Artigo Cinesiologia

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    10-Aug-2015

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<p>Anlise Comparativa dos Exerccios Abdominais na Prancha Inclinada e no Solo. Victor Ferreira de Souza1 Marcus Vincius Patente Alves2 Resumo O objetivo deste estudo foi realizar uma anlise comparativa dos exerccios abdominais na prancha inclinada e no solo. Para a avaliao biomecnica dos movimentos foi utilizado o mtodo cinemtrico. Um atleta de 19 anos de idade, estatura 1,86 m, massa corporal de 80,0 kg, com prtica de 6 anos de exerccios resistidos irregulares, foi filmado, durante a execuo dos exerccios. Os exerccios foram executados seqencialmente com 3 repeties de cada. Entre a execuo das seqncias de exerccios houve um intervalo de 3 minutos. Para analisar os exerccios resistidos, escolhemos como parmetros de avaliao, a determinao da sua velocidade angular, ngulos internos do quadril no exerccio abdominal na prancha inclinada e abdominal no solo, alm da fora (peso) e o momento de fora (torque) em ambos os exerccios. Para a compreenso dessas variveis foi necessrio tambm determinao do centro de gravidade (CG) nos diferentes exerccios. No exerccio abdominal utilizamos o CG da parte superior do corpo (cabea, tronco, braos, antebraos e mos). Devido a velocidade angular do atleta, na fase concntrica, ser maior que a fase excntrica, o atleta pode proporcionar a ele mesmo uma maior micro-leso devido a diminuio de pontes cruzadas do sarcmero para suportar o mesmo peso, e proporcionando a ele uma melhor hipertrofia. Contudo, esse estudo busca contribuir aos profissionais da rea e aos praticantes de academia, conceitos e valores significativos na anlise dos exerccios; do Exerccio Abdominal na Prancha Inclinada e Abdominal no Solo, assim como a comparao entre eles, levando em considerao a fora exercida (torque) e a velocidade para sua execuo, tanto nas fases concntricas quanto nas excntricas. Palavras Chaves: centro de gravidade, abdominal, anlise cinesiolgica, cinemetria INTRODUO Para Amadio e Duarte (1996), podemos conceituar a biomecnica como uma cincia que trata de anlises fsico-matemticas de sistemas biolgicos e, como conseqncia, de movimentos humanos. Esses movimentos so analisados atravs de leis e normas mecnicas com relao a parmetros especficos do sistema biolgico. Acrescenta que se procura definir atravs de mtodos e princpios biomecnicos os parmetros e padres fundamentais que caracterizam e descrevem o movimento humano. A biomecnica do movimento busca explicar como as formas de movimento dos corpos de seres vivos acontecem na natureza a partir de parmetros cinemticos e cinticos (AMADIO e DUARTE, 1996).1 2</p> <p>Discente do curso de Educao Fsica do Centro Universitrio do Tringulo - UNITRI Prof. Me do curso de Educao Fsica do Centro Universitrio do Tringulo - UNITRI</p> <p>1</p> <p>Cinemtica e cintica so sub-divies do estudo biomecnico. Cinemtica a descrio do movimento, incluindo o padro e a velocidade das seqncias de movimentos realizadas pelos segmentos corporais que, com freqncia, correspondem ao grau de coordenao demonstrada por um indivduo (HALL, 2000). Para Campos (2006) as variaes cinemticas para um dado movimento incluem: a) o tipo do movimento que est ocorrendo; b) o local do movimento; c) a magnitude do movimento; e d) a direo do movimento. Enquanto a cinemtica descreve o aspecto do movimento, a cintica o estudo das foras associadas com o movimento (HALL, 2000). A fora definida como uma ao exercida por um objeto sobre outro. Ela pode ser externa e interna. Foras externas so foras que agem no corpo ou segmento, que provm de fontes fora do corpo. As foras internas so foras que agem no corpo, provenientes de fontes internas do corpo humano como msculos, ligamentos e ossos (CAMPOS, 