Auditoria do Trabalho - Manual Trabalho Portuario

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    30-Jun-2015

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<p>MANUAL DO TRABALHO PORTURIO E EMENTRIO</p> <p>Edio 2001</p> <p> 2001 Ministrio do Trabalho e Emprego MTE permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. Tiragem: 4.000 exemplares Edio e Distribuio: Secretaria de Inspeo do Trabalho SIT Esplanada dos Ministrios, Bloco F, sala 171, Anexo, Ala B, 1 andar Braslia/DF CEP: 70059-900 Tel.: (0xx61) 224-7312/226-1997 Fax: (0xx61) 226-9353 Impresso no Brasil/Printed in Brazil</p> <p>Dados Internacionais de Catalogao na Publicao CIP Biblioteca. Seo de Processos Tcnicos MTE</p> <p>M294 Manual do trabalho porturio e ementrio. Braslia : MTE, SIT, 2001. 152 p. Contm glossrio dos principais termos porturios em ingls. 1. Trabalho martimo, inspeo, Brasil. 2. Segurana do trabalho, Brasil. 3. Sade ocupacional, Brasil. I. Brasil. Ministrio do Trabalho e Emprego (MTE). II. Brasil. Secretaria de Inspeo do Trabalho (SIT). CDD 341.65185</p> <p>SUMRIOA PRESENTAO ...................................................................................................... 05 P RINCPIOSDO TRABALHO</p> <p>PORTURIO ................................................................ 07</p> <p>I N T R ODUO .......................................................................................................... 09 P OR TO ..................................................................................................................... 14 T RABALHO PORTURIO O PERACIONALIDADE PORTURIOS A INSPEO ROTINA NORMADE DO E</p> <p>O PERAO PORTURIA ............................................. 19</p> <p>O T RAB ALHADOR P OR TURIO ............................................................................. 27 TRABALHO P OR TURIO ............................................... 31 LEI N 8.630/93 ........................................................ 39NOS</p> <p>As Regras para Inscrio no Registro e Cadastro dos Trabalhadores</p> <p>POCA</p> <p>DA</p> <p>DO</p> <p>T RABALHO</p> <p>P ORTOS ........................................................... 42NOS</p> <p>FISCALIZAO SEGURANAE</p> <p>EM</p> <p>N AVIO .................................................................. 44 P OR TOS .......................................... 46NO</p> <p>PRINCIPAIS I NFRAES E NCONTRADASDE</p> <p>SADE</p> <p>TRABALHO P ORTURIO ........................ 53</p> <p>RESUMO DAS NOTAS TCNICAS E ENTENDIMENTOS EMITIDOS PARA A INSPEO DO TRAB ALHO P OR TURIO ............................................................. 54 L EGISLAO ............................................................................................................ 59 E MENTRIO .......................................................................................................... 129 G LOSSRIO ............................................................................................................ 143</p> <p>APRESENTAOEste manual vem suprir a necessidade de uma orientao detalhada e minuciosa para a fiscalizao do trabalho porturio, rea to especfica e diferenciada, em que os Auditores-Fiscais do Trabalho tm se defrontado com a necessidade de implantar a Lei de Modernizao dos Portos, muitas vezes ainda no completamente assimilada pelos atores sociais envolvidos. Como exposto neste manual, o papel do Auditor-Fiscal do Trabalho nos portos a busca do cumprimento da nova legislao trabalhista porturia tanto pelos empresrios quanto pelos trabalhadores porturios, no interesse de toda a sociedade brasileira, bem como a promoo do entendimento e da negociao entre as partes, como forma de soluo autnoma dos conflitos, participando, quando necessrio, em mediaes, objetivando viabilizar os acordos e convenes coletivas, sempre orientando quanto aos mandamentos