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FACULDADE EBRAMEC ESCOLA BRASILEIRA DE MEDICINA CHINESA CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM ACUPUNTURA ANA CRISTINA DE SOUZA CAIXETA AURICULOTERAPIA: O EFEITO DO PONTO ENDÓCRINO NA SÍNDROME DO OMBRO DOLOROSO: ESTUDOS DE CASOS SÃO PAULO 2018

AURICULOTERAPIA: O EFEITO DO PONTO ENDÓCRINO NA … · A Auriculoterapia é um ramo da Acupuntura destinado ao tratamento das doenças através de estímulos de pontos situados no

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  • FACULDADE EBRAMEC

    ESCOLA BRASILEIRA DE MEDICINA CHINESA

    CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM ACUPUNTURA

    ANA CRISTINA DE SOUZA CAIXETA

    AURICULOTERAPIA: O EFEITO DO PONTO ENDÓCRINO

    NA SÍNDROME DO OMBRO DOLOROSO: ESTUDOS DE

    CASOS

    SÃO PAULO

    2018

  • ANA CRISTINA DE SOUZA CAIXETA

    AURICULOTERAPIA: O EFEITO DO PONTO ENDÓCRINO

    NA SÍNDROME DO OMBRO DOLOROSO: ESTUDOS DE

    CASOS

    Trabalho de Conclusão de Curso de Pós

    Graduação em Acupuntura apresentado à

    Faculdade Ebramec - Escola Brasileira de

    Medicina Chinesa sob orientação do Prof.

    Eduardo Vicente Jofre e Co-Orientedor Dr.

    Reginaldo de Carvalho Silva Filho.

    SÃO PAULO

    2018

  • Caixeta, Ana Cristina de Souza

    Auriculoterapia: O Efeito do ponto Endócrino na Síndrome do ombro

    Doloroso: Estudos de casos.

    Ana Cristina de Souza Caixeta. -- São Paulo:[s.n.], 2018.

    36 f; il.; 31 cm

    Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)

    Faculdade Brasileira de Medicina Chinesa.

    Orientador: Eduardo Vicente Jofre

    1. ACUPUNTURA 2. AURICULOTERAPIA 3. OMBRO

    DOLOROSO

  • ANA CRISTINA DE SOUZA CAIXETA

    AURICULOTERAPIA: O EFEITO DO PONTO ENDÓCRINO

    NA SÍNDROME DO OMBRO DOLOROSO: ETUDOS DE

    CASOS

    BANCA EXAMINADORA

    Orientador

    ___________________________________

    Eduardo Vicente Jofre

    Co-Orientador

    Dr. Reginaldo de Carvalho Silva Filho

    Ana Cristina de Souza caixeta

    São Paulo, ____ de _______de _____

  • DEDICATÓRIA

    Dedico esse trabalho a minha querida mãe, e aos meus filhos por acreditarem que eu

    seria capaz.

  • AGRADECIMENTOS

    A Deus, pela vida.

    A minha família, pela compreensão nas minhas ausências.

    Aos meus filhos por toda motivação.

    Ao Wander por toda assistência e apoio.

    Ao meu orientador Eduardo Vicente Jofre por todo incentivo.

    Ao professor João pela força e ajuda.

  • A ciência é coisa linda, deliciosa, desejável,

    lugar do conhecimento, eu não poderia viver

    sem ela (ALVES, 2006).

  • RESUMO

    Caixeta, Ana C. de S. Auriculoterapia: O efeito do ponto endócrino na Síndrome do

    Ombro Doloroso: Estudo de casos . 2018. nº36 f. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) –

    Acupuntura, Faculdade de Tecnologia Ebramec 2018.

    O ombro doloroso é uma síndrome caracterizada por dor e impotência funcional de graus

    variados, que comete estruturas responsáveis pela movimentação do ombro, incluindo

    articulações, tendões, músculos, ligamentos e bursas. A dor no ombro é uma das queixas mais

    comuns e incapacitantes do sistema musculoesquelético, na população em geral apresenta

    prevalência estimada entre 15% a 25%. Comumente a síndrome do ombro doloroso é tratada

    de forma conservadora, com medidas analgésicas e antiinflamatórias, fisioterapia e indicação

    cirúrgica para os casos em que o quadro permanece do mesmo modo. Objetivo: Portanto o

    presente estudo vem propor a aplicação do ponto endócrino auricular com o intuito de atenuar

    a sintomatologia dolorosa do ombro e conseqüentemente reduzir o consumo dos fármacos

    pelos pacientes, minimizando os efeitos adversos causados pelos antiinflamatórios sintéticos.

    Métodos: Foram estudados 20 pacientes com síndrome do ombro doloroso, sendo 19

    mulheres (95%) e um homem (5%), com idade entre 40 e 70anos, média de 55 anos. Após a

    realização da anamnese através de uma ficha de avaliação para a coleta de dados, contendo as

    principais queixas, os pacientes foram submetidos ao tratamento semanal de Auriculoterapia,

    totalizando 10 sessões. E como indicador do resultado foi utilizada a Escala Visual Analógica

    da Dor (EVA), sendo avaliados no início e no final do tratamento. Conclusão: Pode-se

    constatar que com o tratamento proposto os resultados obtidos foram benéficos a saúde. Os

    pacientes obtiveram redução significativa na intensidade da dor, e conseqüentemente

    diminuição do uso de analgésicos e antiinflamatórios e seus efeitos danosos a saúde. Através

    da modificação da sintomatologia dolorosa os pacientes apresentaram uma média de 70,9%

    de melhora no final do tratamento.

    Palavras-chave: Acupuntura - Auriculoterapia - Ombro Doloroso

  • ABSTRACT

    Caixeta, Ana C. de S. Auriculotherapy: The effect of endocrine in painful shouder

    syndrome: case study. 2018. nº36f. Completion of course work (TCC) - Acupuncture,

    Faculty of de Technology Ebramec 2018.