2006). Alm da cintica e cinemtica, a esttica e a dinmica auxiliam na anlise biomecnica. Esttica o estudo dos sistemas que se encontram em um estado de movimento constante, isto em repouso (sem movimento) ou movimentando-se com uma velocidade constante. A dinmica o estudo dos sistemas nos quais existe acelerao (HALL, 2000). Afim de que se possam obter informaes acerca do movimento, a biomecnica utiliza diversos mtodos de investigao, que so a cinemetria, dinamometria, eletromiografia e antropometria. A cinemetria consiste em um conjunto de mtodos que busca medir os parmetros cinemticos durante a execuo do movimento, isto , a partir da aquisio de imagens durante a execuo do movimento, realiza-se o calculo das variveis dependentes dos dados observados nas imagens, como posio, orientao, velocidade e acelerao do corpo ou de seus segmentos. Dessa forma, a cinemetria est interessada na descrio de como um corpo se move no se preocupando em explicar as causas desses movimentos (AMADIO e DUARTE, 1996). Para Amadio e Duarte (1996) a dinamometria engloba todos os tipos de medidas de foras e ainda a distribuio da presso, podendo interpretar as respostas de comportamentos dinmicos do movimento humano. A eletromiografia o termo genrico que expressa o mtodo de registro da atividade de um msculo quando realiza contrao. A antropometria se preocupa em determinar caractersticas e propriedades do aparelho locomotor como s dimenses das formas geomtricas de segmentos corporais, distribuio de massa, braos de alavanca, posies articulares, etc., definindo ento, um modelo antropomtrico contendo parmetros necessrios para a construo de um modelo biomecnico da estrutura analisada (AMADIO e DUARTE, 1996). 2</p> <p>Para Amadio e Duarte (1996) a biomecnica possui diversas reas de atuao, como a locomoo humana; analise esportiva; clinica e reabilitao; ortopedia e traumatologia; instrumentao e mtodos; modelagem e simulao computacional; tecidos e biomateriais; msculo-esqueltica; cardiovascular e respiratria; e ocupacional e ergonomia. No sentido mais amplo de sua aplicao, ainda tarefa da biomecnica a caracterizao e otimizao das tcnicas de movimentos atravs de conhecimentos cientficos que delimitam a rea de atuao da cincia, que tem no movimento humano seu objeto de estudo. O conhecimento de vrios princpios biomecnicos favorece a qualidade do programa de treinamento resistido, por proporcionar uma capacidade, ao profissional, de discernir e prescrever os melhores exerccios para cada cliente (CAMPOS, 2006). De acordo com Chiesa (2002), a musculao, classicamente conceituada como atividade contra resistncia, busca em sua essncia o aprimoramento da qualidade fsica fora muscular, que est ligada intimamente ao movimento humano, no s na forma de exerccios com aparelhos/mquinas, mas tambm por meio de atividades cotidianas. Ela envolve algumas variveis como angulao, amplitude, velocidade de execuo, momento de fora e posio do corpo. A musculao tem como objetivos um meio de reabilitao ou recuperao de leses; intervenes cirrgicas ou doenas que causam interrupes no treinamento; melhora na condio fsica geral, como meio de condicionamento muscular, que muito importante nos esportes de base, escolar e recreativo. Quando se quer fortalecer o corpo em geral, reduzir a gordura e/ou aumentar o peso corporal; meio de treinamento nos esportes de base, para compensar ou reduzir deficincias; elemento especfico do treinamento do esporte de alto rendimento; incremento da fora sem aumento do peso corporal, importante para as especialidades em que h categorias de peso; incremento da fora e da massa muscular, para esportes em que esse aumento no tem muita importncia ou necessrio para melhorar a performance; modificao do peso corporal por motivos de regulamentao ou de competio (NIEMAN, 1999). O exerccio