of 92 /92
Complexo Agroindustrial da Ovinocaprinocultura Brasileira BENCHMARKING INTERNACIONAL

BENCHMARKING INTERNACIONAL - GitLab€¦ · benchmarking internacional estudo do complexo agroindustrial ovinocaprinocultura para o desenvolvimento das cadeias produtivas da caprinocultura

  • Author
    others

  • View
    2

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of BENCHMARKING INTERNACIONAL - GitLab€¦ · benchmarking internacional estudo do complexo...

  • Complexo Agroindustrial da Ovinocaprinocultura Brasileira

    BENCHMARKINGINTERNACIONAL

  • 2BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    REALIZAÇÃOSEBRAE/PB - Serviço de Apoio à Micro e Peque-na Empresa do Estado da Paraiba.Avenida Maranhão, 983 - Bairro dos EstadosJoão Pessoa-Paraíba, CEP: 50030-261 Telefone: 55 83 2108 1100www.sebraepb.com.br

    Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio ExteriorCoordenação Geral de AgronegóciosEsplanada dos Ministérios, Bloco J, sala 421 Brasília-Distrito Federal, CEP: 70053-900Telefone: 55 61 2027 8093www.desenvolvimento.gov.br

  • 3BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    REINO UNIDO, ESPANHA, AUSTRÁLIA, NOVA ZELÂNDIA e URUGUAI

    BENCHMARKING INTERNACIONAL

    ESTUDO DO COMPLEXO AGROINDUSTRIAL OVINOCAPRINOCULTURA PARA O DESENVOLVIMENTO DAS CADEIAS PRODUTIVAS DA CAPRINOCULTURA E OVINOCULTURA DE CORTE NO BRASIL

  • 4BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

  • 5BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    ÍNDICEAPRESENTAÇÃO ........................................................................................................... 7

    1. INTRODUÇÃO - CENÁRIO BRASIL ............................................................................. 9

    2. CENÁRIO DA OVINOCULTURA E DA CAPRINOCULTURA DE CORTE NO BRASIL ... 132.1. Coordenação institucional e governança .................................................... 132.2. Integração da cadeia produtiva ................................................................... 152.3. Perfil e participação da indústria frigorífica ................................................ 162.4. Mercado doméstico e incentivo ao consumo ............................................. 172.5. Sistemas de produção e sanidade animal .................................................. 182.6. Pesquisa, assistência técnica e extensão rural .......................................... 22

    3. RELATÓRIO BENCHMARKING INTERNACIONAL ..................................................... 233.1. Indicadores analisados ................................................................................ 253.2. Instituições visitadas ................................................................................... 253.3. Reino Unido .................................................................................................. 273.4. Espanha ........................................................................................................ 333.5. Austrália ....................................................................................................... 383.6. Nova Zelândia ............................................................................................... 423.7. Uruguai ......................................................................................................... 49

    4. SOLUÇÕES ENCONTRADAS NA AÇÃO DE BENCHMARKING INTERNACIONAL ... 554.1. Introdução – cenário internacional.............................................................. 554.2. Coordenação institucional e governança .................................................... 574.3. Integração da cadeia produtiva ................................................................... 604.4. Perfil e atuação da indústria frigorífica ....................................................... 624.5. Mercado doméstico e incentivo ao consumo ............................................. 654.6. Sistemas de produção e sanidade animal .................................................. 684.7. Pesquisa, assistência técnica e extensão rural .......................................... 71

  • 6BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    5. COMENTÁRIOS FINAIS E LIÇÕES APRENDIDAS ...................................................... 75

    6. PROPOSTA DE AÇÕES PARA AS CADEIAS PRODUTIVAS DA CAPRINOCULTURA E DA OVINOCULTURA DE CORTE NO BRASIL ........................................................... 77

    6.1. Introdução ...................................................................................................... 776.2. Ações propostas ............................................................................................ 786.3. Desenvolvimento das ações propostas ........................................................ 79

    7. CONCLUSÃO ............................................................................................................... 89

    8. REFERÊNCIAS DE PESQUISA .................................................................................... 90

  • 7BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    APRESENTAÇÃO

    E ste relatório, resultado de convênio celebrado entre o Ministério de Desenvolvimen-to, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas da Paraíba (SEBRAE/PB), apresenta, de forma sintética, os principais fatores que, durante os últimos anos, têm limitado um maior impacto setorial das intervenções promovidas pelo governo brasileiro na cadeia produtiva da ovinocultura e da caprinocultura de corte do Brasil. O relatório também propõe ações que poderão contribuir para o desenvolvimento sustentável de todo o setor.

    Seu conteúdo origina-se dos relatórios do ESTUDO DO COMPLEXO DA OVINOCAPRINO-CULTURA NO BRASIL, realizado pela DATAMÉTRICA Consultoria Pesquisa Telemarke-ting, e da AÇÃO DE BENCHMARKING INTERNACIONAL, realizada pela FEA/UFBA Funda-ção Escola de Administração de Empresas da Universidade Federal da Bahia.

    Uma análise comparativa entre os entraves identificados como prioritários no Estudo do Complexo da Ovinocultura e da Caprinocultura no Brasil é apresentada por meio dos seguintes tópicos:

    a. Coordenação Institucional e Governança; b. Integração da Cadeia Produtiva;c. Perfil e Atuação da Indústria Frigorífica; d. Mercado Interno e Incentivo ao Consumo;e. Sistemas de Produção e Sanidade Animal;f. Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão.

  • 8BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    Esta análise engloba a situação atual e as alternativas encontradas para solucionar en-traves similares no Reino Unido, Espanha, Uruguai, Austrália e Nova Zelândia, países--alvo da Ação de Benchmarking Internacional realizada pela equipe responsável pelo presente relatório.

    Ainda que se reconheça e se valorize a importância de todas as ações que foram e estão sendo desenvolvidas por diversas instituições públicas e privadas em benefício do setor, este relatório sugere algumas ações estruturantes de natureza colaborativa aos traba-lhos previamente iniciados e estratégicos no sentido de contribuir para o desenvolvimen-to sustentável das cadeias agroindustriais.

    Todas as ações sugeridas visam ao estabelecimento de uma cadeia de valor baseada em qualidade e quantidade, possibilitando a estruturação de um portfólio de produtos que possibilitem o adequado posicionamento das atividades entre os principais setores de proteína animal.

  • 9BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    1. INTRODUÇÃO CENÁRIO BRASIL

    O Brasil é o principal país produtor de carne ovina da América do Sul com 85.000 tonela-das/ano, o que representa um aumento de 20% em relação ao volume produzido em 2000 (FAOSTAT 2012). Segundo dados do Informe Produção da Pecuária Municipal (IBGE-PPM 2012), essa produção é proveniente de um rebanho de 16,8 milhões de cabeças. Desse total, 55,5 % estão localizados na região Nordeste e 24,4% no estado do Rio Grande do Sul, sendo os municípios de Santana do Livramento e Alegrete aqueles que possuem os rebanhos mais numerosos do país. O restante do rebanho brasileiro está localizado nos outros estados da Região Sul e nas regiões Norte, Sudeste e Centro-oeste.

    Segundo Jesus Júnior et al. (2010), evidencia-se um avanço da ovinocultura de corte acima da média nacional nas regiões Centro-Oeste e Norte, principalmente nos estados de Mato Grosso, Acre, Rondônia e Pará.

    Durante décadas, a fibra de lã foi o principal produto comercial na produção da ovino-cultura e, mesmo com uma significativa redução nos rebanhos das principais raças, a lã continua sendo responsável por uma boa parte na receita do setor.

    Segundo o Relatório do IBGE/PPM 2012, a produção de lã neste ano foi de quase 12 mil toneladas, caracterizando um acréscimo de 1,6% em relação a 2011. Desse total, 98,6% foram produzidos na Região Sul, dos quais 91,3% vieram de rebanhos localizados no

  • 10BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    Rio Grande do Sul, sobretudo dos municípios de Santana do Livramento, Alegrete e Uru-guaiana. A produção restante de lã (1,4%) foi obtida nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. O valor total desta produção foi de R$ 76,6 milhões (9,3% superior a 2011).

    O principal reflexo na ovinocultura nacional da crise mundial da fibra de lã foi que, a partir da segunda metade da década de 90, a carne ovina despontou como principal produto da atividade (SORIO & RASI, 2010)1.

    Os principais produtos que compõem o portfólio de carne ofertada ao mercado no país são 90% carcaças (inteiras e meias) e 10% de cortes tradicionais (não segmentados) que se destinam aos pontos de venda regionais e grandes centros de consumo.

    Segundo as estatísticas da ONU, no Brasil, em 2012, o abate foi de aproximadamente 5 milhões de animais (FAOSTAT 2012), com uma produção média total de 75 a 80 mil toneladas por ano. É importante ressaltar que os abates oficiais respondem por menos de 10% do volume total produzido anualmente. Os mais de 90% restantes são oriundos do abate sem nenhum tipo de inspeção nem registro de dados.

    As importações de carne ovina variam entre 5 e 9 mil toneladas/ano e, segundo VIANA, J.G.A. et al. (2013)2, no período de 2000 a 2012, verifica-se uma tendência ascendente das importações, com crescimento anual de 5,09%. Destaca-se a compra de cortes com osso e um comportamento sazonal concentrando-se, fundamentalmente, nos meses de final de ano, quando o volume importado aumenta 68% em relação à média nacional.

    O principal fornecedor é o Uruguai, responsável, aproximadamente, por 80% do volume anual de importação, sendo que, em 2012, desse país foram importadas 6.383 tonela-das (equivalente a carcaças), correspondendo a 35% das exportações de carne ovina do Uruguai. Tais importações abastecem os principais canais de distribuição de pontos de consumo (bares, restaurantes e hotéis) e pontos de venda (supermercados e delicates-sens) no Brasil, procedendo, além do Uruguai, de outros países sul-americanos, como Chile e Argentina.