    The painful shoulder is a syndrome characterized by pain and functional impotence of varying

    degrees, which commits structures responsible for shoulder movement, including joints,

    tendons, muscles, ligaments and bursas. Shoulder pain is one of the most common and

    disabling complaints of the musculoskeletal system, in the general population it has an

    estimated prevalence between 15% and 25%. Commonly, painful shoulder syndrome is

    treated conservatively, with analgesic and anti-inflammatory measures, physiotherapy and

    surgical indication for cases in which the condition remains the same. Objective: Therefore,

    the present study proposes the application of the auricular endocrine point in order to mitigate

    the painful symptomatology of the shoulder and consequently reduce the consumption of

    drugs by patients, minimizing the adverse effects caused by Synthetic anti-inflammatories.

    Methods: Twenty patients with painful shoulder syndrome were studied, 19 women (95%)

    and one male (5%), aged between 40 and 70 years, mean of 55 years. After the anamnesis was

    performed through an evaluation form for data collection, containing the main complaints, the

    patients were submitted to weekly Auriculotherapy treatment, totaling 10 sessions. And as an

    indicator of the result was used the Visual analogue scale of pain (VAS), being evaluated at

    the beginning and at the end of the treatment. Conclusion: It can be verified that with the

    proposed treatment the results obtained were beneficial to health. The patients had a

    significant reduction in pain intensity, and consequently a decrease in the use of analgesics

    and anti-inflammatories and their harmful effects on health. Through the modification of the

    painful symptomatology, the patients had an average of 70.9% improvement at the end of

    treatment.

    Keywords: Acupuncture – Auriculotherapy - Painful Shoulder

  • SUMÁRIO

    1 INTRODUÇÂO..................................................................................... 10

    2 REVISÃO DA LITERATURA........................................................... 11

    2.1 Ombro...................................................................................................... 11

    2.2 Dor na Medicina Ocidental e Medicina Chinesa..................................... 11

    2.3 Acupuntura.............................................................................................. 12

    2.4 Breve Histórico........................................................................................ 13

    2.5 Fundamentos Auricular........................................................................... 14

    2.6 Diagnóstico Auricular............................................................................. 15

    2.7 Sistema Endócrino.................................................................................. 16

    3 OBJETIVO............................................................................................ 18

    4 MATERIAIS E MÈTODOS................................................................ 19

    5 PONTOS UTILIZADOS....................................................................... 21

    6 RESULTADOS..................................................................................... 23

    6.1 Análise comparativa entre as Avaliações pré e pós tratamento.............. 23

    6.1.1 Gráfico comparativo pré e pós tratamento.............................................. 24

    6.1.2 Gráfico comparativo pré e pós tratamento.............................................. 24

    6.1.3 Gráfico comparativo pré e pós tratamento.............................................. 25

    6.2 Percentual de Melhora............................................................................. 25

    6.2.1 Gráfico percentual de melhora................................................................ 25

    6.2.2 Gráfico percentual de melhora................................................................ 26

    6.2.3 Gráfico percentual de melhora................................................................ 26

    6.3 Pacientes com a mesma escala de dor.................................................... 27

    6.3.1 Gráfico com a mesma escala dor............................................................ 27

    6.4 Pacientes com o mesmo percentual de melhora...................................... 28

    6.4.1 Gráfico com o mesmo percentual de melhora......................................... 28

    7 DISCUSSÂO.......................................................................................... 29

    8 CONCLUSÂO....................................................................................... 31

    9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................... 32

    10 ANEXOS

  • 10

    1. INTRODUÇÃO

    A dor no ombro é uma da queixas mais comuns e incapacitantes do sistema

    musculoesquelético, devido o acometimento das estruturas relacionadas ao ombro, como

    ligamentos, cápsulas e músculos. Na atualidade é a segunda causa de dor no aparelho

    locomotor perdendo apenas para a dor na coluna vertebral (ZANELATTO, 2018).

    O ombro doloroso pode ser originado por inúmeras etiologias, podendo ser associadas

    ou não por degeneração articular. Além das causas articulares como lesões ósseas e

    cartilaginosas, outras afecções também promovem dor na articulação do ombro. As lesões no

    manguito rotador, no cabo longo do bíceps, capsulite adesiva, tendinite calcárea, osteoartrose

    da articulação acromioclavicular, radiculopatia cervical e lesões nervosas são exemplos de

    afecções que causam dor no ombro (EJNISMANN, 2008).

    A conjunção de fatores mecânicos e biológicos predispõe a articulação do ombro à

    degeneração de natureza inflamatória podendo evoluir para um processo crônico diminuindo

    a capacidade funcional dos pacientes (RAGASSON, 2001).

    A procura por terapias alternativas tem crescido cada vez mais no ocidente, devido à

    sua comprovada eficácia na prevenção e tratamento de diversas doenças. Dentro dos

    microssistemas da Acupuntura, a Auriculoterapia é um dos métodos mais aceito pelos os

    pacientes por ser pouco invasivo e pelos os excelentes resultados obtidos (GARCIA, 1999;

    DE ARAUJO et al 2008).

    A Auriculoterapia é um ramo da Acupuntura destinado ao tratamento das doenças

    através de estímulos de pontos situados no pavilhão auricular, onde a estruturação da

    localização da maioria dos pontos auriculares, parte do princípio que a orelha simboliza um

    feto de cabeça para baixo (LOPES, 2013; SOUZA, 2001).

  • 11

    2. REVISÂO DA LITERATURA

    2.1 Ombro

    A Síndrome do Ombro Doloroso (SOD) é caracterizada por dor e limitação funcional

    decorrente do acometimento de estruturas estáticas e dinâmicas do ombro, como ligamentos,

    cápsula e músculos, sendo uma das queixas mais comuns e incapacitantes do sistema

    musculoesquelético, com uma prevalência estimada entre 15 a 25% (ZANELATTO, 2013).