abdominal na prancha inclinada promove a flexo da cintura plvica, e deve ser realizado em series longas, j que feito isso ele permite trabalhar o conjunto da musculatura abdominal, assim como o iliopsoas, o tensor da fascia ltea e o reto femoral do quadrceps femoral, trs msculos que agem na anteverso da pelve. Na sua realizao no deve curvar a coluna no momento de elevao (DELAVIER, 2000). Segundo Delavier (2000) no exerccio abdominal no solo importante repetir o movimento at o surgimento de uma sensao de queimao ao nvel do ventre. Ressalta que 3</p> <p>o exerccio trabalha os flexores do quadril, assim como os oblquos, mas sua ao exercida, sobretudo sobre o resto do abdome. Apesar disso, ainda existem controvrsias envolvendo a tcnica de execuo dos exerccios resistidos, uma vez feito de maneira incorreta podem proporcionar respostas bastante diferenciadas, sendo necessrio ento acompanhamento de um profissional da educao fsica capacitado. Portanto, o objetivo deste estudo foi analisar os exerccios resistidos, comparando biomecanicamente, abdominal na prancha inclinada comparado com abdominal no solo, por apresentaram a mecnica de movimento semelhante. MATERIAL E MTODO Para a avaliao biomecnica dos movimentos foi utilizado o mtodo cinemtrico. Observou-se um atleta de 19 anos de idade, estatura 1,86 m, massa corporal de 80,0 kg, que pratica exerccios resistidos irregulares h 6 anos, filmando abdominal na prancha inclinada e abdominal no solo. As filmagens foram feitas nos planos sagital.Utilizou-se de uma filmadora Digital Vdeo Cmera Marca JVC, que foi fixada sobre um trip, usando de iluminao artificial para enfatizar os pontos articulares corporais. O atleta permaneceu deitado sobre um colchonete no exerccio abdominal no solo, e em um banco com inclinao de 19 no exerccio abdominal na prancha inclinada. Os exerccios foram realizados na academia da Faculdade de Educao Fsica da Universidade Federal de Uberlndia.</p> <p>Figura 1 Inclinao do banco no exerccio Abdominal na Prancha Inclinada.</p> <p>No exerccio abdominal na prancha inclinada o atleta se distanciou da filmadora em 3,61 m com altura de 0,97 m distante do solo, e no exerccio abdominal no solo a uma distncia de 4,18 m, estando cmera na realizao do exerccio a uma altura de 0,65 m do solo. Visto que</p> <p>4</p> <p>ser feita a comparao entre os exerccios abdominais necessrio que a angulao da flexo do joelho nesses exerccios seja a mesma, e por isso foi estipulada a distncia de 0,75 m entre a articulao do tornozelo e do quadril (distncia do trocnter maior do fmur ao malolo lateral), que consequentemente ocasionou no mesmo ngulo de 111 para a flexo da articulao do joelho.</p> <p>Figura 2 Angulao da articulao do joelho nos exerccios Abdominal na Prancha Inclinada e Abdominal no Solo.</p> <p>Para a determinao dos pontos articulares utilizou-se do mtodo de palpao descrito por Joo (2005), onde aps determinadas, foram marcadas com estruturas circulares de 0,02 m de dimetro feitos de papel prateado adesivo, que foram fixadas sobre a superfcie da pele. As marcaes foram feitas nas articulaes do lado esquerdo do corpo para analisarmos os exerccios abdominais. O mtodo de palpao determina que sejam definidos os seguintes pontos na articulao (JOO, 2005): Na articulao do ombro palparam-se as estruturas e referncias sseas, os tendes do manguito rotator, alm do tendo da poro longa do bceps braquial, posicionando a estrutura circular em cima do manguito rotator. Na articulao do cotovelo palpou-se a face lateral, epicndilo lateral e ligamento colateral lateral, posicionando a estrutura circular no epicndilo lateral. Na articulao do punho + mo palpou-se o osso estilide ulnar, a cabea da ulna e piramidal, posicionando a estrutura circular entre esses ossos. Na articulao do quadril palpou-se a crista ilaca e o trocnter maior posicionando a estrutura circular entre os dois. Na articulao do joelho palpou-se a cabea da fbula, o ligamento colateral lateral e o cndilo femoral lateral, posicionando a estrutura circular no cndilo femoral lateral.