Bauman, z. modernidade e ambivalencia

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  1. 1. AMIHCom reflexes que vo de Kant a Derrida - passando por Freud, Marx, Simmel, Adorno, Horkheimer, Kafka, Foucault, Lyotard, Rorty e outrc prope-se analisar s e caos. Ou seja, as alteraes econmic nome de "modernida 316.42 E347m Autor: Bauman. Zygmunt, Ttulo: Modernidade e ambivalncia. Para enfrentar a fal Bauman sugere novas modalidades de reflexo, uma "agenda" de problemas a serem discutidos que tome para si e nomeie a angustiante dramaticidade de se viver na ambivalncia. Um livro fascinante e extremamente original que conta a histria dos homens e mulheres modernos pegos na armadilha da ambivalncia. AGNES HELLERi NEW SCHOOL FOR SOCIAL RESEARCH ... um argumento rico em discernimento, impressionante seu alcance e referncia. NEW STATESMAN AND SO< Obras de ZYGMUNT BAUMAN por esta editora: O MAL-ESTAR DA PS-MODERNIDADE MODERNIDADE E HOLOCAUSTO GLOBALIZAO: as conseqncias humanas MODERNIDADE E AMBIVALNCIA J-Z-EI Jorge Zahar Editor
  2. 2. escrita por um dos principais pensa- dores sociais da atualidade, faz um balano inovador das questes levan- tadas pelo debate modernidade/ ps-modernidade. Com reflexes que vo de Kant a Derrida - passando por Freud, Marx, Simmel, Adorno, Horkheimer, Kafka, Foucault, Lyotard, Rorty e outros -, prope-se analisar sociologicamente a polaridade entre ordem e caos, ou seja, as conse- qncias das drsticas alteraes econmicas, polticas e culturais a que se deu o nome de "modernidade". A modernidade, argumenta Bauman, prometia trazer o tipo de clareza e transparncia para a vida humana que s a razo pode oferecer. Isso no aconteceu, e hoje no mais acreditamos que venha a acontecer. Estamos cada vez mais conscientes da irremedivel contingncia de nossa existncia, da inevitvel ambivalncia de todas as opes, identidades e projetos de vida. Por que no foi cumprida a promessa da modernidade? A resposta estaria na prpria promessa e na natureza au- toderrotista de todas as tentativas de realiz-la. A ps-modernidade seria uma poca de reconciliao com a ambivalncia, o momento de aprender como viver num mundo implacavel- mente ambguo. Modernidade e Ambivalncia
  3. 3. Zygmunt Bauman Modernidade e Ambivalncia Traduo: Marcus Penchel Jorge Zahar Editor Rio de Janeiro
  4. 4. Baumart Zygmunt Modernidade e ambivalncia 316. 42/B347m (201701/05) Ttulo original: Modernity and Ambivalence Traduo autorizada da terceira edio inglesa publicada em 1995 por Polity Press, de Cambridge, Inglaterra Copyright 1991, Zygmunt Bauman pyright 1999 da edio em lngua portuguesa: Jorge Zahar Editor Ltda. rua Mxico 31 sobreloja 20031-144 Rio de Janeiro, RJ tel.: (21) 2240-0226 / fax: (21) 2262-5123 e-mail: jze@zahar.com.br site: www.zahar.com.br Todos os direitos reservados. A reproduo no-autorizada desta publicao, no todo ou em parte, constitui violao do copyright. (Lei 9.610) Capa: Carol S CIP-Brasil. Catalogao-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. Bauman, Zygmunt, 1925- B341m Modernidade e ambivalncia / Zygmunt Bauman; tradu- o Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999 Traduo de: Modernity and ambivalence ISBN 85-7110-494-8 1. Civilizao moderna Sculo XX. 2 Modernismo (Esttica). 3. Ambivalncia. 4. Ps-modernismo. I. Ttulo. 98-0121 CDD 303.4 CDU 316.42 Sumrio Agradecimentos 7 Introduo: A busca da ordem 9 1 O escndalo da ambivalncia 25 O sonho da razo legislativa A prtica do Estado jardineiro Ambies de jardinagem e o esprito da modernidade Cincia, ordem racional, genocdio Re- latando a desumanidade 2 A construo social da ambivalncia 62 O horror da indeterminao Combatendo a indetermi- nao Vivendo com a indeterminao Removendo a carga 3 A autoconstruo da ambivalncia 55 Excluso para a objetividade Digresso: Franz Kafka ou o desenraizamento da universalidade A revoluo neoltica dos intelectuais A universalidadedo desenrai- zamento A ameaa e a chance 4 Um estudo de caso na sociologia da assimilao I: Na armadilha da ambivalncia 114 O caso dos judeus alemes A lgica modernizadora da assimilao judaica As dimenses da solido Imagi- nando a Alemanha real Vergonha e embarao Os
  5. 5. demnios interiores da assimilao Contas no acertadas O projeto da assimilao e estratgias de resposta Limites ltimos da assimilao As antinomias da assi- milao e o nascimento da cultura moderna 5 Um estudo de caso na sociologia da assimilao II: A vingana da ambivalncia 171 O contra-ataque da ambivalncia Freud ou a ambivalncia como poder Kafka ou a dificuldade de nomear Simmel ou a outra ponta da modernidade O outro lado da assimilao 6 A privatizao da ambivalncia 207 A busca do amor ou os fundamentos existenciais dacom- petncia especializada A redistribuio de habilidades A auto-reproduo da competncia especializada Venden- do competncia especializada Escondendo-se da ambiva- lncia As tendncias e limites do mundo planejado pelo especialista 7 Ps-modernidade ou vivendo com a ambivalncia 244 Da tolerncia solidariedade O exorcista e O pressgio ou os limites modernos e ps-modernos do conhecimento Neotribalismo ou a busca de abrigo As antinomias da ps-modernidade O futuro da solidariedade Socialis- mo, ltima parada da modernidade A engenharia social tem futuro? A agenda poltica ps-moderna Notas 299 ndice remissivo 333 Agradecimentos Em vrios estgios do trabalho fui beneficiado por perspicazes co- mentrios crticos sobre vrios captulos ou trechos deste livro feitos por David Beetham, Bryan Cheyette, Agnes Heller, Irving Horowitz, Richard Kilminster, Ralph Miliband, Stefan Morawski, Paul Piccone, Richie Robertson, Gillian Rose, Nico Stehr, Dennis Warwick, Wlod- zimierz Wesolowski, Jerzy J. Wiatr e muitos outros colegas e amigos. Sou profundamentegrato por sua ajuda. A crtica sensvel e abrangente de Anthony Giddens teve um papel decisivo na forma final do projeto. Mais uma vez tenho o prazer de agradecer a David Roberts por seu esplndido trabalho editorial. Para escrever este livro, usei algum material dos meus vrios artigos e resenhas publicados em Jewish Quarterly, Marxism Today, Sociological Review, Sociology, Telos e Theory, Culture and Society.
