Aula 01 - Conceitos Fundamentais de Economia ?· Macroeconomia Aula 01 - Conceitos Fundamentais de Economia…

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    Anotaes do Aluno

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    Aula 01 - Conceitos Fundamentais de Economia

    Nesta aula, voc aprender o que a Economia estuda. Ser apresentado(a)

    aos conceitos de escassez, produo, bens e servios e fatores de produo.

    Saber quais os problemas econmicos fundamentais e como a economia

    de mercado responde a eles. Conhecer o mtodo de estudo da Economia,

    atravs dos modelos econmicos, e observar dois modelos simples o

    fluxo circular da renda e a fronteira das possibilidades de produo.

    Introduo e Desenvolvimento

    O objeto central da economia: a escassez

    A razo essencial da existncia da Teoria Econmica (ou Cincia Econmica)

    a escassez. Este conceito refere-se falta ou insuficincia de alguma

    coisa. No caso das sociedades humanas, observamos que h um conflito

    constante entre necessidades e recursos, pois as nossas necessidades

    so ilimitadas, enquanto os recursos so escassos.

    Ao falarmos das necessidades, estamos nos referindo aos principais

    elementos que garantem a sobrevivncia material da espcie humana (

    todos e cada um de ns). No que voc pensa quando se fala de necessidades

    com esse significado?

    Enumerei abaixo as necessidades bsicas do homem atual. bastante

    provvel que esta lista contenha muitos, ou quase todos, os itens da sua

    prpria lista:

    alimentos (slidos e lquidos)

    vesturio e calados

    moradia, moblia

    gua corrente e eletricidade

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    utenslios domsticos e eletrodomsticos

    meios de transporte

    Esta lista muito limitada. Observe, por exemplo, que exclumos tudo

    o que representa lazer e recreao no lar (aparelhos eletrnicos, livros e

    revistas etc.). Observe, ainda, que os meios de transporte podem variar

    de uma simples bicicleta a uma moto, um automvel ou ao transporte

    pblico (nibus, trem, metr). Atividades fora do lar nem foram arranhadas

    (cinema, bares e restaurantes, viagens etc.). Alm disso, se pensarmos que

    a vida em sociedade requer tambm que cada um possa contribuir para a

    melhora coletiva, atravs da participao enquanto cidado livre e ativo,

    ento o rol das necessidades aumenta bastante. No acha? Pois estaramos

    falando tambm em educao e sade generalizados, imprensa livre e

    variada, governos democrticos com eleies regulares, justia organizada

    e eficiente, etc.

    Existe um nmero significativo de seres humanos que conseguem, ao

    menos, usufruir a lista de necessidades bsicas e muitos destes tambm

    se beneficiam dos itens citados abaixo da lista, tais como lazer, educao,

    sade, etc. No entanto, os itens enumerados como de necessidades bsicas

    do homem est fora do alcance de parcelas significativas da humanidade

    atual. Milhes de pessoas, no Brasil e no mundo, no tem acesso a essa lista

    como um todo. No mximo, elas conseguem obter dois ou trs daqueles

    itens em quantidades insuficientes. Voc j viu quantas pessoas passam

    fome no Brasil e no mundo? Quantos desabrigados existem pelas ruas a

    fora? A este fato denominamos de excluso social, ou seja, a excluso do

    acesso aos bens materiais mais elementares e prpria participao nas

    decises da sociedade.

    O registro desse fato comum importante para assinalar duas importantes

    caractersticas da vida social: as desigualdades sociais e a atualidade da

    luta pela sobrevivncia de todos e de cada um. Os includos isto ,

    aqueles que tem pelo menos acesso lista mnima e participao na

    cidadania so, na imensa maioria, pessoas sem qualquer segurana de

    que mantero esse acesso por toda a sua vida.

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    O que a economia tem a ver com isso tudo?

    Veja, voc acabou de ter o seu primeiro contato com a escassez, no sentido

    econmico da palavra. Se voc for analisar, perceber que os prprios itens

    da nossa lista, considerados necessrios a um mnimo de qualidade de

    vida humana, no esto acessveis a todos. Entre os que conseguem esse

    acesso, a maioria o faz custa de muita luta, por todos os dias e anos de

    suas vidas. Mas o principal aspecto da escassez ainda no foi mencionado:

    a escassez de recursos.

    E o que so recursos? A palavra recursos no se refere apenas a dinheiro.

