BARROSO Luís Roberto Barroso - Interpretação e Aplicação Da Constituição (Integral)

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Direito Constitucional

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INTERPRETAO E APLICAO DA CONSTITUIO - FUNDAMENTOS DE UMA DOGMTICA CONSTITUCIONAL TRANSFORMADORA

INTERPRETAO E APLICAO DA CONSTITUIO FUNDAMENTOS DE UMA DOGMTICA CONSTITUCIONAL TRANSFORMADORA

LUS ROBERTO BARROSO

Professor Titular de Direito Constitucional da Universidade do

Estado do Rio de Janeiro. Master of Laws pela Yale Law School.

Procurador do Estado e Advogado no Rio de Janeiro.

3 edio 1999 Editora Saraiva

NDICE GERAL

Abreviaturas IX

Um prefcio afinal desnecessrio XI

Registros XXI

INTRODUO

1. A interpretao. Generalidades

2. Apresentao do tema

3. Plano de trabalho 6

PARTE 1

A DETERMINAO DA NORMA APLICVEL

Introduo

CONFLITOS DE NORMAS NO ESPAO E NO TEMPO

Captulo 1

A CONSTITUIO E O CONFLITO DE NORMAS NO ESPAO.

DIREITO CONSTITUCIONAL INTERNACIONAL

1. O tratado internacional e a Constituio

2. A norma estrangeira e a Constituio

a) A norma estrangeira e a Constituio de origem

b) A norma estrangeira e a Constituio brasileira

Captulo II

A CONSTITUIO E O CONFLITO DE NORMAS NO TEMPO.

DIREITO CONSTITUCIONAL INTERTEMPORAL

1. A Constituio nova e a ordem constitucional anterior

2. Emenda constitucional e Constituio em vigor

3. Constituio nova e direito infraconstitucional anterior

4. Algumas questes de direito intertemporal suscitadas pelo advento

de uma nova Constituio

a) Inexistncia de inconstitucionalidade formal superveniente

b) Aplicao imediata, mas no retroativa, da Constituio nova

c) Declarao de inconstitucionalidade e efeito repristinatrio

d) Situaes processuais especficas

e) Normas infraconstitucionais no recepcionadas pela Constituio

de 1988

PARTE II

A INTERPRETAO CONSTITUCIONAL

Captulo I

OS MTODOS E CONCEITOS CLSSICOS APLICADOS INTERPRETAO CONSTITUCIONAL

1. Introduo

2. Peculiaridades das normas constitucionais

3. Conceitos, classificaes e mtodos clssicos de interpretao

a) Subjetivismo e objetivismo. O originalismo nos Estados Unidos

b) Interpretao constitucional legislativa, administrativa, judicial,

doutrinria e autntica

c) Interpretao declarativa, restritiva e extensiva

d) Os mtodos ou elementos clssicos de interpretao

I - A interpretao gramatical

II - A interpretao histrica

III - A interpretao sistemtica

IV - A interpretao teleolgica

e) Integrao da vontade constitucional. Analogia e costume consti-

tucional

4. A interpretao constitucional evolutiva

Captulo II

PRINCPIOS DE INTERPRETAO ESPECIFICAMENTE CONSTITUCIONAL

1. Os princpios constitucionais como condicionantes da interpretao

constitucional

2. Princpio da supremacia da Constituio

3. Princpio da presuno de constitucionalidade das leis e dos atos do

Poder Pblico

4. Princpio da interpretao conforme a Constituio

5. Princpio da unidade da Constituio

6. Princpios da razoabilidade e da proporcionalidade

7. Princpio da efetividade

PARTE FINAL

A OBJETIVIDADE DESEJADA EA NEUTRALIDADE IMPOSSVEL: O PAPEL DO INTRPRETE NA INTERPRETAO CONSTITUCIONAL

Captulo I

SABER JURDICO CONVENCIONAL, TEORIA CRTICA DO DIREITO E DIREITO ALTERNATIVO. A SNTESE NECESSRIA

1. Introduo

2. A teoria crtica

3. O direito alternativo

4. Objetividade e neutralidade. Os limites do possvel

Captulo II

CONCLUSES

ndice onomstico

ndice alfabtico-remissivo

Bibliografia

ABREVIATURAS

ADCT - Ato das Disposies Constitucionais Transitrias

ADIn - Ao Direta de Inconstitucionalidade

AgI - Agravo de Instrumento

AgRg - Agravo Regimental

AJCL - American Journal of Comparative Law

AJIL - American Journal of International Law

BVerfGE - Entscheidungen des Bundesverfassungsgericht

DJU - Dirio de Justia da Unio

Embgs - Embargos

ILM - International Legal Materiais

MI - Mandado de Injuno

ML - Medida Liminar

MS - Mandado de Segurana

QO - Questo de Ordem

RDA - Revista de Direito Administrativo

RE - Recurso Extraordinrio

Rep - Representao de Inconstitucionalidade

REsp - Recurso Especial

RILSF - Revista de Informao Legislativa do Senado Federal

RF - Revista Forense

RMS - Recurso em Mandado de Segurana

RT - CDC e CP - Revista dos Tribunais - Cadernos

de Direito Constitucional e Cincia Poltica

RTDP - Revista Trimestral de Direito Pblico

RTJ - Revista Trimestral de Jurisprudncia

STF - Supremo Tribunal Federal

STJ - Superior Tribunal de Justia

TFR - Tribunal Federal de Recursos

UM PREFCIO AFINAL DESNECESSRIO

Estas palavras no pretendem ser um prefcio que merea o nome.

