pagamentos 337

    Efeitos econmicos e financeiros do programa 397

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  • EDITORIAL

    Osegundo nmero de Memrias do Desenvolvimento, publicao doCentro Internacional Celso Furtado de Polticas para oDesenvolvimento, dedicado a fontes documentais que atestam a

    importncia do Fundo de Reaparelhamento Econmico (FRE) e da ComissoMista Brasil-Estados Unidos (CMBEU), ambos criados em 1951, durante osegundo governo Vargas. Os recursos arregimentados pelo Fundo foramdecisivos para a promoo de investimentos que viriam a concretizar-se nosanos seguintes, aplicados principalmente em setores industriais e de infra-estrutura, essenciais para que as polticas de governo pudessem promoverciclos de desenvolvimento e de industrializao. Os estudos da CMBEU seriamretomados depois, quando da elaborao do Plano de Metas, no governoJuscelino Kubitschek.

    A escolha das fontes a serem publicadas obedeceu a critrios do projeto Opapel do BNDE na industrializao do Brasil - Os anos dourados do desenvol-vimentismo - 1952-1980, do Centro Celso Furtado. Pensando no pesquisador,leitor privilegiado desta publicao, entendemos ser importante publicar, almda legislao que criou o FRE, a lei que regulamentou as garantias do TesouroNacional dadas a operaes de crdito vinculadas ao FRE; a que criou o BNDE;a que prorrogou por mais dez anos o adicional do imposto de renda e a que oextinguiu, em 1964. Dada essa escolha inicial, para a pesquisa foi necessrioque tambm viessem a pblico documentos oficiais do Banco Nacional deDesenvolvimento Econmico e Social, como a Parte IV da Exposio sobre oPrograma de Reaparelhamento Econmico, de 1962, e os Apndices A e E daExposio sobre o Programa de Reaparelhamento Econmico, de 1965, porfornecerem pistas importantes para desvendar os setores econmicos quereceberam recursos e a real capacidade de investimentos do BNDE.* A

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  • periodizao escolhida, apesar de se estender at o ano de 1965, mostra comoos recursos do Fundo continuaram a fomentar os projetos do ano seguinte,embora o FRE tenha sido extinto em 1964.

    Certos de que tambm ser do interesse do pesquisador, publicamos as tabelasgeradas pela pesquisa O papel do BNDE na industrializao do Brasil - Os anosdourados do desenvolvimentismo - 1952-1980 e que mostram os projetos,investimentos e desembolsos, em moeda corrente e em moeda estrangeira,durante o perodo que vai de 1952 a 1965. Para melhor ilustrar o recorte histricoque fizemos, reproduzimos parte do Relatrio da Comisso Mista Brasil-EstadosUnidos, publicado em O Observador Econmico e Financeiro, nas edies deabril de 1955 a maro de 1956.

    MEMRIAS DO DESENVOLVIMENTO6

    * Agradecemos ao presidente do BNDES, professor Luciano Coutinho, a autorizao para publicarmos osdocumentos histricos, e Gerncia de Documentao (GDOC) do Banco pela acolhida. (N. E.)

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  • APRESENTAO

    O CONTEXTO POLTICO E ECONMICOEntre as duas guerras mundiais de 1914-18 e 1939-45, o crescimento de alguns

    pases centrais foi oscilante, alm de afetado gravemente pela recesso de 1930.Em todos os pases, desenvolvidos ou no, a interveno econmica do Estado seacentuou durante o perodo da guerra, a partir de um apelo defesa do Estadonacional. Nos pases perifricos, nenhuma experincia importante de indus-trializao acelerada ainda se registrara. Esta s vem a ocorrer sob o comandoestatal, ainda que se diferencie em relao aos graus de interveno do Estado ede participao de capitais nacionais e estrangeiros. Entretanto, em todas asexperincias coube ao Estado, alm de suas funes clssicas, o papel de promotorda infra-estrutura e de coordenador de grandes blocos de financiamento dodesenvolvimento em diversos setores.

    No Brasil, o perodo imediato entre o fim da Segunda Guerra Mundial e oincio dos anos 50 caracteriza-se por um forte ciclo expansivo da indstria, queocorreu com restries s importaes, fossem de bens essenciais, fossem debens de capital. o momento privilegiado do processo de substituio de impor-taes, que continuaria pelos anos seguintes atuando na diversificao da estruturaprodutiva nacional. Na segunda metade da dcada de 40 houve inflexesascendentes nas ofertas e nas demandas industriais internas que consolidaram oprocesso de industrializao por substituio de importaes, com a decorrenteampliao dos mercados urbanos. Na rea macroeconmica, prevalecerampolticas expansionistas que favoreceram novos investimentos, pblicos e privados,e que avanaram at o incio dos anos 60.

    As altas taxas de crescimento da economia brasileira se concentraram emdois perodos: entre o imediato ps-guerra e 1952 e, depois, durante o Plano deMetas, de 1956 a 1960. Esses anos foram marcados pela criao de instituies

    APRESENTAO 7

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  • e de instrumentos que promoveriam o processo de industrializao, como oFundo de Reaparelhamento Econmico, e pela expanso do financiamentoindustrial, atravs do aumento das transferncias do setor pblico, via elevao docrdito subsidiado pelo BNDE e pelo Banco do Brasil. No bojo dos arranjos legaise institucionais que estimulariam o crescimento industrial, o FRE tornou-se umapea importante, reafirmando a capacidade de o Estado brasileiro gerar recursospara o processo que aqui se acelerava.

    A volta de Vargas ao poder, em janeiro de 1951, deixou claro o ambiente decomposio e conciliao que a poltica nacional exigira. Dentre os participantesde seu ministrio destacamos Joo Neves da Fontoura, ministro do Exterior, eHorcio Lafer, ministro da Fazenda, membros do Partido Social Democrata (PSD).Fontoura, poltico gacho, advogado e diplomata, era defensor da ampliao dacooperao com os Estados Unidos. Lafer, poltico de So Paulo, tambmadvogado e diplomata, alm de representar parte do empresariado paulista traziagrande vivncia no trato internacional e legislativo, pois participara da Liga dasNaes, durante o governo de Washington Lus, e fora deputado federal naConstituinte de 1934 e na de 1945. Foi sob a influncia direta de Fontoura e deLafer que o governo Vargas retomou as negociaes com os Estados Unidos,especificamente com o Eximbank e com o Banco Mundial, com o intuito deangariar recursos para financiar o processo de desenvolvimento industrialbrasileiro.

    Abertas as negociaes, a expectativa de recursos provenientes dos EstadosUnidos foi muito grande, acabando por frustrar aqueles que, como Fontoura e oprprio Vargas, acreditavam que estes se aproximariam de um bilho de dlares,cifra extraordinria para a poca. Em contrapartida, Vargas se comprometeria afornecer matrias-primas para o esforo de guerra que a economia norte-americana fazia e promover uma poltica amigvel para os investimentos de suasfirmas. Acreditando o governo que recursos seriam liberados para o financiamentode projetos estratgicos para o desenvolvimento, alguns projetos foram enviadospara serem submetidos aos critrios e anlise do Eximbank e do Banco Mundial.O governo enfrentaria resistncias da ala nacionalista mais radical necessriaabertura participao do capital privado, nacional e estrangeiro, nas atividadesde explorao de matrias-primas.

    Para implantar as polticas de industrializao pretendidas, o governo b