BALÍSTICA FORENSE CFO

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GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA SECRETARIA DA SEGURANA PBLICA DEPARTAMENTO DE POLCIA TCNICA - DPT INSTITUTO DE CRIMINALSTICA AFRNIO PEIXOTO - ICAP

ACADEMIA DA POLCIA MILITARCURSO DE FORMAO DE OFICIAIS - CFO

BALSTICA FORENSE

Eng. Adeir Boida de Andrade

Salvador Julho de 2008

NDICE

Pag

1 INTRODUO 2 ARMAS DE FOGO 3 O CALIBRE DAS ARMAS DE FOGO 4 MUNIO PARA ARMA DE FOGO 5 PROJTEIS 6 RESIDUOGRAMA DO TIRO 7 BALSTICA EXTERNA 8 BALSTICA TERMINAL 9 IDENTIDADE E IDENTIFICAO 10 SISTEMA DIGITAL DE IDENTIFICAO BALSTICA (IBIS) 11 REFERNCIAS

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1 INTRODUO

Como cincia que estuda o movimento dos corpos no espao, a Balstica surgiu a centenas de milhares de anos, no exato momento em que o homem, em seu processo de evoluo, teve liberados os membros dianteiros, com os quais passou a arremessar pedras para caar animais e enfrentar os inimigos. Da em diante o homem se especializou, digamos assim, na produo e utilizao de armas de arremesso de um modo geral (com as quais podia atingir e ferir gravemente um inimigo, sem se aproximar dele), das quais as armas de fogo constituem estgio tecnolgico mais contemporneo. Voltada para a aplicao da Lei Penal, a Balstica Forense foi criada para o estudo das armas de arremesso de um modo geral e das armas de fogo em particular, tendo o seu embrio, segundo renomados autores, surgido na primeira ocasio em que algum, examinando as caractersticas de uma flecha retirada do corpo de um guerreiro morto, logrou determinar a tribo, ou o cl, a que pertenceria aquele que a desferira. Aplicada no trabalho policial, a Balstica Forense constitui importante ramo da Criminalstica, que a disciplina geral. Estuda as armas portteis de um modo geral (e no armamento militar), exatamente por serem estas as armas e munies normalmente empregadas no cometimento dos delitos penais.

2 ARMAS DE FOGO

Armas de fogo disparam projteis que produzem, nos seres vivos, contuso e perfurao, de modo que tais projteis so considerados instrumentos prfuro-contundentes, os quais produzem feridas prfuro-contusas. De um modo geral, poderamos classificar as armas de fogo da seguinte maneira:

Quanto ao carregamento: Antecarga O carregamento ocorre pela boca do cano, por onde se introduz a carga de plvora, uma bucha separadora, e o(s) projtil(eis).

Retrocarga Utilizam os cartuchos de munio, carregados pela cmara ou pela culatra da arma.

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Quanto ao raiamento do cano: Raiadas O cano possui espiras laterais internas, em alto relevo, por onde passam os projteis slidos sob forte atrito (Ex. revlver, pistola, carabina, rifle, metralhadora, fuzil).

Cano liso O cano tem superfcie interna lisa, e dispara normalmente gros mltiplos de chumbo, que passam pelo seu interior com atrito desprezvel (Ex.: espingardas e pistoles).

As armas de fogo podem ser classificadas, ainda, em funo do comprimento do cano em armas curtas, que so facilmente dissimulveis sob as vestes e podem ser disparadas com uma s mo, e armas longas, mais difceis de dissimular, e cujo emprego requer, normalmente, o uso das duas mos e o apoio simultneo do ombro.

Armas Curtas: Cano raiado: REVLVERES GARRUCHAS PISTOLAS SUB-METRALHADORAS

Cano liso: PISTOLO

A Figura 01 mostra exemplos tpicos das armas curtas.

Figura 01. Armas curtas. Da esquerda para a direita: revlver, pistola, sub-metralhadora e pistolo.

Armas Longas: - Cano raiado: CARABINA (do rabe karab = arma) RIFLE (do ingls rifled = raiado ou estriado)

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MOSQUETO (repetio manual, calibre de alta energia) FUZIL (opera em regime automtico = rajada)

Cano liso: ESPINGARDAS (origem contraditria)

A palavra escopeta tem origem na Espanha, onde significa simplesmente espingarda. No Brasil, no se sabe quando nem por que, passou a ser empregada para designar espingardas de cano curto. Seu uso deve ser evitado em documentao tcnica. A Figura 02 mostra exemplos tpicos das armas longas.

Figura 02. Armas longas. De cima para baixo e da esquerda para a direita: carabina, rifle, mosqueto,fuzil e espingarda.

Armas de antecarga, normalmente espingardas de fabricao artesanal (socadeira, bate-bucha, pica-pau, etc) no possuem calibre nominal definido, restando apenas a determinao do dimetro interno do cano. No raras vezes, armas de antecarga apreendidas pela Polcia tm cano com dimetro interno superior a 18,5mm (1,85cm) que o mximo calibre permitido pela legislao brasileira para armas de cano liso (o calibre 12). Armas deste tipo, normalmente fabricadas com pesados tubos de ao, embora no possuam calibre nominal definido, podem ser classificadas como de calibre equivalente superior ao mximo permitido pela nossa legislao.