    1Ovinocultura e abate clandestino: um problema fiscal ou uma solução de mercado? Revista de Política Agrícola, Ano XIX, n. 1, p. 71 - 83, 2010. 2Dinâmica das importações de carne ovina no Brasil: análise dos componentes temporais, 2013.

  • 11BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    O aumento do volume de importação da carne ovina aponta para um mercado aquecido, oportunidade para que os criadores brasileiros melhorem as condições de produção dos seus animais. A incapacidade de atender à demanda determina a necessidade de compra do produto no mercado externo. Dessa forma, segundo Barchet & Freitas (2012)3, a im-portação de carne ovina se apresenta como uma ferramenta que serve para equilibrar o mercado, além de possibilitar aos consumidores uma oferta consistente de carne com preço acessível.

    Em relação ao rebanho caprino no Brasil, em 2012, este foi de 8,6 milhões de cabeças, representando uma diminuição de 7,9% em relação a 2011 (IBGE/PPM 2012). Foram de-terminantes para essa queda as reduções ocorridas nos rebanhos dos estados da Para-íba, da Bahia e de Pernambuco, 18,5%, 11,5% e 7,0% respectivamente. A Região Nor-deste detém 90,7% do rebanho dos quais 30,9% estão no Estado da Bahia. Os municípios com maior população de caprinos são: Floresta e Petrolina em Pernambuco e Casa Nova na Bahia (IBGE/PPM 2012).

    3Integração de preços entre o Rio Grande do Sul, Uruguai, Brasil e Austrália nos mercados da carne ovina e da lã. Espacios, v.33, n.7, 2012.

  • 12BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

  • 13BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    2.CENÁRIO DA OVINOCULTURA E DA CAPRINOCULTURA DE CORTE NO BRASIL

    2.1. coordenação institucional e governança

    A s cadeias produtivas das principais espécies animais (bovinos de corte e de leite, suínos, aves de postura e corte) têm apresentado, durante os últimos 30 anos, avanços significativos na produção e na comercialização de seus produtos, o que posicionou o Brasil entre os três principais atores mundiais para esses produtos.

    As tentativas de aumento e de maior profissionalização da produção de caprinos e ovi-nos, que passaram a estar presentes em diversos estados e regiões do Brasil, promo-veram o surgimento e a participação de diversas instituições públicas e privadas com o objetivo de organizar e fortalecer o desenvolvimento dessas cadeias produtivas no país.

    A diversidade de ecossistemas, estágios de desenvolvimento, aspectos culturais e so-cioeconômicos em que se encontram distribuídos os rebanhos exigem ações conjuntas pensadas para todo o país. Porém, fundamental que ações efetivas sejam estabelecidas em nível regional, através de um esforço institucional coordenado que envolva diversos elos da cadeia produtiva. Infelizmente, pouco se tem verificado no sentindo de corroborar esta visão no Brasil.

  • 14BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    Nas últimas duas décadas, incentivos e recursos das instituições públicas têm sido dispo-nibilizados com o intuito de consolidar as cadeias agroindustriais da caprinocultura e da ovinocultura, como alternativas de alimentos de origem animal e de enfrentar os diversos desafios verificados pelo setor. Como resultado dessas ações, esses setores têm apre-sentado algumas mudanças pontuais de sucesso. Entretanto, devido a motivos diversos, tais mudanças não têm causado o impacto necessário para transformar essas atividades em um negócio estruturado e lucrativo, o que é esperado por todos os integrantes dessas cadeias produtivas.

    Esses setores envolvem um grande número de produtores rurais que possuem alta capila-ridade, influenciando a economia de um número enorme de localidades, que têm na carne dessas espécies a principal, ou mesmo, a única fonte de renda. Além disso, esses setores possuem um grande número de entidades que congregam produtores rurais em associa-ções, cooperativas, grupos de produtores e outras formas de organização.

    Durante os últimos anos, todos esses atores têm sido apoiados e capacitados pelas insti-tuições de pesquisa, ensino e extensão, as quais têm gerado e/ou adaptado conhecimen-tos e tecnologias, buscando o desenvolvimento dessas cadeias produtivas. Porém, até o presente, o ambiente organizacional da ovinocultura e da caprinocultura de corte no Brasil não é constituído por uma liderança institucional que coordene todas as ações para o de-senvolvimento do setor.

    Porém, para alcançar os resultados esperados por todos aqueles que integram esses se-tores, os alicerces estruturantes fundamentais necessários são: a) elaboração de diretrizes setoriais, definidas em conjunto, entre os elos da cadeia produtiva e b) implementação e monitoramento por uma instituição (ou um conjunto delas) responsável pela Governança dos setores e que promova a integração do setor como um todo.

    Essa falta de governança é agravada pela falta de estatísticas e informações sobre a ati-vidade e pelo fluxo ineficiente de comunicação entre as diversas instituições. Os dados de mercado são insuficientes e não estão disponíveis para a cadeia produtiva. Além disso, pouco se sabe a respeito da produção e da produtividade do setor, fato que impede qual-quer tipo de planejamento ou estabelecimento de políticas de impacto. Dessa forma, em geral, as atividades realizadas pelas diversas instituições resultam em pequeno, ou ne-nhum, aproveitamento por parte dos integrantes do setor.

  • 15BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    Concluindo, é possível afirmar que a ausência de uma instituição, ou um conjunto delas, que seja responsável pela coordenação, planejamento e condução das atividades da capri-nocultura e da ovinocultura no Brasil, bem como da implementação dos programas e dos recursos disponibilizados, constitui-se em um dos principais entraves para o setor.

    2.2. integração da cadeia produtiva

    A cadeia de agronegócio da ovinocaprinocultura de corte no Brasil realiza diversas ações, cujos impactos e avanços alcançados em um elo, ou área do conhecimento, quando ocorrem, são aproveitados, apenas, em benefício do seu executor e, quase sempre, não é transferido para o setor como um todo.

    Isto se deve à ausência de um plano setorial com objetivos previamente definidos e que envolva todos os elos, dotado de metas de curto, médio e longo prazo que contemplem a integração (vertical e horizontal) e tenham uma visão sistêmica do setor.

    Na maior parte das vezes, as ações realizadas têm curta duração e péssima relação custo/benefício. Diversos são os casos em que os chamados “grandes projetos” do se-tor, envolvendo recursos privados e públicos, foram concebidos, divulgados e promo-vidos, mas que nunca geraram receita ou produtos que viessem sustentar plenamente o estabelecimento.

    As cadeias agroindustriais brasileiras de carnes de aves, de suínos e de bovinos, bem como a de leite têm sido fortalecidas pela sincronia entre os atores da produção – indus-trialização e transformação – comercialização e distribuição.

    Um claro exemplo da importância da relação sustentável setorial é o da suinocultura na-cional que, mesmo após a crise provocada pelo surto de Peste Suína Africana em 1978, que dizimou seu rebanho, só conseguiu se reerguer, crescer e se consolidar como uma das mais qualificadas do mundo, pela ação decisiva liderada pelo setor industrial.

    A mudança para uma visão integradora é urgente e necessária para o desenvolvimento sustentável das cadeias da ovinocultura e da caprinocultura de corte. Será necessário que essas ações sejam estabelecidas verticalmente (entre setores) e horizontalmente (dentro de setores). Elas, também, devem ser iniciadas de forma que os produtores te-

  • 16BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    nham maior participação nas associações de classe ou em cooperativas setoriais. A in-tegração horizontal é mais fácil de se estabelecer nos setores da indústria e do comércio pelo maior grau de organização que eles possuem.

    2.3. perfil e participação da indústria frigorífica

    A indústria frigorífica no Brasil tem baixa participação no desenvolvimento das cadeias de agronegócios da ovinocaprinocultura de corte. Dessa forma, contribui pouco para sua organização. São poucos os frigoríficos operando no abate de ovinos no Brasil, e há apenas três frigoríficos, em toda a região Nordeste, que possuem SIF (Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura) e que se dediquem, prioritariamente, a essa atividade.

    As estatísticas no Brasil estimam que 90% dos abates de ovinos e caprinos na Região Nordeste sejam realizados fora das estruturas formais (abate clandestino). As carnes e alguns derivados são ofertados em diferentes pontos de venda sem nenhuma garantia de qualidade nem inocuidade, já que são provenientes de processos de abate, transformação e comercialização à margem dos padrões mínimos exigidos para que se tenha segurança alimentar. A falta de inspeção e, consequentemente, a falta de segurança no alimento se constitui em mais um dos fatores determinantes para a baixa participação dessas carnes na gastronomia familiar.

    Segundo os representantes da indústria frigorífica, a pouca participação desse setor deve--se a alguns fatores, como a falta de organização da cadeia agroindustrial da carne de ovinos e caprinos; irregularidade na entrega de animais com sazonalidade da oferta; falta de qualidade em escala comercial dos animais encaminhados pelo setor produtivo; falta de maior comprometimento comercial para a entrega de produtos no curto, médio e longo prazo, bem como a pouca disponibilidade das informações sobre o consumo.

    O setor não conta com um Sistema de Classificação e Tipificação de Carcaças de Ovinos e Caprinos, o que impede a elaboração de políticas de comercialização com a especificação de qual tipo de carcaça é a mais rentável para cada mercado, estabelecendo remuneração diferenciada pelas especificações exigidas.

    O uso de um sistema como esse permite a melhoria e a padronização de carcaças consi-deradas inferiores por falta ou excesso de qualidade ou acabamento (teor de gordura). A

  • 17BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    implementação de um modelo de tipificação e classificação certamente trará, como con-sequência, uma maior fidelidade comercial e um maior compromisso entre os setores de produção, de processamento e de comercialização.

    Melhorar as condições técnicas do abate e do processamento é outro aspecto fundamen-talmente necessário por parte da indústria frigorífica que participa da cadeia agroindustrial das carnes de ovinos e de caprinos no Brasil. Promover a apresentação dos produtos e seus benefícios tende a contribuir muito para uma maior aceitação por parte do consumidor.

