Auta de Souza - Auta de Souza

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AUTA DE SOUZAFRANCISCO CNDIDO XAVIER Ditado pelo Esprito Auta De Souza

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INDICE

AUTA DE SOUZANotcias De Auta Prefcio Noticias De Auta Agora Algum Espera Alma Querida Amor E Entendimento Amor E Felicidade Ao Sol Do Campo Auxilia Avancemos Bendita Sejas Bendize Caminho De Redeno Caminho De Redeno Cano Materna Canes Para Jesus Caridade E Perdo Carta De Me Dedues Do Amor Deus Amor Do Pncaro Ao Lodo Em Torno Da Criana Em Torno Do Amor Exortao Esquece Essa Migalha Estrada Acima Glria Do Bem Instrues Da Vida Lgrimas Lei Lembrana De Irm Louvadas Sejas Memrias Da Vida Mensagens Das Rosas Mensagem De Irm Mensagem Do Corao Migalha Na Luz Perene No Correio Evanglico Notas Da Estrada 2

Oferenda Orao De Hoje Pgina De F Paz Em Prece Pensa Perdoa Querida Nina Rimas Da Esperana Rogativa Segue E Confia Segue, Amigo Sigamos Juntos Tempo De Mes Tempo De Natal Trabalho E Amor Trovas De F E Razo Trovas Para Jesus Unio Sem Adeus Vai, Irm Vamos Verdade E Amor A Jesus Algum Na Estrada Caridade Da Luz Caridade Carta ntima Cenculo Divino Conversando Em Orao Enquanto Dia Escuta Mais Alm Mos Meditao Mensagem Fraterna Na Romagem Da Luz Ora E Vem Prece A Jesus Presena Do Amor Quem Ama Registro Segue Adiante Sempre Com Jesus Senhora Da Amargura Serve Sorrindo Vamos Juntos No Livro D`Alma Vem E Ajuda Biografia De Auta De Souza

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NOTCIAS DE AUTA PREFCIOSim, notcias de Auta, "a mais pura e dolorosa poetisa do Brasil", na palavra de Edgar Barbosa; "a eminente e humilde Auta de Souza, a mais espiritual das poetisas brasileiras" - no juzo de Andrade Muricy; "poetisa de raro merecimento" - reconhece Olavo Bilac, que prefaciou seu "HORTO", o nico livro que ela nos deixou em sua rpida existncia terrestre, uma "vida breve que foi cano, como na msica de Manoel de Falla" - qual sente Lus Cmara Cascudo, seu bigrafo. Tristo de Atade, no prefcio 3 edio do "HORTO", acentua que Auta de Souza "nunca sonhou com a glria literria. Nem mesmo com esse eco que s depois de morta veio encontrar no corao dos simples, onde toda uma parte de seus poemas encontrou a mais terna repercusso. E esse sentimento de absoluta pureza o que mais encanta nos seus poemas. Auta de Souza viveu em estado de graa e os seus versos revelam de modo evidente. Da o grande lugar que ocupa em nossa poesia crist, em cuja cordilheira sempre h de ser um dos altos mais puros e mais solitrios." Francisco Palma, num soneto que lhe dedica, define-a "a cotovia da rimas." Jackson de Figueiredo, opinando sobre "HORTO", considera "Auta de Souza como a mais alta expresso do nosso misticismo, pelo menos do sentimento cristo, puramente cristo, na poesia brasileira." Manuel Bandeira, em formosa crnica na revista "Leitura", declara haver relido a biografia de Cmara Cascudo "com a emoo - confessa - que sempre me despertaram a vida e a obra da poetisa nordestina... (...). Se algum dia escrevesse uma biografia de Auta, bem outra epgrafe (refere-se a "cotovia mstica das rimas", de Palma) lhe poria. Nunca vi, verdade, o canto da cotovia. Mas sei de cor desde menino, o final da "Morte de D. Joo": A estrela da manh na altura resplandece. E a cotovia, a sua linda irm, Vai pelo azul um cntico vibrando, To lmpido, to alto que parece Que a estrela no cu que est cantando! E assevera concluindo: "Lmpido foi o canto de Auta..." Rematando essas anotaes crticas sobre a potica de Auta, justo anuir ao parecer de Cmara Cascudo: "No pode haver duas opinies sobre Auta de Souza. a maior poetisa mstica do Brasil". *

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Este o segundo livro de Auta de Souza. O primeiro, "HORTO", foi editado em 1900, havendo circulado poucos meses antes da desencarnao da poetisa, ocorrida em Natal, na madrugada de 7 de fevereiro de 1901. Uma 2a. edio seria impressa em Paris, em 1911, com uma "Nota" que uma brevssima biografia de Auta, escrita por seu irmo Henrique Castriciano. Nova edio datada de 1936 (Rio de Janeiro) com um "Prefcio 3a. edio" de Tristo de Atade, acrescido ao de Bilac. Em 1970, a Fundao Jos Augusto, da capital norte-riograndense, patrocina a 4a. edio do "HOR-TO". E neste 1976, cem anos depois do nascimento de Auta de Souza, os coraes amigos da grande poetisa do Nordeste podem reconfortar-se espiritualmente, reencontrando-a neste novo Horto, que nos desce do Mundo Maior. Aqui se renem produes poticas suas, todas psicografadas pelo renomado mdium Francisco Cndido Xavier. So poemas de amor e de beleza, de espiritualidade e de esperana, em mundividncia mais, ampla, porque nascidos nas mais extensas dimenses da Eternidade. * Henrique Castriciano, irmo de Auta, no primeiro pargrafo de sua "Nota", escrita em Paris, em 1910, assim nos resume a vida da poetisa : "Auta de Souza nasceu em Macaba, pequena cidade do Rio Grande do Norte, em 12 de setembro de 1876; educou-se no Colgio So Vicente de Paulo, em Pernambuco, sob a direo de religiosas francesas; e faleceu em 7 de fevereiro de 1901, na cidade de Natal. Uma biografia simples como os seus versos e o seu corao..."

