As missões evangélicas (charles haddon spurgeon)

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Text of As missões evangélicas (charles haddon spurgeon)

  • 1. No vou me ater apenas ao texto. Este tem sido um velho costume aoescolher textos quando pregamos. Eu escolhi um texto, porm eutratarei como um todo, de um assunto que eu tenho certeza que irprender sua ateno e este assunto tem feito isso a muito tempo - oassunto das misses evangelsticas. Nos sentimos convencidos de quetodos vocs tem a mesma mente sobre este assunto; que proclamar oevangelho ao mundo o absoluto dever como tambm o nobre privilgioda Igreja. No entendemos que Deus ir fazer Seu prprio trabalho seminstrumentos, mas que assim como Ele sempre tem usado meios para otrabalho da regenerao deste mundo, Ele continuar a fazer o mesmo.E que convm Igreja fazer todo o possvel para espalhar a verdade, emtodos os lugares onde ela alcance os ouvidos humanos. Ns noestamos divididos sobre este assunto. Algumas igrejas talvez estejam,mas ns no. Nossas doutrinas, embora supostamente levem a umaapatia e preguia, tem comprovado serem sempre, acima de tudo,prticas. Todos os pais de misses foram homens que tinham zelo eamor pelas doutrinas da graa de Deus. E ns acreditamos que osgrandes apoiadores do empreendimento missionrio se este deve serbem sucedido devem sempre vir daqueles que detm a verdade deDeus com firmeza e ousadia, aqueles que possuem fogo e zelo por ela,como tambm o desejo de espalh-la por toda a parte.Mas existe um ponto em que ns temos uma grande diviso de opinio,e este o motivo pelo qual temos tido to pouco sucesso em nossostrabalhos missionrios. Podem existir alguns que digam que o sucessotem sido proporcional a atuao, e que ns no poderamos ter sidomais bem sucedidos. Estou longe de ter esta opinio e eu no acho queeles por si mesmos a expressariam se estivessem ajoelhados diante doDeus Todo-Poderoso. Ns no temos sido bem sucedidos na amplitudeem que espervamos, certamente no na amplitude apostlica e comcerteza nada parecido com o sucesso de Paulo ou Pedro, ou at mesmodaqueles ilustres homens que nos precederam nos tempos modernos os quais foram capazes de evangelizar pases inteiros, trazendomilhares de pessoas para Deus.3As Misses EvanglicasN76.Sermo pregado na manh de Sbado, 27 de Abril de 1856.Por Charles Haddon Spurgeonna Capela de New Park Street, Southwark, Londres.Em nome da Sociedade Batista Missionria,"A palavra do Senhor se espalhava por toda a regio" - Atos 13:49.W W W . P R O J E T O S P U R G E O N . C O M . B R

