Artesanato indígena

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artesanato waiapi

Text of Artesanato indígena

  • Presidente da Repblica Fernando Henrique Cardoso

    Ministro da Educao Paulo Renato Souza

    Secretrio Executivo Luciano Oliva Patrcio

  • Livro do artesanato Waiapi

    CTI/ MEC/ NRF

  • Secretria de Educao Fundamental Iara Glria Areias Prado

    Diretor de Poltica da Educao Fundamental Walter Kiyoshi Takemoto

    Coordenadora Geral de Apoio s Escolas Indgenas Ivete Maria Barbosa Madeira Campos

    Endereo MEC/SEF/DPEF Coordenao Geral de Apoio s Escolas Indgenas Esplanada dos Ministrios, Bloco "L" Sala 626 70.047-900 Braslia/DF Fax: (61) 321 5864 Tel: (61) 410 8630/321 5323 cgaei@sef.mec.gov.br

    Esta publicao foi idealizada em 1993 no segundo curso para Profes-sores Waipi, e resultado dos cursos promovidos posteriormente pelo Centro de Trabalho Indigenista, com apoio do Ministrio da Educao e da Norwegian Rainforest Foundation / Operao OD. Esta publicao recomenda-da pelo Comit de Educao Escolar Indgena no mbito do Programa de Promoo Divulgao de Materiais Didtico-Pedaggicos para Escolas Indgenas.

    Livro do artesanato Waipi / Centro de Trabalho Indigenista. - Braslia : MEC, Secretaria de Educao Fundamental, 1999.

    60p. : il.

    1.Cultura Indgena I. Centro de Trabalho Indigenista.

    CDU39(=081:81)

  • Apresentao 5 Nossa terra 6

    Nossas aldeias 8

    Nosso jeito de viver 10 Trabalho 16

    Nosso artesanato 20

    Utenslios para casa 22

    Utenslios de cozinha 34

    Instrumentos de caa e pesca 40 Objetos de uso pessoal e adornos 44 Instrumentos musicais 52

    Porque vendemos artesanato 57

    ndice

  • Apresentao Ns somos Waipi. Ns moramos no Brasil, no estado do Amap. Vivemos dentro da Terra Ind-gena Waipi, com 604 mil hectares. A demarca-o comeou em 1994 e terminou em 1996. Cada grupo Waipi mora em uma aldeia separa-da. Alguns moram muito longe, outros moram perto. Ns temos I 3 aldeias, e os Waipi ainda vo aumentar. A vida waipi diferente da vida do branco. Ns usamos tanga, urucum, flecha e colar de mianga. Nossa alimentao tambm diferente. Comemos beiju e carne de caa - por exemplo: caititu, veado e anta. Ns no perde-mos a nossa bebida. Ela feita de mandioca. Nossas aldeias so diferentes das cidades. Ns derrubamos poucas rvores para fazermos as roas.

    APINA o Conselho das Aldeias Waipi. Foi for-mado no dia 25 de agosto de 1994. Todos os caciques vieram. Foram os chefes que colocaram o nome APINA. para ajudar o povo Waipi, para apoiar nossos parentes e vender artesanato e produtos - por exemplo: cupuau, copaba, cas-tanha. Para isso ns criamos o APINA. O APINA tem quatro secretrios para ajudar o presidente e o tesoureiro.

    Professres Waipi

  • Nossa te r ra Antes no havia limites. S floresta. No precisava estabelecer limites. Toda essa flo-resta era nossa. Os antigos s falavam das roas, onde ficavam suas moradas. Delas, abriam caminhos para caar e visitar outras aldeias. Nossos antepassados s abriam caminhos de caa. S marcavam esses trechos, s faziam esses percursos. Quando acabava a caa numa rea, abriam caminho em outra direo. E l ficavam de novo...

    Waiwai

    Agora (com a demarcao) esta-mos satisfeitos, porque vamos po-der continuar a dispersar nossas aldeias, visitar uns aos outros, pas-sear de aldeia em aldeia. E nossos netos podero abrir novos cami-nhos de caa, longe...

    Ajreaty

    Antes ns no sabamos que tnhamos "limites", s sabamos que tudo era floresta... Agora, demarcamos nossa rea porque s o que sobra dos lugares antigos. Os nossos netos precisam defender esta terra para continuar vivendo como Waipi.

    Kumai

  • No fizemos demarcao toa. E nossa terra. Queremos manter a floresta como ela est. Sempre pensamos o que fazer e como fazer, mas precisamos vender os produtos de nossa terra. Por isso fizemos a demarcao. Sempre estamos nos perguntando como controlar a rea para que os brancos no invadam nossa terra. Ns no vivemos despreocupados com tudo isso. No deixamos madeireiro entrar na nossa terra. Ns cuidamos da floresta. No queremos que desmatem a rea. Ns no queremos ningum derrubando grandes extenses. Antigamente, as rvores e as plantas da floresta foram dadas pe-lo criador Jane Jar ("nosso dono"). Agora no, ele no vai mandar outras frutferas boas para ns. Esse tempo acabou. Se derrubar tudo, es-sas plantas no vo voltar a crescer: acabou. Ns tambm vimos que os igaraps acabam, que agora os peixes esto muito tristes por-que o garimpeiro faz muita sujeira na cabeceira dos rios. Ento os peixes vo ficando doentes tambm. Garimpeiro no est nem a. Depois que estragou, o garimpeiro vai embora, deixan-do a terra estragada...

