ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA ATIVIDADE FÍSICA EM .3 RESUMO: A Anemia Falciforme é uma doença hereditária,

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  • GISELE FABRIS MOREIRA

    LUIGI MARINO NETO

    PRISCILA ADORNI FERNANDES

    VALRIA FONTAINHA FICARELLI

    ASPECTOS FISIOLGICOS DA ATIVIDADE

    FSICA EM PORTADORES DE ANEMIA

    FALCIFORME.

    "Monografia apresentada ao Centro de Estudos deFisiologia do Exerccio da

    Disciplina de Neurofisiologia e FisiologiaEndcrina na UNIFESP/EPM como

    requisito parcial para obteno do ttulo deespecialista em Fisiologia do Exerccio"

    SO PAULO

    2002

  • 2

    1- RESUMO

  • 3

    RESUMO:

    A Anemia Falciforme uma doena hereditria, que ocorre quase que

    exclusivamente em indivduos da raa negra ou em seus descendentes. uma

    patologia da hemoglobina que resulta da alterao, de natureza gentica, de

    um aminocido da cadeia beta da globina, transmitida pelo cromossoma 11,

    que alberga o gene mutante produzindo uma alterao na cadeia beta da

    globina. A hemoglobina falcmica decorre da alterao de apenas 1 dos 146

    aminocidos da beta globina, sendo a substituio da protena glutamato pela

    valina na sexta posio da cadeia beta da globina. Esta alterao da

    composio qumica da globina produz profundas alteraes nas propriedades

    funcionais da hemoglobina resultante, que chamada Hemoglobina S (HbS).

    O objetivo deste trabalho verificar os parmetros fisiolgicos durante

    o exerccio fsico de uma pessoa que tenha Anemia Falciforme. Alguns

    estudos comprovam que portadores da HbS devem praticar uma atividade

    fsica moderada, de baixa intensidade. Outros autores dizem que crianas

    devem fazer inclusive aulas de educao fsica sem restries, como crianas

    de hemoglobinas normais. Existe tambm a probabilidade de o exerccio

    fsico intenso induzir a morte sbita, causada pela rabdomilise, insuficincia

    renal, do bao, etc. Apesar de ser uma reviso bibliogrfica, ainda muitos

    trabalhos necessitam serem feitos, pois h vrias questes serem discutidas.

  • 4

    SUMRIO:

    1. RESUMO 02

    2. INTRODUO 05

    3. DESENVOLVIMENTO 10

    3.1- A doena falciforme 12

    3.2- Manisfestaes da doena falciforme 13

    3.3- Riscos do Exerccio para a Doena Falciforme 15

    3.4- Morte sbita relacionado com o exerccio 17

    3.5- Doena Falciforme e Altitude 19

    3.6- Riscos e benefcios do exerccio relacionado

    com a doena falciforme 17

    3.7- Respostas fisiolgicas no exerccio na doena falciforme 22

    4. CONCLUSO 25

    5. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS 27

  • 5

    2- INTRODUO

  • 6

    INTRODUO:

    Nas ltimas dcadas houve uma grande divulgao em todo o mundo

    sobre os benefcios da prtica de atividades fsicas para a promoo e a

    manuteno da sade.

    Por definio, "atividade fsica consiste em todo movimento corporal

    produzido pela musculatura esqueltica, resultando em gasto energtico acima

    dos nveis de repouso, enquanto que exerccio fsico representa uma das

    formas de atividade fsica planejada, estruturada e repetitiva , tendo como

    objetivo a melhoria da aptido fsica ou reabilitao orgnico-funcional",

    CARPERSEN (1989).

    Identificar a relao entre atividade fsica e sade tm sido o propsito

    de diversas pesquisas realizadas no mbito da educao fsica levando-nos a

    concluses surpreendentes sobre a atividade fsica e seus benefcios. Este fato

    ocasionou a incluso da atividade fsica nos procedimentos teraputicos a

    serem adotados por mdicos e pacientes para amenizar, prevenir e at mesmo

    reverter o quadro de vrias doenas.

    De uma maneira geral, "o estilo sedentrio de vida aumenta o risco de

    doena cardaca isqumica, diabetes mellitus, cncer de clon, hipertenso

    arterial sistmica, obesidade, osteoporose, doenas do sistema msculo-

    esqueltico, sintomas de ansiedade e depresso", US DEPARTMENT OF

    HEALTH AND HUMAN SERVICES, (1996).

    Atualmente, admite-se que para suportar melhor as presses da

    convivncia cotidiana, requer tornar-se ativo. Tal constatao decorre de

    estudos como de KATCH e D'ARDLE 1984, MELLEROWICZ e

    MELLER (1979), onde observaram evidncias dos benefcios da atividade

    fsica constante nos sistemas: locomotor, digestivo, respiratrio e

  • 7

    cardiovascular, advindo de nveis apropriados de aptido fsica mantidos

    durante toda vida.

    Embora ainda faltem at hoje provas universais de que exercitar-se

    previne doenas ou prolongue a vida, a relao do hbito da prtica da

    atividade fsica com o estado de bem estar bio-psicofsico-social est

    associado com segurana. Isto visualizado claramente, de acordo com KISS

    (1987), a qual enfatiza que "o ser humano unidade bio-psico-social sendo

    impossvel separar a condio fsica da psicolgica (emocional, intelectual e

    da social)".