    O ombro é uma juntura móvel, com uma fossa glenóide rasa, com mínimo em suporte

    ósseo e a estabilidade da articulação dependem dos tecidos moles como músculos,

    ligamentos e cápsula articular. Essa conformação anatômica determina maior mobilidade

    articular em troca de menor estabilidade (EJNISMANN, 2008).

    O ombro é formado por quatro articulações: glenoumeral, acrômio-clavicular e

    esternoclavicular, e escapulotorácica, que são essenciais para todos os tipos de movimentos

    realizados pelo ombro, como abdução e adução, flexão e extensão, rotação e circundação. O

    principal grupo muscular responsável pela movimentação do ombro é o manguito rotador. O

    manguito rotador é formado pelos seguintes músculos: supraespinhoso, infra-espinhoso,

    subescapular e redondo menor. O conjunto de movimentos formados por essas articulações e

    as estruturas musculares que agem sobre elas tornam o ombro a articulação mais móvel do

    corpo humano, no entanto, quanto maior a mobilidade maior será a instabilidade, tornando a

    articulação do ombro a mais acometida por patologias (MINORI; MEJIA, 2005; FRANTZ et

    al, 2012).

    2.2 Dor na Medicina Ocidental e Medicina Chinesa

    A dor pode ser definida como uma experiência subjetiva que pode estar associada à

    lesão real ou potencial nos tecidos, podendo ser descrita tanto em termos destas lesões quanto

    por ambas as características. Independente da aceitação e da amplitude dessa definição, a dor

    é considerada como uma experiência sensorial e emocional desagradável, ou seja, uma

  • 12

    sensação, genuinamente subjetiva e pessoal (DA SILVA, 2011; GARZENDIN et al 2011).

    A dor pode ser classificada de duas formas, crônica e aguda, dor aguda é relacionada a

    traumas, inflamações, tende a desaparecer com a cura da lesão. Dor crônica é que persiste

    além do prazo esperado para a cura de uma lesão, geralmente há mais de três meses, ou que

    está relacionada a um processo patológico crônico (OLIVEIRA, 2011).

    Na Medicina Chinesa a dor está relacionada à obstrução da livre circulação de Qi e

    Sangue (Xue), ou seja, “Quando os Canais estão desobstruídos não há dor, se estão

    obstruídos aparecerá à dor (GARCIA, 1999).

    2.3 Acupuntura

    A Medicina Chinesa concentra-se na observação dos fenômenos da natureza e nos

    estudos e compreensão dos princípios que regem a harmonia nela existente. Na concepção

    chinesa o Universo do Ser Humano está submetido às mesmas influências, sendo partes

    integrantes do Universo como um todo (YAMAMURA, 2001).

    A Acupuntura é uma modalidade terapêutica que tem sido praticada na China há mais

    de 4.000 anos, originou-se de um conjunto de conhecimentos teórico-empíricos da Medicina

    Chinesa, que através da aplicação de agulhas e Moxas visa à cura e a normalização dos

    órgãos doente, podendo ser usada isolada ou de forma integrada com outros recursos

    terapêuticos (WEN, 1989; PAI, 2005).

    Yamamura (2001) fala que Acupuntura é o recurso terapêutico mais conhecido da

    Medicina Chinesa no ocidente, é o meio pelo qual, mediante inserção de agulhas, são feitos a

    introdução, a mobilização, a circulação e o desbloqueio da energia além da retirada das

    energias turvas (perversas), promovendo a harmonização, o fortalecimento dos órgãos, das

    vísceras e do corpo.

    Neves, (2009) relata que a Auriculoterapia, assim como a Acupuntura é parte

    integrante da Medicina Chinesa. Embora existam evidências de sua utilização por diversos

    povos desde a antiguidade, foi na China que se deu maior desenvolvimento, a partir da

    relação do pavilhão auricular com os demais órgãos e regiões do corpo.

  • 13

    2.4 Breve Histórico

    Hipocrates, considerado o “Pai da medicina” já usava a cauterização da orelha na

    tentativa de melhorar o orgasmo da mulher e curar a impotência masculina (DAL MAS,

    2004).

    Na China bem antes do cristianismo e de Hipócrates, o uso terapêutico do pavilhão

    auricular era associado ao tratamento de Acupuntura sistêmica. Os primeiros escritos

    chineses demonstram a orelha como um órgão isolado que mantém relação com os demais

    órgãos e regiões do corpo (NEVES, 2009).

    Porém foi a partir de 1951 que Dr. Paul Nogier médico e engenheiro Francês expõem a

    relação existente entre o pavilhão auricular e o resto do organismo, onde Nogier através de

    seus estudos faz a representação do pavilhão auricular com a figura de um feto em posição

    cefálica (DE ARAUJO et al, 2008; LOPES, 2013).

    A pratica da Auriculoterapia no Brasil começou por volta dos anos 70, no inicio de

    1975, pelo Dr. Olivério Carvalho, que contribuiu para o desenvolvimento da Acupuntura,

    ministrando cursos de Auriculoterapia com os princípios de Norgier, sendo, sobretudo o

    início da Auriculoterpia no Brasil (DAL MAS, 2004).

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1990 reconhece a Auriculoterapia como

    terapia de microssistema para beneficio, promoção e manutenção da saúde, no tratamento de

    diversas enfermidades (NEVES, 2009).

    Com o desenvolvimento da Auriculoterapia através de pesquisas e novas publicações a

    orelha foi sendo mapeada e utilizada como meio de diagnóstico e tratamento das doenças

    (NEVES, 2009).

