Aula 02 - Orçamento Público - Aula 01

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NOES DE ORAMENTO PBLICO TCNICO ADMINISTRATIVO DO TST PROF. GRACIANO ROCHA

AULA 01 Saudaes, caro aluno! Esta nossa primeira aula de Noes de Oramento Pblico para Tcnico Administrativo do TST, dedicado exposio terica especfica sobre o contedo do edital e resoluo de questes recentes de provas. Considerando que a FCC foi escolhida como organizadora do concurso do Tribunal, utilizaremos, neste curso, dezenas e dezenas de questes desta banca, mas, quando necessrio, empregaremos algumas de outras organizadoras. Devo alertar que, muitas vezes, mesmo as questes da FCC, que tm o formato mltipla escolha (A-B-C-D-E) sero adaptadas para o formato certo ou errado. Isso permite um estudo mais progressivo do contedo, sem precisar entrar em outros assuntos que s vezes aparecem nas demais alternativas de uma questo. Para quem quiser se exercitar antes da resoluo, as questes comentadas durante as aulas estaro reproduzidas ao final dos arquivos, sem gabarito visvel, para quem quiser enfrent-las em estado puro, juntamente com algumas questes adicionais. O gabarito de todas ficar na ltima pgina. Antes de avanarmos mais, conheam-me um pouco. Eu me chamo Graciano Rocha Mendes, tenho 31 anos, sou servidor pblico federal, ocupante do cargo de Auditor Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da Unio; estudioso de Oramento Pblico; ps-graduando em Oramento Pblico pelo Instituto Serzedello Correa/TCU; professor da matria em cursos preparatrios de Braslia e na Internet. Bom, ditos os inicialmentes, vamos aos finalmentes. Segue nosso contedo, reproduzido do edital da FCC e dividido em quatro aulas, alm dessa demonstrativa:

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Aula 01 Aula 02

Princpios oramentrios Oramento na Constituio Federal: arts. 165 a 169. Lei 4.320/64: exerccio financeiro; despesa pblica

Aula 03

(empenho, liquidao, pagamento); crditos adicionais; restos a pagar; suprimento de fundos (parte I). Lei 4.320/64: exerccio financeiro; despesa pblica

Aula 04

(empenho, liquidao, pagamento); crditos adicionais; restos a pagar; suprimento de fundos (parte II).

Muito bem, vamos ento a nosso primeiro encontro. Boa aula!

GRACIANO ROCHA

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PRINCPIOS ORAMENTRIOS Os princpios oramentrios consistem ora em normas, ora em simples orientaes aplicveis elaborao e execuo do oramento pblico. Em vrios casos, a legislao e a prpria Constituio refletem a adoo desses princpios em seus dispositivos. Apesar disso, no possvel entender esses princpios como determinaes rgidas; eles so cercados de excees e flexibilizaes, como ficar claro no decorrer de nossa aula.

Legalidade O oramento deve ser aprovado e publicado como lei. Uma das discusses mais antigas sobre o oramento pblico diz respeito ao conflito entre sua forma e seu contedo. Quanto forma, desde que os primeiros documentos contbeis foram apresentados pelo Poder Executivo ao Poder Legislativo, em pases europeus e nos Estados Unidos, a ttulo de pedido de autorizao de gastos, o oramento ganhou estatura de lei. Assim, a expresso lei do oramento mais que secular os Parlamentos aprovam os oramentos na forma de leis desde o sculo XIX. Atualmente, o princpio da legalidade oramentria encontra-se, entre outros, no seguinte trecho da Constituio:

Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecero: (...) III - os oramentos anuais.Por outro lado, quanto ao contedo, no h dvidas de que o oramento pblico tem natureza de ato administrativo. A organizao das finanas em programas, a atribuio de recursos a certas despesas, a indicao de competncias de rgos e entidades relativamente a certos setores de atividade governamental, tudo isso tem a ver com a organizao e o

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planejamento administrativas.

da

Administrao

Pblica

atividades

tipicamente

A partir disso que estamos vendo, ao se confrontar a lei oramentria com o significado jurdicohistrico da palavra lei, verificase certa desarmonia. Lei representa um ato normativo abstrato, que pode, entre outras coisas, disciplinar direitos e deveres, normatizar condutas, impor punies etc. Para aplicarse a lei, nesse sentido estrito, fazse necessrio verificar os dados da realidade e comparlos com a descrio abstrata trazida pela norma. O que ocorre com o oramento pblico que ele no cria nem regulamenta direitos e deveres, no disciplina condutas, no prev punies etc. NO TEM CARTER ABSTRATO; pelo contrrio, um oramento deve se revestir de concretude, para aplicao mais apropriada e racional dos recursos pblicos. dessa discusso que nasce a definio do oramento como lei em sentido formal. A estatura do oramento de uma lei, aprovada pelo Parlamento, sancionada pelo Chefe do Executivo, mas sua essncia de um ato administrativo. Essa legalidade flexvel do oramento fica evidente tambm ao se constatar que ele tem natureza apenas autorizativa, e no, impositiva. O governo no obrigado a executar o oramento tal qual ele veiculado pela lei oramentria (com exceo das despesas obrigatrias em virtude de outros normativos). Isso contrasta bastante com as leis normais, que se caracterizam pela obrigatoriedade de aplicao.