</p> <p>5</p> <p>Na articulao do tornozelo + p palpou-se o malolo lateral, calcneo, articulao tbiofibular inferior, tbia e msculos da perna, posicionando a estrutura circular no malolo lateral.</p> <p>Apesar de no estar descrito na literatura, foi necessrio demarcao de uma estrutura circular na altura media do tronco, prolongando-se no processo xifide do osso esterno.</p> <p>Foram definidas as seguintes etapas de execuo dos exerccios: posio inicial e desenvolvimento, esta ltima compreendendo as fases concntrica e excntrica da contrao. Lembrando-se que considerada fase concntrica quando a tenso muscular resulta em encurtamento do msculo e fase excntrica quando o msculo alonga, enquanto est sendo estimulado a desenvolver tenso (HALL, 2000). Essas etapas so descritas a seguir: Abdominal na prancha inclinada: a) posio inicial: sentado sobre a prancha, ps imobilizados pelos apoios, mos atrs da nuca; b) desenvolvimento: inspirar e inclinar o tronco acima, jamais ultrapassando 20 e subir flexionando discretamente a coluna para melhor localizar o trabalho sobre o reto do abdome, expirando no final do movimento (DELAVIER, 2000). Abdominal no solo: a) posio inicial: em decbito dorsal, joelhos flexionados, ps apoiados contra o solo, mos atrs da cabea; b) desenvolvimento: inspirar e elevar o tronco, flexionando a coluna, e expirar no final do movimento. Retomar a posio inicial, mas, sem apoiar o tronco (DELAVIER, 2000).</p> <p>Figura 3 Posio inicial fase concntrica e posio inicial fase excntrica do Abdominal na Prancha Inclinada.</p> <p>6</p> <p>Figura 4 Posio inicial fase concntrica e posio inicial fase excntrica do Abdominal no Solo.</p> <p>As imagens filmadas foram baixadas para o computador no formato MPEG e convertidas para o formato JPEG. As seqncias foram ento, fragmentadas em intervalos de 30 quadros por segundo pelo programa Vdeo Deconpiler e a seleo delas para a anlise do movimento foi feita de forma que pudesse ser observada a amplitude articular total do movimento do quadril para os exerccios abdominais, j que monoarticular (envolve apenas uma articulao no movimento). Foram selecionadas as imagens do inicio e do final do movimento. As imagens foram gravadas no formato JPG e os ngulos internos das articulaes foram medidos pelo software CorelDraw 12. Para analisar os exerccios resistidos, escolhemos como parmetros de avaliao, a determinao da sua velocidade angular, ngulos internos do quadril no exerccio abdominal na prancha inclinada e abdominal no solo, alm da fora (peso) e o momento de fora (torque) em ambos os exerccios. Para a compreenso dessas variveis ser necessrio tambm determinao do centro de gravidade (CG) nos diferentes exerccios. Para os exerccios abdominais utilizamos dos dados baseados na massa corporal de 80 Kg, o que possibilitou o clculo da massa das partes, que so: a) cabea, sendo esta de 7,8% da massa corporal (HALL, 2000), que equivale o peso de 6,24 Kg; b) o tronco de 51% (HALL, 2000), 40,8 Kg; c) massa do brao de 2,7% da massa corporal (HALL, 2000), equivalendo de 2,16 Kg; e d) antebrao + mo, de 2,2% (HALL, 2000), sendo 1,76 Kg. A distncia do CG total em relao ao CG da articulao do quadril na posio inicial da fase concntrica do exerccio abdominal na prancha inclinada foi de 0,09 m, e na posio inicial da fase excntrica de 0,27 m. No abdominal no solo, a distncia do CG total em relao ao CG da articulao do quadril para a posio inicial da fase concntrica foi de 0,03 m, e na posio inicial da fase excntrica foi de 0,25 m. RESULTADOS</p> <p>7</p> <p>Abdominal na Prancha Inclinada e Ab...</p>