  6. 6. Introduo A busca da ordem Deve-se esperar at o fim da histria para captar o assunto na sua precisa totalidade Wilhelm Dilthey O dia em que houver uma leitura do carto de Oxford, a nica e verdadeira leitura, ser o fim da histria Jacques Derrida Quem no escreve nada alm de cartes postais no ter o problema de Hegel sobre como terminar um livro Richard Rorty (A ambivalncia, possibilidade de conferir a um objeto ou evento mais de uma categoria, uma desordem especfica da linguagem, uma falha da funo nomeadora (segregadora) que a linguagem deve desempe- nharrjo principal sintoma de desordem o agudo desconforto que sentimos quando somos incapazes de ler adequadamente a situao e optar entre aes alternativas? por causa da ansiedade que a acompanha e da conseqente indeciso que experimentamos a ambivalncia como desordem ou culpamos a lngua pela falta de preciso ou a ns mesmos por seu emprego incorreto. E no entanto a ambivalncia no produto da patologia da linguagem ou do discurso. , antes, um aspecto normal da prtica lingstica. Decorre de uma das principais funes da linguagem: a de nomear e classificar. Seu volume aumenta dependendo da eficincia com que essa funo desempenhada. A ambivalncia , portanto, o alter ego da linguagem e sua companheira permanente com efeito, sua condio normal. Classificar significa separar, segregar. Significa primeiro postular que o mundo consiste em entidades discretas e distintas; depois, que cada entidade tem um grupo de entidades similares ou prximas ao qual pertence e com as quais conjuntamente se ope a algumas outras entidades; e por fim tornar real o que se postula, relacionando padres diferenciais de ao a diferentes classes de entidades (a evocao de um padro de comportamento especfico tornando-se a definio operacional de classe).fclassificar, em outras palavras, dar ao mundo uma estrutura: manipular suas probabilidades, tornar alguns eventos mais provveis que outros, comportar-se como se os^ eventos no fossem casuais ou limitar ou eliminar sua casualidade.'
  7. 7. 10 Modernidade e ambivalncia Atravs da sua funo nomeadora/classificadora, a linguagem se situa entre um mundoordenado, de bases slidas, prprio a ser habitado pelo homem, e um mundo contingente de acaso no qual as armas da sobrevivncia humana a memria, a capacidade de aprender seriam inteis,seno completamente suicidas. A linguagem esfora-se em sustentar a ordem e negar ou suprimir o acaso e a contingncia. Um mundoordeiro um mundo no qual "a gente sabe como ir adiante" (ou, o que vem a dar no mesmo, um mundo no qual sabemos como descobrir com toda certeza de que modo prosseguir), um mundo no qual sabemos como calcular a probabilidade de um evento e como aumentar ou diminuirtal probabilidade; um mundo no qual as ligaes entre certas situaes e a eficincia de certas aes permanecem no geral constantes, de forma que podemos nos basear em sucessos passados como guias para outros futuros. Por causa da nossa capaci- dade de aprender/memorizar, temos um profundo interesse em manter a ordem do mundo. A ambivalncia confunde o clculo dos eventos e a relevncia dos padres de ao memorizados. A situao torna-se ambivalente quando os instrumentos lingsti- cos de estruturao se mostram inadequados; ou a situao no pertence a qualquer das classes lingisticamente discriminadas ou recai em vrias classes ao mesmo tempo. Nenhum dos padres aprendidos poderia ser adequado numa situao ambivalente ou mais de um padro poderia ser aplicado; seja qual for o caso, o resultado uma sensao de indeciso, de irresoluo e, portanto, de perda de controle. As conseqncias da ao se tornam imprevisveis, enquanto o acaso, de que supostamente nos livramos com o esforo estruturador, parece empreender um retorno indesejado. A funo nomeadora/classificadora da linguagem tem, de modo ostensivo, a preveno da ambivalncia como seu propsito. O de- sempenho