    No entanto, um novo mapa posterior dos pontos auriculares é publicado em 1999 pela

    médica chinesa Huang Li Chun na Conferência Mundial de Auriculoterapia, comprovando a

    eficácia no estimulo dos pontos pelo uso de sementes, sendo criada a técnica das sementes

    duplas. Portanto os 30 anos de experiência em Auriculoterapia dessa médica chinesa deram

    importantes contribuições para Auriculoterapia moderna (NEVES, 2009).

    A procura por terapias alternativas tem crescido cada vez mais no ocidente, devido à

    sua comprovada eficácia na prevenção e tratamento de diversas doenças. Há várias décadas o

    mundo ocidental tem buscado na Medicina Chinesa através da utilização de Acupuntura,

    Auriculoterapia, reflexologia, entre outras formas alternativas de tratamento, o

  • 14

    restabelecimento para suas doenças. Dentro dos microssistemas da Acupuntura, a

    Auriculoterapia é um dos métodos mais aceito pelos os pacientes por ser pouco invasivo e

    pelos os excelentes resultados obtidos (GARCIA, 1999; DE ARAUJO et al, 2008).

    2.5 Fundamentos Auricular

    Os princípios teóricos que fundamentam o diagnóstico e tratamento auricular é a

    relação dos pontos auriculares com os Canais e Colaterais (Jing Luo); Órgãos e Vísceras

    (Zang Fu); Sistema Nervoso Central; Sistema Nervoso Autônomo e Biomoléculas, onde as

    somatórias dessas teorias promovem um resultado rápido e efetivo (GARCIA, 1999).

    A teoria dos Canais e Colaterais (Jing Luo) na Acupuntura auricular possui uma

    enorme aplicação devido aos Canais que chegam até a orelha, onde tem se verificado na

    pratica clínica que ao estimular um ponto auricular podemos nos deparar com diferentes

    manifestações sentidas e relatadas pelos os pacientes refletindo ao longo de uma região ou

    em partes especificas do corpo do paciente (GARCIA, 1999).

    Diversas pesquisas já foram realizadas demonstrando a relação entre os pontos

    auriculares com a atividade dos órgãos e vísceras (Zang Fu), onde o estado patológico dos

    órgãos internos produz uma atividade reflexa que nos permite avaliar o estado do organismo

    e dos processos patológicos existentes (GARCIA, 1999).

    Os excelentes resultados terapêuticos da Auriculoterapia são justificada através da

    grande quantidade de inervação no pavilhão auricular derivada dos nervos trigêmeos, facial,

    vago, auriculares maiores e os occipitais maiores e menores, ou seja, os pontos presentes na

    região da orelha externa esta associada com uma inervação ligada ao cérebro enviando

    informação a determinado órgão ou região do corpo pela rede do sistema nervoso

    comandando suas funções (ZANELATTO, 2013).

    Os agentes bioquímicos regulam todos os processos fisiológicos do corpo humano,

    sendo ratificado através de estudos e experimentos que as biomoléculas desempenham um

    importante papel para obtenção dos resultados terapêuticos (GARCIA, 1999).

    Como podemos analisar anteriormente, os mecanismos de ação da Auriculoterapia não

    se adere a uma só via, sendo que todas as vias antes descritas desempenham um papel de

    igual importância para efetividade do tratamento (GARCIA, 1999).

  • 15

    2.6 Diagnóstico Auricular

    O pavilhão auricular funciona como um receptor de sinais, podendo refletir todas as

    mudanças fisiopatológicas de todo organismo, ou seja, ao se produzir um estado patológico

    em qualquer parte do corpo humano isto é refletido na orelha com reações positivas de

    caráter e localidades diferentes. As reações positivas se apresentam de diferentes formas,

    entre as mais comuns estão: mudança na coloração, mudanças morfológicas, mudanças no

    limiar doloroso, descamações, eczemas, e presenças de telangienctasias, etc. Portanto

    podemos assegurar que os pontos de reação positiva do pavilhão auricular permitem

    identificar os sintomas de acordo com a enfermidade, a forma como evoluiu, e a maneira em

    que continuará evoluindo, por este motivo o diagnóstico auricular é um importante

    instrumento para detectar diversas alterações patológicas (NEVES, 2009; GARCIA, 1999).

    Para se obter um bom diagnóstico auricular é necessário seguir quatro etapas

    fundamentais, observação, palpação, exploração elétrica e diferenciação de síndromes

    (GARCIA, 1999).

    A observação do pavilhão auricular é o primeiro passo que realizamos para explorar o

    lugar onde aconteceu o processo patológico e o estágio em que se encontra a doença, sendo

    nesta etapa que podemos verificar mudanças na coloração, mudanças morfológicas,

    descamações, pápulas, telangiectasias. Essas alterações aparecem para indicar a existência de

    algum desequilíbrio no corpo, órgãos ou funções que será refletido na orelha (DANTAS,

    2017; GARCIA, 1999).

    Através do método de palpação auricular é possível identificar os pontos dolorosos,

    presença de cistos, tubérculos, cordões, edemas e escamações, é através desse exame que

    podemos identificar alterações que não foram visíveis na inspeção. O principal objetivo da

    palpação é localizar as regiões ou pontos que sejam reagentes à dor e também observar

    possíveis marcas deixadas pelo método de palpação (NEVES, 2009).

    O método de exploração elétrica consiste em atingir as reações positivas do ponto

    através das modificações auditivas ou visuais do instrumento elétrico usado(GARCIA, 1999).

    Na diferenciação de síndromes devemos agregar as informações obtidas pelo o método

    de observação, palpação, exploração elétrica, com a história da enfermidade e os princípios

    da fisiopatologia, tanto ocidental como tradicional, para então elaborar uma terapêutica

    acertada (GARCIA, 1999).

