Bibliografia: Avaliações - .Universidade Federal de Minas Gerais – Direito Penal II 3 Concurso

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  • Universidade Federal de Minas Gerais Curso: Direito Disciplina: Direito Penal II Professor: Fernando Galvo (fernandogalvaoufmg.blogspot.com)

    Monitor: Wagner Possas

    Bibliografia: ROCHA, Fernando A. N. Galvo Da. Direito Penal: Curso Completo. Del Rey.

    BITENCOURT, Czar Roberto. Tratado de Direito Penal. Saraiva.

    PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. Revista dos Tribunais.

    GRECO, Rogrio. Curso de Direito Penal. Impetus.

    Avaliaes: 07/11/12 1 Prova. Matria: concurso de pessoas, penas, legitimidade das penas. Valor: 30 pontos.

    07/12/12 2 Prova. Matria: 1 prova + aplicao da pena. Valor: 40 pontos.

    21/12/12 3 Prova. Matria 1 prova + 2 prova + suspenso condicional, livramento condicional, efeitos

    da condenao, reabilitao, medidas de segurana, ao penal e extino da punibilidade. Valor: 30 pontos.

    20/02/13 Exame especial

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    Concurso de pessoas Ttulo IV, Do Concurso De Pessoas - Art. 29 a 31.

    Vrias pessoas podem responder pelo mesmo crime. Alguns crimes exigem que haja mais de uma pessoa

    para que seja realizado. Nesses casos, o concurso de pessoas caracteriza o tipo penal incriminador. Tais

    crimes so plurissubjetivos. Ex.: Rixa (art. 137) e quadrilha (art. 288). Porm, a maioria dos crimes pode ser

    realizada por apenas uma pessoa. Esses so os crimes unissubjetivos. O concurso de pessoas verifica-se

    quando mais de uma pessoa, consciente e voluntariamente, participa da mesma infrao penal.

    1. Requisitos

    1.1. Pluralidade de participantes e de condutas

    Relacionado existncia de mais de um comportamento juridicamente relevante. Cada pessoa integrante do

    concurso deve contribuir para a violao da norma jurdica, mesmo que tal contribuio no seja realizada

    da mesma forma. Essa contribuio pode ocorrer tanto por meio de condutas comissivas quanto de

    condutas omissivas.

    1.2. Relevncia causal (de cada uma das condutas)

    Obs: Imputao objetiva (Penal I). H uma relao de causalidade entre uma conduta e uma valorao.

    necessrio perceber o valor que a conduta pode adquirir para a violao da lei, ou seja, se um

    comportamento social inadequado, o que define um crime. A relevncia causal relaciona-se adequao da

    conduta social. A conduta de cada pessoa integrante do concurso deve ser relevante para a violao da

    norma. Caso a conduta de um indivduo no contribua objetivamente para a violao da norma, este no

    responsabilizado. Desse modo, mesmo que um indivduo tenha a inteno de participar de um crime

    (entregando uma arma a ser usada em homicdio, por exemplo), ele no ser responsabilizado caso sua

    conduta no seja relevante para isso (no mesmo exemplo, caso a arma entregue no seja utilizada). Por

    outro lado, um indivduo pode responder por participao em crime tentado. No existe tentativa de

    participar de um crime, existe participao em tentativa.

    1.3. Convergncia do elemento subjetivo

    Relacionado inteno da pessoa. Ou seja, para que haja concurso de pessoas deve haver uma identidade

    de objetivos, um liame psicolgico entre os vrios participantes. Desse modo, no existe participao dolosa

    em crime culposo nem participao culposa em crime doloso. Caso haja divergncia do elemento subjetivo,

    cada um responde por um crime prprio e distinto. Observa-se que no necessrio que haja um "plano"

    para que duas ou mais pessoas sejam culpadas. Por fim, no responsabilizado como partcipe o indivduo

    que ciente do delito e no o denuncia s autoridades, salvo se tiver o dever jurdico de faz-lo.

    1.4. Unidade de infrao

    Para que o resultado da ao de vrios participantes possa ser atribudo a todos, deve haver uma unidade de

    infrao. Em atividades determinadas por uma diviso de trabalho que convergem para o mesmo tipo penal,

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    todos respondem pelo mesmo crime. No um requisito propriamente dito, e sim uma consequncia do

    concurso de pessoas em face da observncia dos requisitos anteriormente mencionados.

    2. Incriminao

    Como a participao das pessoas nos crimes diversa, h posies distintas sobre como puni-las.

    2.1. Teoria Monista ou Unitria: sustenta a existncia de crime nico, dado que todas as condutas

    convergem para um mesmo objetivo, mesmo havendo pluralidade de pessoas. Portanto, nesse caso, a cada

    um deve ser atribuda a responsabilidade pelo todo.

