Aula 01 (5)

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  • NOES DE DIREITO ADMINISTRATIVO - PATRCIA CARLA

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    Oi, gente! Tudo bem?

    Iniciaremos hoje os nossos encontros de Direito Administrativo.

    Fora, coragem e f em Deus.

    Esse cargo seu, acredite!

    Olha s, j sabemos que a nossa banca ser a FUNRIO, no entanto,

    quero dizer a vocs que essa banca muito, muito, muito fraca....

    alm disso ela no tem uma diversidade to grande de questes.

    Assim, para um estudo bacana da nossa disciplina e objetivando uma

    melhor preparao para o concurso do INSS, iremos fazer alm de

    questes FUNRIO, questes de outras bancas, tais como CESPE e

    FCC.

    Na nossa 1 aula veremos o seguinte contedo:

    AULA 01

    1 Estado, governo e administrao pblica: conceitos, elementos, poderes e organizao; natureza, fins e princpios. 2 Direito Administrativo: conceito, fontes e princpios. 3 Organizao administrativa da Unio; administrao direta e indireta.

    Rumo aprovao!

    Beijo e bons estudos.

    Com carinho,

    Profa. Patrcia Carla

    Princpios da Administrao Pblica

    No Direito, princpios so frmulas nas quais esto contidos os

    pensamentos diretores do ordenamento, de uma disciplina legal ou

    de um instituto jurdico. Os princpios constituem as bases nas quais

    assentam institutos e normas jurdicas.

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    No Direito Administrativo, os princpios revestem-se de grande

    importncia. Por ser um ramo do direito de elaborao recente e no

    codificado (no temos cdigo de Direito Administrativo!) os princpios

    auxiliam a compreenso e consolidao de seus institutos.

    A importncia dos princpios para o Direito Administrativo deve-se

    tambm ao fato de que eles possibilitam a soluo de casos no

    previstos em lei, para permitir uma melhor compreenso dos textos

    esparsos e para conferir certa segurana aos cidados quanto

    extenso dos seus direitos e deveres.

    Segundo o prof. Celso Antnio Bandeira de Mello, princpio , pois,

    por definio, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro

    alicerce dele, disposio fundamental que se irradia sobre diferentes

    normas, compondo-lhes o esprito e servindo de critrio para exata

    compreenso e inteligncia delas, exatamente porque define a lgica

    e a racionalidade do sistema normativo, conferindo-lhes a tnica que

    lhe d sentido harmnico. Para o referido autor, violar um princpio

    muito mais grave do que violar uma norma.

    Os princpios revestem-se de funo positiva ao se considerar a

    influncia que exercem na elaborao de normas e decises

    sucessivas, na atividade de interpretao e integrao do direito;

    atuam, assim, na tarefa de criao, desenvolvimento e execuo do

    direito e de medidas para que se realize a justia e a paz social; sua

    funo negativa significa a rejeio de valores e normas que os

    contrariam.

    Em resumo, pode-se afirmar que os princpios cumprem duas funes

    essenciais dentro do Direito Administrativo, vejamos:

    1. Funo hermenutica: o princpio pode ser utilizado para a

    interpretao de determinada norma;

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    2. Funo integrativa: o princpio pode ser tambm utilizado

    para suprir lacunas em caso de ausncia de norma legal acerca

    de determinada matria.

    Na Constituio de 1988 encontram-se mencionados explicitamente

    como princpios os seguintes: Legalidade, Impessoalidade,

    Moralidade, Publicidade e Eficincia (este ltimo acrescentado pela EC

    19/1998). Outros princpios do Direito Administrativo decorrem da lei,

    da elaborao jurisprudencial e doutrinria.

    Vejamos agora cada um dos princpios do Direito Administrativo mais

    cobrados em provas de concursos. Vamos comear pelos princpios

    expressos na CF/1988, art. 37, caput: Legalidade, Impessoalidade,

    Moralidade, Publicidade e Eficincia = LIMPE A ADMINISTRAO!

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    L

    I

    M

    P

    E

    Princpio da Legalidade: Tal princpio decorrncia do Estado de

    Direito e traduz a idia de que a Administrao s pode fazer o que a

    lei permite. Ao contrrio, na relao entre particulares, o princpio

    aplicvel o da autonomia da vontade, segundo o qual o particular

    pode fazer tudo o que a lei no probe.

    ATENO: Essa frase cai em toda prova! Helly Lopes Meirelles:

    Enquanto na administrao particular lcito fazer tudo o que a lei

    no probe, na Administrao Pblica s permitido fazer o que a lei

    autoriza.