  • 16

    Segundo Garcia (1999) a Auriculoterapia constitui um ponto de partida para a

    integração da Medicina Chinesa e a Ocidental. O microssistema da orelha nos oferece a

    possibilidade de localizar e utilizar pontos sob o respaldo, tanto da teoria dos órgãos e

    vísceras (Zang e Fu) e Canais e colaterais (Jing Luo), como sob os princípios da fisiologia

    moderna. Assim, desta maneira os pontos auriculares foram classificados e denominados de

    acordo com a anatomia, fisiologia dos Zang e Fu e Jing e Luo, sistema nervoso, sistema

    endócrino, funções específicas dos pontos, etc.

    2.7 Sistema Endócrino

    O sistema endócrino é um conjunto de glândulas responsáveis pela produção dos

    hormônios, que são lançados no sangue, onde percorre o corpo até chegar aos órgãos-alvo

    específicos sobre os quais atuam, entretanto os hormônios participam da regulação e da

    integração dos processos ou funções do corpo e da manutenção da homeostase. Devido a sua

    influência nos órgãos, os hormônios são considerados como mensageiros químicos

    (SPENCE, 1991).

    Os pontos auriculares relacionados com o sistema endócrino representam as diversas

    glândulas espalhadas pelo corpo, como a hipófise, tireóide, supra-renais, pâncreas, gônadas,

    ovários, próstata, mais o ponto endócrino, que representa todo sistema, sendo empregados

    para aumentar ou diminuir a produção e a liberação de determinados hormônios. O ponto do

    sistema endócrino representa 5.19% dos pontos auriculares, e podem provocar uma grande

    influência na liberação de determinados hormônios, como os corticóides que são secretados

    pelas supra-renais e atuam na regulação da atividade intrínseca destas glândulas (GARCIA,

    1999).

    O córtex supra-renal é responsável pela secreção do hormônio cortisol, sendo chamado

    de glicocorticóide, tendo um papel importante de estabilizar a membrana dos lisossomos, ou

    seja, diminuir a facilidade com que os lisossomos se rompem no interior das células,

    liberando suas enzimas digestivas intracelulares. Onde a intensidade da inflamação dos

    tecidos que ocorrem em muitas doenças é reduzido de forma acentuada pela função do

    cortisol (GUYNTON, 1988).

    Os corticosteróides são hormônios secretados pela região cortical das glândulas supra-

  • 17

    renais. O cortisol ou hidrocortisona é o principal glicocorticóide natural circulante no ser

    humano. Sua síntese é regulada pelo hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) (ANTI, 2008).

    Teoricamente os glicocorticóides sintéticos, desenvolvidos pela indústria farmacêutica,

    são muito semelhantes aos naturais. Estes fármacos têm atividade sobre todos os tipos de

    reações inflamatórias, sejam elas causadas por patógenos invasores, por estímulos químicos

    ou físicos ou por respostas imunes inadequadamente desencadeadas, no entanto apresentam

    vários efeitos adversos, como a síndrome de cushing, miopatia, osteoporose, hipertensão

    arterial, trombose, glaucoma, hiperglicemia etc., uma vez que eles interferem no

    metabolismo geral do organismo (BAVARESCO, 2005).

  • 18

    3. OBJETIVO

    Este trabalho realizado como estudo de caso teve como objetivo analisar os efeitos

    proporcionados pelo o ponto endócrino na síndrome do ombro doloroso, associado ao ponto

    da zona correspondente relacionado com a queixa principal do paciente, com o intuito de

    atenuar o quadro álgico e o processo inflamatório, diminuindo o consumo dos fármacos,

    minimizando assim os efeitos adversos causados pelos antiinflamatórios sintéticos,

    melhorando a qualidades de vida dos pacientes.

  • 19

    4. MATERIAIS E MÉTODOS

    O presente estudo foi aplicado em 20 pacientes com síndrome do ombro doloroso,

    sendo 19 mulheres (95%) e um homem (5%), com idade entre 40 e 70anos, com média de 55

    anos. O lado direito esteve envolvido em 6 pacientes (30%), o ombro esquerdo em 2

    pacientes(10%), portanto em 12 pacientes (60%) o acometimento foi bilateral.

    Foi realizada uma anamnese através de uma ficha de avaliação para a coleta de dados

    dos pacientes, contendo dados pessoais, as principais queixas, histórico pessoal e familiar,

    hábitos pessoais, medicamentos, tratamentos anteriores, observação do pavilhão auricular,

    palpação, e a Escala Visual Analógica de Dor (EVA). O estudo foi realizado na igreja

    católica Santa Luiza de Marilac com a permissão dos pacientes para utilização dos dados

    coletados através do Termo de consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), devidamente

    assinado.

    Na avaliação pré tratamento foi constatado que 100% dos pacientes faziam uso

    ocasional de analgésicos e antiinflamatórios para melhora da intensidade da dor.

    A dor referida pelos pacientes era de evolução longa, com duração superior a três meses

    caracterizando dor crônica.

    No decorrer da anamnese 70% dos pacientes queixaram de insônia e alteração de

    humor.

    Na inspeção do pavilhão auricular foi observado alterações na coloração em 12

    pacientes (60%), apresentando uma cor marrom na região correspondente ao ombro,

    enquanto 8 pacientes (40%) não foi observado mudança na coloração.

    No entanto na palpação, 18 pacientes (90%) apresentaram alteração na sensibilidade no

    ponto relativo ao ombro, e 2 pacientes(10%) não relataram dor à palpação durante o

    atendimento.

    O tratamento teve duração de 10 semanas, sendo realizada uma sessão a cada sete dias.

    Neste procedimento após a higienização do pavilhão auricular com álcool a 70%, foram

    aplicadas as sementes duplas de colza fixadas com esparadrapo bege nos pontos auriculares,

    onde a permanência das sementes deveriam ocorrer por um período de 5 dias, e reaplicadas

    novamente no 7ª dia, sendo que entre um atendimento e outro o pavilhão auricular deveria ter

    um período de descanso de um dia para evitar a acomodação dos pontos estimulados. Os

    pacientes foram orientados a estimular os pontos com as sementes três vezes ao dia com

  • 20

    pressão moderada por 10 segundos.