    2.4. mercado doméstico e incentivo ao consumo

    O consumo das carnes de ovinos e de caprinos é de, aproximadamente, 1,1 kg/habitante/ano, dos quais, em média, 700g são carnes de ovinos e 400g carnes de caprinos. Em comparação com as outras carnes, esses valores estão muito distantes dos 44 kg de carne de frango, 35 Kg de carne bovina e 14 kg de carne suína consumidos por habitante/ano no Brasil (MAPA, 2012)4 .

    O baixo consumo (ainda mais reduzido nas populações urbanas e jovens) das carnes de ovinos e de caprinos deve-se, principalmente, à falta de informação sobre o consumo dessas carnes, o que provoca a falta do hábito alimentar.

    A oferta de carne de ovinos, em pontos de consumo como bares e restaurantes, tem aumentado em algumas regiões do país. Porém, nos supermercados (principal canal de distribuição e abastecimento das famílias), a oferta de carne de qualidade continua sendo muito baixa e ainda é apresentada de forma pouco atrativa, o que não desperta a atenção de novos consumidores.

    A falta de consistência de oferta, a carência de padronização e de qualidade dos produtos, os preços elevados em relação a cortes de carnes tradicionalmente aceitas pela imensa maioria da população, a deficiência de apresentação, a pouca oferta de porções para núcleos familiares de 2-3 pessoas (os socialmente predominantes) e o elevado grau de desconhecimento sobre as alternativas gastronômicas, tudo isso, agravado pela insegu-

    4 Brasil, Projeções do Agronegócio 2011/2012 - 2021/2022, Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil,2012.

  • 18BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    rança alimentar das carnes ofertadas na maioria dos pontos de venda no país, dificulta o desenvolvimento deste mercado e prejudica toda a cadeia da ovinocultura e da caprino-cultura brasileira.

    O consumo atual se baseia na tradição gastronômica das famílias, na importância dessas espécies em cada região, sobretudo em datas especiais e eventos sociais.

    A falta de informações atualizadas sobre o perfil do consumidor de carnes e do grau de conhecimento que o mesmo possui sobre as opções gastronômicas das carnes de ovinos e de caprinos impede que se realize um zoneamento do mercado. Este fato é agravado pela baixa socialização dessas informações pelos atores da cadeia produtiva da ovinocaprinocultura no país, impedindo, assim, a implementação de estratégias eficazes de produção, comercialização e distribuição.

    2.5. sistemas de produção e sanidade animal

    Um país de dimensões continentais, com sete biomas, diversidade cultural e socioeco-nômica, reconhecida variabilidade genética entre raças e dentro das mesmas, tudo isso somado às tradições e vocações de produção pecuária ajudam a formar o complexo cenário do Brasil. Esta realidade exige que a produção de ovinos e caprinos seja pensada e planejada para as dimensões do país. Porém, a fim de aproveitar essas diferenças de forma sustentável, é necessário desenhar modelos de produção específicos e apropria-dos para a realidade de cada região.

    Como mencionado anteriormente neste relatório, nos últimos 20 anos, o “mapa” da ovi-nocultura mudou, uma vez que a região Nordeste passou a ser líder nacional na produ-ção de ovinos e quase absoluta na produção de caprinos.

    Como resultado da crise mundial da fibra de lã, principal responsável pela mudança da distribuição populacional da ovinocultura nacional, os tradicionais modelos de produção do Rio Grande do Sul passaram por um longo período de transição. Persiste, ainda, a indefinição do principal produto final (lã ou carne) e, em cada um deles, as características do produto (lãs finas x lãs grossas) e o tipo de animal (idade x peso x genótipo) que se-riam os principais formadores do rebanho produtor de carne. Na região Sul do país, por exemplo, não estão claras essas definições, e continuam sendo os modelos de produção

  • 19BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    mistos (bovino de corte x ovinos) os predominantes a utilizar as bases forrageiras tradi-cionais com pouco uso estratégico de concentrados para os ovinos.

    A escolha da carne como principal produto final exige investimentos, principalmente da base, e princípios de utilização forrageira que possam sustentar a introdução de genóti-pos mais exigentes que os especializados para a produção de lã. Continua sendo a raça de “duplo propósito”, Corriedale, a base racial com o objetivo de preservar a produção de lãs de média “finura”. Nos últimos anos, registra-se um avanço crescente da utilização de genótipos das raças especializadas na produção de carnes (principalmente a Texel) que são utilizadas em cruzamentos com os rebanhos de produção de lã.

    Existem algumas características, próprias do sistema de produção de duplo propósito, que caracterizam o manejo dos rebanhos sul-rio-grandenses. Uma delas é a marcada estacionalidade reprodutiva das ovelhas (época de cobertura determinada pelo fotoperí-odo do final de verão-outono), o que condiciona a época dos nascimentos e faz com que ocorra uma maior oferta de cordeiros para abate nos meses de novembro e, principal-mente, dezembro. A concentração da oferta deixa a demanda não atendida em grande parte do ano. Uma característica marcante é o fato da grande maioria das propriedades adotarem o manejo conjunto e complementar da criação de ovinos e bovinos de corte. Outro aspecto favorável para a ovinocultura na Região Sul é a mão de obra rural com uma alta capacitação para o manejo dessa espécie, somado ao tradicional conhecimento por parte dos próprios criadores.

    Também, na Região Sul, o Estado do Paraná apresenta avanços no estabelecimento de sua cadeia produtiva desde o início da década de 90. Tal avanço tem sido fomentado pelo forte apoio dos governos estaduais, das universidades de Ponta Grossa e de Maringá, da Associação Estadual Emater e, sobretudo, pelas cooperativas de produtores espalhadas por diversas regiões do Estado. A falta de competitividade frente às outras atividades do agronegócio e a marcada carência de mão de obra qualificada fazem com que os inves-timentos percam impactos, e a maioria dos empreendimentos envolvendo as atividades de ovinocultura e caprinocultura estão sendo encerrados.

    Um aspecto muito positivo da ovinocultura no Paraná é a marcante participação do siste-ma cooperativo. Lentamente, essa forma de produção aumenta sua participação no se-tor de ovinos e, certamente, integrará a atividade a sistemas de produção que utilizam o aproveitamento de áreas de agricultura e de resíduos agrícolas (integração lavoura-pecuária).

  • 20BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    Na Região Nordeste, atualmente, maior polo de criação de ovinos no país, os sistemas de produção possuem, como característica marcante, a predominância de animais com base genética denominada SPRD (sem padrão racial definido), deslanados e formados por cruzamentos que envolvem a raça Santa Inês. Durante vários anos, houve tentativas mal sucedidas na introdução de reprodutores especializados para a produção de car-caças com maior e melhor produção de carne das raças: Texel, Suffolk, H. Down, Ile de France. Os resultados negativos apresentados indicam erros no planejamento técnico de melhoramento genético e manejo nutricional de alimentos e suplementos necessários. Nos últimos anos, nesta região, estão sendo promovidos os cruzamentos com reprodu-tores da raça Dorper, que provêm de uma região da África do Sul com muita semelhança com o semiárido nordestino.

    Nesses estados, a produção de ovinos e caprinos é basicamente uma atividade da agri-cultura familiar, ocupando áreas de baixa produtividade e com rebanhos nos quais a utilização de técnicas de manejo é muito reduzida. Nessas condições, os sistemas de produção são também caracterizados pela falta de planejamento produtivo, uma vez que o fotoperíodo apresenta influência marcada no desempenho reprodutivo das ovelhas e possibilita que o mesmo possa ser realizado ao longo de quase todo o ano, diferente-mente de grande parte das demais regiões do país.

    Em contrapartida, os períodos de estiagem, em algumas áreas do semiárido, podem se prolongar por mais de 12 meses, tornando-se um fator limitante em quantidade e qualidade do aporte forrageiro encontrado no bioma Caatinga, que é predominante nesta região. Como a utilização estratégica de reservas forrageiras é muito pouco utilizada, o manejo nutricional deficitário é o principal responsável pelos baixos índices produtivos e reprodutivos da ovinocultura e da caprinocultura de corte na Região Nordeste do Brasil.

    Na Região Sudeste, o Estado de São Paulo possui as condições necessárias para ser um dos principais polos de produção de ovinos em quantidade e qualidade, devido à im-portância do seu mercado consumidor que, além do tamanho, é o mercado que melhor remunera os produtos oriundos da ovinocultura e da caprinocultura. O Estado conta com uma associação de criadores atuante e com o aporte científico de instituições de pesqui-sa e ensino reconhecidos mundialmente.

  • 21BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    No início, o sistema de produção da região utilizava, predominantemente, animais com base genética de raças laneiras. Posteriormente, raças de produção de carne de origem europeia passaram a ser criadas. Em seguida, a raça Santa Inês passou a ser a mais utilizada e, nos últimos anos, tem sido constante a presença e multiplicação de animais da raça Dorper.

    A região Centro-Oeste apresenta o maior crescimento do rebanho ovino em todo o país. Importantes investimentos têm sido promovidos nas atividades da indústria frigorífica, nas instituições de ensino e pesquisa e no desenvolvimento de alternativas de manejo que sejam apropriadas à região. O fortalecimento da atividade com o desenho de mode-los de produção sustentável, que potencializa a aptidão da região no sentido de aumentar a utilização do suporte nutricional disponível, o aproveitamento da infraestrutura frigo-rífica instalada e a utilização dos subprodutos do processamento de grãos são oportuni-dades a serem exploradas nesta parte do país.

    Alguns aspectos que, com maior ou menor intensidade, são comuns a todas as áreas são os elevados índices de mortalidade de cordeiros, baixa eficiência reprodutiva, defici-ência no manejo nutricional do rebanho e ausência de um programa nacional de melho-ramento genético com ajustes que atendam às peculiaridades de cada região. Não existe padronização de produtos e, como consequência, a cadeia não consegue fornecer pro-dutos com regularidade e/ou qualidade para a indústria. Esta é a principal consequência da falta de um sistema de classificação e tipificação de carcaças, que poderia contribuir para a produção de carcaças uniformes, viabilizando o desenvolvimento de cortes e pe-ças de alta qualidade, atributos fundamentais para a ampliação de mercados e garantia de melhores preços de venda.