legais. Considerando a ausncia de estudos sobre esse tema, e para fortalecer o combate s irregularidades, uniformizando os procedimentos de seus agentes, a Secretaria de Inspeo do Trabalho (SIT) elaborou este Manual, que visa a proporcionar um entendimento adequado da matria e uma rotineira fonte de consultas, tambm atendendo a uma das metas do Plano Integrado de Modernizao dos Portos (PIMOP). Agradecemos equipe que o elaborou, com dedicao e conhecimentos dos Auditores-Fiscais do Trabalho: Cludio Guimares Filho (DRT/PE), Jos Emlio Magro (DRT/ES), Paulo Srgio de Almeida (DRT/RJ), Renato Barbedo Futuro (DRT/RS) e Srgio Luiz Andr Bambino (DRT/RJ), coordenados pelo AuditorFiscal do Trabalho Jos Luiz Linhares, responsvel pela Unidade Especial de Inspeo do Trabalho Porturio e Aquavirio, que demonstra um enorme entusiasmo e percepo da importncia da modernizao das relaes de trabalho nos portos para o nosso Pas. Conseguimos consolidar neste Manual as informaes necessrias para o aprimoramento de nossa ao fiscal. Braslia, 7 de junho de 2000 VERA OLMPIA GONALVES Secretria de Inspeo do Trabalho</p> <p>Manual do Trabalho Porturio e Ementrio</p> <p>PRINCPIOSP RINCPIO NEGOCIAL</p> <p>DO</p> <p>TRABALHO PORTURIO</p> <p>Decorre dos arts. 22, 28 e 29 da Lei n 8.630/93, que delega aos representantes patronais e laborais, pela negociao, a normatizao dos aspectos inerentes ao trabalho porturio avulso. Assim sendo, onde no houver violao aos comandos legais revestidos de interesse pblico, as partes podero livremente estabelecer as condies de trabalho mais adequadas a cada localidade por meio de convenes coletivas de trabalho. Note-se que, em que pese a fora deste princpio, as convenes coletivas de trabalho no tm o condo de retirar prerrogativas dos rgos Gestores de Mo-de-Obra (OGMOs), que so entidades revestidas de interesse pblico.</p> <p>PRINCPIO P UBLICISTAEsse princpio decorre e ope-se ao anterior, isso , as partes so livres para negociar at o limite do interesse pblico, a maior parte das vezes representado pela escalao obrigatria pelo OGMO e implementao da norma de segurana porturia (NR-29).</p> <p>PRINCPIO</p> <p>DA</p> <p>R ESTRIO</p> <p>DO</p> <p>TRAB ALHO</p> <p>Representa a vedao execuo de servios porturios por trabalhador no integrante do sistema. Esse princpio est insculpido na Lei n 8.630/93 e emana ainda da Conveno n 137 da OIT, inserida no ordenamento justrabalhista brasileiro pelo Decreto n 1.574/95. Decorre da necessidade de assegurar a qualificao do trabalhador porturio e da possibilidade de minorar os efeitos da maior precariedade do trabalho avulso, tendo em vista que no h segurana de um rendimento mnimo ao final de cada ms.</p> <p>PRINCPIO</p> <p>DA</p> <p>EQIDADE</p> <p> uma espcie de isonomia entre os trabalhadores porturios. Todos devem ter o mesmo tratamento no acesso ao trabalho, aos cursos, promoo ao registro e execuo de seu trabalho. 7</p> <p>Secretaria de Inspeo do Trabalho</p> <p>P RINCPIO</p> <p>DA</p> <p>MULTIFUNCION ALIDADE</p> <p>Est previsto no art. 57 da Lei n 8.630/93. Propugna que atividades ou tarefas que requeiram a mesma qualificao podero ser realizadas pelos trabalhadores habilitados, independentemente da categoria profissional a que pertenam. A multifuncionalidade dever ser implementada de forma negocial pelas convenes coletivas de trabalho.</p> <p>P RINCPIO</p> <p>DA</p> <p>M ODERNIZAO</p> <p>Este princpio na verdade sinaliza para o novo marco legal que representa a Lei n 8.630/93, muitas vezes denominada Lei da Modernizao dos Portos, vez que h uma ruptura com o sistema legal anterior, caracterizado pelo intervencionismo estatal e pelo monoplio dos sindicatos na intermediao da mo-de-obra avulsa.