    Para algumas doenas como por exemplo a anemia falciforme, objeto

    deste estudo, ainda se recomenda de maneira muito sutil a prtica de atividade

    fsica, porm algumas evidncias parecem sugerir que ela real.

    "A anemia falciforme uma doena de carter hereditrio e gentico

    causada por anormalidade de uma protena componente das hemcias, uma

    anemia hemoltica de herana autossmica recessiva, causada por uma

    mutao da posio 6 do gene da globina beta da hemoglobina (Hb). Este

    ponto de mutao promove a substituio do cido glutmico pelo aminocido

    valina, induzindo a produo de uma hemoglobina anmala", DOVER,

    (1992).

    A origem da anemia falciforme desconhecida mas de acordo com

    fatos histricos ela j se manifestava h milhares de anos na sia Menor onde

    a mutao gentica causada por ela propiciava uma forma de defesa do

    organismo humano contra a malria, aqueles que tinham o gene anormal e os

    seus descendentes que tiveram suas hemoglobinas modificadas geneticamente

    apresentavam a capacidade de dificultar a evoluo da malria em seu corpo

    quando picados pelo mosquito transmissor.

  • 8

    Tal modificao teve um preo e certos descendentes de filhos de pais

    com alterao parcial, sem sintomas, geravam filhos com anemia falciforme,

    alm de outros problemas.

    Com o decorrer do tempo e no rastro das grandes migraes que

    ocorreram, na frica, nas regies tropicais e equatorial, passou a ser o local

    preferencial da malria e os sobreviventes eram os que apresentavam as

    alteraes da hemoglobina. Isto fez com que certas populaes da raa negra

    da regio se apresentassem com percentuais extremamente elevados de

    alteraes na hemoglobina, mas adaptados ao seu meio em convvio com a

    malria. Foram estes contingentes populacionais africanos, a partir do Sculo

    XVII, os responsveis pela introduo do gene da hemoglobina S no Brasil.

    "Estima- se que existam 2 milhes de portadores da forma

    heterozigtica e mais de 8 mil afetados com a doena (homozigotos)",

    MINISTRIO DA SADE, (1996).

    O casamento entre portadores do gene, denominados como portadores

    do trao falcmico, pode gerar a cada 500 nascimentos, uma criana com

    anemia falciforme. Diante deste quadro possvel concluir que a

    miscigenao racial existente no Brasil est gerando a continuidade desta

    anemia, conforme ratifica a literatura cientfica brasileira, apontando de forma

    contundente que anemias hereditrias no pas constituem um grave problema

    de sade pblica. O reconhecimento de que a alterao era na molcula da

    hemoglobina, e que esta alterao propicia mudanas crticas no glbulo

    vermelho, fez com que a cincia soubesse da existncia de doenas

    moleculares e hereditrias. A doena falciforme no tm cura e desde sua

    descrio, na primeira dcada do sculo passado, muito se aprendeu no estudo

    desta molstia e vrios progressos foram obtidos atravs do seu

    reconhecimento e diversas linhas de pesquisas fizeram com que esta rea de

  • 9

    estudo evolusse em nosso pas. Este fato possibilitou a descoberta de vrios

    fatores que colaboravam no sentido de prejudicar os pacientes. No passado, os

    pacientes viviam mal, e no raramente, faleciam antes dos 10 anos de idade,

    hoje existe um alento de que existe a possibilidade destas pessoas terem uma

    vida produtiva incluindo a prtica de atividades fsicas.

    Como a anemia falciforme trata-se de mudanas fisiolgicas no

    organismo, atravs desses estudo ser verificado se o exerccio fsico pode ou

    no trazer benefcio e como o comportamento fisiolgico comparado uma

    pessoa de hemoglobina normal. Pois "quando a concentrao de oxignio no

    sangue est diminuda, aps a liberao de oxignio pelos eritrcitos, as

    molculas de hemoglobina anormal agregam-se, o que faz as clulas terem

    formas bizarras variadas incluindo a forma em crescente ou foice,

    originalmente descrita", FRANCONE (1982).

  • 10

    3- DESENVOLVI-

    MENTO:

  • 11

    DESENVOLVIMENTO:

    "Anormalidades genticas podem dar origem a variantes estruturais da

    hemoglobina, podendo impedir a produo de uma cadeia polipeptdica, ou

    ambos. A maior parte, das anormalidades estruturais resultante de

    substituies isoladas de aminocidos", STRYER (1996) .

    "A Hemoglobina produzida por genes. Existem genes de protena da

    hemoglobina normal e anormal, como:

    Hemoglobina A: a Hemoglobina normal. Formada por duas cadeias

    alfa e duas cadeias beta.

    Hemoglobina C: Esta uma hemoglobina anormal produzida por uma

    mutao do gene da hemoglobina normal A. Ocorre a troca do aminocido

    glutmico pela valina, no sexto aminocido da cadeia beta da Hemoglobina.

    Esta hemoglobina geralmente achada em pessoas de ascendncia africana.

    Hemoglobina E: Esta variante de hemoglobina geralmente achada em

    pessoas asitica. Esta hemoglobina