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3 O CALIBRE DAS ARMAS DE FOGO

Quando se trata de artefatos tubulares, a palavra calibre refere-se sempre ao seu dimetro interno, em unidades do sistema mtrico decimal. O mesmo ocorre na lingua inglesa, onde caliber tambm designativo do dimetro interno de um cano, ou do dimetro externo de um projtil de arma de fogo. Em Balstica Forense deve-se, porm, considerar a grande diferena entre o substantivo calibre, e a expresso calibre nominal (em ingls, cartridge para canos raiados ou gauge para os canos lisos das espingardas). Enquanto calibre refere-se ao dimetro (do cano ou do projtil), calibre nominal deve ser compreendido como uma NOMENCLATURA IDENTIFICADORA DE MUNIO, um nome de batismo pelo qual a munio (ou a arma que a utiliza) conhecida em qualquer lugar do planeta. Cartuchos de diferentes calibres nominais so constitudos por projteis do mesmo calibre, e a est a diferena... A dificuldade reside, parcialmente, no emprego corrente de medidas em unidades inglesas, j que foram norte-americanos os inventores do revlver (Samuel Colt, por volta de 1850) e da pistola semi-automtica (John Moses Browning, em 1900). importante fixar alguns conceitos antes de prosseguir com o texto:

1 = uma polegada (unidade de comprimento) = 2,54 cm = 25,4 mm 1 = um p (comprimento) = 12 = 12 polegadas = 12 x 2,54 =30,48 cm 1 Lb = uma libra (unidade de massa) = 453,6 g = 7.000 grains O zero esquerda desprezado, e o ponto (.) empregado para separar as casas decimais, enquanto que a virgula (,) indica a casa do milhar, exatamente o oposto do que fazemos. Ex: U$ 1,536.47 ou .45

O Calibre das espingardas

Nas armas de retrocarga de cano liso (espingardas), o calibre nominal (gauge em ingls) sempre um nmero inteiro (Ex.: diz-se calibre 28, e no .28), indicativo do dimetro interno do cano, e, equivale ao nmero de esferas de chumbo, do dimetro, necessrias para completar a massa de uma libra. Por este motivo, o calibre diminui, na medida em que o nmero indicativo aumenta, conforme indicado na Figura 3:6

CALIBRES DAS ESPINGARDAS CALIBRE D (mm) Designao Internacional 40 9,1 9.1mm (Aceita cartuchos .38SPL) 36 10,2 .410 (Aceita cartuchos .44-40Win) 32 12,2 28 13,0 24 14,3 20 15,9 16 16,2 12 18,5 Obs: Calibres 36 e 40 foram criados no Brasil, no atendem a lei internacional de formao, e equivalem aos calibres (gauges) 68 e 101, respectivamente.

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NOMENCLATURA INDICA O NMERO DE BALINS (ESFERAS) DE CHUMBO, DO DIMETRO DO CALIBRE, NECESSRIOS PARA COMPLETAR UMA LIBRA (453,6g) DE MASSA DE CHUMBO. EX: CALIBRE 12 - SO NECESSRIAS 12 ESFERAS NO DIMETRO DO CALIBRE PARA COMPLETAR UMA LIBRA DE CHUMBO. OS CALIBRES BRASILEIROS 36 E 40 CONSTITUEM EXCEO REGRA.

Figura 03. O calibre nominal das espingardas de retrocarga

O calibre das armas raiadasNos canos raiados, temos em verdade dois calibres ou dimetros internos: o primeiro o dimetro entre cheios (s vezes chamado calibre real), correspondente ao dimetro original do tubo utilizado, antes da abertura do raiamento; o segundo o dimetro entre as raias, levemente superior, e dimensionado na exata medida do calibre do projtil a ser utilizado. esta diferena a maior no dimetro que vai forar o projtil de encontro ao raiamento, para adquirir a rotao necessria estabilizao da sua trajetria. Vide Figura 04:

DIMETRO ENTRE CHEIOS (CALIBRE REAL)

Figura 04. Calibre raiado. O projtil dimensionadono maior dimetroDIMETRO ENTRE RAIAS (DIMETRO DO PROJTIL)

O calibre nominal, ou a nomenclatura designativa das munies destinadas s armas de fogo de cano raiado, no segue uma regra determinada, como ocorre com as7

espingardas. O calibre nominal de uma munio, em verdade, corresponde a uma identidade e tem por objetivo sua individualizao, num universo de muitas outras constitudas por projteis do mesmo calibre, porm com caractersticas balsticas e estojos de caractersticas distintas.

SISTEMA INGLS OU NORTE-AMERICANO - o calibre nominal sempre indicado por nmeros (indicativos de uma dimenso em frao da polegada e, portanto, sempre precedidos por um ponto), seguidos de palavras ou letras destinados a sua individualizao. O sistema de certa forma, anrquico, j que os nmeros, ora indicam o dimetro entre cheios do cano, ora o dimetro do projtil, e, muitas vezes, nem uma coisa nem outra! A nomenclatura utiliza a frao da polegada (1 polegada = 1 = 25,4mm), e designada por um ponto, seguida de nmeros e letras ou palavras. Ex: .38 Special, .357 Magnum, .45 Auto, .40 S&W, .380 ACP, .32 S&WL, etc. A frao da polegada nem sempre indica o exato dimetro do projtil que a arma dispara (Ex.: O projtil disparado pelo revlver .38 SPL tem dimetro de .357) Obs.: Importante ressaltar que nos EUA o ponto substitui a vrgula e vice-versa, e eles escrevem, por exemplo U$ 1,347.32 um mil, trezentos e quarenta e sete dlares e trinta e dois centavos.

SISTEMA MTRICO DECIMAL, OU EUROPEU- os calibres so usualmente designados por dois nmeros, em milmetros, seguidos ou no por letras ou palavras. Na nomenclatura Europia o primeiro nmero est vinculado ao dimetro (do projtil ou entre as ra