    Outra característica comum a todas as regiões do Brasil é a pouca utilização da escritu-ração zootécnica entre os produtores. Assim, estatísticas sobre o setor e melhor enten-dimento sobre os níveis de produtividade são praticamente impossíveis de serem obtidos no cenário atual.

    Finalmente, sabe-se que o sistema de produção é dissociado da gestão administrativa da atividade, gerando pouca ou nenhuma informação sobre o resultado econômico da mesma que, em geral, não é encarada como negócio e não faz parte das atividades sig-nificativamente importantes para o agronegócio brasileiro.

  • 22BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    2.6. pesquisa, assistência técnica e extensão rural.

    Uma das maiores potencialidades das cadeias agroindustriais da carne de ovinos e capri-nos é o conteúdo qualificado, abrangente e atualizado do acervo de conhecimento e tecno-logia produzido pelas instituições brasileiras de ensino, pesquisa e extensão. As equipes de pesquisadores das empresas federais e estaduais de pesquisa agropecuária, das uni-versidades e das empresas privadas do setor têm elaborado e concluído inúmeros projetos de pesquisa em todas as áreas do conhecimento aplicadas aos diferentes elos da cadeia.

    Além disso, a capacitação técnica e o permanente intercâmbio entre técnicos brasileiros com profissionais de outros países posicionam o nível de conhecimento técnico nacional em um patamar que possibilitaria resultados no mesmo nível dos países mais avançados do mundo.

    Porém, não houve avanços significativos nas áreas de transferência de tecnologia e mes-mo na extensão, o que tem ocasionado um baixo grau de apropriação do conhecimen-to, principalmente pelos atores do setor produtivo. As atividades de capacitação têm uma abrangência limitada, comprovada pelos dados do presente estudo, mostrando que 64,9% dos produtores da Região Nordeste e 55,3% dos produtores da Região Sul do Brasil nunca participaram de nenhum programa de extensão rural.

    Dessa forma, ainda que o ambiente científico no Brasil promova avanços tecnológicos e comprove sua capacidade técnica de pesquisa, a dificuldade de disseminação da informa-ção a todos os elos da cadeia, principalmente aos produtores, evidencia a necessidade de uma maior aproximação entre a pesquisa e a extensão. Dessa forma, é fundamental conferir à extensão a importância devida como o “tradutor” do setor produtivo, que deve levar ao conhecimento dos pesquisadores as reais necessidades dos principais usuários do conhecimento e da tecnologia gerada, os produtores.

    A falta de uma maior comunicação e integração entre os diferentes setores é, em boa par-te, responsável pela manutenção de modelos de produção defasados, de baixa produtivida-de, que reduzem as chances para que o setor se consolide de forma definitiva.

  • 23BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    3.RELATÓRIOBENCHMARKING INTERNACIONAL

    R elatório final da ação de Benchmarking produzida para o Estudo do Complexo Agroin-dustrial da Ovinocaprinocultura Brasileira realizado pelo Sebrae-PB - Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa do Estado da Paraíba, para o MDIC - Ministério do Desenvolvimento Indústria, Comércio Exterior, sobre os elos que integram a cadeia produ-tiva da carne de ovinos, através da realização de duas missões técnicas internacionais nos complexos de carne ovina no Uruguai, Nova Zelândia, Austrália, Reino Unido e Espanha.

    Os países escolhidos para a realização da Missão representam alguns dos principais players do mercado mundial de carne ovina, com elevado consumo interno e alto volume exportado, fonte para a realização do benchmarking necessário para a compreensão e elaboração de estratégias para contornar os problemas enfrentados pela cadeia produti-va e permitir melhores oportunidades à carne de ovino produzida no Brasil.

    Buscar as melhores práticas em países que conduzem seus Complexos Produtivos ao desempenho superior, identificar instituições e empresas, comparar os indicadores rela-cionados para compreensão dos modelos analisados e suas referências em cada um dos países visitados, levará a soluções para o desenvolvimento da cadeia da ovinocultura no Brasil, implicando melhorias significativas dos índices analisados na atividade.

  • 24BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

  • 25BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    3.1. INDICADORES ANALISADOS

    a. Colaboração e coordenação institucional – governançab. Integração da cadeia produtiva c. Perfil e atuação dos frigoríficosd. Mercado doméstico e incentivo ao consumoe. Pesquisa, assistência técnica e extensãof. Sistemas de produção g. Sanidade animal

    3.2. INSTITUIÇÕES VISITADAS

    3.2.1 - Reino Unido

    Ì Eblex – Warwickshire - Inglaterra Ì The British Texel Society - Warwickshire – Inglaterra Ì Signet Breeding Services - Warwickshire – Inglaterra Ì Innovis ltd – Malvern – Inglaterra Ì National Sheep Association – Malvern – Inglaterra Ì Quality Meat Scotland – Edimburgo – Escócia

    3.2.2 - Espanha

    Ì Oviaragón – Grupo Cooperativo Pastores – Zaragoza

    3.2.3 - Uruguai

    Ì Instituto Nacional de Carnes –INAC- Montevidéu Ì Frigorífico Nirea – Canelones Ì Secretariado Uruguayo de la Lana – Sul, Montevidéu Ì Central Lanera Uruguaya – Clu – Montevidéu

  • 26BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    3.2.4 - Austrália

    Ì Meat & Livestock Austrália – Sydney New South Wales Ì Sheep Genetics Austrália, Sydney.

    3.2.5 - Nova Zelândia

    Ì Alliance Group limited Lorneville – Invercargill Ì Sheep improvement ltd – Christchurch Ì Headwaters nz limited - Wanaka Ì Abacusbio ltd. - Dunedin Ì Taratahi - Masterton Ì Wairere - Masterton Ì Beef + Lamb New Zeland - Wellington

  • 27BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    O Reino Unido é o principal país consumidor e exportador de carne de ovino da Europa. São 21.400 produtores com rebanho de cerca de 32,2 milhões de cabeças. As fazendas médias criam 700 animais e a produção mé-dia é de 01 cordeiro/ovelha/ano. Considerando que os cor-deiros preferidos pelos mercados são animais de 40-45 kg

    peso vivo, a valores de final de Abril 2014 (£ 2,4/kg peso vivo) a receita estimada para os produtores é de, aproximadamente, £ 95/cordeiro o que representa, em valores atuais, em torno de US$ 185/cordeiro. Desse total, o produtor paga £0,60 para a Agriculture e Horticulture Development Board (AHDB) e os frigoríficos e exportadores contri-buem com £ 0,20/cordeiro.

    A AHDB é uma organização financiada por agricultores, produtores e outros atores das cadeias produtivas. A gestão é totalmente independente, tanto dos setores do governo, quanto da indústria e do comércio. A AHDB atua nas mais diversas atividades desde a produção até a comercialização junto aos produtores de suínos, bovinos de corte, bovi-nos de leite, ovinos, cereais, oleaginosas, batatas e horticultores comerciais.

    Na Inglaterra, a ovinocultura é coordenada pela organização denominada English Beef and Lamb Executive - Eblex, que tem como objetivo incrementar a sustentabilidade e a rentabilidade da ovinocultura. Até 2006, a Comissão para a Produção de Carnes (MLC) coordenava as atividades da ovinocultura em todo o Reino Unido. Após a criação do EBLEX, organizações similares e com os mesmos objetivos foram formalizadas no País de Gales -Hybu Cig Cymru Meat Promotion Wales - e na Escócia - Quality Meat Scotland – (QMS). Em todo o Reino Unido, as fazendas sofrem com predadores e com a falta de novos pastores e, como consequência, veem o crescimento das grandes pro-priedades sobre as pequenas.

    3.3. REINO UNIDO

  • 28BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    A base da alimentação dos animais, no Reino Unido, são as pastagens, e a suplementa-ção é utilizada com feno, silagem e concentrados. O uso de fertilizantes na instalação e manutenção das pastagens é intenso, bem como a divisão de áreas com a utilização de cercas elétricas é habitual.

    Em relação aos recursos genéticos animais, o Reino Unido apresenta alta variabilidade ge-nética com numerosas raças nativas adaptadas desde as montanhas até as áreas mais bai-xas, acrescidas pela introdução de algumas raças exóticas. As raças estão agrupadas em: 1) de montanha; 2) de fibra de lã longa; 3) maternas ou de duplo propósito e 4) terminais. A cadeia produtiva funciona de forma integrada sob a coordenação da EBLEX, da QMS e da HYBU, CIG, CYMRU com a participação ativa dos setores de produção, da indústria, do comércio, de organismos oficiais, de empresas privadas e de instituições técnicas (Uni-versidades e Centros de Pesquisa), atuando de forma integrada e com objetivos muito claros do produto final necessário.

    As informações e os registros de produção são tratados com muita atenção e transpa-rência. Os dados de mercado e as estatísticas são disponibilizados, e a sua utilização é estimulada, gerando confiabilidade e segurança para toda a cadeia produtiva.

    O uso da genética foi o responsável pela definição dos produtos com elevado padrão de quali-dade, e seu uso vem crescendo no país a taxas de 15% ao ano entre os produtores comerciais.

    O modelo de produção baseado na classificação e tipificação de carcaças desenvolvido no país continua valorizando o produto e colocando o preço pago por quilo entre os maiores do mundo. As atenções com os produtos de carne ovina e seu efetivo controle de quali-dade e desenvolvimento aconteceram a partir das exigências criadas por mercados con-sumidores locais, e a qualidade do produto é identificada pelo selo Quality Stand Lamb.

    O conjunto dos atores da cadeia da carne de ovinos é o principal “responsável” pelo pro-fissionalismo e visão empresarial da ovinocultura no Reino Unido.

    Dentro desse contexto, três pilares básicos se destacam e influenciam, diretamente, a padronização das carcaças, a maior estabilidade da oferta e a qualidade reconhecida in-ternacionalmente das carnes de cordeiros dos países do Reino Unido.