    A relao que o particular tem com a lei de liberdade e autonomia

    da vontade, de modo que os ditames legais operam fixando limites

    negativos atuao privada. Assim, o silncio da lei quanto ao

    regramento de determinada conduta recebido na esfera particular

    como permisso para agir. Por isso, normas permissivas no Direito

    Privado tendem a ser desnecessrias, j que a simples ausncia de

    disciplina legal equivale a autorizao. As normas privadas

    permissivas servem para criar excees dentro de proibies gerais

    ou reforar liberdades j existentes em decorrncia da falta de

    regramento. O Direito Privado tem uma norma geral permissiva

    implcita, pois a ausncia de norma especfica est tacitamente

    regulada como permisso genrica.

    Ao contrrio, a relao do agente pblico com a lei de

    subordinao, razo pela qual os regramentos estabelecidos pelo

    legislador desenham limites positivos para as atividades pblicas. Por

    isso, a ausncia de disciplina legal sobre certo comportamento

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    significa no mbito da Administrao Pblica uma proibio de agir. O

    legislador define normas pblicas proibitivas somente para

    excepcionar permisses gerais ou rechaar comportamentos vedados

    pela falta de norma especfica. No Direito Pblico existe uma norma

    geral proibitiva implcita na medida em que a falta de regra especfica

    atrai a incidncia de um comando proibitivo genrico.

    Diferenas entre legalidade privada e legalidade pblica

    Critrio de diferenciao

    Legalidade privada

    Legalidade pblica

    Destinatrio Particulares Agentes pblicos

    Fundamento Autonomia da vontade

    Subordinao

    Significado Podem fazer tudo o que a lei no

    probe

    S podem fazer o que a lei autoriza

    Silncio legislativo Equivale a permisso

    Equivale a proibio

    Sentido da norma especfica

    Normas permissivas excepcionam

    proibies gerais ou reforam liberdades

    Normas proibitivas excepcionam

    permisses gerais ou reforam vedaes

    Norma geral implcita Permissiva Proibitiva

    Na relao administrativa, a vontade da Administrao Pblica a

    que decorre da lei. Aqui no se aplica a autonomia das vontades das

    relaes particulares. A relao que o particular tem com a lei de

    liberdade e autonomia da vontade, de modo que os ditames legais

    operam fixando limites negativos atuao privada. Dessa forma, o

    silncio da lei quanto ao regramento de determinada conduta

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    recebido na esfera particular como permisso para agir. Ao contrrio,

    a relao do agente com a lei de subordinao, assim, a ausncia

    de disciplina legal sobre certo comportamento significa no mbito da

    Administrao Pblica uma proibio de agir.

    De acordo com a CF/88, art. 84, IV, compete ao Presidente da

    Repblica sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como

    expedir decretos e regulamentos para a sua fiel execuo.

    Evidencia-se, destarte, que mesmo os decretos, inclusive quando

    expedem regulamentos, s podem ser produzidos para ensejar

    execuo fiel da lei, ou seja, pressupem sempre uma dada lei da

    qual sejam os fiis executores.

    Em decorrncia disso, a Administrao Pblica no pode, por simples

    ato administrativo, conceder direitos de qualquer espcie, criar

    obrigaes ou impor vedaes aos administrados; para tanto, ela

    depende de lei. A Lei n 9.784/99, que regula o processo

    administrativo federal, prev que nos processos administrativos sero

    observados, entre outros, os critrios de atuao conforme a lei e o

    direito.

    ATENO! A existncia de atos administrativos discricionrios (a ser

    estudado nas prximas aulas) NO constitui exceo ao princpio da

    legalidade. Pelo princpio da legalidade o administrador s poder

    fazer aquilo que a lei autoriza ou permite. No entanto, tal princpio

    no exclui a atividade discricionria do administrador uma vez que a

    Administrao em certos casos ter que usar a discricionariedade

    para efetivamente atender finalidade legal e, como conseqncia,

    atender ao princpio da legalidade. interessante observar que

    discricionariedade no se confunde com arbitrariedade, esta ilegal,

    ato praticado fora dos limites da lei. J aquela liberdade de ao

    dentro da lei.

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    Bloco da legalidade e princpio da juridicidade: o princpio da

    legalidade no se reduz ao simples cumprimento da lei em sentido

    estrito. A Lei Federal n 9.784/99, no art. 2, pargrafo nico, I,

    define legalidade como o dever de atuao confo