    E como indicador do resultado foi utilizada a Escala Visual Analógica da Dor (EVA),

    que é um método subjetivo, porém validado, no qual consiste em auxiliar na avaliação da

    intensidade da dor, e com isso aferir de maneira mais precisa a evolução de cada paciente,

    sendo muito importante para verificar se o tratamento esta sendo eficaz.

    Escala Visual Analógica (EVA) tem como função avaliar a percepção de dor do

    paciente, no qual o terapeuta deve questionar o paciente quanto ao seu grau de dor, por uma

    escala de 0 a 10, sendo 10 o valor máximo de dor, e 0 o valor mínimo, sendo usado antes e

    após cada intervenção, para catalogar á evolução do paciente.

  • 21

    5. PONTOS UTILIZADOS

    O ponto endócrino se localiza em um sulco na porção mais profunda e interna da

    incisura intertrágica. Este ponto estimula e regulariza a função das glândulas e hormônios,

    tem ação antiinflamatória e imunológica. Sendo utilizado no tratamento de enfermidades

    causadas por vento-umidade e afecção do colágeno, como artrite reumatóide, lupus

    eritematoso etc, além disso, inclui propriedades imunológicas e antiinflamatórias (NEVES,

    2009; GARCIA, 1999).

    O ponto Articulação do ombro localiza-se entre o ponto ombro e o ponto clavícula.

    Sendo usado tanto no diagnóstico como no tratamento de afecções do ombro (GARCIA,

    1999).

    Fonte: www.acupontolojavirtual.com.br

    Segundo Neves (2009) os pontos podem ser classificados em duas etapas. A primeira

    representa os pontos principais, que são aqueles que têm importância direta nos tratamentos

    das disfunções, ou seja, têm relação direta com a queixa principal do paciente. Nestes são

    incluídos os pontos de área correspondente e os pontos de ação específica. Já na segunda

    etapa estão os pontos complementares, tendo um papel importante de potencializar a ação

    dos pontos da primeira etapa, agindo no organismo como um regulador geral ou direcionando

    sua ação para os pontos principais. Nessa etapa estão incluídos os pontos da Medicina

    Chinesa, pontos do sistema nervoso e pontos do sistema endócrino.

    Pontos da zona correspondente representam a grande maioria dos pontos, com

  • 22

    (46,10%) e são os representantes da anatomia corporal dentro do pavilhão auricular,

    recebendo os nomes das estruturas anatômicas diretamente relacionadas a eles, como regiões

    do punho, cotovelo, articulações, etc. Estes pontos são indicados principalmente para o

    tratamento de afecções locais, como síndromes dolorosas, por exemplo, se tornando reativos

    diante de um processo patológico. Segundo os critérios da Medicina Chinesa, ativam a

    circulação de Qi e Xue liberando as estagnações, dispersam o calor e drenam a umidade

    (GARCIA, 1999; NEVES, 2009).

  • 23

    6. RESULTADOS

    A tabela a seguir elucida a avaliação da intensidade da dor, utilizando a Escala Visual

    Analógica (EVA) como indicador do resultado, sendo usada antes e após o tratamento para

    catalogar á evolução do paciente de forma individualizada, incluindo o percentual de melhora.

    TABELA. 1: Escala visual analógica de dor individualizada por paciente pré e pós tratamento e

    percentual de melhora

    6.1. Os Gráficos a seguir fazem uma análise comparativa entre as avaliações pré e pós

    tratamento de Auriculoterapia individualizada por paciente utilizando a Escala Visual

    Analógica de Dor.

    PACIENTES LADO

    ACOMETIDO

    PRÉ-

    TRATAMENTO

    PÓS-

    TRATAMENTO

    PERCENTUAL DE

    MELHORA %

    A.A.B.G D 7 3 56

    V.A.T.C D 8 2 75

    C.P.O D 8 5 37

    A.A.G D 10 4 60

    M.C. D 9 3 67

    N.T.B D 10 3 70

    J.G.T Bilateral D=6 E=5 D=2 E=1 D=67 E=80

    M.C.A Bilateral D=8 E=10 D=2 E=0 D=75 E=100

    S.M.A Bilateral D=9 E=7 D=5 E=3 D=44 E=57

    A.F.S Bilateral D=8 E=6 D=5 E=3 D=37 E=50

    M.I.B.F Bilateral D=7 E=5 D=5 E=2 D=29 E=60

    S.C.G.S Bilateral D=10 E=5 D=6 E=2 D=40 E=60

    S.F.S Bilateral D=6 E=4 D=2 E=0 D=60 E=100

    L.M.A Bilateral D=10 E=7 D=5 E=3 D=70 E=86

    W.M.S Bilateral D=8 E=5 D=0 E=0 D=100 E=100

    C.F.P Bilateral D=8 E=6 D=0 E=0 D=100 E=100

    J.S.C Bilateral D=4 E=5 ---------------- -------------------------

    M.I.G Bilateral D=4 E=6 ---------------- ------------------------

    M.R.N E 8 ----------------

    V.F.L E 5 ---------------- -------------------------

  • 24

    Gráfico. 6.1.1

    Gráfico.6.1.2

  • 25

    Gráfico.6.1.3

    6.2. Os Gráficos a seguir demonstram o percentual de melhora individualizada por paciente

    após o tratamento

    Gráfico.6.2.1

  • 26

    Gráfico.6.2.2

    Gráfico.6.2.3

  • 27

    6.3 Resultados dos pacientes que apresentavam a mesma escala de dor

    Ao termino do tratamento podemos evidenciar uma melhora significativa do quadro

    álgico, onde os pacientes foram reavaliados utilizando o mesmo método de avaliação inicial,

    Escala Visual Analógica de Dor (EVA), obtendo os seguintes resultados:

    Dentre os 20 pacientes, foram tratados 32 ombros, sendo que 5 ombros (15,5%)

    apresentavam o valor máximo da dor, com escala de 10 (100%), tendo portanto uma média de

    68% de melhora.