  • 29BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    O primeiro desses pilares é o “Programa Maior Rentabilidade” com o lema “Conheça o mercado, selecione os Cordeiros, incremente a Lucratividade”- que orienta os produto-res sobre:

    As estratégias de manejo para atingir, com carcaças de diferentes pesos, os vários seg-mentos do mercado consumidor:

    Ì Supermercados- carcaças de 16-21 kg; Ì Açougues e casas de carnes- 16-22 kg; Ì Exportação- 12-19 kg;

    1. Análises constantes dos dois mercados são utilizadas para a comercialização de cordeiros nos tipos: Peso Vivo ou Peso Carcaça. Em 2012, 58% da comer-cialização foi realizada por peso vivo, sendo que 52% dos cordeiros e 97% das ovelhas de descarte foram ofertadas a este mercado;

    2. Neste período, as vendas por peso de carcaças representaram 42% do total comercializado, e 48% dos cordeiros e 3% das fêmeas adultas foram vendidas nesta opção de comercialização;

    3. Acompanhamento sistêmico das tendências de mercados e custos de produção;

    4. Utilização da grade de classificação das carcaças por classes de Conformação (E-U-R-O-P) e as classes de Gordura (1-2-3L-3H-4L-4H-5). A clara definição do tipo de carcaça preferencialmente demandada pelo mercado e a utilização da grade de classificação possibilitaram que, em 2012, na Inglaterra, quase 53% das carcaças fossem classificadas pela classe de gordura como 3L, e 67% delas dentro da classe R de conformação. Deve-se destacar que se estabele-cem valores diferenciados, favorecendo as carcaças que estejam dentro das classes preconizadas (R3L). Dessa forma, os produtos identificados como: En-gland Lamb, Wales Lamb ou Scotch Lamb são reconhecidos comercialmente pela padronização das carcaças e pela alta qualidade das mesmas.

    O segundo pilar é o desenvolvimento de programas de melhoramento genético para as diversas raças, que são coordenados, nas áreas de produção da Inglaterra, Escócia e País de Gales, pela empresa Signet Breeding Services. É essa coordenação que realiza as avaliações e as análises dos dados, a identificação dos reprodutores comprovadamente

  • 30BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    melhoradores, a disseminação organizada e a socialização dessa genética, permitindo o aumento de produtividade e a eficiência dos animais.

    O terceiro pilar de impacto significativo sobre o processo produtivo é a realização de ações coordenadas e programadas de transferência de tecnologias e conhecimentos para o setor produtivo. Este processo é realizado através de ações de extensão em dias de campo, publicações com conteúdo técnico apresentadas em linguagem accessível aos produtores, atuação da National Sheep Association maior associação de criadores do Reino Unido e das associações de raças a ela vinculadas. Tudo isso permite uma perma-nente interação com os produtores que alimentam, com suas demandas, as atividades de pesquisa e desenvolvimento.

    O mercado interno, bastante desenvolvido no Reino Unido, é responsável pelo consumo de quase toda a produção nacional. A oferta em pontos de consumo, como bares e restaurantes, é elevada, e existe bastante oferta de carne resfriada nos pontos de consumo, tipo supermer-cado. O resultado é uma média de consumo de carne/habitante/ano em 2012 de 1,9 kg.

    Há também a oferta de cortes congelados, com posicionamento de preço como os principais cortes de boi. Apresenta portfólio de produtos em pratos prontos e porções individualizadas, que representam 30% do volume total consumido, importados, principalmente da França.

    A indústria frigorífica tem elevada participação no desenvolvimento da cadeia produtiva. São 162 frigoríficos autorizados para o abate de ovinos no Reino Unido, sendo que 50 destes com autorização para exportação.

    O total de ovinos abatidos no Reino Unido, em 2012, foi de 13,7 milhões de cabeças, dos quais 11,9 milhões foram cordeiros e 1,8 milhões eram ovelhas e machos adultos. São animais 100% certificados, com média de 110 dias de idade, vivo médio de 40 kg, e 19,1 kg de carcaça. Os principais produtos são carcaças (70%) e cortes inteiros (30%).

    Isso representa uma produção de 226 mil toneladas de carne de ovino. Essa carne tem preço médio de U$ 9,80 por kg, movimentando U$ 2,2 bilhões; 30% são exportados para a França, Grécia, Itália, China e Oriente Médio; e investimentos são feitos para a abertura de mercados asiáticos, principalmente a China.

  • 31BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    Resumo Executivo da Missão ao Reino UnidoINTEGRANTES: Milton Daniel Benitez Ojeda e Carlos Frederico LacerdaPERÍODO: 29 de setembro a 5 de outubro de 2013

    British Livestock Genetics Consortium, Milton Keynes ENTREVISTADO: Henry Lewis.Temas discutidos: a formação da cadeia produtiva, a substituição do MLC a partir de 2006, o desenvolvimento da classificação e tipificação das carcaças e a busca pelo me-lhor produto.

    No Eblex – Ahdb Agriculture & Horticulture Development Board, Stoneleigh Park ENTREVISTADOS: Paul Heyoe - especialista de Mercado de Carne de Boi e de Cordeiro, Jean-Pierre Garnier - diretor de Exportação e Susana Morris, Executiva de Mercado.

    Os temas discutidos foram: modelo de governança participativa, controle de qualidade e sanidade animal, mercados internacionais, capacitação profissional e extensão, estraté-gias de marketing.

    SIGNET – Beending Services, Stoneleigh ParkENTREVISTADO: Samuel Bloom, Gerente Técnico Geral.O tema principal abordado foi o desenvolvimento das avaliações genéticas e a imple-mentação dos Programas de Melhoramento Genético bem como as estratégias utiliza-das para incentivar a participação consciente dos produtores nessas avaliações e a uti-lização preferencial de genética superior como alavanca para uma maior lucratividade.

    The British Texel Sheep - Basco, Stoneleigh ParkENTREVISTADO: John Yates, Chefe Executivo da Associação.Os temas discutidos foram o aumento da participação da raça TEXEL nos rebanhos britâ-nicos, melhoria da produtividade nos rebanhos pela participação no programa de melho-ramento genético, oportunidades, sustentabilidade para o produtor e futuro do mercado de carne de ovinos.

  • 32BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    Innovis Ltd’s, MalvernENTREVISTADA: Abi Stanley, Veterinária Chefe. O principal tema tratado foi a situação atual da utilização das biotecnologias na reprodu-ção animal como multiplicadores da genética superior.

    NSA – Sheep Association, Sheep Center, Malvern ENTREVISTADA: Sra. Joanne Pugh, Executiva de Comunicação. O tema tratado foi o associativismo como forma de sobrevivência para os pequenos pro-dutores, promovendo redução de custos de assistência técnica, disseminação e transpa-rência nas informações.

    QMS – Quality Meat Scotland, Edimburgo ENTREVISTADO: Stuart Ashworth, Chefe de Serviços Econômicos e Qualidade de Carne.Os temas abordados foram aumento de demanda nos mercados internacionais, exi-gências de qualidade de produto para acesso aos principais mercados e registro de dados estatísticos.

  • 33BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    3.4. ESPANHAN a Espanha, os resultados do Censo Pecuário de 2012 mostram que, nesse ano, a população ovina espanhola era de 16,8 milhões de cabe-ças (no ano 2000 foram 24 milhões), das quais 3,3 milhões eram cordeiros, 300 mil reprodutores e 13,2 milhões ovelhas em idade reprodutiva. Essa popu-

    lação nacional representava, nesse ano, 20% do total de ovinos dos 27 países de União Européia, sendo superada somente pelo Reino Unido com 27%.

    Desse total, 79% se concentram nas Comunidades Autônomas de Extremadura, Castilla la Mancha, Castilla y León, Andalucia e Aragón. Comparativamente com o ano de 2009, houve uma diminuição de 17% no total de ovinos e 19% na categoria fêmeas em idade reprodutiva.

    O total de propriedades dedicadas à criação de ovinos era de, aproximadamente, 112 mil (em 2007 foram 122 mil), com rebanhos médios de 120 fêmeas em produção, e a produ-ção média foi de 1,3 cordeiro/ovelha em idade reprodutiva/ano. A receita estimada para os produtores é de U$ 200 por animal abatido, deste valor, cerca de U$ 36 são pagos, como subsídio, pelo governo a programas de incentivos e conservação das raças nativas da União Européia.

    A migração das populações mais jovens das áreas rurais para as urbanas faz com que a mão de obra utilizada para trabalhar junto aos rebanhos seja escassa e de idade avan-çada, fato que compromete, em muito, o futuro do setor. As propriedades que utilizam tecnologias avançadas, com maior automação e com um perfil meramente empresarial, estão avançando significativamente, ao tempo em que as propriedades familiares vêm, dia a dia, compreendendo que as dificuldades de subsistência no setor se acentuam ain-da mais quando os produtores não estão inseridos em entidades de classe, como as-sociações de raças, ou não trabalham integrados com cooperativas locais ou regionais.

  • 34BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    A alimentação dos rebanhos nas épocas de primavera e de verão são basicamente as pastagens nativas e, em menor quantidade, as cultivadas nas épocas de frio, principal-mente nas regiões de montanha. Quando os períodos de neve são mais prolongados, a utilização de forragens conservadas, principalmente feno, são estratégias usadas pela maioria dos estabelecimentos.

    A produção total de carnes de ovinos em 2012 foi de 122,7 mil toneladas (peso carcaça), correspondente a um abate de 10,5 milhões de ovinos, dos quais 9,9 milhões eram cor-deiros e 600 mil eram animais adultos de descarte.

    O peso médio das carcaças dos cordeiros foi de 10,9 kg e o dos animais adultos foi de 21,8 kg. A análise da distribuição das quantidades de cordeiros abatidos por classes de pesos de carcaças mostra, claramente, o objetivo do setor de produzir carcaças, prefe-rencialmente, entre 10.1 kg e 13 kg. Do total de 9,9 milhões de cordeiros abatidos, 2,5 milhões eram de carcaças com menos de 7 kg (cordeiro lechal) com um total de 15,2 mil toneladas; 1,1 milhões foram animais que produziram carcaças entre 7.1 kg e 10 kg, perfazendo um total de 9,1 mil toneladas de peso carcaça; 3,9 milhões foram animais que produziram carcaças entre 10.1 kg e 13 kg, as que representaram 45,6 mil toneladas e 2,4 milhões de cordeiros eram com peso de carcaças acima de 13 kg, que perfizeram um total de 36,2 mil toneladas.