</p> <p>8</p> <p>Manual do Trabalho Porturio e Ementrio</p> <p>INTR ODUOHISTRICOO trabalho de carga e descarga em embarcaes mercantes remonta antigidade, vez que o transporte aquavirio foi o primeiro a ser utilizado comercialmente pela humanidade. Via de conseqncia, as corporaes de carregadores so centenrias. Entretanto, somente com a criao das Delegacias do Trabalho Martimo (DTM), em 1933, o Estado interveio nas relaes de trabalho porturio a fim de disciplinar a prestao de servios respectiva, conforme nova poltica trabalhista instaurada. As principais atribuies das DTMs, que foram extintas em 1989, eram: organizar a matrcula dos trabalhadores porturios avulsos; orientar e opinar sobre o trabalho porturio; fiscalizar o trabalho porturio e a escala rodiziria nas entidades estivadoras e sindicatos; quantificar o nmero de Trabalhadores Porturios Avulsos (TPA) necessrios; impor penalidades aos TPAs; efetuar mediao nos conflitos tendo, inclusive, poder normatizador. Tais atribuies eram exercidas pelos Conselhos das DTMs que eram integrados por representantes do Ministrio do Trabalho, Ministrio dos Transportes, Ministrio da Agricultura, Ministrio da Fazenda, empregadores e trabalhadores. Os Conselhos das DTMs eram presididos pelos Capites dos Portos (Ministrio da Marinha), embora as DTMs fossem integrantes da estrutura do Ministrio do Trabalho. Posteriormente, tais Conselhos foram denominados Conselhos Regionais do Trabalho Martimo (CRTM), tendo sido criado o Conselho Superior do Trabalho Martimo (CSTM) como ltima instncia recursal das decises dos Conselhos Regionais. Com a promulgao da CLT em 1943, duas sees (as de n VIII e IX do Captulo I do Ttulo IV) foram destinadas ao trabalho porturio avulso, consolidando o processo de normatizao e interveno estatal das relaes de trabalho nos portos. Originalmente, martimos e porturios eram profisses conexas. Tanto que as matrculas de ambos eram mantidas pelas Capitanias dos Portos, sendo a fixao 9</p> <p>Secretaria de Inspeo do Trabalho</p> <p>das taxas e salrios e a composio dos ternos, com a concordncia do CSTM, feitas pela Comisso de Marinha Mercante (CMM), criada em 1941. Nas dcadas de 60 e 70, com a instaurao do novo regime, a rea do porto organizado foi reputada de segurana nacional e a regulamentao estatal intensificou-se, tendo havido, inclusive, a designao de interventores para os sindicatos. Foi o auge do poder das DTMs, que, nessa poca, podiam solicitar apoio da Capitania dos Portos nas fiscalizaes. Ainda nesse perodo, a Guarda Porturia era vinculada ao Capito dos Portos (Delegado da DTM). ainda dessa poca a instituio dos atos atentatrios Segurana Nacional, com a possibilidade de afastamento dos trabalhadores envolvidos para investigao. De outro lado, conquistas dos trabalhadores com vnculo empregatcio foram asseguradas aos trabalhadores avulsos como frias remuneradas (1966), dcimo terceiro salrio (1968) e repouso semanal remunerado (1976); alm de conquistas especficas como a obrigao dos vigias porturios em navios de longo curso (1968) e a regulamentao do trabalho de bloco (1968). Em 1966, pelo Decreto-Lei n 5, houve tentativa de unificar as atividades de estiva e capatazia, sendo criada a categoria dos operadores de carga e descarga, embrio da multifuncionalidade, mas nunca implementada. Em 1969, criada a Superintendncia Nacional de Marinha Mercante (SUNAMAM), sendo-lhe atribudas as funes da extinta CMM. Em 1984, a SUNAMAM edita a Resoluo n 8.179, que regulamenta a remunerao e a composio das equipes de trabalho. Tal dispositivo continua sendo aplicado em alguns portos como norma costumeira at os dias atuais, ainda que aquele rgo tenha sido extinto. Naquela poca, as funes de direo e chefia das equipes eram de livre escolha da entidade estivadora, mediante rodzio especfico: conferente-chefe, conferente-ajudante, consertador-chefe, conferente-geral, contramestre de poro (Decreto n 59.832/66, que regulamentou o Decreto-Lei n 5/66, posteriormente pela Lei n 6.914, de 2 de julho de 