2. Mas agora, qual a razo para isto? Talvez possamos voltar nossosolhos ao alto e pensar que esta razo encontra-se na soberania deDeus, o qual tem retido Seu Esprito e no tem derramado Sua graacomo antes. Estarei preparado para confirmar isto a todos os homensque talvez falem sobre este assunto, pois eu creio que o Deus Todo-Poderoso ordena todas as coisas. Eu creio em um Deus presente emnossas derrotas bem como em nossos sucessos. Um Deus tanto nabrisa suave quanto na forte tempestade. Um Deus de mar baixa assimcomo um Deus de enchentes. Porm, ns devemos procurar a causadisto dentro de casa. Quando Sio tem dores de parto, ela d luz filhos; quando Sio diligente, Deus testemunha sobre Seu trabalho;quando Sio devota, Deus a abenoa. Portanto, no devemosarbitrariamente procurar o motivo de nossos fracassos na vontade deDeus, mas devemos ver tambm qual a diferena entre ns e oshomens dos tempos apostlicos, e o que torna o nosso sucesso toinsignificante em comparao aos extraordinrios resultados dapregao apostlica.Eu penso ser capaz de mostrar algumas razes pelas quais a nossasanta f no to prspera quanto costumava ser. Em primeiro lugar,ns no temos mais homens apostlicos. Em segundo lugar, osmissionrios no iniciaram seu trabalho no estilo apostlico. Em terceirolugar, ns no temos igrejas apostlicas para apoi-los. E em quartolugar, ns no temos a influncia apostlica do Esprito Santo na mesmamedida em que eles tiveram nos tempos passados.I. Em primeiro lugar, NS TEMOS POUQUSSIMOS HOMENSAPSTLICOS DESSES TEMPOS. Eu no vou dizer que no temosnenhum, aqui ou ali talvez tenhamos um ou dois, mas infelizmenteseus nomes nunca so ouvidos. Eles no comearam diante dasmultides e no so famosos como pregadores da verdade de Deus. Nstivemos um Williams uma vez, um verdadeiro homem apostlico, que foide ilha em ilha, sem ter sua vida por preciosa. Mas Williams foichamado para sua recompensa1. Tivemos um Knibb2, que trabalhouarduamente por seu Mestre com fervor serfico e sem se envergonharde chamar um escravo oprimido de seu irmo. Mas Knibb tambmentrou em seu descanso.1 John Willians (1796 20 de Novembro de 1839) foi um missionrio ingls enviado pela SociedadeMissionria de Londres ao trabalho em diversas ilhas no Pacfico, entre elas as ilhas da Polinsia, Samoae Ilhas Cook; em 1839, em Vanuatu, porem, ele e seu colega James Harris foram mortos e comidospelos canibais. (Wikipdia)42 William Knibb (07 de setembro de 1803 - 15 de Novembro 1845) foi um ministro Batista Ingls emissionrio a Jamaica , principalmente conhecido por seu trabalho para libertar os escravos dascolnias. (Wikipdia)W W W . P R O J E T O S P U R G E O N . C O M . B R 3. Temos um ou dois restantes, preciosos e estimados nomes. Ns osamamos com fervor e nossas oraes sempre sobem aos cus em favordeles. Sempre pedimos em nossas oraes: Deus, abenoe aqueleshomens como Moffat3! Deus, abenoe aqueles que esto labutandointensamente e com sucesso trabalham! Mas olhe ao seu redor; ondepodemos encontrar mais homens como estes? Todos eles so bonshomens e no h o que dizer contra eles eles so melhores do que ns.Ns mesmos somos reduzidos a nada se comparados a eles. Mas aindaprecisamos admitir que eles so menores do que seus pais, eles diferemdos grandes apstolos em muitos aspectos, e isso at mesmos elesreconheceriam prontamente. No estou falando apenas de missionrios,mas de ministrios tambm. Por isso, entendo que temos que lamentarmuito, tanto em relao propagao do evangelho na Inglaterra,quanto em terras estrangeiras. Devemos lamentar muito pela falta dehomens cheios do Esprito Santo e de fogo.Em primeiro lugar, ns no temos homens com o zelo apostlico.Convertido da maneira mais singular, por uma interveno direta docu, Paulo, a partir daquele momento se tornou um homem zeloso. Elesempre tinha sido zeloso em seu pecado e em suas perseguies, masdepois que ele ouviu a voz do cu: "Saulo, Saulo por que me persegues?"(Atos 9:4), ele recebeu o poderoso servio de um apstolo e foi enviadocomo um vaso escolhido aos gentios. Dificilmente voc poder concebera profundidade e a terrvel seriedade que ele expressou. Se Paulo comiaou bebia, ou fazia qualquer outra coisa, ele fazia tudo para a glria deDeus. Ele nunca desperdiava uma hora que fosse. Ou ele utilizava seutempo trabalhando com suas prprias mos para suprir suasnecessidades, ou ento, levantando suas mos na Sinagoga, noArepago ou em qualquer lugar onde ele pudesse chamar a ateno damultido. Seu zelo era to srio e to ardente que ele no podia comoinfelizmente ns fazemos conter-se dentro de um pequeno raio deao, mas pregava a Palavra em toda parte. No foi o suficiente paraPaulo ser o apstolo da Psdia. Ele tinha que ir tambm a Panflia. Noera suficiente que ele fosse o grande pregador da Panflia e Psdia, masele tinha que ir tambm a Atlia. E quando ele havia pregado em toda asia, ele precisava embarcar para a Grcia e pregar l tambm.Eu creio que no apenas uma vez, Paulo ouviu em seu sonho oshomens da Macednia dizendo: "Venha e nos ajude", mas todos os diase horas ele ouvia o clamor em seus ouvidos de multides de almas:"Paulo, Paulo, venha e nos ajude" (Atos 16:9). Ele no poderia conter a simesmo de pregar. "Ai de mim" ele disse "se eu no pregar o evangelho.Mas longe esteja de mim gloriar-me, a no ser na cruz de Cristo"(1Corntios 9:16; Glatas 6:14).3 Robert Moffat (21 de dezembro de 1795 - 9 de Agosto de 1883) foi um congregacionalista missionrioescocs para a frica pela Sociedade Missionria de Londres, e sogro de David Livingstone. Em 1856,ano desse sermo, Moffat estava trabalhando na regio de Kuruman, frica do Sul.5W W W . P R O J E T O S P U R G E O N . C O M . B R 4. Oh! Se voc pudesse ver Paulo pregando, voc no teria ido emboracomo voc faz com alguns de ns ns que com meia convico nodeixamos claro o que dizemos. Os olhos de Paulo pregavam o sermosem seus lbios, e seus lbios no pregavam de maneira fria eindiferente, mas cada palavra vinha com um poder avassalador sobre oscoraes de seus ouvintes. Ele pregava com poder, porque ele estavasob um sincero zelo. Voc teria convico quando visse que ele era umhomem que sentia ter um trabalho a fazer e tinha que faz-lo, e que eleno poderia conter-se a no ser que o fizesse. Ele era o tipo de pregadora quem voc esperaria ver descendo das escadas do plpito direto paraseu caixo e ento estaria diante de Deus, pronto para sua prestao decontas. Onde esto os homens como estes? Eu confesso que eu noposso reivindicar tal privilgio, e eu raramente ouo um sermo isoladoque traga o mesmo nvel de seriedade, profundidade e ardente anseiopelas almas dos homens.Hoje em dia ns no temos os olhos como os olhos de nosso Salvador,que chorava por Jerusalm. Temos pouqussimas vozes como que a vozapaixonada e sincera que parecia perpetuamente clamar: "Venham amim, e eu lhes darei descanso" (Mateus 11:28); "Jerusalm, Jerusalm,quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha rene osseus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocs no quiseram" (v.Mateus 23:37). Se os ministros do evangelho fossem mais calorosos noseu exerccio da pregao; se ao invs de darem conferncias e devotaruma grande parte de seu tempo a atividades polticas e literrias, elespregassem a Palavra de Deus e a pregassem como se estivessemlutando por suas prprias vidas. Ah meus irmos, ns poderamosesperar um grande sucesso. Mas no podemos esper-lo enquantofazemos nossos trabalhos de forma dividida, sem ter aquele zelo, aquelaseriedade, aquele profundo propsito que caracterizava aqueles homensdo passado.Portanto, novamente, eu penso que em nossos dias ns no temoshomens que conseguem pregar como Pau