    Em comparação com o ano anterior, houve uma redução de 6% na produção de carnes. As Comunidades Autônomas com maior participação nesses abates foram as de Castilla y León com 25,3 %, Castilla la Mancha com 16,4%, Cataluña com 14,3% e Aragón com 11%.

    Desse total de carne produzida, aproximadamente 38 mil toneladas foram exportadas, das quais 30 mil toneladas para outros países da União Europeia. Sendo que o valor total das quais carnes de ovinos exportadas representou, em 2012, 135 milhões de euros.

    Em relação ao consumo interno de carnes frescas de ovinos e caprinos, não existem da-dos oficiais separando as duas espécies. Comparando os anos de 2006 e 2012, observa--se que, no primeiro ano, o total consumido foi de 119 mil toneladas o que representou um consumo per capita/ano de 2,7 kg.

  • 35BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    Já em 2012, o total de carnes de ambas as espécies consumidas foi de 87 mil toneladas (71% do total produzido), o que representou um consumo per capita/ano de 1,9 kg, ca-racterizando perda de espaço no consumo doméstico.

    A indústria frigorífica tem elevada participação no desenvolvimento da cadeia produtiva, são 22 frigoríficos autorizados para o abate de ovinos.

    A cadeia produtiva funciona de forma integrada aos setores da produção: indústria, co-mércio, organismos oficiais e instituições técnicas, com uma clara participação, e , como facilitador, o Ministério de Agricultura e Meio Ambiente. As informações e os registros dos animais de raças puras são realizados pelas associações de raças, que estão inte-gradas sob a coordenação da Federação de Raças Puras (FEAGAS), que realiza a interfa-ce junto aos atores públicos nacionais e internacionais.

    A participação do Ministério se caracteriza, também, na normatização de processos de controle de qualidade dos produtos, boas práticas de produção e industrialização e na coordenação do sistema de identificação eletrônica, que está implantado desde 2008 e que permite que toda a população ovina espanhola esteja sendo rastreada, seja através dos animais e/ou produtos. Esta rastreabilidade tem sido de fundamental importância para aumentar a confiabilidade na comercialização dessas carnes tanto em nível nacional como internacional.

    Outro fator estruturante de fundamental importância para a integração entre os setores produtivos da industrialização e do comércio é a clara definição de que tipo de animal (idade/peso) se procura. Isto fica claramente evidenciado quando 95% do total de ani-mais abatidos são cordeiros com idades prioritárias entre 4-5 meses, e com peso de carcaças no eixo dos 12 kg. O produto final decidido pelo setor são CORDEIROS, entre os quais 25% são os denominados “lechais”, que são cordeiros alimentados exclusivamen-te a leite, o que faz disso um produto altamente valorizado e de qualidade seleta. Para essa definição de objetivos de produto final, é de fundamental importância a utilização do sistema de classificação e tipificação de carcaças que possibilita a remuneração diferen-ciada e a padronização dos lotes.

    Dentro do sistema de produção escolhido pela maioria dos produtores que trabalham integrados com associações ou cooperativas para a terminação dos cordeiros e a padro-

  • 36BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    nização dos mesmos, é fundamental a presença dos Centros de Terminação. Os cordeiros são enviados pelos produtores a estes Centros, onde a cooperativa, ou associação, os ma-nejam de forma diferenciada, conforme as diferentes demandas da indústria, possibilitan-do, assim, a formação de grandes lotes perfeitamente padronizados e identificados por origem, o que permite a caracterização dos produtos de forma constante ao longo do ano.

    A intensificação dos controles de qualidade e a implementação dos programas de ras-treabilidade, controle de qualidade e bem estar animal foram originadas, principalmente, a partir do começo do século XXI pelos problemas sanitários que a pecuária Européia atravessou nos anos 2000 a 2002.

    O mercado interno é bastante desenvolvido e a oferta em pontos de consumo como ba-res e restaurantes é elevada, bem como está disponível nos grandes centros de distri-buição como redes de supermercados. Para a promoção da utilização da carne de ovinos na gastronomia, tanto familiar como em restaurantes, é de extrema importância a as-sociação cultural e social que se faz entre o produto final com a raça produtora e a sua região de origem.

    Existe um acentuado localismo gastronômico, e isso é muito bem aproveitado pelas as-sociações de raças que, com excelentes trabalhos de marketing, promovem e identi-ficam, como apelo comercial, os produtos locais (Lechazo de Castilla e Leon; Cordero Manchego, Ternasco de Aragón; Cordeiro de Extremadura; Cordero de Navarra). Estas “marcas locais” estão registradas como de Identificação de Origem Protegida (IOP) ou como Denominações de Origem Conhecidas (DOC) todas reconhecidas pela União Euro-péia, o que preserva os nichos comerciais e protege os produtos já que os mesmos são identificados por selos padronizados para todos os países da EU-27.

    Para isso, além das características diferenciadas de cada região ou comunidade autôno-ma, incentiva-se muito, pelas autoridades nacionais e da União Européia, a conservação das raças nativas, existindo um aporte comunitário para os criadores que continuam na criação dessas raças. A Espanha, entre raças nativas e exóticas, tem um valioso patri-mônio genético ovino representado pelas 52 raças que detém.

    Finalmente, o principal fator para o desenvolvimento integrado e com perfil profissional e empresarial da cadeia de carnes de ovinos na Espanha é a marcante participação da

  • 37BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    filosofia associativista ou em cooperativas. Destacam-se as Cooperativas de Oviaragón – Grupo Pastores com mais de 1.200 produtores e quase 500.000 cordeiros abatidos anualmente, e a recém-formalizada união comercial entre duas cooperativas de segundo grau, uma de Andaluzia e outra de Extremadura, que possibilitará trabalhar com quase 2.800 propriedades e ofertar em torno de 850.000 cordeiros/ano. O presente e o futuro da ovinocultura de carne espanhola passam pelas cooperativas e associações.

    Resumo executivo da missão à EspanhaINTEGRANTES: Milton Daniel Ojeda e Carlos Frederico Lacerda PERÍODO: 02 a 04 de outubro de 2013

    Cooperativa Oviaragón - Grupo Pastores . Zaragoza/Aragón ENTREVISTADO: Antonio Olivan - Diretor Operativo de I+DTEMAS DISCUTIDOS: Formação da cadeia produtiva; a visão do sistema cooperativista sobre as estratégias para as inovações para o desenvolvimento do setor; o desenvol-vimento do sistema de classificação e tipificação das carcaças; identificação de nichos comerciais e desenvolvimento de novos produtos; controle de qualidade e sanidade ani-mal; capacitação profissional e extensão; estratégias de marketing; futuro do mercado de carne de ovinos e centros de terminação nutricional.

  • 38BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    A Austrália é o principal produtor e um grande ex-portador de carne de ovino do mundo. São 31 mil produtores com rebanho de cerca de 70 mi-lhões de cabeças.

    As fazendas médias criam 2.500 animais, e a produção média é de 1,4 cordeiro/ovelha/ano. Considerando que os cordeiros produzidos são animais de 38-42 kg peso vivo, e a receita estimada para os produtores é de aproximadamente U$ 175/cordeiro. Desse to-tal, o produtor paga U$ 2,00 por animal abatido para a MLA - Meat & Livestock Austrália.

    MLA - Meat & Livestock Austrália é uma organização financiada por produtores. A ges-tão é totalmente independente, tanto dos setores do governo, quanto da indústria e do comércio. A MLA atua nas mais diversas atividades desde a produção até a comercializa-ção junto aos produtores de bovinos de corte, bovinos de leite, ovinos e caprinos.

    A base da alimentação dos animais, na Austrália, são as pastagens, e a suplementação é utilizada com concentrados e grãos. O uso de fertilizantes na instalação e manutenção das pastagens é restrito, bem como a divisão de áreas com utilização de cercas elétricas.

    Em relação aos recursos genéticos animais, a Austrália apresenta alta variabilidade genética com numerosas raças nativas adaptadas às montanhas e descendo até as áreas mais baixas, acrescidas pela introdução de algumas raças exóticas. As raças estão agrupadas em: de montanha; de fibra de lã longa; maternas ou de duplo pro-pósito e terminais.

    A cadeia produtiva funciona de forma integrada sob a coordenação da MLA com a par-ticipação ativa dos setores de produção, da indústria, do comércio, de organismos ofi-ciais, de empresas privadas e de instituições técnicas (Universidades e Centros de

    3.5. AUSTRÁLIA

  • 39BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    Pesquisa), atuando, de forma integrada e com objetivos muito claros, em relação ao produto final necessário.

    As informações e registros de produção são tratados com muita atenção e transparên-cia. Os dados de mercado e as estatísticas são disponibilizados e a sua utilização estimu-lada, gerando confiabilidade e segurança para toda a cadeia produtiva.

    O uso da genética foi responsável pela definição dos produtos com elevado padrão de qualidade. Na Austrália seu uso vem crescendo com taxas de 18% ao ano, entre os pro-dutores comerciais.

    O novo modelo de produção baseado na classificação e tipificação de carcaças, desenvol-vido desde 2010 no país, aumentou o peso médio para 21kg, e 55% dos animais abatidos obedecem a esse padrão, valorizando o produto e incrementando o crescimento em 9% do rebanho em 2013.

    As atenções com os produtos de carne ovina e seu efetivo controle de qualidade e desen-volvimento aconteceram a partir das exigências criadas pelos mercados consumidores locais e pelo mercado europeu, americano e árabe.

