Autarquias Familiarmente Responsáveis - - Quadro Referencia 2017.pdf · DAS AUTARQUIAS FAMILIARMENTE

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Quadro de Referncia Autarquias Familiarmente Responsveis

9 EDIO - 2017 www.observatorioafr.org

http://www.observatorioafr.org/

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QUADRO DE REFERNCIA PARA UMA POLTICA DE FAMLIA DAS AUTARQUIAS FAMILIARMENTE RESPONSVEIS

O presente quadro de referncia tem por base o princpio de que a famlia um marco de coexistncia e coeso social insubstituvel para a vida e o bem-estar da populao. Neste contexto, importa que, reconhecendo o indispensvel papel da famlia na nossa sociedade, se propicie o exerccio das suas responsabilidades com maiores e melhores garantias, favorecendo a existncia de mais famlias estveis, saudveis e funcionais. As polticas pblicas tm assim que estar, tambm, atentas aos sinais e s necessidades das famlias. Salvaguardando o princpio da subsidiariedade, devero assim ser identificadas quais as medidas de poltica a tomar para proporcionar s famlias maior capacidade de resposta na sua ao vital para a sociedade. As polticas sociais de famlia englobam duas vertentes:

Medidas de poltica de famlia que se destinam a todas as famlias Visam reconhecer o valor da famlia e o inalienvel contributo que d para a sociedade e visam sobretudo apoiar as famlias na fundamental funo que desempenham de apoio aos seus descendentes e ascendentes;

Medidas de poltica assistencial - Destinam-se apenas s famlias com menos recursos financeiros e visam colmatar essa falta de recursos proporcionando, ora atravs de transferncias de verbas, ora atravs da prestao de servios concretos nas reas da educao, habitao, alimentao, etc, um apoio especfico e personalizado de forma a assegurar um nvel mnimo de existncia com dignidade.

Estas duas vertentes no se podem confundir, anular ou mutuamente excluir. Elas so ambas essenciais e devem-se complementar na procura de uma sociedade com capacidade para se desenvolver de forma sustentvel em ambos os nveis, econmico e social. Contudo, se na sociedade portuguesa atual as vertentes de apoio assistencial tm vindo a conhecer um vasto desenvolvimento nos ltimos tempos, aspeto que se assinala como muito positivo, as polticas de apoio famlia tm vindo a ser totalmente descuradas, ao contrrio do que se passa na esmagadora maioria dos pases da Europa. Este aspeto , do nosso ponto de vista preocupante, pois significa que no se est a fazer preveno. Ora, todos os estudos demonstram que uma sociedade

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s consegue ser sustentvel (estvel, saudvel e funcional) se for constituda por uma larga maioria de famlias estveis, saudveis e funcionais. A famlia o bero do amanh, na famlia que nascem, crescem e se desenvolvem fsica e emocionalmente os jovens, e por consequncia a sociedade, pelo que h que proporcionar condies que favoream no s a garantia de que existe capital humano suficiente para garantir um futuro sustentvel, mas que esse capital humano tambm possua as competncias emocionais, comportamentais e formativas necessrias. O descurar deste princpio comporta graves consequncias que esto j presentes na sociedade atual e so cada vez mais visveis. A quebra acentuada e contnua dos ndices de fecundidade, a elevada taxa de divrcios, a desertificao, o desemprego, os ndices de abandono e a falta de aproveitamento escolar, so apenas algumas das consequncias que j podemos observar. Toda esta insustentabilidade criada tem depois consequncias ao nvel da sustentabilidade das prprias medidas de poltica assistencial, pois quanto mais famlias a necessitar de poltica assistencial existirem, maior a dificuldade desse apoio ser convenientemente prestado, no s por serem necessrios mais recursos, mas tambm por o nmero de famlias a contribuir para a existncia desses recursos ser cada vez menor. Importa assim apostar na preveno e trabalhar para construir uma sociedade que impea mais famlias e consequentemente mais pessoas, de carem numa espiral de degradao social. Por outro lado, medidas avulsas, representam sempre o dispndio de recursos, perdem a eficincia e raramente produzem o efeito desejado. Torna-se assim imperativo a adoo de um plano com uma viso integradora e transversal das medidas a adotar que valorize os investimentos que vierem a ser considerados necessrios. As famlias numerosas do um contributo importante para a coeso social e para a sustentabilidade que tambm importa conhecer e reconhecer. Elas so um espao privilegiado para o desenvolvimento da partilha, solidariedade, generosidade e entreajuda. Para alm disso, sendo necessrio um ndice sinttico de fecundidade de 2,1 para que seja feita a renovao das geraes, isto significa que s as famlias com 3 ou mais filhos contribuem para a necessria reposio da populao, impedindo a insustentabilidade do amanh. por isso que, um pouco por toda a Europa, numa conjuntura de grave dfice demogrfico, a opo mais adotada a de dar um forte apoio s famlias a partir do terceiro filho. A adoo da avaliao da capacidade financeira de uma famlia atravs do rendimento e a criao de bonificaes por filho em grelhas de avaliao para

