AUSTERIDADE PARA QUEM? - ?· da oposição de direita e o jogral dos porta-vozes do mercado financeiro:…

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  • AUSTERIDADE PARA QUEM?

    Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo e Pedro Paulo Zahluth Bastos

    (orgs.)

    BALANO E PERSPECTIVAS DO GOVERNO DILMA ROUSSEFF

  • Austeridade para quem?Balano e perspectivas do governo dilma rousseff

    So Paulo, 2015 1 edio

    Alexandre de Freitas Barbosa Ana Carolina Cordilha

    Antnio Carlos Diegues Bruno De Conti

    Carlos Pinkusfeld Bastos Celia Lessa Kerstenetzky

    Celso Amorim Clemente Ganz Lcio

    Fernando Augusto Mansor de Mattos Fernando Maccari Lara

    Fernando Rugitsky Jlio Gomes de Almeida

    Ladislau Dowbor Laura Carvalho

    Leda Maria Paulani Lena Lavinas

    Luiz Fernando de Paula Luiz Gonzaga Belluzzo

    Marcio Pochmann Maria de Lourdes Rollemberg Mollo

    Paulo Jos Saraiva Pedro Paulo Zahluth Bastos

    Pedro Rossi Rosa Maria Marques

    Samuel Pinheiro Guimares Tarso Genro

    Luiz Gonzaga de Mello BelluzzoPedro Paulo Zahluth Bastos

    (organizadores)

  • Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)

    (Bibliotecrio responsvel: Eduardo Marcos Fahl)

    Este livro obedece s regras do Novo Acordo da Lngua Portuguesa.Coordenao editorial: Rogrio Chaves; Projeto grfico e editorao eletrnica: Caco Bisol Produo Grfica Ltda.; Ilustrao de capa: Gilberto Maringoni.

    Carta MaiorAv. Paulista, 726 - 15 andar

    Fone: (11) 3142-8837www.cartamaior.com.br

    Diretor geral: Joaquim Ernesto Palhares

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    So Paulo - SP - Brasilwww.fes.org.br

    Austeridade para quem? balano e perspectivas do governo Dilma Rousseff / Alexandre de Freitas Barbosa...[et al] ; organizao de Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo e Paulo Zahluth Bastos So Paulo : Carta Maior ; Friedrich Ebert Stiftung, 2015. 352 p.

    Textos de vrios colaboradoresISBN 978-85-99138-79-3

    I. Barbosa, Alexandre de Freitas II. Belluzzo, Luiz Gonzaga de Mello III. Bastos, Paulo Zahluth 1. Capitalismo 2. Democracia 3. Capitalismo financeiro crise 4. Crise econmica Brasil 5. Finanas internacionais 6. Mercado de trabalho 7. Sistema financeiro 8. Dilma Rousseff (Governo)

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    Sumrio

    5 Introduo: Austeridade para quem? Luiz Gonzaga Belluzzo e Pedro Paulo Zahluth Bastos

    15 As Hienas e os Vira-Latas: os liberais de todos os matizes esto de volta Celso Amorim

    19 Impeachment, golpe de Estado e ditadura de mercado Samuel Pinheiro Guimares

    27 Como recuperar o vigor industrial Luiz Gonzaga Belluzzo e Jlio Gomes de Almeida

    35 Subproteo ao Trabalho na utopia neoliberal Tarso Genro

    39 A disciplina imposta periferia: do FMI s agncias de rating Bruno De Conti

    45 Onde est o dinheiro? Sistema financeiro, evaso fiscal e injustia tributria como limites ao desenvolvimento Ladislau Dowbor

    55 O Brasil e os BRICS Samuel Pinheiro Guimares

    67 As transformaes no padro de organizao e acumulao da indstria: da desindustrializao Doena Brasileira Antnio Carlos Diegues

    75 A tragdia da desindustrializao no Brasil Fernando Augusto Mansor de Mattos

    83 A questo da austeridade na poltica econmica Maria de Lourdes Rollemberg Mollo

    89 Em defesa do emprego e da renda Rosa Maria Marques

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    Aust

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    93 A falcia da freada de arrumao Leda Maria Paulani

    103 2015: o novo 2003? Carlos Pinkusfeld Bastos e Fernando Maccari Lara

    113 Ajustar para crescer? Laura Carvalho

    119 Viabilidade contra austeridade Celia Lessa Kerstenetzky

    123 possvel enfrentar o dficit fiscal combatendo a desigualdade? Recuperando o papel da poltica tributria Lena Lavinas e Ana Carolina Cordilha

    131 Do ensaio desenvolvimentista austeridade: Uma leitura kaleckiana Fernando Rugitsky

    139 Do ciclo expansivo ao ajuste fiscal: uma interpretao estruturalista Alexandre de Freitas Barbosa

    149 Desvalorizao e poltica cambial no Brasil Pedro Rossi

    155 O Regime de Metas de Inflao no Brasil: o que pode ser mudado? Luiz Fernando de Paula e Paulo Jos Saraiva

    165 Impasse entre mobilidade e polarizao recentes no capitalismo brasileiro Marcio Pochmann

    171 Desafios para enfrentar a rotatividade no mercado de trabalho no Brasil Clemente Ganz Lcio

    181 Austeridade permanente? A crise global do capitalismo neoliberal e as alternativas no Brasil Pedro Paulo Zahluth Bastos

    313 Referncias bibliogrficas347 Sobre os autores

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    A economia brasileira caminha para o abismo. As condies internacionais excepcionais que facilitaram a retomada do cres-cimento econmico a partir de 2004 mudaram bruscamente em 2008 e foram agravadas em 2011.