    Já em 2 ombros (6,2%) o resultado final foi de 55,5% de média, apresentando 9 (90%)

    na escala de dor.

    Em 7 (22,8%) dos ombros tiveram grau 8 na escala de dor (80%), com resultado final

    de 70,6% de média.

    No entanto o resultado final de 4 ombros (12,5%) foi de 57% de média, numa escala de

    dor de 7 (70%).

    Em 5 ombros (15,6%) com grau de 6 (60%) na escala de dor, obteve 75% de média ao

    final do tratamento.

    O resultado final em 6 ombros (18,7%) foi de 70% de média com intensidade de dor

    nível 5 (50%).

    E por fim em 3 ombros ( 9,3% ) obteve 100% de melhora, numa intensidade de 4(40%)

    na escala de dor.

    Pode-se constatar que com o tratamento proposto a média do percentual de melhora dos

    pacientes foi de 70,9% no final do tratamento.

    Gráfico.6.3.1 Final do tratamento com a mesma escala de dor

  • 28

    6.4. Resultado dos pacientes que apresentavam o mesmo percentual de melhora

    Ao final do tratamento foi obtido 100% de melhora em 6 ombros (18,7%) tratados,

    sendo que a mesma quantidade de 6 ombros (18,7%) obteve uma média 76,5% de melhora

    após o término do tratamento. Em 9 ombros (28%) a média de melhora foi de 61,5%; e em 4

    ombros (12,5%) a média final foi de 39,5% de melhora, e somente 1 ombro (3,1%) teve 29%

    de melhora, referindo piora do quadro álgico ao esforço, no entanto a média de desistência foi

    de 18, 7% somando um total de 6 ombros em 4 pacientes que realizaram somente 5 sessões,

    obtendo 20% de melhora.

    Ao término do tratamento os pacientes obtiveram uma média de 61,3%, portanto se

    acrescentarmos os pacientes que não concluíram o tratamento a média diminui para 54,5% de

    melhora.

    Gráfico.6.4.1 Final do tratamento com o mesmo percentual de melhora

  • 29

    7. DISCUSSÃO

    Sabe-se que a síndrome do ombro doloroso (SOD) é caracterizada por dor e limitação

    funcional resultante do acometimento de estruturas estáticas e dinâmicas do ombro, como

    ligamentos, cápsula e músculos, sendo uma das queixas mais comuns e incapacitantes do

    sistema musculoesquelético (Zanelatto, 2013).

    A conjunção de fatores mecânicos e biológicos predispõe a articulação do ombro a

    degenerações de natureza inflamatória podendo evoluir para um processo crônico diminuindo

    a capacidade funcional dos pacientes (RAGASSON, 2001).

    No presente trabalho foram estudados 20 pacientes com síndrome do ombro doloroso,

    sendo 19 mulheres (95%) e um homem (5%), com idade entre 40 e 70 anos, com média de 55

    anos. Esses dados confirmam as proposições de Facci, (2000) que encontrou na síndrome do

    ombro doloroso predomínio em pacientes de meia idade e do sexo feminino. Portanto relata

    que isso se deve ao fato das mulheres realizarem atividades repetitivas com elevação do

    membro superior, provocando estresse biomecânico no ombro predispondo a lesões

    articulares.

    Segundo Garcia (1999) e Neves (2009) o ponto da zona correspondente tem relação

    direta com a queixa principal do paciente, e são indicados principalmente para o tratamento de

    afecções locais, como síndromes dolorosas, por exemplo, se tornando reativos diante de um

    processo patológico, representando os pontos principais. Neves (2009) menciona que os

    pontos do sistema endócrino agem como um regulador geral ou direciona sua ação para os

    pontos principais, tendo um papel importante de potencializar a ação do ponto da zona

    correspondente.

    Garcia (1999) afirma que o ponto endócrino é um regulador sistêmico da atividade

    endócrina e metabólica do organismo, este mantém o equilíbrio funcional das glândulas

    vigorizando a função das que hipofuncionam e reprimindo as que hiperfuncionam, razão pela

    qual, podemos dizer que é ponto central para o tratamento de qualquer patologia do sistema

    endócrino, combinando-se, segundo seja o caso.

    A partir da análise dos resultados foi possível identificar a eficácia do tratamento

    proposto, onde os pacientes estudados obtiveram uma média de 70,9% de melhora. Todavia o

    que foi possível visualizar neste trabalho vai ao encontro com o que Garcia (1999) diz, que os

    pontos do sistema endócrino podem causar uma forte influência na liberação de determinados

    hormônios, como os corticóides secretados pelas supra-renais, com ação antiinflamatória e

  • 30

    imunológica, podendo dessa forma agir no quadro álgico do ombro, diminuindo o processo

    inflamatório e conseqüentemente melhorar a limitação funcional decorrente.

    Dor com longa duração, superior a três meses, caracterizando dor crônica esteve presente

    em 100% dos pacientes, A queixa de insônia e alteração de humor foi relatada em 70% dos

    pacientes. Todavia Pai (2005); Calil Sallum (2012) mencionam que a dor crônica pode ser

    intensa e persistente. No entanto 75% dos pacientes relatam que essa dor interfere em sua

    atividade física, sexual, de lazer, no sono, nas atividades sociais e nas relações familiares.

    Cerca de 5% deles tornam-se parcial ou totalmente incapacitados seja temporária ou

    permanente. Muitos desses pacientes sofrem de depressão, ansiedade, insônia e alteração de

    humor, de memória e de raciocínio, pensamentos negativos, ou suicidas e apreciações

    desesperançadas da vida.