No que alimentasse a presuno de oferecer um desses prefcios densos e eruditos, que, s vezes, dissimulam a ambio de competir com a obra que apresentam.

Honrado, porm, pelo convite do autor para prefaciar a publicao da tese que lhe deu as merecidas galas de Professor Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e verdadei-ramente impressionado com a excelncia do trabalho, cheguei a cogitar, guisa de prefcio, de dar um teste-munho: aos sete anos de cotidiana interpretao constitucional por dever de ofcio, pensei aproveitar o tema e dar conta do mtodo e dos motivos de votar de um juiz do Supremo Tribunal Federal. Ao menos, dos motivos conscientes e racionais. Que os outros superado, embora, o mito ingnuo ou mistificador da interpretao neutra (e no apenas imparcial) so, de regra, indevassveis: no que os queira ocultar o intrprete, mas porque, na grande maioria das vezes, ele prprio o primeiro a ignor-los.

Na Parte Final deste livro, disse-o o autor, de modo irretocvel:

"Idealmente, o intrprete, o aplicador do direito, o juiz, deve ser neutro. E mesmo possvel conceber que ele seja racionalmente educado para a compreenso, para a tolerncia, para a capacidade de entender o diferente, seja o homossexual, o criminoso, o miservel ou o mentalmente deficiente. Pode-se mesmo, um tanto utopicamente, cogitar de libert-lo de seus preconceitos, de suas opes polticas pessoais e oferecer-lhe como referncia um conceito idealizado e assptico de justia. Mas no ser possvel libert-lo do prprio inconsciente, de seus registros mais primitivos. No h como idealizar um intrprete sem memria e sem desejos. Em sentido pleno, no h neutralidade possvel".

Frustrou-se o intento do depoimento pessoal, atropelado pelas turbulncias da presidncia do Tribunal e das dimenses inditas da crise do Judicirio, que venho tentando discutir sem preconceitos. E ainda pela certeza de que nenhuma contribuio justificaria retardar ainda mais a publicao de estudo to significativo.

Este livro, cuja apresentao a amizade de Lus Roberto Barroso me entregou, consolida a inscrio do conjunto da sua obra, fruto da juventude ainda vigente, no rol das melhores produes da teoria constitucional brasileira.

O trabalho premiado do estudante O problema da federao (Forense, 1982) - que o grande Seabra Fagundes, no prefcio, no hesitou em saudar como "dos melhores j escritos sobre o regime federal no Brasil" prenunciava os marcos caractersticos do jurista consagrado de hoje: o domnio seguro dos princpios, da histria e da dogmtica constitucional, sem asfixia do compromisso com o seu Pas e o seu povo.

Vem dessa poca a nossa aproximao pessoal, na militncia da OAB, ao tempo em que, "sobre o crepsculo do autoritarismo, incidem as primeiras frestas de claridade" (O problema da federao, cit., p. XII).

1. Prmio Cndido de Oliveira Neto, 1980, da OAB-RJ.

J em 1989 entremeando-se na srie de trabalhos menores, no entanto, de valor indiscutvel (assim, p. ex., Igualdade perante a lei, de 1985, Revista de Direito Pblico, 78:65, e A crise econmica e o direito constitucional, de 1993, Revista Forense, 323:83) completa o autor a verso original de sua tese de livre-docncia A fora normativa da Constituio. Elementos para a efetividade das normas constitucionais a qual, ampliada e atualizada, foi divulgada em duas edies, como ttulo definitivo O direito constitucional e a efetividade de suas normas e o subttulo que trai o engajamento do terico Limites e possibilidades da Constituio brasileira (Renovar, 1991 e 1993).

Na primeira das edies, a veemente divergncia com a minha postura restritiva nos leading cases acerca da natureza e das potencialidades dogmticas do mandado de injuno tal como institudo e disciplinado (e muito mal) pela Constituio valeu-me, na transcrio de uma ementa, o epteto de ser uma "pena ilustre - outrora progressista" (O direito constitucional e a efetividade de suas normas, cit., p. 179), expresses abrandadas, com sutileza, na edio seguinte (O direito constitucional e a efetividade de suas normas, cit., p. 183).

A impiedade da crtica do amigo que assim aparentemente me compelia retirada do crculo dos "progressistas", onde h anos o recebera nem afetou a amizade, nem alterou o juzo extremamente positivo sobre o trabalho.

2. Juzo positivo, alis, que j nem poderia dissimular: da leitura dos originais da tese, dela extrara citao, precedida de referncia elogiosa, que erigira em um dos pilares da fundamentao do voto em que tomara posio na polmica MI 107 (QO), Moreira Alves, RTJ, 133:11, 50.

De qualquer sorte, at por vaidade intelectual, no ousaria retratar-me dos justos encmios ao estudo: a verdade que aps o clssico de Jos Afonso da Silva sobre a eficcia jurdica das normas constitucio