    O conjunto dos atores da cadeia da carne de ovinos é o principal “responsável” pelo pro-fissionalismo e visão empresarial da ovinocultura na Austrália. Dentro deste contexto, três pilares básicos se destacam e influenciam, diretamente, na padronização das carca-ças, em uma maior estabilidade da oferta e na qualidade reconhecida internacionalmente das carnes de cordeiros.

    O primeiro desses pilares é a atuação da MLA na promoção de acesso a novos mercados para a carne australiana, nas ações de promoção dos produtos de ovinos australianos e no aprimoramento da competitividade e sustentabilidade do setor, orientando os produ-tores sobre:

    1. Estratégias de manejo para atingir a padronização das carcaças, maior esta-bilidade da oferta e a qualidade reconhecida internacionalmente das carnes de cordeiros pelos países importadores;

  • 40BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    2. Análises constantes dos dois mercados, doméstico e internacional, que são utilizadas para a comercialização de cordeiros;

    3. Acompanhamento sistêmico das tendências de mercados e dos custos de produção;4. Utilização da grade de classificação das carcaças por Classes de Conformação.

    A clara definição do tipo de carcaça, preferencialmente demandada pelo mercado, e a mudança nos padrões da grade de classificação possibilitaram que, a partir de 2011, a produção de cordeiros, na Austrália, apresentasse 55% das carcaças classificadas pela melhor classe de gordura e peso.

    O segundo pilar são os programas de melhoramento genético para as diversas raças, que são coordenados, nas áreas de produção da Austrália, pela empresa Sheep Gene-tics Austrália. Essa coordenação realiza as avaliações e as análises dos dados, a iden-tificação dos reprodutores comprovadamente melhoradores e realiza a disseminação organizada e a socialização dessa genética, permitindo o aumento de produtividade e a eficiência dos animais.

    O terceiro pilar de impacto significativo sobre o processo produtivo são as ações coor-denadas e programadas de transferências de tecnologias e conhecimentos para o setor produtivo. Este processo é realizado através de ações de extensão em dias de campo, publicações com conteúdo técnico apresentado em linguagem accessível aos produtores e a atuação da MLA e das associações de raças a ela vinculadas. Tudo isso permite uma permanente interação com os produtores que alimentam, com suas demandas, as ativi-dades de pesquisa e desenvolvimento.

    O mercado interno é bastante desenvolvido na Austrália é responsável pelo consumo de 50% da produção. A oferta em pontos de consumo, como bares e restaurantes, é eleva-da, e existe bastante oferta de carne resfriada nos pontos de consumo, tipo supermer-cado. O resultado é uma média de consumo de carne/habitante/ano em 2012 de 10,8 kg.

    Na Austrália, há também oferta de cortes congelados, com posicionamento de preço similar ao dos principais cortes de boi. A indústria frigorífica tem elevada participação no desenvolvimento da cadeia produtiva. São 57 processadores autorizados para o abate de ovino, na Austrália, quase todos exportadores.

  • 41BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    O total de ovinos abatidos em 2012 foi de 26,1 milhões de cabeças, dos quais 24 milhões foram cordeiros e 2,1 milhões de ovelhas e machos adultos. São animais 100% certifica-dos, com média de 110 dias de idade, vivo médio de 40 kg e 21 kg de carcaça. Os princi-pais produtos são carcaças (70%) e cortes inteiros (30%).

    Isso representa uma produção de 520 mil toneladas de carne de ovino. Essa carne tem preço médio de U$ 6,50 por kg, movimentando U$3,3 bilhões. 57% da produção são ex-portados para EUA, China e Oriente Médio.

    Resumo Executivo da Missão à AustráliaINTEGRANTES: Bruno Santos, Carlos Frederico Lacerda e Breno GuerraPERÍODO: 04 de Novembro a 07 de Novembro de 2013.

    MLA - Meat & Livestock Austrália, SidneyENTREVISTADO: Matthew CostelloTemas discutidos foram: formação da cadeia produtiva, substituição das diversas insti-tuições, desenvolvimento da classificação e tipificação das carcaças, busca pelo melhor produto, mercado doméstico e mercado internacional.

    Sheep Genetics Austrália, SidneyENTREVISTADO: HAMISH CHANDLERTemas discutidos: crescimento da utilização de programas genéticos e ganho de produ-tividade no rebanho.

  • 42BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    A Nova Zelândia é o principal país exportador de carne ovina do mundo. São aproximadamente 25.000 produtores com área média de 248 hectares e um rebanho de cerca de 31,2 milhões de cabeças. A atividade baseia-se nas exportações que, anualmen-te, movimentam em torno de 300 mil toneladas de carne de cordei-

    ro, gerando valores de mais ou menos U$ 2,5 bilhões de dólares.

    As fazendas de médio porte possuem um rebanho de 4.000 animais, e a produção é de 1,22 cordeiro/ovelha/ano. Considerando que os cordeiros preferidos pelos mercados são animais de 35-40 kg, peso vivo, a receita estimada para os produtores fica em torno de U$ 170 cordeiro. Desse total, o produtor contribui com aproximadamente U$ 0,60 por cordeiro abatido para o Beef+Lamb New Zealand.

    O Beef+Lamb New Zealand é a entidade que representa os produtores de ovinos, bovi-nos de corte e cervos na Nova Zelândia. Tal representação envolve as áreas denomina-das como Farm (produção, extensão rural, melhoramento genético, pesquisa e desen-volvimento), Market (acesso a mercados, promoção e inteligência), People (formação e capacitação de recursos humanos) e Information (informação, estatísticas do setor e análises econômicas em diversos níveis).

    A entidade é responsável pelo planejamento e condução da cadeia produtiva e é fi-nanciada com recursos dos próprios produtores rurais. Sua gestão é totalmente inde-pendente dos setores do governo, da indústria e do comércio, sendo que as práticas administrativas e de governança seguem os padrões empresariais corporativos.

    Em toda a Nova Zelândia, a atividade enfrenta sérios desafios, como a alta no preço das terras, causada pela competição com outras atividades pecuárias, sobretudo a bovinocultura leiteira e, como consequência, transfere as criações de cordeiros

    3.6. NOVA ZELÂNDIA

  • 43BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    para as regiões de montanha. Isto acarreta a supremacia das grandes propriedades sobre as pequenas.

    A base da alimentação dos animais na Nova Zelândia são as pastagens. Os animais re-cebem suplementação na forma de forragens conservadas na época de escassez de ali-mento, principalmente no inverno. O uso de fertilizantes é intenso, bem como a subdivi-são de áreas com a utilização de cercas convencionais e elétricas.

    Em relação aos recursos genéticos animais, a Nova Zelândia apresenta alta variabilidade genética com a utilização de diversas raças e seus cruzamentos. Tal fato permite que se trabalhe com animais especificamente adaptados às montanhas, descendo até as áreas mais baixas, onde existe uma maior oferta de alimentação de qualidade. Basicamente, as raças estão agrupadas em 1) maternas ou de duplo propósito e 2) terminais.

    A cadeia produtiva funciona de forma integrada sob a coordenação do Beef+Lamb New Zealand, com a participação dos setores de produção: indústria, comércio, organismos oficiais e instituições técnicas públicas e privadas (universidades, empresas do setor e centros de pesquisa) atuando de forma integrada e com objetivos muito claros e bem definidos. De maneira geral, todo o esforço conjunto é voltado para a obtenção de um produto final de qualidade, através de um processo eficiente e absolutamente necessário que possibilite lucratividade para o produtor rural. É importante ressaltar que não existe nenhum tipo de subsídio fornecido ao produtor rural neozelandês.

    As informações e registros de produção são tratados com muita atenção e transparên-cia. Os dados de mercado e estatísticas são disponibilizados, e a sua utilização estimula-da, gerando confiabilidade e segurança para toda a cadeia produtiva.

    O uso da genética, através dos programas de melhoramento genético com o objetivo de elevar a eficiência e a produtividade, foi responsável pelo estabelecimento do atual mo-delo que possibilita a obtenção de produtos com elevado padrão de qualidade. A adoção dos princípios de genética e melhoramento vem crescendo no país a taxas de 18% ao ano (utilização de reprodutores provados) entre os produtores comerciais.

    O modelo de produção baseado na classificação e tipificação de carcaças, desenvolvido no país, continua valorizando o produto e direcionando a produção. As atenções com os

  • 44BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    produtos de carne ovina e seu efetivo controle de qualidade e desenvolvimento acon-teceram a partir das exigências criadas pelos mercados consumidores internacionais, e a qualidade do produto é identificada pelo selo que permite a sua exportação para o Reino Unido desde a década de 30.

    O conjunto dos atores da cadeia da carne de ovinos é o principal “responsável” pelo profissionalismo e pela visão empresarial da ovinocultura na Nova Zelândia.

    Dentro deste contexto, a produção, incluindo a padronização das carcaças, a estabili-dade de oferta (consistência) e a qualidade dos cortes cárneos de cordeiro, reconhecida internacionalmente, são influenciadas diretamente por três pilares básicos.

    O primeiro desses pilares é a atuação do Beef+Lamb New Zealand na promoção de acesso a novos mercados, nas ações de promoção dos produtos de ovinos e no aprimoramento da competitividade e sustentabilidade do setor, orientando os produtores sobre:

    1. As estratégias de manejo para atingir a padronização das carcaças, a maior estabilidade da oferta e a qualidade reconhecida internacionalmente das car-nes de cordeiros pelos países importadores;

    2. As análises constantes dos mercados utilizadas para a comercialização de cordeiros (sobretudo o mercado internacional);

    3. Acompanhamento sistêmico das tendências de mercados e custos de produção;4. Sistema de classificação e tipificação das carcaças por classes de Conformação;5. A clara definição do tipo de carcaça, preferencialmente demandada pelo merca-

    do, possibilitou que a produção de cordeiros na Nova Zelândia apresentasse 58% das carcaças classificadas pela melhor classe de gordura e peso;

    6. Ressalta-se, neste aspecto, que o sistema de classificação conta com a tecno-logia, sobretudo, considerando a utilização de ferramentas como o ViaScan®, equipamento instalado no final das linhas de abate que acessa as proporções de músculo, osso e gordura em regiões distintas das carcaças. Desta forma, todos os animais abatidos nessas linhas são objetivamente verificados e in-fluenciam os preços mais altos pagos aos melhores produtores, incentivando toda a cadeia produtiva.