1981, revogado pela Lei n 8.630/93). Em 1975, criada a PORTOBRS, sendo extinto o Departamento Nacional de Portos e Vias Navegveis (Ministrio dos Transportes, antigo Ministrio da Viao e Obras Pblicas), com a misso de administrar e explorar os portos, sendo tal medida coerente com a poltica de descentralizao administrativa, iniciada com o DecretoLei n 200/67, que autorizava a PORTOBRS constituir subsidirias (as CIAs Docas em todos os portos brasileiros). Em 1985, pelo Decreto n 90.927, o poder pblico, por meio da DTM, passa a controlar a assiduidade no rodzio dos trabalhadores porturios avulsos, exigindose freqncia para permanecer no sistema.</p> <p>10</p> <p>Manual do Trabalho Porturio e Ementrio</p> <p>Em 1988, com a nova ordem jurdica, o Estado afasta-se em carter definitivo dos sindicatos. Os principais mecanismos de regulamentao estatal do trabalho porturio so desativados, no sendo substitudos por outras normas reguladoras, ocasionando descontrole desta importante atividade para a economia do Pas. Com a extino das DTMs em 1989, as DRTs deveriam continuar com as incumbncias daquelas. Houve, entretanto, soluo de continuidade na participao do Ministrio do Trabalho e Emprego na maioria dos portos. Os principais reflexos gerados foram a ausncia de fiscalizao do trabalho nos portos, o descontrole estatal do trabalho (os sindicatos passaram a escalar para o trabalho tanto trabalhadores com matrcula na DTM quanto trabalhadores sem matrcula, mas integrantes do seu quadro social), a paralisao da promoo dos candidatos (fora supletiva com matrcula na DTM) a efetivos, o incremento desmesurado do total de trabalhadores avulsos nos portos e a perda do poder disciplinar. Em 1993, com a poltica de modernizao dos portos instituda pela Lei n 8.630/93, inicia-se nova fase nos portos brasileiros. O novo modelo enfatizou a negociao coletiva no setor porturio, fortalecendo os sindicatos, mas descartou o carter administrativo da intermediao da mo-de-obra avulsa exercido pelos sindicatos obreiros. , ento, criada a figura do rgo Gestor de Mo-de-Obra (OGMO) nos portos organizados, como sucedneo da extinta DTM no controle da matrcula dos porturios, na aplicao de penalidades e na quantificao do nmero de trabalhadores necessrio, bem como na funo de administrar e fornecer a mo-de-obra porturia avulsa, controlando o rodzio, efetuando a remunerao, recolhendo os encargos e zelando pelo cumprimento das normas de segurana e sade. Tal rgo possui um conselho de superviso integrado por empresrios e trabalhadores. Entretanto, os OGMOs, nas suas composies e atribuies, seriam, pela prpria evoluo da relao entre capital e trabalho nos portos, de difcil implementao uma vez que retirado do Estado o nus poltico do enxugamento trabalhista nos portos, deixando ao empresariado esse encargo. Foi natural que decorridos dois anos (1995) nenhum OGMO operasse conforme a lei. Nesse ano, o governo, sentindo que precisava agilizar o processo, edita o Decreto n 1.467, criando o Grupo Executivo para Modernizao dos Portos (GEMPO), integrado pelos Ministrios do Trabalho; Fazenda; Transportes; Indstria e Comrcio; e Marinha, vinculado Cmara de Polticas de Infra-Estrutura da Casa Civil da Presidncia da Repblica, com a atribuio de coordenar os diversos setores envolvidos, fazer o efetivo funcionamento dos OGMOs e Conselhos de Autoridade Porturia (CAP) e implementar a modernizao dos portos brasileiros. Nesse mesmo ano promulgada a Conveno n 137 da OIT referente s Repercusses Sociais dos Novos Mtodos de Processamento de Carga nos Portos (Decreto n 1.574/95) reforando os objetivos delineados na nova lei de modernizao dos portos. 11</p> <p>Secretaria de Inspeo do Trabalho</p> <p>Ainda em 1995, editado o Decreto n 1.596 instituindo as Comisses de Levantamento Local (CLL) vinculadas a uma Comisso Nacional, visando a quantificar o nmero de...</p>