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concesso de apoios, so dois aspetos essenciais do domnio da equidade, que devem estar vertidos na poltica prosseguida. Assim, as medidas de ao sugeridas por este Observatrio tm por base dois princpios:

1. A construo de uma poltica integrada de apoio famlia

2. O reforo dos apoios s famlias numerosas

No pressuposto de que as medidas adotadas no sejam avulsas sugere-se a adoo dos seguintes passos:

1. Compromisso ao nvel do Presidente da Autarquia

2. Valores familiares integrados na misso da Autarquia

3. Nomeao de um responsvel pelo Plano

4. Estudo estatstico de dados sobre a realidade das famlias na Autarquia

5. Levantamento e hierarquizao dos problemas existentes:

a. Seleo de indicadores gerais

b. Estudo das necessidades concretas das famlias da Autarquia

6. Elaborao de um plano de ao

a. Escolha das medidas de poltica de famlia a adotar

b. Construo da sua execuo

c. Definio de uma calendarizao

7. Avaliao prospetiva de resultados e estudo da adequao das polticas adotadas

8. Divulgao das polticas e das aes adotadas

a. Plano apresentado pelo Presidente da Autarquia

b. Elaborao de Relatrio Anual de acompanhamento

9. Estimulo adoo de boas prticas de responsabilidade familiar de empresas, instituies e organismos locais com o objetivo de construir uma cultura local de famlia pela:

a. Divulgao das boas prticas existentes

b. Promoo de parcerias e prmios

A adoo destes passos, deve ser preferencialmente integrada nos mecanismos prprios da Autarquia j existentes, no devendo de per si constituir um acrscimo de burocracia.

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SNTESE DE MEDIDAS

A reas de Atuao

No mbito das medidas concretas a adotar o observatrio identificou as que a seguir se enunciam e cuja adoo nos respetivos planos locais sugerida:

A.1. Apoio Maternidade e Paternidade

A.1.1. Promover a formao conjugal (1) existncia de aes de formao de entre 1 e 4 horas ou (2) existncia de aes de formao de mais de 4 horas disponveis para todas as famlias que incluam, nomeadamente, os seguintes mdulos: gesto do oramento familiar, gesto do tempo e organizao pessoal, afetividade e comunicao, conflito e resoluo de problemas, relao com famlia alargada e amigos);

A.1.2. Promover a formao parental (existncia de um plano anual de formao de entre 8 a 10 horas disponvel para todas as famlias que inclua, nomeadamente, os seguintes mdulos: preparao para o nascimento, desenvolvimento e estimulao infantil, estilos parentais e prticas educativas, gesto e comunicao dos afetos, interao escola/famlia;

A.1.3. Prestar apoio jurdico na rea da famlia (existncia de um gabinete de apoio jurdico disponvel para todas as famlias que funcione em regime de horrio definido e com continuidade em funo da procura;

A.1.4. Promover a criao de Redes Familiares (grupos de 5 a 7 famlias que renem numa base mensal para, entre si, conversarem sobre temas que considerem relevantes nomeadamente com recurso ao mtodo do caso);

A.1.5. Promover a criao de grupos de desenvolvimento infantil ou Grupos Aprender, Brincar e Crescer (constituio de grupos de crianas at aos 4 anos que frequentando ou no o ensino formal, se renem em conjunto com os seus cuidadores para, com a ajuda de um monitor com formao adequada, realizarem em conjunto atividades de desenvolvimento infantil);

A.1.6. Apoiar o nascimento de cada criana do concelho atravs de entrega de cabazes e/ou vales a descontar no comrcio;

A.1.7. Disponibilizar rede de ajudantes familiares na rea da infncia para famlias com crianas at aos trs anos;

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A.1.7. Disponibilizar bolsa de baby-sitters para a guarda de crianas at aos 12 anos;

A.1.8. ndice Sinttico de Fecundidade no ano a que o inqurito respeita;

A.1.9. Outras Iniciativas medidas dentro desta rea que no se encontram contempladas nos nmeros anteriores mas que se destacam pela sua inovao/pertinncia.

A.2. Apoio s Famlias com necessidades especiais

A.2.1. Apoiar domiciliariamente, quer atravs de apoio direto da autarquia, quer atravs do apoio a instituies de apoio domicilirio, as famlias com pessoas em situao de fragilidade social, doentes crnicos, deficientes e idosos, de iniciativa prpria ou apoiando iniciativas locais;

A.2.2. Disponibilizar servios de acompanhamento familiar em situaes de crise (idosos, desemprego, viuvez, separao/divrcio doena sbita ou crnica) ;

A.2.3. Disponibilizar servios de obras, adaptaes e pequenos arranjos no domiclio a famlias dom fragilidade social (idosos, viuvez, separao/divrcio doena sbita ou crnica);

A.2.4. Apoio fixao de residncia para famlias oriundas de outros concelhos;

A.2.5. Disponibilizar programas de apoio a f