    A economia brasileira desacelerava no primeiro governo Dilma at ensaiar um mergulho em 2014, o que exigia que se revertesse o aperto monetrio executado desde 2013 e a perda de importncia do investimento pblico desde 2011.

    Ao invs disso, o governo reeleito optou por seguir a cartilha da oposio de direita e o jogral dos porta-vozes do mercado financeiro: a austeridade.

    Essa cartilha exige juros mais altos e maior destinao de impostos para o pagamento da dvida pblica, ao invs de devolv-los na forma de transferncias sociais, servios e investimentos pblicos. Segundo ela, o governo deve cortar gastos diversos para arcar com os custos de sua dvida (aumentar o supervit fiscal primrio), que cresce por causa dos juros altos e da recesso.

    O problema das contas pblicas em 2014 foi gerado pela estagnao da economia e pelos subsdios pblicos que no conseguiram estimular o gasto do setor privado. Se houve gastana, ela foi com isenes de impostos e contribuies trabalhistas para empresas que no reagiram como esperado e sim cortaram gastos,

    AuSteridAde pArA quem? introduo

    Luiz Gonzaga BelluzzoPedro Paulo Zahluth Bastos

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    em parte por causa da prpria desacelerao da demanda, em parte por causa das incertezas do processo eleitoral, em parte por causa da avalanche de importaes provocada pela crise internacional.

    Se os subsdios no estimularam o gasto privado, o corte do gasto pblico que caracteriza a austeridade vai muito menos. O principal risco para a sustentao do gasto privado se confirmou depois das eleies: o governo eleito optou pela austeridade em uma economia beira da recesso.

    Ao invs de resolver o problema da dvida pblica, a austeridade a agrava. As contas pblicas no se assemelham a um oramento domstico, cujo equilbrio pode ser restaurado com aperto dos cintos. A importncia do oramento pblico tamanha que a simples meno de que ele ser cortado bruscamente muda a conveno das expectativas que influenciam o gasto privado, sobretudo em uma economia j em desacelerao.

    Por isso, o aumento radical da incerteza, a contrao brusca do gasto pblico e a elevao de impostos resulta em queda das prprias receitas tributrias ao provocar uma recesso dos gastos privados e, portanto, da economia como um todo.

    A recesso e os juros elevados, por sua vez, aumentam o peso da dvida pblica na renda nacional. Ou seja, a austeridade produz exatamente aquilo que pretende evitar.

    O Manifesto de Economistas pelo Desenvolvimento e pela Incluso Social, apresentado em novembro de 2014, j alertava o governo eleito que esse tipo de austeridade deprimiria o consumo das famlias e os investimentos privados, levando a um crculo vicioso de queda na arrecadao tributria, menor crescimento econmico e maior carga da dvida pblica na renda nacional.1

    No h alternativa! Esse o lema para impor a austeridade aos trabalhadores desde que Margaret Thatcher o declamou na dcada de 1970.

    H alternativa sim. Por que no impor austeridade aos sonegadores de impostos? Aos que acumularam grandes fortunas

    1. Para o texto do manifesto, ver , acesso em 20.set.2015 .

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    Balano e perspectivas do governo d

    ilma rousseff

    ajudados pelos esforos de todos os brasileiros? Aos que recebem grandes heranas? Por que no rebaixar impostos para trabalhadores remediados e camadas mdias, mas aument-los para os que tem ampla capacidade de contribuir mais?

    Por que no reduzir os juros obscenos, que no podem ser justificados pela necessidade de conter a inflao se a economia brasileira no sofre a perspectiva de sobreaquecimento, mas sim o mergulho na recesso?

    Por que o regime de metas de inflao brasileiro nico no mundo no sentido de mal considerar choques de preos independentes de variaes do nvel de emprego e buscar sua meta em um nico ano-calendrio?

    Por que no baratear a inflao de alimentos com incentivos agricultura familiar de produo de alimentos e a formao de mecanismos pblicos amplos de estocagem e regulao de preos agrcolas? Por que no evitar a importao da inflao de commodities com impostos reguladores, sempre que os preos superarem certo patamar definido democraticamente?

    Por que deixar a determinao da taxa de cmbio ao sabor de operaes especulativas no mercado de cmbio?

    Por que no reativar a economia com investimentos pblicos que atendam carncia de bens pblicos e infraestrutura social reclamada pela populao brasileira e, ao mesmo tempo, representam uma fronteira de desenvolvimento, estmulo ao crescimento da economia, do investimento privado e da prpria arrecadao tributria?

    Por que no aumentar o gasto social se ele alarga a renda disponvel e estimula o gasto de seus beneficirios, com vantagens para todos?

    Por que no recorrer a uma poltica industrial que, ao invs de incentivos distncia, tenha metas concretas de incorporao de novos ramos de atividade e recriao de cadeias produtivas vazadas por importaes subsidiadas, anos a fio, pelo Real forte aqui, e por bateria enorme de polticas de Estado nos pases desenvolvidos e na sia em desenvolvimento?