A ttulo de exemplo, quanto ao poder normativo da lei oramentria, podemos indicar uma disposio constitucional (art. 167, inc. I). Para que programas e projetos sejam iniciados no mbito da Administrao, necessria a prvia incluso desses programas e projetos na Lei Oramentria Anual (ou em leis que a retifiquem).

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Pelo contrrio, a modificao, a retificao, a inverso de aspectos e itens no oramento durante sua execuo, em comparao com o texto aprovado, so fatos bastante comuns, distanciando o oramento de sua aparncia inicial. A ttulo de exemplo, quanto ao poder normativo da lei oramentria, podemos indicar uma disposio constitucional (art. 167, inc. I). Para que programas e projetos sejam iniciados no mbito da Administrao, necessria a prvia incluso desses programas e projetos na Lei Oramentria Anual (ou em leis que a retifiquem).Nesse sentido, tm surgido diversas crticas, no mbito parlamentar e na do opinio pblica em geral, tendo do como alvo o em descompromisso governo quanto execuo oramento

observncia ao texto original aprovado pelo Congresso. No obstante a essncia de ato administrativo, o fato de o oramento ser uma lei lhe proporciona a normatizao de certos requisitos e obrigaes de natureza oramentria, na esfera concreta.

Como isso cai na prova? 1. (CESPE/AGU/2008) O oramento um ato administrativo da

administrao pblica. 2. (FCC/INSPETOR/TCM-CE/2010) Ao dispor sobre finanas pblicas, a Constituio da Repblica autoriza o incio de programas ou projetos no includos na lei oramentria anual, mediante prvia autorizao do Presidente da Repblica. 3. (FCC/ANALISTA/MP-PE/2006) ao princpio da legalidade. A primeira questo est ERRADA. Vimos que a lei oramentria tem natureza de ato administrativo, mas no um ato administrativo. uma lei, em sentido formal. A questo 2 refere-se ao trecho constitucional que destacamos, sobre uma vedao da CF/88 (art. 167, inc. I), segundo o qual vedado o incio de Os decretos de transposio,

remanejamento e transferncia de crditos oramentrios no se sujeitam

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programas ou projetos no includos na lei oramentria anual. A autorizao prvia do Presidente no corrige o problema. Questo ERRADA. Os decretos referidos na questo 3 tratam-se de modificaes nas

classificaes oramentrias. Usando um exemplo bem forado, um crdito oramentrio que seria executado num programa de pavimentao asfltica transferido para um programa de construo de usinas hidreltricas. Para esse tipo de mudana na execuo do oramento, necessariamente deve haver prvia autorizao legislativa (essa a ordem do art. 167, inc. VI, da Constituio). Portanto, h sujeio ao princpio da legalidade. Questo ERRADA.

Unidade/totalidade O oramento deve ser uno. A unidade um dos ancestrais dos princpios oramentrios. Encontra-se normatizado na Lei 4.320/64, que estabelece normas gerais de direito financeiro, obrigatrias para todos os entes federados.

A Lei 4.320/64 representou um avano na poca de sua edio. Ela trazia os conceitos e procedimentos mais avanados a respeito da utilizao do dinheiro pblico. Porm, como se v, ela j bastante antiga, e a atividade financeira dos entes federados brasileiros precisa de atualizaes. por isso que se espera, por parte do Congresso Nacional, a edio de uma lei complementar que atualize as normas gerais de direito financeiro. Enquanto isso no ocorre, diversas atualizaes relacionadas ao direito financeiro e ao oramento pblico so institudas anualmente, com as Leis de Diretrizes Oramentrias.No art. 2, a Lei 4.320/64 estabelece que A Lei do Oramento conter a discriminao da receita e despesa de forma a evidenciar a poltica econmica financeira e o programa de trabalho do Governo, obedecidos os princpios de unidade, universalidade e anualidadeProf. Graciano Rocha www.pontodosconcursos.com.br 6

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Desses outros princpios, falaremos em seguida. Pelo princpio da unidade, o oramento pblico deve ser uno, uma s pea, garantindo uma viso de conjunto das receita