    Olhe novamente aquela lista de itens bsicos e reflita: o que preciso para

    que cada um deles esteja disponvel para o nosso consumo? Aparecer

    uma outra lista de elementos necessrios para torn-los disponveis: terra,

    ou rea (espao); materiais que se transformaro naqueles itens (sementes,

    matrias-primas e componentes); ferramentas, mquinas, instalaes para

    possibilitar o processamento desses materiais; mo-de-obra humana, tanto

    direta (com a mo na massa), como indireta (tcnicos, administradores,

    pessoal de apoio administrativo). Essa lista de elementos necessrios

    acabar se tornando maior do que a primeira.

    Podemos dizer, ento, que so necessrios recursos materiais, tcnicos,

    humanos e financeiros para os itens de necessidade bsica do ser humano

    estejam disponveis s pessoas que deles necessitam.

    Assim, os recursos financeiros que correspondem ao dinheiro ou a

    algo equivalente a ele (conta bancria, cartes de crdito ou linhas de

    financiamento, ttulos e aes etc.) - so importantes, mas no exclusivos.

    Sua importncia que eles possibilitam comprar ou pagar pelos demais

    recursos mas no os substituem. No se faz comida, roupa ou moradia

    com dinheiro.

    Infelizmente, os recursos mencionados so escassos. Em parte, porque

    a natureza no os oferece em todos os lugares de forma abundante. Os

    materiais bsicos, por exemplo, no esto disponveis generalizadamente.

    Sementes requerem, muitas vezes, solos especficos e tratamento das

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    plantas (alm disso, as plantas pertencem aos proprietrios das terras em

    que esto enraizadas). Os minrios esto mal distribudos. A mo-de-obra

    necessria para produzir certos bens e servios pode no ser aquela que

    se encontra numa regio ou pas: os conhecimentos e habilidades variam

    muito.

    Outra parte do problema refere-se ao uso que os homens fazem desses

    recursos. A terra, por exemplo, j foi no passado e continua a ser hoje

    motivo de disputa pela sua posse alguns a tm e outros querem t-la,

    mas no dispem de meios para isso. Essa disputa foi importante em

    diversos pases e continua a ser assunto dirio no Brasil.

    Alm disso, ns, humanos, acabamos utilizando, muitas vezes de forma

    irresponsvel, alguns recursos da natureza que no eram, mas passaram a

    ser (por nossa culpa) escassos. A gua o maior exemplo da atualidade. O

    planeta gua como se refere a cano est cada vez mais ameaado

    pela poluio e pelo desperdcio desse lquido precioso. Alguns estudiosos

    (inclusive economistas) consideram que, j neste sculo, a gua pode vir a

    ser mais valorizada do que o petrleo hoje.

    O bicho-homem um eterno criador de necessidades

    Parece-nos muito natural ficarmos preocupados com um apago, como

    ocorreu h poucos anos, ou com a possibilidade de racionamento de gua.

    Muitos de ns nos angustiamos com a queda da conexo da Internet ou a

    interrupo de uma ligao do celular: Negcios importantes ou assuntos

    pessoais urgentes podem sofrer graves danos!

    Algum de vocs j pensou em consultar seus pais (para quem est na

    casa dos 40 anos suficiente) ou avs, sobre como eles viviam sem essas

    angstias? Nossa espcie tem algumas dezenas de milhares de anos e

    somente agora tais necessidades tornaram-se indispensveis. As abelhas

    e as formigas possuem uma organizao social complexa, mas vivem

    hoje exatamente como viviam h dez mil anos, ao contrrio dos seres

    humanos.

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    Essa nossa caracterstica no conjunto do reino animal. Conscincia e

    inteligncia nos levaram, muito cedo, a compreender que, individualmente,

    no sobreviveramos. Somos uma espcie muito desprotegida: sem garras,

    bicos ou veneno, sem plos ou pele gordurosa contra o frio, sem nada que

    nos habilite a sobreviver ante os perigos da natureza. S a organizao

    coletiva podia fazer frente a isso: fomos coletores, depois caadores,

    depois agricultores e criadores de animais. A cada mudana e dentro

    dessas maiores, outras mudanas menores ocorriam freqentemente:

    a descoberta de novos produtos a cultivar, novos animais a criar, novas

    tcnicas de uso do solo e assim por diante crivamos novas necessidades.

    Novos materiais, novas ferramentas, novos espaos, novas formas de

    organizao coletiva, novas habilidades e conhecimentos, tudo est em

    constante mudana