    Segundo Zanelatto (2013) a dor gera consideráveis prejuízos à saúde para a pessoa que a

    vivencia, como por exemplo, a insônia, devendo o terapeuta através da observação fazer

    correlações entre os sintomas e as disfunções orgânicas para perceber a totalidade do

    indivíduo, ou seja, isso significa que nem sempre é necessário estimular o organismo com

    inúmeros comandos, como na Auriculoterapia, inserindo várias esferas ou agulhas para tentar

    tratar todos os sintomas. Portanto a Medicina Chinesa ensina que ao equilibrar um elemento,

    os demais vão também se equilibrando em um processo harmônico e gradual.

  • 31

    8. CONCLUSÃO

    Os resultados deste trabalho revelaram que com o tratamento proposto pode-se concluir

    efeitos benéficos na síndrome do ombro doloroso. Houve diminuição da dor e o mais

    importante sem a presença de efeitos colaterais causados pelos medicamentos

    industrializados, diminuindo desta forma os efeitos danosos a saúde, proporcionando aos

    pacientes melhora da qualidade de vida.

    Através da modificação da sintomatologia dolorosa dos pacientes o presente estudo

    pode constatar uma média de 70,9% de melhora no final do tratamento dos pacientes que

    apresentavam a mesma escala de dor.

  • 32

    9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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    relacionados ao trabalho (DORT)/lesões por esforços repetitivos (LER). Arquivos de

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  • 33

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    Ombro Doloroso. Acta Ortop. Bras, São Paulo, v. 16, n. 3, p. 165-167, 2008. Disponível em:

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    GUYNTON. Arthur Clifton. Fisiologia Humana. 6ª Ed,São Paulo, Guanabara1988

    MINORI, Andrea Emiko Tavares; MEJIA, Dayana Priscila Maia. Atuação da acupuntura para

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    NEVES, M. L. Manual prático de auriculoterapia. Porto Alegre. Ed. Do autor, 2009.

    OLIVEIRA, Márcia Mabel et al. Controlando a dor: benefícios da acupuntura auricular e

    auriculoterapia em idosos. TEMA-Revista Eletrônica de Ciências (ISSN 2175-9553), v. 11,

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    PAI, Hong Jin. Acupuntura: de terapia alternativa a especialidade médica. São Paulo: Ceimec,

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    RAGASSON, Carla Adriane Pires; STABILLE, Sandra Regina. Tratamento fisioterapêutico

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    YAMAMURA, Ysao. Acupuntura Tradicional: a arte de inserir. São Paulo: Roca, 2001.

    ZANELATTO, Ana Paula. Avaliação da acupressão auricular na Síndrome do Ombro

    Doloroso: estudo de caso. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 66, n. 5, 2013.

  • 34

    10. ANEXOS

    Ficha de Avaliação

    Nome:_____________________________________________________________

    Data de nascimento:___/___/___ Idade:_________ Sexo:______________

    Endereço:__________________________________________________________

    Telefone: ________________________

    Ocupação: ________________________

    1. Principasi Queixas: __________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    2. Histórico pessoal:___________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    3. Faz uso de medicamentos:____________________________________________

    4.Histórico Familiar:___________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    5. Hábitos Pessoais:___________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    6. Tratamentos anteriores:______________________________________________

    ___________________________________________________________________

    7. Observação do pavilhão Auricular:______________________________________

    ___________________________________________________________________

  • 35

    8. Palpação do Pavilhão auricular:________________________________________

    ___________________________________________________________________

    9. Escala Visual Analógica de Dor (EVA)

    0--------------------------------------------------------------------------------------------------10

    Dor ausente Dor insuportável

  • 36

    Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)

    Eu,_________________________________________________________________,

    portador(a) do CPF __________________-___, aluno (a) e devidamente instruído(a) à pesquisa científica sobre

    o tema: ______________________________________________________________,torno-me responsável por

    todos os objetivos legais à conclusão da pesquisa quanto à PROIBIÇÃO de cobrança sobre a pesquisa, a

    utilização de materiais devidamente autorizados, a preservação legal voluntário em pesquisa humana e todas as

    diretrizes que levam à conclusão do trabalho de campo, devidamente ciente e com a contribuição da instituição

    de ensino EBRAMEC – Escola de Medicina Chinesa, a qual me respalda como aluno(a).

    De acordo com as práticas envolvidas e devidamente explicadas ao voluntário sobre os termos descritos

    pela resolução 466 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde, este aceita por livre vontade e descrita a próprio

    punho a CONSENTIMENTO para a pesquisa, sendo ciente de tudo e tendo o livre arbítrio de desistir da

    pesquisa quando lhe for cabível por razões pessoais ou por negligência e/ou imprudência e/ou imperícia do

    aluno(a) pesquisador.

    Nome do Voluntário:___________________________________________________

    Data de Nascimento: ____/____/________. Sexo ( ) Masculino ( ) Feminino

    RG:___________________-_____ e CPF: ___________________-_____

    *Se menor de idade:

    Nome do Responsável: _________________________________________________________________

    RG:___________________-_____ e CPF: ___________________-_____

    Sendo de livre acordo na pesquisa, firma-se o contrato em Termo de Consentimento Livre e

    Esclarecido (TCLE), garantindo a integridade física, psicológica e emocional do voluntário, seguindo todos os

    padrões morais e legais que refere-se à Pesquisa em Seres Humanos.

    ________________________________

    Aluno Responsável

    ________________________________

    Voluntário (ou Responsável)

    Dr. Reginaldo de C. S. Filho – Diretor Geral

    João Carlos Felix – Coordenador de TCC

    EBRAMEC – Escola Brasileira de Medicina Chinesa

    Rua Visconde Parnaíba, 2727 - Bresser Mooca - São Paulo - SP - Fone: 0xx11 2605-4188/ 2155-1712/2155-

    1713 - [email protected]