    Kasiripina

  • Nossas aldeias A aldeia muito diferente da cidade. Porque l bem calmo. No tem barulho de carro, de avio, nem de moto e nem de fbrica. E por isso que l bom para morar e dormir de noite. L s tem canto dos pssaros e os Waipi conversando com seus parentes. Na aldeia no tem prdio, no tem casa coberta com brasilit, no tem ruas. As nossas casas so cobertas de palha. Cada fa-milia tem uma casa para morar e dormir. Ns, Waipi, no usamos cama. Usamos redes feitas de algodo. S na rede que ns dormimos. Ca-da Waipi tem sua rede, as crianas e os adultos.

  • Na aldeia no tem supermercado para vender mercadorias como na cidade. Cada famlia tem a alimentao na sua casa. Na minha rea no tem caf da manh, almoo e janta como na cidade. Ns, Waipi, comemos a qualquer hora, quando estamos com fome, mas na cidade no assim. Nas nossas aldeias tem muitas plantas perto das nossas casas. Em toda aldeia tem um grupo de Waipi morando. Na aldeia no tem energia. A energia dos Waipi o fogo. Cada casa tem seu fogo. Alguns parentes usam turi, que o bran-co chama de breu. Ns respeitamos o jeito dos brasileiros. Eles tambm tinham que respeitar o modo de vida dos Waipi.

    Aikyry

  • Nosso jeito de viver

    Waipi no pobre

    Os Waipi no so pobres. Porque ns temos aterra demar-cada, temos floresta, temos anima-is, rio puro. Os rios daqui no so poludos como na cidade. Ns fa-zemos roa e plantamos mandio-ca, macaxeira e outras plantas para ns comermos e sobrevivermos. A gua dos rios pura e bebemos gua dos rios mesmo na nossa rea.

    Contando histrias para os filhos

    Ns, Waipi, contamos muitas histrias para nossos filhos. E durante a noite que ns contamos as histrias para nossos fi-lhos ouvirem, porque noite no tem muita coisa para fazer. Contamos as hist-rias das dezenove horas at as vinte e duas horas. Desde pequenas, as crianas Waipi aprendem as histrias dos nossos antepassados.

  • Ns, Waipi, sabemos tudo e valemos muito. Ns sabemos fazer reunies. Sabemos fazer festas. Ns somos conta-dores, cantores, lutadores, brincalhes, guerreiros. Ns, Waipi, sabemos fazer filhos para o povo Waipi no acabar. Ns, Waipi, somos inteligentes tambm. Sabemos ler, escrever, fazer projetos, usar dinheiro... Sabemos dirigir carro, motor de popa. Sabemos manter a nossa floresta, os rios, nossas famlias... Sabemos criar filhos de animais como filhos de humanos.

    Aikyry

    Ns, Waipi, somos donos da nossa terra. Ns, Waipi, somos donos da floresta. Ns somos donos dos animais. Ns somos donos das nossas riquezas. Ns somos donos dos nossos filhos. Ns, Waipi, somos donos de nossas famlias.

  • A gente se pinta com uru-cum para proteger nosso corpo. Nas festas, a gente se pinta com urucum para enfeitar o corpo. As mulheres que pintam os homens com urucum, porque isso trabalho das mulheres. Os homens se pintam tambm, mas s quando a mulher est ocu-pada e est trabalhando.

    A gente no se pinta s com urucum. A gente junta leo de copaba com o urucum para ficar bem lisi-nho. Se no tem leo de copaba, a gente tira leo de andiroba para misturar com urucum e pintar o corpo. O urucum deixa o corpo da gente vermelho. Depois de quatro dias, o urucum sai todo do corpo da gente.

    Seki

  • Primeiro a gente sobe na rvore para tirar o jenipapo. Tem que tirar quando est verde. Depois a mulher rala o jenipapo, depois es-preme com a mo. Quando a cuia est cheia de jenipapo, ela coloca no sol, para ficar preto. A gente mistura carvo no jenipapo. Para pin-tar, a gente amarra algodo na ponta de um pauzinho. Depois pinta o corpo. A gente pin-ta o corpo porque gosta. A gente se pinta pa-ra caar, a os bichos no vem bem a gente. A gente se pinta para a festa, para ir na roa, todo dia.

    Emyra e Waimisi

    Ns temos tinta para pintar os nossos corpos, para ficarmos mais bonitos. Nossa tinta o urucum e o jenipapo. Usamos muito na hora da festa, usamos quase todos os dias. Com tinta de jenipapo, dese-nhamos desenhos que represen-tam ossos de peixe, borboletas e outras coisas. Com o urucum, pin-tamos espalhando pelo corpo to-do. Pintura serve para proteger os nosso corpos, como os brasileiros, franceses e alemes usam calas compridas e camisas para proteger suas peles e corpos.

    Aikyry

  • O calendrio dos brancos parece um quadrado cheio de nmeros. Os brancos s mudam os nme-ros. O calendrio dos Waipi redondo e s com palavras, com nomes de animais e de frutas marcando o tempo, por exem-plo: o tempo da bacaba ou o tempo do aa.

    Tapenaiky

    No vero, muito difcil matar tu-cano. Porque no vero no tem muita fruta. No inverno mais f-cil matar tucano. Porque o inver-no o tempo do aa, da bacaba e outras frutas. Quando tempo do aa, d muito tucano, pois os tucanos comem muito aa, e ns matamos muitos tucanos. Quando ns matamos, come-mos. gostoso com tucupi. Quando ns matamos, ns tambm tiramos o papo dos tucanos para fazer a coroa akanytar.

    Kaitona

    Marcamos o tempo do vero como o tempo que bom para pescar e para andar no mato. E quando a queixada est muito gorda. No nos-so calendrio no tem ms, s tem a lua para ver. Por exemplo, quando um Waipi vai para outra aldeia e a lua est crescendo, ele vai falar para a mu