Podemos, sem ferir a simplicidade da vida e da obra da poetisa, respigar, aqui e ali, na "Vida Breve de Auta de Souza", de Cmara Cascudo, em escritos de seus irmos Henrique e Eli de Souza, em pesquisas de Stig Roland Ibsen, em pginas de crticos literrios, podemos acrescentar alguns ligeiros dados sobre a carinhosa amiga dos sofredores, anotando, ainda brevemente, os ritmos de seu sentimento potico de aqum e alm-tmulo. *

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Macaba ainda no era Vila do Imprio quando Auta de Souza nasceu. Adquire essa categoria no ano seguinte. A terra natal da poetisa atinge os foros de cidade no ano da proclamao da Repblica. Filha de Eli Castriciano de Souza e D. Henriqueta Leopoldina Rodrigues de Souza, nasceu Auta no dia 12 de setembro de 1876; "magrinha, calada, era, com o mano Irineu, de pele clara, um moreno doce vista como veludo ao tato." Alm de Irineu, Eli (Jnior) e Henrique Castriciano j haviam nascido e, depois de Auta, ainda despontaria o Joo Cncio. Desde a infncia, nossa poetisa iria estudar, ininterruptamente e resignadamente, as grandes lenis do sofrimento humano... Antes de completar trs anos, j rf de me. Menos de dois anos depois, em janeiro de 1881, desencarna seu pai. Auta e seus irmozinhos ela a nica menina entre os cinco filhos de Eli e Henriqueta deixam, ento, Macaba e so levados pelos avs maternos para Recife, para o velho sobrado do Arraial. a, na grande chcara, que Auta, em meio a sofrimentos contnuos, vai conhecer tambm a sublime dedicao de sua avozinha, a Dindinha D. Silvina de Paula Rodrigues, que ser sua me de criao, anjo da guarda de seus dias terrenos. Com os irmozinhos, teve um professor amigo e aos sete anos j sabia ler e escrever. Aos oito recorda seu irmo Henrique lia para as crianas pobres, para humildes mulheres do povo ou velhos escravos as pginas simples e ingnuas da "Histria de Carlos Magno", brochura que corria os sertes, escrita ao gosto popular da poca. Aos dez anos, uma tragdia vem abalar novamente seu esprito, saudoso da dedicao materna e dos carinhos de seu pai, embora a devoo maternal da Dindinha. Uma noite noite inesquecvel de 15 de fevereiro de 1887 o seu irmo to carinhoso, o calado, o companheiro de todas as horas, o Irineu subia ao andar superior do casaro, levando uma lamparina de querosene. Supe-se que o vento, canalizado em chamin prxima, provocou a exploso do candeeiro. Irineu foi envolvido em chamas. Grita apavorado, desce a escada, foge para a chcara... Mas quanto mais foge mais as labaredas o cingem. Cai, sem foras, e vai resistir ainda dezoito horas de dor... O irmozinho poeta (escrevia e ocultava seus versos), o silencioso e humilde Irineu Leo vai juntar-se aos seus pais... E o que Henrique Castriciano, em sua Nota assim ressume era j rfo de pai e me,

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tendo assistido ao espetculo inesquecvel do aniquilamento de um irmo devorado pelas chamas, numa noite de assombro." por isso que "o pensamento da morte domina toda a sua poesia, ao lado do sentimento da infncia. A infncia e a morte so o leit-motiv dos seus poemas..." observa Tristo de Atade. No seio turbilhonante das interrogaes sobre a dor e o destino, Auto recebe, em sua infncia duramente marcada de provaes, o carinho constante de abenoada velhinha que se lhe tornara me extremosa : a bno das compensaes descendo da Divina Providncia. a essa Dindinha que ela dedica o segundo poema de seu "Horto" : Minhalma vai cantar, alma sagrada! Raio de sol dos meus primeiros dias... Gota de luz das regies sombrias Da minha vida triste e amargurada. Minhalma vai cantar, velhinha amada! Rio onde correm minhas alegrias... Anjo bendito que me refugias Nas tuas asas contra a sina irada! * Antes dos 12 anos matriculada no Colgio de So Vicente de Paulo, no bairro da Estncia, onde recebe carinhosa acolhida por parte das religiosas francesas que o dirigiam, as soeurs de charit" que lhe ofertam primorosa educao: Literatura, Ingls, Msica, Desenho... junto das Irms de So Vicente que Auta aprende e domina o idioma francs, o que lhe permitir ler, no original, Lamartine,Vtor Hugo, Chateaubriand, Fnelon, com o mesmo carinho com que ler, nos seus ltimos dias terrestres, a "Imitao de Cristo", as obras de Santa Teresa dAvila e os "Pensamentos" de Marco Aurlio... De 1888 a 1890, a jovem Auta estuda, recita, verseja, ajuda as Irms do Colgio, aprimora a beleza de sua f na leitura constante do Evangelho, entretece amizades fiis entre as colegas e as professoras queridas. Trs anos aps a desencarnao trgica do irmozinho querido, ainda no educandrio da Estncia, em 1890, manifestam-se os primeiros sinais da enfermidade que iria consumir seu frgil organismo. "Foi sempre fraquinha" revelaria mais tarde seu irmo Henrique a Cmara Cascudo. Auta era uma jovem de 14 anos: a princesinha de Eli e Henriqueta iniciava novos e doridos passos do seu calvrio...

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A Dindinha, depois de lev-la a vrios mdicos da capital pernambucana, resolve voltar com os netos para a terra norte-rio-grandense. Eilo