  • 45BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    O segundo pilar são os programas de melhoramento genético para as diversas raças, que são coordenados, nas áreas de produção da Nova Zelândia, pelo Sheep Improve-ment Ltd. (SIL), uma subsidiária do Beef+Lamb New Zealand e por empresas como a Abacusbio. A coordenação das ações entre essas e outras instituições possibilita realizar as avaliações genéticas e as análises dos dados que permitem a identificação dos reprodutores comprovadamente melhoradores, culminando com a disseminação organizada e a socialização dessa genética, proporcionando o aumento de produtivida-de e o incremento da eficiência de produção.

    O terceiro pilar de impacto significativo sobre o processo produtivo está relacionado com as ações coordenadas e programadas de transferência de tecnologia e de conhe-cimento para o setor. Este processo é realizado através das ações de extensão em dias de campo, publicações com conteúdo técnico apresentado em linguagem accessível aos produtores, e a atuação do Beef+Lamb New Zealand. Tudo isso permite uma per-manente interação com os produtores que alimentam, com suas demandas, as ativi-dades de pesquisa e desenvolvimento.

    O mercado interno é desenvolvido na Nova Zelândia e é responsável pelo consumo de aproximadamente 2% da produção. A oferta em pontos de consumo, como bares e res-taurantes, é elevada, e existe, também, a oferta de carne resfriada nos pontos de consu-mo, tipo supermercado. O resultado é um índice de aproveitamento per capta de 12 kg.

    Há, também, oferta de cortes congelados, com posicionamento de preço similar aos principais cortes de bovino, entretanto não se verifica a presença de um portfólio de produtos em pratos prontos ou porções individualizadas.

    A indústria frigorífica tem elevada participação no desenvolvimento da cadeia produti-va. São 17 frigoríficos autorizados para o abate e processamento de carne de ovino na Nova Zelândia todos com autorização para exportação. As maiores empresas de abate e processamento são as cooperativas de produtores.

    O total de ovinos abatidos na Nova Zelândia em 2013 foi de 25,6 milhões de cabeças, dos quais 21,3 milhões foram de cordeiros e 4,3 milhões de ovelhas e de machos adul-tos. São animais 100% certificados, sendo os cordeiros abatidos com reduzida idade

  • 46BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    e peso vivo médio de 40 kg e 18 kg de carcaça. Os principais produtos de exportação são cortes cárneos de cordeiro (94%) e carcaças de animais adultos ou Mutton (6%).

    Isso representa uma produção de 400 mil toneladas de carne de ovino (2013), com pre-ços médios de U$ 6,80 por kg, movimentando U$ 2,7 bilhões, 97% exportada, sendo que os maiores volumes são destinados para a China, Reino Unido e Europa. A base que sustenta a cadeia produtiva de ovinos na Nova Zelândia possui um aspecto de extrema importância que é a lucratividade para o produtor. Nos últimos dois anos, a lucratividade apresentou grande variação, o que causou sérios danos para a atividade, considerando que os custos de produção seguem crescendo e que a competitividade do setor é bastante reduzida, quando comparada à atividade leiteira.

    Nos anos de 2012 e 2013, a lucratividade média das fazendas de ovinos e bovinos foi de U$ 160.448,00 e U$ 84.500,00 respectivamente. Esses valores expressivos são muito inferiores aos lucros promovidos pela produção de leite que foi, em média, de U$ 369.196,80 e U$ 258.030,00 respectivamente para os anos de 2012 e 2013.

    Sem dúvida, o maior entrave para a cadeia produtiva de ovinos na Nova Zelândia é man-ter a competitividade e os retornos econômicos dentro de um ambiente em constante transformação e altamente desafiador.

    Resumo Executivo da Missão à Nova ZelândiaINTEGRANTES: Bruno Santos, Carlos Frederico Lacerda E Breno GuerraPERÍODO: 27 de outubro 2013 a 09 de Novembro de 2013

    Abacusbio, DunedinENTREVISTADO: Simon Glennie, Diretor Técnico.TEMAS DISCUTIDOS: formação da cadeia produtiva, modelos de produção, importân-cia das instituições como Beef+ Lamb New Zealand em cada elo da cadeia para o seu perfeito funcionamento.

    Indústria Processadora Alliance Lorneville, Invercagil ENTREVISTADO: Geoff Proctor

  • 47BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    TEMAS DISCUTIDOS: participação da indústria na organização da cadeia produtiva, remuneração do produtor, modelos de contrato, produtores, classificação eletrônica via scanner para carcaças. Visita técnica a todas as áreas de produção da indústria, com enfoque no abate apropriado para exportação a países de população mulçumana e trata-mento de vísceras para o mercado chinês.

    Lindsay Farming, DiptonENTREVISTADOS: John e Sra. Mary Lindsey e Simon SaundersHead Watters Limited, Associação de Produtores Tops, WanakaTEMAS ABORDADOS: elevado investimento em programas genéticos, modelo de criação, diversidade de culturas, melhoramento constante da terra e das pastagens, produção em escala e produtividade e desenvolvimento de mercado para produtos de qualidade diferenciada.

    Beef+Lamb New Zeland, WellingtonENTREVISTADOS: Nick Beeby, Gerente de Projetos Estratégicos; CRAIG FINCH, Geren-te Geral Market e Richard Wakelin, Gerente Geral FarmTEMAS DISCUTIDOS: Histórico e modelo de desenvolvimento da cadeia produtiva de ovinos, modelo de governança, gestão e investimentos de recursos financeiros e tecno-lógicos, capacitação e assistência técnica, mercado doméstico, mercado internacional, crescimento da classe média na China, modelos de produção e associativismo.

    Taratahi agricultural training for new zeland, mastertonENTREVISTADOS: Paul Crick, Coordenador de Campo e Miekes Buckley, Coordenadora Pedagógica da Unidade.TEMAS DISCUTIDOS: modelos de capacitação profissional e formação de fazendeiros no desenvolvimento da atividade pecuária na Nova Zelândia, programas de curso, ativi-dades práticas, preços e currículos.

    Wairere Romneys - Principal Criação De Reprodutores, WairapapaENTREVISTADO: Derek DaniellTEMAS DISCUTIDOS: transferência genética através dos reprodutores TOP, manuten-ção de peso do rebanho com base nos programas genéticos, busca do equilíbrio entre barrigas duplas e saúde das ovelhas.

  • 48BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

  • 49BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    estudo do complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    O Uruguai é o principal país exportador de car-ne de ovino da América do Sul. São 12.500 produtores com rebanho de cerca de 8,2 mi-lhões de cabeças.

    As fazendas médias criam 250 animais, e a produção média é de 1 cordeiro/ove-lha/ano. Considerando que os cordeiros preferidos pelos mercados são animais de 30-35 kg peso vivo, a receita estimada para os produtores é de U$ 120, por animal abatido, desse valor, cerca de U$ 9,60 (8,2%) por animal são proporcionados pela lã. Esse esforço de seleção e padronização de carcaças é chamado de Cordeiro Pesado.

    Nos últimos anos, foram acrescentadas duas variantes ao Cordeiro Pesado - CP Tradicional, que são o Cordeiro Precoce Pesado -CPP- animais com menos de 7 meses de idade, peso mínimo de 32 kg (carcaças de 13 a 16 kg) e pode ser com lã ou, são tosquiado, deve ter, no mínimo, 1 cm de comprimento de lã. A outra variante é o Cordeiro Superpesado -CS- animais com peso vivo superior a 45 kg (carcaças com mais de 20 kg). Tanto o CPP, como o CS deverá atender às mesmas exigências que o CP tradicional.

    Para fortalecer as ações do Operativo Cordeiro Pesado, foram de extrema impor-tância, além da participação do Secretariado Uruguaio da Lã, a Cooperativa Central Laneira Uruguaia e o Instituto Nacional de Carnes - INAC.

    O Instituto Nacional de Carnes – INAC - é integrado por representantes do Governo Nacional, por produtores e pela indústria frigorífica, coordenando os trabalhos de organização das atividades industriais e comerciais, bem como a promoção, em ní-vel mundial, de todas as carnes uruguaias, neste caso, especificamente, as carnes dos cordeiros pesados.

    3.7. uruguai

  • 50BENCHMARKINGINTERNACIONAL

    complexo agroindustrial da

    brasileiraovinocaprinocultura

    Para isso, o INAC participa das principais feiras mundiais de carnes e realiza permanen-tes promoções, principalmente nos mercados asiáticos. A presença do INAC no mercado de carnes ovinas concentra-se nas atividades de monitoramento de mercados, certifi-cação de qualidade, promoção, divulgação das estatísticas de abates e dos destinos de mercados, classificação de carcaças, capacitação dos diferentes atores do processo e inovação de cortes comerciais.

    Em relação às instituições, que desde diferentes posições atuam de forma preponderante ao longo dos últimos 50 anos no desenvolvimento e posterior reorganização da ovinocultura uruguaia, destaca-se o Secretariado Uruguaio da Lã - SUL- considerado, em nível mundial, uma das mais atuantes instituições na organização, principalmente, da etapa produtiva das lãs e das carnes de ovinos.

    Desde 1966, a missão do SUL é promover o desenvolvimento sustentável da produção ovina no país, e é dirigida e financiada pelos ovinocultores através do pagamento de taxas em rela-ção aos produtos comercializados.

    As ações principais realizadas pelo SUL, neste meio século, são: a pesquisa; a transfe-rência de tecnologias pelos agentes de assistência técnica aos produtores; a promoção dos produtos; a capacitação tanto dos trabalhadores rurais quanto dos industriais da carne e da lã, bem como os demais serviços técnicos de campo e laboratoriais presta-dos aos produtores de ovinos.

    A atuação do SUL na elaboração e na gestão técnica do Operativo Cordeiro Pesado foi e é determinante para o sucesso produti