    2.2. Teoria Dualista: segundo essa teoria, h condutas diferenciadas: uma para os autores, que realizam a

    atividade principal descrita no tipo penal e outra para os partcipes, que desenvolvem uma atividade

    secundria e realizam o tipo de participao. Ainda assim, h apenas um crime.

    2.3. Teoria Pluralista: sustenta que cada participante comete crime prprio, autnomo e distinto. No h

    vinculao da conduta de um conduta de outro, mas sim simultaneidade de condutas punveis. uma

    concepo incompatvel com a ideia de concurso de pessoas.

    Faz-se a distino entre autor e partcipe, porm no se aplica crimes distintos a eles no cdigo penal

    brasileiro, que aponta para a teoria monista de incriminao (Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre

    para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade.). Essa distino til

    porque caso a participao seja de importncia menor, a pena comutada ser mais leve (poder ser

    diminuda entre 1/3 e 2/3). A denominao participante de um crime refere-se a todos (autor e partcipes),

    sendo o autor o participante de maior importncia.

    3. Identificao do Autor

    Com a reforma penal de 1984, a posio do CP em relao autoria de crimes passou a sustentar que nem

    todos os concorrentes devem ser considerados autores. O princpio de acessoriedade da participao

    fundamenta essa posio, dado que, por meio dele, entende-se que a participao uma interveno

    secundria. H vrios critrios para identificar o autor, porm o CP no adota nenhum. Assim, a adoo de

    um critrio fica a merc da vontade do juiz; isso gera grande insegurana jurdica para o ru.

    Conceito extensivo de autor

    3.1. Teoria material-objetiva. Deriva da teoria da equivalncia dos antecedentes causais. Ou seja, considera

    que todo indivduo cuja conduta contribuiu para a violao da norma considerado autor, de modo que no

    distingue autoria e participao; todos os participantes so autores. incompatvel com o CP brasileiro, dado

    que no admite a diminuio da pena em funo de participao menor.

    Conceito restritivo de autor

    3.2. Teoria formal-objetiva. O autor aquele que realiza a ao descrita no tipo penal incriminador,

    enquanto o partcipe aquele que no realiza a conduta descrita no tipo, somente atos de auxlio. Embora

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    compatvel com o Cdigo, uma resposta ineficaz. Ex.: em um caso de homicdio, o mandante seria apenas o

    partcipe, e a pessoa "contratada" para matar seria o autor; uma pessoa que comete um crime sob ameaa

    seria o autor, e a pessoa que realiza a ameaa seria apenas o partcipe.

    3.3. Teoria Subjetiva. O autor o indivduo que deseja o crime como seu. Atua com vontade de autor.

    Compatvel com o Cdigo.

    Conceito conciliatrio

    3.4. Teoria final-objetiva. O autor o indivduo que detm o pleno domnio do fato, ou o domnio final do

    fato1. Ou seja, autor quem tem o poder de deciso sobre a realizao do fato, podendo ou no realiza-lo. A

    realizao do fato sempre fundamenta a autoria, mas podem tambm ser considerados autores aqueles que

    executam o fato por meio de outrem (autoria mediata) e aqueles que realizam parte necessria do plano

    global (domnio funcional do fato).

    possvel, porm, que haja um crime sem autor. Exemplo: se o indivduo que manda no trfico em uma

    favela menor de idade. Nesse caso, a pena de todos.

    4. Formas de Autoria

    4.1. Direta ou Imediata. O prprio agente executa a conduta proibida. O domnio do fato estabelece-se por

    meio do domnio da ao ou omisso que adquire perfeita adequao tpica. Ou seja, o autor executa

    diretamente o comportamento descrito no tipo penal e est imediatamente envolvido na realizao da

    conduta proibida2.

    4.2. Indireta ou Mediata. O agente se utiliza de um indivduo sem culpabilidade (instrumento) para realizar o

    comportamento previsto no tipo (art. 62, III). Deve haver interveno de uma pessoa. Pode acontecer tanto

    em crime doloso quanto em crime culposo. Nesse caso, o autor no executa diretamente a conduta

    proibida, mas domina a vontade de outra pessoa que, sob sua determinao, executa-a. A autoria mediata

    exige a pluralidade de pessoas, mas no exige o concurso de pessoas responsveis. aceita pelo CP

    brasileiro ps reforma de 1984. Pode ocorrer em crimes prprios, uma vez que no exigem a realizao

    pessoal da conduta delitiva; mas no pode ocorrer em crimes de mo prpria3.

    a) Erro determinado por terceiro (art. 20, S2; art. 21). Quando um terceiro faz com que o executor do crime

    o cometa por engano, utilizando-o como instrumento. Nesses casos, ser responsabilizado apenas aquele

    que determinar o erro.

    1 Limita-se aos delitos dolosos, visto que os delitos culposos caracterizam-se justamente pela perda desses domnios.

    2 Nos casos em que h mais de um autor realizando o ato em diviso do trabalho, todos devem realizar ao menos